História For the sinners - Capítulo 4


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Categorias Stray Kids
Personagens Bang Chan, Han Ji-sung, Kim Seung-min, Kim Woo-jin
Tags Deficiência Visual, Discussão Religiosa, Lobo!woojin, Sem Abo, Vamp!chan, Violência Gráfica Talvez, Warlock!seungmin, Woochan, Woojin-centro
Visualizações 11
Palavras 3.441
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Survival, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


View em double knot~

Capítulo 4 - I wait for you to come around


 

 

 

Ajeitou os óculos de sol no rosto, os braços cruzados tentando demonstrar menos do desconforto que de fato sentia por estar em um ambiente que não frequentava há bem mais de quinze anos. Woojin sabia que a situação, ainda sim, era bem diferente. Havia crescido no meio de crianças de bochechas rosadas e mãos quentes, com a visão de uma formiga em um tronco de árvore há alguns bons centímetros de distância. Aquilo era no mínimo estranho, até porque a inserção de vampiros na sociedade atual ainda era recente e sua versão de cinco anos de idade ainda havia passado tempo o bastante achando que cada um daqueles rostos pálidos e caninos afiados pudessem realmente fazer mais do que causar alguma tontura e possivelmente alguns arranhões em seu pescoço.

Anos depois, a figura mais perigosa em um campo de sangue sugas, ironicamente, era ele. Não que considerasse aquela inversão de valores algo muito positivo, afinal gradativamente Woojin começava a aceitar o fardo que havia lhe sido imposto – não se denominava como um deles, mas isso não tornava a realidade menos certa de que era.

A maior parte dos vampiros não tinham conhecimento sobre aquilo que os cercava. Talvez porque acabavam sendo induzidos a acreditarem no que o sistema no qual estavam envolvidos mostrava, com ações táticas de grupos como os do qual Woojin fazia parte para livrá-los de problemas mascarados de interesses governamentais. Não querendo passar a ideia de que Woojin não tinha lobisomens como inimigos também, apenas discordava que eles fossem ser armas favoráveis para o quartel, de modo que fora dos olhos de maiores autoridades nenhum soldado realmente se preocupou em salvar criatura alguma para absolutamente nada. E talvez fosse aquela política de atirar primeiro e perguntar depois que fazia com que não houvesse alguém do outro lado da cerca para dar a impressão de bom moço – ou para colocar a ameaça como verdadeira. Tudo o que passava pelo filtro da mídia era exatamente figuras de animais antropomorfizados já mortos.

Isso explicava porque nenhuma reação à sua chegada em um jardim de infância era realmente explicitamente alarmante. Tinha absoluta certeza de que sua presença incomodava por já ter tido que lidar anteriormente com o resultado de suas mudanças físicas e hormonais, mas quando nenhum deles tinha um referencial do porque, Woojin só se resumia a alguém de características estranhas. Alguma coisa diferente.

 

“Boa tarde, no que posso ajudar?” Perguntou a secretária, os olhos um bocado ressecados atrás das lentes dos óculos de grau incrivelmente fortes. Woojin não queria sequer imaginar o quão intensa deveria ser a deficiência visual da mulher. Seus lábios se curvaram em um sorriso que não chegava até os olhos e o nariz se franzia não tão discretamente, as narinas bastante dilatadas. Woojin suspirou.

“Eu gostaria de poder falar com o professor Bang, por gentileza.” Sua garganta arranhava e a voz saia um pouco mais grunhida do que havia sido a intenção. Apoiou os antebraços na bancada, as mãos fechadas e longe dos olhos atentos da análise que a funcionária parecia fazer sobre as companhias de um docente. Justificável, para ser honesto.

“Ele ainda está em classe –”

“Se não se importa, é urgente.”

 

Mentir não era o mais saudável dos hábitos, mas havia sido o que convenceu a secretária – depois de ter causado na mulher certo abalo com o que justificou em improviso depois – a levá-lo até a sala no fim do corredor, ainda no primeiro andar, cujas portas fechadas não abafavam o som de cada turma. Ou, provavelmente, era a audição desconfortavelmente aguçada de Woojin que o fazia ouvir borrachas, lápis e cadeiras em impacto à qualquer superfície. Seja com folhas, os tacos de madeira no chão ou sapatos de couro infantis bem lustrados. O odor também não era dos mais agradáveis, entendendo sua distorção do ambiente. Vampiros não costumavam exalar absolutamente nada, mas o mesmo não se podia dizer de materiais escolares e produtos de limpeza. Woojin ergueu a cabeça e respirou fundo por alguns segundos durante a caminhada; não queria repetir o incidente que o obrigou a tirar aquele dia como uma 'folga'.

 

“Por favor, espere aqui.” Sem tempo para rebater com uma negativa infantil e provocativa, apenas observou-a entrar na sala, interrompendo a aula 'educadamente' – ela parecia ter seus próprios modos – atraindo a atenção das crianças que seguiam muito mais pelo som do que por outros possíveis sentidos. Todas em torno de quatro ou cinco anos, muito mais quietas do que uma classe considerada comum. Precisava rever seu vocabulário para situações específicas (e um pouco aquele preconceito enraizado por algo que ajudou a moldar, consciente ou não).

 

No que tinha de tempo disponível, Woojin tentou pegar o máximo de detalhes que podia do lugar que havia sido impedido de entrar e por isso tudo o que enxergava era o espaço permitido entre os batentes da porta. A sala era estranhamente limpa; não haviam cartazes coloridos ou varal de letras em ordem alfabética, como bem se lembrava em outras escolas. Os blocos de madeira espalhados por um tapete feito com de EVA tinham apenas uma cor base, que variava entre tons de vermelhos vivos e desbotados, enquanto outros brinquedos pareciam se resumir ao mesmo efeito. Ou tinham tons escuros demais para considerar interessante para uma criança humana, por exemplo. Alguns tinham pequenos volumes enfileirados, moldados sobre o material de determinada peça, o que Woojin acreditava ser uma escrita em braile. Os livros na estante, se tivessem alguma capa diferente, provavelmente era porque não havia sido feita para o tipo de público no qual o ensino ali era redirecionado.

Tudo parecia fora do lugar. Principalmente para quem de modo algum se encaixaria em um ambiente como aquele.

 

“Obrigada, senhorita Kang”

 

Woojin conseguiu se concentrar o bastante na voz de Chan para compreender as últimas palavras redirecionadas à secretária, só então parando realmente de encarar os uniformes azul marinho das crianças comportadamente sentadas em seu devido lugar, concentrando-se em um desconfortável professor que vinha em sua direção com uma expressão difusa, talvez um pouco conflituosa sobre revelar o quão indignado estava com a interrupção.

 

“Boa tarde, professor Bang –“ Poderia ter continuado, mas a maneira como Chan havia encostado a porta, o som da trava soando suave entre ambos, obrigando-o a optar em cortar o restante das palavras antes que elas saíssem sem controle ou que o outro tomasse a iniciativa de diminuí-las.

“Disse que meus pais estão mortos?” Baixo, extremamente baixo, porém ainda domado por afobação. Cada silaba pingava o expressionismo clássico de Chan. “Woojin, eu não tenho pais!”

“Que pena que ela não sabe disso, não é mesmo?” Revirou os olhos, descruzando os braços.

“O que você veio fazer aqui? Porque não podia ter ligado, me esperado, qualquer coisa –“

“Eu não menti quando disse que era importante.” Mesmo que não pudesse exatamente dizer seus motivos, e sabia que Chan compreenderia que nem tudo podia ou deveria ser compartilhado, Woojin realmente considerava aquele caso como vida ou morte. Provavelmente só era incapaz de colocar a seriedade necessária no assunto naquele momento. Não estava no controle de suas próprias capacidades, colocando de maneira bem menos desesperada do que se sentia. “Eu preciso que me diga onde posso encontrar o Seungmin.”

 

O silêncio era a última das preocupações de Woojin – embora quanto antes recebesse a resposta de sua demanda, melhor seria. Seungmin era um assunto banido entre ambos e talvez a mera citação de seu nome já fizesse com que Chan tomasse consciência da dimensão do problema, seja lá qual ele fosse.

A decisão de se isolar havia sido toda dele. Quando Seungmin saiu da cidade, por suas próprias convicções, Woojin talvez tenha sido quem mais tentou reparar sua ausência dos modos que podia. Não que fizesse diferença, de um jeito ou de outro. Nunca havia sido tão bom em substituir os outros quanto pareciam fazer consigo e nunca realmente foi alguém disposto a cobrar por receber de volta tudo o que já havia dado. Às vezes até preferia uma relação onde não havia reciprocidade – tudo parecia bem mais seguro quando não se colocava expectativas demais sobre. Entretanto, recentemente observado por mais gente do que se sentia orgulhoso em constatar, toda aquela amargura que manteve por anos atrás de uma fachada pacífica aos poucos deixava seu peito de maneiras muito mais agressivas do que se simplesmente tivesse tentado colocá-las em pauta muito antes. A ausência de Seungmin era algo que ainda pesava e nunca havia reparado no quanto o incomodava dizer seu nome até que a língua enrolasse e o interior das bochechas fosse castigado por um gesto inconsciente seu de se martirizar pelo o que não estava sob seu controle.

Desde que as coisas saíram do controle, preferia que o paradeiro do outro fosse, para si, um segredo. Prometeu que não o procuraria e não o envolveria em nada que não estivesse de fato disposto. Era sua culpa que Seungmin havia deixado a cidade – havia sido ele a colocar um sinal em suas costas, havia sido ele a torná-lo um alvo, tudo por um desejo estúpido de aceitação em um ambiente que hoje esmagava seus pulmões e sufocava-lhe qualquer positividade. Se as coisas saíssem de acordo com o plano, talvez devesse começar com um pedido de desculpas antes de exigir qualquer favor.

 

“Você tem certeza?” Chan parecia ter uma linha de raciocínio semelhante, ou pelo menos sua hesitação era evidente. O vampiro nunca havia rejeitado um pedido de Woojin pela dívida imaginaria que achava que tinha com o soldado, porém Seungmin também o havia feito prometer que procurá-lo outra vez exigia cumprir regras demais. Woojin claramente deveria estar quebrando uma boa parte delas apenas por ter recorrido a quem nunca havia lhe dito não.

“Não teria vindo até aqui se fosse apenas induzido por culpa.” Admitiu, o tom afiado o fazendo regredir assim que percebeu sua companhia automaticamente encolher os ombros. “Eu preciso da ajuda dele, Chan.”

“Porque?” O som do vampiro umedecendo os lábios de maneira ansiosa e das unhas arranhando o tecido das próprias roupas soava alto demais aos ouvidos de Woojin. “Wooj, o que está acontecendo?”

“Nad –“

“Não insulte a minha inteligência.” Chan cortou imediatamente, mas sem sentimentos na voz que não incitassem sua preocupação. Woojin se sentia ainda mais culpado cada vez que o obrigava a reprimir todo sentimento negativo que ele próprio já não era capaz de conter; e isso o irritava, alimentava o que aquela maldição havia criado. “Você não tocou no nome dele nos últimos anos, mas de repente começa a agir estranho e vê nele uma solução que provavelmente pode ser encontrada de outras formas.”

“Chan, por favor.“

“Me conta” Suplicou “Me diz porque seu cheiro não é o mesmo, porque você age com agressividade em qualquer oportunidade, porque você veio até aqui me desconcentrar quando eu finalmente consegui parar de pensar nos insultos que você fez a mim há poucos dias atrás.”

“Eu sinto muito, ok?” Ergueu as mãos, um sinal claro para que Chan parasse antes que houvesse a necessidade de interrompê-lo ainda mais rudemente do que já o havia tratado até ali. Woojin não queria entrar naquele mérito, não queria deixar ultrapassar a linha de seu autocontrole e ouvir-se dizer o que seu subconsciente sussurrava ao pé de seu ouvido. Fraco, sensível demais. “Eu disse pra você que não era um bom dia, o que quer que eu faça? Eu já me desculpei, não posso voltar atrás com o que aconteceu.”

 

Havia muito mais naquele pedido do que ele de fato aparentava. Woojin não estava apenas se referindo a forma como tratou toda uma espécie que no passado esteve ao lado. Não era como se estivesse traindo suas ideias por completo – apenas porque sabia que o que o rodeava atualmente soava um amontoado de besteiras. As políticas no qual antes confiava e daria sua vida sobre agora poderia querê-la por absolutamente nada. A ficha havia caído e agora se dava conta de que valia tão pouco porque já não era mais a espécie acima de todas as outras. Não fazia mais parte de uma casta privilegiada por não serem nada além de espertos – não de fato fortes como pensavam. Woojin estava repleto de um sentimento inefável de fúria destinada a lugar algum e ao mesmo tempo a todos eles.

Aquele silêncio, por si só, poderia ser considerado uma violência de ambas as partes aos seus referidos modos.

 

“Ele está na fronteira da cidade.” Chan cruzou os braços, o rosto virado para o chão, a ponta de um dos pés movendo-se minimamente na direção de Woojin. “Mas eu não vou dizer onde a menos que me leve com você.”

“Não –“

“Ótimo, então eu vou voltar para sala e você que se vire.” A resposta havia saído quase emburrada, um forte tom infantil mesmo que aparentemente não fosse o objetivo do vampiro, automaticamente se mostrando decepcionado com a própria atitude. Após um suspiro e a indicativa de que falava sério ao recuar um passo, Woojin estendeu a mão, segurando Chan pelo pulso com um pouco mais de força do que gostaria para impedi-lo de ir muito longe. “Eu tenho que voltar.”

“Ok, eu levo você.”


 

- ⥉ -

 

 

O acordo havia sido simples: Chan não entraria e tampouco deixaria o carro independente da distância no qual Woojin estacionária da residência marcada como destino no disposto gps. Sob a mesma desculpa dada na secretaria da escola primária, deixaram o lugar quando o sol começava a se pôr, o silêncio durante todo o trajeto não sendo realmente desconfortável, porém longe de manter ambas as companhias realmente significativas uma para a outra. Woojin sentia como se tivesse feito algo extremamente errado ao buscar pelo vampiro, que por sua vez não havia demonstrado muita melhora em seu humor das últimas palavras trocadas em particular até aquele momento.

Os olhos grudados o tempo todo na estrada e as mãos presas ao volante não diminuam uma vontade estranha que Woojin tinha de apenas colocar as mesmas mãos nos ombros de Chan e sacudi-lo até que deixasse esvair todo aquele sentimento de que tudo estava fora do lugar. Errado, incorreto, imperfeito, irreal. Independente de como quisesse nomear aquele momento, todos eles o levariam ao ponto inicial – Woojin continuava, já não tão mais conscientemente, a se colocar em uma posição em que não pertencia. Recusava-se a abaixar a cabeça para o destino, recusava-se a assumir as consequências de suas escolhas. Em determinados momentos se pegou pensando com frequência sobre o peso que desapareceria se tivesse mudado uma rua para a direção no qual caminhava naquele dia e em tantos outros antes, responsáveis por mudanças tão drásticas quanto. Entretanto não conseguia não considerar o outro lado da moeda, onde igualmente teria que cogitar que outras viriam em substituição.

Woojin poderia ter morrido tantas vezes. Poderia ter usado aquela oportunidade para se redimir – até mesmo com quem já havia partido muito antes. Poderia ter dado seu melhor. Poderia ter se cobrado menos, poderia ter aberto mão de problemas éticos e morais que eram insanamente alimentados por um instinto destrutivo não-natural. Woojin ainda estava marcado para morrer. Talvez agora com a tinta fresca do alvo pendurado entre seus olhos sendo mais fácil enxergarem o quão pouco valia. E novamente, aqueles pensamentos não o limitavam a sentimentos inofensivos, embora negativos. Tudo o que conseguia sentir era raiva. Pura e insana raiva.

Respirou fundo, pisando no freio com um pouco mais de impacto que o necessário, causando o carro – que não era seu, valia ressaltar – a reagir de acordo, com Chan estendendo uma das mãos em direção ao painel enquanto a outra permanecia se assegurando de que o cinto estava preso. Apesar da dor nos cotovelos pelo impacto causado pela física, Woojin sequer se mexeu.

 

“Você quer nos matar?” Woojin piscou devagar, tombando a cabeça para o lado e apoiando o braço sobre a janela abaixada, tentando encontrar de longe o número indicado pela voz eletrônica do GPS, que insistia que ainda faltavam alguns metros. Tudo bem, estava há uma distância em que sabia que Chan não escutaria se ele próprio não era capaz de ouvir muita coisa. Mesmo para um lugar deserto, em que uma agulha na estrada poderia ressoar em seu cérebro por dias. “Woojin!”

“Desculpe.” Pediu, ignorando completamente seu subconsciente insistindo que para matar o vampiro ao seu lado exigia-se bem menos. Woojin, de forma alguma, queria pensar isso de quem quer que fosse. O amargor em sua boca chegava com a ideia de que aqueles pensamentos intrusos, agora tão comuns, o faziam se sentir deslocado. “Tudo bem?” Desviou o assunto, voltando-se para Chan que ainda permanecia com o rosto voltado para frente e o peito subindo e descendo em uma velocidade anormal para quem, basicamente, quase nunca parecia sequer estar vivo.

“Não.” Chan deslizou um pouco o quadril sobre o banco, as pernas visivelmente mais bambas e os olhos agora fechados. “Quando for tentar se matar outra vez, por favor não me meta nisso.”

“Você pediu pra vir.” A defensiva era idiota, mas persistiu. “Eu não pretendo demorar, mas mesmo se acontecer, não saia daqui.”

 

Não esperou uma resposta contrariada ou uma indignação da parte do vampiro; não que fossem conhecidos por manter sua palavra, mas Chan levava ao pé da letra os acordos que faziam, por isso Woojin conseguiu captar satisfeito o bufar apático do outro antes que terminasse de fechar a porta do veículo. Voltou o rosto para cima, o céu recheado de nuvens acinzentadas e uma lua pouco visível eram o suficiente para saber que o caminho havia sido longo. Provavelmente mais de duas horas.

Estava sem planos, de fato. Woojin não realmente havia pensado em como iniciar o assunto, tampouco em como seria encontrar Seungmin outra vez – nunca havia realmente sido uma opção retomar laços com o citado simplesmente porque não existiam razões. Quando havia deixado claro que não queria vê-lo, Woojin não ousou ir contra suas vontades. Não questionou. Não o obrigou a ficar, não persistiu. Se era isso o que de fato queria, falhou em mais uma das várias tentativas de ser empático, mesmo ultrapassando a linha da importância com a liberdade. Tão tênue.

66 D.

Woojin conseguia enxergar que uma das letras havia sido arrancada e que as paredes pareciam ter sido recentemente quebradas – ou o que era possível de uma estrutura tão forte ser danificada ao ponto de exibir rachaduras tão longas logo em sua fachada. Não se sentia confortável. Por mais que as paredes de tijolos cor-de-creme fossem tão receptivas, assim como as rosas na janela completamente lacrada, ainda não era um ambiente extremamente familiar. Tudo estava bem cuidado, obviamente, mas a luz que passava debaixo da porta somado a ausência de qualquer ruído residencial nunca de fato teve bons indicativos para Woojin. Ainda mais agora, onde estando há menos de dois passos da porta não ser capaz de ouvir uma única presença era deveras... estranho. Desesperador. Agonizante.

Respirou fundo novamente, os pulmões doendo pela frequência de tal atitude, levando mais tempo que o necessário para decidir bater. Nada vinha de direção alguma. Não havia o som de uma formiga sequer. Sem grilos e moscas. Sem gatos de rua e....

Woojin fechou as unhas contras as palmas, o coração começando a bombear mais sangue do que o necessário – e do que já fazia normalmente. A maçaneta girou, ainda sem emitir um único ruído com a sensação de ter os ouvidos tampados antes que tudo viesse como uma avalanche. Recuou uma quantidade considerável de passos, sequer concentrando-se na figura parada ao lado do batente antes de colocar as mãos nos ouvidos, abafando com as palmas tudo o que poderia afetá-lo. Os tímpanos doíam e aos poucos sentia o espaço entre os dedos úmidos e viscosos.

Tinha absoluta certeza de que sangrava. Droga.

 

“Wo....I...N”

 

Acima de chiados de TV, vidros estilhaçados e uma estranha estática sem uma direção específica, Woojin ainda conseguia ouvir seu nome sendo dissipado de maneira picotada pelo ar, mas não necessariamente conseguia se concentrar em muita coisa. Não quando a sensação era a de ter uma agulha perfurando seu cérebro de maneira persistente. Também não conseguiu rebater o toque invasivo em seu tronco, mãos o segurando abaixo de seus braços e sem resistência o levando para onde quer que fossem, arrastando a ponta de seus pés pelo caminho pavimentado.

E quando tudo parou, Woojin ergueu as pálpebras, encarando os pés descalços e decorados com diversos arranhões até subir e encontrar os mesmos par de olhos de anos atrás o observando de volta. E ainda sim, não eram os mesmo. Temia que nunca fossem.

 

 

- ⥉ -

 

 

 


Notas Finais


Se tiver algum erro, eu betei muito superficialmente por preguiça e peço perdão (quando não estiver fazendo tanta coisa ao mesmo tempo eu volto pra corrigir).
Comentários e criticas construtivas são sempre bem vindos, me deixam muito feliz <3
Espero que tenham gostado :D


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