História Flavours - Capítulo 14


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Palavras 966
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Amores, perdoe-me a demora, a vida ultimamente estava sendo um caos e acabei deixando de escrever, porém não poderia deixar vocês sem saber o que acontecerá. Então aqui está o capítulo novo, espero que gostem. - xoxo

Capítulo 14 - Sour: My Moon



             Eu considerava ser a lua. Ao observar sentia sua frieza, a distância impossível ao toque. Nas noites gélidas, parecia sorrir com a calmaria, as tempestades demonstravam não incomodar ao surgir, pelo menos eu acreditava ao observá-la. Com o tempo, a lua estava cheia e brilhante, iluminava sem aviso a escuridão, revelando com a adaptação da minha visão, novos sentimentos. No amanhecer, desaparecia por completo, deixando para trás o meu sentimento de querer mais uma noite com ela. Na galáxia, encontrava-se estrelas ao seu redor, tão melhores e grandiosas que eu, assim, eu esforçava-me para atraí-la, pelo menos um segundo. Não existiu uma estrela cadente caindo que o meu pedido não fosse ser dela. Quando o assunto tratava-se sobre amar ela, eu sempre comparei ao universo, pois ela como a lua era capaz de iluminar toda a minha escuridão.
                  Minhas tentativas nunca foram fortes o suficiente, quando trata-se de outras pessoas, sempre fui o um passo para frente e dois para trás. Afundo na areia movediça de quem eu amo, o fantasma do meu melhor amigo me assombra, foi culpa minha. A sua morte, foi culpa minha. Precisei perder a visão para enxergar, eu não sou um peso morto, eu sou um peso vivo, tão vivo e preso nas costas dos meus amados, obrigando-os perderem a sua força, pressionando seus rostos contra o chão. A última tragada de ar, esse é o meu resultado, quando alguém confia em mim, elas acabam mortas, quando quem deveria estar: sou eu.
Eu não poderia ver a luz da lua aquele dia, tampouco poderia sentir sua respiração ao meu lado. Comigo, transformei em tempestades as nuvens carregadas a minha volta, chorando, molhando, todo o meu ser. Não encontrava-se estrelas ao meu redor, apenas a escuridão de um merecedor. Todos fugiram para não serem apagados, como alguém poderia confiar em mim, quando nas minhas mãos, encontram-se a vida de um ser.
                O barulho oco de lâminas caindo sobre o chão, o trinque da porta travada, a água morna deslizada sobre o meu corpo nu. Eu possuo uma necessidade constante de mudar minha essência, as vezes com medo, eu evito ela. A dúvida de me tornar uma versão pior que o meu anterior era agonizante. Só que naquela minha escuridão, onde apenas o meu tato guiava-me, eu descobri a pior versão. Ela não tinha salvação como as anteriores, eu só conseguia enxergar uma solução.
              O peso nas minhas costas foram removidos como se eu retirassem uma peça de roupa, não ouvia-se vozes mandando eu fazer, não ouvia-se vozes impedindo. Naquela banheira, eu era bainhado com os meus erros, defeitos, raiva, rancor. Não eram só negativos, eu sentia a felicidade, amor, carinho, o problema era não ser digno disso. O primeiro mergulho, eu era capaz de sentir meus pulsos chorarem no meu lugar. O primeiro mergulho foi suficiente para recomeçar a melhor versão em mim. Sem atualizações, sem modificações, naquela noite, eu descobri a versão linda do meu ser, onde nada mais incomodava, inclusive o fato de ser eu.
   Logo após o último segundo de ar nos pulmões, a sensação de pureza penetrou meu corpo inteiro. Meus pulmões abriram-se respirando calmamente, a sensação de frescor e um sabor doce na boca, acalmaram meu coração preocupado. No fundo do lugar onde eu me encontrava, caminhava uma pessoa na minha direção. A roupa de couro, os dentes brancos, a covinha na bochecha esquerda, o lábio carnudo. Eu começo a soluçar, percebendo ser Elio na minha frente. Uma paz acertou-me como um tiro ao abraçá-lo.
- Desculpa, desculpa, desculpa. - a repetição exagerada nunca significaram tantas palavras para mim, como significaram nesse momento. - Eu te matei.
- Não. - a voz grave de Elio, pareceu paralisar o tempo. - Foi escolha minha. Aquela era a minha hora.
- Não existe hora para morrer! - grito, desmoronando no chão, onde era uma gramado tão verde e macio.
- No fim não morremos? - perguntou, mas não esperava uma resposta de imediato. - O segredo é o que levamos conosco. Veja. - pediu para observá-lo, eu parecia uma criança encolhida sobre seus pés. - Eu tive uma vida boa, um amigo bom, um amor. Eu vivi minha vida, briguei, beijei, chorei e sorri. O que você está trazendo com a sua?
- Minha o quê? - minha mente gira, milhões de pensamentos rodeiam furando a fila uma da outra, deixando-as impacientes.
- Sua morte. - essa frase foi o suficiente para o mundo se calar, eu olhei para os meus braços, sangue. 
   No susto, percebi a falta da minha cegueira, antes de dizer algo. Água saia da minha boca, queimando meu corpo com a sensação de afogamento. Elio sorria para mim, dizendo palavras doces para eu não me preocupar, a minha hora não tinha chegado, foi o que ele disse ao desaparecer. 
- O que você levará contigo quando morrer? - sua última pergunta, quando a sua presença era inexistente.
   Eu queria levar a lua, o sol, a terra. Eu queria levar minhas conquistas, meus sonhos. Desejava carregar na minha mala e sentir o peso das minhas experiências sobre como viver, ela estava vazia agora, ele estava certo. Não está na minha hora de morrer. Eu queria sorrir mais, chorar mais, amar mais.
   A lua possui tantas fases, como eu nunca percebi antes. Para encontrá-la cheia você precisa esperar todas as suas etapas. Demorou para eu perceber, eu era uma lua minguante e em planeta terra feito de mim, a única lua que deveria ser cintilante para a minha órbita, sou eu.
   Um barulho agudo ecoou na minha cabeça, martelando, como se colocasse pregos novos para manter preso a minha sanidade, a imagem de Elio surgiu na minha mente, ele estava em paz. A escuridão presente, mesmo com os olhos abertos, só significavam uma coisa. Eu estava vivo.
 


Notas Finais


Tenham uma boa semana. <3


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