História Flowers Between Us - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Haikyuu!!
Personagens Kenma Kozume, Shouyou Hinata, Tobio Kageyama
Tags Kagehina
Visualizações 310
Palavras 7.550
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Fluffy, Lemon, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OI GENTE TURO BOM?
Voltei com uma fic de kagehina MEUS FILHOS LINDOS

Alguns avisos sobre a fic:
1) a personalidade deles está um pouco diferente (talvez mais do que deveria) mas eu juro que eles tão muito soft EU JURO
2) O começo é bem devagarzinho e espero que o final não tenha ficado corrido.
3) O lemon ficou muito mais safado do que eu pretendia AAAAAAAAAAAA

eu tava louca pra fazer um flowershop au há séculos e cá estamos e como prometido, eu fiz uma fic bem maior que as anteriores (eu não esperava mais de 5k SOCORRO)
espero que vocês gostem <3 talvez haja alguns errinhos porque apesar de ter revisado mais de 4 vezes, por ser muito extensa, algo sempre passa despercebido, então me perdoem ;-;
agradecendo aqui a ~sunsae pela capa que como sempre TÁ LINDA! Obrigada miga!!

A fanart da capa e os personagens de Haikyuu não me pertencem.

Enjoy~~

Capítulo 1 - Capítulo Único


Mais um dia.

Hinata soltou um suspiro pelos lábios avermelhados devido ao café que estava tomando. Sua floricultura já estava aberta há um tempo e seu corpo estava apoiado no balcão, os olhos passeando pela rua enquanto segurava o copo com o líquido amarronzado. O cheirinho típico flutuava pelo cômodo, deixando o ruivo mais relaxado a cada respiração funda que fazia.

Naquela hora do dia, o movimento de pessoas era bem escasso e somado ao calor que estava fazendo por ser primavera, vários cidadãos optaram por aproveitar o dia quente em outras localidades. Com a mão no queixo, Shouyou observou seu amigo entrar pela porta da frente, o barulhinho do sino ressoando pelo estabelecimento.

Kenma. Você está atrasa-” Cumprimentou com um tom levemente irritado.

Shouyou, eu sei, desculpe. Eu e o Kuroo-” O ruivo abriu um sorrisinho.

“Eu sei. Nem tem tanto cliente assim. Vai colocar o avental.” interrompeu com um leve levantar de mão, dispensando o amigo para trocar de roupa. O falso loiro juntou os lábios numa linha fina, assentindo com a cabeça.

Um dos maiores sonhos de Shouyou era abrir sua própria loja de flores, já que toda vez que tocava no assunto, seus olhos começavam a brilhar com excitação. Desde muito novo tivera interesse na fauna, suas mãozinhas inquietas mexendo com todo o tipo de planta sempre que avistava alguma no jardim da escola.

Hinata e Kenma eram amigos desde do Ensino Médio e na decorrente situação, Kozume estava trabalhando para pagar a faculdade. O ruivo nunca deixaria o melhor amigo na mão e por isso, quando inaugurou a loja um ano depois de terem se formado, convidou o garoto de olhos afiados para ser seu funcionário.

Dois anos já se passaram e Hinata podia dizer que estava plenamente feliz. Estava gerenciando sua floricultura dos sonhos e definitivamente não se arrependia por tê-la aberto, muito menos por ter Kenma como seu ajudante, que acabou se apaixonando pela profissão.

Estava totalmente perdido em seus pensamentos quando notou uma movimentação no estabelecimento do outro lado da rua, alguns homens entrando com caixas enquanto um caminhão estava estacionado rente à calçada.

“Você soube que vai ser um estúdio de tatuagem?” Kenma reapareceu ao seu lado, apontando com a cabeça para onde Hinata estava olhando enquanto continuava a montar o mini buquê que estava em suas mãos, já que naquele dia ainda tinham entregas para fazer.

“Não… Como você sabe?” Shouyou voltou o olhar para o amigo, observando as flores em perfeita harmonia, seus dedos longos trabalhando com agilidade.

Kuroo conhece o dono.” comentou indiferente, dando de ombros. Pousou o mini buquê na madeira fria do balcão e pegou as anotações, conferindo se faltava alguma flor no arranjo. Hinata voltou os olhos para aquela direção, notando um homem alto e moreno, com óculos escuros os braços e o pescoço recheados de tatuagem, entrar no local. Shouyou sentiu suas bochechas corarem com tanta beleza exposta assim, bem na sua frente. O ruivo escutou uma risadinha escapar do amigo e isso fez com que o vermelho em sua pele se tornasse ainda mais intenso.

“O-O que foi?” perguntou, colocando ambas as mãos em seu rosto numa tentativa de evitar que o rubor se espalhasse.

“Parece que você viu o homem dos seus sonhos…” implicou, ainda rindo.

O quê?Hinata não podia mentir: aquele rapaz do outro lado da rua definitivamente era do seu tipo. Ele não gostava de admitir mas tinha quedas enormes por homens que transmitiam uma imagem de bad boy e o que melhor representaria isso do que tatuagens e piercings? Kozume apenas continuou a fazer seu trabalho, o sorriso atrevido ainda brincando em seus lábios, deixando o assunto morrer.

**

As luzes alaranjadas do pôr do sol cruzavam o estabelecimento de paredes azuis, indicando que já estava próximo do horário de fechamento da floricultura.

Hinata ainda estava organizando alguns arranjos para entregar no casamento que iria acontecer mais a noite. A noiva tinha sido bastante específica quando disse que queria algo que representasse seus sentimentos em relação ao casamento em seu volumoso buquê. Por isso, Hinata combinou as flores: cosmos, que significa alegria na vida e no amor, cravo-de-amor, representando amor eterno e flox, retratando nossas almas estão unidas. O ruivo estava bastante satisfeito com o resultado e já estava colocando-o na parte traseira da van, porque Kenma iria fazer a entrega. Com o endereço anotado no papel, Shouyou se despediu do loiro, acenando enquanto ele se afastava com o automóvel.

Voltando à loja, Hinata continuou com seu trabalho, que atualmente era varrer as folhas e raízes do chão. Tinha dito para Kenma que logo depois da entrega, poderia ir direto para casa.

Estava tão absorto em sua atividade que não ouviu quando o sininho vibrou, avisando a chegada de um cliente.

“Olá?” uma voz grossa disse, assustando Shouyou. Este se levantou com pressa, visto que estava curvado enquanto recolhia a sujeira do chão.

“Ah, boa tarde.” cumprimentou antes de olhar para a bendita figura.

Quando seus olhos bateram no rapaz em sua frente, Hinata jurava que iria ter um ataque cardíaco. O estranho estava sem seus óculos escuros, o que era bom porque agora ele conseguia enxergar seus olhos azuis-escuros. Seus braços ainda estavam expostos por causa da regata que usava, todos os cantos de pele preenchidos por tatuagens. Olhando de perto, era verdadeiramente uma obra de arte. O homem era um pouco mais alto, os fios pretos repousando de forma bagunçada em sua testa e o piercing adornando o canto dos seus lábios finos.

“Uh, boa tarde. Sou seu vizinho da loja da frente.” respondeu, estendendo a mão para o ruivo apertar. Hinata simplesmente assentiu, abrindo um sorriso acolhedor e devolvendo o aperto.

“Claro! Eu te vi de mudança mais cedo.” comentou casualmente, sentindo o toque suave de suas mãos ao mesmo tempo que um choque descia por sua espinha. É óbvio que eu já estou desenvolvendo o crush mais rápido da minha vida. Shouyou pensou.

Kageyama Tobio.” o moreno se apresentou com um sorriso, o piercing ganhando ainda mais destaque com o movimento.

Hinata Shouyou.” retorquiu, espelhando o sorriso. Seu coração parecia que ia pular da sua boca com toda aquela interação. Ao afastarem suas mãos, o ruivo o encarou por um tempo como se pensasse: o que ele estava fazendo ali? Parecendo perceber a confusão em sua expressão, Tobio se apressou em sanar as dúvidas.

“Como eu sou novo aqui, queria conhecer a vizinhança primeiro antes de começar o trabalho.” explicou, escondendo as mãos no bolso da calça jeans. Shouyou fez um movimento afirmativo com a cabeça.

Ainda encarando seu rosto, teve uma súbita ideia e se afastou de repente do outro, indo para os fundos da loja. Seguiu para seu jardim pessoal e de lá tirou um morrião dos passarinhos e quando voltou, o entregou para o moreno pelo caule.

“Essa flor significa seja bem-vindo.” desejou com gentileza.

Não sabia se estava imaginando coisas mas Hinata podia jurar que viu Kageyama corar com sua tentativa de ser receptivo.

“Obrigado.” escutou o outro dizer, pegando a flor de seus dedos e a levando para o nariz, abrindo um sorrisinho satisfeito com o cheiro leve que sentiu.

“De nada.” conseguiu sussurrar, a cena à sua frente se desenvolvendo de uma forma muito adorável.

“Eu preciso ir. Amanhã é a grande estreia.” informou, trazendo a flor para mais perto do peito. “A gente vai fazer uma festa de inauguração… Você quer vir?” convidou, desviando levemente o olhar. Hinata pela segunda vez no dia achou que iria desmaiar. Seu crush estava o chamando para a festa de estreia dele. A festa. O ruivo mal pôde impedir as palavras de sair da sua boca ansiosa.

“Claro.” afirmou, começando a tirar o avental quando Kageyama andou em direção a saída.

“Tudo bem. Te vejo às 18h.” se despediu, deixando com que a porta batesse.

Shouyou não estava nada preparado.

**

O movimento estava uma loucura.

Hinata mal tinha tempo para respirar direito. O dia estava lotado de pedidos para serem entregues; tudo porque a primavera era perfeita para fazer casamentos. E por algum motivo, muitas debutantes estavam comemorando seu aniversário nessa época. Kenma estava levando e trazendo flores para todos os lados, a beira de um colapso. Hoje era um dos dias mais ocupados que a dupla estava tendo.

Kenma, o pedido da Hanoka já está pronto?” Shouyou perguntou do balcão, o bloco de notas todo rabiscado.

O loiro depositou mais um vaso no chão, afastando-se enquanto passava as costas da mão na testa suada.

“Sim, acabei de colocar na van.” afirmou, pegando a garrafa d'água que estava ao lado do ruivo e dando um gole.

“Ok. Então eu vou entregar o dela.” decidiu, tirando o avental e deixando o estabelecimento logo depois.

Quando chegou na van, verificou se as flores estavam bem posicionadas para elas não amassarem. Se tinha uma coisa que odiava era quando as pétalas se desmanchavam.

Assim que sentou no banco do motorista, Hinata levou o olhar para o estúdio de tatuagem. Sua entrada era bem simples, as paredes pretas com a logo em letras de néon vermelhas. O ruivo não conseguia ver o que estava acontecendo lá dentro, mas definitivamente a curiosidade era grande.

Balançando a cabeça e desviando o olhar, lembrando que mais tarde estaria lá de qualquer forma, Shouyou ligou a van, conferindo mais uma vez o endereço e seguindo para o mesmo. Ligou o rádio e deixou a música tocar levemente, mexendo os dedos no mesmo ritmo.

Em poucos minutos chegou no local indicado, cumprimentando um dos organizadores. Começou a tirar todos os arranjos da parte traseira do automóvel e posicionava onde era mandado. Do pouco que o ruivo conseguiu ver, a festa de quinze anos seria na temática de circo. A decoração estava extremamente linda, as cores vivas em harmonia uma com as outras.

Ao finalizar, Hinata voltou para o carro, se despedindo da mãe da aniversariante que não parava de agradecer pelas flores e elogiar pelo o lindo trabalho com elas. O ruivo apenas assentiu, totalmente encabulado pelo prestígio.

Quando olhou para o relógio já estava perto das dezoito horas. Seu coração bateu com toda a força que tinha, fazendo Hinata respirar compassadamente. Não precisa ficar assim, seu idiota. É só uma festa, sua mente lhe disse e o ruivo apenas riu fraco. Não se sentia assim há tanto tempo que não sabia lidar com todos os efeitos colaterais que causava no seu corpo.

Após alguns minutos dirigindo, Shouyou chegou na rua da loja e já podia escutar uma música razoavelmente alta saindo do estabelecimento da frente. Quando estacionou, avistou Kenma colocando as flores que estavam expostas para dentro da floricultura.

“Como foi lá?” escutou o amigo perguntar assim que trancou o carro.

Hanoka não parava de falar como os arranjos estavam lindos.” comentou, abrindo um sorriso genuíno ao lembrar da expressão agradecida da mãe.

“Não podíamos esperar menos de Hinata Shouyou, não é mesmo?” O loiro elogiou, rindo quando percebeu o amigo ficar tímido mais uma vez naquele dia. Hinata não sabia lidar com elogios e se limitava a sorrir toda vez que isso acontecia.

“Quer ajuda aí?” O ruivo perguntou quando Kenma se virou para guardar o último vaso.

“Não.” respondeu, entrando na loja e sendo seguido por Hinata. “Você vai fazer hoje alguma coisa hoje?” questionou, começando a se despir do avental que usava.

Shouyou lhe encarou por alguns instantes, pensando se ele sabia do convite de Kageyama.

“Na verdade, sim. Por quê?” indagou, cruzando os braços.

“Mm, nada. Hoje é sexta e eu só queria ter uma noite de diversão, como nos velhos tempos.” deu de ombros, achando sua resposta o suficiente. Realmente fazia um tempinho desde a última vez que tinham saído juntos para curtir a noite, mas com tantos pedidos, no final do dia a dupla só queria dormir. O silêncio se estendeu por alguns segundos antes de Shouyou se pronunciar novamente:

“Eu fui convidado para a inauguração do estúdio de tatuagem.”  Kozume o encarou de forma desconfiada. “É- é sério. Kageyama veio aqui ontem à noite e me chamou.” explicou, movendo as mãos de forma exasperada.

Kageyama? Quem é Kageyama?” o loiro voltou a perguntar.

“Eu não sei. Quero dizer, não sei se ele é o dono do estúdio ou funcionário.” esclareceu, juntando os dedos inquietos na frente do corpo.

“Entendi… Divirta-se então. Vou dormir.” E com isso se afastou, tocando no ombro do amigo antes de sair de vez do estabelecimento.

O ruivo sorriu quando o outro saiu, agradecido por ele não implicar sobre o seu novo crush. Hinata decidiu tomar um banho antes ir, dado que sua loja dispunha de um chuveiro. A última coisa que queria era estar fedendo a suor devido ao leva e traz de arranjos. Como ele tinha trazido uma troca de roupas, ele apenas se direcionou para o banheiro. Em poucos minutos Shouyou estava pronto, com cheirinho de sabonete.

Hinata trancou a loja e seguiu para o estúdio barulhento. A fila que estava do lado de fora quando ele saiu para fazer a entrega já tinha sido dissolvida. O ruivo agradeceu mentalmente por isso e entrou no local agitado. A verdade era que não sabia porque estava ali. Não tinha obrigação nenhuma, mas se sentiu muito atraído pelo convite. Queria estar mais perto do moreno por algum motivo.

Logo na entrada se via a recepção, um balcão de madeira simples com um computador e o caixa. Distribuídos pelo ambiente havia divãs, algumas pessoas estavam sentadas neles enquanto conversavam animadamente sobre algo. As paredes pretas eram revestidas de quadros e pinturas de tatuagens, espalhados harmoniosamente. No fundo do estabelecimento eram os banheiros, indicados por placas e logo ao lado deles, estava o bar, a estrutura parecia estar ali apenas temporariamente.

O estabelecimento estava relativamente cheio, mas não lotado o suficiente para alguém esbarrar em alguém.

Hinata estava um pouco deslocado, porque não encontrava Kageyama em lugar nenhum. Resolveu ir em direção ao bar apenas para poder beber algo depois do dia longo que teve. Enquanto esperava por seu pedido, seus olhos voltaram para a pequena pista de dança, um grupo de pessoas movendo seus corpos no ritmo da música.

Foi quando viu Tobio sair do banheiro e ao dar uma olhada pela festa, seus olhos se encontraram, como se estivessem predestinados a isso, fazendo o moreno abrir um sorriso leve. Shouyou acenou levemente com a mão, um sorriso tímido crescendo em seus lábios.

Kageyama começou a andar em sua direção e nesse momento o barman pousou a bebida ao seu lado. Hinata virou-se rapidamente para pegá-la, dando um gole rápido, atrás de algum tipo de coragem misteriosa.

Dessa vez o moreno estava de camisa social, os primeiros botões abertos mostrando um pouco da pele do seu torso. As mangas estavam dobradas até o cotovelo, mostrando suas lindas tatuagens, a continuação delas sumindo por baixo do pano. Seu piercing continuava bem posicionado em seus lábios, e seu cabelo estava levemente mais arrumado que no dia anterior.

“Que bom que você veio.” Hinata escutou o outro dizer um pouco alto por causa da música, estendendo a mão para que o ruivo apertasse.

“Eu não sabia que você podia se vestir de forma mais formal.” Shouyou implicou, ganhando uma gargalhada do moreno.

“Às vezes ser dono da loja te submete à certas coisas.” respondeu, o sorriso não desgrudando da sua boca.

Hinata não estava surpreso por descobrir que Tobio era dono do estabelecimento. Raramente funcionários iriam de loja em loja vizinha se apresentar aos novos colegas.

“Isso é verdade. Minha loja já me fez passar por tanta coisa.” Hinata comentou, lembrando de vários momentos vergonhosos com Kenma. Kageyama levantou uma das sobrancelhas, curioso, mas deixou o assunto morrer por hora. Estava prestes a fazer uma pergunta para o ruivo quando alguém tocou em seu braço, dizendo algo próximo de seu ouvido. O moreno apenas concordou, lançando um olhar de desculpas para Hinata.

“Preciso ir agora. Te vejo no final da festa?” Shouyou conseguiu acenar positivamente antes do outro ser puxado para o centro da festa e receber um microfone para cumprimentar todos os convidados.

**

A festa não demorou para acabar.

De acordo com seu relógio, era meia noite. Com mais alguns drinques e petiscos, Hinata conseguiu se divertir na pista de dança. Atualmente estava do lado de fora, esperando por algum sinal de Kageyama.

Shouyou achava que estava ficando louco. Como, normalmente, ele estaria ali, esperando uma pessoa que ele nem conhecia direito?

A verdade era que Hinata já tinha passado da fase de querer apenas beijar Tobio. Ele queria conhecê-lo. Saber dos seus gostos, desgostos, sobre sua família, como ele entrou no ramo da tatuagem. Todos esses detalhes ele queria saber.

E estava tão absorvido pelos seus devaneios, que tomou um susto quando uma mão acariciou seu ombro. Rapidamente virou o rosto em direção a pessoa e quando reconheceu-a, sua feição voltou a se suavizar.

“Desculpe.” disse com o tom arrastado e Kageyama afastou os dedos de sua roupa.

“Não tem problema. Só não estava prestando atenção.” respondeu com um sorriso, encarando o rosto cansado do tatuador. “Está tudo bem?” perguntou, levando a mão para sua testa, confirmando que estava um pouquinho quente.

“Só estou exausto. Hoje foi um longo dia.” comentou, pegando a mão do ruivo e apertando-a levemente, como se quisesse confirmar que era só isso.

Hinata sentiu suas bochechas ficarem mais vermelhas ainda, o rubor chegando até seu pescoço. Aquele toque fez seu sistema espalhar um arrepio por toda a sua pele e por causa disso, se afastou levemente do outro.

“Você mora muito longe?” indagou, escondendo os dedos no bolso da calça.

Kageyama observou o ruivo com um sorriso fraco, achando fofo o jeitinho que ficara envergonhado.

“Na verdade, é virando a próxima esquina.” retrucou, começando a andar naquela direção.

“Eu moro na rua mais à frente.” esclareceu depois de alguns segundos, fixando o olhar na figura ao seu lado. Kageyama era muito bonito, pensou, reparando no formato simétrico de seu rosto e como seu cabelo ficava muito charmoso bagunçado daquele jeito pós-festa.

Foi quando reparou que Tobio estava andando de uma forma meio desajeitada, as pálpebras tremendo.

“Ei. Você está realmente bem?” parou, agarrando seu braço para que ele lhe encarasse.

“Eu só estou um pouco tonto. Vou ficar bem assim que chegar em casa.” informou, continuando a andar. Hinata se calou, não querendo discutir com o moreno. Mas que ele não parecia bem, ele não parecia.

Assim que viraram a esquina da rua de Kageyama, ele começou a se apoiar no muro da casa vizinha e Shouyou rapidamente foi confortá-lo, observando o modo como sua testa suava e seus olhos estremeciam.

“Qual delas é a sua casa?” o ruivo perguntou, abanando as mãos em seu rosto.

“Número nove.” murmurou, quase sem força.

Hinata colocou o braço do outro em seus ombros, começando a caminhar em direção ao referido local. Levou poucos minutos, devido ao fato de que Tobio não estava apoiando todo seu peso nele. Sem perguntar, o ruivo trouxe a mão que estava livre para o bolso da calça do moreno, procurando pelas chaves. Como imaginava, estava de fácil acesso. Depois de descobri-las, abriu o portão, carregando Kageyama até as escadas da frente e o fazendo se sentar. Voltou para a entrada e fechou o grande objeto metálico. Passou ao lado do moreno para a porta principal, abrindo-a sem esforço. Voltou a apoiar Tobio em seu corpo pequeno, levando-o para o sofá mais próximo. Assim que se afastou, observou Kageyama fechar levemente os olhos, seu torso subindo e descendo de forma rápida, o suor escorrendo por seu queixo.

Logo Hinata decidiu procurar a cozinha, para que pudesse colocar um pano gelado na testa do moreno, porque tudo indicava que ele estava com febre causada pela exaustão. Não conseguia imaginar o quão ocupado havia sido seu dia e provavelmente não tivera tempo para se alimentar direito.

Após explorar a casa de Tobio sem reparar muito em seus móveis ou pinturas, trouxe o pano e um copo d’água com um comprimido, fazendo o outro bebê-lo e logo depois fazendo-o deitar. Com isso o moreno soltou um gemido, sentindo seu corpo todo dolorido. Seus músculos pareciam dormentes. Shouyou afastou os fios negros da testa de Kageyama e depositou o tecido úmido naquela área. O moreno tremeu visivelmente, sua pele morna entrando em contato com o objeto frio. Hinata continuou com as mãos em seu cabelo, fazendo um carinho reconfortante enquanto o observava cair no sono.

Assim que o tatuador dormiu, a respiração leve, Hinata se afastou, incerto do que fazer. Não queria deixá-lo sozinho, já que poderia se machucar se fosse tentar pegar algo durante a noite. E se isso acontecesse, não se perdoaria pelo resto da vida. Por isso, se sentou na poltrona que estava em frente ao sofá, encarando o moreno até pegar no sono também.

**

Os raios do sol cruzavam a sala através das cortinas, iluminando o cômodo. Alguns passarinhos barulhentos voaram por perto, fazendo Kageyama franzir o cenho. Pôs a mão em sua testa instintivamente, os dedos indo de encontro com o pano, já seco.

Estava esperando uma dor de cabeça enorme, mas nada veio. Sentiu um gosto péssimo na boca, reconhecendo o remédio. Sua mente estava confusa, pois não lembrava como havia voltado para casa. As memórias do dia anterior ainda eram embaralhadas, mas a dor em seus músculos se fazia presente. Sentou-se no sofá, ganindo baixinho com a rapidez que fez para levantar.

Ao respirar fundo e começando a observar sua sala, encontrou Hinata encolhido como uma bola na poltrona, os tufos ruivos bem reconhecíveis. Abriu um sorriso leve, as lembranças da noite anterior vindo com força total. Fez uma nota mental para agradecer quando Shouyou acordasse.

Levantou, ainda meio tonto, seguindo para o banheiro. Sentia-se um lixo, estava fedendo, o suor ainda impregnado em sua pele, o cabelo seboso. Assim que entrou no cômodo tomou um banho demorado, esfregando todas as partes possíveis, o cheirinho do sabonete grudando em seu corpo. Quando acabou, colocou uma roupa mais confortável, uma camisa branca larga e uma calça moletom cinza.

Passou pela sala de novo e Shouyou ainda estava adormecido e com pena de acordá-lo, deixou-o descansando por mais tempo. Enquanto o observava, seu estômago roncou e o moreno seguiu diretamente para a cozinha, começando a preparar o café e a fritar alguns ovos.

Estava no cômodo há alguns minutos e não reparou quando o ruivo entrou no local, coçando os olhos para espantar o sono.

“Bom dia.” escutou o outro dizer e se virou em sua direção, achando fofo o jeitinho que seu rosto estava inchado por causa da sua posição na poltrona.

“Bom dia.” cumprimentou de volta, depositando dois pratos na mesa e colocando os ovos fritos. “Você pode usar o banheiro se quiser. Eu coloquei algumas roupas limpas, caso você queira se trocar.” Hinata assentiu, dando meio volta e sumindo pela casa.

Não demorou muito tempo para voltar, Kageyama terminando de pôr o café nas canecas. Quando olhou o ruivo, quis rir, sua blusa quase engolindo Hinata. O florista não pareceu se incomodar com as roupas, sentando-se na cadeira e atacando a comida.

Após minutos de silêncio, ambos apreciando o café, Kageyama se pronunciou:

“Obrigado por ontem.” começou, afastando o prato de sua frente. “Você não precisava ter ficado a noite toda comigo…” continuou, evitando encará-lo nos olhos.

“Não tem problema.” escutou Shouyou dizer e quando voltou o olhar para ele, viu que este sorria levemente. “Eu não ia conseguir dormir na minha própria casa sabendo que você poderia se machucar durante a noite. Você está melhor, não?” explicou, juntando as mãos em nervosismo.

“Sim. Obrigado.” reforçou, devolvendo o sorriso.

Hinata se levantou e começou a pegar a louça, levando-a para a pia e começando a lavá-la.

“Você não precisa-”

“É o mínimo que eu posso fazer.” o florista o cortou. Kageyama apenas assentiu, levantando-se para ajudar a secar e a guardar os objetos. Fizeram o trabalho em silêncio e quando terminaram, ambos abriram um sorriso satisfeito. Ficaram se encarando por um tempo, os olhos curiosos passeando pelo rosto um do outro.

Tobio estava louco para beijá-lo ali, as feições suaves, a boca levemente apartada, convidativa. E por causa disso se aproximou, levando os dedos ansiosos para seu rosto. O toque foi tão suave que Hinata quase não sentiu e seu coração palpitava tão alto que achava que o tatuador poderia escutar. Kageyama maneou a cabeça para o lado, como se perguntasse se estava tudo bem em continuar com aquilo. Shouyou acenou levemente, começando a fechar os olhos quando viu o outro acabar com a distância entre seus lábios.

O beijo começou como um toque de bocas, o tatuador confirmando que Hinata tinha lábios macios, assim como imaginava. Segundos depois deslizou a língua por seu lábio inferior, como se pedisse permissão para adentrar sua boca. Shouyou consentiu a ação, recebendo a língua do moreno com todo o fervor, enroscando-as quase que imediatamente. O florista trouxe a mão para a cintura do moreno, querendo-o mais perto, começando a puxá-lo em sua direção, demonstrando que queria aquele beijo tanto quanto ele.

Kageyama não pôde deixar de abrir um sorriso com a ação, mordiscando seu lábio com o movimento. Hinata envolveu um dos braços em seu pescoço, também abrindo um sorriso e começando a rir. Tobio podia jurar que aquele som era um de seus preferidos agora.

“O que foi?” o moreno conseguiu perguntar depois de desviar os beijos para o queixo e a linha do maxilar do ruivo.

“Nada.” respondeu, acariciando sua nuca com os dedos que estavam grudados em seus fios negros. “Só estou feliz.” continuou, apreciando o trabalho de mordidas que Tobio estava fazendo em sua pele do pescoço.

Mmm, por quê?” indagou, genuinamente curioso.

“Porque você também gosta de mim.” afastou-se levemente do outro, querendo encará-lo enquanto o retorquia.

O tatuador sentiu falta de ar com aquela resposta. Ele era tão fácil de se ler assim? A verdade era que desde que tinha entrado em sua floricultura, seu coração parecia ter sido roubado pelo ruivo. Por um simples gesto, a entrega da flor de seja bem vindo fez Kageyama se derreter todo. Ele queria afirmar, mas seu rosto ficou totalmente vermelho, sua mente impedindo-o de dizer algo. Abriu um sorriso acanhado, o florista acariciando sua bochecha e rindo fraco, voltando a beijá-lo, dessa vez com mais vontade. Não precisava de confirmação.

Seus lábios estavam famintos, procurando um ao outro e querendo saciar aquele apetite de toque. Kageyama puxou Hinata para sentar no balcão da pia, encaixando-se entre suas pernas, deslizando a mão por sua cintura. O florista levou os dedos para os bíceps tatuados do outro, apertando levemente a pele por causa das sensações que o moreno estava proporcionando.

Estavam tão afundados no momento que quase não escutaram o celular do tatuador vibrar na mesa. Kageyama se afastou relutante com um último selinho, murmurando desculpa em direção ao ruivo. Shouyou suspirou, desapontado com a perda de contato, mas entendendo perfeitamente, até porque Tobio era dono de uma loja que precisava sempre da sua atenção.

Enquanto o moreno conversava no aparelho, Hinata levou o olhar para o relógio, constatando que já eram nove horas. Desceu rapidamente do balcão, lembrando que, apesar de ser sábado, a floricultura ainda funcionava. Pensou que Kenma deveria estar lá, preocupado com o sumiço do amigo.

Pegou as próprias roupas e as colocou de volta, deixando as de Kageyama no banheiro. Tirou o celular do bolso e viu várias mensagens do loiro, seguindo em direção ao moreno e assistindo-o ainda no telefone. Procurou um papel e caneta, encontrando-os numa mesinha da sala. Escreveu seu número e dobrou o papel, aproximando-se de Tobio e deixando um selinho em seu queixo, que era a área onde seus lábios alcançaram no momento. Sussurrou um eu preciso ir para ele, pegando sua mão e depositando o papel dobrado nela.

Kageyama apenas assentiu, não tendo espaço para argumentar porque precisava prestar atenção na conversa que estava se desenrolando no telefone. Apenas assentiu, observando o florista sumir de sua vista.

**

“Eu não acredito!” Kenma quase gritou do balcão, a mão cobrindo a boca. “Essa foi a investida mais rápida que você já fez, meu amigo.” O loiro implicou, sendo acertado por uma caneta do ruivo.

Ugh, cala a boca.” apesar de soar bravo, Hinata estava sorrindo. Não ia mentir, aquela manhã tinha sido incrível e ele queria repetir, repetir, repetir. Sua cabeça estava nas nuvens e seu estômago embrulhava só de lembrar. Kageyama entrou na sua vida da maneira mais certa possível.

“Vocês vão se ver de novo?” escutou a voz do amigo perguntar, quebrando toda sua linha de pensamentos. Aquela era uma boa pergunta. Verificando o celular pela décima vez naquela manhã e reparando que ainda não tinha recebido nenhuma mensagem do moreno.

“Espero que sim.” mordeu o lábio, deixando o telefone de lado e se concentrando no buquê à sua frente novamente.

Rapidamente o assunto foi esquecido, as horas passando devagar naquele dia. Hinata super focado nos três arranjos dos três casamentos que teria que entregar. Agradecia profundamente aos céus por ter Kenma ao seu lado, senão teria que se virar totalmente sozinho.

Quando finalmente voltou de sua última entrega, Shouyou sentiu o celular no bolso vibrar.

 

[ Mensagem recebida às 18h20 ]:
Oi, Hinata. Desculpa pela demora, fiquei enrolado com alguns problemas na loja.

[ Mensagem enviada às 18h21 ]:

Sem problemas. Tá tudo bem?

[ Mensagem recebida às 18h25 ]:

Está sim. Eu vou ter que ficar alguns dias fora para resolvê-los. A gente se vê quando eu voltar…?

[ Mensagem enviada às 18h30 ]:

Claro! Boa viagem.

Após essas mensagens, Hinata não esperava acordar e encontrar novas de “bom dia” no dia seguinte. Nem nos próximos. Apesar de sua aparência, Kageyama se mostrava muito interessado e preocupado com seu bem-estar, embora tenha que estar lidando com burocracias do estúdio. Eles passavam horas conversando, principalmente à noite, quando os dois tinham mais tempo.

Shouyou começou aos poucos a descobrir informações sobre o moreno, como por exemplo, que sua cor favorita era vermelho e que sua flor preferida era lírio, que significava majestade. Quando foi comentar sobre isso com Kenma, o amigo respondeu que achava que combinava, ainda mais que Tobio sempre passava uma impressão de superioridade.

E ficaram trocando mensagens durante uma semana toda, até que o tatuador o lembrou de que voltaria naquele sábado.

Ambos estavam combinando de saírem em um encontro quando Kageyama voltasse. E Hinata estava tão aflito que sentia seu coração na garganta, mas a sensação estava sendo maravilhosa de se experimentar. Não tinha certeza se podia afirmar que estava apaixonado, mas que alguma coisa muito forte ele estava sentindo pelo moreno, ele estava.

Podia perceber quando ficavam horas sem se falar, Shouyou extremamente para baixo, como se, somente Tobio tivesse a força para animá-lo novamente. Sentia quando estava cuidando de seu jardim pessoal e gastava mais tempo nos lírios, pensando que gostaria muito de fazer um buquê delas para entregar ao tatuador. E também quando estava distraído, os pensamentos no sorriso e na personalidade gentil de Kageyama. E por isso quando estava em frente ao espelho do seu quarto, ajeitando o cabelo, teve que soltar um suspiro de alívio, por finalmente ter o moreno perto de si de novo.

Tinham marcado o encontro na casa do tatuador. A verdade era que ambos não queriam ter que gastar e eles não estavam com muita vontade de sair. Resolveram então, pedir comida. Além do mais, Hinata estava preocupado no fato de que talvez, só talvez, Tobio estivesse cansado quando chegasse de viagem e seria mais reconfortante se estivesse em um ambiente mais confortável.

Pegou o buquê de lírios que tinha montado mais cedo e o levou consigo. E em poucos minutos chegou no local, tocando a campainha e dando mais uma ajeitada em seus fios rebeldes. Assim que Tobio abriu a porta, Shouyou reparou em seu visual; as tatuagens dos braços estavam escondidas na camisa de manga longa, mas as de seu pescoço estavam bem visíveis. Felizmente o piercing ainda estava adornando charmosamente os seus lábios. Apesar do tempo separados, Kageyama não havia mudado nada.

“Boa noite, senhor.” Shouyou cumprimentou de forma brincalhona, oferecendo as flores ao tatuador. Tobio sorriu em sua direção, acabando por ficar sem reação por causa dos lírios.

“N-ão precisava.” respondeu, rindo acanhado. “Obrigado.” suas bochechas ficaram extremamente ruborizadas com o gesto adorável do outro. Ainda mais quando lembrou que havia dito alguns dias atrás a sua flor preferida. Ficou muito grato por Shouyou ter se lembrado. Como de costume, levou as pétalas para o nariz, inalando o cheiro suave que estas exalavam.

Ao se afastar da entrada para que o menor entrasse, o tatuador começou a segui-lo.

“Eu já pedi os ramen.” informou. “Você tinha dito que gostava do de porco, então tomei a liberdade de pedir deste sabor.” continuou, enquanto adentrava mais a casa e procurava por um vaso para colocar o buquê.

“Tudo bem.” disse, decidindo sentar-se no sofá. “Como foi a viagem?” o ruivo continuou o assunto, reparando mais profundamente em como os móveis estavam em harmonia e como as paredes dos cômodos pareciam combinar.

“Foi tudo tranquilo, na verdade. Consegui resolver as burocracias mais rápido que eu esperava.” finalmente achou um vaso de cerâmica e logo o encheu com água, colocando as flores nele. Shouyou murmurou algo, afirmando que tinha escutado. “Ei, eu tenho uma pergunta.” Tobio começou, logo se sentando ao lado dele. “Você já pensou em fazer alguma tatuagem?” indagou, pegando em sua mão e a trazendo mais perto de si, como se avaliasse a pele macia do outro.

Hinata parou um momento refletir sobre a questão. A verdade era que quando mais novo, ele sempre tivera vontade de fazer uma, mas com tantos relatos negativos por causa das dores, ele acabou ficando desmotivado. E foi exatamente isso que respondeu a Kageyama.

O moreno riu. “Não tem nada demais, sério.” afirmou, ainda segurando sua mão. Juntou seus dedos com os dele e com o polegar acariciou a pele daquela área. Shouyou mais uma vez ficou com vergonha, desacostumado com aquele tipo de toque.

“Você fala isso porque já fez várias.” conseguiu argumentar depois de alguns segundos, apontando com a cabeça as tatuagens em seu pescoço, ao mesmo tempo tentando ignorar o crescente suor nas palmas.

“Juro que não.” o tatuador persistiu. “A gente pode tentar fazer uma depois. Se você quiser.” sugeriu, tentando provar o seu ponto.

O ruivo ficou calado, levando em consideração aquela proposta. Não estava muito confiante, mas o olhar brilhante que Kageyama tinha em seus olhos o persuadiu. Afirmou positivamente com a cabeça, revirando os olhos quando Tobio abriu um sorriso tentador. “Só para experimentar, ok?” explicou.

Quando estavam prestes a entrar em detalhes, foram interrompidos pelo entregador. Tobio rapidamente levantou, seguindo para a porta e voltando com a comida.  Em poucos minutos estavam comendo, rindo e conversando sobre assuntos diversos.

A partir daquele dia a relação dos dois evoluiu tanto.

**

Após três meses do prometido, Hinata estava pronto para sua primeira tatuagem. Quer dizer, nem tanto. Já estava deitado na grande cadeira, o braço esticado na direção de Kageyama que estava com luvas e uma máscara apoiada no queixo.

Vendo o terror nos olhos do ruivo, Kageyama ousou rir meio rouco. “Relaxa.” sussurrou, o sorrisinho elevando minimamente seu piercing com o movimento. Começou a passar o algodão com o produto na sua pele para prepará-la.

Tobio eu juro que se essa agulha doer, eu vou te-” foi interrompido.

“Só confia em mim, tá bom?” falou, pegando o desenho da tatuagem.

Foi um sofrimento decidir qual ilustração usar. Hinata queria tatuar muitas coisas, mas ao mesmo tempo queria que todas tivessem um significado. Depois de debater muito, acabou escolhendo a imagem da flor dente-de-leão, que era uma das suas flores preferidas. As pétalas, no desenho, se transformavam em pássaros, numa manifestação de liberdade e pureza. Shouyou estava muito satisfeito com sua escolha.

“Vou começar.” Tobio avisou, Shouyou levando automaticamente a mão para Kenma, que estava sentado na cadeira do seu lado. O loiro apenas riu, agarrando os dedos do amigo para confortá-lo. O moreno cobriu a boca com a máscara, inclinando-se para começar a tatuagem.

A dor que o ruivo sentiu não podia ser explicada.

Nesse momento todos os xingamentos possíveis voaram de sua boca, todos direcionados a Kageyama. Sentiu lágrimas no canto dos olhos, tendo a sensação de que seus ossos iam quebrar.

Kenma quase podia sentir a dor do amigo através do aperto de suas mãos.

Depois de várias pausas e palavrões, Tobio finalmente terminou. Levou seu braço para perto de Hinata para que ele enxergasse o resultado.

“Ficou linda.” elogiou, fascinado com os traços delicados e na simplicidade da tattoo. Kageyama enrolou a tatuagem em um plástico, apenas para proteger a pele.

Abaixando a máscara, depositou um beijo na altura da cabeça de Hinata, como se silenciosamente pedisse desculpas pela dor causada.

Após ter se acalmado, Shouyou levantou e seguiu para casa, já que Tobio ainda tinha outros clientes para atender. Murmurou um te vejo mais tarde, deixando um selinho em seus lábios antes de ir.

Logo a noite chegou, e apesar de tudo, Hinata estava muito feliz com o desenho em sua pele. Como estava esperando Tobio chegar, começou a preparar algo para ambos comerem.

Acabou virando hábito os dois irem para casa um do outro no final do longo dia de trabalho. Neste dia era vez da casa do ruivo. Em poucas horas Kageyama chegou, ambos comendo juntos, conversando sobre o trabalho e um pouco mais tarde, indo diretamente para a televisão, assistindo algum filme qualquer.

Estavam na metade quando Hinata sentiu a mão quente de Kageyama deslizar por sua cintura, puxando-o para mais perto. A verdade era que estavam há tanto tempo sem se tocarem mais intimamente que Shouyou podia sentir a tensão entre eles. E tudo era culpa do trabalho, que os fazia se sentirem exaustos no final do dia, incapacitados de mover um músculo.

Por isso, quando Tobio depositou um beijo leve em seu pescoço, o ruivo apenas grunhiu baixinho, convidando-o a continuar com os toques. Estava sentindo a necessidade de proximidade e o moreno estava mais do que disposto a dar isso a ele. Aproveitou sua aprovação para prosseguir e seguiu um caminho de beijos até seus lábios, capturando-os com toda a vontade que tinha. Suas línguas se juntaram, enroscando-se com ferocidade, algumas mordidas sendo deixadas na carne de suas bocas.

Os dedos do ruivo estavam perdidos nos fios da nuca do tatuador, puxando-o cada vez mais para perto de si. Após sentir falta de ar e um calor intenso, Hinata murmurou impaciente contra os lábios do outro tira, tira, referindo-se às suas blusas. Ambos se afastaram, puxando os panos inconvenientes pela cabeça, a respiração descompassada.

Nesse momento Kageyama estava totalmente inclinado, em cima do menor. Os olhos brilhantes do florista grudaram em seu torso, totalmente coberto pelas tatuagens, criando caminhos por toda sua pele. Shouyou sentiu sua boca salivar. Devido a isso, puxou-o pelo pescoço, virando-os no sofá e sentando em seu colo, ficando por cima. Afastou-se com um último selinho, desviando os lábios para as tatuagens em seu pescoço, gastando um tempinho para lambê-las e mordê-las.

Pôde sentir os dedos do moreno agarrarem a pele de seu quadril, puxando-o para se movimentar para frente e para trás, encostando seus volumes.

Com o movimento, Hinata arquejou, o ar quente saindo de seus pulmões e fazendo cócegas na pele exposta do pescoço do tatuador.

Ah- merda” sussurrou, a sensação tomando quase completamente seus sentidos.

Antes que pudesse vê-lo, Shouyou escutou o sorriso no tom de voz do moreno.

“Apressado, baby?” e com isso, suas mãos agarraram a carne de sua nádega, seus tórax encostando com o movimento.

Sem forças para retrucar, o florista suspirou, descendo em direção ao pênis do parceiro. Com um novo brilho nos olhos, lê-se vingança, Hinata alcançou o zíper da calça do outro, abrindo-o sem cerimônias e acariciando-o por cima dos panos.

Sentiu-o tremer por inteiro com seu toque, rindo baixinho com o olhar de desespero que este estava lançando.

“Para de provocar.” Kageyama conseguiu falar depois de trocar olhares com o menor. O ruivo apenas sorriu de maneira inocente, mas libertou seu membro da cueca, fazendo um movimento constante com o dedão na glande. O pré-gozo estava escorrendo por sua extensão e Shouyou fico mais orgulhoso ainda quando lembrou que era por sua causa. Esticou a língua em direção ao seu pênis, subindo e descendo por seu comprimento, experimentando o gosto que o outro expelia.

Kageyama à essa altura estava uma bagunça; os olhos fechados com os lábios presos entre os dentes, o suor escorregando por sua testa e as mãos trêmulas nos fios da nuca do florista. Tudo o que o ruivo conseguia escutar eram suspiros e murmúrios de seu nome.

Resolveu então envolver o membro ereto do outro em sua boca quente, engolindo quase todo seu tamanho, fazendo movimentos com a língua no processo e tentando ao máximo não machucá-lo com os dentes. Levou as mãos, agora livres, para a parte interna de sua coxa, apertando-as suavemente e cravando as unhas na pele. Com uma longa sucção, fechou os olhos, se concentrando em dar todo o prazer para o tatuador a sua frente.

Mm- de novo, por favor.” escutou o outro suplicar, logo entendendo que ele estava se referindo a sucção que tinha dado. Repetindo o movimento, Tobio quase teve espasmos musculares por causa da sensação maravilhosa que aqueles lábios úmidos estavam lhe proporcionando.

O tatuador atreveu-se a abrir os olhos, se deparando com Hinata focado no que estava fazendo. A imagem pareceu piorar sua situação, o atraso do orgasmo quase sendo impossível de adiar. Por isso, para retardá-lo, puxou Hinata pelo fios da testa e afastou-o de seu membro, dando leves batidas com ele em seus lábios entreabertos.

“Deixa eu cuidar de você.” falou, trazendo-o para beijá-lo de novo.

Shouyou apenas assentiu, sendo levantado pelo moreno e carregado até o seu quarto, onde Kageyama o colocou com muito cuidado na cama, ainda com as bocas grudadas. Como o ruivo ainda estava de calça e de cueca, o tatuador rapidamente o livrou dos itens, deslizando os dedos pelo seu abdômen e o tocando onde Hinata mais o queria, na sua entrada.

“Fica de quatro.” Tobio pediu e o florista logo o obedeceu, seu bumbum suspenso no ar. Hinata agarrou os lençóis abaixo de si quando o moreno acariciou sua entrada com um dos dedos. Alguns segundos depois escutou a movimentação do outro pela cama e Shouyou teve certeza que o moreno estava atrás do lubrificante. Assim que o achou, derramou um pouco em seus três dedos, aquecendo-os.

Levou o primeiro para seu músculo, beijando suas coxas para acalmá-lo. O ruivo não teve dificuldades em relaxar, o dedo inicial entrando com facilidade. Kageyama o estimulou por mais um tempinho, inserindo o segundo e o terceiro um pouco depois. Foi com uma movimentação mais profunda que escutou o outro gemer mais alto e foi quando descobriu que tinha achado sua próstata. Ficou acertando o nervo por longos minutos, até que escutou Hinata reclamar que o queria dentro dele o mais rápido possível.

Acatando ao pedido do menor, colocou a camisinha e se lubrificou, trazendo sua entrada para mais perto do seu membro. Adentrou-o sem esforço, deslizando com muita facilidade. Com um gemido agudo, Shouyou apertou ainda mais o travesseiro que estava abaixo de si, escondendo o rosto no mesmo.

Com movimentos de vai-e-vem, Kageyama estava conseguindo sentir o prazer, o redor quente de Hinata o abraçando com força. Apertou a pele de sua cintura, penetrando-o com força e a cada segundo mais fundo.

Sentindo falta de observar as expressões do florista, saiu de repente de dentro dele, beijando suas costas.

“Amor, vira pra mim. Quero ver seu rosto.” com um arquejo, o menor rolou no colchão, encarando o moreno assim como ele queria. Com um sorriso genuíno em seus lábios, o puxou pela nuca, beijando-o mais intensamente do que nunca. Com isso, Tobio voltou a afundar em sua entrada, buscando por seu orgasmo e levando a mão livre para o pênis de seu parceiro, masturbando-o na mesma velocidade que suas estocadas. Hinata o agarrou, as pontas dos dedos afundando em suas costas largas.

Em poucos segundos ambos gozaram ao mesmo tempo, o nome um do outro escorrendo por seus gemidos. O deleite de Shouyou jorrou entre seus abdomens e Kageyama enterrou o rosto no pescoço do ruivo, respirando desreguladamente. O florista o abraçou, beijando seu torso e inalando seu cheiro.

Depois de se acalmarem, o tatuador se afastou e se levantou, dobrando a camisinha e a jogando no lixo, logo após procurando por lenços umedecidos, limpando a pele do menor.

Puxando Hinata para apoiar a cabeça em seu peitoral, começou a fazer carinhos circulares com os dedos, sentindo o sono lhe abraçar.

“Ei.” chamou o ruivo. Este levantou a cabeça em sua direção, o queixo apoiado em seu torso. “Namora comigo.” pediu, levando a mão para sua bochecha enquanto a acariciava.

Após três meses de praticamente morando juntos, estava mais do que na hora do pedido de namoro ser oficial. Kageyama assistiu suas feições mudarem de cansadas para radiantes, e logo Shouyou estava assentindo, os braços o agarrando com força, enterrando o rosto em seu peitoral e em seguida sussurrando:

“Claro que sim.”

O tatuador se apaixonou um pouquinho mais.


Notas Finais


Se você chegou até aqui, muuuuuuuuuuito obrigada!!

Espero que tenha tido uns surtinhos básicos HAHAHA fiz de propósito sim, sue me

aqui como mais ou menos imaginei a tatuagem do Hinata: https://i.pinimg.com/736x/b9/2e/18/b92e18821e741abb42a35202db269d30--tatoos.jpg

os significados das flores foram baseados nesse livro, que eu li um tempinho atrás: http://www.editoraarqueiro.com.br/media/upload/conteudos/Linguagem_das_flores_IMPRENSA.jpg

se encontrarem erros, por favor, me avisem!


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