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História Flames - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Capítulo 6


Emília arregalou os olhos e toda a coragem dela desapareceu. Deixei que a garota corresse para o mais distante possível enquanto eu procurava respirar fundo. Aquela outra vez não tinha sido uma coincidência. Realmente havia magia envolvida com Emília. Mas como?

Se a ruiva tinha alguma pequena fração de poder, só existia um jeito de testar.

Ergui-me, ignorando a dor que persistia em minhas costas como se alguém usasse uma faca quente para abri-la. Não tinha me machucado realmente, mas chegou perto disso. Se Emília continuasse tocando-me, eu certamente voltaria com uma grande queimadura e ela iria perder a cabeça no ato.

Percorri o mesmo trajeto de Emília. Ela olhava para mim, sabendo que tinha feito uma besteira. Mal se importava com quem ela esbarrava ou se deixava cair algo.

Ignorei a bolsa da garota que agora permanecia sobre o chão.

Ela direcionava-se ao outro lado da rua, sem olhar para checar se carros vinham. Francamente, eles realmente eram idiotas. Emília poderia morrer ali mesmo, ou ficar em um estado péssimo, se desse a chance de um carro vir em sua direção.

Um sorriso escapou ao ouvir o som de um automóvel se aproximando.

Emília olhou para um dos lados. Ela correu.

Alcancei-a do outro lado. O vento forte atingiu minhas costas, trazendo um alívio enquanto o carro passava pelo cruzamento sem parar quando deveria.

— Deixe-me em paz! — implorou a garota, virando-se para mim. Ela parou na extremidade da calçada. — Eu tive que fazer aquilo. Você iria machucar gente inocente. Por favor, deixe-me em paz.

Lágrimas corriam pelas bochechas pálidas da humana.

— Gente inocente? Aqueles homens não são nada inocentes.

Não usei um feitiço para ver as mentes deles — o que era possível e não me prejudicaria tanto quanto manipulações dos elementos —, porém era claro ao olhar nos olhos deles. Isso sem o fato de serem humanos e carregarem uma lista de atrocidades nas costas. Emília era uma. Ela não era inocente. Provara isso quando ferira a mim. Nem sei o porquê de eu estar perdendo tempo com ela. Meus pais devem estar certos. Era melhor que aqueles monstros nos temessem sem nos ver.

Estendi uma das minhas mãos. Ainda sentia energia na Terra.

Ela engoliu em seco. O medo dela foi ofuscado por algo que eu não conseguia compreender naqueles olhos.

— Você age como se nós fôssemos os monstros, mas você que é! — a garota gritou.

Pisquei.

Ela nem se importava mais com quem olhasse para ela?

— Aquele homem no mercado... Ele falou sobre algo invisível o atacando — respirou fundo. — Foi você, não foi?

Olha, ela tem alguma pequena porcentagem de inteligência. Lenta demais, no entanto.

— Sabia! O que você quer de mim? Quer me matar? Então faça isso logo!

— Não teria graça — deixei escapar. De alguma forma não era para eu ter dito isso, só que já tinha sido tarde demais. — Nós não atacamos os humanos. Vocês fizeram isso com os feiticeiros, por medo do que fazíamos com a natureza. Procure na história! Se houver um caso de um feiticeiro matando humanos, com certeza não foi por crueldade. Agora, vocês? Duas Guerras Mundiais custando a vida de vocês próprios por qual motivo? Não há um que seja justificável.

Como eu esperava, ela não falou nada. Não tinha como defender guerras.

Dei o último passo que acaba com a distância entre nós. O cheiro de jasmim era forte nela, ainda mais tão de perto. Jasmins são boas flores. Feiticeiros usam para selar alguns relacionamentos, assim como para batizar as crianças. Para nós, significa saúde e proteção. Embora alguns acreditem que seja o símbolo de pureza e amor. Mas isso é bobagem.

Tirei mechas avermelhadas do rosto de Emília para poder ver bem o medo em seu olhar. O jasmim cobria o cheiro de medo dela. Terrível.

Os olhos castanhos dela pareciam negros sem luz suficiente.

— Psicopata — disse a garota, entredentes.

Abri um sorriso apenas para perturbá-la.

Ergui as sobrancelhas.

— Corra antes que este monstro aqui pegue você.

Ela sacudiu a cabeça em uma negativa.

— Prefiro morrer aqui e agora do que me sujeitar a você.

Que garota insuportável e burra.

Ergui meu olhar para o caminho que vinha em nossa direção. Energia da Terra, não? Estendi minha mão na direção da rua. Deixei que a dor nas minhas costas piorasse. Deuses da Terra.

Faça.

Pisquei, sentindo o tremor deixar o chão sob meus pés. Segui a rachadura com o olhar. Ela ia ao meio da rua. A estrada estourou. Alguns pedaços de asfalto voaram. Emília virou-se, gritando.

Minhas forças esgotaram-se. Precisei esforçar-me para não cair.

O motorista desviou do buraco e da água que jorrava. O pesado caminhão iria atingir o lugar onde estávamos.

Emília olhou para mim. Raiva incontida transbordava no rosto dela.

Ela morreria com aquele acidente. Era fácil para que eu saísse dali, não ela. Qual era mesmo a razão para eu deixá-la viver? Nenhuma.

Ajudar os feiticeiros.

— Humana idiota — grunhi, puxando a garota pelo braço e nos lançando em uma sombra.

Cobri Emília com meu corpo. As sombras não apenas serviam para nos manter invisíveis como poderiam ser um meio de locomoção se tivesse energia o suficiente para isso. O que era óbvio que eu não tinha. Emília possuía o suficiente para nos tirar dali.

Esperei o impacto.

Nada aconteceu.

Ao contrário, senti areia entrar pela barra da calça. O vento era mais forte de onde estávamos. Soltei Emília no ato. Ela quase caiu, mas usou as mãos para apoiar-se.

Levantei-me, olhando os muros que cercavam o terraço de um prédio.

Emília ainda não poderia morrer. Meu povo precisava voltar a ser visto por outros seres.

Ela tossiu. Olhei para a garota. Por mais que meu corpo latejasse como nunca, e cama fosse o que mais precisava no momento, conseguia me suportar de pé.

— O que foi agora?

— Ai — Emília estendeu um dos braços. Um enorme corte abria-se do cotovelo ao ombro. Sangue caía no terraço, sujando as roupas dela.

Olhei para os céus.

Deuses... — contive um xingamento. Não era prudente xingá-los assim. A culpa toda era dela mesmo. Como fora se ferir assim?

— É a sua culpa isso! — esbravejou Emília, atraindo minha atenção. — Foi por causa do cimento, seu... seu... humano.

Fale sério! Como ela pode sair por aí chamando-me da espécie dela como se fosse um palavrão? Não seria babá dessa garota, nem pensar. Era ofensa demais para um feiticeiro como eu.

Ela puxou a blusa, tentando rasgá-la para conter o sangramento.

Meu coração mudou de batida, parecendo parar. Deixou-me sem ar por um momento. Ela não precisava mais conter o sangramento.

Joguei-me de joelhos ao lado dela no mesmo instante, pegando o braço da garota. O corte era profundo demais. Só iria ser curado tão rapidamente com magia. No entanto, lá estava ele. O corte fechava-se lentamente. Continua extenso, porém cada vez mais raso. O sangue escapava vagarosamente.

— Pare com isso! — ela empurrou meu braço.

— Pare você com isso. Desde quando pode se curar nessa velocidade? — encarei Emília, com teorias trabalhando em segundo plano na minha mente. — Nem feiticeiros se curam tão rapidamente assim atualmente.

Havia outra coisa.

Toquei novamente no braço dela. Não me queimava mais. Poderia estar queimando-me como um sistema de defesa. Então por que agora não fazia nada?

Deixei meu olhar sobre o sangue de Emília em minhas mãos.

Ela não era feiticeira nem filha de um, apesar de ter magia e isso estar claríssimo agora. Emília nos tirara do acidente através das sombras sendo que eu não tinha forças para fazer isso, então apenas ela poderia. Ela não era a criança que estávamos procurando. O bebê era de outro país. Pesquisei o passado dela o suficiente para saber que ela era uma brasileira, assim como seus pais e avós.

Então como ela era capaz de realizar tal feito?

Emília estava deixando-me louco.



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