História Flutua (A Seleção) - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Voltron: O Defensor Lendário
Personagens Acxa, Allura, Ezor, Hunk, Keith, Lance, Pidge Gunderson
Tags A Seleção, Keith, Kiera Cass, Klance, Lance, Voltron
Visualizações 41
Palavras 2.124
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: LGBT, Lírica, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente... O que foi essa nova temporada?
MEU DEUS
Se ainda não assistiu, corre lá pra ver!
~Netflix me contrata que eu sei fazer propaganda huehue
ENFIM depois dessa temporada sem grandes índices futuros para Klance, acho que o melhor a se fazer é se acabar lendo fanfics e ignorar o mundo real ne nom u.u

MUUUUITO obrigada por favoritar minha fanfic e agradeço desde já se sua intenção for acompanhar os próximos capítulos :3

Capítulo 2 - Capítulo 1


Lance'sPov

Nunca fui um grande fã de arte.

Embora minha mãe fosse do tipo quase "obcecada" pelos inúmeros artistas ao redor do reino, nunca vi graça em uma mera moldura pendurada na parede. O fato complicado era que, por ser completamente apaixonada por Van Gogh, Laozi, entre outros seres da literatura artística ou filósofa, minha mãe achava essencial que todos os seus filhos tivessem um aprendizado de qualidade sobre o assunto quando pequenos.

Ou seja, cá estou eu vislumbrando um retrato incrivelmente mal feito da 3 Guerra Mundial com a legenda mais mal pensada já criada. Porém, por algum motivo que desconheço, faço uma análise mental sua. A pintura se baseia em diversos corpos caídos no chão. Não, não são corpos "comuns". São gente de pele negra. Desnutridos, de mãos sujas e dedos largos como patas de um animal, lábios ressecados e cabelos cumpridos que batiam nas costas. Ambos formavam - com seus corpos - uma escada para a alta burguesia, obviamente de pele branca. Mas eis que surge um detalhe que não poderia passar mal despercebido por mim graças às minhas longas horas de aula de interpretação com um professor contratado por minha mãe: Os brancos estão descalços. Como se o fato de usarem alguém para os levar ao topo não fosse algo necessariamente ruim, pois suas reais intenções não são de feri-las.

Odeio esse quadro. 

Odeio ter que ficar olhando para ele com cara de choque como se isso me surpreendesse.

Odeio literatura.

Odeio pertencer à uma classe de gente que sempre vai se sentir superior aos outros, mesmo que no fim das guerras, sempre recebam a velha lição de que somos todos iguais. 

Sinto-me menos deslocado ao notar que não sou o único a sentir repulsa daquela obra. 

Com um misto de irritação e desespero, os olhos de minha irmã observam o quadro pendurado na parede do corredor como se fosse um barril de peixe podre. 

Uma coisa que sempre gostei muito é a água. Quando criança eu adorava ir à praia só pelo prazer de nadar no mar. Para ser honesto, essa é uma paixão que possuo até o dia de hoje. O único problema é que nunca fui bom em prender a respiração por muito tempo. Nas competições, era sempre quem não aguentava e colocava a cabeça para fora antes mesmo de completar 1min, e minha irmã, Veronica, sempre zombava de mim por isso.

Sendo ridiculamente péssimo em competições, até o dia de hoje me pergunto como que consegui nascer primeiro que ela. 

Eu, Lance Charles McClain, em menos de 1min, consegui algo que muitas pessoas considerariam bastante impressionante: Me tornar rei. 

Não devia ser grande coisa, afinal não existe uma olimpíada de competição específica para o "nascimento de gêmeos", ou seja, devo viver com a tristeza de nunca receber uma medalha por existir. 

Mas Lance, você é um rei! Deve ter muitos privilégios! É isto que está a pensar? Bom, sinto muito em revelar que não é assim que as coisas funcionam. 

Antes de me tornar rei, há inúmeras passagens que devem ser feitas, e entre elas...

- Ansioso com sua Seleção? - Veronica pergunta, evidentemente não querendo opinar sobre o quadro á nossa frente. 

Como minha gêmea, Veronica tinha quase tudo de mim; Formato dos olhos, a cor da pele, as feições, até a marca de nascença escondida atrás do ombro esquerdo, mas numa coisa éramos totalmente diferentes: Ela não ligava para a opinião alheia. Adorava vestir-se com calças, embora o protocolo real exigisse o uso somente de vestidos elegantes, e era muito interessada em ciência, algo que anos atrás era considerado um hobbie exclusivamente masculino. Graças à nova lei de Alfor, rei muito respeitado, as mulheres passaram a exercer um papel igualmente importante na sociedade de Altea.

Em breve, Altea seria minha.

Mas havia esse pequeno obstáculo que eu tinha de passar primeiro.

- Não. - respondo, depois de muito refletir. - Estou assustado. 

Como se lesse meus pensamentos, Veronica gentilmente pousa sua mão em meu ombro.

- Não contava que ia ter que escolher uma só esposa? - ela brinca, e não consigo disfarçar meu constrangimento. Ela estava certa, afinal nunca fui de escolher somente uma parceira. Garotas são ótimas, não me leve à mal. Mas sempre preferi a arte do flerte que me submeter à um relacionamento instável. Em momento algum de minha vida imaginei ter que me encaixar nesse sistema. Talvez eu tivesse esquecido de minha responsabilidade. 

- Antes a ideia de ter várias meninas competindo por mim no palácio era empolgante! Mas isso quando a Seleção estava lá, bem longe... - digo. Com Veronica, sinto que posso ser eu mesmo, e isso me permite expressar qualquer coisa que vem à minha mente.

- Entendo. Mas não devia se preocupar tanto. - ela me encoraja. - Digo, sei que é fácil falar quando a Seleção não é minha, mas pense que pode ser uma experiência boa para seu crescimento pessoal. Céus, Lance! Você está se tornando um homem! - Veronica checa rapidamente atrás de duas costas e em seguida começa a passar os dedos embaixo de minhas axilas, me fazendo rir feito um porco escandaloso.

- Já sei! Já sei! - tento revidar, mas ela sabe meus pontos fracos, então nao há muita coisa a ser feita.

De repente, ela para e assume um semblante sério. 

- Algo a incomoda, irmã? - pergunto, desamassando meu paletó. 

- Espero que você faça sua escolha com muita cautela. - ela diz. - Aposto que no primeiro momento que sentir seu coração acelerar por alguém, irá querer um casamento no mesmo instante.

Me sinto ofendido.

- Quantos anos acha que tenho? E outra, sou eu quem parte corações lembra? Nenhuma garota jamais me fará de tolo.

- Conheço você. - Veronica me encara de um jeito que só ela sabe fazer. Seu olhar revela que sente medo por mim, e que se pudesse faria qualquer coisa para garantir que eu fique bem. Suspiro lentamente e enfio as mãos nos bolsos. 

- Será uma competição pacífica entre 35 garotas. O quê poderia dar errado?

Keith'sPov

Aproximei-me da lareira, sentindo o calor da chama sobre meu rosto. Aproveitei para me sentar da maneira mais mal criada possível, considerando que naquele momento não havia ninguém no cômodo além de Shiro. 

- Às vezes você age como se voltasse a ter 12 anos. - ele diz, mas seu tom de voz é mais brincalhão que censurável. 

- O que posso dizer? - rebato, com um sorriso provocativo. Não que Shiro o fosse perceber. - Sempre serei o moleque que você pegou roubando na feira. 

Ele solta uma risada gostosa que me faz entender porquê nunca gostei de garotas. 

- Ainda recordo daqueles tempos como se tivessem sido ontem! 

Shiro deveria ser como um irmão para mim, mas há exatamente dois anos, me dei por conta de que meus sentimentos iam um pouco além disso. 

Não somente pelo fato de ele possuir o mais belo peitoral já visto, ou por seus braços enormes capazes de quebrar uma melancia, ou seus olhos orientais que sabiam tanto por medo em alguém quanto encantar - não entenda errado, todos esses detalhes não são descartáveis -, mas por Shiro ter sido de longe a única pessoa que nunca desistiu de mim. Em momento algum.

Para ser sincero, Shiro foi a única pessoa a enxergar algum tipo de valor em mim mesmo quando todos me viraram às costas.

Naquele momento, ele estava terminando de tirar seu uniforme de guarda para se preparar para o toque de recolher rigoroso de Altea. Ele começou desafivelando a espada de sua cintura, mas logo foi para minha parte favorita: A parte de cima.

Shiro relembrava momentos engraçados que havíamos vivido no passado enquanto tirava um por um dos botões de seu uniforme, e pervertido do jeito que sou, não consegui desviar os olhos. 

- Concorda Keith? - ele pergunta. Ao chamar por meu nome, sinto um arrepio percorrer meu corpo e rapidamente aceno com a cabeça.

- Sim. - respondo, dando uma leve risada para fingir que acompanhava o que quer que ele tenha dito. 

- Bom - ele começa -, acho legal que o clima entre nós tenha ficado descontraído agora porque... 

Ele começa a andar em minha direção, se agachando para sentar no tapete tão gasto que dava quase a mesma sensação de sentar sobre a madeira.

- Há algo que gostaria de te dizer. 

Meu coração acelera. 

Fico em silêncio, fitando seus intensos olhos negros, mas como ele não reage, percebo que devo dizer alguma coisa.

- Fala. - é a única palavra que sei que não me fará gaguejar e passar ainda mais vergonha. Tento parecer indiferente, mas minha voz soa curiosa e fina devido ao nervosismo.

- Olha, primeiro quero que me perdoe por não ter dito isso logo. É que... É meio difícil para mim, entende?

Permito que meus olhos caiam sobre seu abdômen perfeitamente esculpido. Meu sangue corre rápido por meu corpo, tornando a tonalidade de minhas bochechas mais vermelhas que um tomate.

- Está tudo bem. - digo, lhe dando abertura para continuar. 

"Agora não, pensamentos homossexuais!" - me censuro, mas já é tarde demais, pois penso que a qualquer segundo Shiro irá se declarar para mim e que passaremos a noite toda trepando no carpete, até que...

- Eu fui transferido. - ele diz, por fim. Todos os sentimentos que antes me abalaram simplesmente somem, sendo substituídos pela mais pura angústia. 

- Para onde? 

Ele hesita.

Meu mundo cai.

- Shiro... - tento me recompor. - Para onde

- Para o Palácio. Querem me contratar para um dos guardas reais.

Me sinto um completo imbecil por já não ter imaginado que a notícia não era boa.

- Mas o Castelo de Altea fica do outro lado do reino... - minha voz soa como um gemido, como se a qualquer momento eu fosse desabar.

- Eu sei. - Shiro diz.

- Não se importa que eu não vou ver você nunca mais?

- Me importo.

- Então por quê está fazendo isso?! - explodo. Não suportaria a ideia de ter Shiro, minha única família e grande amor, indo morar tão longe de mim.

- Keith. - ele relaxa as mãos sobre meus ombros, tentando impedir que eu torne a gritar. Na última vez que brigamos, as coisas saíram muito do controle... 

Encaro o chão, envergonhado por ter agido impulsivamente.

- Eu sei de tudo isso. É por esse motivo que eu pedi que contratassem você também.

Meus olhos quase saltam para fora da cara. 

- O quê...? - pergunto, meio desnorteado.

- Nós dois vamos ser da Guarda Real de Altea! - ele exclama. Fico sem saber como reagir. Sinto uma enorme adrenalina correndo em minhas veias, e a única certeza que tenho é que preciso me levantar.

- Shiro, isso  é... INCRÍVEL! - começo a andar em círculos para aliviar a tensão de meu corpo, e só depois de alguns segundos percebo que Shiro está me olhando com o maior sorriso que sua boca o permite dar. 

Aquilo faz com que uma onda de realidade me atinja, e no próximo instante, deixo de ficar entusiasmado para sentir medo.

- Shiro, percebe o que fez? - pergunto, sério. 

- O quê? - ele parece confuso, mas já está acostumado com minhas crises existenciais.

- Eu não tenho nenhuma experiência! Como posso entrar pra Guarda sem nunca ter trabalhado nesse cargo antes? 

- Fica tranquilo, eu já providenciei tudo. - ele diz, mas isso só serve para me deixar ainda mais atordoado.

- Não sei se você é de muita confiança, sem ofensas.

- Tarde demais, já estou ofendido.

Trocamos insultos e rimos, então volto a sentar no tapete. 

- Nunca imaginei ver o autoconfiante Keith tão apavorado. 

Ele bagunça meus cabelos, e me sinto novamente com 15 anos ao corar. Dou graças à Quiznack por estar escuro e ele não poder notar minha vermelhidão.

- Você tem habilidades extraordinárias com espadas e é um lutador excelente! Que mais experiência você tanto almeja para o cargo?

Tento ignorar os elogios para responder naturalmente.

- Treinar com você é uma coisa, mas lutar contra os rebeldes... 

- Não pense nisso. Você nunca foi inseguro, isso está me assustando. - ele diz. - Quem é você e o que fez com o corajoso Keith?

Sorrio de lado, mas ainda sinto receio em ir morar no Palácio. Sempre fui o moleque "pobre" que se metia em brigas por comida nas ruas, sem moral, sem nada. Sem dúvida conhecer Shiro alterou minha sina para sempre, mas me tornar um guarda da realeza? Isso era mais do que eu poderia esperar de uma vida cheia de obstáculos e solidão.

Talvez o futuro reserva-se algo bom para mim, afinal.


Notas Finais


♡♡♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...