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História Flor de Lótus (Naruto, Sasuke, Narusasu) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Eainnn, como vocês estão? Espero que bem!
Aí gente, não ia começar com as postagens hoje, estava planejando escrever toda a estória e depois postar, mas né, com esse coronga vairus aí, NÃO SEI SE VOU ESTAR VIVA ATÉ TERMINAR DE ESCREVER TUDO.
Enfim, espero que aproveitem o capítulo e sim, estou reescrevendo -NOVAMENTE- a estória. Até mais.

Capítulo 1 - Capítulo I.


Fanfic / Fanfiction Flor de Lótus (Naruto, Sasuke, Narusasu) - Capítulo 1 - Capítulo I.


Em anos passados, antes mesmo da criação dos Nove Clãs, na Vila Píer Lótus nasceu uma pequena criança na qual foi nomeda de Nix, uma garotinha de cabelos escuros e pele alva, um sorriso carregado de inocência e doçura, a mais bela princesa como todos diziam; desde muito nova a pequena menina se destacava, era dona de uma inteligência grandiosa para pouca idade e habilidade não lhe faltava.

O patriarca Xiu notando a vasta capacidade apossada na pequena Nix decidiu então usá-la para seu bel-prazer; submeteu a pobre criança aos mais pesados e desumanos tratamentos, da manhã à noite ela empunhava uma espada e rezava para sobreviver por mais um dia, a atroz situação perdurou-se por exatos dez longos anos até o dado dia em que ela provou estar pronta para ser a arma de combate.

Ao participar da tão terrível Ahrena e sozinha derrotar vinte e cinco Karut's, os enormes titãs que viviam sob o domínio do Imperador Lin, o patriarca de Nix teve a certeza que havia criado um ser invencível e que junto dela os outros clãs estariam aos seus pés, no entanto, os líderes de outras províncias mostraram-se indignados com a tamanha afronta do Imperador Xiu, afinal, Nix era uma mulher e de modo algum uma pessoa de gênero tão inferior poderia aprender os ensinamentos exclusivos aos homens de guerra, com base em tal pensamento -que na verdade camuflava o medo avassalador que apossou-se dos nobres reais- eles exigiram que os ensinamentos de guerra parassem de serem passados à garota.

Mesmo contra vontade, o Xiu fez o que lhe foi exigido, afinal, ele não era tolo ao ponto de começar uma guerra contra todos os clãs já que tinha a certeza que nenhum deles lutaria ao seu lado caso uma se iniciasse. Nix foi mandada ao Convento Juang onde deveria permanecer por cinco anos adquirindo os verdadeiros ensinamentos de uma mulher, porém, tal situação não passava de uma emboscada, alguns dos clãs se uniram e juntos foram ao massacre de Píer Lótus e também do Convento Juang. Eles queriam por um fim ao medo que tomava seus corpos, afinal, alguém com a força de Nix não deveria continuar viva.

O Clã Xiu foi massacrado e o Convento Juang foi destruído não restando uma única alma viva, ao menos era nisso que os clãs unidos acreditavam; com sede de sangue Nix se reergueu, nas ruínas de seu clã ela jurou que traria a morte e o caos aos responsáveis, ela vingaria as vidas que ali foram tiradas injustamente. Com a escuridão ela se fundiu, a magia negra fez morada no corpo feminino e nas noites sem estrelas na qual a névoa embrulhava a terra em seu leito, na empreitada da escuridão os assassinatos aconteciam, clãs e mais clãs eram extinguidos, na sombra da noite Nix os destruía em nome de sua honra e clã, em pouco tempo ela ficou conhecida como a "Deusa da Noite", a personificação da morte e caos, àquela que traz desgraça as famílias, a patrona das feiticeiras e bruxas, ela tornou-se uma mulher temida por todos.

Os poucos clãs que restaram se uniram na aliança Nove Clãs tendo um único objetivo, levar morte até a Senhora da Noite; sangue inocente banhava a terra, muitas almas foram levadas a vagarem solitárias pelo mundo dos mortos, Nix matava-os sem piedade, nem as crianças escapavam das garras amaldiçoadas da mulher tomada pelo ódio, muitos soldados foram perdidos até a caçada enfim findar-se, a Noite foi emboscada, fizeram-na sofrer até seu último suspiro, e na fogueira incessante com suas cinzas deixadas ao relento espalhando assim a sua maldição pela terra.

Acredita-se que o espírito selvagem e sedento por sangue da Deusa da Noite ainda vaga pela terra buscando punir todos aqueles de más intenções, ela protege as mulheres malditas em seu manto escuro e leva a morte aos profanos que vagam pela escuridão da estrada da desonra. -A mulher de idade já avançada dizia em uma entonação lenta numa certeira tentativa de deixar um ar assustador pairar sobre as duas crianças que olhavam-a atentas e curiosas. -Vocês precisam ficar em paz com todos e seguir o caminho da luz, serem sempre obedientes e traçar a estrada da bondade, caso o contrário, Nix virá da escuridão e levará todos ao calor incessante do inferno!


-Okaasan! -A mulher que pegara, ao entrar no recinto, uma palhinha da última frase dita pela mais velha ralhou em um tom claro de repreensão. -Por favor, não diga essas coisas aos meninos, eles ainda são pequenos e podem ficar assustados. -Levou ambas as mãos até a cintura que era apertada fortemente por um espartilho escuro, deixando uma expressão insatisfeita tomar-lhe a face bonita.


-Assustados? -A idosa emitiu um olhar desdenhoso erguendo de maneira breve a sobrancelha de fios brancos. -Eles parecem assustados para você? -Apontou para ambos os garotinhos que sorriam amplamente, os olhares infantis com o tão conhecido brilho da curiosidade, deitados de bruços sobre o chão frio do recinto enquanto as pernas jogadas ao ar balançavam-se inquietas, de fato, eles não pareciam nem um pouco assustados.


-Agora não, mas os verdadeiros garotos assustados virão com o anoitecer juntamente de suas imaginações férteis demais! -Disse por fim fazendo com que as duas crianças levantassem-se do chão minimamente empoeirado para depois abanar de leve as vestimentas alheias.


-Você deveria se preocupar menos, eles estão em fase de aprendizado, além do mais, são contos muito presentes na nossa cultura, eles precisam no mínimo saber sobre. -A mulher levou as mãos enrugadas pela idade e acariciou com calma a pele jovial da filha em uma tentativa de acalentá-la. -Eu sei quais são seus verdadeiros medos e sinceramente, você não precisa se estressar com isso.


-Isso mesmo, não se preocupe, haha! -O mais velho dentre os dois garotos disse adotando uma pose cheia de si. -Não tenho medo de nada, e se alguma bruxa vier nos importunar eu darei um jeito na maldita com minhas próprias mãos. -O menino de pouco idade e estatura apertou ambos os punhos de frente ao corpo numa falha tentativa de mostrar-se intimidador.


-Mas com essa sua altura a bruxa te segurará pelas roupas e te fará de jantar. -O outro garoto pronunciou-se com um claro timbre de provocação enquanto erguia os braços até a altura do peito e os cruzava ali. -Jantar não, aperitivo na verdade, você ainda é pequeno. -E uma risada carregada tomou o sonoro do ambiente.


-Utakata! -Mikoto ralhou em repreensão ao filho, aquela era uma situação até que comum, o Uchiha mais novo tinha uma estranha satisfação em implicar com Itachi e por tal razão ambos estavam em uma briga constante, e isso deixava a jovem mulher aos nervos.


-Mas ele ainda irá crescer e se tornar um grande homem. -A voz aveludada fez-se presente ali ao colocar-se dentro do recinto, o rapaz foi até a criança que tinha um bico estampado na face e a pegou nos braços. -E até lá eu irei protegê-lo para que não vire aperitivo de bruxa alguma. -Sorriu de maneira branda e beijou com carinho a bochecha do irmão mais novo recebendo a típica risada infantil em resposta. 


-Não acha injusto proteger apenas o Itachi, onii-san? Eu sou ainda mais pequeno que ele! -O garoto mais novo pigarreou deixando uma expressão emburrada tomar-lhe a face.


-Oh, me desculpe, Uta. -O mais velho sorriu pequeno e andou até o outro menino tratando logo de pegá-lo no colo. -Irei proteger você também. -O estalo do beijo que deixou na bochecha branquinha do irmão ecoou pelo lugar fazendo o mais novo dos irmãos corar levemente.


O bom clima que instalava-se ali não perdurou-se por muito tempo já que com uma aura assassina Mikoto virou-se para o filho mais velho. -Sasuke Uchiha. -O nome foi pronunciado de maneira lenta o que fez ambos os garotos pequenos tremerem de leve por já conhecerem bem aquele timbre. -Onde raios você passou a noite?! -A veia da enxaqueca saltando-lhe às têmporas enquanto passos lentos eram dados na direção do progenitor.


-Fui ver o sol nascer, haha. -O moreno apertou de leve o corpo de ambos os irmãos contra si próprio tendo logo em seguida o pescoço envolvido pelos braços finos das duas crianças que mantinham um olhar assustados quando direcionados a matriarca Uchiha. -N-na colina das flores, como sempre faço.


-E foi sem me avisar, como sempre faz, não é?! -A face de aparência bonita ganhou tons avermelhados enquanto a clara expressão raivosa a adornava, os cabelos escuros e bem cuidados pareciam voar junto da aura assustadora que a rodeava, os punhos fechados e uma postura duvidosa já era mais que suficiente para trazer o terror aos filhos. -Não vai dizer nada à sua defesa, Uchiha? -Arqueou a sobrancelha escura e bem desenhada esperando outras desculpas a quais pudessem a convencer a não cortar a língua de seu mais velho.


Sasuke olhou de relance para a avó buscando algum tipo de ajuda para livrá-lo daquele fatídico momento, afinal, Mikoto Uchiha não era brincadeira quando encontrava-se insatisfeita com algo, principalmente com um certo fujão; a mulher idosa, não muito interessada no que ocorria ali, apenas simbolizou para que o mesmo saísse correndo, afinal, ele sempre realizava tal feito quando estava nessa tão costumeira situação. Sem muitas aparentes opções, Sasuke agarrou os irmãos com mais força -e de certa forma as duas crianças já sabiam o que viria a seguir-, e antes que uma oportunidade apropriada surgisse ele correu rumo à saída dali, no entanto, Mikoto estava preparada para a tão previsível ação e colocou-se rapidamente como um furacão raivoso atrás do fugitivo.


-Pare de correr e aceite seu castigo, Uchiha! -A mulher gritava enquanto tentava inutilmente alcançar o primogênito que mesmo estando com pesos a mais conseguia mover-se rapidamente pela casa desviando-se dos móveis e desafiando-se até mesmo a pular algumas cadeiras em meio ao trajeto.


-Nunca! -O rapaz rebateu dando uma audível risada observando de relance o esforço da matriarca que berrava escandalosa, os dois garotinhos que eram carregados em meio a perseguição "caótica" gargalhavam alto da situação. -Obaa-chan!? -Chamou pela mulher mais velha que já aguardava próxima da porta de entrada, com a face marcada com uma clara indiferença ela abriu o portal de madeira deixando o caminho livre para o neto passar, com um piscar de olhos o moreno já encontravam-se fora da residência.


-Cuide bem dos seus irmãos! -Mikoto gritou parando por fim no batente da porta cansada e ofegante, deixou o olhar pairar observando os filhos se afastarem cada vezes mais da casa não deixando de sorrir satisfeita, ela era realmente uma mulher assustadora.


__


-Não fiquem longe de mim. -Sasuke brandou segurando as mãos dos irmãos mais novos para que não houvesse o perigo de algum deles se perderem em meio toda aquela gente, Kumogakure encontrava-se mais cheia que o normal e isso se dava a um único fato: Dinten Nactuy, o dia em que os líderes de algumas principais vilas se reuniam em comemoração à paz existente entre elas, no entanto, alguns moradores de vilas alheias viam visitar o local da comemoração e isso resultava em ruas cheias e movimentadas. -Por que toda essa gente vem? Eles não vão participar da comemoração oficial de qualquer maneira! -O Uchiha murmurou um tanto aborrecido, detestava lugares barulhentos e cheios demais, para piorar sua carga de sofrimento estava responsável pelos dois pestinhas que de segundo em segundo tentavam se soltar de si para se misturarem com a multidão e com certeza seria uma lástima caso isso acontecesse. Mas era necessário aguentar, pelo menos até o findar do dia, caso contrário teria que encarar um certo demônio guerreiro encarando num corpo feminino.


-Onii-san, eu quero uma maçã. -Utakata apontou o dedo pequeno e gordinho para uma barraca mediana na qual havia vastas variedades de frutas, mas dentre todos os sabores dados pela terra o garotinho se interessou pelo pomo avermelhado e aparentemente saboroso de maçãs. -Por favor, onii-san, elas estão tão lindas, parecem estar me chamando. -O menino ergueu a mão direcionando-a à barraca de uma forma um tanto dramática, os olhos grandes e infantis ganharam um brilho desejoso, da boca entreaberta Sasuke jurou ter visto um pequeno fio de baba escorrer e isso foi mais que motivos o suficiente para andar até a barraca que roubou a total atenção do mais novo.


-Me dê duas maçãs, por favor. -Fez o pedido ao estar frente a frente com o vendedor simpático que pegou duas da fruta avermelhada e passou-as brevemente na água a qual estava acumulada em um recipiente médio na barraca, enfiou uma das mãos dentro da roupa tratando logo de pegar um pequeno saco de moedas e ao pagar pela mercadoria pegou ambos os frutos entregando um para Utakata que sorriu largamente antes de dar uma mordida generosa na fruta, virou-se para Itachi na intenção de entregar-lhe o outro pomo, no entanto, a criança já não estava mais alí. -Itachi? -Chamou pelo mais novo olhando ao redor, sentiu o sangue gelar e o desespero tomar conta do corpo, segurou com força na mão livre do Uchiha caçula, temendo perdê-lo também, e começou a procurar pelo garoto.


Eram tantos rostos desconhecidos, tantas pessoas diferentes, tanto barulho que a cada segundo tornava-se mais árdua a tarefa de encontrar a pequena criança, Sasuke sentia o coração doer dentro do peito ao procurar em seu campo de visão a imagem do irmão e falhar miseravelmente, ou até mesmo chamar pelo nome do mais novo e receber resposta alguma, havia soltado a mão do garoto por um breve momento e jamais lhe passara pela cabeça que o menino usaria de tal oportunidade para fugir, com a cabeça em um turbilhão de desespero o sentimento de culpa e incompetência pesava-lhe nas costas; ele estava sob sua responsabilidade e saber que por sua ignorância o garoto estava vagando sozinho por aí lhe doía a alma.


-Fique calmo, onii-san. -O outro garoto apertou de leve a mão do mais velho com a vaga intenção de confortá-lo. -Nós iremos encontrá-lo. -Utakata sorriu pequeno e deixou um pequeno beijo na mão alheia recebendo um simples concordar de cabeça como resposta.

__


Itachi corria entre as pessoas e ria alegremente, aquele sempre foi um de seus desejos, ficar entre as pessoas grandes sem a supervisão da matriarca, obaa-chan ou do irmão mais velho, ele sentia-se enfim livre e queria aproveitar cada mínimo momento, mesmo sentindo-se um tanto culpado, afinal, Sasuke provavelmente ficará preocupado quando se der conta que ele já não está mais junto deles, mas de qualquer modo já não importa mais pois ele voltará para casa ao entardecer.


O Uchiha ao considerar-se longe do ponto de onde fugiu de Sasuke colocou-se então a andar com mais calma, enchia o peito de ar e sorria de segundo em segundo já sentindo-se um homem crescido, estava se achando um máximo quando um empurrão em suas costas o fizera cair para frente, os joelhos esfolaram-se no chão e a roupa perfeitamente limpa acumulou um pouco de terra assim como as mãos que ele usou para diminuir um pouco do impacto com o chão, isso o fez bufar baixo já preparando-se para levantar-se, no entanto, uma silhueta escura colocou-se em sua frente.


Havia erguido brevemente o olhar quando os sapatos escuros pararam diante si, ele foi erguendo a cabeça temeroso dando logo de cara com uma mulher de véu, era de uma aparência um tanto incomum porém bem sofisticada, o vestido longo tinha adornos e detalhes delicados em um dourado ouro enquanto o tecido era um preto de densidade assustadora, o véu revestido em preto escondia bem a face alheia, a postura era impecavelmente reta e autónoma, mas a leve inclinação que a cabeça da mulher se encontrava deixava claro que ela olhava diretamente para si; um tanto assustado Itachi sentou-se rapidamente deixando que os olhos arregalados observassem a mulher estranha, os passos em sua direção eram devagar fazendo o Uchiha se arrastar para trás tentando manter distância, foi quando os olhos escuros como a noite recaíram sob a mão alheia que estava a vir em sua direção, a pele da palma e dígitos estavam a ser escondidos por um luva de tonalidades escuras.


A mulher tinha o corpo totalmente coberto impossibilitando a visão de um único centímetro da epiderme feminina, porém, quando esta estendeu a mão na direção de Itachi a manga longa do kimono estendeu-se brevemente dando um ponto de visão para a pele alva, alguns poucos segundos se passaram e ela ainda mantinha-se com a mão estendida na intenção de ajudar o garoto caído e este ainda meio hesitante ergueu a própria palma disposto a aceitar a ação, no entanto, antes de qualquer contato físico os olhos curiosos da criança captaram os vários símbolos marcados na pele exposta no pulso alheio e em um impulso rápido ele saltou para trás afastando-se da desconhecida.


A mente da criança estava um turbilhão, os olhos mais arregalados que o normal e uma fala específica de sua obaa-chan ecoando-lhe na memória. "As seguidoras de Nix contém símbolos marcados na pele como uma forma de provar sua fidelidade a patrona da maldição, essas bruxas são as piores". Apesar da pouca idade Itachi ligou logo os pontos e constou o óbvio. -Uma bruxa! -O garoto gritou o mais alto que pôde recebendo em poucos segundos a atenção das pessoas ao redor. -Ela tem a pele marcada por símbolos, é uma seguidora do demônio da noite. -Ele apontava diretamente para a mulher de preto e logo uma onda de cochichos fez-se presente no aglomerado de pessoas que havia formado-se envolta de ambos.


Sasuke que não estava muito distante arregalou os olhos ao ouvir a voz tão conhecida, seguindo os gritos dados pelo irmão mais novo ele corria o mais rápido que podia tomando o máximo de cuidado para não machucar Utakata que ainda encontrava-se de mãos dadas a si, em poucos segundos um aglomerado de pessoas entrou em seu campo de visão e não esperando muito foi até o mesmo, empurrou alguns com um notável desespero almejando chegar ao centro de tudo; a cena na qual deparou-se ao chegar no motivo da atenção dos ambulantes curiosos fizera o coração que batia forte no peito do moreno errar uma batida, Itachi estava sentado ao chão, as vestimentas levemente sujas enquanto o corpo encontrava-se encolhido, ele gritava palavra ofensivas apontando diretamente para uma mulher que estava não muito distante de si, sem pensar muito ele se aproximou do menino e o abraçou com força sentindo o alívio momentâneo tomar-lhe por inteiro, logo Utakata juntou-se ao abraço.


Os diversos passos ecoaram pelo sonoro, as pessoas abriam caminho enquanto um total de oito pessoas passavam, todos usavam kimonos graciosos, tecidos em um laranja quase vermelho com adornos pretos, era algo simples porém chique, as bainhas com detalhes em ouro, as espadas com seus cabos marcados em jade e por fim, a fita que cada um levava amarrada na cabeça decorando de forma majestosa as testas alheias. O típico e esbanjandor visual de subordinados da realeza.


-Minha Senhora. -Uma rosada começou reverenciando a mulher coberta tendo em seguida o feito imitado pelos os que vierem junto dela. -Perdoe-nos pela insolência, ouvimos que havia uma bruxa então viemos o mais rápido possível. -Findou a fala erguendo o olhar que até então encontrava-se mirado ao chão e em segundos a atenção da rosada direcionou-se ao rapaz junto das duas crianças, a mulher empunhou rapidamente a espada que reluzia graciosamente à luz do sol e apontou para o trio, em um piscar de olhos os Uchihas foram cercados pelos outros subordinados que também empunharam as espadas e direcionaram-as aos irmãos.


Sasuke virou a cabeça na direção da mulher deixando que o olhar percorresse por toda ela, estranhou o fato de a mesma estar completamente coberta, afinal, o dia estava quente, além de ter uma postura perfeita demais ela ao menos se mexia, parecia-se em demasiado com uma estátua, não viu ali nada mais que um alguém de pouca sanidade mental, mas, ao mudar o ponto de visão para os subordinados da mulher que direcionavam suas espadas afiadas em seu rumo ele sentiu o sangue gelar por completo, a pequena fita que rodeava as cabeças alheias continha um pequeno símbolo, uma espécime de espiral com pontas paralelas também muito conhecido como linhas do inferno do povo nativo da tão temível Konohagakure, a vila que no passado trouxe a destruição de muitos clãs, o povo que em tal época serviu uma mulher tirana, mulher essa que levou muitos exércitos ao leito da terra, a primeira comandante de gênero inferior que por muitos anos aterrorizou até mesmo as mais fortes vilas,  somente após a aliança de paz entre Konohagakure e as demais vilas o mundo foi considerado em paz novamente.


-Ele é o responsável, Minha Senhora? -A rosada perguntou e Sasuke notou a raiva presente no timbre alheio, a mulher forçou a espada afiada contra a pele alva do pescoço do Uchiha que apenas engoliu em seco sentindo em segundos o medo apossar-se de seu corpo.


-Imagino que toda essa gente tem mais coisas a fazer além de ficar nos observando. -A mulher coberta apontou brevemente para a multidão e no mesmo momento, como frotas muito bem treinadas, os subordinados viraram-se apontando suas espadas para aqueles que ainda insistiam em manter o aglomerado envolta deles, rapidamente as pessoas foram se afastando e voltando aos seus afazeres de antes, mesmo que isso as deixassem corroendo-se de curiosidade para o que viria a seguir. -Guardem as armas, não há necessidade de uso agora. -E mais uma vez ela foi prontamente obedecida. 


A mulher coberta deu alguns passos até os três caídos diante de si, ao estar próxima do trio o mais velho dentre eles ajoelhou-se perante sua imagem mantendo-se de cabeça baixa, ambas as mãos retas e à frente do corpo, a palma direita à frente da esquerda, um simples, aparentemente, sinal de respeito que na verdade era um grande símbolo para a realeza de Konohagakure, afinal, eles eram um povo religioso -tanto que muitos diziam ser o berço das mulheres amaldiçoadas, bruxas-, e aquele movimento era feito para reverenciar unicamente a imagem de seus deuses.


-Majestade, coloco-me perante a tua presença como um servo sem importância, sou uma pessoa insolente e não tenho o direito de estar colocando-me aqui, mas venho implorar-lhe para que tenha piedade de meu irmão. -Na medida que ia falando Sasuke sentia um bolo formar-se em sua garganta, mas precisava manter-se firme, precisava do perdão da mulher ou a vida de seu pequeno irmão estaria fadada a um fim impiedoso e a culpa seria totalmente sua, não podia permitir tal coisa, ele era o sangue do seu sangue e não aceitaria que nada acontecesse ao mesmo. -Perdoe-o, ele é apenas uma criança mal educada e não teve a intenção de ofender-lhe, ele ao menos sabe o peso das palavras. -O mais velho parou com a fala subitamente ao sentir uma mão pequena tocar-lhe a panturrilha na qual estava descoberta devido a posição em que encontrava-se. -Peço que o castigo dele recaía sobre mim.


-Não, onii-san. -Itachi sussurrou com a voz baixa e embargada, a mão que estava a tocar a pele do mais velho apertou inconscientemente a epiderme alheia, o garoto não queria aquilo, ele queria apenas sentir-se um homem grande, que sabe cuidar de si próprio, agora, vendo o irmão mais velho oferecendo-se para receber o castigo, que ele mal sabia qual era, em seu lugar só provava o quão pequeno e inconsequente ele era.


-Qual é o seu nome? -A mulher perguntou com uma notável curiosidade presente na voz, as mãos movimentavam-se com calma enquanto ela tirava a luva libertando assim uma das palmas. 


-Sasuke Uchiha. -Respondeu-a firmemente, viu de relance a mulher agachar-se em sua frente para em seguida tocar com leveza a pele alva da bochecha alheia.


-Concedo meu perdão ao seu irmão por não respeitar minha imagem. -As unhas longas e bem cuidadas rasparam na pele macia do rapaz. -Concedo meu perdão a você por blasfemar meus deuses ao fazer a reverência sagrada de Konoha não sendo um de nossas terras. -Deu uma risada soprada devolvendo logo o tecido escuro para a mão desnuda, havia conseguido o que queria e isso já lhe era o suficiente. -Sinto-me instigada a perguntar onde aprendeu o nosso símbolo, mas sei que terei outra oportunidade. -E sem dizer mais nada ela retirou-se dali juntamente de seus subordinados que seguiam-na organizadamente.


-Onii-san! -Ambos os meninos abraçaram o mais velho com força e este retribuiu parcialmente.


-Vamos para casa. -Disse de maneira firme segurando na mão dos mais novos iniciando logo o trajeto até a residência Uchiha

__


Ao saber do ocorrido Mikoto simplesmente surtou, aquela era uma situação séria e até mesmo a avó dos garotos ficou do lado da matriarca, apesar de tudo, Sasuke não escapou de levar uma longa bronca, a Uchiha listou todo o tipo de mal que poderia ter acontecido, não foi agradável ouvir as palavras duras da mulher mas ao menos não levou palmadas como Itachi. 


O sol agora estava a se pôr no horizonte, Sasuke encontrava-se há longos minutos sentado no batente da janela observando a grande e majestosa estrela do dia deixando o céu aos poucos, não havia uma expressão específica estampando-lhe na face naquele dado momento, no entanto, sua mente estava um verdadeiro turbilhão.


Não conseguia compreender a ação da mulher de Konohagakure, aquele povo era conhecido por sua impiedade, eram pessoas tiranas e cruéis. Ele se perguntava por qual razão uma pessoa da alta realeza como aquela mulher o deixou ir sem alguma punição ou coisa parecida após seu irmão a insultar e, de acordo com a mesma, ele ter blasfemado seus deuses, eram ações muito estranhas. 


Levou a mão até a bochecha que mais cedo ela havia tocado, era como se a epiderme macia da mulher ainda estivesse em contato com a sua, o toque pareceu tão suave e ao mesmo tempo tão pesado, revirou de leve os olhos querendo logo deixar pensamentos como aqueles de lado. Estava prestes a descer do batente e ir limpar as impurezas do corpo quando os olhos escuros captaram uma silhueta não muito distante de sua casa, colocou a cabeça para fora da janela tentando focar a visão franzindo de leve a face, ele viu apenas um vulto rosado o que foi suficiente para fazer-lhe arregalar os olhos, a imagem do vulto foi rapidamente associada a uma subordinada de Konohagakure, ao pensar em tal hipótese o corpo do Uchiha tremeu instintivamente.


Talvez alguns minutos se passaram e ele tenha ficado ali apenas olhando para o nada quando constou que talvez fosse apenas um fruto de sua imaginação, afinal, estava escurecendo e ele não pôde ver, seja lá o que fosse, com clareza, e repetindo para si próprio tal conclusão ele fechou a janela de madeira com força tratando logo de afastar-se dali o mais rápido possível.


[...]


Notas Finais


Lembrando que a expressão "Haha" significa mãe.
Alguns nomes e características eu me referenciei em The Untamed, a propósito, assista caso tenha oportunidade.
Espero que vocês tenham gostado deste capítulo e aguardem pelos próximos, amém.
QUE JABIROCA NOS AJUDE COM O CORONGA VAIRUS!
Um beijinho para vocês <3


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