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História Flor do dia - Capítulo 2


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Notas do Autor


boa leitura ♥

Capítulo 2 - A primeira flor


Seokjin se orgulhava de sua vida. 

Se orgulhava de ter sua escola funcionando com êxito e de exercer seu cargo, tanto de diretor quanto de professor, de maneira que diria ser quase perfeita. Se orgulhava do que fizera com a instituição nos dois anos em que já era responsável por sua administração, e se orgulhava também de ser um bom líder. 

Se orgulhava de sua casa perfeita e organizada, de no final do dia poder se acomodar em sua biblioteca particular e ler um livro, voltado apenas pelo silêncio. E nem iria começar a falar sobre seus gatos: comportados, adoráveis e a melhor companhia que podia desejar. 

Quer dizer, RJ tinha uma mania insistente de sempre se deitar na cabeça de Seokjin quando iam dormir, o que era um tanto irritante e atrapalhava o sono de seu dono, e RK gostava muito de derrubar suas cerâmicas apenas para vê-las quebradas em pedacinhos, mas todo mundo tem seus defeitos, certo? O que importava era que, no final do dia, Jin podia sentir que não estava sozinho. 

A vida de Seokjin era bem normal. Muitos iriam dizer (e diziam) que era chata demais ou metódica, mas ele gostava dela assim. Havia certa felicidade em ter um dia sempre igual ao outro, porque isso significava não precisar lidar com imprevistos e reviravoltas, nunca se encontrar em situações com as quais não sabia como lidar. 

Ele sabia que de segunda a sexta passaria o dia inteiro na escola, e então chegaria em casa, faria sua janta, assistiria a alguma coisa na TV ou na Internet, e então iria dormir. Nos finais de semana, se dividia entre momentos para cuidar de si mesmo, dar mais atenção a seus gatos, ler muito, escrever suas poesias, correr no parque próximo a sua casa, e olhe só, ele até saía com seus dois melhores amigos, e de vez em quando fazia uma viagem de carro até a cidade de seus pais. 

Naquele momento, estava dando uma última olhada no espelho, decidindo de vez se gostava ou não da roupa que escolhera. Era sábado, dia em que ele quase sempre saía com Hoseok e Yoongi, isso quando eles não decidiam fazer algum programa de casal, o que estava tudo bem para Seokjin, que se contentava em ficar em casa mesmo, quando era o caso. 

Mas naquela noite eles sairíam, e Hoseok escolhera um barzinho onde podiam tomar algumas bebidas e conversar. Normalmente, iam a lugares menos agitados, mas ultimamente o amigo parecia insistente para que frequentassem estabelecimentos com mais pessoas, e era óbvio que Jin sabia bem o motivo.

No entanto, para a completa frustração de Hoseok, Seokjin, como sempre, adentra o local sem nem olhar para os lados, e assim continua por todo o tempo em que ali ficaram. Hoseok sempre dizia que se ele não olhasse, as chances de encontrar alguém eram bem pequenas. E era quando Jin afirmava outra coisa da qual se orgulhava: ele estava bem assim. Não tinha pressa, a pessoa certa iria aparecer no momento certo. 

Tudo mentira. Ou melhor, Seokjin tentava não pensar nisso, e quando pensava, tentava acreditar no que dizia aos amigos. Não estava desesperado. Tudo no seu tempo. Porém, quando olhava para Yoongi e Hoseok, que mesmo com brigas e mesmo não sendo perfeitos, se amavam tanto e eram tão felizes juntos, Seokjin sentia inveja, e ficava difícil fingir que sua vida amorosa — ou a falta de uma — não o incomodava. 

Normalmente, a única coisa da qual não sentia orgulho era de seu desempenho como pai de plantinhas. Tinha um bonsai que estava para morrer, e não sabia mais o que podia fazer para reverter isso. Olhar para o vaso onde a planta ficava, em sua sala, era uma das duas ocasiões em que sentia arrependimento. Não devia ter gastado seu dinheiro naquilo.

A outra, era quando desejava ter com alguém o que via nos melhores amigos. É claro que torcia pela felicidade deles, é claro que se sentia feliz por Hobi ter encontrado alguém, e por esse alguém ter se tornado tão importante para si, mas quando pensava na relação dos dois, lá no fundo, se sentia mal. 

Pensar que os dois estavam completando seis anos juntos o fazia pensar que seu tempo de encontrar amor já passara. Devia ter feito isso na faculdade, onde tinha mais chances de conhecer e conviver com pessoas diferentes. Agora que já estava muito bem estabelecido em seu trabalho, que já conhecia toda a vizinhança de seu bairro e não tinha planos de ir para outro lugar, sentia fortemente que já fosse muito tarde. 

E era quando se arrependia amargamente por não ter vivido um pouco mais. 

 

A casa em que Namjoon vivia era menor do que seu jardim, e esse provavelmente era o mais bonito da rua, talvez até o da cidade. 

Isso devia ter alguma coisa a ver com o fato de ele ser um jardineiro. Aprendera o ofício com o pai, que lhe ensinava tudo o que sabia desde que Namjoon era bem pequeno. Ainda se lembrava quando o pai por vezes o levava para o trabalho e via casas enormes com jardins minuciosamente cuidados, mas não era com as plantas que se impressionava, e sim com as construções. 

Namjoon queria ser arquiteto, mas não tinha dinheiro para isso. Vinha de uma realidade simples; nunca lhe faltara nada do essencial, mas definitivamente não tinha condições de arcar com os custos de uma faculdade. Sendo assim, deu continuidade ao trabalho do pai, fazendo e cuidando de jardins de casas, empresas, clubes de esportes e recreação. 

Inicialmente, trabalhavam juntos, mas a idade chegou para o pai e suas mãos já não eram mais as mesmas; sem força para algumas tarefas, desajeitadas demais para outras. Namjoon passou a trabalhar sozinho, mas exatamente por esse motivo, ficou solitário demais. 

Ter conseguido a vaga de jardineiro na escola era considerada uma das melhores coisas que acontecera em sua vida. Ele adorava crianças, se dava bem com os adolescentes, e tinha amigos na maioria dos funcionários e professores. Sem falar no trabalho que fizera com o jardim daquele lugar, que era seu maior orgulho. Ainda trabalhava com os jardins em casas de pessoas ricas, afinal, precisava se manter, mas se pudesse, largaria tudo para se dedicar ainda mais ao colégio. Trabalhar lá o fazia verdadeiramente feliz, coisa que, por um tempo, ele acreditou que somente aconteceria se seguisse na arquitetura, mas os anos o provaram errado. Agora, tinha certeza de que nunca teria uma vida tão plena fazendo algo que não envolvesse suas flores. 

Namjoon morava sozinho. Quer dizer, em sua concepção, as plantinhas que preenchiam a casa do banheiro à cozinha eram uma ótima companhia, mas sim, ele era a única pessoa que vivia ali. Não se sentia sozinho no entanto, porque tinha amizade com seus vizinhos — uma delas era uma senhora adorável que sempre lhe convidava para tomar chá e ajudá-la a cuidar de suas flores — seus pais moravam perto, vinte minutos de distância se ele fosse a pé, e sempre que quisesse podia subir até a outra rua e ir em sua cafeteria preferida, comer um pedaço de bolo e conversar com o atendente, que também era seu amigo. 

Sentia que essas coisas seriam muito mais legais se feitas com outra pessoa. É, sentia. 

Gostaria de poder dizer a senhora Park que colocasse uma xícara a mais na mesa, e fazer o caminho até a casa de seus pais com sua mão entrelaçada a outra, e não se importaria de dividir seu bolo com alguém. Mas ele sabia que não se podia apressar o amor, e estava bem com isso. 

Acreditava que a pessoa certa apareceria na hora certa, quando ele estivesse pronto. E Namjoon tinha a sensação de que isso não demoraria mais tanto (ou assim esperava), pois estava pronto. Ele estava bem sozinho, adorava sua própria companhia, então sentia que alguém especial estava próximo de chegar para somar a felicidade que ele já encontrara consigo mesmo. 

 

Na segunda-feira, Seokjin estava desanimado. Não queria atribuir seu estado a saída com os amigos no sábado, ao fato de estar sozinho e desesperançado. Na verdade, fez questão de guardar esses pensamentos bem fundo em algum lugar inóspito de sua mente, e esquece-los lá. Sempre fazia isso, para ser sincero. Mas era a primeira vez depois de um bom tempo que não estava conseguindo ignorar o desânimo que aqueles pensamentos, mesmo que supostamente esquecidos, lhe causavam. 

Não entendia porque subitamente não conseguia parar de pensar nessas coisas, já que sempre foi tão bom em fingir que suas frustrações no âmbito de relacionamentos amorosos não existiam. Talvez porque não havia dormido bem, nem no sábado e nem no domingo, exatamente por causa dessas coisas que não saiam de sua cabeça. É, era difícil controlar a mente quando seu corpo estava tomado pelo cansaço. E ele estava exausto. 

Caminhou pela recepção do colégio a dentro, desejando um bom dia para os funcionários que por ali se encontravam. Durante a manhã, só ficaria dois períodos em sala de aula, pensamento que o aliviou. Amava seu trabalho, mas como todos os outros profissionais, tinha seus dias ruins. Por muitas vezes, esquecia seus problemas quando estava ensinando, adentrava o mundo da linguagem poética, mas essa não seria uma das vezes. Estava aéreo demais para conseguir focar em ensinar qualquer conteúdo, o máximo que seria capaz de fazer era se esforçar por duas horas. 

Foi andando pelo corredor até sua sala tentando encontrar as chaves em sua bolsa, e por não estar olhando o trajeto, tomou um sobressalto ao sentir-se pisar em algo que não era o chão. 

Olhou para seus pés, esperando encontrar qualquer coisa… Mas definitivamente não uma flor.


Notas Finais


espero que tenham gostado! até mais 🌼


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