História Flor de lótus - O Servente - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alfa, Flor, Mpreg, Ômega, Principe, Rei, Reino
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Palavras 4.535
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


A fanfic divide-se em duas fases, na primeira titulada como "Flor de lótus - O Servente" e conta a história de Xiah, antecessor a Amoni. Sendo um prólogo para a história.

Capítulo 1 - Capitulo 01


Fanfic / Fanfiction Flor de lótus - O Servente - Capítulo 1 - Capitulo 01

 

Em uma época em que o mundo era habitado apenas por uma só espécie que dividiam-se entre alfas e os ômegas, mas podia-se dizer que possuíam o mesmo sexo. Os alfas possuíam corpos fortes, cabelos longos que iam até o meio das costas ou mais abaixo e costumavam os prende-los em rabos de cavalo no topo da cabeça, tinham olhos escuros e um instinto agressivo por isso muitos se tornavam grandes guerreiros. Por outro lado haviam os ômegas com seus corpos delgados e de traços delicados, eram mais baixos que os alfas e não possuíam a mesma força, porém seus cabelos também eram longos e chegavam abaixo da cintura, os olhos costumavam ser de tons violeta, azul ou verde, mas as características que apenas eles possuíam e que eram bem mais peculiares era o aroma que exalavam, não sabia se dizer o porque, mas eles exalavam um cheiro adocicado que atraía os alfas como verdadeiros animais, ainda mais curioso que isso era a capacidade de tinham de gerarem vida dentro de si. Era possível afirmar que os alfas e os ômegas eram seres que se completavam, mas isso não significava que todos tinham a sorte de se unir por um bom e feliz casamento. 

No ano de 1.120 A.C os reinos de Kiushi e Bīngshān localizavam-se no leste do continente asiático, territórios estes que desapareceram do mapa ao longo dos milhares de anos não restando nenhum vestígio dessas que pode-se dizer serem as primeira civilizações da humanidade. Aos pés das montanhas geladas no norte cercada por grandes alpes como uma suntuosa fortaleza erguia-se o reino de Bīngshān o que quer dizer montanha de gelo, este era o lar de um povo cujo sua maior força estava na fé que devotavam a suas divindades. Tal reino era governado pelo rei alfa Zinut que nos últimos anos dividia-se entre lamentar-se pela doença desconhecida que ameaçava a vida de seu príncipe regente e alegrar-se na companhia de seu único filho, um jovem príncipe de natureza ômega de apenas dez anos. 

Muito além das montanha ao sul do continente ficava o reino de Kiushi com suas grandiosas construções que estendia-se pelos limites de suas terras em direção ao mar, onde ficava o porto e o mercado de peixes, estas terras estavam sob o governo do rei Tuk também de natureza alfa, porém um ser ambicioso e tirano, seu reino era rico e próspero, cultivavam a própria comida, teciam o próprio tecido, mas ainda assim eram conhecidos como bárbaros, por suas práticas, seu exército sanguinário e pela tirania de seu rei que ansiava por mais e desejava expandir seus territórios para além das fronteiras. A terra sem nome entre os dois reinos era uma terra banhada por sangue derramado na guerra travada entre os dois povos que já durava anos dizimando populações de ambos os lados.

O rei Zinut via o sofrimento de seu povo que perecia de fome com as consequências da guerra, mas jamais pensaria em se render, porém aquele poderia ser o fim de seu reino, foi então que lembrou-se que seu inimigo tinha um filho alfa que em breve herdaria o trono e viu nisso o fim para o sofrimento do povo de Bīngshān, ofereceria a mão de seu filho Liang em casamento ao príncipe Ganzorig e assim formariam uma aliança entre os dois reinos que seria consumada ao nascimento do primeiro herdeiro tornando aquela nação apenas uma e expandido os territórios de ambos os lados. O acordo foi aceito sem demora pelo reino de Kiushi, porém o rei Zinut fez algumas exigências, seu filho levaria consigo o próprio exército e um grupo de servos que obedeceriam unicamente a ele, também deveria ser construído na cidade um templo dedicado a Arion principal divindade do povo de Bīngshān, sendo aceitas as exigências do rei, assim que Liang completou dezesseis anos, dois anos após a morte do príncipe regente o rei viu seu filho partir ao cruzar os portões da cidade em direção ao seu novo lar.
 

O comboio do príncipe passava por um territórios sem nome, já viajavam por três dias e já podiam ver ao longe o telhado do majestoso palácio de Kiushi. A carruagem de madeira com cortinas vermelhas nas janelas era puxada por dois cavalos, seguida por doze servos ômegas que caminhavam sendo seis de cada lado e logo atrás um pequeno exército montados em cavalos empunhando lanças e liderados por um general de natureza alfa, aqueles eram apenas uma pequena parte de um todo de mil soldados, mas que haviam decidido viajar separados e apenas vinte foram escolhidos para acompanharem o príncipe com a missão de leva-lo em segurança, a estrategia também era ser discreto para não atrair a atenção de saqueadores no caminho. Os demais deveriam seguir poucos dias depois sob as ordens de um comandante escolhido pelo próprio general. 

O exército do príncipe era liderado por um alfa de cabelos castanhos escuros presos em um rabo de cavalo que usava uma reluzente armadura prateada, o general Taha era o tipo de alfa oposto a maioria dos de sua natureza, era bantante amigável, mas como todo bom guerreiro sabia a hora em que deveria guardar sua gentileza e da lugar ao seu instinto agressivo. 
_Vamos acampar aqui esta noite. 
Ordenou o general ao perceber que o sol estava prestes a se pôr e todos os soldados desceram de seus cavalos assim como o próprio general. 
_Montem o acampamento. 
Disse ele para o soldado ao seu lado que apenas fez uma um gesto com a cabeça e saiu acompanhado de outros, Taha também deu ordens para que alguns ficassem de guarda enquanto os outros dividiam-se nas tarefas de montar o acampamento, acender uma fogueira e preparar a comida. Ao ouvir as ordens do general os servos também pararam para descansar a não ser por um deles. O belo ômega de intrigantes cabelos cor de carmim e olhos acinzentados chamava-se Xiah, ele era cinco anos mais velho que o príncipe e vivia no palácio desde que era uma criança. 
_Alteza. 
Xiah bateu na porta da carruagem chamando pelo príncipe. 
_Sim.
O jovem ômega de cabelos castanhos e longos abriu uma pequena brecha na janela afastando a cortina. 
_Vamos montar o acampamento. Gostaria de sair um pouco?
_Ah, não. Eu estou bem, vá descansar com os outros. 
_Esta bem. 
Liang sorriu e fechou novamente a cortina, Xiah suspirou exausto e sentia seus pés doerem, ele afastou-se da carruagem se juntando aos outros ao redor da fogueira. Algumas horas se passaram e a lua já brilhava no céu, todos os servos já estavam dormindo a não ser por ele que se afastou ao ver que havia um pequeno riacho não muito longe. Xiah caminhou em direção a água sentando-se em uma raiz de árvore exposta na margem, tirou as botas e como previu seus pés estavam machucados e com bolhas. 
_Ah..., ele poderia me deixar montar um dos cavalos. 
Pensou alto enquanto examinava o estrago em seus pés, ele suspirou cansado e olhou em direção a água que parecia esta agradável ficou de pé e levantou a barra de seu kimono quando ouviu o som de pequenos galhos se quebrando, olhou para trás, mas não havia nada além de uma sombra atrás de uma árvore, ele curvos os lábios em um sorriso quase invisível e voltou ao que estava fazendo. 
_Não deveria se afastar assim. 
Ouviu uma voz grave atrás de si, era uma voz familiar por isso não se preocupou em se virar.
_É perigoso. 
Xiah deu um ar de riso e olhou por cima dos ombros.
_Achei que estivesse seguro. Não era por isso que estava me vigiando, general?
Taha engoliu em seco e sentiu suas bochechas queimando, sentindo-se envergonhado. 
_Ah, eu o vi sair..., não é seguro se afastar do acampamento, devemos voltar. 
_Ora, para que tanta formalidade, se quer voltar, vá sozinho. Ficarei mais um pouco.
Taha aclarou a garganta e novamente engoliu em seco, o aroma adocicado expelido por Xiah estava mais forte do que costumava ser e invadia suas narinas o deixando quase ao ponto de perder o controle de si. O ômega caminhou para dentro da água deixando apenas seus pés imersos e virou-se de frente para ele. 
_Já que veio, vá até o fim. 
Disse ele. Taha olhou para trás vendo a luz da fogueira e alguns soldados de guarda, ele voltou a olhar para frente e viu Xiah, a lua estava cheia e alta naquela noite seu brilho refletia na pele branca do belo ômega formando um perfeito contraste com seus cabelos de cor intensa, o cheiro dele pairava no ar e parecia que já impregnava nas folhas das árvores, nos troncos e até mesmo na terra, ele caminhou em direção a água parando de frente para Xiah e sem demora como se já não tivesse mais nenhum controle sobre si o abraçou pela cintura e o beijou, seu beijo era doce ao mesmo tempo em que era feroz, como um predador que depois de tanto correr conseguiu alcançar sua presa e desejava devora-la até que não sobrasse mais nada, aquela não era a primeira vez em que se beijavam, pois Taha era completamente apaixonado por Xiah e já não era mais capaz de esconder tal sentimento. Por outro lado o belo ômega que cativava o coração do valente general, não era tão fácil, ele era sedutor e as vezes petulante, mas isso não significava que ele também não o amasse e por isso entregou-se sem hesitar a aquele beijo. Taha afastou seus lábios dos do outro e o olhou, Xiah de fato possuía uma beleza rara, tinha olhos amendoados em um tom de cinza claro que possuíam um ar misterioso, seus cabelos eram longos até a cintura e geralmente estavam solto. O general o tocou no rosto carinhosamente e voltou a beija-lo. 
_Já não sou mais capaz de esconder o que sinto.
Xiah curvou os lábios em um sorriso e aproximou seu rosto ao de Taha sussurrando próximo ao ouvido. 
_Então mostre-me. 
Taha voltou a abraça-lo e o beijou no pescoço, mas novamente ele se afastou e tirou de dentro de uma especie de bolsa pequena presa a seu cinturão um colar, feito com uma tira de couro bastante fina e um pingente de pedra de jade esculpida em forma de um dragão em espiral que girava em torno da cabeça, Taha segurou a mão de Xiah lhe entregando a simples joia.
_ O que é isso?
_Apenas uma presente, jamais deve tira-lo.
Xiah sorriu e colocou o colar em seu pescoço escondendo o pingente por dentro do kimono, Taha sorriu e o tocou no queixo trazendo seus lábios para mais perto o beijando mais uma vez.

No dia seguinte poucas horas antes do sol se pôr mais uma vez, o comboio do príncipe cruzou os portões do reino de Kiushi, dentro da carruagem Liang afastou as cortinas e chamou por um de seus servos. 
_Xiah! 
_Sim alteza. 
Ele o respondeu sem direcionar seu olhar para o príncipe.
_Já estamos chegando? Estou cansado.
Resmungou o príncipe, Xiah deu um ar de riso e olhou para ele. 
_Ah, o que devo dizer sobre mim alteza?
_Não brinque comigo, eu realmente estou cansado.
_Não se preocupe já chegamos a cidade, veja. 
Xiah apontou para frente, Liang colocou a cabeça completamente para fora e olhou na direção em que ele apontava avistando a grandiosa cidade de Kiushi, aquele lugar era completamente diferente de seu reino, as casas eram construídas com tijolos de barro e pedras empilhadas assim como as oficinas e comércios que estendiam-se ao logo do território até o porto, além do mercado de peixes, haviam também o mercado de tecidos e de pedras preciosas que ficavam no centro da cidade, os moradores usavam roupas de cores escuras de couro e de pele de animal, eles estavam por todos os lados, em frente as casas, nos comércios, indo e vindo em carroças puxadas por bois ou em carruagens luxuosas. Os alfas tinham o costume de manter os cabelos cortados na altura dos ombros os prendendo em coques no topo da cabeça e também deixavam a barba crescer, enquanto os ômegas tinham os cabelos trançados e usavam túnicas coloridas ao em vez de kimonos finos e bordados. 
_Eles são mesmo bárbaros como diziam.
_E fedidos. 
Xiah disse torcendo o nariz ao passar ao lado de um alfa que carregava um pesado farde de grãos, Liang riu tampando o nariz quando notou o novo objeto que Xiah carregava.
_Oh, onde conseguiu isso?
Liang apontou para o colar que Xiah usava, o ômega tocou o pingente em seu peito e comprimiu os lábios. 
_É apenas um presente. 
_Ah, por acaso foi um presente do general Taha?
_Ah, alteza.
Liang sorriu vendo o outro desconfortável e voltou para dentro da carruagem.

O comboio chegou aos portões do palácio que foram abertos e fechados assim que todos entraram,  Xiah abriu a porta da carruagem e estendeu a mão para o príncipe que a segurou e saiu. Liang usava um kimono azul de mangas longas que chegavam ao chão inteiramente bordados com fios de prata que formavam pequenos desenho de flocos de neve, as barras das mangas eram brancas e também bordada com fios de prata. 
_Seja bem vindo príncipe Liang. 
Disse o rei descendo as escadas e indo em direção a ele, Liang fez uma reverência curvando-se e olhou na direção do príncipe que vinha logo atrás, era a primeira vez que o via, ele era anos mais velho, dez anos para ser exato tinha ombros largos e a pele bronzeada, os cabelos eram escuros e estavam presos e um coque no topo da cabeça com barba era farta, ele usava uma espécie de armadura e estava suado, era visível que estava treinando já que segurava uma espada, Xiah olhou pelo canto dos olhos para Liang que torcia o nariz desgostoso.
_Eu deveria apresenta-lo devidamente, o meu filho Ganzorig o grande príncipe herdeiro.
Disse o rei referindo-se ao seu filho que fez uma breve reverência.

O casamento ocorreria no dia seguinte ao amanhecer, sendo testemunhado pelos vinte e quatro ministros, sendo quinze representantes dos quinze clãs de Kiushi e nove representavam o povo do norte e foram enviados pelo rei Zinut. Pouco antes do casamento ser realizado Liang estava sentado de frente para uma pequena mesa no centro de seu quarto, ele usava um kimono vermelho de cinco camadas, seus cabelos estavam soltos e chegavam abaixo da cintura. Não estava com a melhor das expressões na face, seu olhar estava distante que nem mesmo percebeu quando os servos que estavam atrás de si trocaram de tarefas. Xiah entrou no quarto colocando uma bandeja de prata sobre uma pequena mesa, sobre a bandeja havia um pequeno recipiente de cerâmica onde queimava um amontoado de ervas liberando um fio de fumaça perfumada, Xiah ficou de joelhos de frente para a mesa e para o príncipe e usou uma espécie de leque para direcionar a fina fumaça para Liang, isso fazia parte de um ritual de beleza dos ômegas de Bīngshān. 
_Esta pronto, devemos ir agora alteza. 
Xiah disse recolhendo a bandeja, Liang soltou um longo suspiro e se levantou apoiando-se aos servos que estavam ao seu lado. 

Logo após a cerimônia, Liang e Ganzorig foram em direção aos aposentos reais que ficava na ala oeste do palácio, a porta foi aberta por dois eunucos que serviam ao príncipe herdeiro e fechadas assim que ambos entraram. Dentro do quarto Liang olhou em volta e aquele lugar parecia ter a mesma dimensão de que estava sendo usado por ele. Ganzorig tirou a pele de tigre de seus ombros a deixando em cima de um móvel de madeira e virou-se para o jovem ao seu lado o tocando no rosto, ele o abraçou pela cintura e o virou de costas para si, o alfa tocou os cabelos do príncipe deslizando os dedos entre os fios e mergulhou sem rosto sentindo o perfume, ele juntou todos os fios com uma das mãos e os colocou de lado deixando o pescoço de Liang a vista e o beijou, Liang fechou os olhos e tentou ter pensamentos bons, mas o príncipe de kiushi estava longe de ser alguém cordial e não demorou para mostrar sua verdadeira natureza, ele tocou Liang nos ombros com as duas mãos e puxou com força as mangas de seu kimono para baixo o despindo.
_Ah...
Ganzorig o virou de frente para si com brutalidade e o tocou na nuca o puxando para mais perto atacando seus lábios, Liang colocou suas mãos no peito dele tentando afasta-lo, mas era impossível. 
_Sabe...
 Ganzorig começou dizendo ao afastar seus lábios dos de Liang e ir em direção ao seu pescoço. 
_Quando meu pai disse que eu deveria me casar com o príncipe do Norte, ele disse "O rei do norte esta lhe enviando uma oferenda, aceite-a." Ele só esqueceu de mencionar o quanto você é bonito....
Dito isto o alfa voltou a beija-lo no pescoço. 
_Vamos nos divertir muito jovem príncipe. 
Ele disse em tom de voz sombrio, Liang sentiu um frio correr a espinha e respirou fundo, aquelas palavras lhe causaram medo e o fizeram pensar o quão seu pai estava enganado a respeito do caráter do herdeiro de Kiushi. Ganzorig o agarrou pelos cabelos com força, naquele momento Liang sentiu como se toda sua majestade estivesse desmoronando, como alguém poderia trata-lo daquela forma, por outro lado Ganzorig sentia-se ainda mais superior, sem se demorar ele o agarrou pelo braço e o arrastou até a cama o empurrando e debruçou-se sobre ele.
_Agora você pertece a mim, fique quieto e me obedeça. 
Disse próximo ao seu ouvido antes de morder o lóbulo de sua orelha, Liang reprimiu qualquer som que pudesse expressar, no entanto não foi capaz de conter suas lágrimas.

No fim da tarde Xiah foi chamados aos aposentos do príncipe de Kiushi, ele foi em direção ao quarto e ao chegar na porta antes que pudesse anuncia-se a mesma foi aberta por dentro e Ganzorig estava de pé diante dele, o príncipe usava uma túnica azul escuro aberta deixando seu peito a mostra, ele estava com o olhar cansado e seus cabelos estavam um pouco despenteados, assim que o viu, Xiah fez um reverência curvando-se, porém ele não lhe deu atenção apenas lhe dando espaço para que entrasse, o ômega passou por ele sem olha-lo de frente e entrou no quarto, Ganzorig o olhou por cima dos ombros e puxou a ponta da túnica para fecha-la seguindo pelo extenso corredor. Dentro do quarto Xiah encontrou o kimono que Liang usava na cerimônia estendido no chão, ele o pegou e dirigiu-se até a cama que estava ocultada por uma cortina vermelha de tecido fino.
_Alteza, esta acordado?
Xiah o chamou ao afastar as cortinas, Liang estava deitado de lado na cama encolhido, estava completamente despido, havia hematomas espalhados por todo seu corpo e manchas de sangue por todo lençol. Xiah entre abriu os lábios espantado e o cobriu com o kimono, o príncipe abriu os olhos e mais lágrimas escorreram.
_Xiah...
Sua voz saiu tão baixa que foi como um sussurro, Liang colocou sua mão sobre a dele e o puxou para mais perto.
_Sente-se.
Ele continuo com o tom de voz baixo, Xiah nada respondeu apenas fez o que ele havia pedido, o príncipe mexeu-se na cama colocando sua cabeça sobre o colo do outro e as lágrimas voltaram a escorrer de seus olhos. Xiah suspirou preocupado e o tocou nos cabelos carinhosamente. 
_Entendo que não sinta-se bem alteza, mas precisamos ir. 
_Xiah, acredita que eu possa fazer isso?
Xiah ficou em silêncio por um instante, mas logo soube o que dizer.
_Todos confiam em vossa alteza, seja paciente e encontrará sua resposta.
Liang se levantou devagar, Xiah ficou de pé e estendeu a mão para ele o ajudando a sair da cama, o príncipe ergueu-se ainda sentindo seu corpo dolorido e quase não foi capaz de caminhar apoiando-se no outro. 
_Esforce-se alteza, precisará cruzar todo o palácio sem que ninguém perceba sua dor.
Xiah disse no ato de encoraja-lo, Liang fez um gesto afirmativo com a cabeça e se esforçou para ficar de pé sem recorrer a qualquer apoio, foi torturante dar o primeiro passo, o segundo, o terceiro, mas o príncipe sabia que o outro estava certo e isso o fez caminhar em direção a porta, seguir o corredor e cruzar o palácio até a ala leste, sem expressar qualquer reação mesmo que aquela maldita dor castigasse seu corpo. Assim que chegou em seu quarto Xiah tirou o kimono que Liang usava e o ajudou a entrar na água. O príncipe mergulhou sentindo-se relaxar, afundou-se completamente e gostaria de ficar ali até que seus pulmões estourassem pela falta de ar, talvez essa fosse a única forma de apagar aquelas memórias de sua mente, mas ao primeiro anseio por ar ele voltou a superfície enchendo seus pulmões e encostando-se na borda da banheira as palavras de Xiah passaram a ecoar em sua mente e esforçava-se para acreditar em cada uma delas.

Alguns meses se passaram desde a chegada de Liang ao palácio de Kiushi e desde então sua vida havia se tornado um fardo, ao contrário do que o príncipe sonhara para si, seu marido não era afável muito menos atencioso, pelo contrário era grosseiro e arrogante. "Como pode alguém que possui tantas riquezas viver uma vida tão lamentável." Pensava o príncipe enquanto caminhava sozinho pelo jardim interno da ala leste, estava no fim da tarde e o sol se parecia com um grande círculo de bronze no céu, o canto das cigarras ecoavam pelos muros do palácio, este não era um momento em que costumava esta só, na verdade com uma vida na corte era difícil ter momentos em que pudesse estar sozinho.
 

Ganzorig estava desfrutando de seus cortesãs e Liang agradecia aos deuses por ele ter tantos, sabendo que o grande príncipe gastaria horas com suas brincadeiras eróticas, ele dispensou seus servos e escapou do olhar vigilante de Xiah para desfrutar de algum momento consigo mesmo. O príncipe sentou-se em um banco de mármore e deu um longo suspiro olhando para o céu que agora tinha um tom de rosado nas nuvens, sentia seu coração pesar já não aguentava mais conter a tristeza que sentia dentro de si. 
_Omma....
Liang o chamou como se esperasse uma resposta.
_Você disse que iria ficar tudo bem se Bīngshān estive-se a salvo, então.... por que não me sinto feliz?
Ele disse não contendo as lágrimas. 
_Xiah disse que eu encontraria respostas, mas já se passaram meses e não vejo nada....
Liang estava imerso em seus pensamentos quando um soldado que estava fazendo a ronda naquele dia o surpreendeu.
_A...Alteza. 
O alfa fez um reverência quando o viu, Liang o olhou secando as lágrimas e respirou fundo recompondo-se. 
_Soldado o que esta fazendo aqui?
Disse percebendo que o alfa usava uma armadura de seu exército.
_Estou fazendo a patrulha meu senhor. 
_Sozinho?
Liang o questionou. 
_...Não, os demais foram para outros lados. 
_Hm, pode ir andando, não se preocupe comigo. 
_Perdoi-me alteza, mas não posso deixa-lo sozinho. Onde estão os seus acompanhantes?
_Eu disse que eles podiam ir. 
O soldado acentiu com a cabeça e ficou na posição de guarda em seguida. 
_Você não vai sair!? Bom, já que pretendi ficar, sente-se. 
_O...oque?
O soldado disse surpreso. 
_Apenas sente-se.
Liang o respondeu sem olhar para ele, o soldado aproximou-se do príncipe em passos lentos e ocupou a outra extremidade do banco encolhendo-se para não tocar o outro. 
_Qual o seu nome?
O príncipe o perguntou assim que ele se sentou. 
_...Wang, alteza. 
_Wang, diga-me não se senti injustiçado? Foi obrigado a abandonar a sua terra para sempre e servi a alguém, que se for preciso deverá dar a sua vida para proteger, mas que nem ao menos sabe o seu nome. Isso não lhe parece tolice?
_....Não alteza. No dia em que me ofereci para servi ao rei, pensei na minha família. Servir ao rei é servir a Bīngshān e seria uma honra morrer cumprindo a minha missão. 
Liang deu um ar de riso contendo um leve tom de deboche. 
_É uma boa resposta. 
_Alteza, se me permite. O povo não perece mais de fome, as crianças não precisam mais temer se seus pais voltaram para casa ou não e Bīngshān vive em dias de paz, isso não deveria ser o mais importante? 
_...Sim, isso é o mais importante, eu diria que.... isso é o que ainda me mantém vivo...
Liang abaixou a cabeça deixando que algumas lágrimas escapassem, mas logo as secou e ergue-se novamente.
_Deve esta me achando um tolo. Talvez este sofrimento esteja me levando a loucura. Diga-me soldado por acaso, é pedir demais desejar ser feliz? Ah veja o que estou dizendo.
Liang riu de si mesmo. 
_Do que adiantou ter nascido como um príncipe..., se este era o meu destino.
_Alteza. 
O soldado o chamou, Liang olhou para ele pelo canto dos olhos enxugando as lágrimas.
_No jardim do príncipe Lijang havia uma árvore de magnolias, dizem que vossa alteza as apreciava muito. Fazendo a patrulha outro dia vi que tem uma aqui também. 
Liang deu um ar de riso. 
_Bom.... me leve até lá então.
 Wang ficou de pé e Liang levantou-se em seguida, o soldado o conduziu até sair do jardim interno indo em direção a ala norte do palácio, onde havia um pequeno pátio atrás do templo dos deuses de Kiushi, o pátio era cercado por arbustos e no centro havia apenas uma árvore grande cujo a copa cobria todo o pátio. Estavam na estação das flores e as magnolias já estavam desabrochadas, o perfume das flores pairava no ar, algumas pelatalas se desprendiam dos caules e planavam como plumas até chegarem ao chão. 
_Tem sempre um cheiro tão bom. 
Liang disse ao sentir o perfume. 
_Por acaso vem alguém aqui?
_Não, nunca vi ninguém aqui antes. 
Liang sorriu, sua expressão havia mudado completamente, seus olhos brilhavam não mais pelas lágrimas e de alguma forma sentia-se feliz. 
_Alteza, esta anoitecendo precisamos voltar. 
_Esta bem. 
Wang o reverenciou curvando-se e estendeu o braço em direção a saída, Liang passou por ele saindo do pátio e ambos caminharam de volta a ala leste, o soldado caminhava a dez passos atrás do príncipe sem tirar os olhos dele. Assim que chegaram a seus aposentos, Liang virou-se de frente para o outro que no mesmo instante abaixou o olhar. 
_Obrigado, Wang. 
Disse o príncipe com um singelo sorriso nos lábios, mas uma vez o soldado curvou-se e esperou até que ele entrasse no quarto fechando a porta. 
_Príncipe! Onde esteve, eu o procurei por todos os lugares. 
Disse Xiah assim que Liang entrou no quarto. 
_Xiah. Eu estava pensando. 
Disse ele indo em direção a sua cama. 
_Não esta com fome? Devo pedir que tragam sua refeição?
_Xiah, você pode ir. Eu quero dormir.
Liang tirou as botas e a camada superior de seu kimono indo para cima da cama. 
_Esta...bem. 
Xiah disse sem entender aquela atitude, o ômega pegou o kimono que o outro havia deixado no chão e colocou pendurado em um biombo no canto do quarto. 
_Tenha um bom descanso alteza. 
Disse ele antes de sair e fechar a porta. 


 


Notas Finais


Músicas que serviram como inspiração:
SG Wannabe - Saldaga
The One - Winter Love
Morikawa Toshiyuki - Fuyu no semi
The One - Dear Love

Espero que tenham gostado deste primeiro capitulo e ate o próximo.


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