História Flor do Infinito - Capítulo 60


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Monsta X
Personagens Hyung Won, I'M, Jeon Jungkook (Jungkook), Joo Heon, Jung Hoseok (J-Hope), Ki Hyun, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Hyuk, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Show Nu, Won Ho
Tags 2won, Abo, Alfa, Bottom! Jungkook, Bottom!jungkook, Hyungwonho, Jikook, Jimin Alfa, Jimin!top, Jookyun, Jungkook Omega, Jungkookbottom!, Kookmin, Lobos, Mpreg, Namjin, Ômega, Omegaverse, Showhyuk, Taeyoonseok, Top! Jimin, Top!jimin, Universo A/b/o
Visualizações 1.737
Palavras 10.279
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olaaaa!

Eu sei que a maioria deve pensar que a Yuki morre ou some durante o tempo em que eu não atualizo as fics. Bem... é quase isso mesmo >.<
Mas, né, eu mesma não acredito que estou postando esse capítulo. T.T

Como vocês já devem estar acostumados, tem textão nas notas finais então, peço que leiam, ok? haha.

E para todos que estão aqui, uma boa leitura <3

Capítulo 60 - Promessa e Juntos pela Eternidade


Fanfic / Fanfiction Flor do Infinito - Capítulo 60 - Promessa e Juntos pela Eternidade

É incrível como o mundo para e conseguimos observar absolutamente tudo e todos em nossa volta, quando nos encontramos em um momento decisivo.

Eu conseguia ouvir cada ofego ou respiração mais alta de todos que brigavam ali; conseguia perceber gotas de suor escorrendo em minha testa, assim como nas pessoas à minha frente; conseguia sentir as batidas rápidas e aflitas do coração de Jungkook, assim como seus olhos que se direcionavam aos meus. Conseguia sentir nossas marcas com tanta intensidade, queimando minha pele, ardendo em meu ser.

As gotas de água da tempestade que eu já previa finalmente começaram a cair, completando o quadro paralisado ao qual eu me encontrava, molhando o chão da sala através da janela quebrada, cujos cacos remanescentes tinham sangue tingido do guarda que havia caído ali minutos antes. Raios caíam repentinamente, enquanto o som dos trovões mutavam a confusão da sala do trono.

E como se completasse o quadro, eu poderia dizer que via cada gotícula cair em câmera lenta. Mas ao contrário e, ironicamente, parecia que os segundos haviam se evaporado para que minha mente pudesse pensar em algo para tirar Jungkook dali.

-Hani… deixe-o ir. - Tentei não erguer muito minha voz. Ela claramente não estava em seu juízo perfeito, e não era de hoje. Eu não poderia piorar uma situação delicada. - Hani, por favor. - A chamei de novo enquanto ainda encarava a faca em sua mão.

Olhei para trás rapidamente e vi meu appa se aproximar lentamente, com aquela superioridade intragável. Meus amigos estavam ocupados em seus próprios confrontos. Eu não tinha ninguém ali para me ajudar.

Teria de resolver sozinho.

-Hani! - Estendi as mãos levemente para cima. -Vamos, solte ele! - Meu orgulho se feriu, mas eu implorei uma última vez. Eu não devia cordialidades para ela, não quando a mesma e seu irmão nos fizeram sofrer tanto. Mas por Jungkook eu tentei um último apelo de uma abordagem sem violência, pela segurança dele próprio.

-Jimin… - A alfa finalmente se pronunciou. Sua voz, no entanto, me parecia calma demais. Me incomodava. - Sabe que não posso, não é? - Seu olhar era estranho. Não me transmitia uma aura sã. - Eu… nunca tive nada do que quis. Nada do que desejava… Eu nunca fui nada. - Começou a divagar. Olhei para Jungkook que tinha suas duas mãos em volta do braço de Hani, que o segurava pelo pescoço, junto do guarda. Os olhos do ômega me passavam o medo e ansiedade para mim através da marca, fato que só contribuía para que meu juízo se esvairasse a cada segundo. O lobo dele ansiava por minha proteção, e o meu pela sua segurança. Se a situação se estendesse por muito, eu não descartaria a possibilidade de meu lobo me enlouquecer novamente, como já havia acontecido antes.

-Vamos com calma... - Me aproximava devagar. Meu appa a essa altura apenas observava.

-Calma? - Ironizou. - Você não teve calma quando me trocou!

-O que?

-Nós estávamos prometidos!

-Sim, por um acordo entre diplomatas, contra minha vontade. - Fui sincero, mas ia me aproximando bem aos poucos. Me aproveitaria de sua distração para chegar perto o suficiente. - Tem de ser razoável, Hani. Eu nunca a troquei porque sequer chegamos a ter um encontro formal…

-Não! Eu… eu precisava ser importante! - Esbravejou. - Alguém a mais do que a mera sombra do meu irmão! - Percebi sua mão apertar a faca, a lâmina se afundando um pouco na pele de Jungkook, o suficiente para sangrá-la em um fio quase imperceptível, o que fez com que eu precisasse respirar mais fundo por breves segundos para me acalmar. O olhar do moreno alternava entre a alfa e mim. Eu não podia perder o controle, pelo menos não naquele momento. Embora já pudesse sentir minha pele ferver, e minhas unhas entrarem na pele de minha mão fechada com força.

-Vamos, Hani. Eu… ainda posso te perdoar de qualquer besteira que esteja planejando fazer. - Com certeza seria difícil, mas pela segurança de Jungkook, eu o faria se fosse preciso. Passaria por cima de meu orgulho. Me aproximei mais alguns passos.

-Não se aproxime! - Exclamou.

- Vamos, solte-o… por favor. - Nossa distância diminuiu. Eu via a hesitação no olhar da alfa. Isso era bom para mim. Para nós. Estendi minha mão para frente, devagar, no intento de chegar mais perto do ômega.

Eu precisava dele em meus braços o quanto antes. Precisava que tudo aquilo acabasse.

-É até aí que sua força de vontade vai, Hani? - Uma voz atrás de mim gritou. - É por isso que nunca vai deixar de ser uma sombra. - Meu appa!

Olhei para trás em ódio. Ele estragaria tudo o que eu tentei para acalmá-la.

-Pare! - Virei o corpo para detê-lo. Mas não podia me afastar, não agora que consegui chegar tão perto.

-E-eu… eu, NÃO! - Eu estava em um fogo cruzado. Instintivamente virei para frente para proteger Jungkook, e no momento em que a vi apertando a faca de novo, perdi parte dos sentidos para a raiva, o que me impossibilitou de ver a próxima ação de meu appa, que me imobilizou por trás.

-Não vê, Hani? Olhe para o pescoço desse que você está segurando. O que vê, hm?

-Uma… - Seus olhos varreram a pele de Jungkook, que permanecia imobilizado pela alfa e pelo guarda, com as mãos no braço dela. - … marca? - Seus olhos arregalaram, assim que foram para o que eu imaginei ser meu pescoço. A surpresa em seu olhar era quase palpável. Um alfa se deixar marcar era raro, um lúpus então… talvez imaginassem que fosse mais difícil.

Não que eles pudessem nos compreender. Só imaginavam que o faziam dentro de suas visões egoístas.

- Acha que pode tentar conseguir o que quer com essa sua força de vontade medíocre? - Gritou para ela. - E você, acha que consegue me envergonhar mais do que essa palhaçada? Acha que eu não vi essa porcaria no seu pescoço assim que entrou aqui? - Senti sua mão grosseira virar meu pescoço. - O que acha que estava fazendo?

- Isso nunca foi da sua conta! - Exclamei de volta, já sentindo as presas saírem de raiva. - Me largue!

-Pare você! - Hani exclamou. Eu via o objeto cortante novamente apertando a pele de Jungkook. Eu estava imobilizado por ameaças contra ele. Que merda! - C-como… como pôde me trair assim, Jimin? - O rosto dela… derramava lágrimas? - Eu… tentei de tudo para que eu te agradasse. No fim… nada importa quando se tem um ômega à vista, certo? - Seu rosto transformou a expressão chorosa de repente, para uma de pura raiva. - Igual a omma dessa coisa! - Pude ver a expressão de Jungkook estancar assim que ouviu sobre ela. Os olhos arregalados, agora possuíam traços de lágrimas bem aos cantos. Pequenas, mas perceptíveis. - Por causa dela tivemos tantos problemas no reino, até hoje! E ele também, olha onde estamos agora! Onde você está, onde seus amigos estão! Todos vocês, eu… tudo por causa dele!

-Tudo por causa de intolerância, e ignorância de quem não aceita o diferente, e pune o lado fraco em proteção ao forte… - A voz de Namjoon ao fundo me pegou desprevenido. Consegui olhar de soslaio para onde eles estavam, e vi que o alfa já havia se livrado do guarda que o atrapalhava, assim como meus amigos. Estávamos em maioria ali… mas por enquanto. Nada superaria o exército que o castelo tinha, e mesmo que alguns pudessem ser leais à nós, sabíamos que a maior parte não seria. Precisávamos agir rápido. Eu precisava sair daquela imobilização por ameaças. - Tudo poderia ser evitado… tanta tristeza poupada, se apenas soubéssemos a verdade, e tentássemos resolver os problemas.

-Você acha que a verdade sempre é a solução, meu conselheiro? - A pergunta de meu appa foi carregada de ironia. - Então me diga: Como acha que nosso reino, o reino dos Jeon, a nossa sociedade, vai ficar se, por um acaso, descobrirem todos os segredos que nos reis guardamos desde o tratado. Hm? Acha que todos aceitarão tudo tranquilamente? Acha também que, mesmo que aceitem e os ômegas voltem a surgir, acha que as “barbaridades” que ocorriam ao passado jamais retornarão a existir? - A sala ficou em um silêncio agonizante. E embora eu ainda focasse todo meu olhar em Jungkook, às palavras do rei ecoavam em minha cabeça, assim como um podia ver que na do ômega também.

-Assim como nada é absoluto, não podemos dizer que nada de ruim acontecerá. - As palavras de repente saíam da minha boca, automaticamente, embora minha mente estivesse totalmente turbulenta. Quase se como não fosse só eu falando ali naquele momento. Eu sentia a presença de Shin em minhas palavras. - Assim também não podemos garantir a segurança dessa maneira, assim como nunca poderemos garantir em nosso reino. Crimes sempre ocorreram, pessoas ruins ainda vagam por aí, eventos miseráveis criam situações inevitáveis, e não somos onipresentes ao ponto de prevenir desastres e coisas ruins a todo momento. Mas esconder uma verdade tão importante, a verdade sobre parte de nossa origem como humanidade é mais que absurdo. E se os ômegas voltarem a existir, cabe a nós proteger essa espécie como igual, como sempre deveria ter sido.

-Quem você acha que é para me retrucar assim?- O rei cuspiu as palavras. Tentei me aproveitar de seu descuido para desvencilhar de seu braço, pronto para ir para Jungkook. - Não se atreva a mexer! - No mesmo momento o guarda junto de Hani fez menção de machucar Jungkook. Eu estava voltando ao ponto de perda de controle novamente. - Isso é triste, para dizer o mínimo… - O rei lamentou. - Meu próprio sangue, meu filho de raça superior, não entende o sacrifício e quinhentos anos de história para proteger nosso povo, e prefere que um desejo seu para com um ômega o cegue, e destrua tudo o que penamos para manter em pé.

-E aí? Acha que matando todos os ômegas inocentes que nascem tira a responsabilidade de alfas que não sabem se controlar? - Taehyung perguntou, ácido. Consegui olhar para eles, e notar que estavam em posição de alerta. Haviam conseguido se livrar dos guardas, e até o momento, não havia chegado mais nenhum. Mas isso não adiantava em nada, já que Jungkook estava imobilizado, e eu sem ter como agir, pela segurança do próprio ômega. - Acha que mesmo depois que nossa época passar, vai valer a pena continuar com isso? Até quando vocês, reis, acharão certo punir e matar uma raça inocente, que nosso mundo sequer sabe que ainda existe, para manter esse segredo sujo? Um segredo que atesta incompetência e egoísmo.

-Bem… quando minha época passar, caberá aos próximos soberanos decidirem isso. Eu posso morrer sabendo que cumpri o papel que prometi cumprir quando coloquei a coroa em minha cabeça.

Como eu nunca percebi quem era meu Appa de verdade? Em toda essa situação, eu me via esquecendo o que vivi anteriormente, como se minha vida antes de encontrar aquela campina nunca tivesse existido. Como também se a única imagem que eu tinha do rei agora fosse a de uma pessoa puramente desprezível e egoísta. Talvez eu estivesse tão cego quanto ele, por motivos diferentes. Ele pela arrogância, e eu pela ignorância.

-Agora, vamos acabar com isso. De uma vez. - O percebi fazer algum sinal atrás de mim. - Termine essa palhaçada de uma vez.

E eu que e mantive quieto ali para que Jungkook não sofresse, de repente vi o movimento dos dois alfas segurando o ômega, e pronto para fazer sabe-se lá qual atrocidade.

Eu sei que não esperei para ver. E como se o mundo novamente andasse em câmera lenta, vi os olhos do ômega me fitando profundamente. Embora sua expressão fosse, talvez, indecifrável para quem não o conhecesse, para mim, dizia mil coisas. Medo, ansiedade, coragem… e esperança em mim. Ele sabia que eu o ajudaria. Assim como eu sabia que o salvaria, custe o que custasse.

Alavanquei meu corpo para frente. O movimento inesperado fez com que meu appa me soltasse. Mas não foi o bastante para escapar de seu agarre, que logo voltou, me impedindo de ir diretamente para Jungkook, fincando suas unhas em meus braços.

Virei meu rosto, rosnando alto para aquele que eu já não considerava mais nada meu, pronto para atacá-lo se fosse preciso.

-ME LARGA! - Gritei em plenos pulmões, usando automaticamente minha voz de comando, carregada pela raiva e sentindo todos a volta tremerem. Puxei meu braço para mim, e ignorando totalmente a dor das unhas ainda em minha pele, repuxando. Virei meu corpo. Iria até Jungkook nem que precisasse carregá-lo junto.

-Chega! Agora! - Mas não precisei fazê-lo. Antes que pudesse notar, o peso no meu corpo, e as mãos que me prendiam não estavam mais lá. Não fiquei para ver, mas pelo canto dos olhos pude ver minha… omma? - Pare de machucá-lo!

Não parei para prestar atenção. Jungkook estava lutando ali para que não fosse ferido. E mesmo assim, ele estava em menor número. Corri em sua direção, onde logo puxei o guarda que ajudava Hani. Tentei jogá-lo para longe, com toda a violência que meus sentimentos carregavam, mas ele também era treinado, e mesmo que eu tivesse a vantagem, ele soube se defender.

Consegui tirá-lo de Jungkook, mas me via preso com ele ali, enquanto o ômega ainda tinha Hani o segurando. Nesse momento ele voltou a se debater. E meu maior medo ali era o instrumento na mão da alfa que estava completamente fora de si.

O alfa que, agora, rolava comigo ao chão me impedia de sequer ver os dois perto daquela maldita janela. Mas pude observar rapidamente que Jungkook estava se defendendo. A faca havia caído ao chão, mas estava ali em volta deles. Eu precisava sair dali! Tomei impulso e me coloquei por cima do guarda.

Porém, antes que pudesse atacá-lo, ele bloqueou novamente.

-Me solte! - Gritei para ele, que por uma fração de segundos estremeceu. Aproveitei da chance para me levantar. E mal terminei de me erguer, vi Taehyung vindo me ajudar. Os outros estavam na porta, bloqueando os outros guardas que, à essa altura, haviam chegado ali.

O beta segurou o guarda do chão, o suficiente para que eu levantasse e fosse até Hani. Assim que dentro de meu alcance, pulei na alfa, que na hora brigava com Jungkook. Naquela altura eu já não me importava com nada. Ver o ômega em perigo era o bastante para que eu apenas quisesse que tudo ali acabasse, fosse como fosse.

E na primeira oportunidade, quando Jungkook se afastou minimamente, eu pulei na alfa, que sem esperar meu impulso, ficou presa na parede, ao lado da janela.

-Agora chega! - Gritei. - Chega de tudo isso. Terminamos aqui! - Eu não era um assassino, e por mais que meu lobo pedisse por isso, eu não a mataria. Mas nunca esqueceria também. Então, quando falei, seus olhos amedrontados sequer abalaram minha raiva ou repúdio. - Vá embora. Eu nunca mais quero te ver aqui. - Entonei a voz para mostrar o quanto as ameaças estavam explícitas em minhas palavras. As unhas a ponto de machucar a pele.

-E-eu…-

-Responda! - Gritei.

-Sim….

-... Ótimo. Agora suma... Da próxima vez não a pouparei. - Soltei seu corpo que tremia, antes sustentado por mim e escorado na parede. Meu sangue ainda fervia, mas a segurança do ômega estava garantida, pois eu estava ao seu lado. Isso, para minha parte racional já bastava.

-Jungkook, está tudo bem? - Me abaixei para ficar a altura do moreno, que estava sobre os joelhos. Seu rosto estava assustado.

-E-estou… Estou. - Seus olhos foram para os meus, demonstrando a verdade em suas palavras. Eu via parte de sua pele que tinha sido cortada. - Não foi nada. Eu estou bem… - Me assegurou. Ainda não havíamos terminado ali, sendo realista. Mas a pior parte já havia passado. Só faltava…

-Jimin! - Antes que eu pudesse reagir ao grito de quem quer que tenha sido, senti meu corpo ir para o lado. Jungkook havia me empurrado, e só consegui ver um corpo vindo para onde nós dois estávamos. Meu appa novamente. Olhei para trás, o suficiente para captar que ele teve ajuda de outros guardas que chegaram. Até mesmo minha omma estava no meio naquela altura, mas ele havia conseguido sair. E veio até nós de novo.

E jungkook que me jogou para o lado, recebeu o encontro com o corpo do rei. O que eu não esperava, e provavelmente o soberano também, era lembrar da tempestade que ocorria ali. A janela quebrada ajudou a água que caía, molhar todo o piso na beirada.

A força com que o rei se jogou foi tanta que os dois corpos escorregaram pelo piso, indo em direção à janela. Eu só tive tempo de me levantar e correr até lá.

-JUNGKOOK! - Gritei, esticando as mãos. O ômega estava embaixo do corpo do rei, mas por um milagre consegui segurar sua mão. Rapidamente juntei a outra. Mas ainda assim, eu acabei sendo levado pela força do empurrão. O alfa por cima tentou segurar parte da janela, mas como a estrutura já estava danificada, a parte que agarrou se soltou, quebrando mais estilhaços de vidro. E a seguir os corpos sumiram da minha linha de visão.

A borda da janela chegou mais perto e finalmente foi palpável, ao que as gotas grandes da tempestade molhavam meu corpo pendurado na borda. A adrenalina veio ao pico. Sequer pude sentir os vários cacos que estavam ao chão machucarem meu corpo. Ou do meu machucado no peito, resultado do último confronto na campina. Vindo uma força enorme, consegui parar meu corpo de escorregar, bem quando meu peito passou pela janela.

O que importava era que eu tinha conseguido segurar Jungkook.

Graças a tudo o que era mais poderoso. Olhei para baixo, vendo o moreno extremamente assustado pelo quase queda, que seria grande.

A queda na qual o rei não conseguiu escapar. Seu corpo jazia ao chão, estirado e inerte, tingindo sua volta com o vermelho do sangue que espalhou.

-Te peguei! Não vou te soltar. - Assegurei para o ômega, que no mesmo instante acenou positivamente para mim. - Aguente firme. -Eu era forte. Não estava em minhas melhores condições, mas a situação me dava forças descomunais. E mesmo com dificuldades, comecei a puxá-lo para cima com minhas duas mãos. - Vamos!

Assim que puxei mais para cima, o ômega segurou a borda da janela e fez força para subir também.

-Jimin! - Taehyung chegou perto de nós novamente, dessa vez livre, e ajudou o ômega a terminar de subir.

Jungkook finalmente colocou os joelhos no chão, usando-os junto das mãos para apoiar seu corpo. Sua respiração estava tão ofegante quanto a minha. Seu rosto mirava as próprias mãos, enquanto meus olhos procuravam algum sinal de machucados maiores.

Mas logo voltei ao estado de alerta e virei meu corpo, pronto para enfrentar qualquer um que pudesse tentar algo idiota. Porém, diferente de poucos segundos atrás, o único barulho presente agora era o da tempestade, que aos poucos ia cessando também.

Os guardas que até aquele momento impediam Namjoon e os outros me ajudarem, agora permaneciam parados, em pose de rendição. Meus amigos estavam aparentemente bem. Minha omma com a expressão indecifrável enquanto olhava para nós e a janela.

E Hani… ela ainda estava ali, inerte, inexpressiva, encolhida.

-Minnie…? - Virei para o ômega, que ainda tinha a expressão um tanto apreensiva.

-Calma… Tudo acabou…

-Jimin? - Minha omma chamou. - Seu… Ele… - Não terminou as palavras. Mas não precisaria. Eu entendia o que ela queria dizer. E assim, acenei negativamente. Não havia chances de que o Rei havia sobrevivido à queda. Não com aquela poça de sangue que se formou instantaneamente em sua volta.

-Está acabado. - Findei aquele assunto. Respirei fundo e me levantei. - Está tudo acabado. - Olhei para meus amigos, assim como os guardas ali. - Está… - Me senti tonto.

Toda a adrenalina pareceu ter sumido subitamente, e minha visão ficou turva.

-Minnie… - Apoiei minha mão direita em Jungkook, como um reflexo. Meu corpo enfraqueceu. - Minnie? Ajuda! - O ômega gritou. Sentir meus olhos demorarem a piscar enquanto eu sentia uma ardência incômoda. Olhei para baixo, vendo parte do meu peito sangrando.

Foi por causa da janela? Dos cacos, talvez? Ou meu machucado de antes… Não tive mais que alguns segundos para continuar a pensar, pois logo a escuridão veio, assim como não consegui mais sustentar o peso do meu corpo.

 

(...)

 

-Calma… tudo vai ficar bem… Eu sei disso.

-Eu sei disso… Mas é tão… difícil. Eu queria que ele voltasse logo. - Senti um aperto em minhas mãos.

Onde eu estava? Por que eu ouvia vozes sem ver os donos de tais? Por que eu sentia tanta dor? E por que além dela, eu também sentia um conforto grande, junto de um calor perto de meu braço? Meu corpo podia estar doendo, mas minha marca me dava uma sensação mista de ansiedade e conforto.

Tantas perguntas surgiram de repente, como se eu estivesse dormindo até aquele exato momento. E podia jurar que sonhei também. Sonhei com… uma janela?

-Minnie? - Jungkook me chamava. - Parece que ele está… acordando?

-O que?

-Ele está! Está acordando! Minnie!

Foi com dificuldade que abri os olhos, me deparando com a luz um pouco forte que vinha da grande janela ao meu lado, mas que logo foi tampada pela visão de um rosto choroso, um pouco inchado, e bem avermelhado. Jungkook…

No segundo seguinte o senti afundar o rosto em meu pescoço, e me abraçar com cuidado, mas com “força”. Seus braços encontraram repouso nos travesseiros. Onde eu estava?

-Você está na enfermaria. - Olhei para o lado, vendo que Taehyung estava ali, e que o mesmo havia respondido minha pergunta mental. Seu rosto igualmente cansado. - Como se sente?

-Perdido… o que houve? - Eu tentava me lembrar de alguns detalhes, mas apenas borrões mal formados passavam em minha mente. A sala do trono, os guardas… Hani... - O rei! - Exclamei, tentando levantar, mas sendo impedido pelo ômega que ainda me abraçava. - O que aconteceu? Como-

-Hey, calma. - Namjoon apareceu na porta da enfermaria. - Vejo que acordou bem… agitado. Vamos com calma.

-Namjoon, me diga o que aconteceu. Há quanto tempo eu estou aqui?

-Primeiramente… fico feliz que tenha acordado, meu amigo. - Suspirou, com um sorriso calmo nos lábios.

- Você ficou aqui alguns dias. - Jungkook respondeu minha pergunta. A voz baixa, seus dedos segurando parte do tecidos de minhas roupas. - Foi horrível, eu… nunca mais quero sentir isso de novo…

-Como? - Tentei levantar, mas novamente a dor em meu peito se mostrou.

-Você é um maldito sortudo. - Tae exclamou. - E muito abusado também. - Seu semblante passou para um preocupado, enquanto o via se ajeitar na poltrona ao lado de meu leito. - Nós dissemos para você não se esforçar muito por causa do seu machucado.

-Mas eu fiz isso! - Respondi. Pelo que eu lembrava… - Nem me transformei.

-Certo, mas ainda exagerou.

-Quando tentou me salvar na janela, seu corpo se machucou nos cacos no chão… - Jungkook falava. - E por todo o esforço, seus pontos abriram depois que tudo se acalmou. E aí… eu te vi desmaiar… de novo. - Suas mãos me apertaram com força, mas não de maneira dolorida.

-Você ficou desacordado por quase dos dias. - Tae explicou.

-E como estão as coisas? Digo, e agora-

-Calma. - Namjoon se sentou na cadeira vazia. - Estamos fazendo tudo em nosso alcance.

-Como?

-Bem… a essa altura, Jimin, imagino que você se lembre do… rei. -Sim, eu me lembrava. E acenei com a cabeça, devagar, mas atento. - Nossa ações poderiam ser, facilmente, interpretadas como traição. Na verdade, temo que fosse isso mesmo. Claro, para quem não estivesse a par de nossos motivos. - Suspirou. - Você, porém, era o filho do rei, além de nós, Eu, Taehyung, Yoongi termos cargos importante aqui. O que poderia ser retaliado imediatamente em nome de traição, foi, na verdade, visto como rendição para os guardas.

-Como? - Perguntei.

-Depois que você levantou, acho que a guarda tomou sua derrota. Afinal, eles estavam apenas obedecendo ordens. Embora Yoongi tenha ficado furioso com isso, ele poupou alguns cargos dos que nos enfrentaram.

-E depois?

-Sua omma… ela.

-Ela…? - Teria feito alguma coisa a mais para nos prejudicar?

-Bem, ela assumiu posição. - O olhei confuso. - Imagino que você esteja pensando o mesmo que eu pensei naquela hora. - Sorriu leve. - Depois que você desmaiou, acho que ela finalmente acordou pra vida. - Seu tom irônico quase palpável. - Acho que ver seu próprio filho naquele… “estado” a fez tomar alguma atitude.

-Eu ajudei Jungkook a te segurar, Jimin. - Taehyung começou. - E os outros vieram até nós, caso alguém mais tentasse nos atacar. Mas nessa mesma hora a rainha entrou no meio e ordenou que tudo ali parasse. Nós estranhamos, e Yoongi até achou que os soldados não a ouviriam, pois a figura de autoridade desde sempre tinha sido o rei. Mas… acho que tê-lo visto morrer pela queda foi o suficiente para pararem. Depois disso a rainha ordenou que o levássemos para enfermaria, e então, você está aqui.

Minha omma havia desafiado meu appa? Isso sim era muita coisa para absorver. Em toda minha vida, nunca a tinha visto desafiá-lo.

-E como os outros estão? Não sinto que acabou ainda. - Torci a boca. Seria extrema ingenuidade achar que todos nossos problemas se resolveriam com a morte do rei. Morte essa que ainda me custava um pouco a acreditar. Tirando toda a adrenalina daquele momento, no fim meu appa havia morrido. Por mais que eu só tenha visto suas verdadeiras cores no final de sua vida, eu não era um monstro para não sentir tal perda.

-Yoongi foi se resolver com a guarda pessoalmente, depois que tudo se acalmou. Parece que ele mandou muita gente embora. Acho que ele disse que montaria uma guarda especializada e de confiança, como uma outra patente acima, que ele sabia que seriam leais. Isso são apenas ideias, por enquanto. - Namjoon voltou a falar. -Assim que vimos as intenções da rainha, nos pusemos a ajudar também. Contra a vontade de sua Omma, nós não fomos descansar. Ainda podíamos ajudar.

-E Jungkook? - Perguntei, alerta.

-Ela o permitiu ficar aqui. - O beta sorriu, mas logo suspirou. - Sabe, Jimin… o rei pode ter dito e feito muitas atrocidade. Mas um ponto particular, eu acredito que ele tivesse razão.

-E qual é? - Perguntei, seco.

-Nossa sociedade viveu na mentira e na ignorância por centenas de anos… Sou otimista de pensar que muitos aceitarão Jungkook como a espécie que ele é, e que eventualmente os ômegas possam reaparecer em nosso mundo. Mas… imagino também que nem todos vão aceitar numa boa. - Seu olhar abaixou. - Digo…-

-Tae, vamos resolver estas coisas depois. - Namjoon o cortou. - Por hora, Jimin acordou, e isso já é o bastante. Agora precisamos que você se recupere bem, meu amigo. - Sorriu. - As novas responsabilidades não serão exatamente fáceis. Mas não é como se todo esse tempo nós estivemos vivendo do modo fácil, não é mesmo? - Se levantou. - Deixaremos você descansar agora. Mas lembre-se, há muito a ser feito ainda. - E saiu, junto de Tae que ainda acenou quando passou pela porta.

E de repente, estávamos sozinhos novamente.

-Jungkook? - Perguntei, assim que o silêncio reinou.

-Hm?

-Como se sente?Está bem? - Para minha surpresa, ele levantou o rosto, me olhando “bravo”. - O que foi?

-Você que está na cama, de novo, e ainda me pergunta como eu estou? - Seu tom indignado subiu.

-Claro! Você poderia ter se machucado na janela e-

-Chega! - Ele gritou comigo. - Você… abriu seu pontos quando me puxou para cima na janela. Você poderia ter morrido caso não estivéssemos aqui, e o castelo não oferecesse serviços médicos. Tem ideia de como eu fiquei? - Seus olhos encontraram com os meus. - Pare de me fazer sentir agoniado por você estar em perigo. É um sentimento horrível. - Senti o ômega afundar o rosto em meu pescoço novamente. Mas não pude segurar um risinho. - Está rindo de que?

-Do quão irônico isso foi agora. - Suspirei. - Sabe, não é como se eu não tivesse sentido isso em relação a você, assim…. várias e várias vezes. - Sorri. - Mas acho que no fim, se estamos assim no fim de tudo, nosso esforço valeu toda a pena, não é?

O ômega ergueu o rosto e desviou o olhar. Um leve tom rubro pintava suas bochechas.

-É… acho que sim. - E para minha surpresa, seus lábios selaram os meus. O moreno se levantou rápido depois disso, caminhando até a porta.

-Aonde vai?

-Ajudar Jin. Você precisa descansar, e comer. Eu vou trazer comida depois.

-Mas.

-Até mais. - E sumiu antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa.

Suspirei novamente. Desde que eu acordei, parece que um turbilhão de coisas aconteceram. Olhei para meu peito, onde novamente haviam arrumado meus machucados. Maldita flecha aquela que me acertou. Não fosse ela, eu não estaria aqui, enquanto os outros estavam fazendo alguma coisa.

Mas eu sabia que não poderia contrariá-los. Caberia a mim esperar, pelo menos o mínimo para sair daqui. Quando eu percebesse o menor sinal de melhora, eu sairia e ajudaria no que fosse.

 

(...)

 

Claro que por eles eu mofaria naquela cama da enfermaria. Mas depois de tanta insistência, e eu dizer que não precisaria mais me esforçar, pelo menos não fisicamente, me deixaram sair daquele canto agoniante, para poder, finalmente, ser útil naquele castelo.

E como Namjoon havia dito dois dias após eu ter me levantado, havia realmente muito a ser feito.

Sendo realista, havia muita coisa mesmo. Até porque um confronto como ocorreu aqui, não demoraria a ser notado pela cidade em volta do castelo. Logo, rumores surgiram, assim como nossa volta. O povo me tinha como desaparecido, e meus amigos, inclusive Jungkook, como procurados.

Minha omma, com a influência que ainda tinha como rainha, tentou ao máximo abafar tais rumores. Na pior das hipóteses algum reino vizinho poderia querer se aproveitar de nossa debilidade. Quem sabe algo muito pior…

Pois nesse quesito, conseguimos manter a calma de nosso povo. O que chegou ao ouvido da cidade foi a parte da verdade:

O rei havia morrido.

Não divulgamos os detalhes. No fim, realmente nem todas as verdades poderiam ser ditas. Tratar nosso rei como traidor nos prejudicaria, e muito, na questão política. Afinal, dependíamos de outros reinos, assim como eles de nós.

Resolvemos deixar as causas de tal tragédia como “assunto confidencial”. Parte da soberania de um reino permitia manter em segredo aquilo que o próprio achava desnecessário compartilhar com os outros.

Claro que, vendo agora, muitos segredos, até demais, foram mantidos encobertos por tanto tempo… alguns sequer deveriam ter se tornado segredos…

Ainda assim, foi realizado o funeral do antigo Rei. Embora soubéssemos a verdade, o povo não tinha esse conhecimento e, como era o costume, seu funeral foi feito. E por mais que eu odiasse ao fim de sua vida, não consegui… não comparecer.

A cerimônia, no entanto, me pareceu vazia. Depois que descobri a verdade sobre sua pessoa, meus sentimentos congelaram em relação à ela. E não importa o quanto culpassem a ignorância. Sua intolerância para com tudo o que aconteceu foi inescusável.

E junto de seu sepultamento, senti como se aquela etapa de minha vida estivesse enterrada também. Dali para frente seria nosso futuro, sem segredos do passado.

Assim, algum tempo se passou, algumas semanas. E nosso reino foi voltando ao normal. Com a ajuda econômica do Reino vizinho, dos Jeon, conseguimos reconstruir o que foi destruído e não sofrer prejuízos maiores com relação aos outros reinos.

Por sorte, o Reino dos Jeon era um de grande influência na Ordem, e seu apoio para conosco nos ajudou a nos manter no lugar. Com ajuda do Rei, também, conseguimos trazer Hoseok em segurança, que ficou na clínica da pequena cidade até nosso castelo.

Lembro de como foi ver Yoongi todo emotivo de novo, e me certifiquei de registrar, afinal, aquele era um evento de uma vez em mil anos. Eu guardaria para boas lembranças, e até deboches futuros. E assim, o Alfa ficou em repouso comigo como colega de quarto da enfermaria por algum tempo. No fim, eu acabei tendo alta antes.

Com relação à Hani, foi outra situação um tanto complicada… digamos. Junto do Rei, eu não nutria outro sentimento que não os negativos para com ela. Pouco tempo depois que me recuperei, Namjoon me disse que a rainha havia a aprisionado em um dos quartos de hóspede.

Claro que minha vontade era muito mais maligna e vingativa, mas segundo o alfa disse, essa era a melhor decisão enquanto remediávamos a situação toda. Querendo ou não, Hani ainda era uma princesa, e do reino vizinho, o mesmo reino que nos estava ajudando economicamente. Não poderíamos dar mais motivos para algum possível desentendimento com os outros reinos.

No fim, porém, minha omma disse que a decisão seria minha a ser tomada. Eu decidiria o que fazer com ela.

E por mais que minha vontade fosse a de vingança por todo o sofrimento causado em nós, eu não consegui ser tão ruim quanto ela, ou tão ruim quanto seu irmão havia sido. Cabia, no entanto, decidir o que fazer com ela… e com todo o resto de nossos problemas pendentes.

E eu ainda poderia dizer que essa era a parte mais “fácil” dos afazeres. O problema realmente era a outra parte.

-Jimin?  - Taehyung entrou no quarto onde eu estava, sozinho, e pensante.

-Oi?

-Está pronto?

-Me pergunto se eu poderia dizer que sim…

-Vamos, meu amigo. - O beta se aproximou, me abraçando pelos ombros e sentando ao meu lado, no sofá. - Eu acredito em você. Todos nós.

-Eu sei… preciso acreditar em mim também.

-Com certeza. Jimin, olha tudo o que nós passamos. - O acastanhado me fez olhá-lo. - Namjoon com certeza já deve ter dito isso para você em algum momento, mas eu repito e digo que todos nós não hesitaríamos passar por tudo de novo, se fosse para chegar onde nós chegamos. Podemos ter sofrido, mas salvamos uma vida importante, descobrimos algo que nos foi escondido por anos, e encontramos Jungkook. Não acha que valeu a pena?

-Claro que acho!  -Exclamei. Nenhuma dor no mundo me faria arrepender de tudo o que aconteceu. - Mas e agora?

-Agora nós temos certeza de que você nos guiará pelo caminho certo, como fez até agora. E caso tenha dúvidas, estaremos aqui para te ajudar. Nós, Jungkook, Shin e os outros. Você nunca esteve sozinho, Jimin. E nunca estará. Nunca se esqueça disso. - E depois de um breve silêncio o beta se levantou. - Estaremos te esperando do lado de fora. Você sabe o que fazer, e sei que fará muito bem. Tenha mais fé em si mesmo. Nos vemos logo. - Fechou a porta, me deixando com meus pensamentos novamente.

“E então… está pronto?”

“Até você!” Exclamei para Shin ao ouvir sua voz.

“Ora, sabe que eu estou aqui todo o tempo. Só resolvi falar um pouquinho. E agora?”

“E agora, você diz. E agora que eu sinto parte do peso de uma nação nas costas.”

“....Bem, eu talvez não possa te ajudar no campo de experiência porque… como você sabe, eu deserdei meu trono, e abdiquei de quem eu era. Um ato que hoje eu penso que poderia ter feito diferente.”

“Diferente como?”

“Diferente como vocês fizeram. Sabe… eu, igual você, prezei pela segurança de meu ômega. Mas nos divergimos quando pensar no que fazer a seguir. Eu me escondi, preferi viver minha vida com Hyungwon na campina. Pensei em nossa segurança, mas não pensei em minhas responsabilidades como  príncipe. Eu abdiquei de meu título, mas me esqueci que antes dele me tornar filho do homem que eu desprezava, ele também me tornava alguém com grande poder e responsabilidade. Com poder para mudar o mundo em que vivíamos, mudar o mundo para as futuras gerações… para a sua própria geração, quem sabe. Ao invés disso, eu decidi fugir de tudo. Mas vocês não. Vocês, seus amigos, Jungkook, resolveram enfrentar o que fosse.”

“Bem eu… também fiz isso por Jungkook.”

“Eu sei. Mas isso não tira o mérito de suas ações. Vocês poderiam ter fugido da campina e ido para qualquer outro lugar quando saíram do castelo  dos Jeon. Poderiam simplesmentes esquecer quem era, e viver uma vida afastada… Mas vocês voltaram, e essa é nossa principal diferença. Você lutou pelo que era mais importante, e tenho certeza que suas ações serão lembradas como alguém nobre. E eu não tenho dúvidas de que você conseguirá se sair bem agora também. Como seu amigo disse, você não está sozinho.”

“Obrigado.”

“Sempre que precisar, e mesmo quando achar que não precisa, eu vou estar aqui. Não se esqueça. Não vai se livrar de mim tão cedo, nem tão fácil” Falou em tom de brincadeira. Mas era bom ter mais uma segurança. Eu estava mesmo pronto para fazer aquilo.

E eu tinha certeza dessa vez.

Me levantei, com cuidado para que minhas roupas excessivamente compridas, em minha opinião, não me fizessem tropeçar. Elas me incomodavam até certo ponto, até porque estavam por cima de meus novos curativos. Estes eram mais por precaução, já que eu já tinha praticamente me curado dos machucados.

Mas com relação às roupas, não havia nada que eu pudesse fazer realmente. Era um código de vestimenta no fim das contas. Eu só deveria ser firme, e passar pela cerimônia sem maiores problemas. Eu sabia que conseguiria.

Fui até a porta, respirando fundo antes de ir começar a caminhar até meu destino.

Até a sala do trono.

O caminho não era longo, mas os segundos pareceram congelar enquanto eu observava o céu azul, adornado de algumas nuvens, pela grande janela do corredor. O dia estava bonito e, milhões de pensamentos invadiam minha mente enquanto eu caminhava. Alguns ruins, outros nem tanto. Mas todos envolvendo minha capacidade, e minha própria pessoa.

Eu seria capaz de sobrepassar o que fosse necessário?

Agora eu começava a ter certeza de que sim.

-E então… pronto? - Namjoon, que estava em frente à porta perguntou assim que me viu chegando.

-Agora sim. Estou.

-Muito bem. - Sorriu, colocando a mão sobre meu ombro esquerdo. - Eu irei avisar de que está aqui. Todos já estão lá dentro, te esperando. Hora de mudar a história, meu amigo. Eu pedirei que anunciem sua entrada. - E assim, o alfa adentrou o salão, onde logo mais eu estaria também.

“Hora de mudar a história…” Repeti mentalmente o que Namjoon havia dito, absorvendo o significado daquelas poucas mas, pesadas, palavras. E logo ouvi vozes do outro lado da porta.

-Que entre, Park Jimin. - O homem, responsável pelo ato de cerimônia anunciou.

Respirei fundo. Era agora, mais um passo mais perto de tornar meu reino um lugar melhor para Jungkook.

Era minha coroação.

As portas se abriram, e a sala do trono que semanas atrás foi palco de tanta violência, hoje estava decorado nas cores azuis. Pessoas faziam uma espécie de corredor entre o local em que eu estava até o trono, onde minha omma esperava, junto dos outros.

Meus amigos… estavam todos ali, bem vestidos. Hoseok ainda sentado, pois não havia recuperado totalmente, sendo rodeado por Taehyung e Yoongi. Este último que parecia uma sombra atrás do alfa que ainda se recuperava. Todos bem vestidos, olhando para mim com sorrisos calmos. Me dando segurança. E por último e, mais importante, Jungkook. Ele estava ao lado de Jin, perto de minha Omma, com roupas tão lindas, vestido de azul… ele estava perfeito aos meus olhos. Não segurei um sorriso ao olhar para ele. Sorriso este que foi retribuído, me enchendo de sentimentos positivos.

Minha marca me transmitia segurança, felicidade… e amor.

Comecei a caminhar, olhando sempre em frente, ainda com a cabeça cheia de pensamentos, antecipando como seria minha vida a partir daquele momento.

Cheguei em frente ao trono, que logo seria meu, e dei meia volta, olhando um tanto nervoso entre as pessoas presentes que ali estavam. E assim o mestre de cerimônia começou os ditos.

-Vai dar tudo certo… - Ouvi um sussurro, mas não precisei olhar para o lado para reconhecer a voz feminina de minha omma. - Sabe, meu filho… - Começou a sussurrar. -Depois de todo esse tempo, eu tenho muito mais para me desculpar do que me orgulhar para você como sua omma. E não tem um momento em todos esses dias em que eu não me arrependa de ter sido tão submissa ao seu appa. Eu espero do fundo do meu coração que algum dia você possa me perdoar… e saiba que o que quer que venha a decidir eu o apoiarei. Como rainha, e como sua omma.

Sua mãos encontrou a minha, num aperto carinhoso. Olhei para nossas mãos juntas e me senti… calmo.

-Tudo bem… eu te perdoo. - Disse, sincero, fechando minha palma na dela.

-Obrigada… - Pude ouvir seu soluço, mas não olhei para o lado. Ainda absorto em meus próprios pensamentos. Tão absorto que acabei por ouvir apenas o final do juramento.

-Park Jimin, como futuro Rei, honrará sua promessa de proteção, devoção e cuidados para com seu reino, assim como seu povo, buscando sempre o melhor para todos, a harmonia entre os reinos vizinhos e, acima de tudo, prosperidade entre nosso povo, preservando assim nossa cultura e riquezas nesta e, para as futuras gerações como um soberano digno e justo?

-Honrarei. - Respondi o mais convicto que consegui, embora pudesse sentir meus dedos um pouco inquietos. Até minha marca dar um sinal. Me senti acolhido, e seguro. Olhei para Jungkook, que me retribuía com um olhar calmo. Acenti suavemente, sem que as pessoas em volta notassem.

-Jurado está, sob sua própria alma e dignidade. - O homem então se aproximou. Abaixei um pouco minha cabeça, o suficiente para que a coroa fosse colocada ali. O homem me reverenciou. Fiz um mesmo, então ergui o corpo.

-Ao novo rei! - Disse o homem.

-Ao novo rei! - E os presente entoaram em coro, reverenciando logo em seguida.

Fiquei em pé ali, absorto em pensamentos enquanto olhava todos os presentes.

Eu era Rei agora. Depois de tudo, eu tinha tal poder em minhas mãos… E deveria saber usá-lo bem, para fazer o que achasse certo. E acima de tudo, que nosso mundo pudesse abrir os olhos, viver sem segredos tão importantes. Eu precisava fazer isso. E faria, sem qualquer hesitação.

Me sentei no trono, pronto para arcar com meu juramento.

Eu mudaria a história.

 

(...)

 

-E então? Como foi? - Yoongi perguntou.

-Achei que iria morrer de nervoso. - Respondi.

-Você é bem exagerado mesmo. - Sorriu debochado. - Brincadeiras a parte, fico feliz que tenhamos conseguido.

-Eu também…

Agora estávamos no salão. Na parte de celebração pelo novo rei.

E eu ainda custava a acreditar que as coisas aconteceram tão rápido.

Para falar a verdade, achei que teríamos mais problemas nessa parte. Afinal, o rei havia morrido, e mesmo que tenhamos encoberto os motivos e causas, nosso reino ainda se via sem um soberano.

Claro, minha omma era a rainha, mas segundo ela mesma, não achava mais digna de governar. E então me esperou recuperar para anunciar minha coroação.

Eu assumiria o reino dali em diante. Minha omma ainda estaria por ali, mas eu que tomaria frente…

Tudo aconteceu tão rápido que parece que quando eu pisquei, já estava aqui, neste salão, cheio de pessoas importantes de outros reinos, interessados no que acontecia em nossas terras. Eu precisava ser astuto para não demonstrar fraquezas, mas não a ponto de me passar por desconfiado ou mal educado. Faria o melhor possível, junto de Namjoon, agora meu conselheiro oficial, e Taehyung, que era o tesoureiro, mas acima de tudo era meu melhor amigo.

Eu estava sentado no trono que havia no fim do salão de festas. Precisaria ficar ali por um tempo, enquanto algumas pessoas vinham falar comigo. Alguns cumprimentar, outros discutir coisas que eu não queria discutir realmente no momento.

Jungkook ainda estava por ali, mas ele não poderia ficar comigo. Ele ajudou Jin com a organização da mesa. Depois os de tudo arrumado eu os “ordenei” a parar de trabalhar e desfrutar da comemoração, mas ainda assim, o moreno não poderia ficar comigo, demonstrar como nos sentíamos em público. Essa parte ainda me enraivecia. Precisaríamos esperar a poeira abaixar para falar do ômega com o povo.

Porque claro, ele era meu. Eu era dele, e não havia nada que me fizesse mudar de ideia.

-Com licença. - Alguém me tirou de meus devaneios. Mas assim que ergui o olhar, eu o vi…

-Rei Jeon?! - Exclamei, surpreso. - Perdão, não lembro de tê-lo visto antes.

-Ah, sim. Bom, eu cheguei atrasado devido a contratempos. Peço perdão. Contudo, vim-lhe parabenizar pela coroação. - Ergueu sua mão em minha direção. - Não tenho dúvidas de que terá um reinado brilhante pela frente. E claro, junto de alguém importante. - Seu olhar foi até Jungkook. E um sorriso involuntário surgiu, em ambos.

-Senhor Jeon, eu precisava lhe perguntar isso… como ficamos agora?

-Perdão?

-Jimin, porque não conversam na sacada do salão. -Namjoon sugeriu ao meu lado. - Talvez um pouco de privacidade seja bem vinda.

-Tem razão. - O rei aceitou. - Vamos lá para fora? -Acenei positivamente, e me pus à frente, guiando-o até a saída para a sacada. Paramos em frente a borda. Apoiei minhas mãos ali, respirei fundo e virei para ele. -Então… Eu precisava falar sobre-

-Sobre Hani? - Me surpreendi. Talvez nem tanto. Ele deveria imaginar o tópico da conversa. - Bem… eu sei que a mantiveram aqui, como uma espécie de prisão domiciliar. Eu vim para cá, para poder levá-la também. Mas devo dizer que me admirei com sua atitude.

-Como?

-Eu sei, ou melhor, não posso imaginar como se sentiu quando viu Hani aqui. Fiquei sabendo do que aconteceu nas últimas semanas e, sinceramente, eu talvez me vingasse. Digo isso, mas me soa irônico e amargo, já que quando tive oportunidade, fui ingênuo… Mas você escolheu entregá-la ao nosso reino.

-Eu… com todo o respeito, não queria mais sangue derramado por aqui. Não sujaria mais meu lar. Não queria me ver como alguém assim… Por isso a entregamos.

-Eu agradeço por isso. Parte da comissão que veio comigo já foi pegá-la. - Senti meus punhos se fecharem. Ainda era um assunto delicado, muito recente, muito vivo. - Mas quero que saiba que eu não tolerarei esse comportamento. Não mais… - Olhei para ele. - Eu posso ter sido várias coisas durante esses anos, mas por causa de você e seus amigos eu pude reencontrar meu filho, alguém que eu achava que estava morto há tantos anos… junto do meu coração. E por isso, por mais que Hani tenha sido como uma filha para mim, não posso permitir que suas ações não sejam punidas. Elas serão, eu lhe asseguro.

-... Obrigado. - Saber disso me deixava mais aliviado. Ela teria suas consequências de seus atos. Era o mas justo a ser feito.

-E sobre Jungkook…

-O que tem ele?

-Calma… - O alfa sorriu. - Agora que sei que ele é meu filho, não posso e não vou conseguir me ver como alguém distante. Digo, gostaria de propor anunciá-lo como meu filho.

-Perdão? - Dessa vez me surpreendi realmente.

-Eu estive pensando durante esse tempo, Jimin. Eu sei o quanto vocês significam um para o outro, e sei também que nossos reinos tinham acordado um casamento. Meu amigo… seu appa… - Seu olhar entristeceu. - Foi alguém que assim como seus ascendentes, se deixou levar pelos outros. E ele teve suas consequências por isso. -Sabe… eu sei que isso pode soar ruim para você, mas ele foi meu amigo de infância. Do mesmo jeito que é triste saber o quanto ele desprezava a espécie de meu filho, me é triste saber que ele morreu por tal intolerância… mas, penso que ainda podemos aproveitar de nosso acordo.

-O que o senhor quer dizer?

-Quero dizer que proponho que continuemos nosso acordo de casamento, como antes. Mas é claro, sem Hani agora. - Eu precisei respirar um pouco mais fundo. Estaria entendendo errado o que o Rei estava querendo dizer? - Eu quero assumir Jungkook como meu filho, para que então ele possa se casar com você, e assim unirmos nossos reinos, como foi acordado antes.

-E-eu… - Precisei respirar mesmo dessa vez. - O senhor está me dizendo para casar com Jungkook?

-E você não quer? - Ergueu a sobrancelha.

-É claro! É claro que eu quero! - Exclamei, até alto demais. -D-digo, eu gostaria sim.

-Não precisa manter essa postura, rapaz. - O alfa riu. - Eu acho que, depois de todos esses anos de punição por minha ingenuidade, eu talvez possa viver o resto de meus anos com a felicidade de saber que meu filho está bem, e com alguém bom.

-Jimin? - Tae surgiu da porta. - Perdão mas, acho que você precisa cumprimentar mais algumas pessoas chatas, sabe?- O acastanhado riu.

-Sim, já vou. - Virei para o rei, assim que o beta saiu. - Bem, eu… preciso ir.

-Claro, eu entendo.

-E sobre o assunto de agora, eu-

-Tudo bem. - Sorriu, - Nós entraremos em contato. Não é algo que possa ser feito da noite para o dia. Mas espero que tudo ocorra bem. Eu falarei com Jungkook assim que puder também.

-Bem, com licença.

-Até uma próxima ocasião, Rei Park Jimin.

Saí dali tentando me preparar mentalmente para cumprimentar os “velhos” chatos e interesseiros que eu deixei para falar ao final da celebração. Pedi para que Tae fizesse isso. Pelo menos parte da festa não seria tão chata.

-Jimin, eu ouvi o que eu ouvi, ou foi impressão minha? - Taehyung me puxou antes que eu pudesse chegar ao meio do salão.

-O que? Você estava ouvindo escondido, Taehyung?!

-Em minha defesa, eu fui te procurar. Só parei para descansar um pouquinho perto da porta da sacada.

-Sei… - O olhei desconfiado, mas logo sorri. - Mas é… é isso mesmo.

-E o que acha da proposta do Rei Jeon?

-Dele assumir Jungkook?

-Isso também, mas eu estava mais focado na parte do casamento mesmo.

-O que?!

-Ora… por que está tão vermelho?- Riu, maleficamente.

-E-eu… nada. - Virei o rosto.

-Nada? - Sorriu novamente. - Engraçado, porque vendo Jungkook do outro lado do salão, parece que ele está incomodado com alguma coisa. Ele está vermelho sem motivo? Ou o motivo é a marca de vocês?

-Taehyung, você não presta.

-Yoongi diz isso o tempo todo, mas sei que ele me ama também.

-Seu demônio. - O empurrei de leve, mas logo suspirei. - Sabe… eu vou falar com Jungkook.

-Se você se decidiu e quer isso, vá e faça, meu amigo. Não é como se já não tivéssemos enfrentado um reino inteiro por causa dele, não é? O que são uns reinos a mais, ou a menos?

Taehyung poderia ser debochado quando queria, mas no fim, ele tinha razão.

E tendo a oportunidade, era justamente o que eu faria.

Falaria com Jungkook.

 

(...)

 

“E então, como se sente?”

“Exausto… foi um dia cheio.” Respondi.

A celebração havia acabado, e com ela toda a canseira de ser anfitrião. Estava tarde da noite, passado das 23h quando pude pedir licença para me retirar. Durante o resto da tarde eu tive de lidar com a parte chata dos convidados, como eu já esperava.

Muitas conversas de interesse puro, terras aqui, transações ali, toda a conversa maçante na qual meu corpo e minha mente não estavam a fim de ter. Ainda assim, com a ajuda de Taehyung e Namjoon, consegui com que meu desconforto passasse despercebido.

E assim, o dia se passou. Com Jungkook longe de mim.

Essa foi a pior parte, claramente. Enquanto não resolvêssemos esse assunto com o Rei Jeon, Jungkook ainda seria ajudante de Jin. Não que isso fosse ruim. Era claro o quanto ele gostava de ajudar o beta.

Só que por causa disso eu não tive tempo de me aproximar durante a celebração. A princípio fiquei preocupado, porque era a primeira vez que ele ficava entre tanta gente. Mas Taehyung me assegurou que ele tinha usado essências para disfarçar seu cheiro. Ainda não falaríamos sobre sua espécie. As coisas estavam muito recentes, muito frescas. Precisávamos esperar mais um pouco.

Por hora, eu só queria e precisava descansar.

E com isso em mente, me dirigia até meu quarto, em passos lentos enquanto observava a lua cheia pela janela. A noite estava um pouco fria.

Assim que cheguei logo fui ao banheiro encher a banheira com água quente. O vapor que saia já praticamente me relaxava. Voltei ao quarto somente para pegar uma troca de roupa. Eu não aguentava mais usar toda aquela roupa pesada. Não via a hora de colocar algo mais confortável.

Não bastou mais que alguns minutos para que eu tivesse preparado tudo, e logo entrei na grande banheira, soltando um suspiro de aprovação. Recostei minha cabeça em uma das bordas e estiquei meu corpo, fechando os olhos em seguida.

Era disso o que eu precisava.

Talvez tenha ficado vários minutos ali. Meus dedos já estavam enrugados, e foi por volta dessa hora que ouvi, mesmo que um tanto baixo, alguém cantando. Eu que estava relaxado, levantei minha cabeça, tentando ouvir melhor. Era uma música conhecida. Que, aliás, eu já não ouvia há muito tempo…

Saí da banheira rapidamente e coloquei minha roupas logo, me cobrindo com o roupão para sair do banheiro de uma vez. Fui devagar. Estava tudo muito calmo e silencioso, de modo que eu não queria causar barulhos e a voz parasse.

Caminhei lentamente pelo meu quarto, seguindo o som, até me deparar com a porta para minha sacada. Elas estavam um pouco abertas, e a brisa da noite balançava as cortinas para o lado. Passei devagar, a voz mais clara conforme eu me aproximava.

E eu não tinha dúvidas do dono dela. Na verdade, um sorriso já me aparecia. Acho que não importava quantas vezes eu visse ou ouvisse a cena em minha frente. Nunca seria entediante, nunca seria sem graça, eu nunca teria demais de tal quadro.

Porque ver Jungkook de costas, apoiado na borda, olhando para cima enquanto aquela melodia linda e profunda saía de seus lábios seria a cena que eu levaria até meus últimos dias.

E quando notei, estava me aproximando do ômega, hipnotizado com sua beleza, com a beleza da noite, com a beleza de sua voz. Podia sentir algo tão forte, minha marca me relaxava, ao mesmo tempo que me transbordava de sentimentos bons.

-Minnie? - Parei meus devaneios, e não notei sequer ter fechado os olhos, ou ter me aproximado tanto ao ponto de abraçá-lo por trás.

-Jungkook, e-eu…- Me embolava nas palavras.

-Que bom que chegou… - Sussurrou, virando seu rosto para frente, mas era perceptível o rubro em suas bochechas.

-Ficou me esperando? - Perguntei, enquanto o abraçava novamente. Precisava sentir sua presença perto, sempre que pudesse. Meu nariz afundava em seu pescoço, mas apenas num carinho. Meus braços rondavam seu corpo, repousando em sua cintura.

-Sim… - Sussurrou novamente - Eu queria ficar com você. - Seus dedos acariciaram minhas mãos.

O tempo pareceu congelar ali, e apenas nossas respirações eram ouvidas junto da brisa gelada da noite. Mas juntos ali eu só sentia nosso calor.

-Jungkook…o Rei Jeon falou com você? - Me aproveitaria do momento a sós para perguntar.

-S-sim…- Senti seu corpo esquentar. Ele estava constrangido? - Ele falou comigo sua… proposta. E eu... -

-Tudo bem, não precisa me responder agora. Eu posso esperar e-

-Eu quero… - Parei na hora. -Eu quero. - Sussurrou novamente. - Quero fazer isso. Eu vou deixar que me assuma como filho, e que depois… n-nós, é-

-Tudo bem… - Eu mesmo já me sentia envergonhado. Isso que sequer dissemos às palavras. Mas nossos sentimentos estavam bem claros ali. - Jungkook, sabe... tem algo mais que que queria te perguntar. - Sussurrei entre seu pescoço.

-O que?

-Essa música… de onde ela vem?

-Música?

-Eu já a conhecia, antes mesmo de te conhecer. - Expliquei. - Eu tinha sonhos que na época eu não entendia, mas hoje sei que eram visões de Shin em seu tempo. E essa música… eu a ouvia também. Hyungwon a cantava. Imagino que ele tenha te ensinado, mas… eu sempre me perguntei se ela tinha algum significado por trás. Ela me passava tantos sentimentos quando a ouvia, - E então eu me lembrava de quando ouvi Jungkook a cantando pela primeira vez. Quando eu tinha caído com ele pelo barranco, quando eu estava na casa na campina, e quando de repente ouvi a música que eu já conhecia. Quando eu levantei e fui até o lago no meio da campina e o avistei cantando, as mãos juntas, o corpo desprovido de roupas, aquela cena que me marcaria para sempre.

-Ela… sabe, é uma canção sobre nós. - Senti suas mãos me apertarem.

-Como? - Indaguei, confuso.

-Ela não é de nosso idioma, mas é de nossa espécie. Hyungwon me contou, quando eu era filhote, na época em que ele cantava para mim, que sua omma havia ensinado para sua omma adotiva, e que alguém antes de sua omma a havia ensinado. Era algo passado por gerações, por entre os ômegas. E cada um de nossa espécie dava um jeito de registrá-la ou ensinar para alguém antes que fosse descoberto e… - Suas palavras cessaram por alguns segundos. - Ela fala sobre nós, Minnie… Hyungwon me disse que provavelmente era uma canção entre o ômega e o alfa que viviam na campina, na época em que começaram a caçar nossa espécie, há 500 anos atrás. E que depois de tudo o que aconteceu, ela virou um símbolo para nós ômegas mas, principalmente, para eu e você. - O moreno suspirou, enquanto eu sentia todos os sentimentos transmitidos por nossa marca. - Ela é, mais que tudo, uma promessa.

-Promessa?

-Uma promessa de que o ômega e o alfa se reencontrariam. Sabe… quando Hyungwon me ensinou, eu não entendia o que ele queria dizer com isso. E acho que até pouco tempo atrás eu não a entendia. Mas como algo inexplicável, as palavras, os significados, tudo está claro em minha mente agora. E talvez você consiga entender também.

-... Canta para mim? - Pedi.

-... Sim. - Seu corpo virou para ficar de frente para mim. Seus olhos encontraram os meus.

 

“Na floresta do sono profundo, as flores de Lótus balançavam, nesse lugar
A coisa importante que eu achei será para sempre guardada

Na escuridão de um quarto, numa noite pesada, sozinho e desamparado, eu acabei desgostando disso.
Se eu pensasse em você, lágrimas cairiam inesperavelmente.”

 

Embalado com a doce melodia que saía dos lábios de Jungkook, nossos corpos se juntaram, pertinho um do outro, minhas mãos seguraram as suas.


“Eu quero transmitir toda a voz orquestrada e cantar para você; as flores balançaram

Os ombros trêmulos, as mãos pequenas - eu os peguei agora
Mesmo se  nós desaparecermos, mesmo se ficarmos separados, nos encontraremos novamente.

O tempo passa, acho que tudo muda, não é? Sem mudar, nós dois floresceremos completamente, pela eternidade…”

 

E quando menos notei, nós dançávamos. Jungkook apoiava o rosto em meus ombros enquanto ainda sussurrava a canção. Eu o abraçava ternamente, deixando que a noite guiasse os passos de nossa dança lenta.

A canção que, agora me era claro o significado, me transbordava de sentimentos que eu sequer poderia nomear.


“Digamos que se você fosse embora, seria provavelmente mais fácil para nós dois ficarmos juntos

O significado de amar você é imutável, mesmo se eu parar de respirar.
Eu quero transmitir toda a voz orquestrada e cantar para você; eu estou aqui
Até o fim do mundo, olhe! Essa voz amável ultrapassa o tempo
Não há nada aqui em que possamos confiar, aqui e agora, eu te prometerei
O tempo passa, acho que tudo muda, não é? Sem mudar, nós dois floresceremos completamente, pela eternidade…”

 

Seu rosto se ergueu, e seus olhos, agora azuis, deixando transparecer tudo o que sentia, me deixavam em transe. E eu podia sentir meus próprios olhos mudando também. Nossas mãos se ergueram à altura do tronco, enquanto passos lentos e ritmados nos guiavam pela sacada.

Aquela era a dança mais significativa e importante em toda minha vida. Nossa dança.


“As lágrimas involuntárias que caem se juntam com a chuva, o amor interminável te envolve, sempre...
Naquele lugar onde flores infinitas florescem
Mesmo se  nós desaparecermos, mesmo se ficarmos separados, nos encontraremos novamente.

O tempo passa, acho que tudo muda, não é? Sem mudar, nós dois floresceremos completamente, pela eternidade…

Elas balançavam sob a luz do luar, aquelas duas flores que floresceram
Abraçando a dor que não desaparecerá, como duas pessoas se aninhando juntas...”

 

O vento pareceu continuar a melodia, enquanto nós dois estávamos tão próximos. E em seu olhar, eu obtive a resposta da pergunta que eu cheguei a fazer.

-... Pela eternidade. - Sussurrei. Seus dedos enroscados aos meus. Sua respiração tão próxima.

-... Pela eternidade...

E o beijo calmo que selou nossa promessa, seria lembrado pela eternidade também.

 


Notas Finais


Então gente.... FDI chegou ao fim T.T
Eu estou tão... não sei dizer ao certo :P

Mas estou sentindo muitas coisas. Claro que, já adiantando aqui, eu trarei extras para a fic. Eu cheguei a comentar isso no meu grupo. A fic está como terminada pois a trama em si terminou. Mas como forma de agradecimento à todos vocês que me acompanharam por tanto tempo, eu farei extras!
Sim! ExtraS! Com "s", porque será mais de um, haha.
Não tenho um número exato agora, mas pelo menos 3 vão sair.

Espero que essa forma de agradecimento seja um pouco do suficiente ^^

Sobre a música do final, bem... quem está no meu grupo já deve conhecer, mas para quem não conhece, ela serviu de inspiração e base para toda essa história. E acho que no fim, toda a letra se encaixa perfeitamente, não é mesmo? ^^
Para quem quiser escutá-la, o link está aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=VCkJT6sMNQg

Agora sobre a fic, ela é a primeira história que eu termino tirando as oneshots. E olhando para trás eu consigo ver o quanto evolui, não só como autora, mas como pessoa. Eu encontrei tantas coisas durante o caminho dessa fic, tanta gente boa, algumas que realmente viraram minhas amigas e isso é algo que eu sequer poderia esperar.

Como pensar que ganharia tanto apenas escrevendo meus pensamentos aqui?!

Por isso eu tenho tanto a agradecer.

E sobre a fic, alguns já devem saber que eu adoro filosofar nas minhas histórias haha. Então, espero que eu tenha conseguido passar a moral de FDI para todos vocês. E que vocês possam amar esse universo tanto quanto eu amo.

Obrigada de verdade, a todos vocês que me acompanharam. Eu estou "terminando" essa fic com quase 3 mil favoritos, e isso para mim é totalmente inimaginável . Espero que, mesmo depois de algum tempo, vocês ainda possam se lembrar dessa história, assim como uma promessa de eternidade? Que tal? haha.

Bem, eu não sei como terminar essas notas... Eu diria adeus, mas não é uma despedida realmente.
Então será um "Até a próxima!"

E espero que vocês possam gostar dos extras que trarei! Vou me esforçar bastante. Afinal ~spoiler~ Tem algumas tags na fanfic que eu ainda não explorei, não é mesmo *inserts moonface*

É isso! Até a próxima <3


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