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História Flor de Acônito - HashiMada - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura mores, espero que gostem.

Capítulo 3 - Consequências de Seus Atos


A sala de cirurgia se encontrava em um completo breu, onde possuía apenas algumas luzes móveis que eram direcionadas ao corpo do Uchiha, o seu esqueleto se encontrava tão gelado, que era como se ele tivesse atravessado uma nevasca despido, nos seus pulsos, algemas feitas de couro o mantinha preso na maca, e o som daquele aparelho irritante fazendo "Bip", fora a única coisa que ele ouvia, até ver o Senju em sua frente, mas o Senju que ele viu não era aquele que ele gostaria de ver.


— Senhor, ele está acordando — disse alguém, cujo seu rosto se encontrava borrado, e pela voz, o moreno não soube identificar quem era.


— Não tem problema — respondeu o albino.


 — Mas senhor, a última dosagem de sedativos fora usada nele a pouco tempo atrás. Se opera-lo assim, ele sentirá a dor de tudo.


 — Então veremos até que ponto o Sr. Uchiha aguenta. Me passe o bisturi.


— Por favor não — o Uchiha disse baixo e de uma vez, puxando as algemas na tentativa de solta-las.


— Só fique parado, Madara, assim doerá menos.


O moreno começou a se debater, a balançar a cabeça de um lado para o outro, para impedir que o mesmo fosse cortado naquela região, os seus pés não estavam amarrados, com isso, ele chutou a bandeja de equipados que estava em uma mesa, e continuou a se mover incessantemente pela maca.



[...]



Hashirama terminava de prescrever os remédios novos para o Uchiha, quando de repente, ouviu algo bater várias e várias vezes contra o colchão. Quando o Senju se virou, virá Madara tendo uma convulsão, todas as partes do corpo do homem se debatia contra o colchão com brutalidade, o jovem médico colocou a prancheta sobre a pequena mesa que possuía no local, e retirou uma das algemas que prendiam o braço do moreno. 


— Me ajude a virá-lo — o acastanhado pediu a única enfermeira que estava com ele.


Os dois viraram Madara de lado, e deixaram que o moreno encerra-se sozinho a convulsão que estava tendo.


— Ele não apresenta histórico de convulsão doutor, e nem de epilepsia. Será que foi por conta dos medicamentos que ele não tomou mais cedo?


— É bem provável que sim, ele já está os tomando a tanto tempo, que o seu organismo se tornou dependente da substância. —  Hashirama não acreditava fielmente no que estava dizendo, apenas não quis pensar que aquele ato era realmente por conta do tumor, e que de fato, ele poderia estar crescendo.


Aos poucos, o corpo que antes parecia estar sendo eletrocutado fora cessando os seus movimentos, e uma listra de sangue escorreu de seu nariz, manchando o branco e desgastado lençol.


— Quero que você prepare a medicação que eu prescrevi para uma aplicação injetável, a folha está sobre a mesa — o doutor disse ao retirar de seu bolso uma flanela branca, e a passou no rosto de seu paciente, limpando a listra de sangue que escorria.


— Doutor Hashirama, não precisa se incomodar com essas pequenas coisas, eu estou aqui exatamente para isso, pode deixar que eu o limpo.


— Isso não é incômodo nenhum para mim, e eu já acabei — o acastanhado respondeu, retirando o pano do rosto do moreno e o segurando entre os dedos.


— Para ser bem sincera, eu gosto de vê-lo quando ele está assim. Quando não está agressivo.


— É, eu também, mas depois que ele realizar a operação, você não reconhecerá o homem que lhe dar tanta dor de cabeça.


— É um alívio para mim ouvir isso, mas isso significa que eu também não o verei mais, já que ele se encontrará melhor.


— Eu não entendi o seu comentário. Por um acaso gosta dele? — o doutor perguntou surpreso.


— Já conversou com ele em um dos poucos momentos que ele se encontrava sã, doutor? Ele brinca com tudo, ele me disse uma vez que a vida é uma montanha russa, que ele já esteve tanto lá em cima, que entendia o porquê de se encontrar assim, e que talvez agora fosse só ladeira abaixo — a jovem disse rindo de maneira sutil. — Respondendo a sua pergunta anterior, não, eu não gosto desse homem como o senhor talvez pense, mas ele faz vários momentos do meu dia feliz, e quando ele for embora, talvez eu não sorria mais como hoje.


— Entendi, me desculpe se minha pergunta soou invasiva. 


— Não tem problema, eu realmente não me importo com essas coisas — respondeu com sorriso sem graça. — E o senhor, não está se esforçando demais para cuidar deste homem?


— Ajudar os outros nunca é demais, e me esforço com qualquer um dos meus pacientes, não é somente com ele.


— As pessoas o admiram bastante doutor. Espero que não perca as qualidades maravilhosas que tem.


— Doutor Hashirama — outra voz pronunciava seu nome da porta, que se encontrava entreaberta. — O Sr. Butsuma deseja vê-lo, e o mesmo o aguarda em sua sala — concluiu a jovem de fios loiros.


— Certo, obrigado por me informar — ele disse assentindo,  e direcionando sua fala à outra enfermeira do local. — Por favor, não esqueça dos medicamentos novos, e se acontecer qualquer coisa, pode mandar me chamar.


— Sim senhor — fora o que a jovem respondeu, fazendo o Senju se retirar do local e caminhar até a sala de seu pai.


Por mais tranquilidade que sua face transparece-se, o homem estava com o coração acelerado, com a garganta seca e com sua visão turva. Ele sabia exatamente o motivo pelo qual o seu pai desejava vê-lo, e procurava as palavras certas para proferir a ele quando o encontrasse.


Adentrou a sala de porta clara e se deparou com a face incrédula de seu pai o olhando, estavam sozinhos, o jovem fechou a porta com a respiração alterada, e caminhando em direção ao seu superior perguntou:



— O senhor queria me ver? 


— Sim, sente-se por favor — o acastanhado não disse mais nada, apenas executou aquilo que lhe fora pedido, e ficou esperando que o homem de idade avançada continuasse com a conversa. — Você utilizou a sala de Ressonância?


— Sim — respondeu com a cabeça erguida, mas com o olhar baixo que recaia sobre a mesa.


— Sem antes fazer um requerimento ?


— Eu precisava de um hemograma completo, e a fila para utilização da sala é enorme, eu só conseguiria marcar uma sessão para o meu paciente no mês que vem e...


— Hashirama — o homem chamou o seu nome um pouco alterado, cortando a fala do jovem. — Não é assim que as coisas funcionam aqui. Você tem ideia de quanto uma ressonância custa?


— Sim, sei que não é barato, mas agora eu posso fazer…


— Não me interessa o que você pode ou não fazer — Butsuma disse quase em um grito, o velho perdia a paciência muito fácil, e ainda mais quando as coisas não aconteciam da forma como ele queria que acontecesse. — Você não pode fazer as coisas como bem entender, tinham pacientes na frente do seu esperando pelo exame, pacientes operados Hashirama, que precisam de uma avaliação para ir embora. Acha justo fazê-los esperar porque você não teve paciência?


— O meu paciente podia morrer.


— E o que ele tem que não poderia esperar? Todos os pacientes presentes aqui podem morrer.


— Ele se encontrava com a sua ficha na sala de ouro.


— Mais um motivo pra mim acreditar que a sessão que você fez fora em vão, já que ela não teve uma avaliação.


— Por favor me escuta, eu sei que eu errei, mas aquele homem pode ser salvo, e ele seria morto injustamente.


O homem de barba branca apenas respirou fundo e olhou para a tela do monitor de seu computador, e após um tempo perguntou algo ao jovem Senju.


— O que você está fazendo agora tem a ver com a garotinha de seis anos atrás? — perguntou, fazendo Hashirama finalmente olhar em seus olhos. O Senju mais velho nunca virá seu filho se esforçar tanto como estava se esforçando agora, e esse fora o motivo de sua pergunta.


— Não, eu estou aqui para salvar e ajudar a todos que precisam de mim. Não faço nada por remorso.


— Seu expediente acabou à uma hora atrás, e você ainda se encontra aqui, trabalhando e quebrando regras.


 — Eu estava no meio do procedimento, não ia para-lo para ir embora.


— Então vá agora, e coloque a cabeça pra relaxar. Não é porque esse lugar será seu um dia que já pode fazer as coisas como bem entender — Hashirama pensou em inúmeras respostas para dar ao seu pai, mas sabia que só estaria gastando saliva, e dessa forma, resolveu concordar e obedecer.


— Tá, eu vou, e me desculpa, não era minha intenção quebrar as regras, eu só…


— Queria fazer aquilo que estivesse ao seu alcance, antes que não estivesse mais? — o barbudo perguntou, fazendo o acastanhado assenti levemente para ele. — Está perdoado Hashirama, mas toda ação possui consequências meu filho, não se esqueça disso.


O doutor não respondeu nada para o homem arrogante, apenas saiu de seu escritório e caminhou de encontro ao dele. E desse jeito ele fez, juntou os seus pertences e caminhou rumo a saída, mas não pode deixar de olhar pela pequena janela do quarto do Uchiha antes de partir, o mesmo estava dormindo de modo sereno, e aquela visão fez o Senju ter ainda menos vontade de ir embora.




[...]



A cobertura de seu apartamento o proporcionava uma visão bela, o ar gelado naquela noite escura secava os seus fios molhados pelo banho que tomará a pouco tempo atrás, e a sirene da ambulância que soava da avenida a sua frente, o fez se lembrar da garota que o seu pai havia mencionado mais cedo.


Karin fora sua primeira paciente, ele nunca conseguiu denomina o transtorno pela qual a jovem criança sofria. A mesma mordia violentamente o próprio corpo, tão forte em algumas localidades, que ela quase conseguirá arrancar pedaço. Era frustrante ver a ruiva com focinheira, como se fosse um animal selvagem e indomável, e o desespero ao presenciar aquelas cenas, levou Hashirama a dar um diagnóstico errado, e isso resultou em sua morte pouco tempo depois.


As mordidas pareciam tatuagens, todas as marcas pareciam desenhadas, pareciam se encaixar em um padrão, como se fosse uma espécie de código ou algo do tipo. A medicação que Hashirama prescreveu deixou a garota mais calma, fez a menina cessar o seu comportamento incomum, mas também resultou da parada de seu coração, trazendo o seu falecimento enquanto ela dormia. Aquilo devastou o Senju, e ele se isolou por um ano na intenção de reforçar ainda mais os seus conhecimentos, e não cometer o mesmo erro novamente. Fora esse o motivo pelo qual ele estava desesperado para tratar Madara, precisava evitar que ele fosse o próximo, precisava garantir que tudo na medida do possível seria feito, e sabendo exatamente como o hospital funcionava, resolveu agir por conta própria.


Aquilo talvez o trouxesse consequências, e severas quando se lembrava do homem que as aplicaria, mas algo naquele paciente era diferente, não era só o fato de Karin e Madara terem recebido o diagnóstico errado, o jovem moreno despertava algo no Senju, que o fazia sentir ainda mais vontade de estar perto do mesmo, às vezes, ele até queria que Madara desse mais do seus surtos, assim ele poderia ter uma desculpa plausível para estar ali.


O acastanhado  adentrou o seu quarto e fechou a porta da varanda, caminhou de encontro ao celular e ligou para a única pessoa na qual ele confiava de verdade.


— Eu preciso muito me encontrar com você — proferiu as palavras quando a outra pessoa na linha atendeu a ligação.


— Eu não estou no país neste momento. Aconteceu alguma coisa, tio Hashi? — respondeu uma voz feminina.


— Sim, preciso que opere um paciente meu.


— Eu não sei o que está acontecendo ou o que aconteceu, mas a Mito também é neurocirurgiã, então por que precisa de mim sendo que a tem bem ao seu lado.


— Neste momento, eu não posso confiar nas pessoas que trabalham comigo. Preciso saber quando estará de volta?


— Eu não tenho certeza, mas eu vou me esforçar para voltar o mais rápido possível, e assim que eu estiver na cidade, ligarei para o senhor.


— Promete pra mim que vai retornar ainda este mês? 


— Voltarei mais rápido do que imagina.


— 'Tá bom, obrigada meu anjo, eu realmente não sei o que faria sem você.


— Não diga uma coisa dessas a mim, se não eu vou me gabar até você não aguentar mais — a moça disse soltando uma risada espontânea.


— Você tem razão, mas nunca é demais ressaltar — disse ao dar um leve riso. — Eu preciso desligar agora, mas eu te ligo assim que der para te explicar os detalhes.


— Prefiro conversar sobre isso pessoalmente. Ao meu ver é algo delicado.


— Ok, até depois então — disse finalizando a conversa.


Na ficha de Madara, onde dizia que o mesmo estava com um tumor que correspondia à 35% de seu cérebro, estava a assinatura da Uzumaki, o que significava que ela realizou a última ressonância antes da que ele fez. E durante o procedimento, ela agiu como se o estivesse vendo pela primeira vez, ela nem sequer lembrou das anotações que ela mesma havia feito, e Hashirama começou a se perguntar se Mito era realmente confiável como ele achava que fosse.



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