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História For You I Will - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


oi, amoras!!

cheguei com o capítulo 2 :)

ele ia ser maior, mas por decisões narrativas achei melhor cortar ele ao meio!

então, agora a fic tem playlist no spotifyyy: http://tiny.cc/foryouiwill

vou adicionando as músicas aqui conforme for atualizando e sinalizo onde começa a seleção de cada capítulo, oks?

🎵 hoje comecem a partir de “Make Me”, de Prinze George 🎵

Capítulo 2 - Dos


Fanfic / Fanfiction For You I Will - Capítulo 2 - Dos


You are off kilter with me
Don't you know it's every other day of the week?
Your win my feat
These days I'm running to escape
Drenching my brain, soak in my mistakes
My mistakes

 

Sergio continuou a atravessar a boate repassando toda a interação que acabara de ter. Sua mente repetia cada frase trocada entre os dois e rebobinava cada olhar que ela havia lhe lançado. E ele não fazia ideia do que diabos tinha acabado de acontecer, mas também não conseguia pensar em outra coisa senão ela. Raquel. Virou o rosto para trás, procurando-a no meio da multidão, mas não a viu mais onde a havia deixado.

Foi então que sentiu uma mão apertando o seu ombro, chamando sua atenção para a frente, e ao virar-se foi recebido pelo sorriso embriagado de seu irmão.

“Hermanito!” Andrés exclamou, seus olhos apertados denunciando que ele já estava começando a ficar alterado. “Onde estava? Tentando escapar de novo?”

“Não, eu…” Sergio balançou a cabeça, como se o movimento fosse ajudar a tirar aquela mulher de sua cabeça, soltando o ar de seus pulmões. Ele sentia os músculos dos ombros tensionarem contra o crescente aperto de seu irmão ali. “Eu fui pegar uma bebida.”

Andrés cerrou os olhos na sua direção, olhando-o de cima a baixo. 

“E cadê sua bebida?”

“Eu…” Sergio olhou para baixo, percebendo que o objetivo de sua fuga havia sido completamente esquecido depois de ter encontrado Raquel e sua amiga. “Eu esqueci.”

Seu irmão lhe deu um sorriso safado, tirando uma das mãos de seu ombro para lhe dar um tapa de leve na sua bochecha. 

“O esquecimento tem alguma coisa a ver com aquela loira de vestido vinho com quem você estava conversando?”

“Não… Bem, sim, ela me interceptou no caminho, queria que eu dançasse com a amiga dela,” Sergio explicou, ajeitando os óculos no rosto. Seu irmão lhe olhou, intrigado, sabendo com familiaridade o que aquele gesto significava.

“E não quis dançar com a amiga?” Andrés perguntou, virando a cabeça de leve e lhe lançando um olhar duvidoso. “Acho que você se distraiu um pouco, hermanito.”

Sergio suspirou pesadamente. “Andrés, já podemos ir?” Ele mudou de assunto repentinamente. “Você sabe que eu não gosto desses lugares.”

“Ei, xiu. A noite está só começando,” seu irmão respondeu, encaminhando-o até uma das mesas altas da boate onde estavam seus amigos. “Vamos esperar Ágata se liberar, a banda já vai começar, vamos escutar umas músicas… e Martín disse que vamos continuar a festa em outro lugar.”

“Continuar a festa? Mas já são quase onze e meia,” Sergio resmungou. “E é uma quarta-feira.”

Andrés revirou os olhos. “E que horas você dá aula amanhã?”

“De tarde, mas–”

“Mas nada,” seu irmão interrompeu, balançando a cabeça e virando-se para parar na frente. “Vamos fazer o seguinte… por que você não vai pegar seu uísque e procurar pela loira?” Ele esticou os braços para ajeitar a gola da camisa social de Sergio, dando uma leve esticada em sua gravata antes de girá-lo em seu eixo e lhe empurrar de volta à multidão, cochichando em seu ouvido: “Divirta-se um pouco, você merece.”


Is there any love left for me?
Is there any love left for me?
That dark sky yeah it's so big
Isn't anybody wondering?
Isn't anybody questioning what this all is?

 

Enquanto se afastava de estranhos e se esgueirava por aquela boate escura, Raquel estava puta. Quem esse cara achava que era? Recitando diagnósticos sobre sua vida amorosa sendo que nem a conhecia. Como se estivesse lendo uma bula de remédio ou o resultado de um teste do Buzzfeed. 

Ela tinha uma vida amorosa extremamente saudável, muito obrigada. Transava quando queria, com quem queria e não devia satisfações à ninguém. Não precisava se envolver emocionalmente com qualquer pessoa para se sentir completa, essa não era a sua vida.

Não que ela visse algo de errado em alguém que desejasse ter uma relação, mas essa não era ela. Nunca foi e nunca seria. E ela estava feliz assim. Não era emocionalmente insegura. Não estava vazia.

Apenas não via sentido em colocar qualquer relação amorosa como prioridade. Na hierarquia dos seus afetos, sua mãe, sua irmã e suas amigas viriam primeiro. Simples assim. Cresceu com uma mãe solo, que dava conta de trabalhar e cuidar dela e de sua irmã e ela fazia isso com a ajuda de suas vizinhas e familiares, todas mulheres. A lição mais valiosa que seu pai lhe tinha ensinado, quando deixou sua família na calada da noite, é que uma relação amorosa não é garantia de nada. De absolutamente nada.

Então, sim, talvez Raquel estivesse acostumada a ter relações fúteis e efêmeras – porque isso funcionava pra ela. Não havia problema algum nisso.

Com isso em mente, Raquel puxou a porta do banheiro feminino e a primeira coisa que viu foi Alicia retocando o seu batom na frente de um dos espelhos redondos acima da pia.

“Ali!” Ela se aproximou, expirando pesadamente. “Estava te procurando.”

“Precisava retocar meu batom,” Alicia sorriu para a amiga, piscando para ela através do reflexo do espelho, mas ao perceber que Raquel nem esboçou um sorriso com a sua resposta, guardou o batom na sua bolsa de mão e virou-se para ela. “O que foi?”

“Nada,” Raquel mentiu, balançando a cabeça, enquanto mordia o lábio inferior com afinco. Alicia cerrou os olhos, mas preferiu não apertar muitos botões. Já a conhecia há tempo demais para não saber como brincar desse jogo.

Então, a ruiva buscou por alguém atrás de Raquel, voltando a olhar pra ela confusa.

“Cadê a Món?”

Raquel suspirou, franzindo a testa. “Eu meio que perdi ela.”

Alicia se aproximou da amiga para abrir espaço para outra mulher que queria usar a pia.

“Como assim você perdeu ela?”

“Eu fui fazer a casamenteira,” Raquel levantou as mãos, gesticulando uma aproximação com os dedos. “Com ela e um idiota chamado Sergio–”

Ah. Alicia sorriu. Aí estava a questão. Ela não evitou e a interrompeu ali mesmo.

“O nome dele é pronunciado assim, com todo esse vigor?” Ela provocou.

“Ah, cala a boca,” Raquel revirou os olhos, bufando.

Alicia segurou uma risada enquanto aproveitava a mulher que havia saído para lavar as mãos. 

“Certo, mas o que aconteceu?”

“Eu comecei a discutir com ele e me distraí e quando me virei Món não tava mais lá,” ela continuou explicando. “Vim aqui procurar por ela.”

“Achei que tivesse procurando por mim?”

“Que seja, pelas duas,” ela gesticulou com as mãos, claramente frustrada. “Eu preciso de uma bebida.”

“Tem certeza que o que você precisa não é sentar?” Alicia perguntou, secando as mãos em duas folhas de papel toalha e lançando um olhar divertido para a amiga. “Talvez nesse Sergio?”

“Ali, você nem sabe as merdas que ele me disse,” ela arregalou os olhos, como se Alicia estivesse falando algo absurdo. Porque ela definitivamente não estava atraída por aquele homem barbudo de olhos castanhos e com aqueles bíceps–

“Tipo o quê?” Alicia perguntou, jogando fora o papel toalha e interrompendo os seus pensamentos indevidos.

Raquel deu de ombros, soltando um grunhido de raiva só de lembrar. 

“Tipo falar que eu escondo minha ‘insegurança emocional’...” ela fez aspas no ar enfaticamente. “... com relações fúteis e efêmeras que me deixam sentindo vazia por dentro,” ela repetiu, a mandíbula tensionada a cada palavra que saia de sua boca.

Alicia arregalou os olhos, assentindo lentamente enquanto parecia ponderar a avaliação desse estranho sobre a vida romântica de sua amiga. Porém, a cada segundo que ela continuava calada, Raquel ficava cada vez mais preocupada que ele estivesse certo. Porque uma parte dela havia sentido o peso daquelas palavras, ainda que não quisesse admitir.

Alicia,” ela chamou pela amiga baixinho, quase em tom de súplica.

Mira, cariño, você sabe que eu sou contra toda essa coisa de monogamia compulsória e eu amo ter você como minha escudeira fiel,” a ruiva pegou a mão de Raquel, segurando-a contra o peito. “Mas você não pode negar que tem um lado romântico e talvez você tenha se fechado para isso com toda essa coisa d–”

“–Por que você nunca me falou isso antes?” Raquel puxou sua mão de volta, interrompendo o pequeno discurso da amiga. Não queria fazer isso, não agora.

Alicia soltou um suspiro. “Porque você precisava estar pronta pra essa conversa.”

Raquel olhou para o bico de seu salto alto, mordendo a parte interna de sua bochecha enquanto pensava. “Não sei se estou pronta pra ter essa conversa no banheiro da Ulay.”

Alicia concordou com a cabeça, se aproximando com certa cautela e, ao ver que Raquel não se afastou, acariciando os braços da amiga. “O que você quer fazer então?”

“Beber. Dançar. Dar uns beijos em alguém antes de ir pra casa,” Raquel respondeu pausadamente. “Nessa ordem.”

“Pois temos uma lista de afazeres então,” Alicia sorriu. “Vamos?”

Raquel respirou fundo e conseguiu dar um sorriso mambembe para a amiga, virando-se para caminhar em direção à porta. Ela empurrou a porta para Alicia passar primeiro, mas assim que a escancarou, sentiu que a porta havia se batido em algo, suspeita que foi corroborada assim que ouviu o barulho de vidro se estatelando no chão.

“Merda…” Ela soltou a porta atrás dela, virando-se para reparar que na verdade ela havia batido a porta não em algo, mas em alguém

Mais especificamente, Sergio, que balançava as mãos molhadas com o drink que havia sido derramado tanto nele quanto no chão. Ele levantou o olhar para ela, instantaneamente ruborizado, e ajeitou sua postura.

“Er, oi de novo,” ele disse, abrindo espaço para uma das funcionárias da boate que já havia aparecido com uma vassoura e uma pá.

“Oi,” Raquel respondeu, sem graça. “Desculpa, eu realmente não vi você…”

“Tudo bem,” ele respondeu, gesticulando com as mãos. “Acontece. É melhor… melhor eu lavar as mãos.”

Ele adentrou o banheiro masculino e Raquel fechou os olhos por alguns segundos, amaldiçoando a sua própria sorte. Ou melhor, seu tremendo azar. Ela abriu os olhos novamente e pediu desculpas efusivas à funcionária da boate que varria os cacos de vidro do chão. Então, se viu parada ali, perguntando-se se deveria esperar pelo homem com o qual havia acabado de trombar de novo ou simplesmente esquecer que tudo aconteceu.

“Ei,” Alicia chamou a amiga, que parecia congelada no meio do corredor. Ela apontou com o queixo para o banheiro masculino. “Esse é o…?”

Raquel fez que sim com a cabeça, em silêncio, e Alicia lambeu os lábios, percebendo exatamente o que estava acontecendo.

“Eu vou procurar Món. Te encontro depois, ok?” Ela disse, recebendo apenas um ‘ok’ baixinho como resposta de sua amiga. 

Alicia se afastou, mas virou-se em cima do salto para dar um último empurrão de apoio moral para sua amiga. 

“Quel!” Ela esperou a amiga virar em sua direção antes de sorrir para ela. “Pode mudar a ordem dos afazeres, se quiser!”

E com uma piscadela, ela se virou novamente e sumiu no meio da multidão.

Quase sincronizadamente, Sergio saiu do banheiro masculino e pareceu surpreso em ver que Raquel ainda estava ali. Ela lhe encarou com uma tristeza no olhar, os lábios entreabertos como quem queria falar alguma coisa. Ela não sabia se devia se desculpar mais uma vez ou se oferecer para lhe pagar uma nova bebida.

Percebendo a sua hesitação, ele se aproximou cautelosamente.

“Está tudo bem?” Ele perguntou, preocupado.

Raquel soltou uma risada incrédula. “Você quer saber se eu estou bem?”

Sergio lhe lançou um olhar confuso. “Bem… Sim.”

“Primeiro eu te chamo te imbecil,” ela ergueu uma mão entre eles com o polegar para fora, começando uma contagem com os dedos. “Depois a gente discute no meio da pista de dança, agora eu derrubo seu drink… e você me pergunta se está tudo bem comigo…”

Sergio lhe ofereceu um sorriso incerto, levantando os ombros.

“E está?” Ele arqueou as sobrancelhas, ainda esperando a resposta.

Ela sorriu, balançando a cabeça enquanto deixava seu braço cair de volta para a lateral de seu corpo, sentindo-se como uma grande idiota.

“Na verdade, não muito, pois acabo de descobrir que a imbecil entre nós sou eu,” ela deu uma risada sem graça, e antes que ele pudesse interferir, ela lhe olhou por baixo de seus cílios. “Posso pelo menos te pagar a bebida que eu derrubei?”

Sergio olhou para ela desconcertado, mas assentiu. “Certo.”

Eles foram andando juntos até o bar e se sentaram em duas das banquetas altas enquanto aguardavam o bartender que estava atendendo um grupo de mulheres do outro lado.

Raquel olhou para ele com um sorriso envergonhado e, inconscientemente, seu olhar desceu pela sua camisa social mostarda. Foi então que ela percebeu que a parte inferior dela estava molhada.

“Tem certeza que não vai manchar sua roupa?” Ela apontou para a parte molhada do tecido com seu indicador. 

Ele deu uma breve olhada para baixo antes de voltar o olhar para ela, com um sorriso divertido no rosto.

“Agora você está preocupada com minha roupa de bibliotecário?”

Raquel riu, levando a palma da mão à testa em vergonha. “Não faça eu me sentir ainda pior do que já estou…”

“Não tem problema. De verdade,” ele estendeu seu braço sobre o balcão para tocar de leve a sua mão, assegurando-lhe de que estava tudo bem, mas assim que a tocou sentiu como se uma corrente elétrica se descarregasse por todo o seu corpo e recolheu sua mão rapidamente, como se a pele dela queimasse.

Raquel olhou para ele, se perguntando internamente se ele também tinha sentido aquilo, aquela energia que fez seus dedos espasmassem como se seu corpo tivesse entrado em um curto circuito. Ela nunca havia sentido nada assim antes. Engoliu em seco, fugindo do olhar dele para ver que o bartender estava caminhando na direção dos dois.

“O que você estava bebendo?” Ela perguntou, a voz um pouco mais baixa do que o normal.

“Uísque,” Sergio respondeu, com a voz rouca.

“Com gelo?”

“Sim.”

Ela se virou para fazer o pedido ao bartender e lhe mostrou o seu cartão numerado para ele cadastrar as bebidas. “Dois uísques com gelo, por favor.”

Raquel voltou o olhar novamente para Sergio, oferecendo-lhe um pequeno sorriso.

Ele aproveitou o silêncio para dar vazão às palavras que estavam presas na sua garganta. “Olha, sobre as coisas que eu te falei… Peço desculpas, não era o meu lugar ou–” 

“–Tudo bem,” ela o interrompeu, balançando uma das mãos. “Me desculpe também, eu não… Não devia ter te falado todas aquelas coisas. É que… eu sou um pouco… protetora… com as minhas amigas.”

“Bom, esse é um traço… louvável,” ele respondeu, ajeitando os óculos no rosto, fazendo Raquel se perguntar se aquele gesto era algum tipo de tique nervoso.

Ela viu que o bartender deslizou os dois copos de uísque pelo balcão e lhe agradeceu antes de pegar o seu copo e voltar a olhar para Sergio.

“É, mas eu não devia ter te chamado de imbecil,” ela continuou, bebendo um gole. “É só que… ela teve um dia ruim, por conta de um verdadeiro imbecil, então…”

“Sinto muito por ela,” Sergio respondeu genuinamente, tomando um pouco do seu uísque. “E você?”

“Hm?” Raquel franziu a testa para ele.

“Você também teve um dia ruim?”

“Na verdade, não,” ela sorriu. “Recebi uma notícia muito boa no trabalho.”

Sergio sorriu também. “É? O que você faz?”

“Sou jornalista,” ela respondeu, permitindo-se o sentimento de orgulho que tomou conta de seu peito quando se lembrou do reconhecimento que teve. “E hoje meu chefe me passou uma pauta importante.”

Vale, um brinde a isso então,” ele ergueu o copo no ar, levantando-lhe as sobrancelhas de forma encorajadora.

“Obrigada,” Raquel respondeu, brindando seu copo no dele e bebendo mais um pequeno gole antes de tentar saciar a sua curiosidade. “E você? O que está fazendo aqui?”

Ele tentou engolir o uísque rapidamente, lhe lançando um olhar jocosamente ultrajado. “Eu? Eu sempre venho aqui.”

Ela deu uma gargalhada, simplesmente imaginando o homem que estava à sua frente como uma presença recorrente naquela boate. Ele não conseguiu evitar abrir um sorriso ao vê-la arquear o pescoço para rir, sabendo que havia sido ele quem havia causado aquela risada, e deu de ombros, repousando o copo de vidro no balcão.

“Meu irmão vai se casar esse final de semana e fez questão de ter toda uma semana de comemorações,” Sergio explicou, revirando os olhos.

“Ah,” Raquel sorriu, levantando os ombros. “Achei até fofo.”

“Seria mais… fofo…” Sergio repetiu a palavra usada por ela com ênfase, erguendo as sobrancelhas em uma expressão incrédula. “Se não fosse o quinto casamento dele.”

Quinto?” Os olhos dela se arregalaram em choque.

“Sim,” ele sorriu, entretido com a expressão que estava no rosto dela. “Na verdade, eu não fazia ideia que a gente viria para cá hoje. Ele e um dos padrinhos foram me buscar no meu trabalho e me arrastaram.”

“E com o quê você trabalha?” Raquel perguntou, tomando mais um gole da bebida e por um instante a atenção de Sergio se perdeu nos lábios dela.

“Eu sou…” Ele começou a falar, pausando para rir ao se lembrar que ela na verdade já havia acertado em cheio a resposta para essa pergunta. “Professor...”

“Tá brincando?” Ela abriu um sorriso e, quando ele assentiu, começou a rir. Ele sorriu de volta, contagiado pela forma como o nariz dela se enrugava quando ela dava uma gargalhada, o piercing de argola reluzindo sob as luzes da boate. “Eu sabia! De quê?”

“Administração,” disse, bebendo um gole do seu uísque.

Ela arqueou uma sobrancelha. “Graduação?”

“Pós-graduação.”

Ela lhe lançou um olhar intrigado mas, assim que abriu a boca para lhe responder, os primeiros acordes da gaita começaram a soar pelos alto falantes. Raquel sorriu, animada.

“A banda! Eu adoro elas,” ela virou o rosto para observar o grupo de mulheres que tocava empolgadamente em cima do palco, mas Sergio não conseguia olhar para qualquer outro lugar que não fosse para ela. 

Ele já havia se sentido atraído por outras mulheres antes, mas havia algo diferente em Raquel. Ele não sabia explicar o que era, mas não se incomodaria em passar o resto de seu tempo tentando descobrir. E certamente não se incomodaria em fazê-la sorrir do jeito que ela estava sorrindo naquele instante, mexendo os quadris e os braços no ritmo da música enquanto suas pernas que balançavam na banqueta onde estava sentada.

De súbito, ela se virou para ele, sorrindo ao perceber que ele estava lhe encarando. “Quer dançar? Comigo, dessa vez?”

O sorriso do rosto de Sergio desapareceu lentamente. Ele olhou ao redor, àquela multidão se aglomerando ao redor do palco, dançando e cantando a música que a banda tocava. Ele ajeitou os seus óculos, nervoso, e coçou a garganta antes conseguir voltar seu olhar para ela.

“Eu… eu não danço,” finalmente respondeu, sentindo gotas de suor se formarem em sua testa. Se sentiu pior ainda quando o sorriso dela também foi diminuindo, decepcionada. “Mas, por favor, não– não quero te segurar,” ele se levantou rapidamente da banqueta, ansioso para fazer qualquer coisa que a fizesse sorrir novamente. “Pode ir dançar, eu vou–”

Ele mesmo se interrompeu quando seu olhar caiu um pouco acima do ombro de Raquel. E então ele deu uma risada incrédula.

“O que foi?” Ela perguntou, confusa.

Sergio se aproximou dela e mais uma vez o seu perfume amadeirado preencheu todos os sentidos de Raquel. 

“Olha pra lá,” ele apontou para trás dela com o queixo.

Ela se virou na banqueta, ficando de costas pra ele, e ainda estava muito distraída com o quão perto ele estava dela para conseguir entender para onde ela deveria olhar. “Hm?”

“Achei a sua amiga,” ele lhe disse, apontando o indicador discretamente para o lugar onde ela devia direcionar o olhar – a pilastra na qual Mónica estava encostada enquanto se beijava com um homem de regata preta.

Sergio desviou o olhar, se apoiando na bancada do bar e olhando para o perfil de Raquel, que seguia encarando a amiga, surpresa.

“Meu Deus…” Raquel balbuciou, baixinho, antes de virar-se para Sergio e começar a rir.

“Eu deveria ficar sentido que ela já me superou e está com outro?” Ele brincou.

“Talvez um pouquinho,” ela balançou a cabeça, apertando os lábios e fazendo uma careta. “Mas acho que um dia você também vai superá-la.”

Sergio ergueu as sobrancelhas. “Não sei, ela podia ser a mulher dos meus sonhos.”

“Numa boate? Nah,” ela franziu a testa e os dois começaram a rir ao mesmo tempo.

Raquel achava engraçado como, quando ele ria, os olhos dele praticamente sumiam atrás das lentes do seu óculos. Ela reparou nos lábios dele, emoldurados por aquela barba grossa, e então só conseguia pensar em qual seria a sensação de ter aqueles lábios contra os seus. Ela levantou a mirada para seus olhos e viu o mesmo desejo refletido ali.

“Sergio…” Ela balbuciou, quase inconscientemente, aproximando-se cada vez mais e ela podia jurar que o viu engolir em seco.

“PROFESSOR!” Interrompeu a voz de um homem moreno, com uma barba de poucos dias por fazer, bem arrumado e com um sorriso animado, dando um tapa amistoso no ombro de Sergio.

Sergio, por sua vez, virou-se para o amigo como se seus olhos pudessem atirar flechas. Martín não percebeu, contudo, pois já havia percebido que ele não estava sozinho – na verdade, estava acompanhado por uma mulher belíssima, o que fez com que o recém-chegado virasse o rosto de volta para Sergio com uma expressão de impressionado.

“Desculpe interromper,” os olhos azuis de Martín caíram mais uma vez sobre a loira que estava sentada ali, acompanhados por um sorriso debochado. “É que eu não consegui lhe ver à distância.”

“Ah, aí está você, hermanito! Vamos tomar uns shots antes de ir embora,” Andrés se aproximou, cometendo o mesmo erro de Martín antes de reparar que Sergio não estava só. “Opa. Boa noite. Tudo bem?”

Atrás dele, outro homem, com cabelos mais longos e um bigode, se aproximou em silêncio. Raquel olhou para os três homens que haviam interrompido o seu momento com Sergio e forçou o sorriso mais simpático que pôde.

“Boa noite,” respondeu, as palavras saindo arrastadas entre seus dentes. “Tudo bem, e você?”

“Tudo ótimo,” ele respondeu, sorrindo genuinamente para a mulher que havia conquistado a atenção de seu irmão mais novo. “Eu sou Andrés.” 

Ele repousou a palma da mão contra o peito para se apresentar e Raquel reparou que ele estava usando uma camisa azul escura de mangas compridas que parecia ser feita de caxemira. Tudo nele gritava luxo e dinheiro, ao contrário das roupas modestas de Sergio, que pareciam pertencer ao seu guarda-roupas há pelo menos uma década. 

“Esses aqui são nossos amigos, Martín e Marselha,” ele apontou para os homens que o acompanhavam e Raquel lhes ofereceu um pequeno sorriso. “Meu irmãozinho você já conheceu. Desculpe, como é o seu nome?”

Andrés ergueu a palma da mão e Raquel lhe ofereceu a sua, sem imaginar que ele a levaria até seus lábios para estalar um beijo no dorso de sua mão.

“Raquel,” ela respondeu, percebendo pelo canto do olho que Sergio lhe lançava um olhar apologético, embora ela queria perguntar pelo que ele estava se desculpando. Pelo jeito soberbo do irmão mais velho? Ou pela interrupção de um momento entre os dois?

Raquel,” Andrés pronunciou seu nome enfaticamente, soltando a sua mão. Em seguida, esfregou as palmas de suas mãos conspiratorialmente antes de colocar um braço ao redor dos ombros de Sergio. “Mira, vamos encontrar umas amigas e continuar a festa em outro lugar, não quer vir com a gente? A DJ que tava tocando é nossa amiga e vai tocar lá.”

“Obrigada pelo convite, mas eu estou aqui com minhas amigas,” ela respondeu, bebendo um gole do seu uísque.

“Pode chamar elas também,” Andrés balançou uma mão, erguendo as sobrancelhas para ela. “Quanto mais melhor, hm? Ainda mais se elas forem belas como vo–”

Andrés,” Sergio chamou o irmão, fitando-o com atenção. “Podem ir pedindo os shots, eu já vou.”

“Ok, ok… Prazer lhe conhecer,” Andrés sorriu, apertando o ombro do irmão. Ele sinalizou para os amigos que fossem andando e, após dar os primeiros passos, virou-se para exclamar: “Raquel! Caso mude de ideia… Cocktail bar, Gran Meliá!”

Raquel arqueou as sobrancelhas, assentindo com a cabeça antes de dirigir seu olhar à Sergio.

“Desculpa, gostaria de dizer que ele não é sempre assim, mas…” Ele começou, ajeitando os óculos no nariz.

“Tudo bem,” Raquel sorriu, pensando que aquele pequeno hábito era uma das coisas mais adoráveis que ela já tinha visto.

Sergio franziu o cenho para ela. “Você queria falar alguma coisa?”

Ela o observou em silêncio por um momento, tentando entender a que ele se referia. Então, se lembrou que quando estava prestes a beijá-lo, o nome dele saiu de sua boca incontrolavelmente. Ela ponderou o que poderia dizer que o fizesse ficar mais um pouco com ela, mas na sua cabeça nada era bom o suficiente para convencê-lo a abandonar a noite de comemoração de seu irmão.

“Que foi um prazer te conhecer,” Raquel respondeu, abrindo um sorriso sincero.

“Igualmente,” ele sorriu de volta, mas sua expressão parecia – desapontada? 

“Tenha uma boa noite, Sergio.”

“Você também,” ele respondeu, e ela sentiu seu olhar ficar preso ao dele por um instante em que nenhum dos dois conseguiu falar nada. Engolindo a própria saliva, desconcertado, Sergio virou o resto de uísque e acenou para ela, começando a se afastar.

Então, como se o uísque que desceu queimando a sua garganta fosse algum tipo de coragem líquida, Sergio virou-se para encontrá-la com o olhar perdido em seu copo.

“Raquel?”

“Oi?” Ela levantou a cabeça para encontrar um olhar convidativo de Sergio em sua direção. Ela não conseguia entender – como só um olhar dele fazia um calor surgir no espaço interno entre suas costelas?

Ele sorriu quando os olhos dela encontraram os dele.

“Se vocês decidirem ir pra festa… ficarei feliz em te ver.”

 


As I age it sinks deeper in
This life is temporary, it's all gonna end
This is all gonna end
It's just a little love that I need
It's just a little love that I need
It's just a little love that I need
It's just a little love that I need


All these moments become memories
I don't wanna wake up one day thinking what did I miss
I fear my own fate
I don't wanna wake up one day thinking
Where the hell have I been?

 



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