História Flor Silvestre - Capítulo 2


Escrita por:

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Categorias Happy Tree Friends
Personagens Flaky, Lifty
Visualizações 39
Palavras 3.675
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Hentai, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Vá se f...


você o quê? – Cuddles perguntou, assustado.

 Eles ainda estavam no hospital, do lado de fora do quarto. Flaky estava de cabeça baixa, não querendo repetir. Seu vizinho estava com raiva e nervoso, novamente com a mão sobre a cabeça como se estivesse com a pior enxaqueca que já teve. Ela não queria ouvir nada rude, e queria apenas sair dali. Ela se ofereceu por educação, não esperando que Lifty aceitasse tão facilmente.

– ele só... precisa de ajuda. Ele não tem casa, Cuddles... deve ser por isso que...

– e como você acha que aquele bandido esconde todas as coisas que pegou de mim, huh? No bolso dele? Sério, se quiser ajuda de agora em diante, chame qualquer outra pessoa, porque se alguma coisa... qualquer coisa sumir da minha casa, eu denuncio você e ele!

– Cuddles, por favor... eu p- preciso de você!

– não, Flaky! Eu achava que íamos aqui, e talvez eu pudesse recuperar o que eu perdi... mas não, eu vim aqui ouvir que você vai acolher o Lifty! Você é doida, porque ele irá se aproveitar da sua boa vontade! Tchau... – Cuddles foi embora, não tinha paciência para aquilo. Flaky não sabia o que fazer sem ele, e apenas cruzar os braços e andar de um lado para outro. Ele não poderia cuidar dele ela mesma, precisava de ajuda. Ela poderia recusar, mas a expressão de Lifty parecia tão pura que Flaky acreditou em seu sofrimento se não o fizesse. Ela não o deixaria assim.

 Ela começou a suar e suas mãos começaram a tremer. Ela respirou fundo, e em uma bolsa masculina, pegou um remédio chamado Alprazolam. Foi ao banheiro, tomou 5 miligramas e esperou 5 minutos passarem no banheiro. Ela sentia a calma tomando conta de seu corpo, ela estava relaxada, mas não dopada. Ela saiu do banheiro e foi até o quarto onde estava Lifty, sentado na maca e com o braço roxo de seringas. Eles se entreolharam novamente, e Lifty começou a falar.

– Flaky, eu preciso sair daqui. Eu nunca fiz nada tão ruim para você, eu preciso disso. Você... você me entende? – ele forçou um sorriso.

– c- claro. – ela riu sem jeito. – eu já tenho suas roupas. Estão furadas, mas eu p- posso dar um jeito nisso, okay?

– eu ainda posso vesti-las, não é necessário.

 Ele pegou a sacola com as roupas imundas de sangue e suor, sentindo nojo e entregou a sacola para Flaky novamente.

– o hospital não lava as r- roupas, o diretor disse que aqui “não era uma l- lavanderia”.

– tem certeza que ele “f- falou a- a- assim”? – Lifty a imitou e riu de Flaky. Ela se envergonhou. Esquisitona, ele pensou, ainda sorrindo de deboche.

– por favor... – Flaky ficou sem paciência para a sua brincadeira sem graça.

– chama a enfermeira, eu preciso sair dessa maca. Você tem seu carro, então vamos.

 Os enfermeiros ajudaram Lifty, que não queria nada de suporte para se apoiar até o carro. Eles o colocaram na parte de trás e Flaky foi na frente, começando a dirigir. Assim que saiu do estacionamento, Lifty começou a suspirar alto, o bastante para Flaky ouvir. Ele estava com dor ainda de tanto ter andado.

– v- você está bem? – ela perguntou, olhando ele através do retrovisor.

– eu sei lá... – Lifty disse enquanto puxava ar para os pulmões. Sua voz era rouca e grossa. Sempre foi, mas era assustadora para Flaky. Enquanto continuava a dirigir, Lifty fechou os olhos com olheiras tão escuras que jurariam que fosse carvão.

 Eles chegaram na casa, Flaky estacionou o carro, abrindo a porta para Lifty. Ele praticamente não conseguia mover as pernas de tanta dor. Não conseguiria andar. Flaky pegou seus braços e o puxou. Eles se esforçava para se levantar, gemendo.

– você não tem força nos braços, não? – Lifty perguntou rudemente.

– c- claro que tenho! – Flaky disse, o levantando de vez, mas não por muito tempo. Ele jogou todo os seu peso sobre ela. Lifty era pesado demais para alguém aparentemente magro como ele.

 Ela entrou em sua casa, e Lifty ainda precisava de sua ajuda para caminhar. Eles alcançaram o sofá e Flaky se jogou, cansada e suando. Lifty também estava cansado demais para fazer qualquer coisa.

 Flaky logo se levantou, pegando a sacola e levando para um certo quarto. Lifty olhou ao redor. A casa, por dentro, tinha cor de pêssego e era bonitinha. Ele já entrou lá uma vez para rouba-la junto com o seu irmão obviamente. Ele estudou a casa, vendo coisas preciosas. Ele viu uma pintura pendurada na parede, parecia preciosa. Ele deu sua risada baixa, já sabendo o que fazer com o quadro. Suas mãos coçavam, mas ele não conseguia se mexer, então apenas esperou Flaky chegar com um celular na mão.

– o que está fazendo? – ele perguntou, nervoso. Pensava que Flaky pudesse ligar para a polícia.

– eu não posso c- carregar você pra cima e pra baixo o dia t- t- todo. Além disso, tenho que ir trabalhar. M- mas posso pedir uma folga pelos próximos d- dias. – ela disse enquanto pensativa.

– e quem será? Giggles? Petunia? – ele ficou imaginando. As duas meninas eram absolutamente lindas, mas novas demais para ele. Flaky terminou a discar.

– será uma surpresa. – ela sorriu, indo para a cozinha. Ele estava ansioso para descobrir quem era.

 Em alguns minutos depois, muitos minutos depois, alguém bateu na porta. Flaky acabava de servir a Lifty um copo d’água, e foi correndo abrir a porta. Lifty então viu um homem robusto de cabelos castanhos claros. Ele estava fardado com o uniforme do exército e era chamativo. Lifty reconheceu o homem, arregalando os olhos.

 Flippy, um veterano do exército, tinha servido lá há alguns anos, então deixou o mesmo por problemas de saúde mental. Todos os conheciam por isso. Ele e Flaky eram atualmente bons e talvez melhores amigos.

 Ele sorriu para Flaky e ela riu um pouco, dando um abraço amigável no soldado. Lifty assistia à interação.

– Flaky, eu estava no trabalho, desculpe pela demora...

– tudo bem, eu precisava de ajuda... c- com ele. – Flaky olhou para Lifty, sentado no sofá com roupas do hospital. Flippy arregalou os olhos em espanto.

Flaky! O que é isso? – Flippy olhou para ela, agitado. – como esse bandido entrou aqui?

 Flippy iria dar um passo à frente para expulsar Lifty de sua casa, mas Flaky pegou em seu braço, prendendo a atenção dele.

– espera! Espera! Deixa ela explicar, porra! – Lifty gritou e se agitou, nervoso.

– Flippy! Eu deixei ele f- ficar aqui. Ele estava precisando de um lugar para fi- ficar... – Flaky explicou.

– como é que é? – Flippy se assustou. – por que você fez isso?

– vamos para a c- cozinha. – Flaky disse, andando e ele a seguiu. Assim, ela ficou de frente para o veterano.

– o que está acontecendo? – ele perguntou.

– eu encontrei Lifty aqui na frente de casa, quase morto. Eu não pude apenas ir dormir e esquecer uma pessoa morrendo na frente da minha casa. Estou cuidando dele.

– mas... mas... você sabe quem ele exatamente é? – Flippy se preocupou, inclinando-se para olhar no rosto dela.

– eu não s- sou nenhuma desinformada, Flippy! – ela se ofendeu.

– eu sei, mas... ainda, ele é perigoso. E se alguma gangue arrombar a sua porta pra tentar pegar ele? E o que aconteceu para ele se acidentar assim? – Flippy se preocupou.

– e- eu me cuido. Mas preciso da sua ajuda com ele.

– claro que sim, por você, sim. – Flippy sorriu, esfregando seus dedos nos cabelos curtos castanhos escuros e bagunçados dela. Ela pegou na mão dele, acariciando-a com um dedo.

– obrigada... – ela sorriu, finalmente tirando a mão dele dos cabelos dela.

– lembra daqueles tempos de melhores amigos? Eu adorava escovar o seu cabelo... – ele sorriu. Depois que começou a trabalhar, Flaky não foi mais à biblioteca, lugar onde Flippy trabalha. Costumavam conversar todos os dias. Porém, começaram a se encontrar recentemente.

– e- eu lembro. Mas vamos logo. – ela sorriu, indo para a sala novamente. Eles olharam para Lifty, que estava cansado e com dor. Flaky olhou para Flippy.

– terminaram a DR de vocês? – Lifty olhou para os dois, impaciente. – escuta, Flippy, o que você é para ela exatamente?

– um amigo. – Flaky respondeu ao mesmo tempo. Flippy abaixou a cabeça, sem jeito. Lifty entendeu o que estava acontecendo ali. – Flippy, você p- poderia carregar o Lifty para o quarto de hóspedes? Ele n- não consegue andar sozinho.

– claro... – Flippy obedeceu, se aproximando de Lifty, o carregando em seu colo. Lifty começou a se envergonhar.

– eu me sinto gay assim! Vamos logo com isso, soldado! – Lifty disse, desconfortável. Flippy se irritou, tendo que ser controlado pelo ladrão e o apertou em seus braços. Lifty gemeu. Flaky percebeu isso.

– Flippy! – ela o repreendeu.

 Ele foi o mais rápido possível, assim que Lifty mencionou como se sentia. Depois daquilo, ele também se sentia gay, mesmo não sendo nada disso. Flippy o largou na cama, o machucando. Lifty gemeu de dor. Flaky assistiu tudo, percebendo a ação do homem mais velho.

– assim está bom, Flaky? – ele olhou para ela.

– sim, obrigada, Flippy. – ela segurou o braço dele.

– eu não gostei...  – Lifty disse, indignado. Flaky se sentiu na obrigação de ter repreendido Flippy mais uma vez, mas não quis. Lifty grunhiu, vendo a satisfação no rosto de Flippy.

– você não tem que gostar, ladrão. – Flippy disse, virando-se para ele. Lifty virou o rosto, irritado. Flippy e Flaky estavam de braços cruzados. Flaky com sua expressão preocupada, e Flippy, cansado de olhar para o homem mais novo. – eu vou buscar algo para beber.

 Flippy saiu do quarto, deixando Flaky e Lifty sozinhos. Assim que fechou os olhos, Lifty virou o rosto para Flaky com seu olhar antipático, parecendo que estava com irritado o tempo todo. Flaky olhava para ele preocupada com ela mesma. Não se sentia bem olhando para ele, com a impressão de que ele odiava ter ela no mesmo ambiente.

– s- se você precisar de alguma coisa, me chame. – ela murmurou, saindo pela porta. Lifty foi deixado com ele mesmo no quarto, pensativo. Como ele foi parar assim?

 No dia seguinte, 2 horas da tarde

– Flaky!  – ele a chamou em voz alta muitas vezes. – Flaky!

 Ele esperou por alguns segundos, inquieto. Flaky cuidara bem de seu inquilino até agora, apesar do mesmo ter sido não tão fácil de lidar com. Lifty muitas vezes era mal-educado sem perceber, talvez por ter convivido apenas com Shifty por muito tempo. Ambos se tratavam igualmente como dois lixos. Raramente, com algum carinho fraterno.

 Lifty começava a duvidar da confiança que Shifty depositava nele. Talvez fosse tão falso que enganava o próprio irmão pela ganância.

– sim? – perguntou Flaky assim que abriu a porta.

– eu estou com fome. Eu quero um sanduíche, e eu gosto de carne. E um suco!

 Após acabar de ouvir, Flaky não gostou em como havia detalhado o pedido. Não estava sendo nada modesto para alguém que havia chegado ontem na casa de alguém que se ofereceu para cuidar dele, sendo o mesmo muito conhecido. Ela não tinha obrigação nenhuma com Lifty.

 Flaky saiu do quarto, vendo Flippy com um copo de água na mão na cozinha. Havia chegado pouco tempo atrás depois que seu turno no trabalho havia acabado. O veterano se virou para ela, assistindo Flaky pegar sua bolsa, adivinhando que ela iria sair. Ele a seguiu e a alcançou.

– aonde você vai? – ele perguntou.

– vou comprar p- pão. Lifty disse que queria u- um sanduíche. – Flaky disse.

– ele disse, é? Ele vai te fazer sair de casa? Eu faço isso, não se preocupe. – ele disse, chateado por Lifty fazer Flaky sair de casa. Então ele saiu. Ela acenou para ele, entrando novamente em sua casa, suspirando.

 Lifty estava tentando dormir, entediado, virando-se de um lado para outro na cama com dificuldades. As feridas ainda doíam bastante, seus braços arroxeados também. A roupa de hospital era totalmente desconfortável. Até ouvir passos pela casa. Lifty virou o rosto, curioso. Então lembrou de Flippy.

– ei, soldado... – ele disse alto. Os passos pararam. – por que continua nessa merda, huh?

 A porta foi aberta e Lifty viu Flaky, séria. Ele pareceu não gostar tanto da surpresa.

– p- poderíamos...?

– não. Eu quero ficar sozinho. – Lifty disse, fazendo um gesto com a mão para ela ir embora. Flaky se irritou.

– n- n- não é sobre querer, Lifty! Eu acolhi você, e eu q- quero ter uma conversa séria com você!

hahh, o que você quer? – ele levantou a voz assim como ela. – saber o meu nome completo? Como eu virei um sem-teto? Desembucha!

– eu quero saber como f- fez para ficar assim! O que houve com você? – ela perguntou, e ele franziu a testa, se perguntando por milésimos de segundos se ela estava falando sobre sua vida inteira ou sobre o acidente. A lógica pesou e ele bufou, virando o rosto para o lado.

– eu sei lá, não é da sua conta... eu já disse que quero ficar sozinho?

– e- eu disse que quero conversar. Eu quero uma r- resposta!

– você é muito insistente! Por que você é tão irritante? – ele franziu a testa, sem paciência.

– eu não estou sendo insistente...

– eu não aguento mais a sua voz, sabia? – ele passou por cima da fala dela. 

– v- você é tão difícil que eu... – ela passou por cima dele. Um comentário atropelando o outro, sendo ambos mutualmente interrompidos.

– caralho! Eu não aguento mais! – Lifty disse.

não chame p- palavrão. – Flaky disse firmemente.

– vá se foder. – Lifty disse, emburrado. Flaky deslizou os dedos no nariz, querendo ter mais paciência. Ela saiu do quarto, pensativa demais. Ela não devia levar Lifty a sério. Era um adulto com um lado muito infantil, chegando a ser ridículo, e ela soube disso agora. Flaky não iria manda-lo embora por desafia-la uma vez, parecia fraco, então iria continuar.

 Flippy chegou com o pão, vendo Flaky encostada na parede, provavelmente carregada de raiva. Ele se sentiu confuso, andando até ela.

– você está bem? – ele perguntou, se aproximando. Observando o mau-humor, ele mostrou a sacola, sorridente. – olha, eu trouxe o pão!

– e- eu estou bem, obrigada. Dê-me o pão. – ela pediu e Flippy obedeceu. – eu vou fazer sanduiche p- para nós dois também.

– nossa, obrigado. – ele disse, feliz, sentando-se sobre o sofá. Ela se foi para a cozinha, cortando o pão encima da mesa.

 Após terminar os pratos, Flaky deixou o pão de Flippy para ele primeiro, e o homem agradeceu com um sorriso amigável. Ela sorriu de volta, e depois olhou para a porta do quarto de hóspedes. Ela piscou, já pensando em Lifty sendo grosseiro como de costume, nada novo. Talvez nem tanto, estava trazendo seu esperado lanche, afinal. Ela abriu a porta, deparando-se com Lifty dormindo com o travesseiro sendo apertado em seus braços numa posição aparentemente confortável. Flaky parou de andar para observa-lo, assistindo a expressão graciosa que ele fara durante seu sono. Nem mesmo se assemelhava a um criminoso.

 Estava adormecido. Flaky, tendo a esperança dele comer quando acordasse, decidiu apenas colocar seu prato sobre a cama, considerando aquilo a ser apenas um cochilo de pouco menos trinta minutos. Ela se inclinou novamente e saiu do quarto, dizendo a Flippy que deveria ir ao trabalho para se acertar com o seu chefe sobre Lifty. Flippy se encarregou de Lifty pelo resto da tarde. Porém, não valeu a pena.

 À noite, Lifty acordou com o fechar fragoroso da porta da frente, assustado. Ele olhou ao redor, desperto, e notou o que Flaky lhe trouxe durante o sono pesado. Seu sanduíche e suco. Ele já estava com muita fome e não quis perder mais seu tempo, esforçando-se para pega-los. Seu sanduíche estava frio e o suco estava quente, notou ele assim que provou os dois. Porém, uma delícia.

 Lifty não hesitava em reclamar das coisas que ele discordava com. Nem Shifty. Supostamente, os gêmeos eram idênticos em todos os sentidos. Lifty já havia discutido com ela demais por hoje, e estava cansado. O frio naquela noite era intenso, tanto que ele podia ouvir o vento forte e gélido bater contra a janela de vidro.

 A porta se abriu barulhentamente, tomando toda a atenção do ladrão. Flaky apareceu, checando Lifty de longe. Ele também a estudou de longe, não tendo uma expressão certa. Ela notou seus curativos, lembrando-se que deviam ser trocados constantemente. Ela o avisou:

– está n- na hora de trocar seus curativos. – disse, indo e voltando com um kit de primeiros-socorros. Enquanto retirava os curativos velhos, Flaky comentou sobre ele. – Flippy me contou que você dormiu o dia todo.

– e daí? – ele disse. O tom de sua voz grossa fazia tudo ser mais grosseiro e abrutalhado. Flaky o encarou, séria. Lifty não sabia o que ela queria exatamente, era confuso. O que ela quer saber? Ele se perguntava. – você quer saber de alguma coisa de novo?

– e- eu não quero. Eu não gosto do seu jeito comigo.

– o quê...? O que eu fiz de tão terrível em dois dias? – ele perguntou, achando que ela exagerava.

– você é ingrato.

– eu sou ingrato? – ele perguntou, surpreso e chateado.

– você é. – ela disse.

– eu não sou ingrato, eu estou feliz por ter me deixado ir com você!

–não é isso que eu vejo. V- você é grosso!

– está bem, o que você quer que eu faça exatamente?

– não seja tão... você. Apenas... m- mude.

– mudar como? Não, – ele estalou a língua três vezes, balançando a cabeça. – esse sou eu com o meu irmão e todo mundo. Eu não tenho dessa, menina. – terminou de falar.

 O sangue de Flaky borbulhava, imersa em pensamentos negativos sobre ele. Com ódio, ela tirou um curativo do antebraço direito brutamente, fazendo Lifty gemer alto. Não era a intenção de Flaky, que se preocupou com o jovem homem se contorcendo e chamando palavrões em voz alta.

– desculpe-me! Desculpe! – Flaky disse, não sabendo o que fazer para acalma-lo. Ela estava ainda mais nervosa.

– tudo bem! Tudo bem, tudo bem... gah! – ele repetiu e a parou, com os olhos fechados de tanta dor. Ofegante, ele abriu os olhos para ver ela. Ele aparentava estar furioso, respirando pesadamente.

 Flaky continuou a tirar os antigos curativos com as mãos trêmulas. Trêmulas até demais para alguém envergonhado. Ela não estava envergonhada, pensava Lifty. Flaky terminou de tirar a gaze, ainda pensando demais sobre ter machucado Lifty. Ele sentia que não devia, mas a estranhou.

– eu tenho que t- tomar... o meu remédio. – Flaky levantou-se da cama, indo para o banheiro. Em 3 minutos, ela estava de volta. Tinha deixado Lifty com suas dúvidas sobre o remédio, mas claro, ele tinha alguma ideia do que era. Ela se sentou novamente na cama, pegando novas gazes.

– esse remédio é pra pressão ou algo do tipo? – ele perguntou.

– ansiedade. – ela respondeu, limpando os ferimentos dele com um pano molhado. Ardia um pouco, mas era tolerável. – eu consigo relaxar.

– legal... – ele disse, olhando para o próprio corpo machucado.

– eu ia ao p- psicólogo, mas parei quando comecei a controlar a ansiedade melhor. – explicou.

– e nunca foi àqueles médicos, você sabe, da língua, falação... como é o nome?

– f- fonoaudiólogo. – Flaky respondeu, terminando de limpá-lo.

– é isso aí! Por que não vai a um desses? Essa sua gaguez é engraçada! – Lifty soltou uma risada.

– é, ela é. – ela comentou, desconcertada, já colocando os novos curativos. – t- tudo certo. Você está bem? Precisa de alguma coisa?

– não, eu tô legal. Mas estou com tédio. – ele reclamou. Flaky suspirou, checando seus próprios bolsos. Em sua mão, tinha seu celular e mais tarde, pegou um carregador. Também deixou um copo d’água próximo à cama, caso a sede batesse. Ela emprestou os pertences para Lifty, que aceitou com um sorriso mal-intencionado e olhos cheios de desejo. Em sua cabeça, ele anotava as coisas que levaria da casa de Flaky quando melhorasse.

– boa noite, Lifty. – Flaky disse, fechando a porta.

– aham... – Lifty respondeu, já mexendo no celular. As únicas coisas que mexia sem doer em seu corpo eram suas mãos.

 Lifty passou a noite e madrugada inteira mexendo no celular de Flaky, parando apenas ás 8 da manhã para ir dormir. Flaky acordou meia hora antes, já tomando seu banho, arrumando-se, e preparando seu café. Depois disso, ela fez o café para o rapaz.

 Flaky abriu a porta, vendo Lifty jogado sobre a cama, imaginando que tivesse ido dormir tarde. Porém, seu café iria esfriar e ela o acordou, com cuidado. Deu tapinhas em seu ombro, esperando ele despertar.

– Lifty... – o chamou.

– sai daqui... – ele murmurou, mantendo os olhos de pálpebras enegrecidas fechados. Flaky começou a aborrecer Lifty chacoalhando seus ombros. Porém, continuava sonolento demais. – sai daqui, Flaky...

– e quando você vai resolver acordar? – Flaky disse, indignada.

– um mês. Daqui a mês, você me acorda. Eu acabei de ir dormir, caramba!

– v- você... Lifty! – Flaky o repreendeu, com os braços cruzados. – é a segunda vez que você faz isso. V- você pode parar de trocar a noite p- pelo dia?

– não. – ele bocejou, abrindo os olhos.

 Flaky suspirou, com sua expressão preocupada, não sabendo como tira-lo da cama sem exatamente contato físico. Ela não iria querer tocar demais em Lifty, nem machuca-lo. Ele virou o rosto para o lado e Flaky andou para o outro lado da cama, assistindo-o.

– Lifty, você está sendo insuportável!

– você também, mas já que não vai me deixar em paz... – ele disse, tentando se levantar, com os braços doloridos e tremendo para se manter. Ele gemeu, fazendo com que Flaky tivesse que o segurar.

 Lifty comia na mesa, assistindo Flaky limpar a casa. Ela estava imersa em seus pensamentos enquanto isso. Ela ia de um lado para o outro, e seus olhos a seguiam, bebendo o suco de maracujá. Flaky tinha pensamentos negativos, na maioria. Mas ultimamente tentava parecer durona e forte o suficiente por Lifty tê-la tirado do sério várias vezes em três dias.

 Lifty, no meio da refeição, sentiu um mau cheiro forte vindo de sua roupa. Era pelo suor, estava fedendo. Olhou para Flaky, ocupada demais passando pano na casa. Ela percebeu ele a encarando e parou.

– v- você precisa de alguma coisa, Lifty? – Flaky parou o que estava fazendo.

– eu preciso de um banho. – Lifty reclamou, com uma faca e um garfo em cada mão. Parecia irritado.


Notas Finais


Lifty é uma criança fantasiada de adulto


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