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História Flor de Cerejeira - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá!
Como vocês estão? Espero que bem! Eu não pretendia postar essa história aqui, para ser bem sincera, já que é uma história que pode ser um pouco problemática, mas resolvi fazer um teste para ver no que vai dar. Antes de tudo, eu quero dizer que essa história já foi postada na minha conta no wattpad (algumas histórias serão postadas apenas lá), mas eu resolvi vir aqui agora fazer esse teste.

A história não foi revisada e não tem uma capa, então me desculpem por isso por favor!


Antes de tudo, eu deixo bem claro que eu NÃO APOIO QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA, NEM CRIMES. A fanfic é uma máfia!au, tem assuntos pertinentes à este tema (ainda que eu não tenha muito conhecimento sobre ele), mas também tem relacionamento abusivo e possíveis gatilhos, então eu peço à vocês, POR FAVOR NÃO LEIA SE FOR SENSÍVEL A ESTE TIPO DE CONTEÚDO, preserve sua saúde mental!

Capítulo 1 - Flor de Amor


AVISO: Essa história contém violência física e psicológica, relacionamento abusivo, drogas e crime, bem como possíveis gatilhos. Se você for sensível a este tipo de conteúdo, por favor, NÃO LEIA. Preserve sua saúde mental. 

(...)

 

O caminho que guiava os visitantes até a porta de entrada da principal hanok do grupo Park, da famosa e poderosa Iseul, estava repleto de pequenas pétalas de Sakura, tão suaves quanto a brisa leve que as jogava pelo caminho, banhando-o com graça e delicadeza, e que ali, tão indefesas, eram pisadas por um par de mules da italiana Gucci, que seguia a passos lentos em direção à mais um entediante encontro entre líderes da máfia e seus respectivos herdeiros, uma tradição obrigatória entre todas as máfias que existiam na ásia, em seus respectivos territórios. Um suspiro cansado escapou de seus lábios, soltando toda a fumaça esbranquiçada do cigarro que fumava, enquanto a franja dos cabelos pretos e grandes voava contra seus olhos, atrapalhando um pouco sua visão. 

 

— Jogue este maldito cigarro fora antes de entrarmos na casa dos Park. — Kim Taeho ralhou, olhando para o filho de canto de olho. — E dê um jeito nesse cabelo grande o mais rápido possível!

 

    Revirou os olhos descaradamente, debochando do mais velho, que bufou irritado e virou-se para a frente mais uma vez, seguindo sob o olhar tenso de seus homens, que faziam a escola dos membros mais importantes da família Kim, de Hana. Kim Taehyung ainda era muito jovem para compreender os motivos pelos quais seu pai ralhava tanto, e seu comportamento era problemático, cada um daqueles homens sabiam disso, no entanto, sua aura era completamente intimidante. O jovem, que vestia uma camisa preta da Versace e usava as calças de um terno cinza claro e xadrez da Armani, era o promissor herdeiro e futuro líder da segunda maior máfia da Coreia do Sul, rival da que  mente era a primeira, Iseul. 

 

A grande maioria dos mafiosos não concordavam com as decisões de Taeho em anunciar que seu filho mais novo seria o herdeiro da Hana, já que acreditavam ser imprudência confiar a máfia nas mãos de alguém que tinha apenas vinte e seis anos de idade e não se importava tanto com os negócios da família, mas Taeho sabia do potencial de seu filho e sabia que, dentre seus seis filhos, apesar de ser o mais arrogante e desobediente, somente ele teria punho de ferro para não deixar a máfia morrer. 

 

Era uma aposta alta e Kim Taeho nunca apostava para perder, por isso estava começando a levar seu filho a todos os compromissos pertinentes a um líder, buscando ensiná-lo como se portar e a importância de ter contato com suas máfias rivais, para garantir a segurança de seu território. Era um ditado antigo e que funcionava muito bem na máfia: mantenha seus amigos próximos, mas seus inimigos mais próximos ainda. Era desta forma que aquele grande universo do submundo funcionava. 

 

— Senhores. — Um dos homens da Iseul curvou-se respeitosamente diante dos Kim. — Os senhores Park Hyungsoo e Park Haejin estão aguardando aos senhores. Por favor, permitam-me acompanhá-los. 

 

    Taehyung sorriu sarcástico, tomando a frente para se aproximar de outro dos homens dos Park, estendendo a mão e entregando para o mesmo o cigarro que estava fumando, sob o olhar furioso de seu pai. Ele estava animado, Haejin finalmente havia retornado à Coreia do Sul e ele não via o ex-amigo de infância há mais de cinco meses, por conta do período que o maldito havia permanecido fora, tomando conta dos negócios no Japão. 

 

— Obrigado, Park Seojoon-ssi. — Taeho tocou suavemente no ombro do homem, que sorriu minimamente. Ele era um excelente assistente. 

 

    E todos da Hana finalmente entraram na hanok e foram guiados até a sala principal da casa tradicional, onde alguns membros da Iseul permaneciam de pé, deixando a grande mesa tradicional livre para o líder e seu herdeiro, que serviam-se de soju. A princípio, Taehyung movimentou os lábios para cumprimentar insolentemente Haejin, mas sua voz calou-se quando ele finalmente notou que, ao lado do amigo, havia uma figura nova. Vestindo um kimono rosa claro que não estava corretamente preso, com os cabelos presos de maneira desleixada por um Daenggi vermelho e chamativo. 

 

Os olhos curiosos e quase famintos de Taehyung conseguiram captar os brincos prateados na orelha daquela figura tão chamativa, bem como as tatuagens que seguiam pelo lado direito de seu corpo, em um jogo sensual de esconde e mostra por debaixo do tecido delicado. O jovem Kim umedeceu os lábios. Ele odiava tatuagens. Seus olhos passearam pelas clavículas bem desenhadas e expostas, até alcançarem o rosto delicado de boneca, com olhos grandes e escuros, um nariz proeminente e lábios pequenos e bem desenhados, tão rosados quanto as pétalas que havia pisoteado até estar ali, parecendo hidratados, úmidos. Era o homem mais lindo que já havia visto em sua vida. E Haejin pareceu notar o olhar predatório de seu amigo, pois fez questão de rir alto, chamando a atenção de todos. 

 

— Oh, Taehyung-ah! Quanto tempo. — Haejin o cumprimentou de longe, um dos braços passando pela cintura do homem à seu lado. — É bom finalmente vê-lo. 

 

— Heh, você sumiu, maldito. — Taehyung respondeu, brincalhão. — Não deu notícias. 

 

— Ele estava bastante ocupado com as negociações, Taehyung-ssi. — Park Hyungsoo sorriu. — Taeho-ssi, é bom vê-los novamente. Fico feliz que tenham vindo visitar meu recém chegado filho. 

 

— É uma honra o convite, Hyungsoo-ssi. — Taeho curvou-se respeitosamente. 

 

— Sentem-se, por favor, desfrutem do soju conosco. — Ofereceu. — Pedi para prepararem carne para vocês. 

 

— Não precisava, ainda é cedo para jantar. — Taeho sorriu. — E como andam os negócios no Japão? 

 

— Oh, é mesmo, que rude de minha parte. — Hyungsoo sorriu de um jeito diferente. — Permita-me apresentá-los. — Apontou para o homem que era abraçado possessivamente por Haejin. — Este é Jeon Jeongguk. Ele é neto do Tsukasa-sama, da Yamaguchi-gumi. 

 

— O líder da Yakuza? — Taeho arregalou levemente os olhos, olhando para o jovem tímido. — Oh… 

 

    O jovem prestou mesura silenciosamente, tão perfeito quanto um boneco.

 

— Ele é mestiço, filho de um dos filhos do Tsukasa-sama com uma coreana. — Haejin explicou calmamente. 

 

— E por qual motivo ele está aqui? — Foi Taehyung quem quis saber, o olhar predatório fixo no jovem mestiço. 

 

— Eu o recebi como uma promessa do Tsukasa-sama. — Haejin sorriu de um jeito levemente sombrio, a mão grande indo até o alcance do rosto pequeno e delicado, tocando-lhe a face direita. — Eu fiz trabalhos de grande importância para ele, como forma de provar meu valor e conseguir uma parceria entre Iseul e Yakuza, mas a situação foi além. 

 

— Ele estava preocupado com a segurança do neto sem os pais e, após aprovar o valor de Haejin, ele quis selar nossa união com a união do neto dele e de Haejin. — Hyungsoo explicou. — Como ambos são amantes do sexo masculino, essa foi a maneira mais eficaz de garantir a segurança de seu precioso neto e de selar a parceria que Tsukasa-sama encontrou. 

 

    Taehyung ergueu o canto de um dos lábios, irônico. Haejin sempre fora sortudo, desde que eram moleques pequenos, mas aquilo já era demais. Sentiu sua garganta secar quando o garoto calado pegou um dos copos de cerâmica, levando-o discretamente aos lábios para sorver do soju gelado, a boca tornando-se molhada após a degustação da bebida. Haejin tinha os olhos fixos em Jeongguk e em Taehyung, enquanto os patriarcas começavam a discutir sobre expansões territoriais da máfia, um incômodo formando-se em seu estômago, incômodo que o fez segurar Jeongguk pelo queixo e beijá-lo sem se importar com a presença dos mais velhos. Demonstração de possessividade sempre fora algo curioso para o jovem Kim, que nunca tivera relacionamentos sérios. 

 

Ele não gostava disso. Jeon Jeongguk parecia passivo demais, calado demais, entregue demais, sufocado demais. Talvez o desconforto tenha sido o responsável por fazê-lo levantar da mesa, sob o olhar severo de seu pai, que interrompeu a conversa ao notar seu movimento, e sair do lugar em direção à varanda da casa. O ar era fresco demais ali fora, parecia levar vida por onde tocava. As flores de cerejeira eram lindas demais, mas pareciam estar em um terreno que não era próprio para o cultivo das mesmas. Um suspiro escapou de seus lábios e ele quase gritou e pulou de susto quando notou que a figura enigmática do mestiço estava parada a seu lado, os olhos grandes e brilhantes voltados para as árvores como ele próprio estava, momentos antes. 

 

— O que faz aqui?

 

— É minha casa, não posso vir à varanda? — Devolveu a pergunta, com um sorrisinho leve. 

 

— N-Não… não é isso. — Taehyung franziu o cenho, desconfortável e voltou seu olhar para a frente. 

 

— Abandonar uma reunião com a família rival sendo o próximo líder é, no mínimo, desafiador. Se fizesse isso no Japão, meu avô provavelmente mandaria alguns dos homens darem-lhe uma surra. 

 

— Estamos na Coreia do Sul, grande e precioso neto. — Debochou. — Aqui as leis funcionam de forma diferente. 

 

    Jeongguk o olhou, admirando o perfil bonito e simétrico do Kim, os olhos gravando com graciosidade o brinco da Chanel de cor verde que enfeitava sua orelha, tão delicadamente. 

 

— As leis não funcionam diferentes, você que é rebelde demais para segui-las, jovem mestre. 

 

— Hm. 

 

— Não gosta de conversar? 

 

— Não gosto de pessoas supondo coisas sobre mim. — Os olhos afiados de Taehyung cruzaram com os grandes do Jeon, que sentiu-se ruborizar. — Ele estava mesmo preocupado?

 

— Claro que não. — Jeongguk sorriu com escárnio, as feições delicadas ganhando um tom agressivo. — Eu era um gay nojento do qual ele precisava se livrar e, por obra do destino, as pessoas daqui são muito mais mente aberta. Haejin foi quem propôs me trazer como seu amante, ele disse que havia se atraído por minha… beleza. Meu avô concordou na hora. 

 

— Hm, interessante… — Taehyung sorriu. — Espero que aproveite a estadia na Coreia do Sul, jovem mestre. 

 

— Eu nunca tive o direito de aproveitar nada. — Deu de ombros. — Sempre aprendi a ser perfeito, não a ter gosto ou voz sobre algo. Eu precisava agradar alguém de alguma forma, porque o vovô disse que se eu não o fizesse, não passaria de um prostituto. 

 

— Tão irritante. — Taehyung aproximou-se um pouco do Jeon, mantendo os olhos presos nos olhos dele. — Você parece uma boneca. 

 

— Talvez. — a resposta veio em um tom instigante. 

 

    Era como se houvesse um imã os puxando na direção um do outro. Taehyung não havia notado como já estava próximo do rapaz bonito, mas pareceu despertar quando uma rajada de vento os abraçou e o cheiro gostoso e floral de sua pele alcançou seu nariz. Eles tinham a mesma altura, não tinha como um fugir do olhar predatório do outro. Os olhos de lince do Kim puderam captar a imagem de Haejin surgindo na porta e ele foi rápido em se afastar do jovem mestiço, desviando o olhar completamente e quebrando aquele clima estranho. Jeongguk o olhou confuso, antes de olhar ao redor e ver Haejin indo até eles com um sorriso suspeito no rosto. 

 

— Estava aqui, boneca? Pensei que havia se retirado para o quarto, já que você disse que estava cansado. — Inquiriu com um leve tom de desconfiança. 

 

— Eu… quis ver as cerejeiras… — Jeongguk o respondeu, permitindo as mãos do Park em seu corpo, envolvendo-o em um abraço. 

 

— Ele é apaixonado por cerejeiras, Taehyung-ah, lembranças de sua terra natal. — Haejin explicou, chamando a atenção do Kim. — Plantamos essas por aqui para alegrá-lo.

 

— É uma boa ideia. — Taehyung sorriu sem graça, enfiando as mãos nos bolsos da calça e apertando o maço de cigarros e o isqueiro que estava em dos bolsos. — Cara, posso fumar? Eu tô louco pra fumar aqui. 

 

— Não incomoda em nada. — Haejin deu de ombros. — Pode fumar. 

 

— Finalmente. — Taehyung pegou um cigarro do maço e o acendeu, tragando-o de olhos fechados, como se fosse a melhor coisa do mundo. 

 

Jeongguk manteve os olhos presos nele. Ele não gostava de cigarros, odiava o cheiro daquelas coisas, mas o jovem mestre Kim ficava surpreendentemente sexy fumando. 

 

— Você tem prazer em estragar seus pulmões. — Haejin debochou. — Bom, fique à vontade, os velhos estão apenas discutindo sobre inúmeros negócios e agora eu e Jeongguk vamos nos retirar também. — Puxou o garoto ainda mais contra seu corpo. — Você vai ficar bem sozinho?

 

    Aquela pergunta não era exatamente o que parecia, e por este motivo o olhar cortante da lince chocou-se contra o frio do Park, em um desafio pessoal muito claro. 

 

— Sempre estive bem sozinho. 

 

— Você é quem sabe. — o Park deu de ombros. — Vamos, querido. — Beijou os lábios do Jeon suavemente, puxando-o em direção ao outro lado da hanok. 

 

    Jeongguk lançou um último olhar ao jovem mestre Kim que mais parecia um pedido, um sentimento queimando de dentro de seu corpo e alcançando Taehyung, que estalou a língua no céu da boca, incomodado com aquilo. Ele estava ficando louco! Era a primeira vez que via aquele garoto em sua frente, como diabos se deixava ser tão afetado assim por ele?

 

— Recomponha-se maldito, e enxergue seu lugar… — Murmurou para si mesmo, na falha tentativa de recobrar seus sentidos. 

 

    Mas ele já havia sido nocauteado. 

 

(...)

 

— Pela milésima vez, Kim Taehyung! — Taeho gritou alto o suficiente para quebrar a barreiras de seu escritório e permitir com que todos na mansão principal de Hana ouvissem a bronca que, mais uma vez, seu filho tomava. — Eu não te criei assim! Tenha respeito! Estávamos discutindo sobre o comércio e você deveria ouvir tudo do início ao fim e não sair para fumar! Não sabe que Iseul é um grupo de raposas? Eles vão nos engolir antes que venhamos a perceber! 

 

— E eu não poderia me importar menos. — Taehyung debochou, os pés estendidos sobre a mesa de carvalho onde as papeladas do pai ficavam. — Eu não dou a mínima para essa falsa parceria com rivais, eu trabalho de maneira diferente. — Abriu o tambor do revólver antigo que tinha, retirando as balas da arma. — Eu nunca pedi para lhe acompanhar nesses passeios toscos. 

 

— E como você pretende assumir a família se não souber como é o mundo fora do conforto e segurança da mansão? — Taeho apoiou as mãos na mesa, o topete grisalho se desfazendo aos poucos com a movimentação agitada. 

 

— Eu não sei como o mundo é lá fora? — Taehyung estendeu o revólver, mirando-o na testa do pai, desafiador. — Eu derrubei esses ratos malditos todas as vezes que entraram em nosso território, eu fechei negócios e abri novos pontos, tudo aos treze anos de idade! — Gritou a informação, ofegante. — Eu não pedi para nascer na porra de uma máfia, não pedi para herdar o caralho de uma vida conturbada, mas estou aqui e estou tentando fazer algo, não por você, mas pelas famílias que dependem de nós. — Lembrou-se dos pobres e necessitados que eles conseguiam ajudar, ainda que de maneira torta, cuidando daqueles que o governo podre e corrupto não conseguia abraçar. 

 

    A máfia não era e nunca fora certa, mas era necessária para muitos dos que viviam à margem da sociedade. Todos dentro de sua casa tinham plena consciência de que a máfia tinha poder de destruir lares e famílias, mas Hana sempre buscou manter uma forte origem familiar em meio a toda a vida conturbada que tinham, como uma forma de tentar compensá-los. Era lei em seu lar o auxílio para mulheres viúvas, mães solteiras e crianças e adolescentes, acima de tudo, e era dever dos homens ali dentro respeitar todos os princípios de honra estabelecidos no juramento. Taehyung carregava consigo estes princípios desde que aprendera a andar e falar, mas não estava com paciência para levá-los em conta desde a visita aos Park. Sua mente não era capaz de apagar a imagem de Jeon Jeongguk. Ele havia enchido a cara ao voltar para casa, havia fumado um maço inteiro e terminado a noite tentando entender como ele havia se sentido atraído no primeiro olhar por alguém tão peculiar como o jovem mestre. 

 

— Tudo bem, quer saber? Tudo bem. — Taeho abanou a mão, virando-se de costas ao filho. — Park Haejin está de olho no território de Busan, em Gamcheon. É a favela perto do porto, prato cheio para receber as cargas por navio e esconder naquele buraco de porcos. 

 

— É um dos maiores e mais movimentados portos do país, perfeito para a entrada e saída de cargas sem chamar a atenção… — Taehyung ponderou, mordendo os lábios. — É próximo de Gamcheon, fácil carregar a mercadoria do porto para dentro da favela e dar sumiço lá dentro, a polícia não entra naquela favela sem mandato e operação grande. 

 

— E a polícia especializada não se dá ao trabalho de gastar recursos e tempo para fazer operações naquela favela. 

 

— Eles não sabem o que perdem. — Riu sarcástico. — Maldito Haejin, ele tem o olho bom para essas coisas. 

 

— Você poderia conseguir este território para nós. — Taeho sugeriu. — Haejin ainda não oficializou o desejo por aquele território e ainda não o visitou, o pai dele me contou por cima, não citou o nome do lugar, mas eu peguei no ar. É território da Sun Yee On. 

 

— A tríade chinesa? — Taehyung levantou-se empolgado. — Eu sempre quis uma parceria com eles!

 

— Essa é nossa chance. Você pode ir lá antes de ele, silenciosamente. Ele não vai te confrontar se você estabelecer território, ele ainda leva a sério esse passado como seu amigo de infância. 

 

— Você disse, velho. — Apontou para o pai. — Se eu conseguir este maldito território, estarei livre desses passeios toscos com você!

 

— É negociável. — Taeho suspirou, cruzando os braços ao virar-se na direção do filho. — Mas somente se conseguir. 

 

— Já é meu! — Taehyung sorriu, animado com o novo desafio. 

 

(...)

 

    Jeongguk nunca fora um homem ambicioso. Ele havia nascido em uma posição delicada, que não lhe reservava o direito de se impor, de desejar e tentar ter algo. Ele era um filho mestiço, algo que os tão antigos Yakuzas não aprovavam, e para piorar a situação, era homossexual. Havia sido descoberto por seu avô aos quinze anos de idade, quando fora flagrado trocando beijos delicados com um dos homens da Yakuza, dentro da casa principal do clã. Aquele homem fora torturado, e ele também seria, se não fosse o neto do líder, que o castigou de maneira diferente.

 

Foram duas semanas trancado em seu quarto, sem poder sair e ver o mundo lá fora, antes da decisão final de seu avô: vendê-lo para qualquer outro clã que pudesse cuidar dele, mantendo a imagem de bom avô para o mundo, mas livrando-se do maior estorvo de sua história enquanto líder Yakuza. Jeongguk sabia que, se seus pais fossem vivos, ele jamais passaria por dificuldades como aquelas, mas infelizmente não eram e ele estava só no mundo. 

 

Havia perdido o pai pouco antes de nascer e sua mãe faleceu durante o parto de uma gravidez que fora de risco do início ao fim. Ele era uma criança linda, vistosa, que enchia os olhos de todos ao redor, mas não era o que seu avô queria. Era apenas um mestiço, um intruso. E tal qual uma oferenda, ele fora preparado desde sua infância. Aulas e mais aulas para atingir a perfeição em seus comportamentos, ensinamentos sobre a máfia e aulas de autodefesa de todos os tipos. 

 

Ele ganhou tatuagens e piercings como todos os membros da Yakuza, era alto, tornara-se corpulento, definido por conta dos exercícios físicos que fazia, mas continuava sendo tratado como alguém que não tinha utilidade alguma para a máfia. Vivia apenas como um parasita, absorvendo tudo o que o entregavam, calado, sem se manifestar sobre. Seu avô havia agendado a perda de sua virgindade com um parceiro muito importante da Yakuza quando fizera dezoito anos, e o homem tinha seus trinta e quatro. Ele era abertamente bissexual, um chinês ousado da Sun Yee On que costumava viajar ao Japão para realizar negócios, e que estava de olho no neto bonito de Tsukasa-sama há muito tempo. 

 

Jeongguk havia odiado aquilo, mas não contestou. 

 

E depois disso, ele havia pensado em mil e uma formas de se livrar do sangue de um Yakuza, mas sabia que as coisas dentro da máfia funcionavam de forma diferente. Ninguém saia da máfia de bom grado, se não por uma morte, e ele não queria morrer. Ele ainda tinha esperanças de conseguir viver com sua própria força, por isso, quando conheceu Haejin há meses atrás, na flor de seus vinte e quatro anos de idade, agarrou-se à ideia de conquistar o coreano jovem e bonito e sair do Japão. Ele enxergou em Park Haejin a oportunidade de viver algo novo, ainda que fosse dentro da máfia, longe dos Yakuza, e teve a felicidade de seu avô concordar com a situação. Mas ele não amava Park Haejin. Ele não o amava, gostava dele, mas não sentia borboletas no estômago, nem um calor no corpo quando ele o tocava. 

 

Não como Kim Taehyung havia o provocado com apenas um olhar. Suspirou nervoso, olhando-se no espelho da penteadeira de seu quarto. Park Jimin, primo de Haejin e um dos presentes que aquele mundo sombrio havia lhe dado, estava sentado em seu futon, dobrando cuidadosamente seus kimonos, enquanto tagarelava algo sobre uma garota de quem estava gostando. Ele admirava o amigo, era tão bonito vê-lo apaixonado. Ele ficava com as bochechas coradas e tinha os olhinhos pequenos sempre curvados em um sorriso genuíno. Será que um dia teria o privilégio de experimentar este sentimento? Não sabia, mas desejava que sim. E mais uma vez a imagem de Taehyung veio à sua mente. Porque diabos estava tão comovido pelo jovem mestre Kim?

 

— Jimin-ah… — Cortou o falatório do amigo e sentiu-se um pouco culpado por isso, mas precisava mesmo desabafar, ou enlouqueceria. — Conhece Kim Taehyung?

 

— O Taehyung-ah? — Jimin franziu o cenho. — Sim! Ele é amigo de infância do Haejin, mas é meu melhor amigo. — Jimin deu de ombros. — Nós nascemos no mesmo ano, temos uma conexão fortíssima. O tio Hyungsoo me disse que eu deveria cortar laços com ele, já que nossas famílias são rivais, mas eu nunca consegui, então mantenho a amizade no sigilo. 

 

— Ele é fora do sério. — Jeongguk bateu a mão contra a penteadeira, mordendo os lábios com nervosismo. — Tão rebelde..!

 

— Sim, ele é! Nunca obedeceu o pai dele, mas é um bom garoto, tem um bom coração. — Jimin sorriu. — Ele é um cara perigoso, consegue o que quer sempre, é arrogante e cheio de si, mas ao mesmo tempo, consegue ser o ser humano mais doce do mundo, mesmo meio desbocado e grosseiro. 

 

    O olhar de Jeongguk baixou, tímido. Ele estava sentindo o coração acelerar cada vez mais e uma sensação incômoda se formar em sua barriga. Park Jimin não era tolo, é claro, e pelo reflexo do espelho da penteadeira, pode observar o tom róseo das bochechas quentes do mestiço, os olhos com um brilho de curiosidade perigoso, daqueles que conduzia ao pecado. 

 

— Haejin morre de ciúmes de você, e eu penso que ele tem total motivo para isso. — Suspirou, levantando-se do futon e se aproximando lentamente por trás do amigo, como um gato. — Você já se olhou? — Segurou os cabelos do amigo, afastando os fios macios do rosto bonito. — E eu não digo olhar-se no reflexo deste espelho, mas… já olhou para si mesmo? Você é como uma Sakura, Jeongguk. É precioso demais para se perder.

 

— O que quer dizer com-

 

— Se você está mesmo desejando Kim Taehyung… — Mirou os olhos pequenos nos olhos grandes do amigo através do espelho — Saiba que Haejin jamais deixaria isso barato. Ele não tolera perder o que considera ser dele, e infelizmente você já ganhou a marca do nome dele quando veio com ele do Japão. 

 

    A respiração de Jeongguk tremulou e ele afastou o amigo bruscamente, levantando-se da penteadeira de maneira desajeitada, ofegante, nervoso e receoso. Ele havia deixado transparecer o desejo pelo jovem mestre Kim de tal maneira? Maldito seja Kim Taehyung, que o desconcertou! Apertou as mãos em punho, com raiva, e seus olhos arderam com as lágrimas que não permitiu descer. 

 

— Eu estou aqui para cuidar de você, não para te denunciar… 

 

— E-Eu não sei o que fazer. — Olhou para o Park completamente desolado. — Ele vai me matar se souber, e eu nem sei se o jovem mestre Kim sente algo do tipo e-

 

— Taehyung não é um cara de paixões, se é o que quer saber, ele tem trauma disso. — Jimin cruzou os braços na altura do peito, sério. — Mas se ele se sentiu atraído por você, está disposto a assumir os riscos por você. 


 

(...)

 

    Taehyung havia chego ainda durante à madrugada em Gamcheon e já havia amanhecido completamente, mas ele não havia se movido para fora do Range Rover Evoque que havia dirigido até ali, não por medo, mas por estar com a cabeça cheia demais. Ele havia pensado que, ao receber a tarefa de conquistar aquele território, conseguiria recuperar seu foco, mas estava longe demais de ser verdade aquilo, porque tudo o que vinha em sua mente o levava diretamente à Jeon Jeongguk.

 

Se ele fosse capaz de garantir Gamcheon, poderia vencer sobre Haejin e com isso, poderia mostrar que era mais forte, que poderia proteger Jeongguk como Haejin jamais o protegeria. Bateu a cabeça contra o volante do carro, gritando raivoso. Inferno. Ele não estava apaixonado, aquilo era impossível, não tinha como se apaixonar por alguém com quem mal havia tido um diálogo completo, mas por algum caralho de motivo sua mente continuava a pensar nele, a desejá-lo, o tempo todo.

 

Abriu a porta do carro em um supetão e desceu, fechando o veículo com força, descontando seu ódio ali. Ele estava frustrado e quando ficava frustrado, ficava irritado, e se estava irritado, estava no pior momento possível para averiguar e conquistar um território, mas não queria dar para trás naquele momento. Conseguir Gamcheon também significava tirar o velho de sua cola e viver sua vida livremente, antes de assumir deveres chatos e ridículos de máfia, então precisava se esforçar.

 

Estava determinado naquele dia, então usava um terno Armani completo e mais um de seus amados Gucci nos pés. Os cabelos pretos estavam curiosamente presos para trás por uma headband fina que havia encontrado em seu quarto, já que naquele dia estava irritado com os fios cobrindo seus olhos. Os anéis, os colares e os brincos também eram mais sóbrios naquele dia, e embora estivesse trajado de grifes da cabeça aos pés, ele ainda conseguiria se misturar facilmente à movimentação de Busan, caso fosse necessário. 

 

Gamcheon era… colorido demais. Os Kim originalmente vinham de Daegu, era difícil andar pelos lados de Busan, mas ele sempre se surpreendia com a beleza do lugar mesmo ali, uma área pobre e socialmente negligenciada. As casas eram pequenas e empilhadas, faziam-lhe lembrar de sua ida ao oriente médio, em uma área que também era similar àquela, socialmente. Seu trabalho era bem simples, até então: ele deveria encontrar os responsáveis pelo território, provavelmente algum dos homens capachos de Sun Yee On, e tentar estabelecer um acordo de parceria territorial. 

 

Se Haejin estivesse de olho naquele território, provavelmente também tentaria negociar algo lá dentro, o que poderia dificultar as coisas para seu lado, mas nada que uma bala de seu revólver favorito não resolvesse. Automaticamente, seus dedos buscaram sentir o cano da arma que estava enganchada no cós de sua calça, por dentro do terno, como se quisesse confirmar a presença da arma ali. A subida por dentro daquele morro poderia ser um pouco chata, principalmente por não estar com roupas adequadas, mas ele era obrigado a seguir por aquele caminho, já que seus homens haviam dito que a boca de fumo que funcionava naquela favela ficava em um barraco de tijolos lá em cima, perto da montanha já. 

 

Era uma merda ter que se prestar ao papel de negociar diretamente com traficantes ou qualquer ralé da tríade, quando ele poderia simplesmente arrombar a porra do lugar e botar todo mundo de joelhos no chão, sob seu comando, enquanto tomava o território, mas havia aprendido com seu pai que a tomada territorial não era como uma guerra mundial, mas sim uma guerra mental, onde vencia quem tinha a melhor lábia, ganhando não apenas o território como homens leais, verdadeiros admiradores. Um admirador sempre seria melhor do que um funcionário. Aqueles que admiravam tinham um motivo muito maior do que o dinheiro para lutar a seu lado e nunca traí-lo, enquanto os funcionários eram facilmente corruptíveis. Ele estava ali para conseguir admiradores da Sun Yee On e não mais inimigos.

 

— Oh, merda de alto chato do caralho! — Resmungou alto, pouco se importando em chamar a atenção de algum morador que, ocasionalmente estivesse por ali. — Preciso me lembrar de, quando possuir essa merda, arrumar um ponto localizado lá embaixo, mais fácil. 

 

    Apertou os olhos, podendo ver que finalmente estava chegando no lugar dito por seus homens. Haviam alguns homens parados em frente à porta do lugar, como guardas, os quais alguns ele reconheceu assim que botou seus olhos neles. Eram da Iseul. Os Park já haviam chego ali. 

 

— Senhor Kim. — Um dos homens curvou-se, olhando-o desconfiado. — O que o senhor faz aqui? 

 

— A mesma coisa que seu chefe. — Soprou a resposta com deboche para o homem. — Se me permite, preciso entrar e fazer as honras. 

 

— Senhor Kim! N-

 

    Não deu ouvidos ao capanga que tentou pará-lo, entrando de uma vez no barraco. A maior surpresa de Taehyung não foi encontrar os traficantes responsáveis por aquele lugar parados com fuzis nas mãos, dentro do barraco, tensos e sérios demais, mas sim ver Jeon Jeongguk em carne e osso, usando uma calça social escura e justíssima, junto de uma camisa social branca comum, que era tão justa quanto a calça em seu corpo, com as mangas dobradas na altura dos cotovelos, exibindo as tatuagens e acentuando o porte grande e muscular que tinha. Os cabelos grandes estavam presos em um coque baixo e seus olhos grandes e doces escondidos sob a lente amarelada de um óculos de sol retro. Ele verdadeiramente parecia um gângster japonês. O Kim engoliu em seco quando desceu o olhar pela figura esbelta e imponente e viu o cabo da arma bem encaixada em sua calça, como um aviso de perigo que deveria ser constante, se tratando do mestiço. 

 

— Ah… — Foi tudo o que conseguiu dizer, e sentiu-se patético com aquilo. 

 

    O traficante chefe do lugar, claramente um chinês, o olhou completamente confuso, antes de olhar para Jeongguk novamente e, em seguida, levantar-se, entrando em alerta, afinal de contas, se o garoto mestiço havia lhe dito que estava ali em nome da Iseul e outro garoto similar entrava em seu barraco naquele exato momento, coisa boa não era. Se fossem da mesma máfia, estariam juntos desde o começo, não? 

 

— Qual foi? Fica frio, cara, ninguém vai fazer nada contigo. — Jeongguk ergueu a mão, falando em alto e bom tom para que o traficante baixasse um pouco mais a guarda. — Kim Taehyung. 

 

— Jeon Jeongguk. — Riu sem graça. — Quem diria… você aqui?

 

— Vim a mando de Haejin. 

 

— Eu deveria imaginar, ele sempre foi rápido quando estava com interesse em algo. — Estalou a língua no céu da boca, a fala soando pessoal demais. 

 

— E aparentemente, você também. — Franziu o cenho. — Me surpreende que você tenha vindo justamente no primeiro dia de negociação, sem ao menos me dar tempo de estabelecer uma conexão com eles primeiro. 

 

— Oho, jovem mestre, não poderia me dar ao luxo de chegar tarde demais aqui. — O Kim cruzou os braços com graça, sorrindo abertamente. — Mas agora me resta disputar o território diretamente com você. Vamos ver se é mesmo bom de lábia. 

 

    Jeongguk sorriu de canto, sentindo-se desafiado. Levantou-se e aproximou-se do Kim como uma serpente, parando próximo demais do outro mafioso, que apenas alargou ainda mais seu sorriso infame, criando tensão nos demais presentes no barraco, que sabiam muito bem que quando as máfias disputavam territórios, banhos de sangue eram estabelecidos. Eles tinham a mesma altura, o que os permitia conectar os olhares sem quaisquer dificuldades, ato que, naquele momento, fez o coraçãozinho tolo do Jeon disparar. Lindo. Kim Taehyung era completamente e malditamente lindo, com os cabelos pretos bagunçados e elegantes, ao mesmo tempo, e um sorriso aberto naquela maldita boca atraente, deixando-o louco, tão louco que arfou baixinho, sem se dar conta de que seu olhar pesava nos lábios do mafioso, mas Taehyung percebeu e fez questão de serpentear a boca avermelhada com a ponta da língua, como se o chamasse para um desafio. 

 

— Eu sou ótimo de lábia, senhor Kim… — Jeongguk murmurou, o olhar subindo lentamente de volta para os olhos do outro mafioso. — Lamento, mas parece que irá falhar em sua missão. 

 

— É o que veremos. — Taehyung respondeu-lhe baixinho. 

 

    A tensão sexual era alta demais para ser ignorada por ambos. Taehyung sabia que, se não fosse pelo olhar ávido dos traficantes ao redor, seu pau já estaria duro e ele estaria ansiando foder aquele garotinho e ensiná-lo o poder de um Kim. Aquilo era uma declaração de guerra, mas não uma guerra territorial e sim uma guerra entre seus corações, seus corpos. Era como admitir em alto e bom tom que sentiam desejo um pelo outro e agora, era questão de honra ser o último a ficar de pé e resistir aquele desejo proibido e quente. 

 

— Parece que ele chegou mais cedo, então vou dá-lo a cortesia de começar as negociações. — Acenou levemente para os traficantes, sem tirar os olhos do Jeon. — Amanhã estarei aqui novamente. — Sorriu de canto, dando as costas a todos para sair do lugar. 

 

    Ele não tinha pressa. Se estava no jogo, era para jogar e ele o faria como um membro de Hana deveria fazer. 

 

(...)

 

    Haejin sentiu os lábios tremularem de ódio quando lançou a porcelana japonesa contra a parede de sua casa, espatifando-a aos pés dos membros de sua máfia, quase acertando um dos pobres homens no rosto. Ele estava começando a sentir-se ameaçado pela presença de Kim Taehyung. Ele não era tolo, havia notado a forma com a qual ele havia olhado para seu homem no dia da visita, e agora ele havia recebido uma ligação de um de seus homens, denunciando que ele havia ido negociar o mesmo território que Jeongguk. Ele havia dito para seu pai que não queria envolvê-lo em negociações ali, mas o diabo do velho era teimoso e queria saber como um ex-yakuza conduziria as coisas, então estava testando-o, mas sua cabeça só conseguia produzir imagens e mais imagens onde Taehyung arrastava seu garoto para algum lugar e o tomava de si. Estava ficando louco. Desde a infância, quando ainda eram dois moleques, Taehyung sempre fora melhor em tudo, vencendo-o com facilidade em todos os requisitos de ser um herdeiro de máfia. 

 

    Conforme cresciam, mais e mais o Kim passava-lhe para trás, mas quando houve uma única coisa na qual conseguiu vencê-lo, ele vibrou radiante. Taehyung nunca havia conseguido ter um relacionamento amoroso com alguém. Todos os seus relacionamentos eram fracassados e ele sabia o quanto isso o magoava no fundo, enquanto Haejin já havia conseguido namorar muitas pessoas, mas uma em especial fora como a cartada final para o fim da amizade pacífica entre ele e o Kim. Ele havia se tornado noivo de Lee Hyeri, a garota por quem Taehyung realmente havia se apaixonado aos dezoito anos de idade. 

 

    Ele ainda era um moleque bobo, alegre demais, inocente demais para muitas coisas e muito bonzinho, algo que o tirava do sério, e aparentemente também irritava Hyeri, já que ela sabia dos sentimentos do Kim, mas quase implorou para chupar seu pau enquanto falava mal dele, dizendo-lhe que ele era um idiota sem qualquer jeito e que ela tinha interesse em homens de verdade. E Taehyung havia visto tudo aquilo acontecer debaixo de seu nariz. Era costume do jovem mestre Kim ir até a casa dos Park por Jimin, principalmente, que havia se tornado seu melhor amigo e era deveras importante para o mesmo, mais até que o amigo de infância, e naquele dia não fora diferente. Ele e Jimin ficaram no quarto, jogando cartas e bebendo, e Hyeri havia ido procurá-lo justamente para implorá-lo para namorá-la. O que ele não sabia era que Taehyung sairia do quarto justamente naquela maldita hora, flagrando-os. 

 

    Ele não teve remorso, no entanto, pois no dia seguinte, assumiu Hyeri oficialmente em um almoço de família, com Kim Taehyung ali, olhando-o nos olhos. Foi naquele mesmo dia em que ele levantou-se da mesa e, limpando a boca com um guardanapo sorriu, os olhos tornando-se perigosos enquanto dizia-lhe que, agora que estava prestes a completar a maioridade coreana, eles não poderiam mais ser amigos, uma vez que seriam rivais líderes de suas máfias. E desde então, assim havia sido. Ele não amava Hyeri, logo a abandonou, mas sentiu-se vingado do Kim, de alguma forma, com uma sensação de ego cheio. Agora era ele que se via caminhando, perigosamente, na mesma direção que seu amigo, anos atrás. Ele amava Jeongguk, amava-o com todo seu peito e jamais aceitaria perdê-lo de maneira pacífica. Se o Kim ousasse deitar um só dedo em seu homem, mataria-o. 

 

— Jovem mestre Park, o jovem mestre Jeon acaba de retornar da negociação e já está em sua viagem de volta para casa. — Um dos homens anunciou-lhe. 

 

— Ótimo. — Respirou fundo, buscando forças. — Prepare uma boa recepção para ele. 

 

(...)

 

    O barulho alto do tapa de estalo seco ecoou pelo quarto, junto do grito de dor de Taehyung, que encolheu-se todo, colocando as mãos na cabeça, esfregando os cabelos com rapidez. Ora, diabo, que mão pesada!

 

— Ya, Park Jimin! — Gritou indignado. — Eu vou te matar ainda, seu merda!

 

— Você mereceu! Como porra você me liga, me faz largar Haejin sozinho com a desculpa de que ia comprar bebidas, só para vir te ver, e quando chego aqui você me pede um absurdo desses? — Jimin gritou de volta. — Eu devo te lembrar que, apesar de ser meu primo, ele não tem um pingo de empatia? Ele me mata se eu fizer isso, me mata! 

 

    Aquilo era loucura, Jeon Jeongguk e Kim Taehyung estavam se condenando e tentando condená-lo junto, apenas isso justificava um pedido daqueles. Ele deveria suspeitar que aquele misto de tesão e curiosidade evoluiria ao ponto de ficar insuportável para ambos, mas não havia imaginado que seu melhor amigo pediria-lhe cobertura para encurralar Jeongguk em algum momento e “Pegá-lo de vez”, segundo suas palavras. 

 

— Ele não vai te matar, eu não vou deixar ele fazer nada com você, relaxa! Eu só quero que, caso ele te pergunte algo, você desminta, somente isso. — Taehyung deu de ombros. — É simples, ele vai acreditar se você disser que é o que Jeongguk te disse e que eu nunca te disse nada. 

 

— Claro, seu plano de moleque adolescente vai dar muito certo contra um pioneiro da máfia! 

 

— Não é nada difícil, na verdade, eu nem sei se o Jeongguk vai topar isso. — Desviou o olhar, ansioso, mordendo os lábios. — Seria muito bom se ele aceitasse… 

 

— Seria muito bom se ele não aceitasse! — Jimin levantou-se, largando o amigo jogado no futon. — Eu não quero arriscar minha vida por um cu de maneira alguma. 

 

— Você já faz isso somente ao estar apaixonado por aquela garota lá. — Taehyung riu, mas desviou-se rapidamente do chinelo que veio certeiro em direção à sua cabeça, quando Jimin o pegou e o lançou contra o amigo. 

 

    O Park respirou fundo e fechou os olhos por alguns minutos, tentando estabelecer uma linha de raciocínio. Ele poderia sim fazer o papel de desentendido, avisando para Jeongguk e Taehyung quando, possivelmente, estivessem em perigo, mas ele ainda temia a reação de Haejin caso ele soubesse, pois ele se lembrava muito bem do passado entre o primo e seu amigo, sabia como as coisas eram turbulentas para eles com aquele tipo de assunto. 

 

— Ele pode matar você se souber do seu envolvimento com o Jeongguk. Sabe o que isso significa? — Jimin assumiu um tom sério, olhando-o nos olhos intensamente. — Eu ainda me lembro de como as coisas desandaram entre vocês por culpa da Hyeri. 

 

    O semblante de Taehyung também ficou sombrio, sério, e ele apertou as mãos em punho ao recordar-se de como aquele assunto ainda o assombrava. Ele não guardava mágoas de Hyeri ou de Haejin em específico, afinal de contas ele já sabia como a garota era, na época, e apesar de se sentir humilhado e traído por seu amigo de infância, ele apenas precisou de algum tempo para conseguir seguir em frente e assumir uma postura mais séria com relação à máfia, mas ele tinha sérios problemas de confiança por conta deste evento passado e nunca havia pensado em namorar alguém, novamente. Todos os que esquentavam seus lençóis eram casos passageiros em sua vida, casos nos quais ele não se apegava para não correr risco de sofrer mais uma vez, mas agora, com a chegada de Jeongguk, ele estava sentindo aquele desejo louco de fazer algo, mesmo sabendo dos riscos, e não por vingança, mas porque não conseguia tirar ele da cabeça. 

 

— Jimin-ah, não é… vingança. Eu… eu realmente estou me sentindo atraído por Jeongguk, sabe? Eu quero investir nisso por não conseguir tirar ele da minha cabeça, inferno. — Riu de nervoso, passando as mãos nervosamente pelos cabelos. — Eu nem o conheço direito e não sei por qual motivo eu sinto meu peito querer explodir quando o vejo. 

 

— Vocês são dois fodidos, sinceramente. — O Park respirou fundo e fechou os olhos, pensando por um momento. — Tudo bem, tudo bem, eu vou te ajudar, mas quero deixar bem claro que eu não vou me envolver muito e se vocês foderem com tudo, o problema é de vocês. — Olhou para o relógio no braço, vendo que já havia enrolado demais por ali. — Eu preciso ir, ainda tenho que comprar as bebidas que eu prometi para o Haejin. A essa hora, provavelmente, o Jeonggukie já voltou para casa e ele com certeza vai precisar dessas bebidas. 

 

    Taehyung desviou o olhar, suspirando nervoso com a ideia de Jeongguk chegando em casa e sendo tomado pelas mãos ávidas de Haejin. 

 

— Eu te levo para ir comprar as bebidas, mas você tem que voltar logo para casa. 

 

— Eu vim de carro. — Jimin franziu o semblante, exibindo a chave, que o amigo pegou de sua mão. 

 

— Perfeito. Eu dirijo muito mais rápido do que você. Anda logo. — Puxou-o para fora do quarto.

 

    Jeongguk respirou fundo e jogou o blazer no ombro antes mesmo de entrar em casa, completamente cansado. Ele havia feito uma longa negociação com os homens da Sun Yee On e tinha mesmo esperanças em conquistar o território antes de Taehyung, mas precisava se lembrar que, no dia seguinte, ele havia prometido ir lá para conseguir negociar também e era isso que o deixava tenso. Se ele perdesse aquele território para o Kim, poderia parecer que havia facilitado para ele por sentir algo. Ele não era bobo, sabia que Haejin já tinha suas suspeitas e seus ciúmes, afinal de contas, no dia em que o Kim fora visitá-los pela primeira vez, Haejin o marcou inteiro enquanto o fodia, encheu-lhe o corpo de marcas grandes e muito visíveis, enquanto lhe pedia para dizer que o pertencia. 

 

Ele sabia como o homem era possessivo e sabia que estava completamente apaixonado por si, assim como sabia que, infelizmente, ninguém mandava no coração. Ele não havia escolhido sentir-se atraído por Kim Taehyung, justamente, o rival de seu noivo. De repente, quando se deu conta, ele já estava consumindo seus pensamentos, consumindo seus sentimentos. Estava fodido e tinha plena consciência disso. Estava tão distraído com seus pensamentos que quase gritou quando uma mão o puxou bruscamente, mas aliviou-se ao ver Park Jimin ali, provavelmente chegando de algum lugar também, já que tinha sacolas de bebidas nas mãos. 

 

— Preciso conversar com você. — Sinalizou baixinho, olhando de rabo de olho para os homens que estavam com Jeongguk. — Ei vocês, será que podem levar as bebidas para gelar? Preciso mostrar para o Jeongguk-ssi a nova muda de Sakura que comprei. 

 

    Os homens entreolharam-se, atordoados, mas assentiram, buscando as sacolas do Park, dando-lhes privacidade. Jimin ainda olhou bem para a casa principal, temendo ver Haejin por algum lugar ali, mas suspirou quando não localizou o primo. 

 

— Vamos até as Sakuras. 

 

— Certo. — Jeongguk assentiu, acompanhando-o desconfiado. 

 

    Os dois mafiosos cercaram a casa até chegarem ao jardim da mansão dos Park, escondendo-se sob as árvores de flores delicadas e belas, um lugar realmente incrível. 

 

— Falei com Taehyung agora há pouco. 

 

— O-O que? — Jeongguk arregalou os olhos, olhando-o atordoado. — E p-por qu-

 

— Ele foi muito claro e sincero comigo, Jeongguk-ah. — Jimin manteve o tom de voz baixinho. — Ele se sente atraído por você e até desenvolveu um plano para conversar com você, pedindo minha ajuda. Eu neguei ajuda para ele, disse que era loucura vocês dois fazerem isso, mas ele é insistente e… sinceramente… quero ver meu amigo ser feliz. — Cerrou ainda mais os olhos naturalmente pequenos, apertando as mãos em punho. — Haejin aprontou muito com ele no passado, eu sei que é errado enxergar essa situação como um troco, mas é inevitável para mim não pensar dessa forma.

 

— Okay, espera, um troco? — Franziu o semblante. — Então ele, na verdade, quer me usar?

 

— Não, não é isso. — Suspirou cansado, olhando-o nos olhos com seriedade. — Haejin ousou tomar dele a pessoa por quem ele era apaixonado, no passado, o que o fez sofrer muito, embora ele diga que não sofreu tanto, e perder a confiança completamente nas pessoas. Ele nunca teve um relacionamento por medo de que essa pessoa pudesse fazer o mesmo com ele. 

 

— E se eu me envolver com ele, vai acabar sendo como um troco, já que o Haejin é apaixonado por mim… — Jeongguk suspirou, cobrindo o rosto com as mãos, como se estivessem drenando sua energia completamente. — Que droga é essa, afinal de contas… eu poderia me apaixonar por qualquer um, mas estou me sentindo apaixonado justamente por um cara tão problemático como ele, que nem ao menos conheço bem o suficiente. 

 

— Se você também quer mesmo investir nessa relação e dar voz a seus sentimentos… tudo bem, eu posso acobertá-los. Usem a negociação de território de Busan como fachada, é um território com quase duas horas de distância daqui e Haejin não detém poder sobre ele, nem os homens de Taehyung, o que faz dele uma espécie de território neutro. — Jimin explicou, atento. — Sob a desculpa da negociação o Haejin não tem como dizer algo contra, já que depende da Sun Yee On a conquista desse território, e ele não pode atacá-los, já que a tríade é maior do que nós. 

 

— E o que faríamos? Nos encontramos em um carro? Não podemos dar entrada em qualquer lugar juntos, o Haejin é perigoso, ele descobriria. — Olhou-o aflito. 

 

— Isso mesmo. Ao menos até vocês terem certeza do que querem e estarem dispostos a lutar contra Haejin para proteger os sentimentos que vocês tem. Eu conheço o meu primo, eu sei que ele jamais vai deixar isso passar sem criar um grande problema para vocês, isso se ele não tentar matar o Taehyungie, já que eu sei que ele jamais te machucaria, por que ele está apaixonado por você. 

 

— N-Não, não! — Jeongguk o segurou pelo braço, assustado. — Ele não pode matá-lo, Jimin-ssi. O que eu faço? 

 

— Se você estiver certo dos sentimentos em seu coração, lute ao lado dele e proteja-o. — Jimin sorriu, repousando suavemente a mão contra o peito firme do Jeon, na altura de seu coração. — Encontre-se com ele e confirme seus sentimentos. Eu vou me assegurar de disfarçar os encontros de vocês. 

 

— Você é incrível, hyung. — Jeongguk não conteve o impulso de abraçá-lo, passando os braços por seu pescoço com carinho. — Nem acredito que vai mesmo se arriscar por nós. Eu pensei que iria nos julgar, se quer saber. 

 

— Ninguém manda no coração, garotinho. — Riu suave. — Eu sei muito bem como a paixão funciona, você sabe disso. Eu não quero que vocês se tornem pessoas amarguradas e doloridas com esse sentimento, mas que vocês possam ser felizes. 

 

— Eu… só sinto muito por Haejin. — Suspirou consternado. — Apesar de não estar apaixonado por ele, eu gosto dele, não queria magoá-lo. 

 

— É por este motivo que você precisa afirmar os sentimentos que tem por Taehyung, antes de criar uma situação por uma simples atração física, entende?

 

— Entendo, eu entendo, só… é difícil. — Sorriu um pouco. — Mas eu tenho você, hyung. Sinto que nada pode nos alcançar se estivermos juntos. 

 

    Jimin gostaria de dizê-lo que aquilo era uma mentira, mas não havia necessidade de se desfazer das palavras bonitas do mais novo dessa forma. Ele também sabia que as coisas não seriam nada fáceis, suas palavras soavam mais como uma forma de tentar aliviar a tensão de descobrir-se atraído pelo ex-melhor amigo de infância de seu noivo, quando todos faziam parte de uma vida de máfia. 

 

 — Você sabe que ele está te esperando, não sabe? 

 

— Eu sei. Vou até lá logo.

 

— Qualquer coisa, diga que eu lhe pedi para vir ao jardim de Cerejeiras primeiro, para que pudéssemos discutir sobre as novas mudas. 

 

— Certo. — Jeongguk sorriu e agradeceu, deixando-o para trás. 

 

    Quando ele retomou seu caminho e entrou na casa principal, sentiu-se um pouco estranho. Estava tudo silencioso demais. Por ser uma casa tradicional pertencente a uma máfia tão ativa, aquilo era estranho, e ele sabia que aquilo era obra de Haejin. Mal teve tempo de remover os sapatos e deixá-los organizados na entrada da casa e a figura do mesmo surgiu, sem camisa, surpreendentemente caseiro demais, de uma maneira que ele não costumava ficar por ali. Eles não moravam naquela casa, exatamente, eles tinham um apartamento de luxo em Gangnam, sempre escapavam para lá, para conseguir privacidade, mas se Haejin havia feito todos saírem do lugar daquela forma, ele havia preparado algo, certamente. 

 

— Bem vindo de volta, meu amor. — Haejin ergueu um copo de Conhaque em sua direção, como um cumprimento. — Foi um dia árduo, não? 

 

— Não muito, negociações sempre foram tranquilas para mim, eu cresci aprendendo a fazer isso. — Sorriu convencido, aproximando-se do Park, que o puxou pela cintura e encaixou a cabeça em seu pescoço, cheirando-o. — Eu ainda nem tomei um banho…

 

— O cheiro da sua pele é incrível, mesmo que você não tome banho. — Haejin beijou-lhe o pescoço lentamente. — Eu aproveitei que meu pai saiu e mandei os caras nos darem uma privacidade… 

 

    Jeongguk riu. Haejin estava jogando e, se ele quisesse salvar seu próprio pescoço, precisaria jogar o mesmo jogo do Park. Soube disse no momento em que os olhos puxados e escuros lhe encararam com um leve ar de desafio. Era um teste. 

 

— Você pensou em tudo mesmo. 

 

— É um presente de boas vindas. 

 

— Tudo bem, o que você quiser. — Jeongguk segurou-lhe o rosto e selou seus lábios suavemente, surpreendendo-o um pouco. — Mas depois de um banho. 

 

— Oh, certo, mas só se você permitir que eu tome banho com você. 

 

    O mestiço franziu levemente o cenho, incomodado com a insistência. Ele queria tanto assim confirmar que Jeongguk tinha tesão por ele ainda, ou..? Estava tentando verificar seu corpo? Ele já suspeitava dele e de Taehyung? 

 

— Tudo bem, vamos logo. — Puxou-o pela mão em direção ao quarto. 

 

    Ele não sabia, mas precisaria descobrir isso nos próximos minutos para saber quais passos deveria tomar a seguir. 

 


Notas Finais




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