História Fome de Loba - Capítulo 10


Escrita por:

Postado
Categorias Legends of Tomorrow
Personagens Amaya Jiwe (Vixen), Dr. Martin Stein (Nuclear / Firestorm), Mick Rory (Onda Térmica), Raymond "Ray" Palmer (Átomo), Richard "Rip" Hunter, Sara Lance (Canário Branco)
Tags Ava, Avalance, Avasharpe, Bruxos, Lobisomens, Romance, Sobrenatural, Vampiros
Visualizações 57
Palavras 4.921
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, FemmeSlash, LGBT, Literatura Feminina, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oieee! Primeiramente: estive ausente porque prestei a segunda fase da OAB no domingo, agora vou voltar com tudoooo!

Vocês não sabem a quanto tempo eu queria postar esse capítulo! Venho planejando isso há tempos e tô morrendo de amores!

Boa leitura!!!

Capítulo 10 - Explorando novos sentimentos


Tudo estava correndo como planejado e Sara tinha mais um agradecimento na lista para fazer a Ava. Claro, seus amigos ajudaram a transportar os cachorrinhos e gatinhos para adoção, eles enfeitaram o lugar com bandeirinhas coloridas e fora todas as viagens para trazer tudo o que precisariam durante o dia, foi só. Ava tinha se encarregado de todas as suas necessidades e lá pelas 11h, quando o sol já estava quente o suficiente para tornar uma tarde no parque muito prazerosa, as pessoas começaram a chegar.

Parecia mais uma feira ao ar livre do que uma de adoção. As crianças brincavam no playground ou ficavam loucas com os filhotes, havia foodtrucks e o clima era bom independente do tempo.

Sara só gostaria que Ava estivesse ali. Nos últimos dias ela chegou a enviar outro pedido de desculpas, ao que Ava respondeu de forma rápida e concisa, o que demonstrava que Sara tinha cruzado uma linha e ela estava tentando respeitar o espaço da outra mulher.

Mas ela tinha as lendas e precisava bastar por enquanto. Ray e Nate vendiam alguns produtos de pet shop para reverter o lucro pra um abrigo municipal enquanto Nora, Zari e Amaya se revezavam cuidando dos gatinhos, Charlie ajudou a organizar tudo e então fugiu alegando que não gostava de crianças o suficiente para passar por aquilo sóbria e Mick, abençoado seja o homem bruto, carregou todas aquelas mesas pesadas e permanecia como uma espécie de guarda pronto para expulsar Constantine caso o bruxo tentasse algo.

Já passava um pouco hora do almoço quando Sara a viu pela primeira vez em semanas, alta e deslumbrante, caminhando até ela com uma leveza derivada de criaturas tranquilas e delicadas que pareciam frágeis à primeira vista, mas que guardavam inabalável força sob uma camada suave. Assim era Ava Sharpe e Sara mal conseguiu conter um sorriso ao vê-la depois do que pareceu tanto tempo.

Claro, a pequena figura borbulhante ao seu lado era um fator importante.

Sara contava os passos, esperando que Ava ao menos a reconhecesse para que pudesse decidir o que fazer em seguida, talvez abraçá-la ou se ajoelhar e fazer um pedido de casamento bem ali. Nada parecia exatamente apropriado para lidar com a sensação de euforia bruta que a acometeu naquele momento, então novamente parecia apropriado que Sara se sentisse murchar como um balão ao perceber que não se tratava de Ava, mas Ally se aproximando com Riley muito presa à sua mão.

- Tia Sara!

A menina gritou feliz ao se soltar da mãe e correr em direção à Sara que, mesmo sentindo-se decepcionada por não ver Ava aquele dia, a pegou e levantou nos braços.

- Sinto sua falta – Riley fez um biquinho.

- Eu também senti sua falta.

- Oi, Sara.

Ally se aproximou e Sara teve certeza que ela podia sentir toda sua confusão e decepção ao notar que não era Ava, mas para o que valia a mulher não disse uma palavra e apenas lhe sorriu educadamente antes de se dirigir para a filha.

- Conte à Sara o que viemos fazer.

- Mamãe me deixou ter um cachorrinho! - Riley guinchou feliz – E vamos comprar roupinhas e brinquedos!

- Uau, isso é muito legal.

- Conta quem está pagando por tudo, Riley – Ally incentivou novamente.

- Titia Ava – a expressão de Riley se tornou séria – Ela comeu meu chocolate.

- Acho que esse chocolate saiu muito caro para sua tia.

Foi Laurel e não Sara quem se pronunciou, tendo se aproximado enquanto a loba mais nova permanecia perturbada com a menção de sua, talvez, ex-namorada; felizmente, como uma trombeta divina soando para salvá-la do embaraço absoluto, alguém gritou seu nome e em se tratando das lendas era melhor conferir logo antes que algum acidente colocasse tudo a perder. Colocando Riley no chão, ela se desculpou e se afastou rapidamente.

- Acho que está presa comigo.

Laurel sorriu um tanto quanto sem graça. Uma coisa era falar com Ally através de mensagens de texto e outra totalmente diferente estar cara a cara após a noite em que se conheceram, mas a loira parecia tranquila e sorriu para sua falta de jeito.

- Poderia ser pior – Ally comentou com um sorriso – Sua companhia é muito bem-vinda.

A figura pequena se escondeu atrás das pernas da mãe, perdendo toda a agitação e felicidade no mesmo instante em que Sara se afastou, ao que Laurel sorriu ao perceber o quanto sua irmã havia se apegado à garotinha.

- Então você é a famosa Riley – Laurel se abaixou e sorriu em direção à menininha – Ouvi falar muito de você.

Riley pareceu ainda mais envergonhada com a interação e voltou a se encolher atrás da mãe, como se Laurel fosse uma bruxa malvada oferecendo uma maçã envenenada. Não é que ela não fosse boa com crianças, ou que tivesse ampla experiência com elas, mas Riley parecia muito relutante quando a poucos minutos era uma bola brilhante de energia e sorrisos.

- Ei, vem aqui – Ally puxou a filha com delicadeza para que desse um passo a frente e, com toda a paciência do mundo, se abaixou para ficar da altura da filha – Essa é a Laurel, ela é a irmã mais velha da Tia Sara.

- Como você e titia?

- Exatamente como a tia Ava e eu. Sabe o que eu acho? – Ally perguntou e a menina negou com um aceno – Que você vai gostar muito da Laurel se disser oi pra ela.

Laurel aguardou pacientemente que Riley olhasse para ela, ainda havia uma reticência no olhar da menina mas parecia menos propensa a se esconder.

- Oi.

- Oi – Laurel sorriu – Você é tão linda quanto Sara disse que era.

- Eu pareço a mamãe – Riley sorriu mostrando as covinhas – E a titia, porque elas são gêmeas.

Laurel olhou entre Riley e Ally em uma concentração fingida, sabendo muito bem que a menina era como uma cópia da mãe em miniatura; elas tinham os mesmos olhos, os mesmos nariz e lábios, só os cabelos da menina eram mais claros, mas Laurel achou que escureceriam com o tempo. Era como se Riley fosse toda de Ally, sem qualquer outra interferência, e até onde ela sabia, um pai nunca foi mencionado em suas conversas.

- Você se parece muito com a sua mãe, é tão linda quanto ela.

Notou, com demasiado prazer, que as bochechas de Ally ficaram tão vermelhas quanto as de Riley com o elogio.

Há alguns metros de distância, o suficiente para ser ignorada por uma Laurel muito ocupada, Sara rosnou ao perceber que seu problema tinha nome, sobrenome e tendências megalomaníacas. Damien Darhk estava parado a encarando com um sorriso cheio de cinismo brincando nos lábios, mas os olhos eram frios como os de um defunto.

- O que faz aqui?

- Vim em paz – Damien ergueu as mãos – Pelo menos com vocês. Onde está Nora?

- Com o marido dela. Não foi convidado para o casamento? – Sara provocou – Que pena.

O sorrido de Darhk desapareceu no mesmo instante e Mick se postou ao lado de Sara, como um segurança enorme e ameaçador.

- Você tem uma alcateia grande e, embora eu seja um lobo solitário, não se esqueça como sou influente na cidade.

Sara sabia, seu pai passou metade da vida tentando colocar Darhk atrás das grades. O homem era como um chefe da máfia, sempre negociando e contrabandeando para dentro e fora de Star City, mas depois de um tempo se afastou e mudou a sede dos negócios até voltar à cidade e se tornar uma pedra no sapato de Sara; Darhk era de fato um lobo solitário, preferindo manter lacaios humanos cumprindo suas ordens e até seu retorno a loba não entendia tal motivo, já que com uma alcateia seus planos nefastos seriam mais eficazes.

Ela não era inocente a ponto de pensar que todos os lobos eram decentes, ainda tinham humanidade demais dentro de si para não serem corrompidos, mas Damien Dahrk era a favor de cobrar suas dívidas em forma lupina e isso era um desvio imoral de níveis astronômicos mesmo para ele. Todo lobo capaz de cometer tal atrocidade seria incapaz de seguir a liderança de outro, por isso eram vagantes solitários.

Seja como for, Darhk ordenava que seus capangas desovassem a vítima ainda viva na floresta onde ele cuidava de tudo. Era impossível ligar os ataques de um animal selvagem a um criminoso e nenhuma das mortes era considerada um assassinato.

- O que você quer?

- Preciso de um favor pequeno, apenas que fiquem fora do meu caminho enquanto resolvo alguns assuntos de trabalho na cidade – Darhk fez um gesto como se fosse algo banal – Depois disso prometo desaparecer.

- Você já prometeu isso antes – Sara cruzou os braços – Por que confiaria agora?

- Você tem razão, é difícil aceitar que minha filhinha não quer ter nada haver comigo então resolvi voltar para Chicago e manter os negócios por lá. Eu poderia fazer isso de todo jeito, mas quero estabelecer uma cooperação aqui. O que me diz?

- Não – Sara resmungou – Se tentar algo nos meus territórios, eu mesma vou te caçar.

- É uma pena – Darhk comentou como se estivessem falando sobre o clima – Os lobos deveriam se ajudar, não é? Herança lupina e tudo, mas veja só você se relacionando com uma bruxa.

Sara seguiu o olhar do homem e encontrou Laurel se ajoelhando junto a Riley e Ally, claro que Darhk não sabia que aquela não era a mesma mulher da floresta mas não fazia sentido insistir nisso. Ela também notou o tom de desgosto de Darhk ao pronunciar a palavra bruxa, o que só a fez querer rasgar o pescoço e separar a cabeça do resto do corpo.

- Isso não é da tua conta – Mick resmungou – Quer que eu tire a bunda dele daqui, chefe?

- Eu não faria isso, não queremos causa uma cena, não é Sara? Minha estadia em Star City será prolongada, então me avise se mudar de ideia, isso evitaria tantos problemas.

O tom ameaçador não passou despercebido por Sara e nem que Darhk tinha os olhos colados na figura de sua irmã.

- Se tocar na minha irmã...

- Eu nunca tocaria na sua família, Srta. Lance – Darhk voltou a sorrir de forma cínica – Sua irmã está segura.

Sem dizer outra palavra, o homem se virou e caminhou a passos lentos como quem aprecia a tarde agradável, e não como um criminoso megalomaníaco com desejo por sangue.

- Fica de olhos abertos, Mick. Se ele voltar...

- Vai ficar sem os dentes, chefe.

Laurel, ainda muito envolvida com sua companhia, nada ouviu, não quando Riley estava mostrando suas covinhas fofas e Ally sorria para a filha; a maioria dos pais não tinha paciência para os filhos, principalmente nessa idade, ou os estavam cobrando o tempo todo, mas Ally parecia simplesmente orbitar ao redor da filha exercendo seu papel de mãe com tanta naturalidade que parecia antinatural.

- Você já pensou em qual animalzinho de estimação você quer? – Laurel perguntou e sorriu ao ver a menina acenando animadamente para dizer que sim – Aposto que é um cachorrinho.

- Sim! Mamãe me deixou ter um se eu cuidar direitinho – Riley disse com um sorriso – E eu vou cuidar dele.

- Tenho certeza que sim. O que acha de eu te levar pra ver os cachorrinhos?

- Eu quero! – Riley se virou para a mãe – Mamãe...

- Você pode ir com a Laurel.

Com a devida autorização materna, Laurel pegou a menina nos braços e a levou até um cercado onde os cachorrinhos brincavam; não era algo que eles estivessem fazendo, crianças pequenas como Riley tendiam a ficar super excitadas ao redor dos filhotes, mas estava bem calmo no horário de almoço e sem outras pessoas para cobrar o mesmo tratamento ela não viu porque não.

Assim que colocou Riley dentro do cercado a menina foi encurralada pelos cachorrinhos, todos querendo algum tipo de atenção; do lado de fora, Laurel sorriu ao assistir os animaizinhos balançando suas caudas fofas enquanto tentavam lamber Riley, que parecia estar tendo o melhor momento da sua vida. A menina caiu sentada e logo todos queriam pular em colo, suas gargalhadas eram contagiantes e Laurel, assim como Ally, riram junto a ela como se todas fossem crianças tendo um dia mágico; por fim, um cachorrinho branco que tinha apenas uma orelhinha preta conseguiu escalar Riley e esconder-se em seu ombro para uma soneca.

- Acho que você encontrou seu cachorrinho.

- Isso! – Riley comemorou – Eu quero esse!

Esticando-se sobre a borda do cercado, Laurel puxou Riley de volta com cuidado e a colocou ao lado da mãe; crianças tinham uma grande tendência a abraçar e apertar os filhotes, mas a lourinha se resignou a segurar seu novo amigo e a coçar sua orelha, o que surpreendeu Laurel mais uma vez. Porém, mal o pensamento passou por sua cabeça e Riley tentou virar o filhote de cabeça para baixo, ganhando um grasnido agudo como protesto por parte do animalzinho; Ally e Laurel se aproximaram ao mesmo tempo para segurar o cachorrinho e impedir que caísse, vez que o filhote começou a se mexer para se livrar das garras que o seguravam.

- Com cuidado, amorzinho – Ally ajeitou o cachorrinho nas mãos da filha – Ele é muito delicado, como um bebê, e você precisa ter cuidado pra segurar ele.

- Eu só queria ver a etiqueta.

Laurel se permitiu um breve momento de confusão, e talvez notando as duas mulheres perplexas Riley não perdeu tempo ao explicar.

- É pra saber se é menino ou menina. Etiqueta azul pra menino e rosa pra menina!

As duas mulheres riram da lógica infantil e inabalável de Riley, mas a garotinha não pareceu gostar nada e fechou o rostinho bonito em uma carranca zangada; não desejando estragar o momento da menina, Laurel pegou o filhote com cuidado para checar.

- É uma menina – ela entregou o filhote de volta para Riley – Tem que dar um nome de menina.

Riley voltou a sorrir imediatamente.

- É a Nala!

- A febre do Rei Leão ainda está com tudo – Ally explicou com um sorriso – Mas podia ser pior.

- Ela é fofa – Laurel sorriu de volta – Ei… Hã… Vocês já almoçaram? Eu estava saindo pra comer um cachorro quente antes de voltar e ajudar Sara… Pensei que talvez, eu não sei, vocês ainda não tenham almoçado.

Ally riu e Laurel se lembrou do relatório completo passado por Sara, provavelmente a mulher notou sua confusão e estava bem ciente de como seus órgãos internos pareciam dançar uma conga alucinante.

- Esse era o plano, na verdade. Prometi a Riley que viríamos ao parque ter um almoço nada saudável e ela poderia adotar um cachorrinho, mas ela viu Sara e aqui estamos – Ally fez uma careta – Agora que já estamos com o cachorrinho, acho que precisamos ir para casa.

Riley parecia absorta demais em seu cachorrinho para prestar qualquer atenção às mulheres ao seu redor, então Laurel resolveu que seria uma ótima oportunidade de passar mais tempo com mãe e filha e, só talvez, conseguir criar laços com a menina assim como Sara.

- Riley, porque não deixamos Nala com a tia Amaya e então levamos sua mãe para almoçar? - ela arriscou – Vai ser divertido e eu prometo que a Nala vai ficar bem.

- Eu vou poder brincar no balanço? - Riley olhou esperançosamente para a mãe.

- Claro – Ally sorriu – Entregue Nala para a Laurel e vamos lá.

Laurel pegou o cachorrinho, mas segurou a mão de Riley para levá-la até onde Amaya ajudava a cuidar de alguns gatinhos, sendo seguida por Ally que nada disse sobre sua interação com a menina; por ali havia três outras crianças com seus pais, olhando para os gatinhos e dando pulinhos ao apontar para um ou outro sem conseguir se decidir, mas Amaya era bom com eles. Sara costumava dizer que Amaya tinha o dom de domesticar coisas selvagens, fossem animais ou crianças pequenas e por isso era uma ótima professora.

- Amaya – Laurel chamou – Essas são Ally e Riley, irmã e sobrinha da Ava.

As duas mulheres trocaram cumprimentos e sorrisos educados, mesmo Riley sorriu e acenou para Amaya com mais facilidade e desenvoltura do que tinha aceitado a proximidade de Laurel.

- Todos sentimos falta da Ava – disse Amaya – E é bom finalmente conhecer vocês duas.

- Igualmente. Quanto à minha irmã, bem, é uma situação complicada.

Estava claro que Ally não queria falar sobre o assunto perto da filha e as mulheres deixaram o tópico Sara/Ava de lado.

- Pode cuidar da Nala, por favor? - Laurel estendeu o filhote para Amaya, que o pegou com cuidado como se fosse um bebê recém nascido – Ela foi adotada por essa garotinha linda e não queremos que ninguém mais a pegue, não é Riley?

- Ela é minha filha agora – Riley sorriu mostrando as covinhas – Tenho que cuidar dela.

- É claro que sim – Amaya sorriu de volta, mas para dar crédito era difícil não sorrir para Riley – Nala está segura comigo.

- Nós só vamos almoçar e eu volto já, avise a Sara por favor.

- Pode deixar comigo.

Riley agarrou a mão da mãe sem precisar ser mandada, como se já conhecesse bem a rotina, e não pareceu se importar em andar a passos lentos junto com as mulheres. Laurel estava mais do que impressionada, é claro que Sara se derramava em elogios e comentários sobre a menina, mas ela esperava que em grande parte fosse o amor que tinha por Ava se estendendo à sua sobrinha, mas Riley era realmente encantadora.

Ou, mesmo que quase impossível, também poderia ser uma extensão dos sentimentos da própria Laurel.

Elas acabaram em uma daquelas barracas de cachorro quente e, enquanto Laurel comparava o almoço nada saudável das três, observou Ally limpar as mãos da filha com lenços umedecidos e mais uma vez Riley a surpreendeu ao não reclamar, mesmo quando a mãe beijou seu rostinho e fingiu lhe fazer cócegas. Acabaram escolhendo um banco perto do playground em que Riley tanto queria brincar, o que só deixou a menina mais agitada, mas ela ainda se sentou e se pôs a comer em silêncio.

- O almoço foi por minha conta – disse Laurel quando percebeu que Ally ia insistir em pagar – Eu convidei, você pode pagar o próximo.

- Teremos um próximo almoço?

- Por que não? A companhia é agradável o suficiente.

- Bom saber, mas vou pensar em algo melhor do que cachorro quente no parque.

Laurel colocou a mão no peito e fingiu estar chocada.

- Está desdenhando do meu convite para o almoço?!

- Eu nunca faria isso.

- É bom saber, Srta. Sharpe.

- Mamãe, acabei – Riley deixou metade do pão ainda no guardanapo sobre a perna da mãe – Posso ir brincar?

- Pode, mas se lembra das regras?

- Ficar onde você pode me ver e gritar se alguém se aproximar – Riley enumerou pacientemente – Posso ir agora?

- Vá em frente.

As duas observaram a menina se afastar e correr até o escorregador mais próximo antes de se juntar ao pequeno grupo de crianças que se revezavam nas barras, em menos de dois minutos todos estavam brincando juntos como se já se conhecessem desde sempre. A amizade funcionava de modo tão fácil quando se é criança, como estalar os dedos e são melhores amigos para a vida toda e, então, na manhã seguinte tudo começa de novo.

- Nada faz você se sentir mais mãe do que seu filho deixar metade da comida mastigada na sua mão – Ally comentou ao jogar o resto do almoço da filha no lixo e limpar as mãos com os guardanapos restantes – Maternidade real.

- Você é boa com ela – Laurel se viu dizendo – E Riley é tão fofa e encantadora que nem parece ter só cinco anos.

- Você ainda não a viu com Ava, ela a tem enrolada em seu mindinho! Às vezes parece que tenho duas crianças.

- É bom ver que vocês são próximas assim, eu não sei o que faria sem a Sara.

- Sim. Como está a mudança?

Laurel se pôs a divagar sobre os aspectos de sua nova vida e em como estava tentando se encontrar, e antes que percebesse se viu admitindo que esperava atuar em uma área diferente da promotoria e talvez fazer alguma diferença direta em relação às pessoas que realmente precisavam da justiça, mas que estavam sempre à margem dela. Ally escutou o tempo todo, oferecendo um comentário aqui e ali, mas nunca a interrompendo ou forçando sua opinião; no fim, a médica era uma boa ouvinte, passava claramente a sensação de entender os sentimentos que brigavam dentro de Laurel por um lugar ao sol e, novamente, levando em consideração as informações recebidas de Sara talvez ela realmente soubesse.

- Acho que falamos muito sobre mim – Laurel sorriu envergonhada – Mas, eu preciso saber de algo que está me consumindo.

- O que? - Ally perguntou divertida.

- Nora está mesmo frequentando sua casa para ver você e Ava fazendo magia?

- Sim – Ally riu – Mas ela é uma boa amiga e já se dá muito bem com Mona. Nora também é muito gentil, ela nos convidou para o baile de gala da Palmer Tech.

- E vocês vão?

Laurel sentiu novamente a euforia que nada tinha a ver com a possibilidade de encontrar Ally.

- Eu acredito que Ava sim, no meu caso eu dependo unicamente de encontrar uma babá – Ally fez um gesto em direção a si mesma – Essa é a minha vida, atender meus pacientes, ser mãe em tempo integral e depender sempre de encontrar uma babá e se minha filha está ou não saudável, se ela precisa ou não de mim. Maternidade real, lembra?

Era como se Ally estivesse tentando dizer alguma coisa, dando a chance de Laurel se afastar ao tomar ciência de que sua vida era uma bagunça e que havia bagagem a ser considerada.

- Acho que isso te faz uma ótima mãe – Laurel comentou com sinceridade- E acho que Riley é a maior prova disso.

- Ela só tem a mim, e Ava claro – disse Ally sem tirar os olhos da filha que brincava na gangorra com outro garotinho – Mas eu prometi que ela seria minha prioridade, sempre.

Laurel sentiu que havia mais nas entrelinhas, talvez em relação a ausência de uma figura paterna, mas Ally não ofereceu outras informações e ela não se intrometeu. Quem quer que seja, perdeu a oportunidade de conviver com aquela garotinha maravilhosa e Laurel só podia sentir muito por ele.

- Riley é incrível, acho que ela puxou isso de você.

Ela deu um empurrãozinho em Ally com o ombro e sorriu, ao que a mulher sorriu de volta e seus olhares se encontraram não pela primeira vez. Mas havia muita coisa não dita entre elas, coisas que palavras não conseguiam expressar, mas Laurel achava que podia ver tudo no olhar da outra mulher; era como se o mundo tivesse parado para dar um momento só para as duas, uma chance de estabelecer o entendimento mútuo que estavam tendo. Laurel não tinha reparado como os olhos de Ally eram brilhantes, ou como eram suaves e cheios de sentimentos ao mesmo tempo. Parecia um redemoinho de emoções que não podiam ser controladas, mas ainda assim era agradável de se ver.

O celular de Laurel apitou, despertando-as do transe quase hipnótico em que se encontravam. Ally sorriu envergonhada e desviou o olhar enquanto Laurel verificava o aparelho.

- É Sara, eu preciso ir.

- Nós também, me dê um minuto para buscar Riley e vamos com você para resgatar Nala.

A médica saiu e Laurel a observou se afastar, como esperado Riley não protestou ao ser chamada pela mãe e se despediu dos novos amigos antes de correr. Para sua imensa surpresa, no caminho de volta, Riley, que já segurava a mão da mãe, segurou também a mão de Laurel e caminhou entre as duas, como se o gesto fosse simples e cotidiano.

Sara esperava por elas com Nala no colo e uma expressão preocupada.

- Amaya foi almoçar – ela explicou antes que Laurel pudesse perguntar – E acho que esse bebezinho pertence a alguém aqui…

- É meu! - Riley se adiantou para receber o filhote – Ela se chama Nala.

- É um ótimo nome – Sara sorriu para a menina.

Riley se adiantou para Laurel e puxou a mão dela para ganhar sua atenção, o que ela prontamente deu à menina.

- Eu também ganho um pirulito?

- Riley – Ally disse em tom de aviso.

- Tudo bem – Laurel garantiu – É claro que você ganha.

Quando uma criança adotava um filhote, além dos documentos assinados por seus pais, elas ganhavam um pirulito como recompensa pela boa ação de resgatar um animalzinho e Riley, que parecia muito esperta e observadora para sua idade, percebeu o que acontecia e requeria seus direitos. Enquanto Ally assinava um termo de responsabilidade, e pagava por algumas coisas para o cachorrinho, Laurel tirou dois pirulitos do pote, e não apenas um.

- Pra você.

Ela estendeu um vermelho para Riley que sorriu e agradeceu. E agindo consciente de que todos podiam ver, mas ainda querendo agradar a garotinha, Laurel guardou o segundo pirulito no bolso da frente do macacão de Riley enquanto trocavam um olhar conspirador como se compartilhassem um segredo só delas.

- Eu vi isso – Ally surrussou como se ralhasse, mas o sorriso em seus lábios deixava claro que não estava brava.

- Mamãe, vamos pra casa! - Riley pediu – Quero mostrar a Nala pra tia Ava.

- Então diga tchau e agradeça pelo cachorrinho.

Laurel se abaixou e deixou que Riley a abraçasse, a menina não perdeu tempo antes de beijar seu rosto de um jeito apertado e demorado como só as crianças sabiam fazer. Em seguida, dispensou o mesmo tratamento à Sara, que lhe bagunçou os cabelos antes de deixá-la ir.

- Obrigada – Riley obedeceu a recomendação da mãe – Tchau, tia Sara. Tchau, tia Laurel.

Ally se despediu e enquanto as duas figuras louras se afastavam, Sara cutucou a costela da irmã fazendo Laurel dar um pulo de susto, tão concentrada como estava.

- Tia Laurel? Eu levei quase dois meses pra ser a tia Sara!

- O que eu posso dizer? Eu tenho um charme – Laurel provocou – E eu a comprei com um pirulito.

- Ainda assim…

A expressão de Sara voltou a ficar preocupada, como se uma tempestade anunciada se aproximasse rapidamente no horizonte. Seja o que for, para deixar sua irmã daquele jeito tinha que ser sério, e Laurel sentiu um calafrio percorrendo sua espinha.

- O que aconteceu?

- Darhk esteve aqui.

Laurel gemeu.

- Mais problemas?

- Você nem imagina.

[…]

Ava estava na casa da irmã, trabalhando com o notebook no colo enquanto se esparramava no sofá da sala; ela ainda não havia voltado para seu apartamento e não tinha planos imediatos para tanto, não quando sua vida começava a entrar nos eixos. Era bom estar com Riley e Ally, tranquilo e familiar, mesmo que ela tivesse sido obrigada a ressarcir com multas e juros o chocolate roubado da sobrinha.

O que dizem mesmo sobre roubar doces de crianças?

A verdade é que sentia falta de Sara e não foi à feira de adoção com a irmã e sobrinha porque não sabia se conseguiria olhar nos olhos da outra mulher. Se o fizesse talvez quebraria ali mesmo, ou esqueceria tudo e pediria para voltar.

O barulho na porta da frente indicou que Riley estava de volta com seu cachorrinho e, menos de um minuto depois, o furacão loiro que era sua sobrinha se adiantou para ela com um filhote nas mãos e falando rápido demais sobre conhecer a irmã de Sara e brincar no balanço, algo sobre cachorro quente e, é claro, o cachorrinho que recebeu o nome de Nala.

- Calma, respira fundo e fala devagar – Ava instruiu – Deixa a titia ver seu cachorrinho.

Com espanto, e um pouco de saudosismo no peito, Ava percebeu que era o mesmo filhote que se aninhou e dormiu em seu colo naquela tarde na clínica, quando ela e Sara ainda estavam bem.

- O nome dela é Nala – Riley informou – Me devolve ela, titia?

Ava devolveu o filhote à sobrinha e assistiu, junto à Ally, enquanto Riley tirava a boneca que repousava dentro do carrinho de bebê e a jogava com displicência sobre o sofá só para colocar Nala no lugar e sair empurrando ela pela casa.

- E como foi? - perguntou á irmã assim que a sobrinha desapareceu de vista.

- Tenho muito pra te contar, mas antes preciso de um copo de água e me trocar.

- Estarei bem aqui esperando.

Quando Ally se foi, o celular de Ava anunciou uma nova mensagem e ela tentou em vão não ter esperanças de que fosse Sara, bem como tentou dizer a si mesma que não estava desapontada ao notar o nome “Leah” na tela, indicando que sua outra ex-namorada queria falar com ela.

Estarei na cidade na próxima sexta para uma reunião, o que acha de um drink às 20h? Apenas amigas, eu prometo.”

Ava pensou em recusar, quem em sã consciência sairia com a ex louca para superar um término recente? Mas o sentimento de decepção e rejeição, ambos ainda latentes demais em seu peito a fizeram repensar sua primeira resposta, afinal de contas, que mal poderia fazer.

Por isso, respondeu apenas um “sim” e jogou o telefone sobre o sofá.


Notas Finais


E aí, k que acharam???? A Riley é ou não é a coisa mais fofa e apertável do mundo????? Eu tô morrendo de vontade de deixar vocês saberem umas coisas, mas já adianto que ela vai aparecer muitoooooo!
Laurel conversando com a Ally, Sara arrependida e Ava tendo um encontro com a ex! O que vocês acham disso tudo?!
Obrigada por ler ❤️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...