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História Fogo e Água: Elementais - Capítulo 17


Escrita por:


Notas do Autor


Tô surtando de feliz que a história ultrapassou os 100 fav! Muito, muito obrigada!
E aí, prontos pra matar a saudade do Jeongguk?
Boa leitura!

Capítulo 17 - Vermelho Vil


[Reino de Fogo]

— Eu juro que estava em Seul! — Jeongguk gritou, tentando convencer seus pais de uma mentira. 

Contudo, era difícil ter uma conversa com eles quando pareciam tão irritados. Jeongguk estava com as mãos amarradas atrás das costas, os joelhos, cedendo ao peso do corpo, estavam sobre o chão, enquanto seus braços eram segurados com brutalidade por dois Guardas diferentes. Como um verdadeiro prisioneiro. 

Jogin estava soltando fogo pelas narinas. Ele não acreditava em nenhuma palavra de seu filho, desde que teve o desprazer de vê-lo no castelo depois de tanto tempo. Nayeon, mãe do príncipe, tinha pena de ver o filho que amava daquela maneira, sendo tratado como um animal, mas não podia fazer muito quando nem ela mesma acreditava nas palavras de Jeongguk.

O rei caminhou a passos pesados até o príncipe e esfregou o próprio rosto, contendo a vontade de estapeá-lo bem ali, no meio do salão. 

Jeongguk estava sendo humilhado na frente de muitos nobres. Lutava contra a vontade de erguer a cabeça, pois sabia que aquilo lhe custaria.

— Não acredito em uma palavra que sai dessa sua boca imunda — o rei disse. — Me diga onde você estavas — exigiu novamente, controlando o resto de paciência que ainda tinha.

— Eu já disse, Vossa Majestade, eu estava em Seul. Não aguentei vossos maus tratos e fugi para longe. 

— E por que eu deveria acreditar em você? — Jogin indagou, ganhando o olhar firme do filho para si. 

— Porque eu estou dando minha palavra. 

Jeon Jogin riu como se escutasse uma piada. Em seguida, aproximou-se do corpo do filho e sussurrou:

— Ela não vale muito para mim. 

O rei caminhou para longe e sentou-se em seu trono, sendo acompanhado pela rainha — que nada podia fazer além de obedecê-lo. O soberano esperou ser servido com vinho tinto, enquanto olhava a desgraça do filho ao seus pés. Depois de beber um gole, ouviu Jeongguk perguntar:

— O que vai fazer comigo? 

Sua indagação não era digna de um relacionamento entre pai e filho. O príncipe parecia um infrator, enquanto seu pai era apenas o juiz que lhe repudiava. Mas Jeongguk engolia isso. Engolia e aceitava, porque já estava acostumado. Porque nunca teve outra opção. 

— Não há muito o que fazer, senão dar-te outra chance. Serei piedoso com você dessa vez, Jeongguk, porque embora minha vontade seja te deserdar, eu ainda tenho escrúpulos para saber que sua irmã jamais seria capaz de assumir teu lugar. 

Jeongguk engoliu em seco, enojado com aquelas palavras. O príncipe não sabia se o que mais lhe atingia era o ódio do pai, ou a visão dele sobre o mundo. Jeongguk já não sabia mais quem era Jogin, mas sabia que jamais iria querer se tornar alguém como ele. 

— Voltarás com tuas atividades Reais. Mas saiba que se cometer outro erro, qualquer que seja, não verás a luz do sol até o dia de sua coroação!

Com aquelas palavras, Jeongguk já sabia que estava preso; preso em uma casa de horrores, um lugar que odiava e que há muito aprendeu a enxergar como sua destruição. Voltar para o Reino de Fogo era a sentença de sua infelicidade. A pequena faísca de alegria em sua vida lhe foi tirada assim que deixou Jimin para trás. 

[...]

No fim do dia, após ter conseguido colocar a cabeça no lugar, Jeongguk foi se encontrar com alguém. 

Ele sabia onde ela o esperava, então se apressou em pendurar a aljava sobre os ombros largos e caminhar em direção ao imenso campo de treinamento, que ficava nos fundos do castelo, mas ainda no limite da fortaleza. 

O sol já se escondia no fim do horizonte e o céu exibia seu costumeiro tom alaranjado. No Reino de Fogo, o vermelho sempre era o véu sobre suas cabeças. O clima, sempre tão quente, permitia com que Jeongguk usasse tecidos menos grossos. 

O Príncipe de Fogo encontrou Yeri a poucos metros. Ele sorriu ao notar o quão habilidosa estava a irmã. A princesa parecia, além de tudo, mais crescida, independente e dona de olhos tão felinos quanto os do príncipe. Jeongguk tinha orgulho de vê-la assim, mesmo que soubesse que, por dentro, ela abrigava preocupações excessivas e medos constantes. No fim, Jeon Yeri era sozinha no mundo, contudo, era forte o bastante para lidar com isso. 

Como forma de chamar sua atenção, Jeongguk sacou uma flecha da aljava e encaixou no arco pesado que estava em suas mãos. Mirou bem no centro do alvo e, mesmo a muitos passos de distância, conseguiu cortar a flecha de Yeri, já plantada no centro alvo. No mesmo momento, a mulher virou para trás e exibiu um largo sorriso quando encontrou o irmão. Ela segurou as sobras de seu longo vestido e correu até estar nos braços de Jeongguk. 

O príncipe sentiu o cheiro familiar que emanava dela. Quiçá fosse a única coisa que o lembrasse de seu lar. Yeri era seu lar, sua irmã mais velha e sua família. Sua única família. Apertou em seus braços o corpo pequeno e delicado, afundando seu nariz em seus longos cabelos vermelhos. Então, depois de muito lutar contra, o príncipe sentiu uma lágrima escorrer de seus olhos e manchar seu rosto. 

Quando se afastaram, Jeongguk percebeu que ele não era o único que chorava. Yeri estava tão emocionada quanto ele. Para ela, a saudade de seu irmão era imensa. Não o via há anos, e, da última vez que estiveram no mesmo reino, não puderam sequer se comunicar devido a fúria do rei. 

— Ggukie, eu estou tão feliz — ela disse, segurando as mãos grandes do irmão com as suas pequenas, porém um tanto calejadas após anos manuseando sua arma favorita. — Eu pensei que nunca mais fosse te ver. 

— Também estava morrendo de saudades — Jeongguk confessou, limpando a lágrima que molhava seu próprio rosto. — Como você está?

— Como eu estou? — a mulher perguntou, para então rir. — A pergunta é como você está. Por onde esteve, Gguk? Eu estava morrendo de preocupação. 

— É tanta coisa para te dizer. Por que nós não praticamos um pouco, hm? — ele sugeriu, apontando com o queixo para o arco que ela havia abandonado sobre a grama recém cortada. 

Yeri sorriu, convencida da ideia. Ela sempre adorou praticar com o irmão, como costumavam fazer nos velhos tempos, mas depois que Jeongguk se mudou para Seul, ela ficou sozinha. Fez tudo sozinha. Seus treinos divertidos passaram a ser solitários, mas o amor que a princesa nutriu pelo arco e flecha nunca desapareceu.

Os irmãos correram entre risadas até estarem a uma distância considerável do alvo. Yeri sacou uma nova flecha de sua aljava e sustentou o arco com firmeza. Levou apenas alguns segundos para que ela estudasse sua mira, e, pouco tempo depois, atirou, exibindo sua habilidade — invejada por muitos dos Vermelhos que passavam pelo campo de treinamento. As mulheres sempre olhavam-na admiradas, como se a princesa fosse uma verdadeira fonte de inspiração. Alguns homens a invejavam, outros, a desejavam ainda mais cada vez que ela se provava forte para combater uma legião sozinha.

O Príncipe de Fogo riu e bateu palmas para a princesa. 

— Você está muito melhor do que a última vez. A distância é muito mais longa e, mesmo assim, você acertou de primeira — ele a elogiou. 

— Você não está nada mal também. 

Ele negou com a cabeça, soltando uma curta risada, enquanto se preparava para atirar. Mirou com precisão o centro do alvo, mas, dessa vez, sua flecha atingiu um pouco mais ao lado da flecha de Yeri. Sorriu orgulhoso da mesma forma. Era ótimo naquilo, contudo, sabia que sua irmã dominava aquela arma em específico muito mais do que ele.

Eles continuaram a praticar por mais longos minutos, atraindo a atenção de todos que passavam pelo local. Muitos ainda não sabiam do retorno do príncipe e acabavam por ficar surpresos, outros, lançavam olhares curiosos, questionando-se sobre a estadia do príncipe durante seu período ausente. A maioria, no entanto, parava para admirar as ricas habilidades do príncipe e da princesa em campo. 

Quando se cansaram, jogaram-se sobre a grama, esquecendo-se dos bons modos e de que aquilo não era apropriado para a realeza. Eles riram juntos e beberam água, sentindo uma genuína felicidade crescer em seus peitos. 

— Vai me dizer onde você estava? — Yeri questionou, com as costas sobre a grama recém cortada e os olhos atentos ao céu agora vermelho escuro pela noite que chegara. 

Jeongguk não encarou sua irmã e deu um longo suspiro. O príncipe queria contar tudo para ela, mas não podia. Em vez disso, preferiu dizer:

— Eu estou apaixonado. 

A princesa levantou-se de supetão, lançando um olhar surpreso para o irmão. Sua boca estava entreaberta, como se ela quisesse expressar alguma coisa, mas não conseguisse, o que acabou arrancando uma risada alta do irmão, que continuava deitado, observando as estrelas.

— Pela primeira vez eu sinto que posso ser feliz. Que podemos fazer um ao outro felizes. Não me sinto mais sozinho.

Por fim, Yeri sorriu e deitou-se ao lado do irmão novamente. Ela olhou para as lindas estrelas que cobriam o céu e chegou a uma conclusão:

— Minha felicidade também é a sua felicidade, Jeongguk. Você não sabe o quão feliz eu fico em ouvir isso. E como ela é?

Jeongguk engoliu o seco, mas se permitiu abrir um sorriso cheio de ternura. O príncipe pensou em Jimin, em como ele era forte, mas também era sensível. Ele tinha seus medos, mas sabia tomar as decisões certas, sempre preocupado com os outros, sempre temendo suas escolhas com medo de machucar alguém. Jeongguk pensou em como Jimin mudou desde que o conhecera, mas nunca perdeu sua essência. Ele continuava bom e mais forte. E só foi preciso lembrar de seu sorriso e dos lindos olhos que formavam meia-luas, que seu coração aqueceu como brasa e seus pêlos eriçaram. 

— É a pessoa mais incrível que eu conheci. Eu espero que possamos ficar juntos quando tudo isso acabar. 

— Eu também espero, por você, Jeongguk. Você merece ser feliz.

Então ele olhou para ela.

— Nós merecemos, irmã. 

A princesa sorriu, sabendo que seu irmão estava certo. Yeri podia não receber tanto apoio de sua família, mas ela era feliz consigo mesma. Sabia que seus princípios eram diferentes dos de seus pais, e aquilo enriquecia sua personalidade. Lutava pelo que era justo, até que esbarrasse com os limites. Mas, ainda assim, nunca deixava de sonhar por um mundo diferente.

— Eu estava pensando em contatar o Conselho — Yeri assumiu, despertando a preocupação de Jeongguk. — Eu sei o que você vai dizer, que nossos pais…

— Nossos pais acabariam com você. 

— Eu sei, mas você não acha que é o certo, Jeongguk? — a mulher perguntou, erguendo a sobrancelha. — Se nós disséssemos tudo que eles planejam ao Conselho, poderíamos…

— É arriscado, Yeri. Além disso, o Conselho jamais acreditaria em nossas palavras. Além disso, acho que nem é preciso contatá-los…

— O que você quer dizer com isso? — a princesa indagou, suspendendo uma das sobrancelhas.

Jeongguk suspirou fundo e procurou as melhores palavras para dizer a sua irmã o que sabia.

— Eu soube que o Reino de Água está obtendo o apoio do Conselho. Então não temos que ter preocupações quanto a isso. 

— Como você sabe disso, Ggukie? — ela perguntou, confusa, ao passo que se sentava novamente. Jeongguk repetiu o gesto, sem encarar os olhos da irmã. — O que realmente houve quando esteve fora?

— Apenas confie em mim, Yeri. Você pode fazer isso? — Ele finalmente moveu os olhos até ela. 

A princesa se afogou no olhar do irmão. Estudou-o tempo suficiente para entender que ele não diria nada a respeito do tempo em que esteve fora. Que ele não podia dizer nada. Portanto, preferiu acreditar em suas palavras. 

Havia momentos na vida de um monarca em que ele precisava tomar decisões, por mais difíceis que elas fossem. Às vezes, não saber sobre um assunto, o previne de um problema. Yeri entendia que Jeongguk queria apenas protegê-la, portanto, não o contestou mais. 

— Eu confio em você, Gguk. Sabe que se precisar de qualquer coisa, eu estou aqui.

O príncipe sorriu.

— Também sempre vou estar aqui. 

Embora eles quisessem passar horas conversando para destruir a saudade que lhes tomou muito tempo, não podiam. Jeongguk avistou o melhor amigo saindo às pressas do castelo e correndo em direção a eles. Yoongi parecia agitado, e o príncipe notou isso mesmo de longe. Não tardou para que os irmãos Jeon se levantassem e fossem de encontro ao guerreiro. 

Yoongi colocou as mãos sobre os joelhos, onde apoiou o peso de seu corpo durante alguns segundos para se recuperar de sua caminhada apressada. Após recuperar o ar, ele anunciou em voz alta:

— Vim chamar vocês, pois o rei solicitou suas presenças para uma reunião de emergência. 

— O que ele quer agora? — Yeri indagou confusa e mentalmente exausta. A cada dia que passava, seu pai organizava uma reunião diferente para lhes encher a cabeça. Mas, dessa vez, a preocupação de Yoongi denunciava algo a mais. 

— Não sei exatamente. Mas parece ser importante. 

— Está bem, vão na frente — a princesa disse. — Preciso recolher minhas coisas. Prometo ser rápida. 

— Certo — Jeongguk respondeu, tomando a frente com Yoongi a passos largos. 

Juntos, eles caminharam para dentro do castelo e, assim que adentraram os limites da fortaleza, Yoongi segurou o braço do príncipe com cautela. 

Jeongguk o encarou com o semblante carregado de confusão, entretanto, o guerreiro não demorou a explicar:

— Na verdade a reunião acontece em meia hora. Mas eu queria te contar algo antes. 

Instantaneamente, Jeongguk sentiu uma fagulha de medo tomar-lhe o peito. A voz de Yoongi havia saído diferente do habitual, um tanto mais cuidadosa, como se entrasse em uma zona perigosa. O príncipe engoliu em seco e assentiu em seguida. 

— Eu estou trocando cartas com Hoseok. 

Jeon ergueu a sobrancelha, ao passo que o coração e os músculos rígidos relaxavam pela confissão inesperada. 

— Por que está me dizendo sobre seu romance agora? — questionou o príncipe, notando o quanto aquelas palavras afetaram o amigo, que, prontamente, enrubesceu. 

— Não… não é exatamente sobre mim, cara. É o Jimin. 

Então, os batimentos cardíacos do príncipe voltaram a acelerar. Os músculos contraíram e sua mandíbula enrijeceu em desespero. 

— O que tem o Jimin?

— A princípio eu não quis te contar nada pra você não enlouquecer… Mas agora que eu sei que está tudo bem… 

— Enlouquecer? Do que você tá falando, Yoongi?

O guerreiro suspirou, já ciente de que aquela seria a reação de Jeongguk. Quando se tratava de Jimin, o Príncipe de Fogo não era tão racional. 

— Hoseok tinha me contado que o Jimin foi atraído para uma área perigosa, cheia de feiticeiros e Vermelhos. Ele ficou desaparecido durante uma noite. 

— O quê?! — Jeongguk exclamou alto, atraindo a atenção de alguns dos nobres que circulavam pelos arredores do castelo. — Eu tenho que ir até ele! — Jeongguk tentou dar um passo para frente, contudo, a mão de Yoongi o deteve. 

— Você está louco? Fique quieto, ele já está bem.

— Mas só Deus sabe se ele realmente está bem! Eu preciso ir vê-lo, Yoongi! — Jeongguk olhou para o amigo com acidez, como se o ameaçasse caso não desse espaço para que ele pudesse fugir. 

— Não adianta me olhar com essa cara de cão raivoso! Você não vai ir e sabe por quê? — questionou, sem realmente querer ouvir uma resposta. — Porque se não seu pai vai te queimar vivo! 

Jeongguk gostaria de refutá-lo dizendo que nenhum deles poderia ser queimado, mas ele entendeu bem o que o guerreiro quis insinuar. Jogin não daria segundas chances para seus deslizes, especialmente agora que havia perdido sua confiança.

Com uma feição irritada, mas também preocupada, o príncipe questionou Yoongi com o tom de voz mais calmo:

— E como o Jimin está?

O guerreiro deixou um suspiro escapar de seus pulmões, aliviado por Jeongguk não persistir com a ideia absurda de fugir outra vez. 

— Você tem sorte que seu namorado é forte. Ele deteve todo mundo, e olha que não era pouca gente. Depois voltou para lá com um exército e dizimou todo o resto. 

Jeongguk expirou o ar dos pulmões em um gesto aliviado. Um pequeno sorriso se formou em seus lábios ao pensar no Príncipe de Água lutando contra tantas pessoas. Jeongguk sabia que Jimin era forte e nunca duvidou de suas capacidades. No entanto, saber que o Azul estava evoluindo e que era capaz de lidar com uma legião sozinho, deixava o Príncipe de Fogo ainda mais orgulhoso. 

Jimin era um dos homens mais fortes que já conheceu, e Jeongguk admirava cada parte dele. 

— O lado ruim, no entanto — retomou Yoongi, com a expressão cansada —, é que seu pai enviou dezenas de espiões para o Reino de Água e não me comunicou. 

O príncipe empurrou o cabelo vermelho para trás e afundou as mãos no rosto. 

— Que inferno — resmungou com a voz abafada pelas palmas das mãos. Com um suspiro, volveu-se novamente para o guerreiro. — O que ele quer? 

— Além de destruir tudo e todos? Não sei.

Jeongguk bufou e negou com a cabeça. 

— Você disse que temos meia hora, certo?

  — Hm… Certo — confirmou Yoongi, semicerrando os olhos para o príncipe. 

— Preciso fazer uma coisa antes, então.

Jeongguk se virou e caminhou em direção à escadaria bem iluminada que o levaria para o andar superior do castelo, onde estava seus aposentos Reais. Contudo, assim que pisou no primeiro degrau, ouviu a voz de Yoongi atrás de si:

— O que você vai fazer?

O príncipe abriu um pequeno sorriso e respondeu:

— Vou enviar uma carta para Jimin. Como nos velhos tempos.

[...]

Tochas de fogo eram sustentadas por dezenas de cavaleiros enfileirados no imenso salão escarlate. O rei estava sentado em seu trono sobre o altar junto à rainha. Ele segurava seu cetro e carregava a coroa sobre a cabeça, sempre exaltando seu poder. Seus olhos afiados carregavam um brilho rubro que assustava qualquer súdito a seus pés. 

Com a chegada do príncipe, da princesa e do líder da Guarda Real dos Vermelhos, Jogin levantou-se para ser saudado pelos membros da Corte. Inclusive, por seus filhos. Somente após se sentir vangloriado, deu início à reunião. 

— Recentemente recebemos um comunicado do Conselho dos Elementais. 

Todos os presentes acabaram por estranhar e cochichos começaram a percorrer o salão. 

— Basta! — Jogin empurrou o cetro de ouro contra o chão, trazendo o completo silêncio novamente, junto aos olhares assustados. Qualquer um ali sabia que, caso o rei se irritasse, não pouparia esforços para tirar suas vidas. — Isso já era de se esperar em algum momento. É óbvio que os covardes dos Azuis pediriam ajuda para eles. 

Jeongguk conteve a vontade de rir.

— Como se eles fossem os errados da história… — o príncipe cochichou para Yoongi, que apenas maneou um gesto de concordância com a cabeça. 

— Se permites a pergunta, Vossa Majestade, o que o Conselho comunicou exatamente? — indagou um dos nobres, que olhava para os próprios pés, temendo a reação de seu rei.

Jogin sequer o encarou. 

— Eles propuseram um acordo. Se nós desistirmos de tomar o Reino de Água, eles concedem perdão — a rainha quem respondeu dessa vez, ao se levantar e se juntar ao marido. — Nós precisaríamos assinar um Tratado de Paz. 

Os cochichos voltaram a percorrer o salão outra vez. Todos pareciam surpresos, sobretudo, curiosos sobre a decisão dos reis. Ninguém verdadeiramente queria participar da guerra, contudo, eram obrigados a seguir Jeon Jogin fielmente. Não havia muitas opções para o povo Vermelho, senão torcer para que seus reis aceitassem o acordo. 

Jeongguk volveu-se para sua irmã e seu melhor amigo. Ambos dividiam com o príncipe o mesmo olhar duvidoso, descrente e preocupado. 

— Isso é possível? — Yeri perguntou. 

Jeongguk apenas balançou a cabeça, soltando um curto riso. 

— Não me parece que papai dará o braço a torcer tão facilmente — respondeu o príncipe, com a voz carregada de ironia. 

— Silêncio! — o rei bateu o cetro duas vezes no chão. — Será que vocês não têm o menor respeito pela Majestade de vocês? Caso não, creio que será preciso reeducá-los. 

— Acho que não é necessário, Vossa Majestade… — seu Conselheiro interveio, logo ao seu lado. Até mesmo o braço direito do rei temia a palavra “reeducar” vinda de seu soberano. Jogin era bem cruel quando queria. 

— Então, calem-se! — exigiu, impaciente. O rei respirou fundo e continuou sua sentença. — Não sei como podem sequer cogitar minha rendição! Eu não vou parar, eu não vou ceder, e tampouco irei entregar minha coroa para aqueles imbecis que se intitulam pacificadores! 

Assistindo aos olhares amedrontados que enchiam todo o salão de insegurança, Jeongguk subiu ao altar para ficar de frente ao seu rei.

— Sabe que se não desistir eles vão destruir a dinastia Jeon, pai. É isso que Vossa Majestade quer?

Jogin torceu o rosto para o filho e deu um passo em sua direção. 

— Eles jamais conseguirão tirar minha coroa, Jeongguk. 

— E por que você diz isso com tanta convicção? — o príncipe retrucou de imediato, com esperança de causar hesitação no rei. No entanto, tudo que conseguiu arrancar de Jeon Jogin, fora seu sorriso perverso. 

— Você já devia saber que eu sou esperto, garoto. E eu não trabalho sozinho. 

Antes que o príncipe pudesse fazer um novo questionamento, o rei volveu-se para o salão cheio de seus súditos. Seu sorriso cresceu ao ver tantos aos seus pés; ao sentir tanto poder em suas mãos. Sem mais demora, revelou:

— Nós iremos lutar. Eu jamais vou desistir de tomar o reino de Park Bonhwa, nem que eu tenha que destruir todo o Conselho dos Elementais para isso. Portanto, devo lhes contar que eu enviei uma... surpresinha para o Reino de Água. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!! Por favor, apoie a fic com seu favorito e comentário! Eu amo ler cada um deles, e, assim, a gente interage mais!! :~

Esse capítulo foi mais curtinho, muito mais do que o comum, vocês devem ter notado, tanto que até pensei em juntar com o próximo, mas preferi deixar esse inteiramente focado no JK (e também consegui acabar postando mais rápido, deu nem 10 dias desde a última att xD)

E CALMA CORAÇÃO, quem tá com saudade dos jikook eu só digo pra ter mais um tiquinho de paciência que logo eles voltam pra brilhar~ <3

Ps: Vão ler minhas demais histórias rs acabei de finalizar uma abo maravilhosa...

Até o próximo!!
Ale


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