História Flor do deserto - Capítulo 2


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Categorias Sherlock
Personagens D.I. Greg Lestrade, Dr. John Watson, Mary Morstan, Molly Hooper, Mrs. Hudson, Mycroft Holmes, Personagens Originais, Rosamund Mary Watson, Sally Donovan, Sherlock Holmes
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Palavras 2.696
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá gente! Espero que tenham gostado do Prólogo, aí vai o primeiro capítulo para vocês. Comentem o que acharam, preciso do feedback de vocês.
Algumas informações importantes:
Significado de Hukm Allah: "Julgamento/Juízo de Deus"
Burca/ Niqab: Vestimenta feminina islâmica. A Burca cobre dos pés à cabeça e Niqab deixa só os olhos de fora. Qualquer dúvida pesquisem na internet que vocês acharão imagens dessas vestimentas.

Capítulo 2 - Prioridades


Era final da tarde. Estava frio, como todas as tardes de outono. A xícara de café fumegava uma fumaça cheirosa. Como reflexo, ela aproximou o nariz para sentir tanto o calor como aquele cheirinho inconfundível de café fresco, o qual trazia lembranças em sua mente...sim, lembranças de uma outra vida, num outro continente. Fechou os olhos e algumas imagens voltavam à sua mente: sobre o terraço do último andar da casa, o sol dava os últimos sinais de sua presença. Seus raios iluminavam o céu, que no momento cintilava em tom laranja e rosa bebê entre nuvens, naquele ventilado fim de tarde de outono, e o vento brincava com seus cabelos. Tudo isso era bem típico: quando o relógio dava umas cinco e meia da tarde, a vizinhança se preparava para o jantar e o inconfundível cheirinho de café fresco subia de todos os lugares; e, junto com o espetáculo celeste, esse inconfundível aroma fazia com que ela quisesse parar no tempo, queria que aquelas tardes passassem mais lentamente. Ela abriu os olhos, estava de novo no apartamento. Sua xícara a centímetros do seu rosto, o café ainda fumegava, um vizinho num apartamento de baixo começara a tocar uma melodia triste num violino, o barulho do trânsito da “hora do rush” invadia sua janela. Logo ela estava de volta à sua realidade atual, e esse pequeno momento nostálgico foi o suficiente para dar um nó em sua garganta, e fazerem as lágrimas brotarem dos seus olhos.

No dia seguinte a temperatura estava amena o suficiente para um casaquinho leve e um cachecol. “Graças à Deus -ela pensou quando viu pela janela que o sol brilhava em meio a um céu azul acinzentado- não vou precisar usar aquela tonelada de roupas hoje”. Emanuelle logo terminou seu café da manhã e começou a organizar sua bolsa para passar o dia no hospital, nada além de mais um dia comum de trabalho. Enquanto checava sua agenda, conferindo se não tinha esquecido nenhum compromisso naquele dia, ouviu um bater de portas e algumas vozes alteradas no apartamento de baixo “mas não é possível-disse consigo mesma- já estão brigando à essa hora da manhã? ainda bem que vou passar o dia fora”.

Ela fechou seu apartamento, desceu o primeiro lance da escada. Enquanto caminhava em direção ao último lance, que daria para o térreo, percebeu que a discussão no apartamento abaixo do seu, se dava entre três vozes masculinas, sendo uma delas desconhecida para Emanuelle, pelo menos nos últimos sete meses em que estava morando ali. Afinal, de vez em quando, ela ouvia algumas discussões, as vozes eram sempre as mesmas, mas dessa vez era diferente, havia mais alguém e parecia que a situação estava mais séria do que normalmente era. Isso fez com que Emanuelle sentisse um peso enorme no peito enquanto descia a escadaria, a ansiedade a atacava novamente. Emanuelle desviou sua atenção para a bondosa senhora que estava prestes a subir as escadas. Ela carregava uma bandeja, e sobre ela um bule com três xícaras e alguns biscoitos amanteigados que só ela sabia fazer. Aquela bondosa senhora, que a acolheu com amor, e que de vez em quando sentava-se com Emanuelle para conversar e tomar uma xícara de chá e aproveitava para se consultar com ela, tirar algumas dúvidas sobre certas medicações, já que o outro médico que visitava aquele conjunto habitacional estava na maioria das vezes ocupado, e agora que estava casado e esperando um bebê é que não teria muito tempo mesmo. Seu rosto estava preocupado, então ela saudou Emanuelle:

— Bom dia querida.

— Bom dia sra Hudson- respondeu Emanuelle.

A senhora subiu dois degraus quando Emanuelle finalmente perguntou:

— Sra, Hudson...eh...está tudo bem ali em cima?

— Ah minha querida...é difícil dizer…

— Fiquei preocupada, nunca vi um “bate-boca” tão sério, e normalmente são apenas ele e o médico que tem suas divergências...mas hoje não... hoje tem mais alguém e os ânimos não parecem estar muito bons.

— É verdade, isso geralmente acontece quando é o irmão dele que vem visitá-lo.

— Ele tem um irmão? perguntou Emanuelle mais assustada do que surpresa.

— Sim minha querida -falou em tom triste.

— Minha nossa -bufou Emanuelle- se já é difícil conviver com um, imagina com dois deles - disse quase para si mesma.

— É verdade minha querida, tenho pena do pobre do John, que os céus concedam muita paciência para esse pobre doutor.

Quase com um sobressalto Emanuelle lembrou que precisava chegar ao hospital em pouco tempo, e num tom de despedida perguntou :

— A senhora vai ficar bem aqui sozinha? Digo, dada a situação é seguro ficar aqui?

— Ah sim, sim minha querida-disse dando uma risadinha da preocupação da moça- ele pode ser meio louco, mas não se preocupe, que o único que está em risco de sofrer algum dano aqui é a parede dele.

— Ah sim...nossa, ainda me lembro daquele dia -disse a jovem em tom pesaroso-  e da vergonha que passei ao arrombar a porta do apartamento dele de camisola e com um kit de primeiros socorros nas mãos;  e quando eu entro, lá está ele de pé, com a cara mais sínica do mundo, com uma pistola na mão, e na parede oposta vejo um buraco de bala no meio da testa de um emoji pintado com tinta amarela.

— O que é um emoji? perguntou a senhora, o que fez Emanuelle dar um risinho.

— Mais tarde eu explico para senhora, pois tenho que ir agora se não vou me atras...

Emanuelle mal terminara de falar quando do apartamento onde havia a discussão, rompera um homem bufando, seguido do som abrupto da porta se fechando. Com passos pesados e com seu guarda-chuva preto em mãos, o homem desceu a escadaria e se encontrou com as duas no pé da escada.

— Olá sra Hudson - disse no seu tom esnobe de sempre; mal olhou para Emanuelle, e esta por sua vez fez de tudo para não ser notada; afinal se este senhor era feito seu irmão, provavelmente seus dons eram os mesmos, e ela não gostaria de ser tão inconvenientemente sondada, pelo menos não depois de uma noite difícil.

— Vindo importunar seu irmão à essa hora da manhã Mycroft? -alfinetou a senhora Hudson, no que ele respondeu com uma levantada de sobrancelha e um olhar de superioridade que só ele sabia fazer; foi quando notou a presença de Emanuelle, franzindo as sobrancelhas de forma questionadora, e antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa, a sra Hudson interveio:

— Essa é minha nova inquilina, Emanuelle, está no 221c há sete meses.

— Sete? pra mim é uma surpresa ter aguentado esse tempo inteiro morando logo acima do meu amável irmãozinho -disse no tom mais escarnecedor possível- diga minha jovem, por acaso já sabe do péssimo costume desse inconsequente de atirar nas paredes e desafinadamente tocar seu violino nas horas mais inconvenientes da madrugada?- perguntou em tom sarcástico, o que fez Emanuelle lembrar do episódio do tiro na parede, fazendo-a corar instantaneamente.

— Ah... já vi que conhece- falou triunfante ao ver o rosto da jovem ruborizar.

— Você é que não tem o menor talento nem noção musical, caro irmãozinho!- uma voz gutural irrompeu do topo da escadaria, e então desceu  em direção dos três; era o irmão mais novo seguido do seu fiel escudeiro, o experiente doutor.

— Que seja...mas pelo menos tenho noção do que é responsabilidade, principalmente para com meu país -falou em tom severo- deveria aprender com o seu amigo Watson essa lição de patriotismo e servir ao bem maior!

Percebendo que os clima poderia esquentar ali novamente, Emanuelle sentiu aquele peso terrível novamente na boca do estômago, então falou baixinho para sra Hudson, que estava à apenas alguns centímetros dela: preciso ir , se não posso perder a hor…

— Não se preocupe Manu, meu irmão está de saída agora- interrompeu o irmão mais novo, sem tirar os olhos do mais velho, percebendo a angústia na voz da jovem.

— “Manu”...é muita intimidade para tratar uma senhorita que está há sete meses há alguns metros da sua porta, não acha irmãozinho?- alfinetou o mais velho.

Automaticamente Emanuelle baixou o olhar , e o irmão mais novo estreitou os olhos e lançou um olhar desafiador para o irmão mais velho. Então subitamente Emanuelle ergueu a cabeça e, precedido de um suspiro, disse:

— Bom dia para vocês; sra Hudson, Holmes, Watson. E com um aceno com a cabeça se despediu daquele trio que atormentou sua manhã tão cedo.

“Minha nossa” bufava a jovem a caminho do metrô. Pesarosa e reflexiva Emanuelle pegou o trem com esperança de chegar a tempo no Hospital St Bartholomew. No caminho, novamente as memórias antigas a assaltavam, reavivadas pela tensão criada no 221b naquela manhã. No resto da viagem ela procurou pensar em como seria seu dia, para afastar aquela onda de ansiedade que tentava novamente invadir sua alma.

***

Um sedan preto estava estacionado na frente do 221b, e aguardava o mais velho terminar sua pequena reunião matinal com o mais novo. Poucos minutos após a saída de Emanuelle, Mycroft saiu do conjunto habitacional e foi em direção ao carro. Sua expressão era severa e aborrecida. Entrou  no carro e o motorista deu partida, e seguiu toda a viagem até o seu escritório em silêncio, até que num certo ponto, sua secretária, que não parava de teclar no seu celular, parou e perguntou:

— Ele não aceitou, estou certa?- Mycroft fez que sim com a cabeça e voltou a olhar para a janela do carro, até que enfim disse:

— O que meu irmão tem de genial tem de teimoso; quando um caso não o interessa, por mais importante que seja, ele o rejeita e volta a se sentar naquela poltrona velha e fechar os olhos como se fosse o rei do mundo-bufou Mycroft.

— Talvez tenhamos na inteligência britânica homens que sejam suficientemente capacitados para achar os responsáveis por esses atentados.

— Não...por mais que eu odeie admitir isso, Sherlock seria o único capaz de, rapidamente, solucionar essa questão e finalmente cessar com esses atentados terroristas pela cidade. Até cogitei em contactar a sra Watson para nos dar apoio, mas se meus cálculos estiverem corretos ela está próximo de dar à luz, o que não seria muito conveniente.

— As pessoas estão com medo - completou a secretária.

— Eu sei -disse pesadamente Mycroft, passando a mão pelos cabelos- por isso que eu esperava que ele concordasse em assumir esse caso...se não fosse toda essa pressão do governo em minhas costas, e as demais questões diplomáticas que eu tenho que lidar, eu assumiria e resolveria esse problema... mas não posso, tenho questões demais para lidar- disse num suspiro- e além do mais, tenho agora a vida de uma certa pessoa para pesquisar. A secretária assentiu com a cabeça e o resto da viagem foi feito em total silêncio.

***

No 221b, alguns minutos após a saída de Mycroft, Sherlock roubara alguns biscoitos da bandeja da sra Hudson e subiu para seu apartamento. Pegou seu violino e pôs-se a tocar uma melodia lenta e suave, um puro contraste com o furacão que passara ali pela manhã. John permanecia no andar de baixo e explicava rapidamente à sra Hudson os motivos da visita do irmão mais velho e a discussão de minutos atrás. Logo mais, John adentrou no apartamento e aproximou-se de Sherlock que ainda mantinha seus olhos cor de cristal fixos na janela, e então perguntou:

— Não vai mesmo aceitar esse caso?

— Pensei ter deixado isso bem claro há alguns minutos - disse sem nem se quer mudar de posição.

— Mas...é que às vezes você só diz não na hora, mas pelas costas de Mycroft você aceita o caso, só para irritar seu irmão - John teve a impressão de ter visto um risinho de canto de boca em Sherlock, então continuou- e como esse caso é muito sério, pensei que você o assumiria.

— Dessa vez não, é diferente.

— Diferente?

— Sim...não me envolvo nessas questões governamentais -disse enquanto aumentou propositalmente o ritmo em que tocava, como se quisesse parar a conversa ali, mas John continuou:

— “Não me envolvo nessas questões governamentais”?! Sherlock, inocentes estão morrendo! Você não se importa com isso?! Pelo menos uma vez deixe um pouco de humanidade e compaixão colocarem juízo nesse cérebro inumano…-Sherlock parou bruscamente de tocar e olhou irritado para John, e replicou:

— Mycroft tem gente suficiente para lidar com essas questões, e eu não sou mais um soldadinho de chumbo dele para prontamente obedecer os seus comandos- disse entredentes-  deixe os idiotas da Inteligência Britânica e da Scotland Yard cuidarem disso, e além do mais estou ocupado no momento - disse enquanto guardava o violino e por fim se jogou no sofá, onde colocou as mãos na frente do rosto e fechou os olhos, como classicamente sempre fazia, então John replicou:

— Ocupado?! você não pega um caso há mais de 3 meses! E não venha me dizer que tem a ver com aquele vídeo de Moriarty na televisão! Isso já faz um bom tempo, e ele está morto, como você disse!

— Justamente - respondeu abrindo rapidamente os olhos- estou ocupado esperando um caso interessante aparecer, e que não tenha a ver com pessoas do além túmulo - e se fechou em seus pensamentos.

— Inacreditável... - bufou John para si mesmo, e vendo que não convenceria o amigo, desistiu e sentou-se na poltrona que era sua, pegou um biscoito que Sherlock tinha deixado na mesa e o beliscou.

Dentro de poucos minutos o telefone de John tocou. Era uma mensagem de Mary perguntando se ele estaria livre para ir no shopping com ela para escolher as últimas peças do enxoval que estavam faltando. John se sentiu aliviado por ter um motivo para sair daquele apartamento, pois iria acabar perdendo a cabeça com o amigo; então rapidamente se levantou e comunicou a Sherlock:

— Preciso sair, Mary precisa de mim - disse enquanto se dirigia para a porta, então, antes de fechá-la, perguntou: Por sinal, porque você chamou sua vizinha de “Manu”? nunca você a chamou assim, na verdade, se bem me lembro, você nunca trocou mais do que três palavras com ela, salvo no dia que ela arrombou sua porta pensando que alguém tinha sido baleado aqui dentro - Sherlock dessa vez riu enquanto se levantava lembrando-se do episódio, o que fez John também rir baixinho, quando então respondeu:

— Mycroft não suporta a idéia de eu ser íntimo de alguém e ele não saber nada sobre essa pessoa. Então ele só vai sossegar quando souber até o hospital onde Emanuelle nasceu, logo dei algo para ele fazer- disse enquanto se dirigia ao banheiro.

— Minha nossa -disse em tom de incredulidade- quer dizer que você fez com que ele acreditasse que vocês eram íntimos para poder usar sua vizinha, que você mal conhece, como bode expiatório?

— Não, eu usei minha vizinha para distrair meu irmão para que ele saia do meu pé - disse num só fôlego, desaparecendo no final do corredor.

— Não sei porque ainda me surpreendo com essas atitudes - disse para si mesmo num suspiro- já que vai no banheiro não esqueça o jornal!!-  alfinetou para Sherlock, mas não obteve resposta. Então fechou a porta do apartamento e saiu.

O jornal que John se referira fora trazido por Mycroft naquela manhã, e estava sobre a mesa de centro, ao lado dos biscoitos. Sua matéria de capa dizia:

“ONDA DE ATENTADOS DEIXA A GRANDE LONDRES EM ALERTA”

Nos últimos dois meses, uma onda de terror tem abalado os cidadãos ingleses. Desde que a  “Lei do Véu” foi aprovada pelo grande parlamento britânico, um grupo de radicais terroristas libaneses, residentes em toda a Inglaterra, conhecidos como “Hukm Allah”; vêm fazendo vítimas por todo o país.

Segundo dados oficiais, o número de vítimas já chega a mais de 50 pessoas. Suas ações consistem, entre outras coisas, em disparos aleatórios por arma de fogo em público, motoristas kamikazes invadindo calçadas, e bombas caseiras instaladas em locais de grande circulação. “Segundo nossas fontes, esses terroristas objetivam que o parlamento volte atrás no que diz respeito à essa lei que proíbe o uso do véu integral muçulmano, mais especificamente ao uso da Burca e do Niqab, ‘fazendo pressão’ através da disseminação do terror entre os cidadãos ingleses”, disse o Inspetor Chefe da Scotland Yard, Gregory Lestrade.



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