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História Flames - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Essa fic é fruto de um amigo secreto feito entre amigos. É zouis, se não gosta, não leia.

Inspirado no clipe again do Lenny Kravitz (recomendo que ouçam a música e vejam o clipe no final)

Dedicado à crushforstyles espero que goste, fiz com carinho :)

Capítulo 1 - Capítulo único


Uma cama com um lençol branco manchado de café. Uma estante tomada por cupins servindo como guarda roupas. Uma pequena geladeira com duas garrafas d'água dentro. Um ventilador pequeno e empoeirado. Um banheiro pequeno em que apenas uma pessoa pode entrar por vez. Uma televisão velha presa na parede.


Isso era tudo que Zayn encontrou no quarto de hotel quando chegou. De longe, aquele havia sido o lugar mais acabado em que se instalou durante toda sua carreira artística. Estava acostumado com suítes luxuosas em bairros ricos. Onde quer que fosse, não lembrava da última vez em que estivera em um local com condições tão precárias.


Mas ele não se importava. Nunca foi uma pessoa que precisou de muito para viver. Simplicidade lhe era seduzente. Ademais, ficaria na cidade apenas três dias. Ou quase isso. Queria privacidade e foi isso que pediu a seus agentes quando foi reservado sua estadia. Foi bem claro ao dizer que não se importava com as condições do local, desde que fosse algo em que nunca imaginariam que ele estivesse.


Não possuia condições mentais para lidar com uma multidão de repórteres e fãs enlouquecidos gritando em sua janela. Queria paz. Queria ser esquecido. Já não bastava as vozes dentro de sua cabeça gritando a todo tempo.


Foi difícil convencer Simon, seu agente, disso. O homem achava um absurdo um artista tão renomado quanto Zayn se submeter a isso. Mas ele não poderia se importar menos. Já estava demasiado cansado de todos os jogos cínicos que a fama repetidamente o submetia. A um ponto de jogar as mãos para o alto e desistir de tudo. Era isso, ou contratos cortados. Não lhe importava quanto dinheiro seria gasto com isso.


"Isso cheira a pó." Simon reclamou atrás dele. Revirando os olhos, Zayn ignorou. "Isso é um absurdo. Diga que está arrependido e eu resolvo tudo com um simples telefonema."


"Muito audacioso achar que o mundo gira ao redor do seu umbigo e que pode resolver tudo em sua vida telefonando para as pessoas." Zayn debochou. Jogou sua mala sobre a cama e pegou o controle remoto, ficando surpreso ao constatar que a televisão não servia de enfeite, mas funcionava bem. 


"Você acha que pode falar assim comigo. Mas eu ainda sou a razão de você estar aqui."


Zayn riu com escárnio. O som feio saindo do fundo de sua garganta. 


"Assim como eu sou a de você ser quem é. Ou gostaria que eu lembrasse de como você era dono de uma gravadora de merda falida antes de me conhecer?"


Não houve resposta. Zayn não precisava olhar para saber que a fúria queimava nas veias de Simon. Sabia o quanto o homem odiava quando ele comentava isso.


Passou os canais com calma. Eram poucos mas até que eram bons. Tinha uns de desenho, inclusive. Não era seu entretenimento favorito mas dava pro gasto por aqueles três dias que ficaria ali.


"Vejo que achou sua diversão." Simon comentou entredentes. "Faça bom proveito. Pelo menos não se meta em confusão por esses dias. Já tem o bastante em seu currículo." Dito isso saiu batendo a porta.


Zayn suspirou cansado. A viagem havia sido longa de Dubai até londres. E a turnê não estava nem perto do fim ainda. Só esse pensamento o fazia querer surtar e desaparecer para sempre.


Amava seu trabalho. Suas músicas eram tudo que tinha. Sua forma de escape dos problemas. Entretanto, nos últimos tempos tinham se tornado uma forma de prisão. Haviam muitas composições das quais ele não se orgulhava. Não havia mais sua honestidade e vulnerabilidade inicial. Era tudo mecânico e programado. Como um robô havia de ser. Ele não se importaria de não fazer sucesso contanto que estivesse plenamente feliz com o resultado de suas palavras misturadas a uma melodia. Porém, seus agentes e a mídia não compartilhavam da mesma opinião.


Às vezes, ele gostaria de voltar a ser um garotinho com um violão e um mundo de sonhos em seu coração. A vida era mais fácil dez anos atrás. Nesse momento ele tinha 28 mas gostaria de voltar a reviver seus 18 por um dia que fosse.


Seu celular tocou. Zayn tirou os olhos da TV onde passava um desenho preto e branco sem som e olhou a tela preta se iluminar. A foto de Gigi, sua namorada, apareceu no visor. Cogitou não atender, afinal, não estavam em seus melhores momentos, mas decidiu que estava na hora de parar de ignorá-la e enfrentar a realidade.


"Sim." Sua voz saiu baixa e desanimada, assim como sua vontade de estar naquela relação.


"Zayn? Oi. Nossa finalmente você me atendeu." A voz feminina saiu estridente com a surpresa. Nem mesmo ela esperava ouvir sua voz do outro lado da linha. "Como você está?"


"Estou bem. É. Acabei de chegar no hotel."


"Simon disse que você quis algo mais afastado. Mas é confortável?"


"Sim, é. Dá pra viver."


Gigi ofegou do outro lado. Zayn bem sabia que ela era contra essa sua escolha. Mas ficava grato por ela não comentar nada. Já não bastava seu agente sugador de dinheiro pegando no seu pé.


"Bom, isso é ótimo." Ela disse com falsa animação. O silêncio se fez presente, até que ele decidiu quebrar a tensão e ir direto ao ponto. "Precisamos conversar sobre, você sabe, tudo."


"Não acho que comigo do outro lado do mundo vai ser a melhor das ideias. Podemos esperar-"


"Já esperei tempo demais" Gigi interrompeu, afobada. Logo acalmou-se um pouco e diminuiu o volume da voz. "Tenho tentado não te pressionar porque sei das circunstâncias. Mas você me ignora tem semanas. Diz para deixarmos para conversar a sós mas evita estar no mesmo local que eu."


"É muita prepotência achar que estou fazendo isso por querer. Sabe, eu tenho uma tour para fazer…"


"Zayn, não seja cínico. Esse não é seu perfil. Você está me evitando por que quer sim."


Era verdade. Zayn não tinha mesmo como negar. Mesmo em seus dias mais atarefados ele arranjava formas de ver sua namorada e amigos próximos. Sempre foi uma condição sua estar o mais próximo possível daqueles que ama. De forma que seus desencontros não eram ocasionais mas propositais.


Gigi suspirou. Zayn também ficou em silêncio por um tempo. Apenas a respiração um do outro acalentando seus ouvidos.


"Você sabe por que tenho feito isso, de qualquer forma." Zayn disse. Não como uma acusação. Apenas decidiu que era mesmo hora de ser sincero e parar de jogar a sujeira para debaixo do tapete.


"Sim, eu sei. Mas não pode fazer isso pra sempre. Vai nos prender num limbo e nada vai ser resolvido."


Ela estava certa. Zayn sabia.


"Certo. Acho que isso não vai funcionar. Nós. Essa relação tem me sugado mais do que preciso. Sendo bem sincero."


"Zayn, mas não precisa ser assim. Podemos resolver isso."


"Depois de ter pegado com outro na nossa cama não me restou dúvidas que essa relação falhou. Não adianta mentirmos para nós mesmos."


Silêncio. Zayn pode ouviu um som rouco e engasgado do outro lado. Um soluço. Seu coração afundou. Não estava mais aguentando aquilo.


"Você é uma garota incrível Gigi. Acho que, assim como eu, chegou ao seu limite. Isso não tem feito bem para nós. Vamos ser racionais aqui. Não quero ter que perder o respeito por você porque já te amei muito."


"Amou? No passado. Não nos vê mais no presente ou no futuro?


Zayn respirou fundo. Assentiu, mesmo que ela não pudesse ver.


"Acho que o fim é inevitável, pra tudo."


Gigi discordava. 


"Mas esse não precisa ser o nosso. Quer dizer, não assim. Por favor, vamos conversar com calma."


Zayn não achava que havia muito mais a ser dito. Não sentia raiva de Gigi, mas magoa. Não por ela, mas por essa relação que havia fugido do controle e escapado de seus dedos como areia. 


De qualquer forma, sabia da importância de conversar de forma decente, que não fosse por meio de um telefonema.


"Tudo bem. Quando a tour acabar, podemos nos ver e conversar melhor."


"Mas ainda falta tanto tempo.."


"Não é como se nós já não soubéssemos como vai ser o fim disso. Apenas será mais certo e oficial."


"Ok. Tudo bem. Nos encontramos daqui dois meses."


"Sim. Te aviso quando chegar."


"Certo."


"E Gigi? Não perca seu tempo pensando muito em mim. Porque eu não vou fazer isso. Viva sua vida que vou viver a minha."


Não esperou resposta. Desligou e jogou o celular longe. Deitou na cama e pôs as duas mãos sobre seu rosto, massageando suas têmporas com o dedo indicador.


Exausto. Estava exausto de sua vida de mentira. Queria um motivo que fosse para continuar, porque suas motivações próprias estavam se esgotando.


Dito isso ele resolveu que ficar preso naquele quarto iria o sufocar. Não daria o braço a torcer e admitir que talvez um hotel maior seria mais adequado. Não se importava se era um quarto pequeno com poucos luxos, mas a poeira e sensação de sujeira estava o sufocando. 


Decidiu que precisava sair, caminhar um pouco e beber. Sim, beber. Como um cantor famoso que nos últimos cinco anos havia acumulado um tanto de prêmios incluindo 5 Brits e 2 Grammys, ele não era uma pessoa que poderia se dar o luxo de sair à toa.  Contudo, ele pretendia correr esse risco.


Estava em um bairro bastante abandonado em Londres. Quem iria pensar que ele poderia estar ali. Certamente iriam o procurar em restaurantes caros. Mas em nenhum deles Zayn achou que iria encontrar prazer igual do que comer um bife com batatas.


Pôs suas roupas mais baratas e desgastadas. Sendo elas, uma calça jeans surrada. Uma blusa branca dominou por baixo de uma jaqueta velha e furada nas extremidades das bordas. Um tênis all star preto sujo e igualmente velho. Tampos sua cabeça com o capuz e cobriu seus olhos e metade de suas bochechas com um grande óculos escuro. Esperava que seu visual enganasse nem que fosse por algumas horas.


Passou pela recepção feito um infiltrado. Avisou rapidamente o recepcionista que iria dar uma volta e logo retornaria. Ofereceu um grande bolo de notas para ele ocultar a Simon ou qualquer um de seus seguranças que o viu passar por ali.


Feito isso, caminhou pelas ruas londrinas sozinho e preso em seus pensamentos. Não existia muito o que ver naquela parte da cidade. Era onde pessoas desprovidas viviam. Não era o glamour vendido no mundo a fora. 


Chutou uma lata de cerveja velha e amassada sobre o chão. Viu algumas crianças se divertindo com uma bola de futebol enquanto seus cachorros corriam de um lado pro outro. Resmungavam quando as mães os chamavam para ir almoçar, fazendo Zayn sorrir. Sua vida glamurosa era boa e ele não negava isso. Mas gostava da normalidade. De ser um ninguém. De caminhar pelas ruas e ver como a vida realmente era, e não as mentiras contadas por pessoas de ternos exageradamente caros atrás de câmeras com sorrisos falsos e ensaiados.


Encontrou um pequeno bar aberto algumas ruas depois. Era pequeno, Zayn podia ver o balcão de fora e algumas cadeiras giratórias em frente a ele. Decidiu entrar e ver o que tinha pra comer, já que a fome já estava batendo.


Poucas pessoas haviam dentro do pequeno estabelecimento. Dois homens idosos jogando cartas mais ao fundo. Um homem agarrado em um copo de cerveja e um jornal. Os atendentes atrás do balcão assistindo a televisão sem som através da janela que dava para a cozinha.


Zayn sentou em uma cadeira no canto e assobiou, chamando a atenção deles. Era um homem e uma mulher, mas apenas ela se virou ofereceu para atendê-lo. O jovem magro e baixo continuou de costas para ele com os braços cruzados sobre o peito e um pano sobre os ombros.


A mulher se aproximou e deu a ele um pequeno cardápio e segundos depois saiu anotando o pedido de Zayn. Não era nada além de um grande sanduíche com coca cola.


Depois de saborear a refeição, decidiu que iria pedir cerveja. Bebeu sete latas inteiras de uma marca barata que ele achava que nunca antes havia provado. O homem agarrado no jornal continuava ao seu lado, resmungando toda vez que lia algo que o desagradava.


Quando viu que Zayn o observava, ele estendeu o jornal e aproximou sua cadeira da dele. 


"Vê isso? É o que está acontecendo nesse país de merda!" O homem exclamou indignado. 


Zayn deu uma olhada rápida na reportagem da qual ele se referia e viu que se tratava de uma matéria sobre um jovem homossexual morto em um pub no centro da cidade. Resmungou, também insatisfeito com o que lia.


"São idiotas." Afirmou.


O homem concordou. Mas embora ele estivesse com raiva, era mais pontual e desimpedido em suas palavras. Zayn não parecia querer falar sobre o assunto. Enquanto homem bissexual, ele sabia que sua voz em tal questão era importante. Mas ultimamente andava tão cansado e sem expectativas que não tinha sequer forças para reclamar. Já o homem em sua frente agia de forma oposta.


Ele estava claramente alterado. Não apenas pela raiva que o acometeu após ler a notícia, como pela bebida. Zayn foi decifrando suas palavras aos poucos.


"Isso tem que acabar. Esses… doentes que acham que podem estar em todos os lugares atrapalhando a vida de quem realmente é normal.


Naquele instante, ocorreu-lhe que as palavras eram odiosas demais para um discurso tão bonito quanto anti-homofobia. Zayn deu corda, entretanto.


"Sim, são uns depravados."


"Completamente. Não bastam achar que esse negócio de ser bicha é certo, querem enfiar goela abaixo dos outros. Daí reclamam quando apanham depois."


Zayn compreendeu finalmente. O homem estava mais preocupada com a chegada de homossexuais em espaços públicos do que a eventual violência que eles sofriam por existir e estar lá. Indignou-se. 


"Acho que você deveria pensar por um lado."


"Qual?"


"Se você tivesse uma mulher para foder não estaria tão preocupado com a sexualidade dos outros. Mas é pedir demais que uma mulher em plena consciência deseje isso." Zayn apontou com escárnio para o homem de cima abaixo.


Ele piscou algumas vezes antes de uma carranca rachar em seu rosto. A fúria parecia cada vez maior. Mas Zayn não sentia que queria pegar suas palavras de volta. 


"Está defendendo bichas, deve ser uma."


"Gostaria que eu fosse para te foder até retirar suas palavras, não é? Não estou interessado. Você não faz muito meu tipo" 


Um copo se quebrou. O aperto da mão do homem velho e barrigudo fez o vidro esmagar e estilhaçar em diversos pedaços. Ele não pareceu se importar com o sangue em suas mãos, nem com o pedaço de vidro preso em sua pele.


Levantou de abrupto e acertou um soco certeiro em Zayn. Foi rápido e impressionantemente forte para um homem daquela idade - devia ter por volta de cinquenta - e naquelas condições. A bebida escorria por seus lábios e os olhos faiscavam em repulsa.


"Bicha nojenta!" O homem gritou.


Ainda que um pouco zonzo pelo soco e pelos efeitos do álcool em seu organismo, Zayn reagiu rapidamente. Havia caído da cadeira com o soco, então usou suas pernas para desequilibrar o sujeito e fazê-lo cair.


Rapidamente tudo se transformou em uma confusão sem precedentes. O homem uivou de raiva e ficou de joelhos, pronto para acertar um segundo soco em Zayn. Mas ele foi mais rápido e desviou. O homem caiu sobre o chão com a barriga esmagada no piso duro.


Não durou muito mais. Logo a mulher que o atendeu e o homem que Zayn não havia visto o rosto chegaram para apartar a briga.


"Se os dois cachaceiros vão brigar, que seja fora desse estabelecimento. Ou eu chamo a polícia para vir chutar suas bundas até a delegacia." A voz fina e carregada por um sotaque forte se fez presente. Zayn a reconhecia de algum lugar.


"Esse pervertido insinuou coisas depravadas para mim." O velho reclamou, justificando. "Estava apenas defendendo minha honra."


"Que honra?" Zayn gemeu em resposta. "Desde quando um bêbado sem propósito algum na vida que fica reclamando de casais gays tem honra? Você é um parasita inútil."


"Ora seu-"


"Calem a boca!" O atendente voltou a falar. Virou-se para a mulher e pediu gentilmente que levasse o homem mais velho para fora enquanto ele arrumava a bagunça. "Você." Apontou para o homem. "Não volte mais aqui, esse lugar não atende pessoas retrógradas como você."


Disse e não se importou em ouvir as respostas malcriadas do homem contra suas costas. Aproximou-se de Zayn e o ajudou a se levantar.


"Cara, você está bem?" Perguntou. Zayn moveu a cabeça para ele e enfim pode ver seu rosto apropriadamente.


Ele tinha olhos azuis e pele pálida. O cabelo moreno com franjas caindo sobre a testa. Devido à proximidade, Zayn podia ver as sardas em suas bochechas, formando constelações. A boca fina estava presa em uma linha. Ele era lindo. E era conhecido.


"Hum… eu te conheço?" Zayn perguntou embolado, ainda um pouco zonzo. Seria o efeito do álcool que estava o fazendo agir ver coisas.


Não podia ser. Aquele homem era bem real. 


"Oh meu Deus, Zayn?" Ele perguntou chocado. A mandíbula despencada e os olhos azuis arregalados, quase não piscando, logo foram se desfazendo ao que sua surpresa virava raiva.


Ele bufou contrariado e soltou os braços de Zayn. Ele caiu no chão, visto que ainda não estava completamente equilibrado e seu único apoio era o corpo do atendente. 


Lembrou-se dele finalmente. Era Louis seu antigo colega. Aquele com o qual foi amigo durante anos e achou que iria ser para sempre. Aquele com quem brigou quando disse que queria mais da vida e foi embora sem se despedir. Aquele que provavelmente odiava Zayn pela forma com que havia saído de sua vida.


Sem reação, Zayn não disse nada. Logo a mulher e colega de Louis apareceu, perguntando o que havia acontecido.


"Você disse que iria cuidar dele? O que houve?"


"Não cuido de estrelas." Louis falou com desgosto e saiu. Pegou um pano, uma vassoura e uma pá e voltou em seguida com o intuito de limpar a sujeira que Zayn e o homem bêbado haviam deixado. 


"Ele está machucado." A mulher comentou, olhando o rosto de Zayn com calma. "Venha, vamos para os fundos curar isso."


Zayn foi puxado por ela e logo estava fora das vistas de Louis. O local em que foi posto sentado parecia ser, pelo que sua vista turva o permitia enxergar, os fundos do bar.


Havia um muro e algumas árvores atrás. Uma lata de lixo e um banco onde Zayn havia sido posto.


Ouviu alguns resmungos que mais pareceram uma pequena discussão. Logo Louis apareceu com a feição tomada de irritação. Ele sentou em frente a Zayn e, sem dizer uma palavra, começou a limpar seus ferimentos.


Seus dedos pequenos eram cálidos e delicados. Tomou o rosto de Zayn em sua mão e ficou sem ar quando viu que ele inclinou a cabeça para seu toque.


Com cuidado, ele retirou um pedaço de vidro que havia grudado perto dos olhos de Zayn e passou água com creme cicatrizante sobre o machucado.


"Hum." Zayn gemeu de dor quando ele apertou demais o local em que havia levado o soco. 


Louis afrouxou o toque e esperou alguns segundos. Com um dos olhos abertos Zayn o observou. Ele tinha a língua entre os dentes e os olhos curvados em uma expressão concentrada.


Quando percebeu que estava sendo observado, Louis corou em desconforto. Remexeu-se na cadeira e voltou a cuidar dos machucados de Zayn. Logo que terminou, levantou e recolheu as coisas.


"Você deve colocar gelo à noite. Não quer que seu lindo rostinho capa de revista esteja machucado quando as câmeras chegarem em você, certo?


"Louis."


"Não diga nada, por favor." Embora a clara raiva e mágoa em sua voz, Zayn viu aquilo mais como uma súplica. Calou-se imediatamente. O coração apertado ao ver a tristeza nos olhos de Louis.


Queria se explicar. Conversar um pouco. Tinha tantas coisas a dizer sobre si. Sobre como ele era apenas um garoto assustado quando tudo aconteceu. De repente, depois de dez anos, Zayn lembrou por que queria tanto voltar aos seus 18 anos. Queria um dia a mais com Louis quando a vida não era tão complicada e o pouco que ele tinha era suficiente.


"Não volte mais aqui." Louis disse e em seguida entrou na cozinha e não retornou mais.


Zayn saiu pelos fundos e, como pedido por Louis, ele não retornou.


Pelo menos não até o anoitecer. Voltou para seu quarto de hotel e ficou lá durante a tarde toda rolando sobre a cama. O pensamento do rosto de Louis não saia de sua cabeça.


Quando deu seis horas, decidiu que iria voltar. Precisava falar com ele mais uma vez. Nem que fosse a última.


Do outro lado da rua, observou Louis trabalhar até ser sete horas. Primeiro saiu a mulher com quem Louis trabalhava e depois um homem que Zayn achou que pudesse ser o dono do estabelecimento. Louis saiu logo após com uma mochila em suas costas.


Estava fechando as portas quando Zayn escutou alguns motoqueiros que passavam falar coisas obscenas para ele. Louis ignorava mas quando um deles ameaçou se aproximar Zayn perdeu o controle e atravessou a rua, indo até eles.


"Hey, caras, é feio incomodar quem não está interessado."


"E quem te disse que ele não está. Não se mete no que não te interessa."


"Você está interessado, Louis?" Zayn perguntou retoricamente, olhando Louis nos olhos.


Viu a dúvida se deveria aceitar sua ajuda passar pelas iria oceânicas dele. Por fim, Louis negou.


"Pronto. Ele não está. Caiam fora daqui." 


"Ou o quê?"


"Ou vou parar de pedir com educação."


Encararam-se por alguns minutos. Até que enfim eles cederam e foram embora. Louis suspirou aliviado.


"Tudo bem?" Zayn perguntou preocupado, virando o corpo para Louis.


"Eu disse para não voltar mais aqui?" Louis respondeu simplesmente. Não olhando Zayn nos olhos.


"Quis vir. Precisamos conversar, não acha? E que bom que eu vim pra te ajuda. De nada, aliás."


Louis revirou os olhos.


"Não, nós não temos nada para conversar e você não tinha que ter vindo me ajudar. Não pedi sua ajuda e muito menos preciso dela.


"Bem, eu só achei que estava te devendo um por mais cedo.


"Não está mais. Então já pode ir embora."


Louis virou e caminhou para longe. Zayn o seguiu de perto.


"Qual é, Louis. Deixe que eu me explique, por favor. Há tantas coisas que eu gostaria de te dizer…"


"E você não se importou em dizer até hoje. Você teve dez anos para fazer isso. Agora que lembrou que eu existo decidiu que quer conversar?"


"Eu apenas achei que não fosse ser recebido…"


"Achou certo. Já pode voltar para sua vidinha de fama e me deixar em paz."


Zayn correu um pouco mais e parou em frente a Louis, bloqueando sua passagem. 


"Sabe que o quanto mais você diz isso mais penso que está com inveja."


"Inveja? O que disse?" Louis gritou exasperado, não acreditando no que estava ouvindo.


"Sim, não quer falar comigo e só fica repetindo que eu sou famoso."


"Eu digo isso para te lembrar bem por que você foi embora e nós deixamos de ser… amigos. 


A palavra amigos saiu sussurrada. Louis abaixou a cabeça, envergonhado. Sabia bem que, de todas as palavras do mundo, aquela era a que menos poderia classificar sua antiga relação com Zayn. Eles se odiavam. Eram inimigos. Depois eles fizeram sexo até o ódio sair pra fora. E por um tempo tudo ficou bem. Mas nunca foram amigos.


"Nem você acredita nisso." Zayn falou com ar vitorioso. Louis não respondeu. "Vamos, deixe que eu te leve até sua casa. Dê esse tempo para eu poder falar o que preciso. Se não for suficiente eu sumo da sua vida para sempre, prometo."


Louis pensou a respeito. Era mesmo uma ideia tentadora. Mas não tinha certeza.


"Eu…" Estava prestes a responder quando um grupo composto por quatro homens com câmeras apareceu.


Zayn tomou um susto antes de entender do que se tratava. Logo um som raivoso repercutiu do fundo de sua garganta. Como o descobriram ali? Estava fodido. Absolutamente fodido.


"Corre." Zayn gritou, puxando Louis pelo braço.


Os dois saíram correndo juntos lado a lado pelas ruas. Constavam fazer muito isso em Doncaster, cidade onde cresceram. Agora mais velhos estavam um tanto fora de forma, mas ainda conseguiram correr rápido o bastante.


"Por aqui." Louis sugeriu em um grito. Fez uma curva em uma casa e com facilidade escalou um muro até pulá-lo. Um tanto afobado, Zayn respeitou o ato.


Caíram do outro lado. Zayn, em sua queda, acabou se desequilibrando e levou Louis junto caindo com ele sobre seu corpo.


Rostos próximos demais. Os narizes encostados e os olhos estavam presos no do outro. Zayn pôs um dedo sobre a boca de Louis pedindo para ele ficar em silêncio. Prendendo até mesmo a respiração, eles ouviram os repórteres do outro lado do muro discutindo se eles haviam ou não fugido por ali. No fim eles foram embora e Zayn e Louis puderam soltar a respiração.


Entretanto, não se afastaram imediatamente. Louis tinha as mãos apoiadas nos ombros de Zayn e o peito apertado sobre o dele. À medida que foram controlando suas respiração, o choque do que acabou de acontecer caiu sobre eles. 


Louis estava preocupadamente vermelho. Zayn afobado demais para tomar qualquer iniciativa que fosse. 


"Hum, você está bem?" Louis perguntou baixinho.


Zayn balançou a cabeça em concordância, incapaz de pronunciar uma palavra com Louis deitado sobre seu colo daquela forma.


Louis, dando-se conta disso, levantou de abrupto. Puxou Zayn para ficar de pé também e olhou para ele com atenção. Estava prestes a dizer alguma coisa quando, de repente, Zayn o puxou para o lado, prendendo seu corpo contra a parede atrás de uma lixeira que havia no beco em que se encontravam.


Não precisa perguntar nada quando o som de um carro foi ouvido. Certamente eram os fotógrafos para Zayn ter o puxado daquela forma.


Quando perceberam que enfim estavam sozinhos e seguros, livres de perseguidores com câmeras, afastaram-se. Zayn produziu um som guinchado ao estender suas costas.


"Está machucado?" Louis perguntou, soando mais preocupado do que pretendia.


"Acho que apenas caí de mal jeito."


"Oh, desculpa por isso. Eu caí em cima de ti e-"


"Está tudo bem." Zayn garantiu. "Já estou melhor."


Louis assentiu relutante. Abaixou a cabeça e riu baixinho.


"Foi divertido." Comentou. "Acho que não corro pela cidade desde que era adolescente."


"Quando ficávamos fugindo da polícia depois de brigar e quebrar patrimônio público."


"Sim." Louis riu mais alto agora. Um som leve e sincero. Zayn percebeu que ele ainda tinha covinhas no canto dos olhos. E seus olhos continuavam lindos, como oceanos em que ele facilmente se perderia sem se importar. "Aprontamos bastante."


"Vivemos bastante, você quer dizer. Foi a melhor época da minha vida." Zayn comentou honesto.


"Oh, para. Fugir da polícia em uma cidade pequena com um garoto que você odiava não deve estar nem no seu top 5 de melhores momentos. Você já conheceu a rainha!" 


Louis comentou sobre quando Zayn estava no auge de seu sucesso e foi convidado para o palácio da realeza inglesa.


"Uma ótima pessoa. Talvez ela do fique com o segundo lugar. Mas fico com você no primeiro."


Louis sorriu em resposta, um tanto acanhado. Zayn sentiu falta dele. Mais do que achava que pudesse. Durante seus dez anos de fama não o esqueceu. Apenas ficou com essa saudade dormente que ressuscitou no momento em que viu seus olhos novamente.


"Bem, acho que podemos ir até sua casa agora, certo?"


Louis pensou um pouco e assentiu. Caminharam juntos até o humilde apartamento de Louis em silêncio. O plano era Zayn tomar aquele tempo para explicar o motivo pelo qual ele foi embora. Mas ambos estavam aproveitando aquele silêncio. Era confortável e o que costumavam fazer na presença um do outro antigamente. Nunca foram muito de palavras. Talvez por isso as coisas entre eles acabaram tão mal. Mas aquele silêncio dizia muito sobre como eles se entendiam mesmo que não houvessem palavras.


"Eu moro aqui." Louis disse quando pararam em frente a uma casa pequena. Era simples mas charmosa. 


"Oh, é perto." Zayn comentou. Na verdade nem era tão perto, mas eles estavam aproveitando tanto a presença do outro que nem viram o tempo e o caminho passar.


"Você gostaria de hum, entrar e tomar um chá?" 


Aquela frase tão simples soou tão nostálgica. Louis costumava fazer isso quando eram jovens. Nunca foram amigos. Mas pareciam ter certa vontade de estar perto um do outro. Mesmo que fosse ou em silêncio ou brigando.


"Eu vou aceitar." Zayn disse, repetindo sua resposta para essa pergunta quando era feita dez anos anteriores.


Ambos entraram. A casa de Louis era pequena mas aconchegante. O tipo de local em que Zayn moraria com prazer. Mesmo cheio de dinheiro. Gostava da simplicidade.


Louis foi direto para a cozinha. Pôs o bule de chá sobre o fogão e virou para Zayn, apoiando-se com as mãos sobre a bancada atrás de si.


"Então." Chamou a atenção de Zayn, que examinava o local com olhos curiosos. "Não é grande coisa, mas é bom. É confortável." 


"É perfeita." Zayn falou. Sinceridade brilhava em seu olhar. "Sua cara. Não te imagino morando em um lugar diferente."


"Sim. Acho que fiz um bom trabalho tornando esse o meu cantinho."


Zayn assentiu. Haviam posters de artistas dos anos 60 e 70. A casa exalava uma vibe retrô. Era bagunçada e Zayn não esperava menos do que isso de alguém como Louis. Era linda, assim como ele.


"Minha casa é muito desconfortável." Zayn disse, puxando uma cadeira debaixo da mesa e sentando.


"Ah qual é?" Louis disse descrente, com um sorriso infantil marcado nos lábios finos e vermelhos.


"Estou falando sério." Zayn sorriu. Um sorriso leve e sincero, do tipo que ele não dava a meses. "É muito grande e cheia de firula. Prefiro aqui."


"Certeza que você prefere porque é onde tem o meu incomparável chá." Louis brincou.


"Obviamente o chá é um dos motivos, sim."


Louis tirou a água do fogão e serviu o chá. Deu uma xícara para Zayn e esperou que ele provasse. Zayn suspirou assim que o líquido quente e doce desceu por sua garganta. Havia sentido falta daquilo.


"Perfeito." Comentou. 


Louis sorriu.


"Então. Não vai me contar sobre sua fabulosa vida de estrela do rock? Estou curioso."


Zayn se aprumou na cadeira. Deu mais um gole no chá e começou a contar.


"Não é assim tão fabulosa. Tem obviamente a parte boa; estar no palco. Cantar suas composições e falar sobre si em forma de música. Os fãs são incríveis também. Todo apoio deles é sensacional."


"Deve ser incrível mesmo." Louis comentou com um brilho nos olhos.


"Sim. É incrível. Mas tem muita coisa podre. Muitas pessoas falsas. Relacionamentos que não são verdadeiros. Eventualmente você acaba sendo obrigado a ofuscar sua originalidade e honestidade em nome da fama."


"Mas eu acho que você tem feito um trabalho incrível. Honestamente, você é um cantor ótimo. Merece todo esse sucesso, sim."


Zayn sorriu, realmente agradecido pelo elogio. Gostava de saber que pessoas com quem ele se importava gostavam de seu trabalho.


"Você também seria incrível."


Louis sorriu um tanto triste e balançou a cabeça. 


"Não seria bom o suficiente pra isso. Você nasceu pra ser uma estrela, porém. Não sinto inveja nenhuma de você, saiba disso. Acho que tudo que conquistou foi merecido e eu fico feliz por você."


"Eu sei que não sente. Desculpe pelo que disse. Eu sei que você está sendo sincero eu agradeço por isso. Mas, Louis, você seria bom o suficiente sim. Seria ótimo. Até mais do que eu.


Louis fez um som descrente mas sorriu.


"Seria sim, Lou."


O apelido pegou ambos de surpresa. Havia anos em que não falava isso em voz alta. Mas a palavra saiu leve de seus lábios.


"É, obrigado." Louis disse envergonhado, esfregando a palma da mão sobre as calças.


"Então, estamos falando muito de mim, não acha? Quanto a você, o que tem feito nos últimos anos?" Zayn disse, tentando mudar de assunto visto o óbvio constrangimento de Louis. 


Ele nunca foi bom em lidar com elogios mesmo. Quando era adolescente o rosto chegava a ficar da cor de uma pimenta com qualquer palavra que se aproximasse de "bonito" para classificá-lo.


Mas Louis pareceu grato pela mudança de assunto, mesmo que ainda o envolvesse bastante. Sorriu um pouco mais relaxado e começou a mexer com a colher para espalhar o açúcar na xícara de chá.


"Depois que nos formamos, eu acabei não entrando imediatemente na faculdade. Tentei dois anos depois mas, bem, eu nunca quis isso, você sabe? Acho que queria ser mais livre, ter a sensação que posso ir pra qualquer lugar sem impedimentos. Fui conseguindo alguns empregos suficientes para me manter e aqui estou."


"E por que veio para Londres. Pensei que amasse Doncaster."


"E eu amo. Estou sempre indo lá. Talvez eu volte eventualmente. Mas aqui é legal também. Uma cidade maior. Tem mais oportunidades de emprego."


"E suas irmãs, como estão?"


"Ótimas. Hum, provavelmente não sabe, mas Jay deu a luz a um casal de gêmeos ano passado. Dóris e Ernest."


"Meu Deus, é sério? Isso é incrível."


"Sim, é mesmo. Eles são perfeitos." Louis sorriu orgulhoso, como Zayn lembrava que ele costumava fazer quando falava de suas irmãs.


"Isso é ótimo, Lou." 


Voltaram a tomar o chá e tiveram mais um momento de silêncio. Foi quebrado por Louis quando ele decidiu perguntar sobre o que realmente havia o levado até ali.


"Bem. Você disse que iria se explicar."


Zayn tomou uma respiração funda quando Louis mencionou o assunto. Até então acabaram se entrosando em conversas paralelas e nenhum pareceu ter coragem de tocar no assunto delicado que era a partida repentina de Zayn anos atrás.


Deixou sua xícara sobre a mesa, vazia. Olhou Louis profundamente, esperando que ele acreditasse e entendesse a honestidade por trás de suas palavras.


"Bem, eu sinceramente nem sei por onde começar." Ele soltou um riso trêmulo e seco. 


Louis assentiu compreensivo.


"Tente falar por que você foi embora. Quer dizer, nós dois sabíamos que você iria eventualmente. Mas eu esperava uma despedida, sabe."


"Sim, eu sei. Bem. Eu vou te contar tudo mas você precisa me prometer que não vai interromper nenhuma vez."


Ainda que hesitante, Louis assentiu. Agarrou a bancada da mesa, tentando parar a tremedeira em seus dedos. Por anos ele esperou por aquele momento, mesmo que não quisesse admitir. Ele esperou Zayn voltar.


"Certo. Lembra da última vez que nos falamos? Tínhamos acabado de ter uma briga e você foi para sua casa furioso. Lembra disso?"


Louis balançou a cabeça de modo assertivo.


"Sim. Nós brigamos porque você estava afastado."


"Isso. E porque você ficou com ciúmes de mim e um colega nosso. Nem lembro o nome do cara."


"Aiden. Eu lembro. E não estava com ciúmes dele." Louis negou envergonhado, revirando os olhos.


"Oh, você estava." Zayn riu um pouco, liberando certa tensão de seus ombros. "Mas enfim. Depois daquela briga eu fui pra sua casa, pulei sua janela e transei com você. Eu lembro muito bem disso. Não falamos muita coisa."


"Nunca costumamos falar muito. Apenas o necessário." Louis admitiu. Sabia que seu antigo relacionamento - se é que poderia ser nomeado assim - com Zayn era algo mais físico. Isso não significava que não  houvessem sentimentos envolvidos.


"Sim. Falávamos muito nesse ponto. Talvez por isso brigavamos tanto." Zayn pensou alto. "Mas não entenda mal. Eu gostava das nossas brigas. Gostava de como elas terminavam sempre."


Louis queria tirar aquele sorriso sacana do rosto dele. Mas, droga, sentia falta disso. De como as coisas entre eles funcionavam, ainda que não fossem da melhor forma possível.


"Pensei que você fosse falar o porquê de ter ido embora, não ficar se vangloriando por todas as vezes que me fodeu." Louis foi ácido em seu comentário, quase se sentindo culpado por isso. Mas a vergonha pela situação não permitia que ele pensasse muito em suas palavras. Além disso, pensar nunca foi algo que ele costumava fazer perto de Zayn.


"Ok. Não precisa ficar bravo. Não disso com o intuito de te objetificar, você sabe disso."


Louis sabia. Conhecia Zayn bem demais para saber que ele não era assim.


"Apenas continua." Louis disse com um aceno de mão.


"Bem. Depois que transamos, dormimos. Acordei de madrugada com você enroscado n no meu corpo, como um maldito coala. Você fazia muito isso, sabia? Nunca te contei.."


Louis bufou, não acreditando no quanto aquelas palavras lhe atingiram. De repente, ele percebeu que sua afeição estranha por Zayn ainda era algo que perturbava bastante.


"Eu não pretendia dormir lá. Aconteceu. Sai correndo pra, quando minha mãe acordasse, ela me visse dormindo e não tivesse um surto com meu desaparecimento. Naquela tarde mesmo eu deixei a cidade."


"Por quê?" Louis perguntou fracamente. Aquela assunto ainda doía. Sentiu falta de Zayn e de suas brigas ridículas.


"Tinha recebido uma proposta de contrato cerca de um mês antes. Por isso tinha me afastado, porque estava pensando em aceitar. Você sabe, isso sempre foi importante pra mim. Desde os dez."


"Eu sei." Louis concordou. 


Desde criança Zayn tinha esse sonha de ser um cantor famoso. E Louis sempre achou que ele fosse conseguir. 


Zayn tinha uma voz linda. Era bonito e charmoso. Poucas vezes Louis viu suas composições pessoalmente, já que esse não era um hábito que ele costumava ter tanto quanto costumava cantar. Contudo, pelas músicas que viu ele criando ao longo dos anos, viu que ele tinha muito talento nesse quesito também. Zayn era um artista completo. Ele tinha tudo. Louis sempre soube disso. Assim como muitas vezes o falou que acreditava que ele conseguiria.


E ele conseguiu. Louis estava orgulhoso dele por isso, com certeza. Um tanto magoado pela forma com que ele saiu de sua vida, tão inesperadamente. Foi tão rápido que Louis nem soube o que pensar. Não tinha nem como falar sobre com outras pessoas porque, aos olhos de seus colegas, eles se odiavam profundamente.


Apenas alguns meses depois de sua partida que foi descobrir que o então relacionamento deles não era tão secreto quanto imaginavam. Ninguém os havia pego no flagra. Mas a tensão sexual, e até mesmo o carinho por trás dos olhares, era evidente.


"Estou feliz que consegui, sabe. Eu sempre soube que você iria longe. Você merece isso." Louis sussurrou, abaixando um pouco a guarda e deixando que Zayn o visse por detrás do muro de mágoas que ele havia construído em volta de si.


"Obrigado. Acho que apenas senti falta de ter você ao meu lado."


Louis riu sarcasticamente, mas havia um brilho de dor nos olhos azulados dele. Zayn conseguia ver.


"De todas as companhias do mundo, você pode ter a que quiser. Acho que não é a minha que algum dia poderia ter feito falta."


Zayn o encarou por baixo das sobrancelhas longas e pretas. Piscou algumas vezes, analisando. Tentando entender por que Louis pensava dessa forma. Mas era tão cristalino  quanto seus olhos. Foi porque ele tinha ido embora.


"Não há um dia em que eu não penso no quanto você iria criar coisas extraordinárias."


"Eu não sou um cantor Zayn. Nunca fui. Você sabe por quê."


"Não, eu não sei." Zayn foi honesto, encarando Louis fixamente. "Sua voz é linda pelo que eu me lembre. E suas composições melhores do que a maioria de meus colegas."


"De que isso importa, afinal? Nunca quis isso como você. E, de qualquer forma, essa não é a discussão mais pertinente a se fazer aqui. Você me prometeu explicar por que foi embora."


"Por isso. Porque eu não queria ter que te dizer que estava partindo, pra sempre. Eu não queria ter que explicar olhando pra você que aquela seria nossa última vez. Achei covarde demais falar tudo por cartas, embora eu tenha escrito várias delas ao longo dos anos."


"Então pensou que ir sem nem deixar que eu pudesse dizer adeus seria menos covarde."


"Achei que fosse o certo. Hoje eu me arrependo. Eu tinha dezoito anos e nunca fui inteligente emocionalmente como você. Queria ter tudo mas eu precisei fazer uma escolha."


O silêncio se fez presente. Duro e frio. Louis abaixou a cabeça e apertou os nós dos dedos contra a bancada. Seu coração batendo tão rápido forte que ele temeu que pudesse sair por sua boca, ou rasgar seu peito.


"Você fez a escolha certa, afinal de contas." Disse e se virou de costas. Discretamente limpou uma lágrima que escapou de seus olhos e fungou baixinho.


"Eu não tenho mais tanta certeza." Zayn falou baixo e ferido. Tanto quanto Louis estava. Queria dizer um monte de coisa mas não sabia se Louis estava pronto pra ouvir tudo. "Eu senti sua falta." Disse por fim. E era, afinal, um bom resumo de tudo.


Esperou por algum comentário sarcástico. Uma descrença ou deboche. Algo típico de Louis, que mostrasse o quando ele estava magoado. Mas, no fim, teve outra coisa. 


"Eu também senti." A voz saiu triste e quase inaudível. E foi ainda pior do que ouvir Louis dizer que o odiava e não perdoava.


Lentamente ele foi abandonando seu estado letárgico. Ficou de pé e caminhou até ter seu peito colado às costas de Louis. Ambos tensos mas não ousando se afastar.


"Louis, eu sinto muito." Ele pôs as mãos sobre a cintura de Louis e o abraçou. Suas mãos passearam por sua barrinha e seu rosto se alojou na curva do pescoço e ombro dele.


Louis respirou profundamente, sabendo que tudo seria mais fácil se ele o expulsasse dali naquele instante. Mas deixou que o aperto se firmasse e quase exalou audivelmente em prazer quando sentiu pequenos beijos serem deixados na pele de sua nuca.


Suspirou. Aquilo era bom. Ele havia sentido falta daquele toque áspero e cuidadoso. Subitamente, Louis começou a transpirar como se a temperatura estivesse na margem dos quarenta graus.


"Zayn." Sussurrou, implorando por algo que ele nem sabia o que era.


"Louis, deixe que eu te toque, por favor." Zayn pediu, quase implorou. "Eu não posso ficar aqui, no mesmo ambiente que você, e agir como se fossemos antigos amigos. Nunca fomos isso."


Não foram. Eles brigavam. Implicavam um com o outro. Diziam o quanto se odiavam. No fim tudo que não era realmente falado eles expressavam na cama. Eles não se viam nos fins de semana. Não tinham o número um do outro. Seus encontros eram ocasionais, e eles fingiam que não sabiam onde o outro estava apenas para terem que encontrar-se.


E mesmo assim, com poucas palavras, eles se conheciam, e se entendiam. Mais do que muitas pessoas com anos de amizade.


Louis sentiu Zayn subir os baixou pelo seu pescoço e acariciar seu corpo com as mãos ágeis. Suspirando, sem fôlego, Louis amoleceu nos braços de Zayn quase sem notar. 


"Você é tão cheiroso." O comentário foi feito e segundos depois um chupão leve foi deixado na clavícula exposta de Louis.


Um gemido involuntário escapou de seus lábios e Zayn rugiu como um animal feroz ao ouvir o som. Pressionou o corpo magro e delicado de Louis contra a bancada e continuou a beijá-lo e acariciá-lo. 


"Zayn, não faça isso." Louis pediu. Mas ele não queria realmente que Zayn parasse.


"Você quer que eu pare?"


Segundos depois veio a resposta.


"Não. Mas eu preciso."


"Por quê?" Mais um beijo e uma sugada na pele do pescoço.


"Porque se você não parar, eu não vou ser capaz de te deixar ir de novo."


Zayn gemeu, estarrecido. Há anos não desejou tanto alguém como naquele instante. Tinha certeza que nada tinha a ver com seu celibato de meses, mas sim por ser Louis ali. Um prazer descomunal e nostálgico percorreu suas veias. Ele não queria prazer com qualquer outra pessoa, queria Louis.


"Não pretendo ir dessa vez."


"Está mentindo." Louis gemeu. "Eu sei que você tem uma namorada. Você tem uma vida e carreira brilhante. Por que você quer alguém como eu?"


Zayn virou Louis bruscamente para sua frente. Passou um braço por sua cintura e colou seus corpos de modo que nem a mais fina brisa de ar pudesse soprar por entre eles. Seu rosto estava a centímetros de distância do de Louis. Olhos cruzados e bocas quase grudadas. Ele sussurrou com tanta luxúria, esperando que Louis entendesse.


"Não quero outra pessoa. Não tenho algo com minha namorada há meses, nosso relacionamento já acabou. Eu quero você, Louis, não vê?"


Segurou a mão dele e levou até seu peito. Depois fez Louis sentir o volume em duas calças.


"Só você faz isso comigo. Dessa forma." Ele disse, liberando todas as suas defesas e deixando sua alma nua para que Louis pudesse ver. "Me perdoe, anjo. Deixe que eu te tenha pelo menos uma última vez nessa minha vida miserável."


Louis gemeu alto. Tonto pelos toques e palavras. Queria Zayn, como queria. E já havia o perdoado. Muito tempo atrás ele já havia esquecido tudo. Talvez nunca estivesse realmente magoado, apenas imensamente triste pelo buraco que ele deixou em sua vida ao partir.


Atônito, Louis se mexeu. Deixou que os olhos de Zayn encontrassem os seus e, nesse exato momento em que o âmbar misturou-se ao azul, Louis apertou o volume de suas calças com as pontas de seus dedos. Assistiu Zayn enrugar o rosto, mordes os lábios e apertar os olhos.


"Porra." Louis apertou mais uma vez, mais forte e confiante. "Oh, Louis."


Louis gemeu junto, porque assistir Zayn se remexer em delírio por prazer em seus braços por sua causa era bom demais. Queria voltar a ser tocado. O volume em suas calças era desconfortável. Mas ele amava tocar Zayn, e como isso fazia ele gemer enlouquecido.


"Vamos para o quarto." Disse após alguns segundos. Zayn balançou a cabeça em concordância em quase súplica.


Assim que chegaram no quarto, Zayn atirou Louis sobre a cama. Subiu em cima dele e o beijou loucamente. Foi desesperado, desengonçado e apaixonado. Seus corpos se mexiam um sobre o outros, as ereções se encostando e esfregando.


"Droga, senti falta de seus lábios." Louis admitiu num fôlego só, respirando com dificuldade.


Zayn não respondeu, apenas tomou a boca vermelha para si novamente. Levantou e tirou sua camisa, deixando que Louis observasse com adoração as milhares de tatuagens que ele havia acumulados durante os anos.


Passeou os dedos pela tinta negra e suspirou em deleite. Olhou Zayn sob seus longos cílios e sorriu.


"Eu também tenho algumas." Admitiu. Deixou que Zayn tirasse sua camisa. 


O moreno ficou com os olhos brilhando diante da visão. Não eram tantas quanto as suas, mas eram bastante. E eram lindas.


"São perfeitas." Ele elogiou, passando a língua pela linha de cada uma delas. "Lindas assim como você."


Louis gemeu. Sua barriga subindo e descendo com rapidez ao que Zayn sugava seus mamilos e apertava sua ereção.


"Oh, Zayn. Tão bom."


Zayn continuou com os toques, admirando com como ainda conseguia fazer gemer daquele jeito tão necessitado.


"Amo te ouvir gemer. Parece um anjo gemendo meu nome."


E Louis continuo, não poupando os sons de prazer enquanto Zayn passava a língua por cada centímetro de seu corpo. Livraram-se das calças. Louis sabia que, se deixasse Zayn voltar a tocá-lo, não iria conseguir se segurar e explodiria em um orgasmo. E embora ele estivesse ansiando isso, não queria o fazer sem antes tocar Zayn também.


Sentou rapidamente e pegou o pau de Zayn entre seus dedos, apertando e acariciando. O gemido que ele soltou foi tão forte e vibrando que Louis quase sentiu que estava gozando. 


"Continua tão lindo." Comentou, olhando volume em suas mãos. Quase não conseguia fechar os dedos pelo entorno. "Tão grande."


"Oh, Deus. Louis ah."


Louis pôs ele na boca e sugou. Deixou que todo volume entrasse até a glande tocar em sua garganta e abriu os lábios, olhando Zayn jogar a cabeça para trás e delirar completamente.


"Porra, você é tão bom nisso." 


Louis sorriu com o pau ainda em sua boca, dando de tudo para que Zayn continuasse gemendo daquela forma. Era tão prazeroso ouvi-lo.


Mas foi obrigado a parar quando, de maneira quase agressiva, Zayn puxou seus cabelos e pressionou seus lábios nos dele. Deitou o corpo de Louis na cama e ordenou que ele ficasse de quatro. 


Sem reclamar, Louis obedeceu. Quase perdeu seu juízo quando o hálito quente de Zayn bateu em sua entrada. Quando a língua dele tocou seu buraco ele gritou e quase desmaiou de prazer


"Oh, meu Deus."


"Você é tão bom, tão gostoso, Louis. Eu poderia te chupar pra sempre." E Louis quase disse que não se importaria de ter sua língua dentro de si para todo sempre.


Zayn parecia ter entrado em uma aposta consigo mesmo e ver o quão profundamente sua língua podia entrar em Louis. Lambeu e abriu suas paredes com seus dedos até decidir que não iria aguentar mais um segundo sem estar dentro dele. Puxou seu corpo pra baixo e fez ele se virar novamente.


Beijou os lábios vermelhos e sussurrou necessitado. "Camisinha e lubrificante."


Sem forças para falar, Louis apontou para seu bidê. Zayn abriu a primeira gaveta e não encontrou muitos problemas para achar o que procurava.


Louis continuava deitado na mesma posição, braços estendidos ao lado da cabeça e pernas abertas. Totalmente entregue e vulnerável, Zayn sentia que poderia gozar apenas de olhar a cena. 


"Lindo." Sussurrou contra os lábios de Louis. 


Vestiu a camisinha e, com calma, espalhou o lubrificante sobre seu pau ereto. Passou um braço por baixo das costas de Louis e com o outro se apoiou na cama. Sentia sua glande pressionando a entrada de Louis.


"Você está pronto?"


Louis agarrou seus ombros e olhou fundo em seus olhos, respondendo quase num sussurro desesperado.


"Sim, nunca estive mais pronto em minha vida." 


A confirmação foi tudo que Zayn precisava. Lentamente e com cuidado foi entrando dentro de Louis e assistindo a expressão em seu rosto mudar. Quando estava com seu pau completamente socado em Louis, ele deixou um longo e alto gemido rasgar sua garganta.


"Tão bom." Disseram ao mesmo tempo e riram com isso.


Zayn começou a se mover e Louis relaxou completamente em seus braços. Seus olhos reviravam de prazer e os gemidos eram incapazes de serem contidos.


"Meu Deus, você continua tão apertado." Zayn gemeu entredentes.


"Você que é grande, oh."


"E você gosta disso."


"Eu amo."


Os gemidos foram crescendo gradualmente e ficando quase histéricos. Pareciam dois adolescentes tendo o primeiro orgasmo. Mas, na realidade, eles estavam apenas com volta do corpo um do outro. Do nó apertado. Dos beijos e carícias e olhares que diziam mais que mil palavras.


Não demoraram muito para explodirem em um orgasmo, juntos, gemendo o nome um do outro contra suas bocas. Louis ficou fraco e deixou que suas unhas soltassem a carne das costas de Zayn e caíssem na cama. Seus olhos perdidos e brilhando em prazer.


Zayn precisou de alguns segundos para conseguir se mover para longe de Louis. Desabou ao seu lado e, sem demoras, puxou seu corpo para si. Louis agarrou-se a ele firmemente, como se ele fosse desaparecer a qualquer instante.


"Parece um coala." Zayn disse com um sorriso marcado em seus lábios.


Louis afundou a cabeça na curvatura do ombro e pescoço de Zayn, sorrindo também, feliz e extasiado.


"Isso foi incrível." Murmurou. Zayn assentiu.


Beijaram-se algumas vezes, fraco. Não passava de alguns selinhos. E dormiram poucos segundos depois, exaustos mas felizes como não estiveram em anos. Completos.


Zayn acordou com Louis ainda enroscado em seu tronco. Sorriu e passou os dedos pelos cabelos cor de cacau, colocando algumas mechas atrás da orelha. Beijou a têmpora dele com carinho e cuidado, não querendo acordá-lo de seu sono profundo.


Contudo, não lhe restaram alternativas uma vez que seu telefone começou a tocar incessantemente. Colocou o corpo de Louis de lado e foi até suas calças que estavam jogadas no chão, retirando seu telefone do bolso.


O visor mostrava que era uma ligação de Simon. Fechou os olhos já prevendo o escândalo que seria assim que ele atendesse a ligação.


Simon estava puto. Mais do que isso, ele estava nervoso. O show era naquele dia e, apesar de ser ao anoitecer, havia todo um processo de preparação antes. Assim que conseguiu fazer Simon se acalmar, explicou que havia dormido na casa de um amigo com quem estudou no colegial e que já estava indo para o hotel encontra-lo.


Desligou e virou para Louis. Ele continuava imerso em seu sono profundo. Lindo como um anjo. Ressonando baixinho palavras desconexas, sendo apenas Zayn a entendível.


Devagar, ele balançou o corpo de Louis a fim de acordá-lo. Não queria ter que o fazer, mas precisava ir embora e ele não pretendia cometer o mesmo erro de anos atrás e partir sem se despedir.


"Ei, Lou." Saudou quando os olhos azuis foram se abrindo.


"Bom dia." Louis disse com um sorriso lindo marcado nos lábios. Deus, ele era tão perfeito. Zayn não conseguia parar de pensar no fato de que ele facilmente poderia ficar ali para sempre. E como ele queria isso. 


"Meu agente ligou, eu preciso ir. Hoje é dia de show." Ele explodiu triste. Honestamente sem vontade alguma de levantar daquela cama.


"Oh, vai agora?" Louis parecia compartilhar da mesma sensação que a dele.


"Sim, não tenho escolha, ele está muito bravo porque eu não avisei que iria dormir fora." Zayn disse, agora já de pé, vestindo suas roupas da noite anterior.


"Ah sim. Bem, sinto muito por isso. Não quis te causar problemas." Louis parecia minúsculo, decepcionado. Agarrado ao lençol enquanto este cobria parcialmente seu torso nu.


"Você não causou, não. Foi a melhor noite da minha vida desde muitos meses. Eu não me arrependo de nada. 


Louis sorriu pra si mesmo.


"Eu também não." Admitiu. Olhou Zayn com relutância e hesitação. "Você vai embora quando?"


"Amanhã de manhã." Zayn parecia tão decepcionado quanto Louis ao recitar a resposta em voz alta.


"Então essa é a última vez que nos veremos?"


"Só se você quiser que for."


Louis balançou a cabeça.


"Eu não quero."


"Bom." Zayn sorriu. Aproximou-se de Louis e abaixou até depositar um beijo em sua testa. Acariciou o rosto dele após isso, dando a ele um intenso olhar repleto de significados. "Venha ao meu show hoje à noite."


Louis o olhou surpreso.


"Eu não comprei ingresso." Lamentou.


"Isso não será necessário. Vou avisar aos seguranças para que te deixem entrar, darei seu nome a eles. Se quiser, posso mandar que te busquem-"


"Não." Louis interrompeu, negando com veemência. "Quer dizer. Isso é exagerado, não precisa disso tudo. Mas eu aceito ir ao seu show, sim."


Sorriam, felizes. Mesmo que uma sensação de dejà vu estivesse corroendo suas entranhas, como se eles soubessem que era impossível fugir do óbvio. Zayn ainda iria embora no dia seguinte. 


"Certo. Te espero lá então." Zayn disse, ignorando essa sensação pesada e tentando se concentrar no presente.


Despediram-se com um beijo apaixonado, mas não disseram muitas coisas mais. Assim que Zayn saiu pela porta, Louis desabou em seu sofá.


Por anos, sempre o viu como uma agridoce lembrança de seu passado. Mas agora ele estava de volta, pronto para partir novamente, quem sabe por quanto tempo dessa vez. 


Louis considerou a possibilidade de não ir no show. A repentina aparição de Zayn em sua vida o atingiu de formas inimagináveis. Reacendeu uma parte de sua vida que ele pensou que tivesse ficado para trás. Não sabia como lidar com isso, muito menos com sua inevitável partida.


Entretanto, acabou indo mesmo assim. Achou que os seguranças não fossem deixar ele entrar, ou que Zayn iria acabar esquecendo de avisá-los. Mas ficou surpreso ao ver que, não apenas foi permitida a sua entrada, como ele foi tratado muito bem, quase como se fosse o namorado de Zayn. 


Deixaram que ele ficasse no camarote com uma visão privilegiada do palco. Zayn o viu e sorriu para ele diversas vezes durante o espectáculo, fazendo seu coração palpitar de maneira acelerada. A ideia de que ele poderia estar cantando para si era ridícula, mas muito reconfortante ao mesmo tempo. 


No final, o mesmo segurança que o levou para o camarote apareceu e disse que Zayn estava o esperando no camarim. Louis não ficou realmente surpreso, acho que essa fosse a única oportunidade que eles teriam para se despedir e estava feliz que Zayn pensou o mesmo.


Assim que chegou no camarim, esperou pela chegada de Zayn. Olhou-se no espelho e ajeitou uma mecha de sua franja atrás da orelha. 


"Você está lindo." Sobressaltou ao ouvir a voz de Zayn atrás de si. Ele já estava fechando a porta e vindo em sua direção quando Louis virou totalmente seu corpo para ele. 


"E você está fantástico." Louis respondeu, não conseguindo evitar um olhar para o corpo de Zayn. 


Ele usava uma calça jeans preta apertada e uma blusa igualmente preta com as mangas dobradas até os cotovelos. Era uma roupa simples mas sua postura e rockstar e o suor pela agitação que fora o show escorrendo de sua testa dava a ele o ar sexy.


"Foi incrível o show. Você foi fantástico." Louis elogiou, não por educação ou protocolo, por pura sinceridade. Zayn foi feito para aquilo, disso não lhe restavam dúvidas. 


"Você me deu sorte." Zayn disse modesto e Louis balançou a cabeça em negação, sorrindo. "Estou feliz que veio."


"Eu também." Louis disse. Olhou em volta um pouco estupefato. "Esse lugar é incrível."


"E te trataram bem? Digo, os seguranças?" Zayn pareceu genuinamente querer saber. E Louis tinha a impressão de que ele faria um escândalo caso sua resposta fosse negativa.


"Muito bem. Até me senti alguém importante." Louis brincou.


"Você é importante, Louis. Pra mim é."


"Besteira. Eu só quis dizer que fui tratado de maneira excelente, como se eu fosse o próprio cantor, o que é engraçado na verdade."


"Bem, você é mais importante que muitos cantores por aí. Você é especial, Lou." Zayn disse e se aproximou dele, tocando seu rosto com delicadeza. 


Louis instintivamente deu um passo para trás, esbarrando na bancada de roupas. Suspirou em deleite quando Zayn aproximou o rosto do seu, desejando aquele beijo como nunca antes.


Mas antes que os lábios se tocassem, a porta foi aberta e por ela passou um Simon furioso ao lado de um segurança que Louis não tinha visto antes.


"Zayn, aí está você, esqueceu que tem fãs para conhecer agora? Francamente, sua displicência dos últimos dias tem me dado nos nervos."


Ele disse e puxou Zayn pelo braço antes que ele pudesse protestar.


"E quem é esse aí?" Apontou para Louis. Embora suas palavras não tivessem sido de fato ofensivas, Zayn ficou extremamente irritado com a forma que Simon olhou para Louis, como se ele fosse um rato a ser esmagado.


Soltou-se bruscamente do aperto de Simon e quase gritou contra seu rosto.


"Ele é meu amigo. Você olha a forma como fala com ele. Se quer tratar todos como lixo, incluindo eu, vai em frente, mas ele não, ouviu?"


"Ah, ele é seu amigo?" Simon riu com escárnio. "E beija seus amigos na boca?"


Louis ficou imediatamente corado, abaixando a cabeça. A cena só fez a raiva de Zayn ficar ainda maior.


"Não te interessa. Você é pago para cuidar do meu trabalho, não minha vida pessoal."


"Para um cantor como você, as coisas estão meio que entrelaçadas. Pouco me importa com quem você fode, desde que não falte seus compromissos por isso."


"Posso tirá-lo daqui, chefe." O homem alto e gosto, segurança de Simon e do qual Zayn particularmente nunca gostou muito, falou. Ele tinha o braço de Louis preso em suas mãos gordas.


"Ei, me solta." Louis reclamou.


"Solta ele agora!" Zayn gritou.


"Você precisa ir Zayn. Depois fala com seu namoradinho."


"Manda esse idiota soltar ele ou eu não vou a lugar algum."


"Zayn, está tudo bem. Eu já devo ir mesmo. Nos falamos outra hora." 


Louis disse calmo e um tanto triste. Zayn sabia que ele estava magoado pela forma que nem oferecia resistência ao toque e a forma como estava sendo tratado, isso não era típico dele.


"Sinto muito, Lou." Disse, visivelmente chateado. Mas Louis forçou um sorriso, deixando claro que ele sabia que Zayn não tinha culpa daquilo.


Com um pouco de dificuldade, ele se soltou do aperto das mãos do segurança e andou até Zayn, abraçando ele rapidamente e saindo sem olhar pra trás.


Aquela não era a forma com a qual ele pretendia se despedir de Louis. Mas agora já era tarde demais.


No dia seguinte ele foi embora. Tentou ir ver Louis escondido, mas depois de suas últimas aventuras, privacidade era a última coisa com a qual ele podia contar.


Dois meses se passaram após aquele episódio. Zayn não voltou a ver Louis. Concluiu sua turnê como era pra ser. Mas seus pensamentos nunca deixaram seu garoto. 


Terminou com Gigi em uma conversa amigável no fim de tudo. Ambos compreensivos, sabiam que tinham esgotado aquele relacionamento até a última gota. E agora estavam oficialmente livres para seguir suas vidas. 


Quando completou um mês depois da despedida com Louis, Zayn resolveu lhe mandar cartas. Não novas. Mas todas aquelas que tinha escrito nos últimos anos para ele e que nunca antes foram enviadas. Esperava que elas falassem por si o que sua despedida apressada não pode dizer.


E quando a turnê terminou, ele ainda pensava em Louis e em seus olhos azuis magníficos e repletos de paixão e honestidade. Decidiu que não seria capaz de viver mais anos longe dele. E foi assim que tomou sua mais importante decisão desde o início de sua carreira: despediu Simon.


Foram dez anos em contrato com ele que chegaram ao fim. Muita burocracia foi necessária, mas após um mês de renegociação, ele assinou com uma nova gravadora e pode enfim tirar um tempo de férias. 


Seus fãs achavam que ele iria pra cidade de seus pais, ou para a praia. Mas ele foi pra Londres. Não a parte bela. Ele foi até a casa de Louis no subúrbio da cidade.


Depois de três meses ele continuava morando lá, felizmente. Mas isso não seria problema porque Zayn estava empenhado em ir até ele até onde fosse necessário.


Quando abriu a porta naquela manhã de verão, era uma quinta feira e ele parecia pronto para ir ao trabalho. Continuava lindo, agora com barba crescida e cabelos longos. Os mesmo olhos azuis e lábios vermelhos, e o sorriso de tirar o fôlego ao ver Zayn em sua soleira.


"O que está fazendo aqui?" Ele perguntou, não constando a empolgação.


"Vim te ver." Zayn sorriu abertamente.


Louis riu, feliz demais para notar a mala em suas mãos. Zayn estava de volta. A barba feita? O cabelo não mais tingido de amarelo nas pontas e um casaco de couro digno de sua exuberância.


"Não sabia que teria show."


"É porque não tem." Zayn explicou, puxou a mala de trás de si e jogou aos pés de Louis. "Vim pra ficar."


E Louis quase chorou ao perceber o que aquelas palavras significavam.


"Eu só não reservei um hotel, então temo dizer que não tenho um lugar pra dormir. Será que posso ficar aqui?"


"O tempo que quiser." Louis respondeu. O sorriso brilhante e as lágrimas nos olhos quase despencando por suas bochechas.


"Então vai ser pra sempre." Zayn aproximou um passo e, com extremo zelo e adoração, segurou o rosto de Louis entre suas palmas e beijou seus lábios devagar.


Fizeram amor o dia inteiro. Louis ligou para o trabalho fingindo um mal estar, e eles aproveitaram da companhia um do outro como se não houvesse mundo fora daquele pequeno apartamento.


No fim, Louis levantou o braço de Zayn e pressionou o rosto contra seu peito, beijando a pele e descansando logo ali perto do coração.


"Você falou sério quando disse que vai ficar pra sempre? Porque eu sim." Louis sussurrou cansado, cheio de esperança.


"Nunca falei tão sério em minha vida." Zayn garantiu. "Demiti Simon, terminei com Gigi. Sou um homem livre e quero ser seu até você permitir que eu seja."


"E eu quero ser seu." Louis sorriu, o beijando. "Mas não quero que desista de seu sonho por mim."


"Isso não vai ser necessário. Você é meu sonho. E ser cantor não me impede disso. Eu só sinto muito por ter demorado tanto tempo para perceber."


"Só dez anos." Louis riu. "E como seus fãs vão receber a notícia de que você veio morar no meio do nada com um garçom meia boca."


"Ora, não fale besteiras." Zayn virou o rosto dele para cima e o beijou com delicadeza. "Eles me amam e vão aceitar. Mas, de qualquer modo, estava pensando se esse maravilhoso garçom não aceitaria morar comigo em Doncaster."


"Como." Louis perguntou, sentando-se sobre a cama e olhando Zayn boquiaberto, como se ele fosse louco.


"Uma casa simples, mas grande. Para nós dois. Afastada."


"Zayn isso é… incrível. Mas não quero que você pague nada pra mim. Essa casa é com certeza muito cara e…"


"Você pode me pagar me dando duas coisas: seu coração e suas lindas composições." Zayn disse sorrindo, vendo o choque de Louis. "O que acha de escrever para mim?"


Louis ficou em silêncio por muitos minutos e Zayn quase retirou a proposta, achando que Louis iria achar loucura e não iria aceitar. Mas a resposta dele disse tudo que ele precisava.


"Eu escrevo pra ti desde que tanto de 18 anos."



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