1. Spirit Fanfics >
  2. Flores >
  3. Ele

História Flores - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura! :)

Capítulo 1 - Ele


Uma, duas, três ou serão agora quatro? As gotas escorriam pelas incontáveis goteiras do telhado desgastado. O jovem encolhido no canto da sala contava as gotas que estalavam no chão. O lençol rasgado estava encharcado, o inverno era rigoroso e ele tremia de frio. 

O único som que residia ali era o do pingar das gotas, mas agora o que tomava a atenção do homem, era o debater do trinco da porta do outro lado do cômodo. Os cabelos vermelhos, os olhos escuros, os dedos cobertos por hematomas, hematomas causados pelos socos distribuídos pelo rosto do jovem encolhido, que agora tentava ao máximo tapar a face roxa e sangrenta.

- Não vai me dar boas-vindas? - Ele se aproximou do homem e se agachou até que seus rostos ficassem na mesma altura. 

Sem qualquer resposta, o homem ruivo entrelaçou seus dedos ao cabelo do jovem e o puxou com toda sua força. 

Agora ele olhava fixamente para os olhos da vítima, o olhar radiante e feliz havia se tornado um olhar sem vida, aquele mal se comparava ao antigo Bokuto, o garoto alegre e extrovertido havia morrido a dias atrás.

- Vamos nos divertir um pouco, o que acha? - Ele deslizou a língua pela orelha do jovem, o que lhe deu náuseas e um embrulho no estômago.

Bokuto poderia não saber quantas gotas haviam caído naquele dia, mas sabia perfeitamente quantas vezes foi brutalmente abusado nos dias em que esteve ali, uma meretriz não se compararia a ele. Desprezava a si mesmo por ainda estar vivo, desprezava cada parte de seu corpo onde aquele havia tocado. 

Uma, duas, três ou serão agora quatro? Quatro horas, as quatro horas mais doloridas na vida de Bokuto, também eram quatro os dedos de pressionavam seu (agora) fino quadril. Já começará a acreditar que quatro não era um bom número. 

O homem se cansou, se vestiu e saiu, tudo isso em questão de segundos. Bokuto caiu sobre o tecido molhado e derramou algumas lágrimas, já estava farto de tudo aquilo, estava disposto a sacrificar tudo para sair daquele lugar asqueroso. 

Precisava de um plano.

O relógio da parede marcava 18:52, faltavam quatro minutos para a hora em que o homem traria as migalhas para a alimentar o jovem. Seria o momento perfeito para atacá-lo e sair da casa o mais depressa possível. Era um plano simples, mas era sua única possibilidade naquele estado precário em que se encontrava. 18:57 colocaria seu plano em prática, seria fugir ou morrer ali mesmo. 18:58, Bokuto se escondeu atrás da porta. 18:59, passos puderam ser ouvidos. 

19:00 e o homem entrou com um pequeno prato, Bokuto avançou por trás e enrolou o lençol molhado em torno do pescoço do outro. Os grãos de arroz voaram por todo o cômodo enquanto o jovem apertava cada vez mais o pescoço do criminoso. Apertou com toda sua força, lembrou-se de todas as vezes em que foi tocado por ele.

O rosto do homem se misturava em um tom azul e roxo, seus olhos esbugalhados aparentavam cair a qualquer momento, até que suas mãos pararam de bater contra o chão. Aquele foi o aviso para Bokuto, um aviso para que fugisse imediatamente.

Kotaro correu, correu o máximo que podia, até que pôde ver a luz dos postes do lado de fora daquele inferno. Decidiu que correria por mais algumas ruas, para o caso do homem acordar e começar a caçá-lo como um louco. 

Chegou a um parque pouco iluminado, algumas poucas pessoas passavam por ali, mas por conta da falta de iluminação não puderam ver Bokuto ensanguentado. O jovem se sentou em um dos bancos, sua respiração estava falha, os pés descalços estavam perfurados por conta de algumas pequenas pedras no caminho. 

Os olhos cor de mel foram lentamente se fechando, as luzes desapareciam a cada segundo. Algumas vozes entraram por seus ouvidos, era irritante, o jovem queria apenas descansar, as vozes não poderiam se calar por alguns segundos?

- Tio! Olha! - O garotinho dos cabelos alaranjados apontou para Bokuto sentado no banco. - Ele está sangrando! Tio!

- O que está dizendo Hinata?! - A alguns metros estava Akaashi ajeitando seus óculos. - Quem está sangrando?

- Ele! - O pequeno correu até o tio e o levou até o banco que agora estava tingido pelo líquido vermelho.

Keiji paralisou e encarou o homem desacordado. Suas mãos automaticamente foram em direção ao jovem, seu corpo estava gelado e úmido. Akaashi rapidamente tirou o celular do bolso e discou o número de emergência, como daquela vez, exatamente como daquela vez.

A criança encarava o tio desesperado e em seguida o homem cheio de hematomas que havia encontrado em meio o escuro, teve um pequeno de déjà-vu.

- Ele vai morrer como a mamãe? - O garotinho agarrou a ponta do casaco do tio que dizia o endereço para a mulher do outro lado do telefone. - Ele não vai, certo?

O homem olhou para os pequenos olhos do pequeno a sua frente. As pequenas sobrancelhas caídas, os lábios completamente fechados. Akaashi sentiu seu coração ser esmigalhado em bilhões de pedaços.

- Ele não vai. - O homem acariciou os fios cor laranja enquanto terminava a ligação. - Nós vamos salvá-lo. 

 

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Me desculpem por erros de escrita.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...