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História For Love (Choni) - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo Um - Medo


O dia amanheceu e os raios solares penetraram a cortina branca que decorava o quarto de Cheryl. A ruiva, já acordada, pintava com tinta aquarela em seu suporte de tela. Sentada em um banquinho de madeira rústica, sorriu ao sentir o sol tocar suas costas e se virou, levantando e abrindo a cortina. Observou o jardim que rodeava Thistlehouse, a mansão em que vivia os irmãos Blossom e Rose. As flores começavam a se abrir, e a grama estava mais verde, a época favorita de Cheryl havia chegado há dois dias. A primavera se fazia presente aos poucos, trazendo uma alegria vista na garota só nessa época.

Cheryl suspirou ao abrir a janela, sentindo o ar fresco que as árvores da volta traziam. Estava sozinha na casa, como na maioria dos dias. A avó, visitando uma irmã que estava morrendo, e Jason, um advogado ocupado, estava em Nova York a trabalho. A porta do quarto, que estava entreaberta, foi aberta, e por ela passou o melhor amigo de Cheryl, um são-bernardo já adulto, sentou do lado da ruiva que o observava apoiar o rosto peludo em suas pernas. Sorriu. Achilles tinha esse dom, fazê-la sorrir, mesmo sem querer. Ela passou a mão na cabeça do cachorro, que ansiava o carinho da jovem. Se abaixou, ganhando uma lambida no rosto, se afastou e gargalhou, correndo as mãos pelos pêlos cor amarelo acastanhado (brownish yellow) e branco.

— Está com fome, Achilles? — perguntou, recebendo em resposta a pata do cachorro sendo apoiada em seu braço. — Vou te dar seu café, vamos lá garoto.

Ela desceu as escadas na companhia de Achilles, que se mantinha ao lado dela animado para ter sua comida. Chegou na cozinha, e seguindo a rotina, pegou a ração na dispensa e, colocando-a no pote, se abaixou o posicionando na frente do cachorro e em seguida serviu seu cereal. Cheryl comia observando os pássaros que se movimentavam nas árvores do lado de fora, e, por algumas vezes, desejava ter a mesma liberdade e desejo de vida que aqueles animais tão pequenos.

Os olhos amendoados acompanhava cada levantada de vôo dos animais. Observadora, desenvolveu essa habilidade quando, tudo o que a restou, foi observar e admirar a vida nos pequenos detalhes. Contemplar da melhor forma, o que não lhe foi tirado. Lavou o pote em que havia comido e guardou o de Achilles no lugar reservado para as coisas do mesmo. Olhou uma última vez as aves, e andou em direção ao porão. Desceu as escadas, tendo seu coração aquecido no momento em que viu o piano branco antigo, pronto para ser tocado. A ruiva organizou tudo o que precisava para tocar, se desfez dos sapatos que calçava e sentou no banco, tocando as teclas de leve.

As lágrimas escorriam incansavelmente pelo rosto da pequena garotinha. Jason, para animá-la, reformou o porão, o transformando em um local para a irmã tocar seus instrumentos favoritos, mesmo sem um dos sentidos considerados essenciais para fazer música.

O garoto isolou o ambiente com espuma acústica e adaptou um sensor para a irmã conseguir sentir as notas tocadas através dos pés e mãos. Mesmo um ano tendo se passado, Cheryl ainda não fazia nada do que costumava fazer. Vendo a irmã deprimida, Jason resolveu fazer algo, e trouxe a música de volta para ela.

— Venha, Cher. — disse lentamente, movimentando as mãos, treinando a capacidade de leitura labial e libras da irmã. — Preciso te mostrar algo.

A garotinha se levantou, o acompanhando, descendo até o porão. Jason viu pela primeira vez em meses o brilho retornar aos olhos da irmã. Cheryl explorou o ambiente, tocando com as mãos nos instrumentos, e passando os dedos pelas teclas do piano. Ao se sentar em frente ao instrumento, o rosto se entristeceu, fazendo Jason se alarmar.

— Jayjay, você sabe que não tenho mais como tocar… — disse baixo.

— Claro que tem, Cher! — se sentou ao lado da irmã. — Adaptei da melhor forma pra você. Lembra que o papai dizia para você sentir a música?

— Sim, lembro.

— Agora você vai usar esse conselho dele para tocar. — sorriu. — Vou tirar seus sapatos e os meus. — se agachou, se livrando dos sapatos da irmã e dos dele. — Agora, apoie os pés nos chão, e toque uma melodia que se lembre.

— Jason… — murmurou a garotinha.

— Vamos, Cher. Você consegue, eu sei disso.

Cheryl fez o que ele pediu, e tocou uma música ensinada pelo pai. Não ouvia as notas nem a melodia, mas as sentia. Parecia ser ainda melhor do que apenas ouvi-las. Ela sentia, por todo seu corpo, a música.

Cheryl sorriu com a lembrança, e começou a tocar a sonata n°14 de Beethoven. Tocava com maestria, sentindo a música tomar tudo de si. Se sentia bem nesses momentos. Ela, seu piano e Achilles deitado ao seu lado.

[…]

No lado Norte de Riverdale, Antoinette Topaz ainda dormia, mesmo estando perto da hora do almoço. Os dias livres da escola, consequência da mesma ter sido fechada, a fazia esquecer do mundo lá fora. Às vezes era bom dormir metade do dia, o fazia passar mais rápido. Para Toni, quanto mais rápido o dia passasse, melhor.

— Vamos Toni, acorda! — mãozinhas pequenas tocavam seu braço, o empurrando. — Mamãe está chamando para o almoço.

— Já vou, Alex. — sussurrou, fazendo o irmão mais novo cruzar os braços e dar a volta na cama para encará-la. — Eu prometo, ok? Cinco minutos.

— Vou te esperar na mesa, Toni. Da última vez mamãe teve que vir te chamar. — disse em tom triste.

— Dessa vez eu vou. Prometi pra você, não prometi?

— Prometeu.

— Me espera lá, tudo bem? — se levantou, viu o garotinho assentir e sair do quarto, encostando a porta.

A morena se livrou do pijama que vestia, se arrumando para descer. Em poucos minutos descia a escada, indo em direção a mesa na sala de jantar. Grace, a mãe de Antoinette e Alexander, organizava a mesa com a ajuda do filho, que abriu um sorriso ao ver que a irmã havia realmente ido comer. A garota tinha a mania de comer no quarto ou, na maioria das vezes, não comer. Toni batalhava contra a depressão que a morte repentina do pai trouxera.

— Bom dia, filha. — Grace deixou um beijo na testa de Toni. — Estou feliz por ter descido. Vamos almoçar, nossa tarde vai ser longa.

— Vamos hoje pra nova casa, Toni! — Alex falou animado. — Mamãe disse que vai ser divertido.

— Mudanças sempre são. — um sorriso triste tomou os lábios de Toni.

Ela não queria deixar a casa em que crescera e que viveu as melhores lembranças quando o pai ainda estava vivo. Antoinette tinha dificuldade em se desfazer do passado, e isso a prendia da pior forma possível. Ela se sentou ao lado do irmão, tendo a mãe de frente para si. Os três comeram, conversando sobre a nova casa e os lugares para se visitar no outro lado da cidade. Alex falava animado sobre como queria decorar o quarto e Toni ouvia pacientemente, feliz pela animação do menino.

— Podemos colar estrelas no teto. — Grace sugeriu.

— Boa ideia, mamãe. — o menino sorriu.

— Podemos fazê-lo virar uma galáxia dentro do quarto. — Toni disse.

— Eu gostei da ideia! — a mãe disse se levantando. — Agora mocinho e mocinha, me ajudem com a louça.

Mesmo resmungando, Alexander e Antoinette ajudaram a mãe, e a garota subiu para terminar de encaixotar as coisas que faltavam. Botou os livros e as coisas frágeis embrulhadas em plástico bolha, e o restante em caixas que preenchiam o quarto.

[…]

O avô de Toni, Thomas, ajudava, junto com Jughead, ela e a mãe a descarregar o caminhão. Aos poucos, a sala e cozinha da nova casa eram preenchidas por caixas e entulhos, móveis desmontados, 4 pessoas cansadas e uma criança cheia de energia. Alexander corria para todos os lados com uma bola de futebol americano em mãos, enlouquecendo a mãe que só queria organizar as coisas o mais rápido possível.

— Me ajuda a subir minha cama para o quarto, Jug? — Toni perguntou para o melhor amigo, passando a mão no rosto tentando conter o suor.

— Vamos nessa. — disse levantando.

Os dois subiram o móvel parcialmente pesado, o colocando no quarto que seria de Toni.

— Não é tão ruim. — o garoto disse.

— Não. Eu só não queria deixar a casa, Jug.

— Vai ser bom pra vocês um novo ambiente, Toni. — se abaixou, separando as peças da cama da morena, e começando a montá-la. — É pelas lembranças? — Toni assentiu lentamente. — Acho que William gostaria que vocês construíssem novas lembranças em um novo lugar, Toni. Isso vai fazer bem pra vocês.

— Não fala no meu pai, Jug. Foi o que combinamos, sem tocar no assunto.

— Sinto muito. — ele a olhou. — Vem, vamos montar sua cama.

Os dois montaram a cama, e Jughead ajudou Thomas a pendurar algumas prateleiras e nichos no quarto da garota. O local estava tomando forma e ficando no gosto da morena, que se sentia um pouco mais animada em relação a mudança. Alex ainda corria pela casa, brincando com a bola e já tendo quebrado dois vasos de Grace. Passou correndo por Toni, que o segurou de leve, fazendo o menino parar. Se agachou na altura dele, e sorriu.

— Ei, precisamos ajudar a mamãe, lembra? Precisamos colaborar com ela. — disse baixo. — Você pode brincar, Alex, mas não faça bagunça no que a mamãe está tentando arrumar.

— Desculpa, Toni. Prometo me comportar.

— Ta tudo bem, só precisamos cuidar dela, combinado?

— Combinado! — sorriu.

— O que acha de darmos uma volta? Conhecer a vizinhança…

— Sim!!! — o menino gritou, chamando a atenção da mãe que entrara no corredor.

— Que animação toda é essa? — Grace perguntou sorrindo.

— Propus à ele que dessemos uma volta para conhecer a vizinhança.

— Podemos ir, mamãe? Por favor.

— Eu acho uma ótima ideia. — disse a mulher. — Vi um parque há três quarteirões daqui, divirtam-se.

— Vamos, Toni, vamos!

Alex pegou a mão da irmã e a guiou até a porta da casa. A rua e vizinhança eram calmas, trazendo a paz que a Sra.Topaz procurava. Toni caminhou com o irmão até o parque indicado pela mãe, que estava vazio. Era um enorme campo com brinquedos para crianças e uma quadra média de futebol, em frente à um cercado de arbustos que rodeava Thistlehouse. O parque havia sido construído pelo Sr.Blossom e aquela parte era de domínio dos Blossom. O menino havia levado um taco, bola e luvas de baseball, esporte que adorava praticar com a irmã.

Eles se posicionaram e começaram a jogar. Jogo esse que arrancou diversas gargalhadas dos dois, que apostavam corrida até a bola toda vez que ela ia para longe. Era a vez de Alex rebater a bola, e o garoto pôs tanta força que a bola atravessou os arbustos, entrando na parte privada da propriedade.

— Vamos, Toni, corrida! — o garoto gritou e disparou correndo em direção à uma parte que não tinha arbustos para dividir. — Vou chegar primeiro!

— Alex, espera! — Toni gritou, na esperança do irmão parar e voltar. — Alex, não entra! Alexander! — correu em direção ao irmão, quando viu o mesmo atravessar para o outro lado.

Em questão de segundos Toni estava lá, e a cena que tinha era de um cachorro enorme rosnando para o irmão, enquanto uma garota de cabelos ruivos se aproximava, parando ao lado do cachorro. A morena se aproximou do irmão que tremia, o mesmo tinha trauma de cachorro, e o terror em seus olhos fez o coração de Toni se despedaçar.

— Ei, tudo bem. Eu estou aqui. — disse pro garotinho que tinha a bola de baseball em mãos, e estremeceu quando o cachorro rosnou.

— Achilles, chega. — a ruiva falou, vendo Toni puxar o garotinho para trás de si. — Quem são vocês e porquê entraram em uma propriedade privada?!



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