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História Fogo e Gelo - Capítulo 7


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Notas do Autor


Aqui... Esse capítulo mudou bastante e tem uns diálogos enormes por vir.

Capítulo 7 - Pilar


Após o tempo que passamos juntos no café, eu e Alyssa não nos falamos. As vezes nós nos trombávamos pelo campus, trocamos algumas palavras curtas e sem nos olharmos. Realmente a briga daquele dia mexeu com ambos, principalmente comigo. O fato dela saber que naquela noite eu estava com Debrah me incomodou, como ela soube disso se ao menos estava aqui? A dúvida me corroía. Por isso estou neste momento sentado de frente para Rosalya. Ela está com os braços cruzados e a cara fechada em sinal de desconforto. 

—Castiel... Diga logo o que quer, eu tenho mais o que fazer a essa hora do dia!—Ela soltou exasperada. 

—Eu... Ok. É sobre Aly—Disse apreensivo e ela nada disse.—Alyssa me jogou algumas coisas na cara. Alguns dias atrás nós discutimos e ela...

—Ela disse sobre Debrah.—A platinada suspirou, levantando os ombros. —Ela ainda guarda muitas mágoas de você. Vocês guardam mágoa. Os dois.

—Ah, sim...— sorri com escárnio.

—Você acha que foi fácil pra Alyssa? Castiel ela cogitou fugir dos pais para morar com você! Você não sabe quantas noites ela chorou por sua causa, quantas vezes ela releu as mensagens de vocês, quantas vezes ela olhou suas fotos... O quanto ela sofreu. Você foi o primeiro amor dela e acho que o único. Você não sabe por quantas coisas ela passou sozinha, o que ela teve de aguentar sozinha em um outro estado. Aposto que você não sabe metade dessa história já que estava com Debrah em sua cama. Aly se sentiu tão humilhada quando a viu entrando no seu apartamento.

—Do que você está falando?

—No dia seguinte que vocês terminaram ela recebeu a carta da faculdade Anteros, ela foi aceita e convenceu seus pais para vir morar com a tia dela. Sua tia Agatha havia voltado a morar aqui a alguns meses. Uma semana depois ela pegou um ônibus e voltou pra cá, ela foi a sua casa para fazer uma surpresa. E você estava com Debrah, bem feliz. Você jurou amor eterno a ela aos gritos no celular. Você sabe como ela se sentiu?

Eu estava atônito. Não podia acreditar no que Rosa havia acabado de me contar. 

—Na verdade, eu não deveria te falar isso, Aly vai ficar chateada comigo depois. Olha... conheço a história de vocês, acompanhei tudo desde o início e eu sei que vocês eram loucos um pelo outro. O problema é que eram todos muito jovens e imaturos para suportar o efeitos colaterais de uma relação a distância. Quando ela se foi todos nós sofremos, nunca olhe apenas o seu próprio umbigo, ela era e ainda é minha amiga. Você tem que cair na real e perceber que não era mais obrigação dela ligar pra você assim como não era sua obrigação ficar solteiro esperando por ela. Isso não é uma maneira de minimizar o que você fez no passado. Pelo contrário, eu estou dizendo que de todas as garotas na cidade você escolheu a única que iria desrespeitar toda a história que você teve com a Alyssa. Debrah fez coisas ruins com você e isso a atingiu mais do que qualquer outra pessoa por que ela se preocupava com você. A ideia de ver alguém que você ama sofrer não parece muito convidativa, não?

Ela parou de falar para respirar fundo.

—Não estou incentivando um relacionamento. Eu quero apenas que isso acabe, sabe? Toda essa dor e essa raiva comprimidas faz mal para vocês dois. Isso corrói a gente de dentro para fora e se espalha tão rápido quanto um vírus. E não é apenas por ela, é por você também. Nós todos éramos amigos e nos dávamos bem, apesar do seu humor ácido. Parece que ela era o nosso pilar, a nossa base, era o que nos mantinha unidos. E quando ela não estava mais aqui, tudo acabou desmoronando gradativamente. Viramos apenas relíquias de um tempo que não pode voltar. Então eu espero que você leve muito a sério o que eu vou dizer:—suspiro—Não a magoe mais. Não se magoe mais.

Ela levantou e foi embora com um olhar triste no rosto.

Eu sou muito imbecil.

•••

Eu estava parado em frente a sua porta tentando decidir se batia ou não. Tinha chegado aqui fazia mais ou menos meia hora e não tinha tido coragem de bater na porta. Através dela eu podia ouvir Aly cantar a mesma música que cantamos juntos em casa. Suspirei me encostando na porta, ela parou com a cantoria. 

—Mas o que...?—Minhas costas se chocaram contra o chão em um milésimo de segundo e acima de mim estava Aly com um semblante preocupado. 

—Deus! Você tá bem?—Ela perguntou me levantando. 

—É... Tô.—Respondi limpando a garganta. 

—Eu sabia que você estava aqui. Eu vi pelo olho mágico e te ouvi suspirar. Entra.—ela deu espaço então entrei. 

—O que você quer?—Cruzou os braços e empinou o queixo de um jeito que só ela sabia fazer. 

—Quero saber exatamente o que houve aquele dia.—Eu não precisava dizer qual o dia, ela sabia. Então suspirou apontando para sua cama e sentou-se na cadeira que estava de frente pra mim. 

—Por que?—Alyssa perguntou sem olhar para mim.

—Eu preciso saber a verdade—
respondi hesitante, vacilando nas palavras. 

—E desde quando você se importa?— ela segurou o osso do nariz entre o polegar e o indicador tentando manter a calma.

—Eu nunca deixei de me importar.

A respiração dela estava acelerada e pesada, ela tentou se acalmar mas acabou colocando tudo para fora.

—Até hoje eu me pergunto o porque. Me perguntei se eu tinha feito algo de errado e que havia machucado você. Eu sei que nós não estávamos juntos, se tinha algo de que eu estava ciente, era isso. Portanto você não tinha nenhum compromisso comigo. Nenhum. Mas você jogou a nossa história no lixo, desconsiderou tudo o que eu passei por sua causa na época da escola, desrespeitou tudo o que passamos juntos. Podia ser qualquer pessoa, qualquer uma, eu entenderia. Se você estivesse feliz... eu ficaria bem. Mas tinha que ser ela. Você têm noção de quantas vezes eu peguei o celular só para ver se você estava online? Quantas noites eu dormi chorando? Não, você não sabe. Quando resolvemos terminar, minha alma se partiu em pedaços, foi como se tivessem me arrancado o coração do peito com tamanha força que me matou por dentro. Eu pensei várias e várias vezes em me afogar na minha própria banheira, para ver se meu corpo parava de vagar pela terra vazio. E quando eu consegui voltar pra cá, um dia depois, você estava com ela na sua cama. Eu a odeio por ter te feito sofrer, odeio você por ter me feito sofrer e eu me odeio por me permitir sentir alguma coisa por você.

Após a última declaração ela fincou o olhar no meu, sem desviar e piscar. Meu coração estava batendo acelerado, em ritmo inconstante comparado aos meus pensamentos. Meu corpo tomou uma forte corrente de adrenalina, ela se espalhou por ele todo fazendo todas suas partes formigarem. 

Ela estava sentindo isso também. Dava pra ver seus olhos brilhando, seus lábios tremiam por algo além do choro e suas mãos estavam fechadas em punhos. 

Então eu fiz. 

Em apenas um passo eu cheguei perto o suficiente para passar a mão em sua nuca e puxa-la pra mim. Com Alyssa não foi diferente, suas mãos foram quase que desperadas segurando meus cabelos enquanto grudava meus lábios nos seus. Foi um choque. Fazia tempo. Muito tempo, que eu não sentia o sabor da sua boca. Ainda continuava quente e macia, mas agora tinha um gosto salgado pelas lágrimas e o amargo das palavras ditas estava lá.

Mordi seu lábio inferior e ela suspirou me agarrando mais forte. O sentimento parecia ter ultrapassado a barreira do meu peito e se transbordou nos meus gestos. Toda a dor foi direcionada para aquele beijo de maneira impensada e descuidada, fazendo com que o ato fosse ainda mais intenso.

Mas eu esqueci que ela não dormia sozinha no quarto. A porta se abriu silenciosamente, não nos demos conta de que havia alguém no quarto até a pessoa se fazer presente. 

—Que porra é essa?



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