História For You! - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Army, Bangtan Boys, Bts, Hoseok!top, J-hope, J-hope!top, Jung Hoseok, Kim Taehyung, Longfic, Sadfic, Taehyung!bottom, Taeseok, V!bottom, Vhope
Visualizações 79
Palavras 6.655
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ooieee meus xuxus, estão beem? Eu sei que eu demorei praticamente duas semanas (ou chegou a dar duas?) para postar o segundo capítulo e eu sintoo muitooo, eu realmente queria ter postado semana passada, mas as coisas para mim andam um tikim' corridas, mas eu prometo que assim que normalizar eu postarei semanalmente *-*

Eu esperoo muitoo que vocês recebam essa capítulo com carinho, sério mesmo, eu estou muito hesitante, mas enfim, não vou enrolar muito.

Tenham uma boa leitura e até as finais!!!

Capítulo 2 - Eu não acredito em você!


Sinto meus olhos mais pesados do que o de costume, de certo modo tudo em minha mente estava um tanto confuso e mesmo mantendo meus olhos fechados eu podia sentir a minha cabeça latejar, apesar de que se for comparar como ela estava nessa manhã a dor havia reduzido drasticamente.

Qualquer pensamento supérfluo que se passa em minha mente é completamente confuso, estava completamente borrado, como se tivessem passado uma borracha em tudo o que havia acontecido deixando apenas resíduos dos quais eu sei que preciso juntar, afinal, o que foi que aconteceu? Tá, calma, vamos por partes, eu me lembro de acordar cedo como qualquer dia e ir fazer minha higiene, Hoseok acordou com fogo e me provocou (veado do caralho, quem ele pensa que é para me provocar daquela forma?), depois disso eu separei as roupas dele e fui preparar o café da manhã, eu voltei a dormir e acordei com Jeongguk praticamente me intimando para ir no Granny’s, eu estava com dor, mas mesmo assim acabei indo até ele, mas depois disso eu... espera, o que foi que aconteceu depois? Eu posso confiar em minha memória borrada? Aliás por que está borrada?

Apesar de ter demorado um pouco desde ter recuperado minha consciência, eu finalmente abro meus olhos e a única coisa que consigo enxergar durante alguns segundos foram apenas borrões por conta da claridade repentina. Para que me acostumasse com a iluminação do local eu precisei piscar algumas vezes até ter as minhas primeiras imagens daquele local nítidas.

Estava dentro de um quarto com longas paredes brancas e vários equipamentos dos quais eu não faço a mínima ideia para que servem, apesar de conseguir identifica-los, e aquilo por si só foi o suficiente para que eu pudesse dizer com toda certeza que estava em um quarto de hospital e mesmo que se minha visão não fosse o suficiente para me situar, apenas o cheiro forte de remédios característicos foi considerável para que eu percebesse que estava internado.

Levando em conta o local que estou, o que foi que aconteceu comigo? Eu me lembro de ter acordado um tanto mal, cheguei até mesmo a pensar em ir ao médico, mas em nenhum momento me lembro de ter vindo a um hospital, o que foi que aconteceu? Eu fui até Jeongguk e tudo ficou preto, eu desmaiei? Bem... se foi isso o que aconteceu justifica, mas, tirando algumas dores eu estou bem, não tem motivo algum para um desmaio repentino.

Ergui meu tronco ficando sentado naquela cama hospitalar desconfortável e encarando meu corpo, eu não aparento estar com machucado algum, tudo aparentava estar exatamente como antes, com exceção de alguns tubos em minhas veias e hematomas que eu não faço ideia da onde surgiram, talvez tenha sido no momento em que Jeongguk veio até mim, pensando sobre isso, o Kookie segurou meu corpo, não foi? Eu tenho o rosto do Kookie gravado em minha memória, ele estava preocupado comigo, foi naquele momento que eu desmaiei?

Uma coisa que reparei ao encarar meu corpo foi o fato de eu estar vestindo o estilo de roupa hospitalar ri-dí-cu-la, poxa, eles não tinham uma roupa melhor? Quem foi o maldito que inventou essa merda? Ele não teria um gosto melhor, não? Sei lá, até mesmo na escolha das cores, afinal, azul? Porra, azul não combina com esse tipo de corte. Sem dúvida nenhuma eu devo estar exatamente como essa roupa: ridículo. O que acontece se alguém aparecer? Se tiver alguém perto? O que vão pensar de mim? Ou melhor, e se aparecer alguém consideravelmente bonitinho?

Olhei para os lados e acabo me dando conta da presença de meu amigo sentado na poltrona gasta ao lado de minha cama. A princípio fico um tanto exaltado, já que eu sei que mais tarde ele irá me zoar pela forma da qual estou vestido, mas logo reparo no semblante do mesmo. O garoto estava distante e assim que seus olhos se encontraram ao meu corpo fraco sentado ele forma um sorriso singelo em seus lábios deixando à mostra seus dentinhos de coelho, característica única de meu amigo. Ele realmente havia mudado muito desde a primeira vez em que nos encontramos, seus fios de cabelo estavam pretos o que realçava sua pele clara, seu olhar já não me refletia a tristeza de alguém cujo a mãe havia deixado de lado, meu amigo está feliz, apesar de estar explicitamente preocupado comigo, o que de certo modo é desnecessário, visto que eu estou ótimo... foi só uma fraqueza passageira. Retribuo o sorriso de meu amigo, mas apesar da minha facilidade de sorrir para as pessoas, eu sinto que meu sorriso sai mais fraco do que o esperado.

- Você está bem Tae? – Pergunta com um semblante um tanto indecifrável.

Mas espera, se o Jeongguk está aqui... o Hobby ele... não, ele não pode ter ligado para o Hoseok, pode? Ele não faria isso, eu estou bem, ele não se atreveria ligar para o Hoseok, não pode o preocupar à toa.

- Claro que eu estou idiota! – Digo baixo mostrando a língua. – Ou melhor, não estou não, não tinha uma roupa pior para botar’ em mim não? – Cruzo os braços contorcendo meus lábios e arqueando a minha sobrancelha.

- Você não tem jeito! – Ri anasalado. – Tem certeza? – Volta com seu tom baixo. – Você não me pareceu tão bem lá no Granny’s, além do mais você não é nenhum profissional...

- Foi apenas uma indisposição! – Afirmo tentando me convencer de que realmente havia sido uma indisposição. – Afinal eu não comi nada hoje! – Apesar de estar emendando uma frase, eu não menti para meu amigo, já que eu realmente não comi nada hoje. – Kookie? – Chamo um tanto hesitante.

“Eu preciso perguntar... ele não pode ficar preocupado comigo...”

- Diga. – Me encara preocupado.

- O H-hobby... ele... você... – Mordisco meus lábios.

- Eu tentei ligar para ele, várias vezes... – Aperta seus dedos uns nos outros. – ... mas só caiu na caixa postal, eu até mesmo tentei ligar para o Minie, mas o resultado foi o mesmo, fiquei muito irritado se quer saber, quem ele acha que é para evitar uma chamada minha? – Contorce os lábios. – Mas deixando isso de lado, eu acho que eles desligaram o celular, ou melhor, tenho quase certeza – Revira os olhos. – Se você quiser eu posso tentar ligar de novo...

- Não! – Digo exasperado praticamente no mesmo momento em que ele terminava sua sentença. – Quer dizer... não é nada mesmo, não precisa o preocupar, além do mais, imagine o que ele vai pensar ao me ver nesse estado? – Faço um bico. – Eu estou ridículo e pode ter certeza que a última coisa que eu quero é que meu namorado me veja assim... você consegue imaginar as consequências que isso pode causar? Imagine se de noite nós dois estamos no maior clima e ele brocha ao lembrar de mim com essa roupa? Nãao mesmooo..

Eu sei que o Hoseok é meu namorado, e é justamente por isso que eu não quero dizer a ele que vim parar em um hospital. O garoto se importa muito comigo, e sei que se ele souber que eu estou em um hospital já vai ser motivo suficiente para ele dar um jeito se afastar de seu trabalho apenas para ficar de olho em mim durante vinte a quatro horas. Parece ser um tipo de ação um tanto exagerada, mas vindo de Hoseok isso é claramente possível, até porque se fosse com ele, eu faria o mesmo, por esse motivo eu não irei o preocupar à toa, eu não quero o ver sofrendo por mim, ainda mais quando não me parece ser algo grave.

- Pfff Taehyung! – Solta um riso gostoso quebrando o semblante preocupado de segundos atrás e isso de fato me aliviou, afinal eu não quero ter ninguém aflito comigo. – Sério, você realmente não tem jeito, você sabe que pensando nesse tipo de coisa você não vai para o céu, não é? – Brinca.

“Sim, eu preciso agir normalmente... eu não vou deixar meu medo assustar as pessoas próximas ao meu lado.”

- Meu amor, eu vou para onde o Hoseok for! – Dou risada.

- Falando sério agora Taehyung, você realmente não quer que eu ligue para ele? – Pergunta sério.

- Não, eu estou bem, ele não tem nada o que se preocupar! – Murmuro.

- Tae você desmaiou, como isso não é motivo para se preocupar? – Fica um tanto indignado. – Você acha que o Hoseok não merece saber o que aconteceu contigo?

- Eu já te disse Jeongguk, foi apenas indisposição. – Murmuro.

“Eu espero...”

Após alguns minutos um enfermeiro apareceu em meu quarto e demonstrou um semblante surpreso ao me ver acordado, a princípio ele chamou a minha atenção e de Jeongguk por não ter o chamado no instante em que eu havia acordado, e aproveitando o fato de que eu já estava acordado o enfermeiro se apresentou como Lee Hoseok (por parte, maldita ironia do destino, eu sei) e bem, ele é até que bonitinho se quer saber a minha opinião, mas enfim, ele veio até mim perguntando como eu estava me sentindo e checando o soro. Fui sincero com o enfermeiro quanto a minha situação, contando para ele sobre a minha dor de cabeça infernal. Eu poderia contar a ele meu estado, mas ele não é um médico, e não, eu não estou tendo algum tipo de preconceito com a profissão do garoto, a questão é que ele não poderia me ajudar, pelo menos não agora, a única coisa que ele como enfermeiro poderia fazer é passar a minha situação para algum responsável, e eu sei como funciona, eu não vou deixar eles piorarem a minha real situação, eu estou bem, vou melhorar, então não tem o que ficar alarmando os médicos com hipóteses.

Assim que ouviu sobre a minha dor de cabeça o enfermeiro pediu licença e após uns cinco minutos ele voltou a meu quarto me entregando alguns comprimidos que eu juro não fazer menor ideia para que servem, talvez sejam para acalmar minha dor de cabeça, ou até mesmo baixar a febre que o enfermeiro constatou que eu estava, enfim, independente do motivo eu engoli aqueles comprimidos amargos sem protestar, afinal, se um enfermeiro gatinho está me dando aquilo é porque algum motivo tem. Após eu ter tomado os comprimidos o enfermeiro sorridente mediu a minha pressão e de acordo ele estava estável. Não muito tempo desde que o enfermeiro havia chego pela segunda vez no quarto um outro homem de mesma altura, cabelos loiros, pele clara e lábios rosados adentra no local. Fico um tanto surpreso pela aparência dele, visto que se ele for um médico ele é bem jovem, ou pelo menos aparenta não ter tanta idade.

- Vejo que acordou Kim, como o senhor está se sentindo? – Pergunta se aproximando de mim enquanto o enfermeiro entrega uma prancheta para ele contendo as informações sobre meu estado. Durante alguns segundos ele mantém sua completa atenção sobre aquele papel.

 - Melhor agora! – Digo sorridente.

- Puta que... – Jeongguk deixa escapar. – ... me desculpa doutor! – Fica sem jeito, mas após isso o doutor abre um curto sorriso e diz que não tem problema.

- O que foi Kookie? – Pergunto para ele fingindo inocência. – Eu não menti, eu realmente estou me sentindo bem, a dor de cabeça até acalmou! – Meu amigo permanece em silêncio apenas negando com a cabeça.

- Você sente alguma dor Kim? – Pergunta logo após pedir licença e verificar se meus sentidos estavam bons.

- Física não! – Digo simplista. – Eu estava com dor de cabeça, mas o enfermeiro gatinho me deu alguns comprimidos, logo após isso a minha dor acalmou!

- Certo! – Sem qualquer equipamento ele encosta em meu rosto, eu acho que é para ver se eu estou ou não com febre, mas após seu resultado ele encosta um termômetro em minha testa e feito isso ele faz algumas anotações em seu bloco e novamente o guardou no bolso de seu jaleco.

Ele estava prestes a pegar seu estetoscópio que estava em seu pescoço, porém algo em mim o chama a atenção e ele começa a mexer em meu corpo observando algumas áreas, tais como meus olhos, boca (sim, eu pude perceber a atenção dele sob meus lábios, eu até pensei em fazer algum comentário sobre isso, mas eu já havia falado demais, por isso resolvi deixar a ideia de lado), braços, pescoço e outras áreas. O profissional apalpou meu abdômen e outras regiões perto. Alguns segundos após sua pequena sessões de breves exames, ele abaixa minimamente parte daquela roupa ridícula na região de meus ombros e naquele momento eu não consegui segurar meu comentário como da vez anterior.

- Você é uma gracinha doutor... – Encaro o jaleco do mesmo para ver o nome dele. – ... Lee Jooheon, ou melhor, um puto de um gostoso, mas você não acha que é muito cedo? – Faço um bico. – Você nem ao menos me convidou para sair primeiro!

- Me desculpe Kim! – Ele se afasta rapidamente. – Eu deveria ter pedido permissão antes, é força do hábito, me desculpe!

- Eu vou pensar no seu caso... mas sabe... se você me dar um beijo eu possa pensar com um pouco mais de carinho! – Brinco.

O médico fica um tanto sem jeito com meu comentário, porém ele simplesmente o ignora e volta a fazer seu trabalho. Durante todo a verificação eu fico em completo silêncio, em seguida escuta meus batimentos cardíacos e após ter terminado suas verificações básicas ele volta a sua atenção para Jeongguk.

- Senhor Jeon? – Chama. – Eu sei que você está preocupado com seu amigo, mas será que você poderia nos dar licença?

- Ah claro, me desculpe doutor! – Diz um tanto alarmado saindo rapidamente daquele quarto.

- Cuidado doutor, tem certeza que quer ficar sozinho comigo? – Pergunto sugestivo. – Eu mordo! – Sorrio malicioso.

- Senhor Kim, como você viu em meu jaleco, eu me chamo Lee Jooheon, eu sou um médico oncologista e estarei responsável por você a partir de hoje! – Diz mantendo um semblante sério.

- Onco... espera, por que um médico oncologista está cuidando de mim? – Pergunto um tanto assustado e exasperado ao me dar conta sobre qual tipo de profissional se tratava.

- Senhor Kim, eu tenho algumas perguntar para fazer e eu espero que você seja sincero comigo, afinal eu preciso saber exatamente o que está se passando contigo para poder lhe ajudar, certo? – O olhar que o doutor impunha a mim era firme e um tanto amedrontador.

- Você não é muito jovem para já ter uma especialização doutor? – Pergunto sorrindo.

- Por favor senhor Kim, é um assunto sério!

Assenti com um breve suspiro, afinal não importa o quanto eu pense sobre isso, eu não vejo motivo algum para que um médico oncologista trate de mim, eu estou com algumas dores sim, não vou mentir, mas meu estado não me parece tão grave ao ponto de precisar de um profissional dessa área, em minha situação não há nada que um clinico geral não dê um jeito, certo? Bem, de qualquer forma já não importa mais, eu preciso falar com um médico e tem um em minha frente.

- Ótimo então vamos começar, senhor Kim você já teve algum tipo de experiência com desmaios ou essa foi a primeira vez? – Mantém os olhos fixos sob mim.

- Foi a primeira vez doutor. – Mantenho um tom baixo.

- Você me disse que estava sentindo dor de cabeça, é algo recente? Em que intensidade ela costuma ser?

- Não, não é recente, na verdade eu sempre tive fortes dores de cabeça no passado, mas nunca dei tanta atenção pois pensei ser algo que estava interligado a minha visão, já que tive um período de minha vida do qual fui obrigado usar óculos, por isso eu passei a “conviver” com ela, acontece que nesses últimos meses ela tem me incomodado mais! – Confesso. – É praticamente insuportável doutor, sendo sincero é como se minha cabeça fosse uma bomba relógio prestes a explodir.... – Murmuro.

- Você usa óculos Kim?

- Usava... – Corrijo. – Mas era mais para descanso, sabe? É que eu tive vários períodos dos quais eu enxergava alguma coisa turva ou até mesmo duplicado.

- Entendo, e é somente a dor de cabeça que te incomoda ou tem algo a mais? Como por exemplo fraqueza, cansaço, perca de apetite, tem tido febre? 

“Mesmo que eu diga tudo o que eu estou sentindo, ele vai dizer que é anemia... eu tenho quase certeza... por isso eu não preciso... mas eu prometi ser sincero...”

- E-eu... bem, eu tenho tido bastantes tonturas, eu não tenho conseguido dormir muito bem e as vezes que eu consigo acordo como se não tivesse dormido absolutamente nada, ou como se alguém tivesse batido em mim, de forma resumida acordo sem ânimo algum e não consigo entender o porquê, até fazer algo simples como escovar meus dentes ou preparar algo para mim comer se torna difícil, hoje mesmo eu acabei derrubando um pote de vidro no chão, naquele momento foi como se minha mente tivesse apagado por alguns segundos e quando dei por mim o pote já estava no chão, apesar de não ter tido nessa semana, as vezes eu tenho crises de falta de ar, eu simplesmente não consigo respirar e dói, é sufocante, claro que eu não contei para o Hoseok, afinal ele iria criar um alarde para algo simplório... – Tento me lembrar de tudo o que eu sentia, mas já eram tantas que eu já nem mais lembro o que eu falei ou deixei de falar. – Tem dias que acordo inchado é horrível, meus ossos doem, mas como eu costumo a ajudar o Hoseok com o ensaio das coreografias eu simplesmente não dou atenção alguma, falando nisso eu suo bastante, mas tipo, é muito mesmo, você precisa ver de noite... – Contorço os lábios ainda tentando lembrar de mais alguma coisa. – Eu acho que é só isso doutor... ou não? Espera, tem dias que eu não tenho apetite algum, apesar de eu ser o tipo de pessoa que come para a porr... opa, desculpa.. – Mordisco os lábios. – Eu sou o tipo de pessoa que come muito! – Corrijo. – Aaah! – Exclamo. – E meu namorado me disse que eu aparento estar mais magro, apesar de que eu nem reparei, para mim estou a mesma coisa de sempre, mas se bem que eu nunca reparo nas coisas, é ele quem geralmente repara em tudo, se bem que se for parar para pensar é mínimo que ele deve fazer, já que é ele quem me...

- E quando foi que você começou a notar esses sintomas? – Pergunta um tanto rápido interrompendo minha sentença.

- Bem doutor, como eu já disse, tem um bom tempo, mas eu não sou de dar muita bola para isso, pois eu tomava um remédio e passava ou por ambos sintomas serem justificáveis, sendo eles por excesso de treinamento e até mesmo ansiedade, quanto aos sintomas mais graves eu tive uma gripe forte a poucas semanas, na real eu comecei a melhorar semana passada, mas faz alguns meses desde que os remédios já não funcionam...

- Esse conjunto de sintomas que você tem são ocasionais ou contínuos? – Apesar de estar com seu bloco em mãos o homem não desgrudava a atenção de mim por segundos que fossem.

- Beeeeeem, com exceção da dor de cabeça, das tonturas e do caso sobre as minhas noites de sono que eu comentei, os outros de certo modo são ocasionais, não, nem tanto, depende do seu conceito de “ocasional”, porque se for para falar de um modo geral todos os dias eu sinto alguma coisa, mas é claro que eu tento lidar da melhor forma que posso.

- Senhor Kim, você tem algum vício? Álcool, nicotina ou algum outro tipo de substância?

“Eu tive sim um período um tanto ruim na minha vida, mas não... graças ao Hobby eu não decai, se bem que parte da culpa por eu chegar naquele estado foi dele... bem... não vem ao caso!”

- Não doutor, não vou mentir, eu bebo um pouco... – Vou diminuindo o tom de minha voz. – ... ou talvez um pouquinho demais... – Volto com meu tom anterior. – ... quando vou em festas, mas isso é raro!

- Náuseas ou enjoo, você tem?

- Só quando eu bebo demais, o que como eu disse: é raro!

- Senhor Kim, quando eu estava checando seus sinais vitais eu reparei que você tem certas manchas avermelhadas e até mesmo roxas em sua pele, nós médicos as conhecemos como petéquias e hematomas, me diz, é comum?

“Beem doutor, eu não acho que seja exatamente o que você está achando não, para mim isso aí tem outro nome...”

- Entãaao.... – Fico um tanto sem jeito coçando minha nuca. – Sabe... bem doutor... é que meu namorado é um tanto possessivo sabe...

- Eu irei lhe encaminhar para uma série de exames senhor Kim, vai ser um pouco exaustivo e demorado, mas eu peço um pouquinho de paciência, apesar de ter algumas suspeitas eu prefiro esperar o resultado dos mesmos para poder lhe dar um diagnóstico conclusivo e não apenas especulações... – Diz enquanto mantém seus olhos fixos naquele bloquinho fazendo algumas anotações. – Assim que tudo for preparado um enfermeiro irá vir busca-lo para fazer os exames, até lá permaneça quietinho! – Diz se levantando. – Ah! Hoje, você chegou a comer alguma coisa?

- Nadinha doutor! – Respondo sorrindo. – Por quê?

- Por causa de alguns exames que devem ser feito em jejum! – Seu tom de voz não chega a ser baixo, porém não está alto. – Em consequência disso, é algo do qual eu preciso saber. – Responde simplório. – Sabe dizer mais ou menos a quanto você não comeu? Chegou a beber algo além de água?

- Não sei não doutor, talvez umas doze ou treze horas, não contei... – Reviro os olhos, afinal quem conta o tempo que fica sem comer? – E respondendo a segunda pergunta: não também, na verdade eu não coloquei exatamente nada na boca!

- Certo! – Novamente anota algo em seu bloquinho pedindo licença para sair em seguida.

- Doutor? – Chamo assim que o mesmo estava prestes a sair do quarto em que eu estava. – Eu posso pelo menos andar por aí?

- Eu aconselharia você ficar quietinho aqui!

- Mas eu estou bem! – Afirmo e o vejo se aproximar de mim tirando alguns lenços de seu jaleco e o encostando levemente sob minhas narinas.

- É constante? – Pergunta em um tom preocupado.

Eu demoro um pouco para entender sobre o que ele estava se referindo, mas quando ele me deixou segurar os lenços eu os afastei reparando as manchas avermelhadas nos mesmos.

- N-não... – Murmuro um pouco atordoado. – Quer dizer... aconteceu isso hoje, mas não é sempre...

- Entendi! – Sinto o olhar do médico sob meu rosto.

- É apenas anemia, não é? – Pergunto um tanto receoso e ele por alguns segundos me encara com um semblante indecifrável, mas eu acho que ele deve estar decidindo se vai ou não me responder.

- É o que iremos ver senhor Kim! – Se mantém sério.

- Aaaigoo doutor... – Faço um biquinho. – ...não pode ser um pouquinho mais claro? Eu te pago um almoço, jantar, sei lá.... só me responde, por favor! – Junto as mãos.

- Bem senhor Kim, você está apresentando sim alguns sintomas anêmicos, mas nós precisamos saber o motivo disso!

- Mas doutor, se é anemia eu só preciso me entupir com frutas que contenham vitamina C, não é?

- Não seria exatamente isso, mas sim, em casos comuns é necessária a ingestão de alimentos ricos em vitamina C, claro que não somente isso, mas de modo geral sim. – Responde calmamente. – Porém antes de eu poder lhe receitar qualquer coisa ou seguir com qualquer tratamento, eu preciso saber o que está causando isso, por isso você vai ser um bom paciente e fazer todos os exames solicitados.

- Certo, certo! – Bufo um tanto irritado cruzando os braços, eu não gosto de ficar muito tempo sem fazer nada, e tá, eu sei que fazer exames não se encaixa em “fazer nada”, mas é quase isso, visto que eu ficarei preso nesse hospital por sabe Deus quantas horas, e isso não é nem o pior, eu quero é saber o que eu vou dizer para o Hoseok, eu me recuso a preocupa-lo, por isso não importa quanto tempo eu fique aqui eu não irei contar a ele, talvez eu possa dizer que fui visitar o Jeongguk.... não, não é uma boa ideia, ele mora com o Jimin então é possível que o Hoseok pergunte se eu realmente estava lá para o amigo e o Jimin não mente para o Hobby, assim como o Kookie não mente para o Jimin (pelo menos na maioria das vezes). Eu posso dizer que fui fazer compras, eu sempre demoro quando resolvo ir ao shopping... não, também não dá, eu não posso aparecer em casa sem sacola alguma e dizer que eu fui ao shopping, realmente não dá. Quem sabe se eu disser que...

- Tae? – Saio de meus devaneios ao escutar a voz de meu amigo, juntamente dele adentrando o quarto. – E aí?

- Maior gatinho! – Sorrio malicioso.

- Não significa que você tem que flertar com ele! – Revira os olhos.

- Por que não? – Pergunto inocente. – Eu tenho certeza que a gente deu match!

- Eu pensei que o Hoseok fosse o ovo que faltava na sua marmita! – Diz rindo e eu fico um tanto surpreso com a frase que meu amigo havia acabado de dizer, na verdade eu não esperava que ele fosse lembrar de algo como isso.

- E ele é! – Retribuo o sorriso alheio. – Sério, eu não acredito que você lembra disso!

- Qual foi Tae, eu tenho uma boa memória, além do mais como é que eu não iria lembrar? Você praticamente surtou!

- É que você não me viu no café! – Brinco completamente nostálgico ao lembrar da primeira vez que bati os olhos em Hoseok.

- Agora me diz, o Hobby sabe que você se aflora todo quando ele não está perto? – Arqueia a sobrancelha. – Ele sabe?

- Claro que sabe! – Reviro os olhos como se fosse algo óbvio. – Eu sou exatamente igual com ele perto, o fato meu querido Jeon Jeongguk, é que ele confia em mim e sabe que apesar do meu jeito, eu nunca, mas nunca o trairia!

- Ah tá! – Diz sem interesse.

- Além do mais, ele não só confia em mim como confia no taco dele! – Mordisco meu lábio inferior. – Se bem que se eu tivesse um....

- Kim Taehyung! – Chama a minha atenção.

- Eu não ia falar nada demais Kookie! – Manho.

- Não, é? – Arqueia a sobrancelha desconfiado.

- Nadica de nada! – Dou risada.

- Idiota! – Nega com a cabeça rindo por alguns segundos, mas logo volta com seu semblante preocupado, semblante do qual eu não quero que as pessoas me olhem. – Mas me diz, o que foi que o médico falou?

- Como eu falei, foi uma simples indisposição! – Forço um sorriso. – Na verdade, ele disse que todos os meus sintomas são anêmicos! – Bem, apesar de não ser uma verdade, também não é necessariamente uma mentira, já que ele disse sim que eu apresento alguns sintomas.

- Então você já vai ser liberado?

- Ainda não! – Suspiro. – Para decidir quais procedimentos ele vai seguir para meu tratamento ele solicitou alguns exames... – Confesso. – Por isso vou ter que ficar aqui vestido com essa roupa ridícula por mais um tempo!

- Entendi! – Diz se sentando novamente na poltrona ao meu lado.

- Se você quiser voltar Kookie... eu posso me virar sozinho! – Digo tentando passar confiança.

- Claro que não Tae, eu vou ficar com você!

Eu estava prestes a protestar, afinal eu não queria que ninguém ficasse comigo, porra, isso é um hospital e não um parque, é um lugar praticamente sem esperança alguma. Eu sempre odiei hospitais e sempre vou odiar, mas me diz quem é que gosta? Para mim, vir a um é quase uma sentença, afinal qual é a primeira coisa que passa pela cabeça quando alguém fala a palavra hospital? Doença, independente se for grave ou não, as pessoas só vêm ao hospital quando estão doentes e eu não posso ficar doente.

No que eu abri a boca para reclamar o celular de meu amigo começa a tocar, a princípio eu levei um breve susto por causa do som repentino, mas não consigo deixar de ficar curioso quanto a pessoa do outro lado da linha, embora eu tenha em mente. Um pouco antes de atender meu amigo pede licença para mim e começa a dar passos para fora do quarto.

- Jeongguk se for o Hope não diga a ele que eu estou aqui, ou melhor, como tem uma maior possibilidade de ser o Jimin, não diga a ele também! – Tento me manter sério e meu amigo apenas me encara por alguns segundos, mas acaba por assentir junto de um suspiro logo saindo do quarto.

Não demora muito para que o enfermeiro que antes havia me dado alguns remédios aparecesse novamente fazendo as preparações para meus exames e foi exatamente como o doutor havia me dito: completamente exaustivo, mas isso se deu por causa do tempo que levou, alguns foram rápidos, mas foi o intervalo entre um e outro que demorou. Após algumas horas a minha maratona de exames estava finalmente finalizada, bem visto por um lado positivo é quase como se fosse um check-up, e é importante, já que tem um tempo desde que eu não faço nenhum, justamente por odiar hospitais.

Durante o tempo em que fiquei fazendo os exames eu mal tempo tive para conversar com meu amigo que insistiu em ficar esperando, e não vou mentir, eu fiz praticamente tudo a meu alcance para que ele fosse embora, apesar de não ter dado muito certo, já que ele é um teimoso.

Mais ou menos uns trinta minutos desde que meus exames foram finalizados eu fui chamado ao escritório do doutor Lee, diferente da vez anterior eu poderia ter Jeongguk ao meu lado, mas eu optei por entrar sozinho, motivo suficiente para que meu amigo surtasse, mas teimosia por teimosia a minha sem dúvida é maior.

Eu não consegui distinguir bem o que senti ao entrar na sala do doutor, mas por algum motivo eu me senti inquieto. Ao entrar um tanto hesitante o doutor logo pediu para que eu me sentasse na cadeira a sua frente e eu o fiz sem protestar.

- Me desculpe senhor Kim, foi cansativo, não foi? – Me encara preocupado.

- Não se preocupe doutor, você me recompensa depois! – Solto brincalhão. Talvez em uma tentativa de amenizar a tensão que eu estava sentindo.

- Você tem certeza que deseja ficar sozinho? – Pergunta um tanto compreensivo.

- E não estou sozinho doutor, eu estou com você! – Abro um sorriso soltando uma pequena piscadela.

- Claro, mas você não prefere que o senhor Jeon esteja aqui também?  As vezes ficamos mais confortáveis quando estamos ao lado de um amigo!

- E estragar meu momento a sós com você? – Faço um pequeno bico. – Não se preocupe, eu estou suuupeeer confortável! – Volto a sorrir tentando deixar de lado aquela sensação ruim que estava sentindo.

- Certo, se você prefere assim! – Murmura. – Bem senhor Kim, antes de começar a falar sobre a sua situação eu queria esclarecer que tem um motivo para ter sido eu o responsável por você. – Mantém sua atenção sobre mim. – Quando você chegou ao hospital os responsáveis por você fizeram alguns exames, e dentro deles um exame de coagulação e bioquímica sanguínea e exames básicos microscópicos, é praticamente o mesmo que você fez agora pouco, acontece que é retirado uma amostra de seu sangue e um especialista passa a analisá-lo com um equipamento adequado...

“Eu deveria ter medo de onde essa conversa pode chegar? Tá certo que até agora eu não entendo o porquê de um oncologista, mas ele não precisa esclarecer, não mesmo...”

- Um microscópio? – Pergunto por curiosidade por ser algo ridiculamente óbvio.

- Exatamente! – Assente. – Nessas amostras é observado forma, tamanho e características das células tendo como objetivo verificar se elas estão maduras ou imaturas... – Da continuidade a sua explicação. – Nós chamamos as células imaturas de blastos, e a porcentagem desses blastos tanto no sangue ou medula óssea são extremamente importantes para nosso organismo.

“Eu não quero que ele termine... eu estou com medo...”

- E na contagem desses blastos o seu resultado saiu irregular e isso chamou a atenção de seus responsáveis e com razão, foi então que eles me chamaram e após analisar o resultado de seus exames eu já estava com uma suspeita, foi aí que eu me tornei o doutor responsável por você. – Ele fica em silêncio durante alguns segundos. – Apesar das minhas suspeitas, aquele exame não foi o suficiente para definir qual era o seu quadro médico, foi por isso que eu te encaminhei para uma nova série de exames e pedi para refazerem o anterior, porém com amostras de sua medula óssea e pedi também um hemograma completo, apesar de ser algo considerado um exame de rotina esse é um tipo de exame bastante informativo.

- Doutor eu... eu estou ficando com medo! – Confesso ao começar a entender o motivo daquela maratona de exames até então sem sentido para mim. Ao mesmo tempo sinto meu corpo tremer. O homem loiro em minha frente fica em silêncio, como se estivesse pensando como prosseguirá com a explicação.

- Sabe senhor Kim, em uma medula óssea “normal” a contagem de blastos não passa de cinco porcento, o que não ocorreu em sua contagem. No seu caso em especifico essa porcentagem foi excessivamente maior do que uma pessoa consideravelmente saudável e faz com que suas taxas sanguíneas diminuam, dentre elas plaquetas, glóbulos brancos e vermelhos.

- E isso quer dizer o que doutor? – Pergunto hesitante.

- Vamos por partes senhor Kim, analisando seus sintomas juntamente com os resultados atuais de seus exames cheguei à conclusão de que eles são devidos a diminuição das taxas sanguíneas, em outras palavras seu corpo já não está produzindo células sanguíneas normais da medula óssea o suficiente e estão sendo substituídas pelos blastos. Você se lembra quando me perguntou se você estava com anemia?

“Eu sabia!”

- Sim doutor! – Respondo sem tirar meu olhar do profissional. – E você me disse que era possível!

- E de fato você está, mas me responda você sabe o que é a anemia?

"Eu estava me preocupando a toa!"

- É quando nosso corpo não tem muitos glóbulos vermelhos, não é? – Arqueio a sobrancelha.

- Sim, é a escassez de glóbulos vermelhos no sangue e é comum na anemia sintomas como fraqueza, cansaço, dor de cabeça e até mesmo a falta de ar em algumas das vezes.

- Eu sabia doutor! – Acabo soltando um pequeno suspiro aliviado.

- Mas não é apenas isso Kim... – Continua um pouco hesitante me deixando tenso no mesmo instante. – Além de não produzir glóbulos vermelhos o suficiente, o seu corpo também apresenta a escassez dos glóbulos brancos, e plaquetas, a falta dessas plaquetas nós denominamos como trombocitopenia. O que está acontecendo com seu corpo é que essa alta produção de blastos, são bem maiores que seus glóbulos brancos normais e têm uma dificuldade maior para passar por vasos sanguíneos pequenos, e por conta da alta quantidade elas acabaram entupindo esses mesmos vasos dificultando o caminho dos glóbulos vermelhos e oxigênio até os tecidos, além disso esses blastos se dispersaram não apenas pelos pulmões como indicado na radiografia do tórax, mas também para outros órgãos, além de seu cérebro e medula espinhal, veja, aqui estão as imagens da ressonância magnética que fizemos mais cedo. – Ele coloca as imagens em sua mesa mostrando para mim as células que ele denomina como blastos me explicando como elas haviam se disseminado pelos meus órgãos e o que aquilo iria resultar. Quanto mais o doutor falava, mais eu ficava nervoso, me sentia nervoso e aquela angústia que eu sentia ficava cada vez maior, pois aos poucos vou encaixando as peças em minha cabeça.

“Espera... ele não está querendo dizer que eu... não... eu não posso...”

- Espera... e-eu demorei para entender, mas... doutor... o que eu... – Meus olhos enchem de lágrimas, além do aparente desespero que começou a me consumir. – ... D-doutor você pode ser um pouco mais claro por favor!

“É brincadeira, não é? Eu... eu estou bem... eu sempre estive...”

- Eu sinto muito, sei que vai ser um pouco difícil e eu sou péssimo em amenizar o baque, mas...

- Por favor doutor para de enrolar! – Peço um tanto choroso interrompendo a sentença do doutor.

- Os exames realizados confirmaram que você tem câncer Taehyung! – Fala de modo direto. – Leucemia Mieloide Aguda M0, ou como nós médicos chamamos LMA-M0.

Ao ouvir as palavras do médico não consegui ter reação alguma, eu simplesmente fiquei em choque, sem conseguir chorar, apesar um nó formando em minha garganta e a ardência de meus olhos, sem conseguir falar absolutamente nada pois minha mente não formula frase alguma.

- É-eh brincadeira... n-não é doutor Lee? – Choramingo buscando algum tipo de alivio.

- Eu sei como deve estar sendo difícil ouvir isso e devo confessar que não é comum o seu tipo de câncer em pessoas de sua idade! – Diz calmamente tentando me passar confiança. – Mas o que nós precisamos conversar é sobre o seu tratamento e as opções que temos, contudo falaremos assim que você estiver pronto!

- Pff! – Deixo escapar um riso nervoso. – Tratamento? E vai resolver doutor? – Pergunto um tanto exaltado. – Você acabou de dizer que é raro e além disso já se espalhou... – Minha respiração começa a falhar. – ... sabe, talvez eu não seja tão inteligente ou expert quanto você nesse assunto, mas pelo o pouco que sei posso pelo menos deduzir a porcentagem de minhas chances... – Minhas lágrimas já escorriam incontroláveis pelo meu rosto.

- Senhor Kim você precisa se acalmar, apesar de ser raro para alguém da sua idade não é algo intratável, nós podemos...

- “Nós podemos...” porra nenhuma doutor! – Choramingo indignado puxando meus fios de cabelo para trás. – Eu vou morrer, não vou? – O encaro com meus olhos cheios de lágrimas.

- Senhor Kim, Leucemia em muitos casos tem cura sim, seja através de tratamentos, que dentre eles está a quimioterapia, radioterapia e imunologia, nós até podemos dar entrada em um processo de transplante de medula.

- Eu não acredito em você! – Praticamente cuspo tais palavras. – Ou melhor, se eu fizer qualquer merda dessas, você pode me dizer com certeza que eu vou ficar vivo doutor? – Choramingo.

- E-eu...

- Não pode, não é? – Arqueio a sobrancelha. – Sabe por quê? Porque eu vou morrer, não importa o que você me diga, não importa o que eu faça eu vou morrer e você sabe disso! – Aponto choramingando.

- As coisas não funcionam assim senhor Kim, eu sei que é um momento deli...

- Então me diga doutor Lee, quantos por centos eu tenho de chances? – Tento me manter firme, mesmo com meus olhos inúteis insistindo em derramar minhas lágrimas.

- T-trinta... – Murmura.

- Mesmo? – Arqueio a sobrancelha. – Porque nem mesmo você me parece muito convencido disso, por isso eu vou perguntar novamente, quantos por centos eu tenho?

- Você tem uma boa chance Kim, apesar do câncer ter se espalhado, se você escolher seguir com um tratamento adequado, você sem dúvida nenhuma conseguirá superar essa doença, afinal você me parece um homem forte!

- Você não respondeu a minha pergunta doutor! – Murmuro.

- Senhor Kim...

- Alguns quantos doutor? Por que está tão hesitante? Você é oncologista, não é? É seu dever me dar um prognóstico, então por que você não faz a porra do seu trabalho direito e me diz quantos por centos de chance eu tenho?

- Cinco! – Responde baixo um pouco hesitante.

- Então é isso... – Me deixo cair no estofado completamente estático, preso em meus próprios devaneios.

“Eu vou morrer? Não, eu não quero morrer... eu não posso... eu não quero ver o Hope chorar!”


Notas Finais


E eentão gostaram? Nãao?? Eu juro que tentei descontrair um pouco o capítulo, visto que é Leucemia é um assunto um tanto delicado, quanto ao diagnóstico eu queria escrever a conversa de Taehyung com o médico, eu queria escrever um diagnóstico (um pouco mais aprofundado) já que eu vi milhares de filmes e até mesmo li milhares de livros e em todos eles ou o personagem em si já sabe que tem a doença ou quando descobre é algo supérfluo (não estou dizendo todos, longe disso, mas é quase sempre assim), eu realmente pesquisei muito, mais tipo muitooo mesmo e conversei com alguns conhecidos meus que tinham uma melhor compreensão do assunto (do que eu) para deixar o mais realístico que eu pude e sei também que aquela parte em si foi um pouco tensa, mas foi algo que eu julguei ser necessário...

Bem eu acho que era isso... eu espero ter conseguido passar os sentimentos do Tae ao descobrir a doença dele, e mais do que isso, espero do fundo do coração que vocês tenham gostadooo...

~Beijinhoos Ullyses


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