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História Fogos de artifício - Capítulo 1


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Notas do Autor


Pronto, fiz Kibahina e agora a consciência tá limpa. Não fiz um plot fantasia que tinha plotado porque deu preguiça kkkk

O que me faz amar esse shipp é o Kiba, sério, eu amo demais esse garoto :")

Capítulo 1 - Único


Ela nunca percebera os meus olhares e, se os notara, jamais cogitara o que eles significavam. Talvez fosse a sua humildade excessiva a fazendo descartar as possibilidades de alguém a amar daquele jeito, eu não sabia dizer e nem poderia afirmar nada quando se tratava logo dela. A única coisa que pensei era que isso era chato, o tipo de coisa que torturava lentamente e que eu nunca faria nada para mudar pelo simples receio de estragar o laço que nos atava — algo chamado amizade, uma coisa que eu inevitavelmente valorizava muito, talvez até mais que a ideia de um romance.

A parte mais estranha daquela situação era que eu internamente remoía como Hina parecia sempre distraída demais para notar algo, porém, quando nossos olhares se cruzavam e a sua infinidade perolada parecia me sugar, eu refletia se não tinha desejado algo que não podia arcar. Os seus olhos-lua, suaves e repletos de carinho, demasiada gentileza e um estoque inesgotável de encantadoramente exótica beleza, faziam-me sentir o que eu não definitivamente não desejei. Se eu fosse um cachorro como Akamaru, provavelmente teria bobamente balançado o rabo e inclinado a cabeça para receber cafuné, o que era uma analogia que me fazia me sentir ainda mais rendido.

Sorrir de lado, passar o braço envolta de seus ombros e fazer piadas enquanto a via rir docilmente, como andara fazendo em todos aqueles vários anos, não aparentavam ser um disfarce efetivo o bastante — não quando Shino me olhava daquela forma pela lateral dos óculos escuros, como se soubesse de tudo e silenciosamente julgasse a situação. Como sempre fui o tipo de pessoa calorosa e extrovertida, Hina provavelmente pensou que tudo não passaria de um afeto amigo de um rapaz carinhoso e não fiz questão de desmentir. Não quando isso parecia deixá-la com uma preocupação a menos em seus ombros já muito pesados pelo legado que carregava.

Hinata Hyuuga era uma garota amável, mas eu não tinha planos para me apaixonar por ela — não que eu tivesse planos para muitas coisas na vida, era de minha natureza ser um tanto impulsivo e espontâneo. Agir todo leal, empolgado e estranhamente afetivo, quase como um animal canino age com seus familiares ou seu dono, seria a minha ruína em meios às desilusões amorosas que não pensei que enfrentaria em minha onda de despreocupação.

Ter aquela sensação de impotência toda vez que me encarava com os seus brilhantes orbes, emoldurados por longos e espessos cílios cor de ébano, trazia-me um constante misto de euforia e frustração em uma corrente eletrizante e faiscante. Ela era a minha paz e o meu caos, o que me assegurava inexplicável tranquilidade em um terno conforto e também carregava sentimentos ardentes envoltos em muitas camadas de memórias — estas carinhosamente plantadas e regadas ao longo do tempo, resultando numa árvore maior do que eu poderia cuidar, algo que me obrigaria a abrir cada vez mais espaço para abrigá-la.

Ela não me amava como eu a amava, sabia muito bem disso quando por vezes a ajudei a aproximar-se de Naruto, quase como se jogar todos os meus sentimentos em um canto escuro de meu coração fosse algo fácil — como se fossem superficiais ou somente não existissem, ou talvez como se isso valesse a pena quando poderia trazer a felicidade que ela almejava. Era apenas que, vendo-a sorrir tão amavelmente e corar de um jeito adorável, pensei que seria gratificante vê-la sorrir todos os dias, mesmo que fosse com outra pessoa.

Ainda assim, quando desistiu de Naruto após descobrir que ele estava mais interessado em um certo garoto de cabelos negros, senti um imensurável e culposo alívio. Foi terrível me sentir de tal maneira, aquela sensação de vitória pela derrota da pessoa que eu amava não me trazia nada de positivo. Por vezes, peguei-me perdido em pensamentos de culpa enquanto refletia se, para me sentir tão feliz por Hina não conseguir o relacionamento com queria, eu deveria ter confundido amor com admiração. Porque, ao meu ver, amar de uma forma tão egoísta não deveria ser considerado uma forma de amar.

Talvez, quem sabe, fosse apenas a minha consciência exagerada cobrando que eu fosse perfeito para ser o bastante para ela. Não sabia dizer se era mais errado estar naquele misto de tristeza e felicidade com a situação de Naruto ou se era achar que Hina seria tão exigente a esse ponto, afinal ela mesma já sentira ciúme do loiro diversas vezes e isso não necessariamente a fez alguém ruim. Eu apenas tinha que manter sob controle, algo que não se tornaria problemático, e não me parecia uma tarefa particularmente complexa.

Não falei disso com Shino, por mais que ele houvesse ganhado o persistente hábito de me enviar silenciosos olhares conhecedores, e apenas segui com a vida. Rindo alto, passeando com Akamaru, treinando com os dois, elogiando alguns petiscos que Hina trazia e provocando meu colega volta e meia. Tudo acabaria bem, repetia todas as noites na esperança de fingir que acreditava na tola ilusão de que não sonharia com ela outra vez — mais um dos malditos sonhos com ela segurando o chapéu, virando-se e sorrindo para mim em parques de girassóis e eu não aguentaria mais.

Vendo o olhar dela automaticamente se desviar para um loiro que passava por entre os telhados, mentalmente me amaldiçoava por ser uma pessoa tão leal e de um tipo que demorava para destruir um certo laço — eu queria cortar aquele laço de amor e atar um de amizade — antes de rir, provocá-la pela sua paixão enquanto a via corar e tentar se explicar. Tudo aconteceria como sempre acontecera, até o dia que deixasse de ruborizar toda vez que fitava o Uzumaki.

O que falavam sobre borboletas no estômago era a mais estúpida mentira, afinal um sentimento tão ardente e forte como aquele não poderia vir de umas simples borboletinhas. Eram, no mínimo, um amontoado de fênix ou, quem sabe, uma matilha de cães empolgados latindo sem parar. Aquela puxada, revirada, a sensação familiar que era apenas mais um aviso de que meus sentimentos estavam crescendo demais, indo longe demais. Em breve, cresceria o suficiente para se alastrar por completo pelo meu interior, como raízes de uma antiga e grandiosa árvore que se recusava a ceder.

Havia uma faísca que se tornara uma chama e que eu tinha medo de acabar em um incêndio, ainda mais quando repentinamente Hina parecia estar estranhamente propensa a me pedir que provasse algumas comidas que fizera ou quando me chamava para treinar algo que já tínhamos treinado. Era suspeito demais, até uma pessoa como eu seria capaz de notar. E o jeito como Shino do nada parecia sumir do cenário era perturbadoramente constrangedor, e eu não sabia se deveria agradecê-lo ou me sentir abandonado ao acaso.

Enquanto me sentia bobo e feliz, também queria dizer para Hina parar de ficar acidentalmente esbarrando seus dedos nos meus quando íamos pegar lanche após treinos, porque isso era o suficiente para um frio na barriga engolir a minha chama ardente e resultar em uma espécie de choque térmico metafórico — uau, que brega. E colocar aquele diadema com orelhinhas de cachorrinho no parque que fomos com Shino e Kurenai e me olhar tão adoravelmente expectante, sem nem esconder que queria a minha opinião, era um golpe e tanto em minha pobre pessoa.

O que ela fazia era quase como estender um petisco para Akamaru apenas para afastar logo em seguida, dar um gosto de um sonho e nada mais que desejos vazios. Porque era isso o que havia entre nós: amizade, nada mais que isso, e qualquer suposto avanço de Hina em minha direção seria apenas um artifício de uma mente iludida.

Mas havia algo na forma como ela usara uma yukata roxa no festival, mesmo quando nos anos anteriores não houvesse escolhido por esse traje — costumava murmurar a justificativa de que roupas daquele jeito não eram para ela e sim para garotas tipo Ino ou Sakura, seja-lá o que isso quisesse dizer, já que, após vê-la assim, não tinha como negar que ela ficava linda daquele jeito assim como de qualquer outro —, como pegara algumas pelúcias que eu queria e não havia conseguido ganhar apenas para me dar em seguida e mais um monte de outras coisas que me fazia alimentar aquela esperança.

E talvez o golpe fatal tivesse sido a forma como me olhou durante os fogos, sorriu e murmurou algo que não ouvi bem pelo barulho dos fogos — talvez pelos batimentos do meu coração também, nunca se sabe —, mas que entendi muito bem apenas pela forma como os seus suaves e róseos lábios se moveram.

Qualquer metáfora melobrega existente poderia ser encaixar naquele momento — que a suposta árvore deu frutos, que a faísca virou um incêndio, que a tal matilha de cães empolgados correu e latiu ou até que eu parecia um filhotinho animado —, que eu não negaria nenhuma delas. Que me chamassem de dramático romântico, eu realmente não ligava.

Sorri e respondi, mais alto que ela, ainda que abafado pelos fogos. Porém, pelo jeito que corou, encarou-me e alargou o sorriso, de um jeito que eu provavelmente fiz também, posso afirmar que ela me compreendeu.

Hinata Hyuuga era, definitivamente, minha calmaria e o meu caos, minha ordem e a minha desordem


Notas Finais




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