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História Florescência (abo - taegi) - Capítulo 2


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Notas do Autor


Hey, hey!
Boa madrugada a todxs! Gostaria de agradecer pelos favoritos e por estarem acompanhando, :3 É ótimo ver que estão curtindo e espero corresponder as expectativas! Tenham uma boa leitura ❤

Capítulo 2 - Outono estranho


Fanfic / Fanfiction Florescência (abo - taegi) - Capítulo 2 - Outono estranho

Embora já fosse noite e o céu estivesse escuro, a visão de Seul nessa época do ano era de tirar o fôlego e Yoongi não conseguia parar de observar a paisagem da cidade em plena a ascensão de um outono frio; focar na janela foi a melhor distração que pode escolher para passar o tempo. Cansado, se encolheu contra o banco de couro, repensando se o sorvete teria sido mesmo a melhor opção... O clima estava cada vez mais gélido e só esperava que sua decisão ruim não trouxesse de presente um resfriado.

—  Quer que eu ligue o ar quente? — Taehyung perguntou, o observando de relance.

—  Não precisa se preocupar. —  Afirmou, sem saber ao certo como devia agir com ele.

Depois do passeio no shopping, Jimin e Kook foram os primeiros a descer do carro e seu querido amigo lhe fez o desfavor de pedir a Taehyung para o levar até o trabalho, sem nem dar tempo para que negasse. Agora, preso dentro da lataria de aparência nobre, ele não conseguia parar de batucar os dedos contra a própria perna, inquieto por estar sozinho com um Alfa Lúpus dentro de uma autêntica Mercedes G Wagon.

Além do receio de ficar ao lado de um ser que era considerado por muitos uma besta selvagem, também achou válido começar a se preocupar com as chances de receber o informe de um processo até o fim da viagem, pois só existiam duas respostas plausíveis para ele ter um carro tão caro: ser traficante ou vir de família rica. De qualquer forma, isso não importava já que em ambas as situações teria um final ruim a sua espera.

— Já nos desentendemos no passado? — Ele tornou a falar, virando à esquerda com a avenida principal. Faltava pouco para chegarem à cafeteria e Yoongi sabia que seria essa a sua última chance de pedir desculpas.

Enquanto tentava lidar com a falta de coragem para cuspis um simples “sinto muito”, o Ômega o olhou com atenção, notando o quanto ele era bonito; Taehyung tinha um comportamento estranho e era engraçado como esse detalhe peculiar o tornava mais belo. Não se tratava de um cara grandalhão e assustador, na realidade, sua estatura o tornava elegante e misterioso. Além disso, os cabelos castanhos dele ornavam com a pele clara e de aparência macia, e por mais que sua boca rosada estivesse com um pequeno corte, Yoongi o considerou muito a cima dos padrões comuns.

Conseguia entender o motivo dos fofoqueiros de plantão afirmarem que os Lúpus eram a própria personificação da beleza, mais sedutores e instigantes do que o restante da espécie, sem contar com o fato de serem parceiros de alta casta. Tendo em vista a aparência e a qualidade para procriação, nem teve que pensar muito para compreender as razões óbvias desses Alfas acumularem um grande número de relacionamentos casuais. Mesmo sendo taxados de descontrolados, podiam conquistar qualquer um sem grandes esforços e notar esse detalhe enfureceu Yoongi. Detestava descobrir que toda parte de seus organismos visava a reprodução a cima de qualquer pudor!

— Por que acha isso? — Pigarreou, cruzando os braços. Queria se mostrar ameaçador, mas suspeitava que o homem ao seu lado não se importava nem um pouco com suas tentativas frustradas de se impor.

— Você me bateu, Min Yoongi. — Deu de ombros, suspirando. Outra vez, não existia qualquer sombra de irritação em sua expressão e a voz de comando não foi usada para descobrir a verdade. Perceber isso só deixou o Ômega mais desconfiado. — Creio que exista uma razão para ter feito aquilo, certo?

—  Foi um engano. Hora errada, lugar errado. —  Disse, simples e direto. — Peço desculpas.

—  Entendo. — Ele assentiu, estacionando o carro próximo a calçada. — Aceito as desculpas... Só gostaria de te pedir para se acalmar um pouco. Consigo sentir o seu nervosismo pinicar minha pele e isso está sendo terrível para mim.

Surpreso com o que ouviu, Yoongi arqueou as sobrancelhas. Tinha aprendido a se controlar tão bem nos últimos anos que poucos foram os que perceberam suas emoções e as alterações em seu cheiro. — Como sabe que estou inquieto?

— Não é nada demais. Só tenho os sentidos apurados. — Apesar de desconfortável em responder, ele sorriu e foi educado.

Embora quisesse saber um pouco mais, o Ômega resolveu ignorar a própria curiosidade. A vida de Tae não era da sua conta, de qualquer forma.

— Olha, não quero mais tomar do seu tempo, então vou direto ao ponto: vou escrever uma nota promissória alegando que irei pagar pelos danos que fiz no seu celular e você pode esperar tomando um café de cortesia. — Mudou o rumo da conversa, ansioso para abrir a porta e pular para fora do carro. — Pode ser?

—  Bem, eu aceito. — Ele desafivelou o cinto e abriu a porta, se preparando para descer. — Não existe nada melhor do que uma bebida quente para nos acolher em um clima tão frio.

Bem, não imaginou que ele fosse mesmo aceitar e teve que se preparar para dar adeus aos últimos centavos que tinha carteira.

— Vem comigo! Vou te servir depois de bater o ponto. — O chamou, siando do veículo e enfiando as mãos no bolso da jaqueta. A brisa agradável estava se tornando cada vez mais úmida e o frio o fazia imaginar o quão bom seria se enfiar embaixo de um cobertor enorme. — Pode me falar o que gosta de beber? — Torcia para que tal preferência fosse barata e sem adicionais.

— Um café amaretto cairia bem. — Informou, caminhando lado a lado com o Ômega.

— Ótimo. Escolha um lugar e fique à vontade. — Falou, entrando em seu local de trabalho com o coração apertado dentro do peito. Sentia seu corpo tremer só de lembrar que teria de falar com o chefe mais tarde... O homem era um porco vil, do tipo aproveitador barato, e todos os que trabalhavam ali o destetavam por completo. — Volto logo.

Deixou que Kim Taehyung arranjasse uma mesa e foi para a ala dos funcionários para se aprontar. Colocou suas coisas no armário e o uniforme cor creme antes de bater o ponto e dar início ao seu turno de seis horas. Gostava de trabalhar na cafeteria, porém, mais que o local fosse agradável e bem decorado, era uma grande fadiga não conseguir botar em prática o diploma que conquistou cerca de um ano atrás. Não havia nada de errado em ser um atendente, no entanto, o grande sonho que levava consigo visava comandar a cozinha da própria confeitaria, sem contar que existiam os diversos problemas causados pelo atual gerente do lugar, que por um acaso trágico era filho do dono.

— Já te pedi para ser mais rápido, idiota! — Seu asqueroso chefe o surpreendeu, resmungando muito perto de seu ouvido. O homem era um Alfa rechonchudo e espaçoso, o típico babaca sem senso comum, mas não podia dar a ele o que merecia por que precisava muito do emprego. — Será que vou ter que te disciplinar? Tenho pensado bastante a respeito dessa sua eficiência ruim e tenho que te dizer que nunca vi um Ômega tão atrapalhado. Te falta graciosidade.

Amuou os ombros, odiando a própria incapacidade de se defender. — Sinto muito. Já estou terminando o pedido de um de nossos clientes e irei limpar as mesas desocupadas. — Seu timbre soou baixo e respeitoso, submisso ao ponto de lhe trazer um gosto amargo a boca.

— Vê se não enrola. — A ordem clara e zombeteira irritou Yoongi ao ponto de ele ter de morder os lábios para não retrucar.

Se afastou da mão que apertava seu braço, indo até a mesa de Taehyung com passos pesados. Ele estava perto da janela, escondido em um canto mais silencioso sem desviar os olhos das ruas movimentadas da cidade. Com todo o cuidado, Yoongi o serviu; embora tentasse não demonstrar, suas mãos quase cederam pela tremedeira e passou muito perto de fazer uma bagunça com o copo de vidro.

— Ele tem te causado problemas? — Perceptivo, Tae não tentou esconder a rápida compreensão que tirou da situação.

— Do que está falando? — Questionou, arqueado as sobrancelhas. Algo naquela pergunta o fez se sentir constrangido ao ponto de ferir o seu orgulho.

— Tem medo dele mesmo sabendo se defender? — Insistiu, provando um gole longo do café. O sabor marcante e o toque sutil do creme de chantilly agradaram tanto que teve de provar outra vez.

— Você entendeu errado, só isso. — Não sentia a menor vontade de lidar com as perguntas de um intrometido, pois a sua paciência estava no limite.

— Espera, por favor! — Os olhos bonitos de Taehyung adquiriam um tom sutil de dourado e Yoongi não pode se impedir dar alguns passos para trás.

O Alfa podia perceber o medo do Ômega e não sabia o que falar para explicar de um jeito simples o receio que lhe tomou assim que notou a forma como o chefe dele o olhava. O homem parecia encarar uma fatia de bolo saboroso e todos os sentidos de Tae gritaram em alerta, como se anunciassem um pressagio ruim.

— O que foi? — Yoongi segurava a bandeja contra o corpo com força, curvando as sobrancelhas. O coração dele estava acelerado, mas sua personalidade forte o impediu de demonstrar o quão assustado se sentia. — Qual é o seu problema?

— Tenta tomar cuidado. Ele não é confiável. — Murmurou baixinho, desviando o olhar. Não queria que ele visse a cor de suas pupilas se tornar mais e mais densa. Sempre que se via preocupado elas assumiam uma tonalidade de dourado brilhante.

— Sei cuidar de mim mesmo, ok? — Por mais que falasse baixo, a oscilação em sua voz explicitava raiva e chateação. — Nós nem nos conhecemos direito, então não me diga o que fazer, Kim Taehyung.

— Não foi a minha intenção... — Resmungou, sem saber as maneiras certas de agir para evitar que a situação piorasse. Só achou que devia alertar o Ômega sobre o pressentimento ruim que sentiu, mas talvez tivesse sido melhor ficar de boca fechada. — Sinto muito.

Yoongi respirou fundo, achando tudo aquilo complicado demais. — Escuta, eu vou aproveitar que estamos fora do horário de pico e escrever a nota promissória, assim você pode ir embora sem se preocupar em gastar seu precioso tempo. Espere aqui, volto logo.

Antes que o Alfa tentasse continuar o diálogo, ele se afastou, indo checar os poucos lugares ocupados da cafeteria. Em um ritmo acelerado, preparou um expresso, serviu donuts e ainda aprontou um latte até ter algum tempo livre para pegar um guardanapo e redigir breves palavras a respeito do compromisso de arcar com os custos do conserto do celular.

Com o papel em mãos, retornou até onde Tae estava sentado. — Está feito. Tem a minha assinatura e também anotei meu número de telefone aí para irmos manter contato. — Informou, retirando a bagunça da mesa as pressas. Quanto menos ficasse na presença dele, melhor seria.

— Certo. Obrigado pelo café. — Tae se levantou, forçando um sorriso. — Novamente, sinto muito por passar dos limites.

Yoongi pegou o dinheiro que havia separado e colocou em cima da bandeja conforme observava o Alfa sair da cafeteria. Conhecer Taehyung foi estranho e indesejado... Algo que não esperava do dia de hoje, no entanto, como já tinha acontecido mesmo, só queria providenciar o dinheiro para pagá-lo o mais rápido possível e assim se livrar do problema de uma vez por todas.

— Posso saber o motivo de estar aí parado? — Seu chefe retornou para o atormentar, perto o suficiente para causar alerde, mas distante o bastante para não chamar atenção desnecessária.

— Só estava recebendo o pagamento do cliente que saiu agora pouco. — Respondeu, tentando colocar algum espaço entre os dois. — Teria disponibilidade para conversar comigo hoje? Estou precisando muito fazer turnos extras.

O homem sorriu satisfeito. — Claro. Fique até depois do horário e então nós iremos conversar, meu querido.

Relutante, Yoongi ignorou os sinais de alerta e aceitou as condições dele, se afastando para continuar com o trabalho sem notar o olhar repleto de maldade e luxúria que recebia.

Continua...


Notas Finais


E então, o que acharam? Espero que tenham gostado! Até o próximo capítulo *3* Beijinhos!!


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