História For You - Capítulo 1


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Personagens Originais, Sehun, Suho
Tags 2yearswithloucasporcb, Chanbaek, Drama, Repostando
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Palavras 5.584
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, bebês. Hoje é um dia especial para mim, e por isso não poderia deixar passar em branco. Além desse, eu irei postar mais outra fic em homenagem ao aniversário de 2 anos do Loucas.

Eu amo vocês, meninas.
Boa leitura

Capítulo 1 - He is blue


Peguei o meu velho violão
A confissão que não pude fazer
e a história que teimosamente engoli

Eu revelei em uma música
Que vou te mostrar agora
Apenas escute, eu vou cantar para você


O que eu devo dizer sobre minha vida antes de conhecê-lo?

Eu estava perdido.

Dei um último adeus a plateia de San Diego, Estados Unidos. Descendo do palco pela lateral, não demorou para eu ser abordado pelos staffs.

— Foi muito bem, Chanyeol! Mais um show incrível! — falou Suho ao me entregar a toalha eu eu para enxugar o meu rosto.

Eu o ignorei, na verdade, ignorei todos, e fui até o meu camarim. Eu caminhei a passos rápidos, atravessando todo o caminho olhando para frente. Muitas pessoas me olhavam com admiração, outras com desprezo. Fosse como fosse eu já não me importava mais.

Já estava acostumado.

Assim que eu entrei no camarim já comecei tirando a jaqueta de couro molhada de suor. A minha regata preta estava ensopado de suor e eu senti nojo de mim mesmo.

Precisava de um banho urgente!

Como esperado, as coisas já estavam preparadas. Era o habitual de todo show, assim que eu saia do palco a primeira coisa que eu fazia era tomar um bom banho.

Tirei minha blusa e abri o cinto, caminhando até o banheiro improvisado.

Muitos me perguntavam se eu não poderia simplesmente esperar.

Não. De jeito nenhum.

Não com aquele fedor e sujeira no meu corpo.

Tirei a calça e liguei o chuveiro, não demorei nada para colocar a mão na água para sentir a temperatura.

Morna.

Era o que eu precisava. Um banho relaxante.

Nada melhor do que um bom banho depois de um show exaustivo.

— Channie!

Parei imediatamente. Apenas uma pessoa me chamava de “Channie” e por mais que eu sentisse saudades da minha mãe, ela podia continuar no caixão, bem debaixo da terra!

Pelo sotaque não era ninguém da minha equipe, e muito menos era coreana.

Eu revirei os olhos, já entendendo o que estava acontecendo. Com uma cara abusada e extremamente irritada peguei o roupão em um gesto grosso, saindo do banheiro.

A menina estava parada no meio do meu camarim usando usando uma saia curta e uma blusa vermelha justa, deixando metade da barriga de fora. Seus cabelos ruivos caiam sobre os ombros e seu rosto branquinho assumiu um tom avermelhado ao me ver usando o roupão amarrado de qualquer forma.

Ela olhou para o meu peitoral, parte amostra e eu percebi que ela ficou desconcertada.

Se ela entrou no meu camarim depois de um show, o que ela esperava encontrar?

Eu arqueei uma sobrancelha, esperando que ela falasse algo.

— Eu não tenho a noite toda. — falei grosso ao passar a mão pelos meus fios suados. Meus cabelos estavam tingidos em um tom forte de vermelho que acabava por ficar ainda mais escuros quando meus fios estavam molhados.

Ela arregalou os olhos e levantou a cabeça. Não era o que ela esperava. Eu não costumava atender a todas as expectativas das fãs, mas elas deveriam estar ali pela minha música, não por mim. Sempre achei que ser um músico deveria ser o máximo, sempre foi o meu sonho. Acabei por me decepcionar quando percebi que a maioria das pessoas se importavam mais com o musico do que com a própria música.

“A música dele nem é tão boa, mas ele é tão gostoso!”

Esse tipo de comentário me fez perceber que não importa muito o tipo de música que você faz, mas sim que tipo de artista você aparenta ser.

— E-eu… — ela olhou para os próprios pés. — Eu nem sei o que eu estou fazendo aqui.

— Eu sei. Você está aqui para tentar algo comigo. É o que todas vem fazer no meu camarim. — eu cruzei os braços e suspirei. — Apenas vá embora.

Ela levantou o rosto ainda mais vermelho, dessa vez por conta das lágrimas e do choro que ela tentava controlar.

— Eu só queria ter uma noite com você. — falou entre soluços.

— O que você está fazendo? Por que está fazendo isso? Você acha que dormir comigo vai mudar alguma coisa? Você acha que vai ser diferente de transar com alguém que você conheceu na boate que tem virando a esquerda?

— Não, com você é diferente.

— Por que eu sou famoso e ele não?

— Não. Eu te conheço.

Aquilo me fez sentir tanta raiva. Como assim ela me conhecia? Ela me conhecia? Ela via apenas o cara que a imprensa queria ver, não o meu eu de verdade.

— Já chega. Vá embora. Eu estava pedindo, agora eu estou mandando. Sai!

— Mas, Channie…

— Sai! — elevei o tom de voz ao aponta para a saída. Ela endireitou a coluna, assustada, e se virou, abrindo a porta e saindo desesperada.

Eu respirava fundo, bufando pela boca. O ar estava pesado em meus pulmões e algo se remoia dentro de mim.

Minha vontade era de gritar e mandar tudo à merda!

Mas por que eu ainda não havia feito isso?

Se tudo foi uma grande decepção, por que eu simplesmente não deixei para lá e abandonei tudo?

Primeiro porque tudo é uma burocracia sem limites e segundo, ao subir no palco, eu me esquecia de tudo.

Ao subir no palco, com todas aquelas pessoas gritando o meu nome, cantando minhas músicas, demonstrando tanta paixão… Eu me sentia um músico de verdade. No palco, eu me sentia realizado.

[...]

Eu estava saindo do bar que eu costumava frequentar na Coréia, eu frequentava aquele lugar mesmo antes de ficar famoso. As pessoas dali eram as únicas que eu podia chamar verdadeiramente de amigas.

Quando te oferecem um contrato que pode realizar todos os seus sonhos eles não te deixam a par de todas as consequências e os preços que você vai ter que pagar por isso.

Acredite, se falassem pensaria-se muito mais antes de assinar um contrato com qualquer empresa de entretenimento.

Eu soltei o ar pela boca e enfiei minhas mãos nos bolsos da jaqueta de couro. Olhei para os lados, mordendo a pequena argola presa no canto do meu lábio inferior.

Os piercings e as tatuagens eram as únicas coisas que a mídia não mandava em mim, eu os tinha e nada me tirava eles. Acabou por combinar com a imagem de badboy que eles criaram para mim.

ME SOLTA, SEU PORCO!

Eu franzi o cenho, procurando de onde aquela voz tinha vindo. Não é o tipo de coisa que se costuma ouvir naquela vizinhança, eles são bem tranquilos.

Soltar um “porra” já era demais por uma noite.

Eu olhei para o beco que ficava do outro lado da rua. O som estava vindo de lá. Eu pensei em deixar para lá, talvez fosse uma briga de casal, não estava a fim de me meter na conversa dos outros.

Assim que eu comecei a seguir o meu caminho ouvi um grito estridente. Eu olhei para trás e percebi a porta do bar se abrir. Sehun saiu de lá, correndo até o beco.

Bom, se ele ia, eu também ia. Não deixaria o meu amigo se meter naquela sozinho.

Sehun era dono do bar, também meu melhor amigo desde a pré escola.

Os gritos ficaram cada vez mais altos, atraindo olhos e ouvidos das pessoas que passavam por ali. Assim que cheguei no beco a primeira coisa que eu notei foi que ele fedia a lixo e que estava tão escuro que eu mal conseguia ver o que estava a minha frente.

Uma mulher passou correndo por mim e depois eu só conseguia ouvir o barulho de pessoas se batendo. Sehun sempre foi muito bom em brigas, só não melhor do que eu.

Eles se arrastaram para uma parte mais clara, iluminada pelo luar. Um homem gordo pressionava Sehun contra a parede e eu percebi que meu amigo estava em uma bela enrascada.

Sehun virou o rosto na minha direção e sorriu.

— Vai ficar olhando a noite inteira? — perguntou com dificuldade, já que o braço do homem estava sendo pressionado contra a sua garganta.

— Como se fala, Sehun? — perguntei com um sorriso provocante.

— Vai se ferrar! — ele deu uma joelhada no meio das pernas do homem que cambaleou para trás, Sehun não hesitou em dar um soco certeiro no rosto do homem que caiu para trás, batendo com a cabeça em algo perto da parede.

Por conta do escuro eu não consegui ver com clareza, mas pela cara de desespero de Sehun, coisa boa não foi.

Eu me aproximei e vi com mais clareza o corpo desfalecido do homem no chão.

— Que merda, Sehun! O que você fez? — perguntei ao me abaixar e checar o pulso do homem. Eu nunca soube ao certo como se fazia isso, mas quando senti algo pulsa imaginei que ele estivesse vivo. A questão era por quanto tempo.

— Foi sem querer… Foi… — ele estava desesperado.

— Tudo bem. — falei ao bagunçar os meus fios. — Soca a minha cara. — mandei e ele franziu o cenho sem entender.

Não demorou para Sehun entender qual era a minha ideia.

— Não, Chanyeol! Nem fodendo eu vou fazer isso!

— Sim, você vai. Seja lá o que acontecer com ele, você não pode ter uma passagem pela polícia, eu ainda quero ter um melhor amigo juiz e você tem a Tia Oh para ajudar! Soca a minha cara, Sehun!

— Não! Eu jamais te bateria!

— Soca a minha cara, seu moleque! — eu desferi um soco no seu rosto e ele me olhou assustado. — Anda logo! Vão chamar a polícia!

Mesmo que hesitante, Sehun desferiu o primeiro soco no meu rosto, porém não foi forte o suficiente.

— Mais forte!

Ele deu outro com mais força e eu deixei que um gemido de dor escapasse da minha boca, os socos seguintes foram ainda mais fortes. Ele parou quando achou que o estrago no meu rosto já estava bom o suficiente. Tenho certeza que ele descontou toda a raiva que sentiu de mim em todos aqueles anos anos de amizade.

Eu ri e limpei o canto da minha boca, vendo o sangue no dorso da minha mão.

— Bom trabalho, agora sai daqui antes que alguém te veja.

— Chanyeol…

— Sehun, eu não pedi. Eu mandei, sai daqui!

Ele ficou parado no lugar e eu revirei os olhos, mas ele logo se mexeu ao ouvir o som da sirene.

— Chan… — ele estava com medo. — Eu o matei.

— Ele está vivo, agora saia!

— Chanyeol! Sehun! — ouvi nos chamarem. Pela voz era a namorada de Sehun.

— Tire-o daqui! — mandei e ela correu para dentro do beco, arrastando o namorado para longe logo em seguida.

— Mas e você? — perguntou. Eu conseguia ouvir a sirene cada vez mais alta.

— Saiam daqui e pare de fazer perguntas. — falei olhando para o homem deitado no chão. Ele estava respirando.

— Mas, Chanyeol…

— Sowon, você se esqueceu? Se quiser ter notícias sobre mim…

— Basta olhar uma revista de fofocas. — completou e eu sorri. — Me liga depois.

Ela puxou Sehun que permanecia com um olhar distante.

— Pois é, meu filho, aguenta firme. O socorro está chegando. — falei ao olhar para o homem deitado no chão, eu me sentei ao seu lado e esperei que a polícia chegasse.

Foi tudo tão rápido, quando dei por mim já estavam lendo os meus direitos e me algemando, de repente eu já estava no banco traseiro da viatura.

Foi só então que eu pensei na merda que isso daria.

Como eu contaria isso para o Suho?

Será que eu ainda teria uma carreira depois de todo aquele escândalo?

[...]

Eu estava sentado no meio do chão de uma cela de delegacia. Foi a primeira vez que eu entrei em uma delegacia, e eu desejei que fosse a última! Desejei com todas as minhas forças não ter que passar por aquilo de novo!

Todos me olhavam e me tratavam como se eu fosse um criminoso.

Fizeram com que eu me sentisse como um.

Depois de mais ou menos duas horas um policial veio me tirar dali.

— Você está liberado. — falou o policial ao destrancar a minha cela.

— É seguro eu sair? — perguntei ao me levantar e me aproximar dele, eu dei uma breve olhada no lado de fora, mas não encontrei Suho.

— O baixinho está te esperando na sala do delegado. — informou-me. — Ele está puto da vida.

Eu respirei fundo e olhei para ele. Ele era mais ou menos do meu tamanho, apenas um pouco mais baixo, aparentava ter uns quarenta anos. Ele me encarava decepcionado.

— O que foi? — perguntei grosso.

— A minha filha te ama. Ela te idolatra com todas as forças, eu a levei para seu último show na capital, nunca a vi tão feliz… Como vou dizer que o ídolo dela é um criminoso?

Eu arregalei os olhos e senti meu peito doer.

— Quantos anos tem a sua filha?

— Oito.

— Por que ela gosta de mim? Ela deveria gostar de… Sei lá! Qualquer coisa!

— Por que você diz isso? — eu dei de ombros.

A imagem que a empresa havia criado para mim era para ter como público alvo os adolescentes de quinze para cima.

Mas o que aquela menininha de oito anos estava fazendo sendo minha fã?

Todas as fotos provocantes e algumas letras de músicas pejorativas que me faziam cantar… Imaginar uma criança adquirindo esse tipo de conteúdo me fez ter ainda mais nojo do artista que eu havia me tornado.

— Por que você deixa a sua filha ser minha fã?

— Eu não tenho que deixar, ela te admira! Se eu proibisse seria pior, pelo menos eu sei o que ela está consumindo. Outra que ela sempre diz que você só é você com os fãs. Ela diz que as músicas que você canta não são suas, ela espera o dia em que você assuma o seu verdadeiro estilo.

— Não deixe que ela saiba o que aconteceu comigo. Se ela vier falar com você, desminta.

— Por que eu deveria fazer isso? Ela tem que saber a verdade sobre a pessoa que ela gosta. Não posso deixar que ela fique se enganando e esperando algo que nunca vai acontecer.

Eu neguei com a cabeça e olhei para o chão.

— Você tem razão… Isso nunca vai acontecer. — falei baixo.

Admitir aquilo me deixava ainda mais triste. Eu sabia que jamais poderia ser o artista que eu tanto sonhara, mas falar em voz alta era pior. Eu estava admitindo.

Eu estava me rendendo.

[...]

— Muito bem, Sr. Park. Graças às habilidades de barganha do seu empresário, eu vou te dar um trabalho comunitário.

— Não fale assim, Delegado Kim. O Sr. Chanyeol apenas entrou em uma briga para defender uma moça em perigo. — observou Suho. O delegado olhou para Suho e suspirou. — Ele não é um criminoso. Falando assim o senhor faz parecer que poderia jogá-lo em uma cela para o resto da vida e como o outro homem respira muito bem, não acho que isso seja realmente possível.

Depois que o meu agente finalmente terminou de falar o delegado olhou para mim com um olhar cansado.

— Por causa disso, você prestará um trabalho comunitário do Hospital Psiquiátrico de Seul. Você vai ficar lá por três meses.

— Fazendo o quê? — perguntei despreocupado. O que eu poderia fazer? Ficar de olho nos loucos?

Seria fácil.

— Você vai limpar o chão.

— Como é? Isso é uma piada? — perguntei rindo. — Eu limpando o chão?

— Sim. Você está tendo algum problema com isso? Não sabe como se faz? Não se preocupe, você aprende com o tempo. Não viole a sua condicional e seja bem comportado, você vai ver, o tempo passa super rápido.

— Não! Não! Suho! A minha turnê!

— Acabou. Você está livre. Vamos lá, Chanyeol. Pare de reclamar. Vai ser uma ótima publicidade!

— Sim! Ótima publicidade! Eu estou cumprindo trabalho comunitário por ter me envolvido em uma briga de bar!

— Você estava protegendo a mulher de um bêbado nojento, apenas relaxe. Isso não vai ser negativo de uma certa forma. Depois, um escândalo desse já era esperado.

— Só se for por você! Eu estava muito feliz sem ter nenhuma passagem pela polícia!

— Tá certo, as duas mariquinhas podem discutir forra da delegacia. Toma, Sr. Park. — o delegado jogou um saco plástico com minhas carteira, celular, piercings e depois a minha jaqueta de couro preta. — Eu espero não te ver de novo.

— Você não é o único. — falei ao vestir a jaqueta.

Suho e eu saímos da delegacia e eu logo vi o carro do meu agente parado na frente do prédio.

Eu caminhei até ele e abri a porta, mas Suho segurou o meu braço, impedindo-me de entrar no veículo.

— Onde você pensa que vai? No meu carro você não entra.

— Por favor, Suho. Seja prudente.

— Prudente? Você foi prudente na hora de se envolver em uma briga e quase matar uma pessoa?

— Eu tive meus motivos.

— Sim, uma mulher ingrata que eu tive que pagar para admitir que o homem estava tentando estuprá-la! Chanyeol, você sempre foi muito inteligente e por essa ser sua primeira vez fugindo da linha, os chefes até estão de bom humor e encaram isso como uma causa nobre, mas não faça isso de novo. Não se tem amor a sua carreira! — Suho soltou o meu braço e se afastou. — A sua moto está logo ali do lado. Vá para casa e durma, amanhã é o seu primeiro dia no trabalho comunitário.

— Mas já? Não me deram tempo nem de respirar!

— Por muito pouco o outro cara está respirando. Vá para casa e lave esse seu rosto, está horrível!

— Isso porque ele não queria me bater! — falei mais para mim do que para ele, tocando de leve o machucado no canto abaixo do meu olho.

— O quê?

— Nada. Eu já estou indo.

— Tudo bem, vá direto para casa! Eu te mando o endereço do hospital mais tarde.

Suho entrou no seu carro e deu partida. Eu respirei o ar gélido da noite e olhei para os lados.

— Pois é, o que a gente não faz por um amigo.

Tirei meu celular do saco plástico e liguei o aparelho. Enquanto ele iniciava eu fui até a minha moto.

Peguei o capacete e o coloquei, olhando em seguida para o visor aceso.

Três chamadas perdidas de Sehun e trinta mensagens de Sowon.

Eles podiam esperar até eu chegar em casa. Joguei o celular no bolso da jaqueta junto com o saco plástico com o resto das minhas coisas.

Eu montei na moto e a liguei, dando a partida.

Eu precisava deitar minha cabeça no travesseiro e relaxar.

A ideia de limpar o chão ainda me parecia um tanto surreal, mas algo dentro de mim estava muito animado para o dia seguinte.

E por alguma razão eu sorri. Um sorriso de criança quando recebe um presente e mesmo sem saber o que é já fica animado.

Nem eu mesmo entendi o motivo, já que limpar o chão de um hospital nunca foi o meu emprego dos sonhos e eu estava pensando nos dias em que  perderia naquele lugar, mas o sorriso estava lá, estampado no meu rosto para quem quisesse ver.

[...]

Eu varria o chão e tentava ignorar os comentários das enfermeiras.

Eram as únicas coisas em que eu estava me concentrando.

“Nossa ele é mais gostoso de pertinho”

“A foto não faz jus ao homem”

“Será que ele se incomodaria se eu pedisse um autógrafo!”

No começo eu não me incomodei, já estava acostumado com aquele tipo de comentário. Mas foram cinco dias com esses mesmos comentários se repetindo pelos corredores. Eu já queria quebrar o cabo da vassoura em alguém.

— Ei! Novato! Vem cá! — chamou Jonghyun, um dos faxineiros. Eu parei o que estava fazendo e guardei as coisas no carrinho para só então ir ao seu encontro.

— O que foi? — perguntei grosso.

— Calma aí, estrelinha. Você trabalha com a gente, então é a sua vez.

— Vez de quê? — perguntei franzindo o cenho.

— De limpar o quarto do esquisitão. — explicou-me. — Todos já limpamos essa semana, como hoje é sexta, você é o sexto.

— Esquisitão? Você está falando do cara do apartamento 04?

Eu não ouvi muito sobre ele, na verdade só sabia que ninguém gostava de ir no quarto dele e que ele era o único paciente que ficava no térreo, agora o porquê ainda era um mistério para mim.

— Ele mesmo. Esse menino tem uma fama e tanto. Ee costuma ficar no canto esquerdo do quarto, longe de todas as luzes, você vai entrar e acender a luzes, ele vai gritar, mas ele se encolhe e você pode voltar ao trabalho. Limpe o mais rápido possível e tente manter a distância dele.

— Ele não é um psicopata nem nada disso, é? — ele sorriu para mim e negou.

— Ele não vai te fazer mal nenhum, basta você manter distância dele. Na maioria das vezes, ele nem olha para a gente.

— Tá certo. E quando eu faço isso?

— Agora não, ele acabou de voltar de uma consulta com o psiquiatra e está bem agitado, vão dar os remédios dele depois do almoço, aí você pode ir. Continue com o seu trabalho, eu te aviso quando chegar o momento.

— Tudo bem.

Eu dei as costas para ele e fui até o meu carrinho, ainda teria que limpar o corredor do terceiro andar inteiro. Aquilo me deixaria ocupado até a hora do almoço.

[...]

— Ei, novato! Venha comer com a gente. Ou é muito famoso para isso? — brincou Jonghyun.

— Eu como com vocês todos os dias. — revirei os olhos.

— Eu sei, mas eu gosto de te encher o saco. Você é legal, bem mais legal do que eu imaginava.

— Muitas pessoas costumam dizer isso. - falei triste, porque era a verdade.

Para muitos, eu era um cara grosso que tinha uma imagem extremamente sexista sobre as mulheres… Buff! Nem de mulheres eu gosto!

Mas quando me conheciam melhor, viam que eu não era o cara que a imprensa mostrava, na verdade, eu estava muito longe de ser metade daquele homem.

— Eu gosto mais de você assim. A minha namorada te odeia, mas se ela te visse com a gente nem te reconheceria.

— Jura? Ela me odeia?

— Odeia sim. “Ai meu Deus! Aquele Park é um porco! Homens como ele atrasam o nosso país!” — imitou a namorada e eu não consegui conter o riso.

Quem dera mais pessoas pensassem como ela e se pronunciassem, pelo menos alguma coisa mudaria.

Nos sentamos na mesa com o resto do pessoal e o Jonghyun fez o favor de me integrar na conversa.

Ele era um homem extremamente gentil e sorridente, muitas vezes eu conseguia ver meu antigo eu espelhado nele.

[...]

— Não se esqueça do que eu disse, mantenha distância! — lembrou-me.

— Jonghyun, eu estou indo limpar um quarto, não indo para a guerra. Relaxa.

— Tá. Qualquer coisa grita. Eu vou estar no segundo andar, mas alguém vem te socorrer, eu acho…

Pode parar, já está me assustando.

Ele me deu um tapinha nas costas e pegou seu carrinho, indo na direção dos elevadores.

Eu olhei para a porta na minha frente e respirei fundo antes de abri-la. Eu coloquei o meu carrinho para dentro do quarto escuro e só depois de entrar e fechar a porta atrás de mim eu acendi a luz.

Um grito estridente ecoou pelo quarto quase que imediatamente. Eu olhei desesperado para a direção do grito e vi um menino loiro encolhido no canto do quarto, ele abraçava os joelhos e escondia seu rosto entre as pernas. Seus gritos e soluços eram altos, demorou um pouco para que eu entendesse o que ele gritava.

Ele pedia socorro.

Jonghyun mandou eu ignorá-lo, mas eu não conseguia ignorá-lo. Ele estava gritando por socorro.

E se ele fosse um sociopata?

Chanyeol, mantenha distância. Apenas faça o seu trabalho. — repeti para mim mesmo.

Eu olhei uma última vez para o menino de fios aloirados e de pele branquinha antes de pegar minhas coisas e segui com o meu trabalho.

Eu comecei a limpar o quarto e percebi que o choro ia diminuindo com o tempo, olhei várias vezes para ele e ele ainda mantinha seus rosto escondido entre as pernas. Até que eu olhei para ele após o choro ter sido cessado por completo.

Ele estava me encarando.

Seu rosto era tão delicado quanto o de uma criança, suas bochechas estavam vermelhas e molhadas pelas lágrimas. Encarei aqueles olhos delineados e profundos e me perdi naquela imensidão.

Seus olhos eram… fascinantes.

Olhos tão castanhos que encarando bem eu quase tive a impressão que brilhavam.

Seus fios loiros estavam bagunçados, mas isso não tirou sua beleza. Ele tinha uma beleza tão jovem e natural.

Eu desviei o olhar e voltei ao meu trabalho, ousei olhar para ele algumas vezes e percebi que ele ainda me encarava. Por fim, eu comecei a arrumar a cama e tive que me virar de costas para ele.

Quando finalmente acabei, dei graças a Deus que eu sairia daquele quarto.

Todo aquele lugar me deixava desconfortável, mas talvez fosse apenas ele me encarando compulsivamente.

Soltei o ar pela boca e me virei, deparando-me com o paciente parado a minha frente.

— Jesus! — falei assustado ao cair na cama.

Ele me encarava com curiosidade esticando a mão para me tocar.

— Ei! — alertei, mas ele não parou, foi além. Ele se sentou no meu colo e eu arregalei os olhos. — Apressado você!

Será que ninguém gostava de ir ali porque ele era um tarado?

Sai de mim!

Ele esticou ainda mais o braço e tocou meus fios vermelhos, alisando-os. Ele pendeu a cabeça para o lado e um sorriso infantil tomou conta de seus lábios. Ele parecia se divertir bastante acariciando meus fios.

— Vermelho… — sussurrou.

— Isso. Isso mesmo! Vermelho! Eu deixo você tocar o meu cabelo se sair de cima de mim. — ele desviou o olhar do meu cabelo até a minha boca.

Soltou meu cabelo e levou seus dedos para o piercing que ficava no canto do meu lábio inferior. Ele brincou com ele por um tempo antes de aproximar seu rosto do meu e sugar meu lábio inferior para dentro da sua boca.

Eu tentei afasta-lo, mas ele me mordeu, impedindo que eu fizesse qualquer coisa além de soltar um gemido incômodo.

Senti sua língua passar pelo meu lábio até o piercing, ele se afastou e me olhou estranho.

— Não entendi… — falou baixo.

— E você acha que eu sim?! Sai de cima de mim! — eu o empurrei e ele cambaleou para trás, porém não caiu no chão.

Eu me levantei e ajeitei o uniforme.

Ele pendeu a cabeça para o lado e me encarou novamente.

Aquilo já estava me incomodando demais!

— Por que você fica chupando essa argolinha se ela não tem um gosto bom?

— O quê? — perguntei ainda sem entender nada do que aquele louco falava.

— Assim… — ele sugou uma parte do lábio inferior para dentro da boca.

Só então entendi ao que aquele maluco de referia.

Eu tinha o hábito de brincar com o meu piercing. Com o passar dos anos, eu nem mesmo me dava mais conta do que estava fazendo.

Ele continuou me encarando e eu olhei para o lado.

— Eu já acabei… Vou deixar você sozinho. — avisei já me direcionando para o meu carrinho.

— Não… -- ele suplicou. -- Não me deixe só… Por favor, é o que todos fazem.

— Por que você não sai e fica com os outros?

— Eles me deixam nervoso… Eles são cinzas… — disse com olhar distante. Ele fitava o chão, mas estava muito claro que sua mente estava muito longe

— Cinzas? Tipo a cor? — concordou. — Você ver as cores nas pessoas?

— Não é como se elas fossem azul, ou roxa… Nada disso. Elas exalam uma cor… E isso me deixa nervoso. — confessou.

— Por isso você não sai do quarto…

— É… Eu odeio sair, me sinto sufocado…

— Que cor eu exalo? — perguntei por pura curiosidade. Eu estava mesmo conversando com um louco que havia acabado de me agarrar. Mas não evitei.

Ele ergueu a cabeça devagar e me encarou, sorrindo de leve.

— Você é azul… Vários tons de azul. É lindo… — falou me encarando e sorrindo.

Sabia que ele não estava me encarando especificamente, mas sim o que ele via a minha volta.

— Você gosta de azul?

— Nenhuma das cores costuma me trazer um sentimento bom… Mas o azul te cai tão bem. Me deixa tranquilo.

Eu concordei com a cabeça, mantendo meus olhos fixos naquela imensidão castanha.

— Eu tenho que ir…

— Eu não quero que você vá… Por favor… — sussurrou.

Eu não sabia ao certo o que deveria fazer. Embora a parte lógica da minha cabeça gritasse para eu sair correndo dali o mais rápido possível e nunca mais voltar naquele quarto durante os três meses que eu passaria ali, uma parte de mim se sensibilizou por aqueles olhos castanhos e aquela face de anjo.

— Eu estou aqui há dois anos… Eu só quero alguém para conversar.

Soltei o ar pela boca e concordei, sentando-me na cama.

Ele continuou me encarando, sentou-se no chão e sorriu.

— Qual o seu nome?

— Park Chanyeol.

— Legal. O meu é Byun Baekhyun… Sabia que eu sei imitar o som de puns?

Ele posicionou a boca entre a dobra do cotovelo e fez o famoso barulho que eu mesmo havia feito tanto anos antes na época do fundamental!

Conversando um pouco mais com Baekhyun eu pude perceber o quanto sua mente era infantil. Ele todo era infantil.

De uma ingenuidade e pureza que meninos de doze anos não têm mais.

Era de uma forma que chegava a ser chata. Eu nem conseguia conversar direito com ele, ele falava mais do que tudo.

Trancado ali, claro que as coisas acabavam por ficar repetitivas.

Eu parei de ouvir quando ele falou que ficou duas horas encarando uma libélula que havia entrado em seu quarto.

Sério. Parei mesmo. Ele falava e eu nem mesmo respondia com um “uhum”.

— Baekhyun, agora é sério. Eu tenho que voltar ao trabalho. — falei já cansado de ficar ali sentado, apenas ouvindo ele falar.

Baekhyun estava fazendo uma forma de ponte com o corpo e ao me ouvir falar voltou à posição normal.

— O quê? Por quê? — ele parecia realmente não entender. — Por que você não pode ficar comigo?

— Por que eu tenho que trabalhar. Eu volto amanhã.

— Você jura? — perguntou desconfiado e eu revirei os olhos.

— Juro.

— Juradinho?

— Juradinho. — suspirei. Ele sorriu para mim. O sorriso mais sincero que já vira até aquele dia. Eu senti o meu coração acelerar e parte de mim apenas queria continuar com ele ali, admirando aquele belo sorriso retangular. Eu desviei minha atenção e pigarreei. — Eu vou indo.

Peguei o carrinho e saí do quarto. Respirei fundo e olhei ao redor.

Cada louco se encontra pela vida!

Eu já havia encontrado muitos loucos pela vida, mas Baekhyun foi o que mais me chamou atenção. Talvez tenha sido pelo fato da maioria terem sido descabelados, fedidos e podres. Baekhyun não.

Ele era limpinho, cheiroso e tinha uma beleza invejável.

Eu não gostei nem um pouco da forma como o meu coração estava acelerado e das sensações que eu estava sentindo apenas de lembrar de seu rosto.

Talvez fosse melhor eu não voltar lá.

Ele era apenas mais um paciente.

Pelo menos foi o que eu repeti para mim mesmo.

[...]

Eu não fui vê-lo. Nem no primeiro, nem no segundo, nem na semana que se seguiu. Cada vez que eu passava pela porta do seu quarto, eu cogitava a hipótese de entrar, mas não parecia o certo.

Certo. Aquilo era apenas algo que eu repetia para mim mesmo para eu não me senti tão mal.

Toda vez que eu pensava em Baekhyun criava-se um conflito na minha cabeça.

Parte de mim queria voltar lá, mas a outra parte, a parte assustada pela forma como eu reagia a ele, dizia para eu me manter longe dele.

De primeira eu não pensei muito nele, mas aos poucos sua imagem e seu sorriso infantil ao me ver prometendo que voltaria, sua animação ao me contar as coisas mais bobas e inúteis.

Eu nunca havia me sentido assim por ninguém. E aquilo não significava boa coisa.

Balancei a cabeça, tirando Baekhyun de meus pensamentos. Eu precisava me concentrar e trabalhar.

Só haviam se passado duas semanas naquele lugar, mas para mim parecia uma vida.

Não era tão ruim quanto eu esperava. Era até divertido. O problema não estava no lugar, estava nas pessoas. Todo mundo me assediava, me tratava como se fosse alguém especial.

Aquelas pessoas me cansavam.

Eu bati na porta do quarto do Sr. Kim e entrei. Ele me olhou e sorriu.

— E então, meu jovem? Trouxe o combinado? — perguntou com um sorriso.

— Eu não deveria te dar essas coisas.

— Você não está fazendo nada de errado, apenas ajudando um pobre velho a deixar esse lugar um pouco mais suportável.

— O senhor tem uma boa ladainha, parece até uma pessoa que eu conheço. — sorri ao pegar a garrafa de uísque de dentro do balde. — Quando eu for embora, o que o senhor vai fazer?

— Não vamos pensar nisso, vamos apenas aproveitar o tempo presente.

Eu não sabia exatamente o que o Sr. Kim tinha, até onde eu sabia, ele ficava falando sozinho, porém, mesmo assim, ele me parecia a pessoa mais normal daquele lugar.

Eu nunca parei para perguntar o que ele tinha e também não era da minha conta, apenas conversávamos e ele era uma das pessoas que deixavam aquele lugar mais suportável.

— Cale a boca, Sora! — falou com raiva e olhou para o lado. — Se eu quiser beber eu bebo, já estou morto mesmo! Eles apenas não sabem.

— Não fale assim, Sr. Kim. O senhor ainda é jovem. — falei. Era mentira, mas era apenas para incentivar.

Tsc. Os jovens mentem tão mal. — ele abriu a garrafa e deu um gole generoso. — Eu bebo é para esquecer nesse inferno em que vivo. Você não-

A porta atrás de nós se abriu abruptamente e eu me virei assustado. Arregalei os olhos ao encontrar Baekhyun parado na frente do quarto.

Ele tinha os olhos vermelhos e o rosto inundado pelas lágrimas. Ele me encarou triste e soluçou.

Você prometeu…


Notas Finais


Eu devo postar o segundo cap logo! Só tem 3, então não deve demorar.

Eu espero que gostem, amor. De verdade!

Obrigada por tudo
Até logo
EXO EXO
🔥☄


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