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História Flor de Peônia - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Olá meus pequenos gafanhotos! Mais um capítulo revisado pela @annekk-chan <3
Boa leitura!

Capítulo 4 - Didi?


O trajeto até Pequim foi mais conturbado do que Wangji imaginou.

Wuxian parecia uma criança hiperativa, ligada no 220, incansável. Ele falava qualquer coisa aleatória que passava por sua cabeça, de modo que, qualquer coisinha insignificante se tornava motivo para puxar assunto. Com um sorriso largo e sua voz estridente, ele tagarelava sobre a paisagem, sobre as carruagens de ferro e edifícios que viu em Yiling. 

Era como se, pela primeira vez na vida, ele estivesse vendo todas aquelas coisas das quais Wangji estava tão acostumado, mas tão acostumado, que eram irrelevantes.

Isso fez o professor se questionar em que tipo de ambiente o outro havia crescido. E se Wuxian não fosse realmente louco? Um parafuso a menos com certeza ele tinha, mas talvez, ele tenha saído de alguma dessas famílias extremamente religiosas que escolhiam viver em reclusão, criando os filhos longe da tecnologia e outras criações mirabolantes que eles achavam ser “pecado”.

Isso era um tanto incomum, mas em seus estudos nos últimos anos, Lan encontrou dezenas de artigos sobre pequenos povoados que viviam em condições de extrema pobreza e que ainda assim, se negavam a sair de suas terras. Para eles, os forasteiros não eram bem-vindos e as parafernalhas que eles possuíam eram frutos de magia negra. Tal como os povos nativos e os colonizadores ao longo da história, em diversos cantos do mundo.

Em pleno Século XXI, era difícil imaginar que havia pessoas que escolhiam viver na ignorância. Wangji até conseguia compreender os valores morais e culturais que os influenciavam, apesar de soar absurdo. Ele também nunca imaginou encontrar com alguém em tal situação. Claro, Lan não tinha certeza se esse era o caso de Wei Ying, mas era uma possibilidade a ser considerada. 

A fim de escutar outra coisa além da voz de Wuxian, Lan Wangji ligou o rádio. Ele gostava de música clássica e alguns gêneros mais tranquilos, tal como indie e folk. Seu irmão, por sua vez, gostava dos clássicos do rock, então, acabou sendo influenciado a gostar de algumas pouquíssimas bandas dos anos 80 e 90.

Logo, quando os primeras notas do piano tocaram, o professor quase instantaneamente se sentiu relaxar. Os acordes do violino entraram logo em seguida e, posteriormente, de maneira muito suave, o contrabaixo se juntou à canção tranquila e quase melancólica. 

Ao seu lado, Wuxian olhava para o painel estarrecido. Ele viu Wangji mexer em alguma coisa ali e logo depois uma orquestra começou a tocar! Como era possível um grupo inteiro de músicos caber dentro da telinha da carruagem de ferro? 

Claro que ele não podia simplesmente apreciar o momento quietinho. Portanto, ele estendeu a mão e quando tocou no mesmo lugar que o professor acabara de pressionar, a música foi interrompida e outra se iniciou, bem diferente da anterior. Uma música pop soou. Wei nunca tinha escutado nada parecido, tanto que nem conseguia reconhecer os instrumentos. Em poucos segundos, o cantor já tinha repetido o mesmo verso pelo menos oito vezes. Era chato e repetitivo. Ele pressionou o indicador novamente no painel e, dessa vez, a pessoa que cantava possuía uma voz pouco melódica e vomitava as palavras tão rapidamente que Wei não conseguia entender. Ele mudou de estação de novo e de novo, encontrando canções em dialetos que sequer conhecia! 

— Para! - murmurou Lan Wangji, sem desviar a atenção do trajeto por um segundo sequer.

— Mas isso é tão legal! É a melhor coisa que já vi na vida! Como é possível? - indagou eufórico. 

O professor afastou a mão do outro do painel eletrônico e buscou por sua estação favorita novamente. Wei Ying fez um biquinho e continuou: 

— É desse tipo de música que você gosta? - Não houve resposta, então, prosseguiu com seu falatório sem se abalar - Sabia que eu toco flauta? Sem querer me gabar, mas eu sou muito bom. Estou um pouco sem prática, mas aposto que ainda toco bem. E você? Toca algum instrumento? 

Na verdade, sim. Wangji sempre gostou muito da música tradicional chinesa e, incentivado pelo tio, aprendeu a tocar guqin quando ainda era criança. Essa sua paixão perdurou até adolescência, antes de ser consumido pelas obrigações. Com o vestibular e, posteriormente, o curso de graduação, acabou deixando esse hobby de lado. Para ser sincero, não havia refletido muito sobre isso nos últimos anos. 

Inesperadamente, ele sentiu uma certa saudade daquela época. Ele pensou nisso por um instante e murmurou:

— Hm. 

— É mesmo? Que tipo? - dessa vez,  o outro não respondeu. Wuxian fez um biquinho contrariado e continuou - Ayah, você é sempre calado desse jeito? huh? Tudo bem. Aposto que você deve ser um ótimo músico de qualquer maneira. Deveríamos tocar juntos qualquer hora, não seria legal? Eu posso criar uma flauta apenas com uma lâmina e um pedaço de bambu! - gabou-se Wuxian.

Lan Zhan duvidou, mas manteve o silêncio.

Depois disso, as coisas ficaram calmas já que Wei Ying, fascinado com as novas melodias, resolveu ficar quieto e aproveitar. Apesar de diferente, ele concluiu que o gosto musical de seu prometido era realmente muito agradável.

 

Já era noite quando por fim chegaram à capital. Pequim não se comparava em nada com a velha cidadezinha do interior de Yiling. Era maior, possuía mais prédios, mais carros, mais pessoas. As luzes piscavam por toda parte, em diversas cores. Havia enormes telões de led exibindo anúncios e propagandas por todos os lados, num caos total de poluição sonora e visual.

Wei Ying estava mais uma vez, fascinado.

Seus olhinhos brilhavam com o rosto colado na janela do carro, observando tudo ao redor. Ele simplesmente não conseguia esconder sua euforia! Era tudo tão bonito e brilhante! 

Não muito tempo depois, os portões automáticos do condomínio onde Lan Wangji morava se abriram. Mais magia! O mais incrível era que seu prometido não movia um dedo para fazê-lo, então, Wuxian o achou muito poderoso por fazer tanta coisa só com o poder da mente. 

Lan estacionou ao lado de várias outras carruagens e seguiu até o elevador com um Wuxian saltitante em seu encalço. O ex-cultivador observou Wangji apertar um botão na parede e fez o mesmo, uma e outra vez. Esperaram por mais ou menos dois minutos e embora não soubesse o porquê, não indagou.

De repente, as portas de metal se abriram, revelando um cubículo bem iluminado e com paredes espelhadas. Eles entraram e, novamente, Lan pressionou um entre os vários botões numerados do painel. Prevendo que o de cabelos longos repetiria seus atos, afastou as mãos de Wuxian antes que ele apertasse todas as teclas e tivessem que demorar uma eternidade até a cobertura, parando de andar em andar. 

O professor não precisou olhar para saber que Wei Ying estava com aquela carinha levemente emburrada de novo. 

O biquinho dele, porém, logo se desfez assim que as portas do elevador se abriram e ele se viu em frente a um pequeno corredor. Eles tinham acabado de sair de uma caixa de metal teletransportadora? Wuxian não tinha certeza. 

O apartamento se iluminou de repente quando Lan Zhan ligou o interruptor, nenhum pouco surpreso quando Wei se moveu até lá e o pressionou repetidas vezes, as luzes acendendo e apagando. Ele ainda estava intrigado com aquele dispositivo. Não se parecia em nada com talismãs de fogo e não havia as costumeiras velas em nenhum lugar.

 — Wei Ying! 

O olhar de Wangji não era dos melhores, mas não era suficiente para intimidar Wuxian. 

— Ayah! Você mora aqui? É tudo tão legal e… - foi então que Wuxian percebeu algo do outro lado da sala. Ignorando toda a mobília moderna, seguiu até lá, espreitando pelas longas persianas. - Uau! - exclamou, puxando de uma vez a cortina.

 Lan Zhan morava na cobertura de um dos prédios mais altos da cidade. Uma das paredes opostas à sala era inteiramente de vidro, de cima à baixo, proporcionando uma vista de tirar o folêgo. Wuxian achou um crime Wangji cobrir aquilo com longas e pesadas cortinas de pano. 

— Isso é sensacional. O pôr do sol aqui deve ser incrível.

A verdade é que Wangji não ligava muito para essas coisas. Não se lembrava a última vez em que deixou as persianas abertas para admirar a cidade brilhante ou a paisagem resplandecente do sol se escondendo no horizonte. Ele não tinha tempo pra isso. 

Sem dar importância, esperou ter a atenção do rapaz e mostrou brevemente os cômodos. Por sorte, a porta do seu quarto estava encostada pois sabia que enxerido como parecia ser, Wei não demoraria dois segundos para ir futricar por lá. Não queria nenhum estranho mexendo em suas coisas. Wangji mostrou o quarto de hóspedes onde ele ficaria e então, seguiu até o banheiro social. Bom, não sem antes ver Wuxian pular de barriga na cama, tagarelando sobre o quanto era macia, digna de um nobre.

— Vou trazer uma toalha e uma troca de roupas. - ditou, esperando que Wei entrasse para poder enfim, seguir até seu quarto, deixar as malas e tomar um banho quente em sua suíte também.

 No entanto, Wangji percebeu que não teria tanta sorte, a julgar pela forma na qual o outro pareceu um tanto perdido.

 — Não há tina. - reclamou Wei Ying, observando tudo ao redor. Então, ele percebeu que havia um pouquinho de água no fundo de uma tigela de porcelana bastante intrigante, parecia até algum assento. — Se bem que isso deve ser o suficiente para me limpar. - comentou, pronto para enfiar a mão lá dentro. Por sorte, ele foi parado a tempo.

Wuxian já estava ficando irritado com aquela mania que o Wangji tinha de evitar que ele tocasse em tudo! 

— O que foi agora, huh?

— É sujo! - pontuou Lan.

Wei Ying havia sido um cultivador e como tal, em suas andanças, nem sempre encontrava um rio, poço ou qualquer fonte de água fresca. Então, às vezes uma poça de água clara tal como aquela servia muito bem. Não era o mais apropriado, mas não entendia qual o problema. “Será que Lan era um desses engomadinhos frescos que querem sempre tudo do bom e do melhor?” pensou.

Wangji o empurrou até o box e apontou para o registro.

— Esquerda, abre. Direita, fecha. - juntando palavras às ações, exemplificou.

Wei Ying olhou para cima e viu um “caule” de metal onde na ponta havia o que parecia vagens de lótus por onde a água caia como chuva. Cheio de fascínio, ele estendeu a mão, sentindo a temperatura quentinha. 

— Isso é muito legal! - exclamou, começando a se despir.

— O que está fazendo?

— Tirando a roupa ué.

Antes que Wangji pudesse fazer qualquer coisa, Wuxian já estava pelado e debaixo d’água. As orelhas queimaram e ele rapidamente deu as costas, negando-se a ver qualquer coisa.

— A água está quentinha! Não quer entrar aqui comigo, didi?

— Sem vergonha! - murmurou, saindo dali a passos rápidos. Todos os produtos de higiene estavam disponíveis para Wuxian, de modo que não se deu ao trabalho de apontar ou explicar qualquer coisa. Ele que não ia dar banho em marmanjo! 

Lan Zhan, de olhos fechados, apenas voltou para deixar um roupão e um par de roupas sobre a pia. 

Normalmente, ele jamais deixaria as malas encostadas em algum canto. Ele guardaria seus objetos e separaria as roupas sujas das roupas extras e limpas que não havia usado. Mas não o fez. Ele estava exausto como há muito tempo não se sentia e o culpado estava no outro cômodo, cantarolando alegremente como se fosse o dia mais feliz de sua vida.

Ainda era sábado, poderia facilmente cuidar dessas coisas banais no dia seguinte. Com isso em mente, dirigiu-se ao banheiro da suite e por mais deliciosa que a água estivesse, não se permitiu ficar muito tempo.

Devidamente vestido, caminhou até a cozinha. Ainda havia um pouco de peixe grelhado e legumes frescos na geladeira, o suficiente para os dois. Não estava a fim de cozinhar devido ao cansaço e seu estômago não estava disposto a esperar pelo delivery. Portanto, esquentou as sobras no microondas, mas precisou fazer um pouco de arroz. 

Com tudo pronto sobre a mesa não havia sinal de Wuxian.

Lan não estava confortável com um estranho em seu lar, provavelmente bisbilhotando por aí. Ele odiava a sensação de não estar à vontade em sua própria casa. Wangji sempre foi do tipo centrado, racional. Não se deixava levar pelas emoções, sempre pensando com cautela antes de tomar qualquer atitude. Então, a razão para abrigar um maluco no seu apartamento ainda era um mistério.

Não, não era um gesto nobre. Por mais que suas intenções fossem genuínas, ninguém em sã consciência faria algo assim, ainda mais quando o mundo era um lugar repleto de maldade onde não se pode confiar em ninguém.  

Pelo menos, Wei Ying não havia feito nada de errado, por enquanto. Lan Zhan poderia facilmente colocá-lo para fora, tal como tinha avisado, se o outro cometesse qualquer deslize. 

Em todo caso, se livraria dele na Segunda-feira. Bom, era disso que ele tentava se convencer. 

O professor saiu de seu devaneio quando a fonte de sua dor de cabeça veio praticamente saltitando pelo corredor, os longos cabelos úmidos pingando água pelo assoalho, mas devidamente vestido pelo menos. Ambos vestiam praticamente o mesmo número, felizmente. Ainda assim, talvez devesse comprar alguns trajes para Wei Ying.

Wuxian vestia uma camiseta branca com uma estampa do Pernalonga —a qual Wangji não usava há anos— e uma calça de moletom cinza. Seus cabelos estavam um pouco embaraçados nas pontas e silenciosamente, Lan Zhan se perguntou se ele havia utilizado os produtos disponíveis adequadamente ou se ele apenas não havia encontrado o pente. A verdade era que Wei tinha ficado um pouco perdido e acabou lavando a cabeça com o sabonete mesmo. Bom, ao menos ele estava limpinho e revigorado! 

    — Venha comer.

    — A sua casa é tão legal! Eu nunca estive em um lugar assim. - ignorando o pedido do parceiro, Wei continuou xeretando tudo que podia.

Não precisava ser nenhum gênio para perceber que Lan Wangji tinha um padrão alto e apesar da decoração simplista, tudo era da mais alta qualidade. Toda a mobília era em um tom creme, havia alguns pequenos objetos decorativos como vasos e estatuetas em prateleiras e claro, uma numerosa quantidade de livros. 

Wei não identificou nenhum título sequer, mas certamente teria muito tempo para apreciar a literatura moderna também. 

— O que essa coisa faz? - apontou para a enorme tela negra exposta no meio da parede. Ele podia ver seu reflexo ofuscado refletindo ali, mas não tinha ideia do que era. 

Considerando que o outro parecia se impressionar facilmente, Lan achou melhor não mostrar “a magia” da televisão ainda.

— Jantar primeiro. 

— Ayah! O que custa me falar agora, hm? - choramingou Wuxian. Ele não conseguia conter sua curiosidade.

O professor por sua vez, deu as costas e se sentou à mesa, deixando claro que aquele não era um assunto discutível no momento. 

O ex-cultivador soprou o ar indignado e, derrotado, estava pronto para se juntar ao seu prometido quando algo lhe chamou a atenção: a correspondência esquecida sobre a mesinha de centro. 

— Woah! Então, quer dizer que seu nome real é Lan Zhan, não é? - com um sorriso vitorioso de orelha a orelha, Wei Ying se aproximou de onde o outro estava e, sentindo-se em casa, não se fez de rogado ao encher a tigela com um punhado de arroz, sentando de frente para o professor.

Lan fez uma pausa por um momento, mas decidiu que isso não era algo realmente relevante.

— Não é adequado conversar durante o jantar.

Wei Wuxian estava faminto, porém isso não o impedia de tagarelar, mesmo que isso significasse falar de boca cheia. 

— Como eu deveria chamar você, hm? Wangji-didi? Wangji-xiong? Você disse que as pessoas já não usam nome de cortesia, então se eu te chamar de Lan Zhan não tem importância, não é? Em todo caso, temos intimidade pra isso. 

Lá estava ele novamente falando que eram “íntimos”, o que fez o professor se perguntar se o outro ao menos sabia o que isso significava, porque claramente ambos tinham concepções bastante divergentes quanto àquela palavra. No entanto, a questão do honorífico mais uma vez lhe chamou atenção. 

— Por que didi

— Ora! Eu sou mais velho, ué! Quantos anos acha que eu tenho? 

Lan não gostava de jogos de adivinhação, então não arriscou um palpite. Abaixou a cabeça e voltou a comer, pensando consigo mesmo que mais do que vinte e cinco ou vinte e seis certamente ele não teria.

Notando que não teria resposta, Wuxian voltou a falar. 

— Bom, a verdade é que eu nem tenho certeza, fiquei naquela caverna por tanto tempo que nem consigo me lembrar. - Lan Wangji não ficou surpreso, isso porque por um rápido segundo pensou realmente que o outro seria capaz de dar uma resposta sucinta e coerente. — Mas, se te incomoda, eu não tenho problema em te chamar de gege

O professor deu de ombros, concentrando sua atenção na comida enquanto o outro continuava a falar pelos cotovelos. Wangji desistiu de qualquer outra pergunta que pretendia fazer a fim de desvendar o passado alheio.

Mais tarde mandaria uma mensagem para seu irmão explicando a situação. Lan Xichen possuía muitos contatos e com sorte, encontraria um ótimo lugar para Wei ficar, algum abrigo social ou qualquer lugar parecido. Não seria fácil encontrar seus familiares em um país tão populoso quanto a China, mas sua prioridade era encontrar um ambiente onde ele ficasse seguro.

Quanto antes acontecesse, melhor. Isso, ou acabaria ficando louco também. 

Wuxian não parecia ter muitos modos à mesa, mas a verdade é que ele estava com fome demais para se importar em parecer um pouco mais civilizado. Ainda que estivesse deliciosa, a comida era um tanto sem graça para seu paladar tão acostumado a temperos fortes e apimentados, contudo, não reclamou. 

Ele não viu nenhum servo presente desde que chegou, então, observando a refeição sobre a mesa, perguntou:

— Lan Zhan? Isso tá muito bom, foi você quem fez? 

Wangji mais uma vez murmurou apenas “hm”. Wei começava a perceber que essa era uma resposta clássica dele.

— Acha que pode fazer algo picante da próxima vez? Oh não! Melhor! Que tal sopa de raíz de lótus com costela? hm? É meu prato preferido.

Talvez fosse indelicado da parte de Wei Ying exigir mais quando o outro já estava oferecendo o suficiente. Se Lan Zhan pensava o mesmo, ao menos não demonstrou, mantendo o silêncio.

Era difícil imaginar o que se passava na cabeça dele.

Sem perceber, o ex-cultivador passou a observá-lo. Ele era tão bonito, mas tão bonito, que não conseguia pensar em nada realmente digno para descrevê-lo. Lan Zhan também era bastante reservado e, sem saber o porquê, a seriedade em sua expressão dava ganas de provocá-lo. Com o kuàsi* esquecido entre os dedos, Wuxian sorriu.

A verdade é que ele não sabia exatamente como se sentir. Ele não estava caindo de amores pelo outro, pelo menos, achava que não. Tudo ainda era recente e novo. Uma bagunça completa na mente atribulada de Wei Ying. O único sentimento concreto que conseguia identificar era… gratidão e… céus! Não conseguia nem mensurar o tamanho de sua felicidade!

Era tão estranho estar diante da pessoa destinada a estar ao seu lado pelo resto de seus dias! Ele sonhou com isso por tanto tempo que mesmo naquele momento, era difícil de acreditar que era real! 

Embora desejasse saber mais a respeito de seu prometido, sua idade, sua profissão e coisas do tipo, Wei Ying não tinha pressa. Além disso, não era difícil supor que o outro estava pouco disposto a manter uma conversa. 

Wuxian não era idiota, sabia que ambos precisavam de tempo. 

Havia muitos questionamentos em sua cabeça, mas seu coração estava tranquilo. 

Sendo alvo de um olhar tão intenso, Wangji desviou a atenção de seu prato, encarando Wei Ying. O ex-cultivador não se abalou por ter sido pego no flagra e, em vez de desviar os olhos para outro canto como qualquer pessoa normal faria, Wuxian pousou o cotovelo na mesa e apoiou o queixo na mão, o sorriso ladino bailando nos lábios. 

Lan, confuso, ainda chegou a sustentar o olhar por alguns segundos, mas percebendo o quanto aquilo era estranho e principalmente que o outro não daria o braço a torcer, abaixou a cabeça e voltou a comer em silêncio. Wuxian alargou o sorriso, achando adorável.

Naquele momento, Wei Ying percebeu uma coisa.

Lan Zhan era do tipo difícil e isso soava tentador. Wei gostava de um desafio.

Se aquele era mesmo seu destino, ele faria acontecer! 

Iria cortejá-lo a cada oportunidade, afinal, se dependesse do parceiro para dar o primeiro passo, não iriam sair do lugar nunca. 

Eles eram almas gêmeas e almas gêmeas tinham que ficar juntas! Wangji não sabia ainda, mas aquela era uma batalha perdida. 

Não que ele fosse se gabar, mas Wuxian era encantador. Se as donzelas de sua época se jogavam ao seus pés, conquistar o cara que estava fadado a ser seu amante não deveria ser tão difícil, não é?

 


Notas Finais


*kuàsi - basicamente, o mesmo que hashi.
E aí? Críticas? Dicas? Sugestões?
Eu havia dito que teríamos uns 10 capítulos, mas eu quero desenvolver essa fase de adaptação inicial do Wei e principalmente, desenvolver a relação deles de maneira mais sútil (ou pelo menos do jeito menos maluco e repentino possível xD) Acho que provavelmente teremos um pouquinho mais que isso. Em todo caso, não é um plot muito extenso ou complexo, então não esperem muito. -n

Quanto a esse finalzinho, o Wei tem uma ideia fixa de que ele tem que ficar com a pessoa que o encontrou, não é algo que surgiu de repente, mas eu vou abordar essa discussão sobre destino com calma em outro capítulo, aí vocês vão entender melhor.

Fé no pai que eu volto com o próximo amanhã ou depois, mas me encham de amor primeiro, huh? Beijão e obrigada a todos que estão acompanhando (até mesmo os fantasminhas hihihi <3)


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