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História Flor de Romã - Capítulo 2


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Notas do Autor


Narração: Hades

Capítulo 2 - O Rio Estige


Fanfic / Fanfiction Flor de Romã - Capítulo 2 - O Rio Estige

  Maldito seja o Cupido. Benedita seja a tua flecha... Ah, ponta de flecha infeliz que despertou em mim o homem! Àquela altura, era isso que eu era: um simples e vulnerável homem, que enfeitiçado, tomou as mãos de uma donzela.

O Rei, o Deus e o Recluso eram ausentes enquanto ao meu lado estivesse aquela pequena flor, que atendia pelo nome de Perséfone. A jovem corada e primaveril, que há pouco eu havia tornado mulher- minha mulher. Soube no primeiro momento em que a vi, rodopiando na ponta dos pés ao redor de uma fonte, que a queria; tive a certeza de que precisava dela quando a despi...

E provei do mel venenoso no céu de sua boca, e adentrei seu corpo, e seus quadris tremeram em minhas mãos, e seus olhos arderam em luxúria. Ali eu soube que tenho um coração que é capaz de bater. Dolorido e desesperadamente, apenas ao toque de minha Perséfone.

Andamos lado a lado e em silêncio até a margem do Rio Aqueronte, onde o barco de Caronte nos aguardava. Ele não fazia ideia do motivo pelo qual o ordenei que me levasse ao mundo acima, e claro que ele encarou tal ordem com estranheza, mas não me questionou (pois ele sabe que eu não responderia, não devo satisfação alguma a um barqueiro). A cara que ele fez ao ver Perséfone ao meu lado foi ridícula. Mal parecia ser o mesmo infeliz que carrega almas estúpidas de mortais estúpidos o dia todo.

- Você só pode estar brincando comigo...

- Pode tirar seu queixo do casco desse barco quando quiser, Caronte. Eu tenho o dia todo.

- Ah, claro que sim, majestade! E deixa eu adivinhar; parte dos seus planos de tempo livre era sequestrar a maldita filha de Zeus?!

- A maldita filha de Zeus que eu não sequestrei e, por acaso, tem nome! Perséfone, esse ilustríssimo babaca é Caronte. Caronte, essa é Perséfone, minha esposa. Agora cala a boca e ajude-a a subir.

Caronte estendeu a ela uma mão, ainda me encarando e provavelmente segurando um xingamento. Perséfone olha para ambos de nós confusa e hesita por alguns segundos até aceitar a ajuda.

- Mocinha, tem certeza disso? - Ele a perguntou, enquanto a mesma subia no barco. Achei que tinha mandado ele calar a boca.

- Sim, eu vim de bom grado, senhor. Prazer em conhecê-lo. - Ela o responde com um sorriso e um breve aceno de cabeça, que quase pareceu uma mesura.

- Igualmente. E perdão pelo "maldita filha de Zeus". - Ela ri diante o apelo.

- Ah, não se preocupe quanto a isso.

- É o único defeito dela. - Eu retruco, e a garota me dá uma cotovelada.

Pude notar o quanto ela observara o caminho que fizemos do Aqueronte até o Estige, com aquele par de olhinhos verdes extremamente atentos. Chegava a ser cômico, ela estava mais curiosa do que temerosa, e até se curvou para ver a água indo de um tom cristalino a outro completamente turvo.

- Isso é impureza humana. – eu disse, quando ela se virou para mim com as sobrancelhas franzidas – Todos os mortais que fazem sua travessia, acabam deixando suas mágoas pelo caminho.

- Exato. Eu levo todos eles até o destino final, e ainda sujam a porra do meu rio... Um ótimo trabalho, como a senhora pode ver. – acrescentou Caronte, desgostoso.

- E... Para onde todas essas almas vão?

- Bom, geralmente para o Tártaro. Os que conseguiram ter o mínimo de decência enquanto vivos, vão para os Campos Elíseos... Mas todos são subordinados, sem exceção. – a respondo, e ela volta a ficar a água.

- Então, é daí que vem todo o ouro e a prata. Do trabalho dos mortais.

- É a chance que eles têm de mostrar serventia depois de mortos, querida.

- Ela até que aprende rápido, Hades! Espera só até o resto da família conhecê-la.

- Família? – Perséfone interroga, demonstrando surpresa no tom de voz – Achei que você fosse sozinho.

- E eu sou, porém não totalmente, o que é uma lástima. – respondo, e viro os olhos quando me lembro do quanto aquele palácio é movimentado às vezes – Hoje, meu botão de rosa, você vai conhecer os demais deuses do submundo.

   O barco diminui a velocidade e logo para, Caronte o prende ao Porto e ajuda ambos de nós a desembarcar. Chegamos. Imagino qual será o potencial de desastre dessa “noite em família”.



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