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História Fogo, Gelo e um Cavaleiro - Capítulo 1


Escrita por: Park_Nayy

Capítulo 1 - Capítulo 01


Fanfic / Fanfiction Fogo, Gelo e um Cavaleiro - Capítulo 1 - Capítulo 01

Hoje tinha tudo para ser um dia normal, mas tenho que recordar que estamos falando da minha vida, de mim próprio e somente por esses fatores posso afirmar que nada que se dirige a mim e meramente normal.

Assim que acordei percebi que tudo estava diferente, o clima por si só estava chuvoso o que lhe dava um ar mais sombrio.

Minha irmã não estava em casa, o que era estranho já que todas as manhãs ela me esperava para tomar café e em seguida irmos para a escola.

Cheguei a procurar pela casa mas não vi um resquício sequer que ela estava por aqui. Liguei mas o número da fora de área, não me preocupo tanto já que ela pode ter ido mais cedo para a escola por ser do conselho estudantil e também pelo fato de que ela nunca me conta nada sobre o que faz fora de casa.

Porém isso não alivia o sentimento ruim que habita meu peito.

Tentei ingnora-lo e segui meu dia normalmente. Me levantei, tomei banho, café , verifiquei se o material estava correto dentro da mochila e logo após isso fui me arrumar.

Peguei a farda que estava dobrada em meu guarda roupa e a vesti tomando conta para que não tivesse um amassado sequer, caso tenha e alguém da direção veja, significa que vou ter três pontinhos vermelho em meu histórico e para um garoto que já levou outros vinte e dois pontos de vinte e cinco, é melhor previnir.

Olhei meu reflexo pelo espelho e tenho que admitir que estou impecável, a farda bem passada e cheirosa, os sapatos polidos, os fios de cabelos loiros bem alinhados...

Sim, loiros!

Nunca os pintei diga-se de passagem, desde que me conheço por gente, eles sempre foram loiros e ondulados. Claro que toda vez que me perguntam quando eu pintei e eu afirmo que são naturais eles não acreditam, porque de fato, não existe asiáticos de cabelos loiros... E ondulados.

Hoje em dias eles estão lisos, até tentei pintar em uma época de preto porque já estava cansado dos apelidos como: "loira oxigenada", entretanto quando cresciam, as raizes claras logo se faziam presentes o que me deixava meio esquisito.

A uns dois anos atrás meu melhor amigo disse que não era para mim ligar para os comentários, e disse também que se alguém tocasse no assunto era para mim afirmar, afinal eu sabia que era natural e que ele acreditava em mim e isso bastava.

Yoongi sempre foi alguém maravilhoso, tanto que quando descobri minha sexualidade nós até tentamos algo juntos só que a amizade falou mais alto.

O conheço desde... Sempre?

Acho que somos amigos de infância já que nem eu e nem ele sabemos quando a amizade começou, digamos que ela só "brotou".

Hoje em dia somos inseparáveis, e isso e bom porque além de ser meu melhor amigo, ele também é o único.

Respirando fundo, coloquei em mente a listinha de todos os dias:

1- Entrar na escola.

2- Ignorar todos, exeto: Yoongi, professores e a diretora.

3- Se esconder na hora do intervalo dentro da biblioteca.

4- Verificar que todos os alunos já foram embora.

5- Voltar para casa.

E difícil seguir essa lista todo santo dia, até porque sempre ocorre de algo mudar o rumo das coisas, mas eu sempre tento manter os planos para não voltar para casa machucado fisicamente ou psicologicamente.

Escuto a campanhia tocar e logo abro um sorriso já sabendo quem me aguarda.

Peguei meu celular e fones os guardei no bolsinho da lateral da mochila, fechei as janelas, tranquei as portas enquanto descia.

-Até que fim, todo dia é a mesma ladainha... - escutei meu amigo reclamar que demoro a descer quando ele chega.

Todos os dias ele faz isso, normalmente ele para quando estamos em frente a panificadora perto da escola mas hoje tive a prova de que ele não iria parar até porque já estava na segunda aula do dia e ele ainda falava sobre o assunto.

-Hyung tudo bem, já chega - reclamei lhe olhando.

-"Já chega"? - semicerrou os olhos em minha direção- Todos os dias sem exceção, e sempre do mesmo jeito e...

-Senhor Min e senhor Park algum problema? - escutamos a voz grave do professor um pouco exaltada  - Sei que relevo muitas conversas que vocês tem, mas além de ser assunto revisado das provas vocês estão falando alto e atrapalhando outros alunos.

Alguns buburinhos se fizeram presente na sala, e ao escutar a frase "Tinha que ser o Jimin, esse garoto esquisito", enterrei a cabeça em minha mochila que estava sobre a mesa desejando que as horas passem para que eu possa voltar para casa e que nada acontecesse hoje.

-Calem a boca! Desculpa professor - a voz do Min chegou ao meus ouvidos logo em seguida um carinho foi feito em minhas costas - Bando de gente sem o que fazer, cuidar da vida dos outros eles sabem.

(...)

O sinal tocou indicando a hora do intervalo e como sempre fui correndo para meu localzinho secreto que se tratava da sala do zelador, sempre fico aqui quando estou aflito demais ou então estão me procurando e não quero que me achem.

Batidas fracas soaram na porta trancada, meu coração disparou só de imaginar quem poderia ser, mas ao escutar a voz me bateu um alívio até.

-Marco?

-Pollo!

Abri a porta vendo Rosé com um sorriso mínimo nos lábios e em mãos um sanduíche acompanhado de um suco de caixinha.

-Posso entrar em seu reino secreto rei Park Jimin?

Sorri já acostumado com essa fala, quando comecei a sofrer com as constantes ameças e palavras rudes, vinha me esconder então Rosé me procurava e chamava a nossa senha "Marco" e eu respondia "Pollo" para confirmar que não estava bem e também onde estava. Quando eu abria a porta ou mostrava que estava em baixo de alguma mesa ela dizia "Posso entrar em seu reino secreto rei Park Jimin" e com minha permissão para ter tal companhia ela ficava comigo até eu estar melhor.

-Claro humilde plebeia.

-Plebeia? Sou sua irmã, não sou uma Rainha também? - sorri com sua clara indignação.

-Não, em um reino há apenas um governante - expliquei lhe olhando - E como eu sou o Rei, decretei que você fosse uma plebeia.

-Injusto - empurrou meu ombro - Vou poder entrar mesmo ou...?

Me afastei para que a mesma entrasse, assim feito, a vi sentar no chão e bater em suas pernas em um claro convite para deitar e apoiar minha cabeça ali, assim fiz.

-Yoongi me contou o que aconteceu - disse fazendo um leve cafuné em minha bochecha enquanto me encarava - Está tudo bem com você?

-Sim, só senti desconforto com todos me olhando.

-Não ligue para eles, sabe que só querem um motivo para te constranger - suspirou cansada.

Não aguentavamos mais, não recordo como ou quando começou. Só me lembro de estar atrás da escola jogado no chão sagrando enquanto me chutavam e xingavam.

Desde desse dia nunca mais pude agir normalmente, tive que começar a me esconder porque se me encontrassem eu era cercado e machucado de diversas formas.

-Eu sei bem disso, tento controlar minhas emoções - olhei para meus pulsos que carregam marcas que hoje em dia me arrependo muito - Estou indo muito bem nisso, já entendi que quem machuca mais a mim sou eu mesmo.

-Mas boa parcela de culpa eles tem nisso.

-Mas eles nunca tentaram me matar.

Um silêncio se fez, não era para lembrar daquele assunto logo agora, porém é algo que eu carrego nas costas até hoje.

É o que mais me machuca.

-Se você pudesse fazer um pedido, qual seria?

-Que tudo mudasse - respondi sem pensar.

-Mesmo que novos desafios aparecesse?

-Sim...

Olhei nos olhos da minha irmã, vi através deles o quanto aquilo também a machucava. Eu só tinha ela e ela a mim.

-Você é perfeito Jimin, até mesmo seus defeitos são perfeitos porque são eles que te tornam único.

Sorri mínimo com aquelas palavras, queria que tudo mudasse mas não por mim e sim para que Chaeyoung e Yoongi não sofresse mais com isso, já que em minha mente sou um caso perdido.

-Marco? - Rosé disse ainda alisando meu rosto.

-Pollo!

A calmaria me bateu, estava mais leve e me sentindo bem melhor que antes. Rosé fazia isso comigo, ela me compreende de forma que mais ninguém consegue entender.

Devo tudo a ela!

-Tenho que ir, uma reunião foi marcada para depois do intervalo - se levantou com cuidado sendo ajudada por mim. - Promete que não vai demorar muito aqui?

Não respondi com palavras, apenas acenei com a cabeça. Tendo a resposta mesmo sabendo não ser verídica, Rosé sorriu fraco e em fim saiu pela porta.

Não me sinto seguro para sair, sei que eles ainda lembram da cara que fiz quando todos me olharam.

Medo era o que ela demonstrava.

Se eu sair agora e der de contra com alguém, certeza que em sala de aula eu não chego são e salvo.

-Oh pollo, sei que está ai dentro. Chaeyoung disse que era pra mim vir te buscar, então sai antes que eu quebre essa porta e...

Dei uma risada baixa com o alto temperamento do meu amigo, sei que ele é bem capaz de cumprir com o que fala então por isso (e também porque eu não vou sair daqui sozinho) que abri a porta vendo o loiro em posição de ataque pronto pra arrombar aquela porta.

-Oh, tudo bem, sem violência né? - recompôs a postura - Gosto assim, vamos? - segurei sua mão que foi estendida para mim.

-Vamos.

Em algum momento deve ter passado na sua cabeça o porquê de Yoongi não está comigo enquanto eu estava ali sozinho tendo uma "meia crise"?

Pois bem, em geral passamos o intervalo juntos na quadra ou biblioteca onde não é muito movimentado.

Mas quando algo acontece, sempre que o intervalo chega eu saio da vista dele enquanto ele vai pegar o lanche, então me escondo até o intervalo acabar para então sair. As vezes Rosé conta pra ele onde estou, mas as vezes não, depende muito de como estou.

As vezes eu preciso de um tempo só meu.

-Olha quem está aqui - escutamos a voz de Chen atrás de nós - O casal mais lindo de toda Daegu, eles estão de mãos dadas - apontou para nossas mãos juntas - Não e fofo pessoal?

-Cara, a gente só quer ir embora, então...

-Opa, não se dá as costas para os amigos.

Chen nos parou quando tentamos prosseguir nosso caminho. O meu medo está acontecendo, tem uma turma de garotos me cercando, yoongi está ao meu lado, vamos apanhar com certeza.

Esse é um dos principais motivos para que eu fuja dele nos intervalos, não quero que ele apanhe mais uma vez na tentativa de me proteger.

-Procurei por vocês depois do que aconteceu na sala, foi tão ruim assim Park?

-Chen, na moral deixa ele.

-Com uma condição apenas - chegou perto de nós dois - Quero uma noite - me olhou de cima abaixo.

-Tá doido? - senti minha mão ser apertada firmemente pela destra do Min - Ele não vai fazer isso.

-Qual foi? Sei que são namoradinhos, vai ser só uma noite e nada mais.

Os dedos finos do ruivo vieram até meu queixo o erguendo até que eu o estivesse olhando nos olhos. Os lábios finos formavam um sorriso malicioso me fazendo tremer.

-O que me diz? Sabe que eu estou a tempos querendo isso não sabe.

Realmente eu sabia, Chen insiste a tempos ter algo comigo, e claro que eu não o quis. Afinal, não se confia em alguém que te diz "amar" porém é o motivo de suas cicatrizes, o motivo dos seus choros a noite, o motivo de seus traumas.

-Não toca nele.

-Me responda!

-Chen, vai embora ou eu vou gritar até que a diretora venha aqui!

-RESPONDA PARK JIMIN!

Com o susto acabei por tremer por inteiro, ainda receoso acenei negativamente me abraçando ao corpo de Yoongi firmemente, contato esse que não durou muito já que foi rompido por um soco desferido em seu rosto o fazendo cambalear e cair no chão.

Me mantive em pé olhando o Min tentar se levantar, eu sabia que tudo iria só piorar quando um grito cobriu meus ouvidos em um zumbido.

Me corpo foi jogado no chão, chutes e socos faziam meu corpo inteiro doer. Eu chorava baixinho encolhido naquele chão frio desejando para que tudo acabasse logo, e acabou quando Rosé chegou com mais duas pessoas do conselho estudantil.

-Todos agora para a diretoria.

-Você não tem autoridade sobre mim Park.

-Mas eu tenho senhor Choi - a voz da diretora se sobre pós a de todos presentes - Seus pais já estão a caminho, por favor se encaminhe para a sala da direção agora mesmo.

Chen bufou irritado, antes de seguir seu caminho seu olhar mirou a mim e um sorriso se formou, não por estar sasrifeito do que fez, e sim como se dissesse que haveria a volta.

-Vem maninho, vamos para a enfermaria.

-Yoongi - falei com a voz falha vendo o Min com um olho roxo.

-Vou com você Minnie, não se preocupe.

-Quero ir para casa.

-Melhor ir ao hospital - Rosé disse ao saber que eu não iria.

-Casa! - falei firme deixando claro que eu iria para lá de qualquer forma.

-Yoongi... - vamos fazer assim...

(...)

-Está melhor?

-Sim, as dores cessaram um pouco.

-Cessaram? - Yoongi riu.

Era sempre dessa forma, ele diz que para jovens "normais" eu e minha irmã falamos diversas vezes de uma forma bem formal.

-Deixe essa risada de lado - formei um bico nos lábios - Mas estou bem sim, meu corpo não dói tanto.

-Não estou perguntando do corpo - colocou a palma em meu peito - Está tudo bem?

Odeio a forma que ele me conhece tão bem, porque as vezes eu poderia esconder o que sinto sem o fazer sofrer também.

Sem responder o abracei escondendo meu rosto na curvatura de seu pescoço, assim que os braços do Min rodearam minha cintura as lágrimas teimosas escorreram novamente pela minha face até se chocar com o tecido grosso de sua farda.

-Sabe que eu não ia deixar ele te tocar - movi meu rosto o encarando - Não daquela forma - tocou meu rosto - Mesmo que eu tenha que morrer, ninguém vai te tocar sem sua permissão.

Continuei o encarando tendo total certeza disso, Yoongi só não conseguiu bater em Chen porque após o soco que foi lhe dado de surpresa e logo em seguida ter caido o fez bater com a cabeça no chão, creio que não tenha conseguido se levantar por estar tonto.

-Tenho total certeza disso.

Puxei Yoongi para mais perto fazendo assim nossos lábios se tocarem, um beijo lento se formou, mesmo não tendo sentimento isso me acalmava. Ter Yoongi ao meu lado me acalmava, e isso foi um dos principais motivos de ter namorado ele, mas como eu disse, a amizade foi mais forte e por mais que beijos ainda aconteçam não pensamos em ter algo mais sério.

Senti minha cintura ser apertada levemente ao mesmo instante que minhas mãos se embolavam nos fios loiros os puxando levemente dando um pouquinho mais de intensidade no contato íntimo.

Um tempo se passou e logo nos separamos.

-Temos que parar com isso - sorriu me encarando - Ou quando você tiver um namorado, eu vou apanhar e nem vou ter o direito de revidar.

Rir de volta o empurrando de leve para longe de mim.

Cheguei um pouco mais perto do para peito e olhei a vista dali de cima, de fato dava para ver tudo de cima do terraço.

Yoongi me levou até ali depois que fomos a enfermaria, fiz alguns curativos e tomei um remédio para conter a dor.

Voltamos para sala, quis assistir a última aula já que seria física e eu estou precisando repôr algumas notas.

Sabe não e fácil essa coisa de Kelvin, fare não sei o que lá.

Não consigo aprender direito os assuntos ensinados, por isso tenho aulas de reforço sempre que posso.

A aula não demorou tanto para mim já que estava atento a cada palavra proferida pelo professor.

-Por hoje é só turma, amanhã temos mais duas aulas então tragam as atividades.

-Eita o que foi isso?

Um tremor nos assustou, era como um terremoto, objetos caíram no chão, o professor disse para que nós nos escondessemos embaixo das mesas e assim fizemos.

-CUIDADO!

Nos afastamos a medida que uma rachadura ia se abrindo no chão, pedaço por pedaço do piso ia caindo revelando uma cratera de tamanho médio.

-O que é isso? - um dos alunos corajosos chegou perto.

-Tá brilhando.

-Saiam daí, vamos todos para fora da sala.

O professor instruía a todos o que devíamos fazer, começamos a recolher os materiais e guarda-los na mochila.

-Por favor, em fila, todos saiam em fila e com calma.

-Tá pegando fogo - uma aluna apontou aterrorizada para a cratera em chamas.

-Fila é uma porra, vamos, saiam todos.

O desespero se fez presente ao que as chamas aumentavam, não consigo explicar mas meus pés não se moviam do lugar, meus olhos tinham toda sua atenção voltada para as chamas avermelhadas.

-Vamos embora Jimin - Yoongi tentou me puxar para fora.

-Cavalo.

-O quê?

Um cavalo preto com os olhos, crina, rabo e patas pegando fogo pulou para fora da cratera.

Assim que me mirou tentou se aproximar, mas ao assustar todos se afastou por conta dos gritos.

Um relinchar alto e com eco foi ouvido, o fogo seguiu em uma linha reta para perto do cavalo, se acomulou em uma certa quantidade formando duas silhuetas humanas, e quando se apagou dois rapazes, com o seblante sério apareceram.

-Tenham calma, não vamos machucar vim apenas atrás de uma coisa - a voz grossa do de cabelos vermelhos explicou - Uma pessoa... Park Jimin.



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