História Flores e Espinhos - Capítulo 1


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Categorias Doctor Who
Personagens 12º Doctor, Clara Oswald
Tags Clara Oswald, Doctor Who, John Smith, Twelve, Universo Alternativo, Whouffaldi
Visualizações 38
Palavras 1.830
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Sci-Fi, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Como coloquei na sinopse, essa fanfic é um Universo Alternativo onde a Clara é a Doutora e o 12 é um humano (John Smith). Vai fazer mais sentido quando vocês forem ler (espero), pensei que era uma ideia fofa mas como sempre acontece comigo as coisas fofas se transformam em coisas dramáticas (riso de nervoso). Espero que vocês gostem da historinha!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Flores e Espinhos - Capítulo 1 - Capítulo Único

Eram quase três horas da manhã e John Smith ainda não tinha conseguido dormir. Deitou-se na cama e fechou os olhos mas o sono não chegava. Tentou usar um dos seus remédios para dormir e mesmo assim nada. Ele sabia muito bem o que estava causando aquela insônia.

 

Ele e a Doutora brigaram mais uma vez só que agora tinha sido uma briga séria. Ela o abandonou e o manipulou e John ficou profundamente magoado com sua atitude. Sempre viu a Doutora como sua melhor amiga e confiava nela cegamente, não estava esperando essa traição.

 

Esfregou os olhos com as mãos quando sentiu que ia começar a chorar. Era engraçado, um homem da idade chorando por uma mulher, mas a Doutora provocava esses sentimentos estranhos nele. Lembrava-se de quando tinham se conhecido.

 

Um amigo seu tinha lhe pedido para tomar conta de seus filhos enquanto ele e a esposa passavam um tempo juntos – sempre faziam pedidos assim ao John pois não era casado nem tinha família – e nesse dia o wi-fi da casa resolveu parar de funcionar causando pânico nos jovens. John foi forçado a telefonar para algum técnico de informática porque ele era uma negação em tudo relacionado à tecnologia moderna.

 

A pessoa que o atendeu falava muito agitada com um sotaque escocês e não o ajudou muito. Apenas alguns minutos depois ele ouviu batidas na porta e lá estava ela, a Doutora, mas ele não a conhecia ainda. A primeira impressão que teve foi que era uma mulher recém-saída do manicômio.

 

Ela era muito alta e tinha longos cabelos ruivos, repetia seu nome sem parar (“John Smith?! Você é o John Smith?!”) e usava uma túnica como se tivesse vindo de um século diferente. John fechou a porta na cara dela e pensou que deveria chamar a polícia, mas algo naquela mulher estranha o intrigou. Primeiro porque ela parecia conhecê-lo de algum lugar e segundo porque ela lhe dava uma sensação de conforto, como se estivesse seguro só com a presença.

 

Depois que se conheceram melhor, John logo entendeu porque sentia isso. Ela era uma Senhora do Tempo do planeta Gallifrey que viajava numa nave em formato de cabine de polícia e ajudava todos que encontrava em seu caminho. Apesar de parecer mais jovem que ele, na verdade, a Doutora era muito mais velha e seus olhos passavam essa sabedoria acumulada. Ela conseguiu alcançar essa idade através da regeneração, seu corpo mudava quando estava perto de morrer. John viu-a regenerar e estranhou aquela mudança abrupta. A Doutora agora era baixa, tinha cabelos castanhos e um sotaque do norte da Inglaterra. Ele demorou um pouco para se acostumar com isso, mas enfim percebeu que a Doutora não tinha mudado por dentro.

 

Seu relacionamento com ela era escondido porque não sabia como explicar para seus amigos que estava na companhia de uma mulher tão diferente assim. John não se dava bem com mulheres, não sabia falar com elas e seus namoros geralmente duravam poucos meses. Isto na época em que ele se dava ao trabalho de namorar alguém, depois que completou cinquenta anos resignou-se com o fato de que nunca encontraria uma companheira. Até a Doutora aparecer.

 

Não podia dizer que estava apaixonado por ela… ou estava? Não pensava muito naquilo porque sabia que não podiam ficar juntos daquela maneira e não queria estragar a amizade que tinham. A Doutora era muito complexa, ela era uma alienígena e muitas vezes agia como tal, portanto suas conversas eram sempre interessantes e diferentes de tudo que ele já experimentou na vida. Além disso ela era muito bonita e apesar de John já ter mais de cinquenta anos ele ainda não estava morto.

 

Mexeu-se na cama de novo, incomodado. Sua casa estava silenciosa. Não havia ninguém ali. Sua vida sem a Doutora era, infelizmente, muito vazia. Tinha um emprego burocrático que detestava, amigos que só via quando estes precisavam de um favor e nenhuma família. Seus pais já tinham morrido e ele não falava com a sua irmã. A Doutora era a única que trazia alguma cor para os seus dias. John começou a ver o mundo de outra forma depois que a conheceu e era difícil saber que nunca mais viajaria com ela por causa da sua briga.

 

Assim que pensou sobra a briga deles ouviu o barulho característico da TARDIS do lado de fora da sua janela. Acreditou que estava delirando, mas as batidas na janela o fez levantar-se da cama.

 

- Doutora? - ele perguntou, colocando sua cabeça para o lado de fora. Sua voz tinha um misto de surpresa e expectativa.

 

- John! - ela chamou.

 

A Doutora acenava para ele, parecendo contente em vê-lo. John notou que ela trazia algo na sua mão direita mas não conseguiu identificar o que seria porque estava muito escuro.

 

- O que você está fazendo aqui?

 

- Eu queria conversar com você.

 

- Por que não pousou a TARDIS dentro da minha casa?

 

- Você disse que não gosta quando eu faço isso.

 

John deixou escapar um sorriso no canto da boca.

 

- Certo, entre. Está muito frio aí fora.

 

A Doutora deu um salto e agarrou-se no parapeito da janela.

 

- Você pode me ajudar a subir?

 

- Quis dizer pra você entrar pela porta!

 

- Ah… - ela parou. - Bem… eu já estou aqui…

 

Ele revirou os olhos, mas segurou o braço da Doutora puxando-a para cima. Finalmente ela conseguiu entrar em seu quarto.

 

- Obrigada. - disse, ofegante.

 

John descobriu o que era o objeto em sua mão. Um buquê de flores.

 

- Isso é pra mim? - perguntou.

 

- Hã? Ah, sim! - a Doutora estendeu o braço, entregando-lhe o buquê. - Eu pesquisei sobre pedidos de perdão e descobri que dar flores de presente é um ritual na cultura humana.

 

John achou graça mas aceitou o buquê.

 

- Obrigado. - disse, sentindo o aroma dos lírios. - Mas geralmente é o contrário.

 

- Ah, a pessoa que eu ofendi deve me dar as flores?

 

- Não! Quis dizer, geralmente são os homens quem dão flores para as mulheres.

 

- Por quê?

 

- Hum… é um galanteio, elas consideram cavalheiresco.

 

John estava pensando que as mulheres guardavam rancor por mais tempo e por isso precisavam desses agrados, mas achou melhor não dizer aquilo.

 

- Não sei o que essas palavras significam. - disse a Doutora, franzindo a testa.

 

- Não existiam cavalheiros em Gallifrey? Homens românticos?

 

- Na verdade, não… dar flores é um gesto romântico?

 

John pigarreou, ficando sem graça.

 

- Não necessariamente. Quer dizer, depende da sua interpretação de romantismo… quer dizer, pode ser algo platônico ou… amigável… ou…

 

Ele não soube concluir o que ia dizer. A Doutora o olhava confusa.

 

- Eu vou colocar isso aqui na água. - John disse finalmente, encerrando o assunto. Ele saiu do quarto com o buquê de flores em mãos. A Doutora o seguiu.

 

- Como você está se sentindo? - ela perguntou.

 

John tinha dores de cabeça, mas não sentia mais raiva. Havia um cansaço dentro dele depois das fortes emoções que fora obrigado a enfrentar.

 

- Apenas com sono. - ele respondeu, o que não era mentira pois estava mesmo com sono mas não conseguia dormir.

 

- Fiquei preocupada com você. Parecia tão zangado comigo e me mandou ir embora. Pensei que ia ficar com raiva quando eu aparecesse aqui.

 

- Não estou com raiva.

 

John entrou na cozinha e começou a procurar por um jarro nas prateleiras, não tinha flores em há anos pois elas sempre morriam. Sentiu o olhar da Doutora seguindo suas ações.

 

- Não percebi que o que eu fazia era errado, John. Me desculpe.

 

Ele suspirou.

 

- Tudo bem, Doutora. Você não é humana.

 

John entendia que a Doutora não fez aquilo por maldade, mas ainda assim foi um golpe muito pesado para ele.

 

- Então estamos bem? Podemos voltar ao que éramos antes?

 

Ele encontrou um jarro de vidro e o colocou na pia para enchê-lo d’água.

 

- John? - ela perguntou novamente porque o humano ainda não se pronunciara.

 

- Não sei, Doutora. Eu gosto muito das nossas viagens, mas certas coisas são demais pra mim.

 

- Não vai acontecer de novo, eu prometo. Nunca mais vou deixá-lo sozinho.

 

Ele sorriu.

 

- Você não pode me prometer isso.

 

A Doutora não contestou, sabia que ele tinha razão.

 

- Certo, mas… você é muito importante pra mim, John. Não quero perdê-lo. Ainda temos tantos lugares para ver…

 

John arrumou os lírios dentro do jarro. Ainda pensava nos prós e nos contras de ficar com a Doutora. Será que ela valia a pena todo aquele tormento?

 

- Estou apaixonado por você, Doutora. - ele confessou.

 

- O que é isso?

 

John virou-se para ela, percebendo que nunca teve que definir aquilo antes e no quão complicado era.

 

- É quando gostamos muito de alguém e queremos ficar com essa pessoa o tempo todo. A ausência dela deixa tudo sem graça e triste.

 

- Ah… então eu também estou apaixonada por você, John. - ela sorriu, inocente.

 

John sentiu vontade de chorar de novo. A Doutora não entendia e nem poderia entender, pois enquanto que ela era tudo para ele, John era apenas um detalhe na vida dela.

 

- Por favor, John, fique comigo. - pediu, deixando-o derretido com aqueles grandes olhos castanhos. Teve vontade de beijá-la mas não o fez.

 

- Só mais uma viagem, Doutora. Só isso. Depois vamos seguir caminhos diferentes.

 

O sorriso dela fraquejou, estava obviamente chateada mas não insistiu no assunto.

 

- Está bem, John, se é isso que você quer…

 

John, na verdade, queria ser tão alienígena e imortal quanto ela mas era apenas um humano.

 

- Venha. Vamos ver como as flores ficam na sala.

 

Ele segurou a mão dela e levou o jarro consigo até a sala de estar, colocando-o em cima da mesa de centro.

 

- O que é aquilo? - ela perguntou, apontando para algo no sofá.

 

- Ah, é só minha velha guitarra. Tirei para limpar e esqueci de guardar de volta.

 

- Não sabia que você tocava.

 

- Bem, não toco há anos. Eu queria ser músico quando era mais jovem, só que isso não dava dinheiro…

 

- John, você devia ter me dito antes! Poderíamos ter conhecido Jimi Hendrix ou Chuck Berry ou…

 

- Não faz mal. - interrompeu, ficando triste por ela ter falado no pretérito. - Eu sou um guitarrista muito ruim, só iria passar vergonha.

 

- Aposto que você é muito bom.

 

John sentiu os lábios da Doutora na sua bochecha quando ela lhe deu um beijo e seu rosto esquentou.

 

- Meu lindo e talentoso humano. - ela disse, passando a mão pelos cabelos grisalhos dele. - Vou sentir sua falta.

 

John lhe deu um abraço, não gostava de abraçar ninguém mas precisava esconder seu rosto antes que a Doutora visse seu estado. Parecia que alguém tinha arrancado seu coração de dentro dele.

 

- Eu também vou, Doutora. - disse. - Eu também vou.

 

 

 

 



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