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História Fora de Ordem - Capítulo 16


Escrita por: klgodevi

Notas do Autor


Olá pessoal, tudo bem?
Hoje veremos o resultado da dança entre Darcy e Elizabeth com os irmãos Wickham!!! E uma outra dança para cada um deles também...
Esse capítulo é importante e mostra claramente o desenvolvimento da personalidade mais independente de Darcy.
E tem uma situaçãozinha que eu acho que vocês vão gostar!!! hauhauhauah
Enfim... boa leitura, pessoal!!!

Capítulo 16 - Fogo Cruzado


Fanfic / Fanfiction Fora de Ordem - Capítulo 16 - Fogo Cruzado

16 – Fogo Cruzado

Se colocando o mais distante possível de sua parceira de dança, Darcy olhava por cima dela diretamente para o local onde Elizabeth estava naquele momento nos braços de Wickham, que tinha os lábios incomodamente próximos a orelha da sua esposa enquanto dizia algo. Pela tensão que notou no corpo dela, ele sabia que Elizabeth não estava feliz.

Um aperto em seu ombro o lembrou que ele não estava dando a mínima atenção para o que sua companheira estava falando. “Desculpe, o que você disse?”

Engolindo o insulto de ter sido ignorada, Angela se repetiu. “Eu disse que foi uma grande surpresa quando os jornais divulgaram seu casamento. Não me leve a mal, sua esposa é bonita, mas não é o que se esperava para ser a Sra. Darcy.”

Darcy quase revirou os olhos, cansado e irritado por parecer que todo mundo tinha uma opinião a respeito do que se esperava da sua esposa. Era ridículo. “E o que se esperava?” Ele não tentou esconder o aborrecimento da voz.

Angela sorriu e piscou algumas vezes de uma maneira que acreditava ser sedutora. “Você sabe... alguém de família nobre e antiga, conhecida no nosso meio. Talvez a filha de algum parceiro de negócios, ou que seja próximo a sua família. Pelo menos uma mulher com alguma conexão, ou uma fortuna. Todos sabemos que a Sra. Darcy não é nada disso.”

“Se eu quisesse alguém assim, teria me casado há muito tempo... não entendo por que as pessoas esperavam isso. É muito claro que ninguém que se encaixe na sua descrição me atraía.” Ele respondeu com os olhos fixos em Elizabeth, que tinha se afastado ligeiramente de Wickham e o fitava com olhos estreitos enquanto ele ainda falava com um pequeno sorriso no rosto.

Darcy sentiu a mão de Angela, que estava apoiada em seu ombro, deslizar até seu pescoço. “Talvez, se você tivesse dado uma chance, faria uma escolha melhor.”

Darcy ficou tenso com o comportamento escandaloso da mulher. “Melhor? Eu não vejo como ser possível uma escolha melhor do que a minha esposa. Se eu optasse por qualquer outra mulher, ficaria preso a um casamento infeliz com alguém que eu não admiro, não respeito e não amo. Não, obrigado.”

Angela mordeu os lábios e sorriu. “Você pode se surpreender, Darcy. Eu, por exemplo, poderia mostrar o quanto uma mulher superior poderia te agradar.”

Darcy olhou para ela com desgosto e decidiu ser direto sem se incomodar se estava sendo grosseiro. Por sorte, a música estava no fim. “Srta. Wickham, eu serei sincero com você, já que minhas sutis tentativas no passado parecem não ter funcionado. As poucas vezes que eu conversei ou dancei com você foi por pura obrigação e não me impressionaram. Nada em você me atrai. Nem sua pouca beleza, nem sua escassa inteligência e muito menos suas tentativas vulgares de me bajular. Você insinua ser uma escolha melhor que minha esposa? Você se atira em um homem casado, há poucos metros da esposa deste homem e se diz superior? Desculpe, mas nós temos opiniões diferentes do que é realmente uma mulher de valor.”

A música terminou naquele momento e Darcy olhou rapidamente para Elizabeth, percebendo que ela falava algo com um sorriso que ele conhecia muito bem enquanto Wickham parecia um pouco pálido e sério. “Com licença, eu vou voltar para a minha esposa, que é superior a você em todos os sentidos.” Ele a deixou no meio da pista de dança em choque.

***

Pela forma tensa que Darcy tinha se separado dela, Elizabeth soube imediatamente que aqueles dois não eram amigos. Wickham estava próximo demais, a fazendo desconfortável, e assim que ele se inclinou para falar em seu ouvido, ela soube que não apreciaria aquela dança.

“Sabe, Sra. Darcy, seu marido sempre foi um homem correto demais e muito previsível... chato até. Nunca fazia nada sem antes pensar exaustivamente... não tinha escândalos e nem histórias obscuras... até aparecer inesperadamente casado com você... e em Las Vegas de todos os lugares... Diga-me, qual foi a quantidade de álcool que ele tomou para você convencê-lo a fazer isso?”

Mantendo uma expressão neutra, Elizabeth resolveu não comprar o insulto. “E por que você acha que foi necessário álcool para fazermos isso?”

Wickham riu. “Ora, vamos, Sra. Darcy, você honestamente pode dizer que Darcy estava em seu juízo perfeito quando se casou?”

“Como você mesmo disse, o Sr. Darcy é um homem correto demais para fazer algo sem antes pensar exaustivamente. E por que não Las Vegas? Tivemos bons dias com nossos amigos mais íntimos e nosso casamento foi exatamente como gostaríamos. Não temos necessidade de montar um circo.” Elizabeth tentou soar o mais indiferente possível com o ataque.

Wickham sorriu e a olhou de uma forma que a fez se afastar ligeiramente. “Eu não estou criticando, minha cara, eu até entendo porque Darcy quis um tempo com você... quem não gostaria de aproveitar uma mulher deliciosa por tempo determinado? Eu só não entendo a necessidade do casamento... Talvez, quando isso chegar ao fim daqui alguns meses, eu possa entrar em um outro tipo de arranjo com você. Prometo que sou muito mais divertido do que o frio Sr. Darcy.”

Elizabeth sentiu-se abalar com o que Wickham tinha acabado de dizer, mas se controlou magistralmente e decidiu se fazer de confusa para descobrir o que ele sabia. “Eu não compreendo o que você quer dizer.”

“Eu estou falando de um certo contrato de casamento com algumas estipulações e um pagamento... um contrato que o tio do seu marido pediu para o meu pai elaborar. Eu achei extremamente interessante, eu nunca tinha visto igual antes.” Wickham a olhava com uma expressão vitoriosa, com a certeza que tinha Elizabeth em suas mãos.

Elizabeth olhou para o homem a sua frente e sentiu seus próprios lábios se curvarem. Ela nunca deixaria um cafajeste daqueles fazer ameaças veladas a ela. “O Sr. Fitzwilliam é um tio muito dedicado ao bem-estar do sobrinho e se considera muito mais responsável por ele do que realmente é. Acreditando que eu e William não tínhamos um contrato pré-nupcial, ele foi solícito o suficiente para tomar a tarefa em mãos... mas descobriu que não era necessário, já que nós já tínhamos elaborado e assinado um contrato antes.” O sorriso de Elizabeth ficou ainda maior. “Agora, o que eu gostaria de saber, é como um contrato tão confidencial e privado foi parar nas mãos do filho do advogado que o elaborou... Eu sempre acreditei que a confidencialidade entre advogado e cliente fosse algo muito importante... uma questão de ética, sabe? O tio do meu marido vai gostar de saber que o filho do seu advogado gosta de discutir seus negócios pessoais no meio de um salão de baile lotado.”

Deliciada com o semblante pálido e os olhos arregalados do homem, Elizabeth viu Darcy se aproximar e esticou a mão com um de seus famosos sorrisos. Wickham tentava chamar sua atenção gaguejando algumas palavras nervosamente.

“Ah, aqui está meu querido marido. Obrigada pela dança, Sr. Wickham. Foi divertido!” Elizabeth segurou as mãos de Darcy com força e ele a puxou para dentro de seu abraço, se afastando rapidamente de um George Wickham sem reação.

“Por que eu acho que sua dança foi tão desagradável quanto a minha?” Darcy perguntou fazendo uma carícia inconsciente nas costas dela.

“Porque foi.” Elizabeth sentia tanta raiva por ser praticamente chantageada em um local como aquele que nem percebeu o quanto se agarrava em Darcy.

“Ele insultou você de alguma maneira, Elizabeth?” Darcy perguntou preocupado, procurando a verdade nos olhos dela.

Elizabeth suspirou. “Nós podemos ter um problema... e devemos agradecer seu tio por isso.”

Darcy continuou a observá-la em confusão. “Eu não entendo...”

“Você disse que o pai do Sr. George Wickham é advogado do seu tio... quem você acha que elaborou aquele contrato que seu tio insistiu que nós assinássemos?” Elizabeth olhava para ele com uma sobrancelha arqueada.

Darcy franziu ainda mais a testa. “Mas... Wickham nem mesmo é advogado... ele começou a faculdade, mas parou de estudar várias vezes... eu nem sei o que ele faz hoje... ele não deveria saber sobre o conteúdo dos documentos e contratos dos clientes do pai dele. Isso é uma quebra de confiança grave. Muito grave.”

Elizabeth acenou com a cabeça. “Exatamente. E agora, graças ao seu tio e ao advogado não confiável, aquele idiota com quem eu estava dançando sabe que nosso casamento tem data definida para acabar. Eu não sei se você leu o contrato, eu não li, mas pelo que ele disse eu receberia um pagamento pelos meus... serviços. Isso faz com que eu pareça uma vulgívaga. Faz com que eu me sinta suja.”

Darcy sentia o corpo dela trêmulo e sua raiva contra seu tio alcançava patamares elevadíssimos. “Você é a mulher mais decente e maravilhosa que eu conheço e eu nunca pensaria isso de você. Por favor, não se sinta assim. Você pode ter certeza que meu tio vai ouvir sobre isso. Eu prometo a você que eu vou fazer de tudo para que a minha família não te perturbe mais.” Ele beijou os cabelos dela e Elizabeth apertou seu abraço.

“Eu só não fico mais abalada porque eu acredito que o Sr. Wickham não vai falar nada sobre esse contrato com ninguém.”

“Por que você acha isso?” Darcy perguntou curioso.

“Porque eu disse para ele que o seu tio vai gostar de saber que o filho do seu advogado tem conhecimento sobre seus negócios pessoais.”

Darcy sorriu para Elizabeth, orgulhoso do pensamento rápido da sua esposa. “Eu só não entendo por que ele resolveu compartilhar isso com você... O que ele esperava ganhar?”

Elizabeth respirou fundo para controlar seu temperamento. “Eu acredito que ele queria me coagir a entrar em algum tipo de acordo com ele depois que nosso casamento acabasse... ou mesmo durante. Provavelmente ele tentaria alguma chantagem para... se aproveitar de mim, se é que você me entende.”

Elizabeth percebeu que falou o que não deveria quando Darcy a soltou e olhou ao redor a procura de Wickham. “Eu vou matá-lo aqui e agora.” Os dentes de Darcy estavam à mostra, rangendo de raiva.

Elizabeth arregalou os olhos ao ver uma fúria que nunca tinha testemunhado em Darcy. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos. “Por favor, William, não vá fazer uma besteira. Ir atrás dele para tirar satisfação só vai nos prejudicar. Converse com o seu tio e faça com que ele limpe a sujeira que ele mesmo fez.”

Darcy sabia que ela estava certa. A raiva que sentia de Wickham só não era maior do que a ternura por ter Elizabeth segurando seu rosto com tanto cuidado. Ele respirou fundo tentando se acalmar, mas era difícil tirar a imagem da sua esposa sofrendo esse tipo de constrangimento por culpa dele mesmo. Tudo o que ele queria naquele momento era estrangular Wickham com as próprias mãos, sem se importar com as testemunhas.

Elizabeth percebeu que várias pessoas olhavam para eles e sussurravam uns aos outros. “Droga... parece que nós estamos tendo uma briga... isso não vai nos ajudar em nada se aquele crápula decidir arriscar e compartilhar o conteúdo do contrato com outras pessoas.” Ela olhou para Darcy como se estivesse em uma discussão com ela mesma antes de falar o que ele não esperava. “Me beije.”

Por um momento, Darcy pensou que tinha imaginado aquelas palavras. Os pensamentos sobre Wickham desapareceram de sua mente como mágica. “O que?”

“Vamos, Darcy, me beije... não vai ser tão ruim... eu prometo.” Elizabeth revirou os olhos.

Sem esperar nem um segundo a mais, Darcy a puxou e cobriu os lábios dela com os dele em um beijo apaixonado, lento e profundo. Sem pensar, seus braços circularam o corpo dela, a puxando contra ele. Uma de suas mãos pressionou a parte baixa de suas costas e a outra subiu lentamente por toda a coluna até a parte de trás do pescoço. Ele estava completamente perdido naquele momento e desejava nunca mais parar. Deus, é muito melhor do que eu lembrava e sonhava, ele pensava enquanto prolongava o momento o máximo possível.

Quando ela ordenou que ele a beijasse, não esperava que aquele fosse o melhor beijo de sua vida. Era perfeito. O gosto e a maciez dos lábios dele, o toque de sua língua se entrelaçando com a dela, as mãos correndo deliciosamente por suas costas, a rigidez de seu corpo pressionado ao dela... por um momento ela sentiu-se leve, como se fosse desmaiar.

Darcy prendeu o lábio inferior de Elizabeth entre os dentes por um momento antes de se separarem lentamente. Eles ficaram se olhando, maravilhados com aquele momento. Quando Darcy estava abaixando sua cabeça para compartilhar outro beijo, Anne apareceu ao lado deles, quebrando totalmente o feitiço que tinha se apoderado dos dois. “William, você não me convidou para dançar nenhuma vez.” Ela os interrompeu, e Darcy e Elizabeth perceberam Catherine os observando com um semblante irado.

Aquilo era a última coisa que Darcy queria fazer e a aversão que sentia por Anne naquele momento atingia patamares nunca antes alcançados. Antes de se recusar, ele escutou Elizabeth limpando a garganta com o rosto muito corado, parecendo bastante desorientada.

“Claro. Eu não posso monopolizar meu marido a noite toda.” Ela respondeu e andou em direção a mesa onde o restante da família estava, mas foi interceptada por Richard no caminho, a convidando para uma dança.

Anne não perdeu tempo em se pendurar no pescoço de Darcy e ele descobriu que sua tia e sua prima estavam mais delirantes do que ele imaginava. “Minha mãe disse que seria bom sermos vistos juntos com mais frequência, William... Assim, quando anunciarmos nosso casamento depois do seu divórcio não será surpresa para ninguém.”

Darcy, sentindo seu próprio corpo repelindo o contato com ela, percebeu que aquela seria uma noite de afastar mulheres indesejáveis. Estava na hora de colocar um fim naquela história. Ele sabia que um salão de baile não era o melhor lugar para fazer aquilo, mas naquele momento ele não se importava. Ele só queria voltar para Elizabeth. “Não há necessidade porque nunca vai ocorrer um casamento entre mim e você. Se eu concordasse com isso, já estaríamos casados há muito tempo. Eu não entendo como tia Catherine e você acreditam nessa bobagem até hoje. Às vezes eu acho que vocês deveriam fazer um tratamento psicológico, porque isso não pode ser normal...”

Anne arregalou os olhos. “Mas... minha mãe afirma que isso vai acontecer praticamente desde que eu era uma criança e você nunca disse o contrário.”

“E também nunca concordei... entretanto, eu reconheço que foi um erro não ser mais explícito, então, vou corrigir isso agora: Anne, eu NUNCA cogitei um casamento entre nós dois. Isso jamais vai acontecer. Mesmo se eu não estivesse casado com Elizabeth, eu NÃO me casaria com você. NADA me fará mudar de ideia e eu espero que daqui em diante você e sua mãe ilusória esqueçam essa besteira.” Ele foi enfático em suas palavras, não deixando dúvidas sobre sua opinião no assunto.

Anne estava chocada. Ela concordava que Darcy nunca falava sobre a possibilidade de um casamento com ela, mas ele também não negou, por isso ela confiava na certeza de sua madrasta. “Minha mãe ficará muito descontente. Ela não vai aceitar isso.”

Darcy revirou os olhos e suspirou, colocando o máximo de espaço entre ele e ela. “Eu não posso ser feliz e fazer todos ao meu redor feliz ao mesmo tempo. Eu garanto que sua mãe vai superar... eventualmente. E se não superar, ela vai apenas ter que viver com isso... eu simplesmente não me importo mais.”

“Ela ficará muito irritada com você.” Ela insistiu, percebendo que todos os seus planos estavam fadados ao fracasso.

“Não mais irritado do que EU estou com ela por todos esses anos tentando decidir meu futuro em um assunto tão importante. E eu aconselho a você não a deixar comandar seu destino também. Eu sinto muito se minha falta de atitude te deu esperança, mas eu NUNCA concordei e NUNCA vou concordar com as demandas que nenhum dos meus tios fazem em relação a minha vida pessoal.” Ele olhou ao redor e viu com desgosto quando Richard ria de algo que Elizabeth disse, e ficou ainda mais descontente quando em seguida ele se inclinou e a beijou na testa enquanto ela ria revirando os olhos. Ele agradeceu a Anne pela dança com muita ironia, e andou em direção ao seu tio enquanto Elizabeth era levada para outra dança pelo Sr. Rodwell.

***

Completamente atordoada com o beijo que compartilhou com Darcy, Elizabeth caminhou de forma instável para a mesa até que um sorridente Richard bloqueou seu caminho. “Minha querida e mais nova prima! Você me daria a honra desta dança?”

Seria a primeira vez que ela conversaria com ele sozinha depois do casamento. Durante a viagem a Las Vegas, eles tinham se dado muito bem e Elizabeth sentia uma verdadeira simpatia pelo homem engraçado e divertido, mas depois que ele ficou em silencio enquanto toda a família a atacava, ela o via com desconfiança.

“Vamos, Lizzie... não fique tão séria. Nós estávamos nos tornando bons amigos antes disso tudo.” Richard a provocou com humor.

“É verdade... até sua conivência quando seu pai me chamou de muitos nomes interessantes e tentou me forçar a assinar um contrato onde eu seria basicamente um fantoche.” Elizabeth respondeu com sua costumeira honestidade.

Richard se sentiu um pouco envergonhado, mas não era um homem de se abalar. “Nós só estávamos tentando proteger William... não sabíamos nada sobre você.”

“Exatamente! Não sabiam NADA sobre mim. Eu concordo com o contrato, afinal, eu mesma elaborei um, mas tentar me controlar e me insultar não era necessário. Como você disse, não me conheciam e não me deram nem mesmo o benefício da dúvida. Mesmo você, que tinha convivido comigo por alguns dias, me julgou sem pensar duas vezes.” Elizabeth falava tudo sem demonstrar nenhuma emoção. Seu rosto sereno enquanto percebia algumas pessoas a observando.

“Eu peço desculpas por isso e aprendi minha lição. Você é uma ótima professora. Aquele contrato que você elaborou calou minha boca para o resto da vida.” Ele declarou tentando fazer humor da situação. “Espero que com o tempo você perceba que eu não pretendo te causar nenhum mal.” Ele concluiu com um sorriso charmoso.

“Eu não preciso de tempo, Richard, eu vejo você como uma mosca trancada na sala: incomoda, mas não prejudica ninguém.” Elizabeth respondeu enquanto assistia Darcy falar muito seriamente com Anne.

“Ouch... isso doeu.” Richard respondeu com uma mão no coração fingindo mágoa.

“Ah, por favor... como se minha opinião fosse de alguma importância para você ou para qualquer pessoa da sua família.”

“Talvez você se surpreenda... quando me conhecer melhor, vai aprender a apreciar o Richard Fitzwilliam que é sempre amigável e divertido.” Ele piscou para ela e Elizabeth riu.

“Eu posso estar errada, mas acho que já decifrei você, Richard Fitzwilliam.” Elizabeth se orgulhava de ser uma ótima leitora de personagens. Somente Darcy era difícil.

“Por favor, eu adoraria saber sua conclusão. Use toda a sua infinita sabedoria em mim.” Richard ofereceu com confiança.

Elizabeth mordeu o lábio inferior por um momento e um minúsculo sorriso curvou seus lábios. Um sorriso um pouco perverso. “Você é o típico cara que faz graça para encobrir o quanto sua vida é vazia. Você se diverte com muitas mulheres, viagens, bebidas, festas... conversa facilmente com todo mundo e precisa agradar seus pais para continuar a receber uma mesada que eu acredito ser generosa... contudo, no final do dia, você sente falta de algo mais. Sua reação ao meu casamento com William foi de desconfiança e insegurança porque você se importa, mas não sabe como agir. Por isso seguiu as atitudes do seu pai cegamente, tentando se convencer que era o melhor para o seu primo. Você olha para o William e vê um homem bem-sucedido com milhares de responsabilidades e se pergunta se seria capaz de fazer tudo o que ele faz. Eu tenho certeza que você admira William e não deseja nenhum mal a ele, por isso, você tem meu respeito. Talvez, o dia que você se cansar dessa vida despreocupada, você poderá entender que é tão capaz quanto William e vai assumir responsabilidades de um adulto ao invés de se comportar eternamente como um moleque. Eu não desgosto de você, Richard. Talvez um dia nós seremos bons amigos... quem sabe?” Ela falou tudo em um só fôlego, olhando o rosto de Richard como se estivesse fazendo uma análise profunda.

Por um segundo, o sorriso que Richard sempre usava escorregou de seu rosto. Ele olhou para Elizabeth com admiração. Ela estava literalmente no meio de pessoas que não tinham mostrado nenhuma simpatia por ela e os enfrentava com coragem, demonstrando sua força e tenacidade.

“Você é uma valiosa adição a esta família, Elizabeth.” Ele declarou rindo e a beijou na testa.

Elizabeth riu e revirou os olhos. “Você é um homem estranho, Richard Fitzwilliam.”

A dança terminou e o anfitrião, Sr. Rodwell, andou até Elizabeth e galantemente a convidou para uma dança, que ela aceitou com um sorriso gracioso.


Notas Finais


E então, pessoal?? O que acharam??
As respostas de ambos foram dignas do que vocês esperavam? E quanto ao desenvolvimento da personalidade mais madura e autoritária de Darcy? Consegui desenvolvê-la bem?
Por favor, deixem sua opinião!!
Obrigada!! Bjs


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