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História Flores e Cerejeiras - Capítulo 1


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Capítulo 1 - 01


Manhattan, Kansas || 11 de Maio || 06:03PM

Aquele era um fim de tarde bastante chuvoso. Jeon questionara-se por um instante se realmente teria de sair daquela tempestade. Aquela era a oportunidade que lhe remanescia para que pegar o trem que o levaria para Nova York. Restavam-lhe poucos dias e segundo suas contas, se partisse ainda naquele dia, conseguiria chegar em tempo. A viagem era longa e o jovem precisava estar no país em 6 dias.

Jeon passara anos se preparando para aquilo e precisava garantir que ao menos teria uma oportunidade. A ideia de me mudar para uma cidade ampla como Nova York era-lhe aterradora, mas o inquietamento se tornou nervosismo. Ele não conhecia qualquer pessoa na cidade e imaginava como se adaptaria. Quase conseguia ouvir seu coração pulsando dentro do corpo.

Conseguia escutar as muitas gotas d'água despencarem e colidirem incessantemente com os ladrilhos das ruas. O jovem se assentou sobre o colchão, ouvindo-o ranger. Estava terminando de separar e arrumar algumas peças de roupa em sua mala, mas seus ombros tensionaram e seus pensamentos apartaram-no do que deveria fazer. Seus olhos fitaram o chão.

Seus pensamentos mantinham-no absorto ao que sucedia-se ao seu redor. O pequeno quarto estava mergulhado em silêncio, as lâmpadas encontravam-se apagadas e o cômodo era alumiado apenas pelo fulgor que ainda era refletido pela janela. Subitamente, ouviu a porta arrastar-se e abrir-se, revelando a silhueta de Ahrin, que segurava uma candeia.

— Vim ver se terminou de arrumar as malas. – sua cabeça atravessou a porta, esgueirando o interior do cômodo. — Nosso pai disse que o carro chegou.

— Estou terminando. – Jeon tomou impulso, levantando-se. — Não devo demorar.

— Deseja ajuda? – Ahrin empurrou a porta, adentrando no quarto.

Estava prestes a responder-lhe, quando a mesma encaminhou-se rumo à cama e colocou a candeia sobre o colchão e pegou uma trouxa de roupas, começando a dobrá-las cuidadosamente.

— Nossa mãe comentou sobre a viagem. – sorriu vaga, com os olhos nas peças que dobrava. — Nosso pai parece orgulhoso. O filho mal fez 19 anos e vai tentar ingressar na CIG.

Jeon viu-a comprimir seus lábios, como se tentasse conter a si mesma. Seu timbre de voz vacilou notoriamente, mas fingiu não notar. Ahrin era a irmã mais nova. Era doce e emotiva. O jovem era o irmão do meio e recebera ainda mais foco por causa de Jeonggyu. O irmão mais velho era um membro da CIG, mais precisamente do DMSG. Ele era o orgulho de seus pais.

Desde que ele se mudara para Nova York, Jeon e Ahrin se tornaram ainda mais achegados um do outro. Certamente, sua partida havia de ter a afetado.

— Sabe que sempre estarei aqui, não sabe? – questionou-lhe, tentando encontrar seu olhar.

— Sei... – ela cessou seus movimentos, colocando a última peça de roupa dentro da mala. — Mas não será a mesma coisa sem você.

Seus olhos se voltaram para o irmão que pôde constatar o quão lúbricos estavam. Tênues filetes d'água eram sombreados pela escuridade do quarto. As orbes de seus olhos direcionaram-se ao chão.

— Restarei apenas eu aqui. – tentou sorriu, mas o tremor em sua voz deixava notável sua ânsia de desabar em lágrimas. — Jeonggyu raramente nos visita, vive ocupado com seus afazeres como militar, o que eu farei? Nossa mãe tem suas tarefas e nosso pai também. O que farei aqui sozinha?

Jeon acercou-se e tomou-a, envolvendo-a em um abraço apertado. Sempre tivera um afeto maior por Ahrin. Como dito, os dois haviam crescido juntos e sempre foram mais achegados. Ele também sentiria falta dela, mas integrar na CIG era o que mais almejava. Um desejo que nutrira desde muito jovem. Na verdade, integrar a CIG era o maior orgulho que uma pessoa poderia desejar.

Servir ao seu país e ainda mais em um corpo tão competente e disputado como a CIG, era uma verdadeira honra.

— Bom, ainda há chances de que eu não seja aprovado.

— Eu seria uma pessoa ruim se desejasse que você não fosse aprovado? – riu fraco, acarinhando seus cabelos.

— Seria. – disse enquanto rompia o abraço. — Mas eu não vou sair daqui para ser reprovado. Darei o que puder e me empenharei para ser aceito.

Ahrin dirigiu-lhe o olhar, suspirando e esboçando um sorriso fechado.

— Vamos ou vai perder sua carona até a estação. – Ahrin pegou a candeia sobre a cama e rumou-se à porta do quarto. — Nossos pais devem estar te esperando para se despedir.

Aquiesceu, vendo-a abrir ligeiramente a porta do cômodo e passar pela pequena brecha. Jeon ficara sozinho ali outra vez. Pensara rasamente nas palavras de Ahrin. Estava disposto a dedicar-se inteiramente se aquilo significasse ter uma chance de passar nos testes. Estava completamente ciente de que haveria de ter que se entregar completamente por uma chance.

Pelo que havia se informado previamente, haveriam inúmeros testes de resistência e um testes de designação, onde seriam designados aos setores e iniciariam de fato o treinamento. Seriam avaliados constantemente, pois mesmo dentre os que conseguiam inciar o treinamento, nem todos eram considerados qualificados o suficiente para poder se formar e ingressar oficialmente no corpo da CIG.

Mesmo que seu irmão houvesse se destacado em uma área simples, ainda eram necessários habilidade, foco e maestria para que conseguisse se graduar com louvor. Jeon vinha de um cidade pequena, de um vilarejo simples e tendo uma educação bastante tradicional. Mesmo assim, acreditava veementemente que poderia atingir o que queria: ser membro da CIG.

Encerrou a mala e a colocou-a no chão, arrastando-a para fora do quarto. Mirou o interior do pequeno cômodo uma última vez com certo apego, atravessando e cerrando a porta. Com algumas pequenas dificuldades, desceu os degraus da escadas, chegando ao andar inferior. Pôde ver sua mãe servindo um pouco de café à um homem que julgara ser o motorista que o levaria à estação de trem.

— Mãe? – atraiu-lhe o foco. — Terminei as malas.

— Oh, sim. – ela contornou a pequena mesa, rumando-se em direção ao filho. — Ah, meu filho... – envolveu-o em um abraço caloroso. — Eu vou sentir tanto a sua falta.

Assim que se apartou, ela tomou o rosto do mesmo entre as mãos, olhando no fundo de seus olhos.

— Saiba que sempre pode voltar... – disse com certo pesar. — Eu estarei te esperando com os braços abertos, ouviu bem?

Jeon aquiesceu, lentamente.

— Eu te amo, filho. – ditou num idioma conhecido por ele, mas que há muito tempo não ouvia. — Te amo muito.

— Também te amo, mãe. – respondeu-lhe, vendo-a esboçar um sorriso orgulhoso antes de tornar a abraçar seu corpo.

Seus pais eram coreanos. Eles vieram para Kansas ainda quando Jeon ainda era pequeno e Ahrin sequer era nascida. O mesmo crescera ali, mas sempre mantiveram-se envolvidos com os antigos costumes. Tanto que mesmo sabendo falar inglês fluentemente, aprendera o coreano e usualmente falavam uns com os outros. Jeon amava os pais e seus costumes.

Tanto que mesmo longe, pretendia seguir suas tradições e hábitos. Seu olhar rumou-se para Ahrin, que segurava-se para não desabar em lágrimas.

— Sentirei sua falta, mana. – disse enquanto abria os braços e esboçava um sorriso largo.

Soluçando, Ahrin caminhou na direção do irmão, apertando-lhe em um forte abraço e se permitindo derramar algumas lágrimas.

— Eu vou sentir muito a sua falta. – mussitou com a voz vacilante.

Jeon se apartou, depositando um beijo breve em sua testa. Endireitando-se, ele fitou celeremente o motorista que terminava de bebericar o último gole que restara em sua xícara.

— Podemos ir, senhor?

O mesmo consentiu, levantando-se da cadeira e rumando-se à porta de entrada, de onde retirara o casaco que estava pendurado no cabideiro sobre a mesma. Jeon mirou as duas mulheres à sua frente.

— Boa sorte, meu filho. Estaremos rezando por você. – disse a mulher mais velha, sorrindo branda.

— Mande notícias. – ditou a mais nova, com a voz mais firme. — Telefone ou mande cartas. O que for.

— Pode deixar.

Jeon pegou a mala, rumando-se atrás do homem que sairá da casa e correra até seu veículo estacionado aperto dali. O jovem apressou o passo e conseguindo colocar a mala dentro do compartimento de bagagens e adentrando depressa dentro do automóvel.

— Até mais, mãe! Até mais, mana! – acenou pela janela. — Mandarei notícias em breve! Eu prometo!

O motorista deu a partida e o veículo começou a se mover. Conforme foi ganhando longitude, Jeon encerrou a janela, ajeitando-se no assento do passageiro.

— Faculdade? – o homem quebrara a quietude, fitando o jovem pelo retrovisor.

— Como? – em instantes, notou o sentido do questionamento. — Oh, não. Pretendo me inscrever para ingressar na CIG.

— Ah, soube que os testes estão acirrados este ano. – comentou. — Meu sobrinho tentou por 2 anos antes de conseguir uma vaga.

— E ele se formou?

— Ainda não. Está na fase de treinamento.

As orbes de seus olhos arregalaram-se.

— Faz quanto tempo? – Jeon debruçou-se no apoio do assento do motorista.

— Mais ou menos 1 ano e meio. Ele disse que dependendo do departamento, você pode ficar 5 anos ou mais em fase de treinamento e pode ser dispensado se não apresentar um desempenho satisfatório. – disse o homem atentando-se ao movimentos dos carros em sua frente. — Ele diz que eles são avaliados mensalmente e os que não conseguirem um bom desempenho, são descartados.

— Qual departamento ele escolheu? – indagou Jeon, mordendo os lábios pelo entusiasmo.

— DPL. – disse simplista. — Ele disse que é um dos departamentos mais cobrados pelos avaliadores. Os recrutas precisam ter os melhores desempenhos possíveis e precisavam e dedicar quase que integralmente aos estudos.

O motorista tornou a fitar o jovem pelo retrovisor, notando suas faces apreensivas.

— Alguma ideia de qual departamento vai se inscrever, garoto?

— DCI. – disse, encostando-se no assento.

— Oh, sim. É uma boa escolha, pelo que eu ouvi falar. – disse o homem, demonstrando tranquilidade. — Mas bem dura de se conseguir. Ouvi dizer que é o departamento mais disputado pelos recrutas e dele saem apenas os melhores investigadores.

— Eu sei. – ciciou.

— Não quero desanimar você, mas vai ter que trabalhar muito se quiser uma chance de entrar nesse departamento. – disse ele enquanto Jeon compenetrava-se nos próprios pensamentos.

O mesmo consentiu, concentrando seu foco em outro ponto. Ansiedade ou nervosismo não o ajudariam em nada e ele sabia. Precisava relaxar, manter a cabeça fria. Jeon sempre soube o desafio árduo que enfrentaria no momento em que escolheu tentar ingressar na CIG, mas estava disposto a arriscar. Era orgulhoso. Sabia que se falhasse, faltaria-lhe coragem para enfrentar os pais.

Falhar era uma vergonha, uma desonra. Sua família estava depositando sua fé sobre ele e ele precisava corresponder. Conseguir era a única alternativa que conseguia enxergar. O jovem respirou fundo. O preparo para enfrentar o dia dos durou muito tempo. Foram anos ouvindo depoimentos de pessoas que fizeram-nos e que acabaram falhando, anos tentando se preparar.

Jeon não poderia se inscrever antes dos 18 anos, nisso desejara todos os dias atingir a dada idade. Buscava treinar o condicionamento físico e resistência, além de estudar e manter a mente o mais afiada que conseguisse. Conseguir aquilo deixara de ser um meio de provar para o irmão que conseguia seguir seus passos e se tornara um meio de provar a si mesmo que ele poderia alcançar o que almejava.

O jovem focou-se no relógio de bolso. Sua mente atentara-se à cada mísero segundo que se arrastava penosamente. O tempo ao seu redor parecera parar. Via os filetes de água correrem pelo vidro da janela, embaçando a paisagem. Os prédios e ruas tornaram-se imagens borradas e pequenas manchas foscas em um cenário acinzentado e ligeiramente escuro.

O céu ainda estava claro, mas Jeon sentia que não tardaria para que o mesmo escurecesse. O sol era encoberto pelas nuvens cada vez mais enegrecidas e o vento batia bruscamente nas janelas. O frio era cortante. Ele assistia as gotas de chuva lentamente abrandarem-se até que a chuva cessasse completamente. O percurso para a estação era consideravelmente comprido. Demoraria uns 20 ou 30 minutos.

Ele sentiu seu coração inquietar-se ao ver a fachada da estação. O peito palpitava violentamente. O homem o ajudou com a mala e tendo-a em mãos, Jeon subiu correndo – como pôde – os degraus que levavam para o interior da estação.

— Boa sorte, garoto! – ouviu a voz do homem.

Não respondeu, mas sabia que o mesmo compreendera seu silêncio. O jovem havia visitado a estação poucas vezes e por um segundo, pensou no quão distante estava indo. Nunca imaginava deixar Kansas. Aquela cidade fora seu lar por tantos anos que rumar-se para uma cidade completamente ignota, por um instante, pareceu-lhe uma delirante insensatez.

Via as pessoas seguindo pelos corredores amplos, tomando rumos opostos e diferentes entre si. Via os vendedores e as pequenas lojas, os fregueses e as mercadorias. O cheiro de carvão invadiu suas narinas. Jeon direcionou-se para sua plataforma, vendo ao longe, o trem acercando-se da estação. Uma euforia inegável invadiu seu peito e fluiu por seu corpo como um calor agradável de sentir.

O trem parou diante do pequeno amontoado de pessoas que não hesitaram em adentrar ao instante em que as portas se abriram. Jeon seguiu-as, seguindo pelos vagões enquanto tentava encontrar um assento. Colocou as malas sobre o compartimento e se assentou em uma cabine inicialmente vazia, perto da janela. Não demorou para que um homem adentrasse.

— Tem alguém nesse assento? – indagou, vendo Jeon negar.

O mesmo deveria ter sua idade, deveria ser um jovem assim como ele.

— Oi, meu nome é Kim Taehyung. – disse o jovem, se assentando no assento oposto. — Pode me chamar de Taehyung, se quiser.

— Prazer. – esboçou um sorriso cortês. — Meu nome é Jeon Jeongguk.

— O prazer é meu. – disse Kim cordialmente, retribuindo o sorriso. — Pretende ir para Nova York também ou vai descer antes?

— Pretendo ir para Nova York.

— Por estudo? – Taehyung apoiou as costas no assento.

— Mais ou menos. Pretendo me inscrever para ingressar na CIG. – disse, vendo as feições do mesmo se alterarem.

— CIG? Nossa, eu vou me inscrever também. – ele riu soprado. — Qual departamento você escolheu? Eu escolhi o DVSN.

— Eu escolhi o DCI. – disse Jeon vagamente.

Jeongguk e Taehyung conversaram mais um pouco, trocando os poucos detalhes que traziam sobre os departamentos escolhidos. Jovens com o mesmo sonho, uma mesma meta. Jeon não conseguia ver Kim como um rival, mas sim como eventual companheiro. Talvez por ambos estarem em departamentos distintos, sem a necessidade de competir um com o outro.

Ele desejava sinceramente que o mesmo atingisse o que tanto desejava e imaginou que tal sentimento fosse recíproco. Em poucos instantes, Jeongguk perdeu-se em meio à paisagem que podia ver através da janela, mesmo de trem, a viagem certamente duraria um longo tempo. Uns 2 dias, mais precisamente. Mas Jeon sentiu que aquilo poderia ser mais agradável do que estava esperando.

{ . . . }

Jeon estava completamente adormecido, quando sentiu algo sacodir fortemente seus ombros. Sentiu o toque pesado ser depositados sobre os mesmos e abriu abruptamente os olhos ainda pesados.

— Ah, pensei que acordaria apenas amanhã. – Taehyung esboçou um sorriso de canto. — O trem está chegando na estação. – disse apartando-se e esticando-se para alcançar o compartimento sobre seu assento.

Jeongguk ainda se sentia um atordoado, esfregando as pálpebras exauridas que recusavam-se a se manter abertas. Ignorando o sono, o jovem se levantou, repetindo o ato de Kim e pegando sua mala no compartimento. Tornando a se assentar, Jeon massageou as têmporas, sentindo uma algia no centro da testa.

— Ansioso para os testes? – questionou-lhe Taehyung, demonstrando entusiasmo.

Com aquele tempo, Jeongguk notara mais da personalidade eufórica e simpática de Kim Taehyung. O mesmo era bastante eloquente e tinha um carisma marcante. Com certeza, sua melhor qualidade. Era o oposto de Jeon, que sempre fora mais tímido e contido. Desde jovem, ele buscava ser correto e fazer as coisas da melhor maneira que pudesse. O que ocasionou no distanciamento de muitos hábitos.

Jeongguk tinha aversão ao álcool e qualquer tipo de droga, adotara uma alimentação vegetariana e não bebia nada que não fosse suco de uva – o sabor que mais gostava – ou água. Ele sempre tentara manter uma rotina benéfica e regrada que o ajudasse a permanecer saudável. Sua saúde era algo que ele considerava muito, algo que buscava prezar.

— Mais ou menos. – Jeon cruzou os dedos. — Estive me preparando por tanto tempo, mas apenas pensar que estou perto disso me deixa nervoso.

Mordiscou levemente a carne do lábio inferior, fitando o chão.

— E você?

— Um pouco. – Taehyung encostou a cabeça no assento. — Meu pai serviu na CIG, no mesmo departamento que eu escolhi. Eu quero muito entrar também. Desde pequeno, eu ouvia falar sobre o CIG e sempre admirei o que eles faziam.

— Meu irmão atua na DMSG. Sempre ouvi meu pai dizer o quanto era orgulhoso pelo filho mais velho estar em uma organização como a CIG, servindo ao país de maneira tão honrosa... – seus olhos percorreram a pequena cabine. — Eu sempre sonhei em entrar também. Sempre quis provar a mim mesmo que podia chegar onde eu quero e agarrei esse sonho com todas as forças.

Houveram alguns segundos de silêncio, com Kim parecendo um tanto disperso e Jeon do mesmo modo.

— Meu pai ficou preocupado quando disse que eu queria entrar na CIG. – Jeongguk mirou-o. — Ele dizia que minha mãe sempre se preocupava com ele antes que se aposentasse. Eu sou filho único e ele diz que eu sou a única coisa que ele tem. E mesmo com medo dos riscos que correria, ele aceitou minha decisão e me apoiou.

— E sua mãe? Ela ficou preocupada também?

Viu Taehyung esboçar um sorriso que deu-lhe feições vagas, como se estivesse muito distante daqui.

— Minha mãe morreu quando eu tinha 15 anos. – Jeon engoliu seco. Os olhos de Taehyung direcionaram-se à janela, mirando o horizonte. — Mas imagino que mesmo preocupada, ela também me apoiaria. Sempre me dizia que eu tinha propósitos grandes e que um dia, eu poderia ajudar muitas pessoas. Espero poder corresponder às esperanças dela.

Passado breves instantes, Taehyung pareceu sobressaltar-se.

— A estação. Chegamos. – ele se levantou. — Vamos, o trem vai parar.

Ele abriu a porta da cabine e tomou a mala que trazia, parecendo averiguar o movimento em seu exterior. Jeon imitou seu gesto e se levantou, empunhando sua mala. O trem não demorou para parar e Taehyung e Jeongguk seguiram a aglomerados de passageiros que se encaminhavam para a porta. Sem se distanciar do outro, Kim seguiu pelo interior da estação, saindo da mesma.

— Nossa... – inspirou fundo. — Nunca imaginei que o Brooklyn fosse tão bonito. Mal vejo a hora de conhecer mais a cidade.

Ele se virou para Jeon, que admirava a cidade com notória curiosidade. Era diferente de todo o cenário que se habituara no Kansas.

— Vamos. Precisamos achar um táxi.

Kim desceu as escadas apressado, olhando ao redor e logo indo em uma direção inicialmente ignota para Jeongguk, que ainda assim o seguiu. Ele parou perto de alguns táxis que estavam estacionados perto da calçada.

— Boa tarde, poderíamos pegar uma carona. – um dos motoristas se apartou do carro e fez sinal para que os dois se apropinquassem.

Os jovens entreolharam-se, seguindo para dentro do veículo.

— Para onde vão? – indagou o homem, ajeitando o retrovisor.

— Oh, sim. – Taehyung colocou a mão em seu bolso, retirando um pedaço de papel dobrado. — Queremos ir para esse endereço. – ele desdobrou e entregou ao motorista, que conferiu seu teor.

— Hum... – pôs-se a ler o que estava escrito. — É perto daqui.

Ele entregou o papel para Kim.

— 25 dólares.

— Certo. – Jeon e Kim colocaram seus cintos e o motorista virou a chave.

O carro deu partida, percorrendo os quarteirões e avenidas. Jeongguk ensimesmou- se novamente nas paisagens. Atentava-se aos detalhes, olhando curioso para cada casa e estabelecimento que passada diantede seus olhos. O jovem estava excitado com os novos ares do Brooklyn. Queria conhecer cada detalhe, mas imaginou que teria bastante tempo para fazê-lo.

Gostava da arquitetura dos prédios, eram sofisticados e esbanjavam um requinte que nunca vira antes. As praças eram vistosas e as curtas avenidas pareciam convidativas. Depois de prédios e mais prédios, Jeongguk viu o táxi parar em frente à um enorme prédio de aspecto vetusto, todavia imponente e solene.

— Chegamos. – comentou Kim enquanto Jeon permanecia avulso. — Jeongguk, se importa em dividir a conta?

O mesmo despertou de seu momento de desvario.

— Hum? – analisou a cena, vendo Taehyung com a carteira em mãos. — Oh, sim.

Ele colocou a mão em seu bolso e pegou uma pequena carteira. Juntara todas as economias e guardara-as antes de viajar para Nova York. Pegou uma quantia e entregou-a ao outro.

— Aqui está, senhor. – entregou o pequeno amontoado de notas ao homem. — Muito obrigado.

Taehyung desatou o cinto, abrindo a porta do veículo. Jeongguk fez o mesmo, seguindo Kim que adentrava no prédio.

— Céus, é ainda mais empolgante do que eu pensei. – o mesmo sorriu, contemplando o interior do lugar. — Ali. Vamos.

Ele apressou o passo rumo à uma pequena recepção que estava perto dali. Uma mulher de meia idade parecia ler um livro, até notar a presença alheia.

— Pois não, meus jovens? – indagou, deixando o livro de lado.

— Oi, boa tarde. – Taehyung sorriu simpaticamente. — Viemos para nos inscrever.

— Oh, pois não. – ela pareceu pegar alguns papéis. — Preencham estes formulários, por favor.

Os dois pegaram os papéis e Jeon começou a ler o que lhe foi entregue.

— Podem se assentar ali, se quiserem.

Jeongguk mirou os bancos detrás dos dois e se encaminhou rumo à um deles, se assentando. Imaginou que precisaria de caneta e a pegou de dentro do bolso do casaco. Começou a ler as questões do formulário. Nome, data de nascimento, pequenos detalhes de sua ficha médica, dentre outros dados. Preencheu-as depressa, largando a caneta e se levantando para entregar o mesmo à mulher da recepção.

— Aqui.

Esperou Taehyung por alguns instantes, vendo-o terminar em pouco tempo e o entregando.

— Certo. Seus formulários serão entregues em instantes. Dirijam-se aquela sala... – apontou para uma porta perto dali. — O senhor Heung vai informar o que precisam fazer.

— Muito obrigado. – Jeongguk se curvou, dirigindo-se na direção apontada.

A cada passo dado, o coração de Jeon acelerava minimamente, sincronizando-se aos passos cada vez mais apressados do jovem. Seu peito martelava. Sua mão trêmula tocou a maçaneta, empunhando-a e girando-a. Jeongguk empurrou a porta devagar, deparando-se com o interior que guardava. Haviam muitos jovens ali. Homens, mulheres, pessoas que disputavam de um mesmo sonho.

Ele se sentiu nervoso como nunca, cogitando por um instante que as batidas fossem cessar por um mínimo instante. Jeongguk respirou fundo, sentindo o toque de Taehyung sobre seu ombro. Quando virou-se para o mesmo, estava ali, sorrindo fraco. O outro retribuiu o sorriso, dando o primeiro passo para dentro do cômodo. Os instantes pareciam demorar para passar.

Apesar da quantia de pessoas que haviam ali, o ambiente permanecia minimamente ruidoso. Poucas pessoas falavam entre si, de modo que se podia determinar precisamente quem eram. Depois de arrastados minutos, um homem assomou no pódio, fitando todos que se encontravam na sala. O homem meia idade, trajava um pesado sobretudo preto e possuía uma cicatriz em sua bochecha direita.

Seu olhar acirrado percorria os rostos de todos ali, como de quisesse memorizar cada um deles. Quando os olhos álgidos do homem penetraram os de Jeon, o mesmo sentiu cada pedaço de seu corpo arrepiar-se violentamente. O homem subtamente pigarretou.

— Primeiramente, uma boa tarde aos que criaram coragem de perseguir a chance de uma posição aqui. – sua voz era áspera e rouca, deixando-o ainda mais amedrontador. — Sou Herbert Heung, comandante da DMSG. Apesar de aposentado, insisti em permanecer aqui e me serei um dos mentores dos novos recrutas.

Heung demonstrava um semblante demasiado austero, falava com uma formalidade intimidadora e sua postura empedernida e severa despertava calafrios.

— Quero que fiquem sabendo que não terão qualquer facilidade aqui. A partir de hoje, não importa quem vocês são ou de onde vocês são, serão tratados da mesma maneira. A partir de hoje, se inicia uma jornada dolorosa e árdua para os que tiveram coragem de seguir nesse caminho. – brandou, dando alguns passos pelo pódio. — Haverá suor, lágrimas derramadas, mentes exaustas, dor e lamúrias. Os levaremos ao limite e muitos de vocês sairão frustrados ou arruinados daqui. E alguns, alcançarão a glória e perfeição que almejam.

Ele esboçou um sorriso impiedoso, como se o medo que visse em seus rosto despertasse-lhe algum prazer.

— Como único conselho que lhes dou, digo que esqueçam tudo que aprenderam, pois aqui, não servirá de nada. Esqueçam que tem amigos. Todos aqui serão colegas e cada um será responsável pelo próprio desempenho. Apoiar-se um no outro aqui é o pior deslize que poderão cometer. Cada um deve lutar por si mesmo. – trincou o maxilar.

Pigarretou mais uma vez, desfazendo o semblante atroz que antes dominava suas feições.

— Os testes começarão amanhã, às 5 horas. Estejam aqui com 30 minutos de antecedência. Vocês farão um teste prático de resistência física e um teste de designação. Dependendo do departamento que escolherem, passaram por testes práticos diferenciados uns dos outros. – Heung juntou os braços detrás do corpo. — Por hoje, todos os que completaram o formulário com informes completos de seu prontuário médico estão dispensados. Os demais que não preencheram esses informes, ficarão para fazer um check-up médico.

Dizendo aquelas palavras, o homem desceu do pódio e saiu da sala por uma outra porta. Jeon soltou o ar que mantivera preso, engolindo o seco que se formaram em sua garganta.

— Aquele homem é amedrontador.

Kim riu soprado.

— Tenho certeza de que ele disse aquelas coisas para nos assustar. Fique tranquilo. – disse calmamente, endireitando-se. — Vai precisar ficar?

Jeongguk negou com cabeça.

— Então vamos. Precisaremos achar um lugar para ficar. – Taehyung empunhou sua mala, dirigindo-se rumo à porta.

Taehyung saira na frente e quando o encontrou, ele parecia falar com um homem que não tardou para seguir seu caminho pela rua. Jeongguk se acercou do mesmo.

— Tem uma estalagem perto daqui. Talvez ainda hajam quartos para ficarmos. – disse e Jeon aquiesceu.

Os dois se encaminharam pelo caminho até a dita estalagem e durante o percurso, comentaram sobre suas impressões sobre o mentor. Taehyung não demonstrara o mesmo receio em relação ao mesmo. Dizia que o pai tinha um temperamento semelhante e por causa daquilo, estava acostumado. Jeongguk comentou da impressão apavorante que tivera do mentor, provocando risos alheios.

Kim disse-lhe que deveria ficar tranquilo e que certamente o mentor tivera a intenção de amedrontar os indecisos e covardes. Ele queria que os mais hesitantes desistissem de sua escolha. Eles chegaram em frente à tal estalagem. Não era muito longe do prédio, o que poderia se bastante proveitoso.

— Oi, queremos saber se ainda há quartos aqui. – disse Taehyung ao se acercar do balcão da recepção.

— Sim, ainda temos quartos. – disse a mulher amigavelmente. — Desejam quartos separados ou um mesmo quarto?

— Algum problema em dividirmos o quarto? – Jeongguk negou. — Vamos ficar com somente um quarto. – a mulher deu-lhes a chave.

— Tenham uma boa estada.

— Muito obrigado. – disseram em uníssono, seguindo pelo corredor.

— Espero que não se incomode. Dessa maneira, precisaremos pagar apenas por um quarto e podemos dividir os gastos. – Jeon consentiu.

— Tudo bem, não tem problema.

Eles chegaram no quarto apontado na chave e estabeleceram-se. Havia uma beliche ali e Jeongguk ficara com a cama superior. Os dois concordaram em dormir, mesmo que ainda não fosse tão tarde. Daquele modo, estariam mais descansados para o dia seguinte e teriam um desempenho melhor. O jovem Jeon estava inquieto. Estava ansioso e adormecer fora realmente uma tarefa custosa.

{ . . . }

— Está dispensado. – o jovem desceu da maca, encaminhando-se para a porta, onde os demais estavam. — Pode vir.

A garota que esperava na fila deu o primeiro passo, adentrando na sala. Quieta, ela rumou-se até a maca e se assentou. O médico fitou Heung que estava ali, com os braços cruzados e assim como o outro, mirando a garota. Ele leu nome em seu formulário.

— Imaginei que estivesse no hospital. – disse Heung rispidamente para a jovem, que permaneceu quieta por um instante.

— O doutor permitiu que eu tivesse alta.

— E escolheu vir para cá? – questionou-lhe, soltando os braços. — Veio mesmo fazer isso?

— Sim. – disse com firmeza, mas os olhos permaneceram baixos. — Eu escolhi isso.

— Não é a melhor escolha. Você po... – Heung fora imediatamente interrompido.

— Você disse agora pouco que ninguém receberia um tratamento diferente dos outros. Me trate como trata os outros. – disse com a mesma seriedade, finalmente olhando-lhe nos olhos.

A jovem trazia um fulgor violento em seus olhos. O fervor rutilava em seu olhar, deixando evidente sua persistência naquilo. Heung respirou fundo.

— Pode continuar, doutor Vries. – disse e o médico, mesmo demonstrando um ligeiro receio, iniciou o exame.



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