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História Fora de Planos - Capítulo 2


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Notas do Autor


oi anjos!
puts, foi mal por demorar tanto pra voltarkkkkkk eu ando com uns probleminhas que tao me dando muito trabalho pra resolver. mas enfim.

eu não sei o que achar desse cap, mas eu acho que ele ta fofinho :( e ele é super importante porque da liberdade pra que os jikook finalmente conversem fora do castelo, mais livres sabe? enfimkkkkk espero que vocês gostem, e obrigado pelos favoritos aaaaa <3

Capítulo 2 - O Sabor da Liberdade


Fanfic / Fanfiction Fora de Planos - Capítulo 2 - O Sabor da Liberdade

2 | O Sabor da Liberdade

@hopewxrlds

✹✹✹

Após uma rebobinagem mental rápida aos acontecimentos dos últimos minutos, Jeongguk não conseguia evitar de se perguntar como diabos tinha conseguido a proeza de transformar uma simples noite de insónia numa situação tão esquisita quanto aquela.

O alvoroço que tinha tomado conta de tudo há momentos atrás tinha agora esmorecido, dando lugar a um silêncio que o estava deixando agoniado a níveis absurdos; tudo piorava quando, pelo canto do olho, via Jimin jogado no chão enquanto massageava a garganta com calma, aparentando não ter intenção nenhuma de se mexer dali tão cedo. E, como se isso por si só já não fosse irritante o bastante, Jimin permanecia em absoluto silêncio, contrariando as suas próprias palavras.

O alfa grunhiu baixinho ao sentir a cabeça latejar como se fosse explodir a qualquer momento, frustrando-se por não saber como se comportar diante daquela situação; deveria insistir com Jimin para que ele lhe desse uma explicação ou simplesmente esperar que o ômega o fizesse por vontade própria? Devia ouvir o que ele tinha para lhe dizer, ou simplesmente denunciá-lo aos guardas, como era seu dever como general?

No fim, todas essas perguntas acabaram por ser varridas da sua mente, ignoradas e vencidas pela curiosidade aliada ao nervosismo que corroía o general de dentro pra fora desde que tinha cruzado o olhar com o de Jimin naquela noite; desde esse segundo, o ar parecia parecia estar se tornando cada vez mais rarefeito, e respirar estava se tornando uma tarefa bem mais árdua do que precisava ser.

Céus, Jeongguk precisava que Jimin falasse alguma coisa logo, ou teria um troço ali mesmo.

— Então...? — Jeongguk pigarreou, chamando a atenção de Jimin de volta para si. — Eu ainda estou esperando por um bom motivo para você estar fora dos seus aposentos a uma hora dessas, Jimin.

Jimin sorriu pequeno, meio torto e esquisito, deixando o maxilar marcado ainda mais evidente. Os olhos escuros e pequenos, e no entanto absurdamente intensos, o olhavam com atenção, como se estivessem tentando ler a sua mente e suas intenções, e Jeongguk não pôde evitar de engolir em seco quando Jimin deu de ombros, se preparando para ouvir a resposta que, para sua surpresa, chegou a si com toda a naturalidade do mundo:

— Eu estava fugindo, meu caro general.

De todas as abordagens que podia ter escolhido para responder a todas as perguntas que Jeon lhe fazia com o olhar, Jimin escolheu ser direto; inevitavelmente, isso gerou uma reação imediata no Jeon, o fazendo arregalar os olhos em surpresa, deixando bem claro que aquilo não era algo que ele estava à espera de ouvir, ainda que não estivesse esperando por nada em específico.

— Você… o quê? — Perguntou, piscando devagar, assimilando aos poucos informação que Jimin descarregou nele. — Como você me diz uma coisa dessas assim, Park?!

Jimin quase riu, porque aquela era a exata reação que esperava do Jeon; aos seus olhos, ele sempre era tão transparente quanto a água fresca que corria no rio.

— Adiantava de algo tentar esconder ou mentir pra você? Eu já tô na bosta, Jeon, não tem como ficar pior. — Falou, dando de ombros indiferente.

Jeongguk continuou sério por breves momentos, deslizando sorrateiramente até estar sentado no chão, a pelo menos um metro de distância do Park.

— Eu podia te denunciar por isso. Na verdade, eu devia te denunciar. — Falou, e viu Jimin assentir, ciente. — Se sabe, porque me contou?

— Porque eu sei que você não vai dizer nada.

— Não vou? — Jeongguk franziu o cenho pela certeza que Jimin tinha posto nas suas palavras.

— Não. — O ômega sorriu, apontando com o dedo para as leves marcas de mãos que começavam a aparecer no seu pescoço. — Ou eu abro o bico e digo que você tentou me matar.

O quê? — Jeongguk arregalou os olhos, indignado pela ousadia. — Você sabe tão bem quanto eu que a culpa disso foi sua!

— E daí? Acha que meu pai vai acreditar em você, alfa?

Jeongguk calou-se, fazendo um bico chateado; sabia que Jimin não arriscaria o seu pescoço ao dizer tal coisa ao rei mas, aparentemente, nem a decência de parecer sem graça pela própria burrada ele tinha.

— Porque você precisa sempre fazer questão de me lembrar o quão irritante você é, ein? — O moreno perguntou, vendo o bastardo rir baixinho, encolhendo o corpo até estar com o queixo apoiado nos joelhos sem se sentir afetado por aquelas palavras. A verdade é que eles estavam terrivelmente acostumados com a comunicação em negativa, palavrões sendo gastos sem seu real sentido naquela relação retorcida e, de certo modo, terrivelmente pessoal.

— Isso é o que você diz a si mesmo para que a vergonha de perder pra mim se torne tolerável. Relaxa, já passei por isso.

Jeongguk riu soprado, apoiando as costas na parede de forma mais relaxada, deixando um silêncio mais confortável que o anterior cair entre eles, erguendo uma parede invisível entre seus corpos.

— Porque queria fugir? — Perguntou a certa altura, tão baixinho que, se não estivesse tudo tão silencioso, Jimin duvidava que tivesse ouvido.

Desta vez, o ômega ponderou a resposta por breves segundos; a verdade é que os motivos eram muitos, mas não era como se fosse confessá-los a todos logo para Jeongguk; ainda assim, apreciava a preocupação.

— Porque me apeteceu, Jeongguk. — Foi o que acabou por dizer, vendo Jeongguk arregalar os olhos pela milésima vez só naquela noite, abrindo e fechando a boca como quem procura uma resposta. Revirou os olhos. — O quê? Eu queria ver como funcionam as coisas do outro lado das muralhas, e já que não posso sair daqui durante o dia, esse foi o jeito que eu achei. Qual o problema nisso? Eu não ia sumir pra sempre, não precisa ficar olhando pra mim com essa cara de peixe morto.

Jeongguk o fitava em silêncio, a expressão vazia em conjunto com o brilho fosco que tomou conta dos seus olhos servindo para fazer o ômega se sentir meio mal consigo mesmo; por reflexo, se afastou.

— Pare com isso.

— Eu não estou fazendo nada.

— Está me olhando com pena, Jeongguk. Não faça isso. Não você.

Silêncio. Jeongguk parou de encarar o ômega, só agora parecendo se dar conta da maneira com que o fazia, e passou a encarar o chão, pensativo.

— O que foi agora, cabeção?

— Você… você nunca saiu do castelo sozinho? Nem quando era criança? — Jimin suspirou, negando. — Deuses… parece que vou ser eu a ter de resolver isso então.

E, sem dizer mais nada, Jeongguk ergueu o corpo do chão sob o olhar pesado do ômega, indo diretamente até ao pequeno armário de madeira que usava para guardar as poucas roupas que tinha. Abriu a última gaveta e remexeu lá por alguns segundos, sorrindo ao encontrar uma camisa meio velha, uma calça e um colete que Jimin não percebeu muito bem para que servia. E então, nem meio segundo depois, Jimin viu o Jeon atirar os tecidos na sua cara, e se segurou para não os fazer voar de volta.

— O que está fazendo, doido?

— Você quer sair do castelo, não quer? — O alfa perguntou de volta, vendo Jimin assentir com o rosto contorcido num misto de curiosidade e confusão. — Então veste isso. E não faz essa cara de nojo pra mim, essas roupas são velhas mas estão limpas.

— O que- — Jimin piscou uma, duas, três vezes enquanto encarava as peças de roupa espalhadas no seu colo, fitando Jeongguk meio confuso. No entanto, ao perceber o que o alfa estava querendo dizer, o Park fechou os punhos, ofendido. — Jeongguk, eu não preciso da sua ajuda.

Jeongguk parou instantaneamente o que fazia, olhando o ômega nos olhos por longos segundos, analisando as faíscas orgulhosas de raiva que passavam por eles. No fim, acabou dando de ombros, acostumado a lidar com o jeito meio estressado com que o ômega sempre agia consigo.

— Eu nunca disse que precisava de mim, Jimin. Eu estou me oferecendo pra te ajudar porque eu quero, não precisa ficar tão na defensiva. — Suspirou. — Não sei o que você pensa de mim, mas poxa, eu achei que já tivessemos passado desse ponto de ficar desconfiando das intenções um do outro, não?

Jimin ficou em silêncio, absorvendo as palavras do alfa. Era verdade que Jeongguk nunca tinha feito nada para o machucar — até porque a esmagadora maioria os combates físicos que tinham um com o outro partiam da iniciativa do Park —, e também era verdade que ele nunca tinha usado a sua classe de alfa contra si; Jeongguk sempre o respeitou muito, até mesmo quando ele não merecia, e foi por isso que Jimin se deixou aproximar dele de forma tão pacífica. Ainda assim...

— Eu não estou desconfiando de você Jeon, eu só… não entendo porquê.

— Porquê o quê? — O alfa perguntou de volta, continuando a procurar o que quer que fosse que ainda houvesse para ser encontrado naquele armário.

— Porque você me ajudaria com isso, mesmo sabendo que é perigoso. — Jimin argumentou. — A gente tá ferrado se formos apanhados tentando fugir.

— Isso não pareceu te incomodar antes.

— Porque se eu fosse apanhado sozinho eu não arrastaria mais ninguém pro fundo junto comigo, seu idiota. — Jeongguk não conseguiu segurar a risada, encarando Jimin pelo canto de olho. — Para de rir, isso é sério! Você pode perder seu emprego! Deuses, você pode perder seu pescoço!

— Ah, então tá preocupadinho comigo, é?

— Não! — O ômega respondeu, um pouco mais alto do que pretendia. Jeongguk o encarou com aquele sorrisinho irritante dele, e Jimin ignorou o breve rubor que passou pelas suas bochechas por brevíssimas frações de segundo e bufou alto. — Eu só… 

— Ah Jimin, para de tentar arranjar desculpas e aceita logo a minha ajuda, vai. Você sabe que ter alguém que conhece o vilarejo tão bem quanto conhece as defesas desse castelo te dá uma vantagem enorme nesse plano maluco. — Jimin calou-se, cruzando os braços na frente do peito. O que ele podia dizer? O desgraçado tinha razão, no final das contas. — Confia em mim, vai? Deixa de ser tão orgulhoso.

Jeongguk estendeu a mão para ajudar Jimin a levantar do chão, sorrindo pequeno e, após um momento de curta deliberação, Jimin a segurou, bufando alto e completamente emburrado.

— Onde é seu banheiro? — Perguntou, apertando as roupas que Jeongguk lhe tinha dado pra vestir contra o peito. 

— Eu te pareço alguém que tem um banheiro privado, por acaso? — Jeongguk perguntou, querendo rir do jeito que Jimin pareceu ficar ainda mais puto com aquela nova informação. — Se troca aí, alteza. E rápido, antes que eu mude de ideias.

Jimin bufou outra vez, começando a tirar a roupa do corpo de forma meio desengonçada, sentindo o corte no braço doer quando o tecido da camisola esbarrou na pele machucada; talvez fosse mais fundo do que Jimin inicialmente pensou que fosse, afinal.

— Isso não é jeito de falar com o seu príncipe. — Resmungou. — Está olhando o quê, ein? Vira pra lá, anda!

Jeongguk nem se apercebeu que estava parado feito um idiota no meio do quarto encarando o peito nu do ômega, chocado e ocupado demais sentindo o cheirinho gostoso que saía da pele dele; era a primeira vez que o sentia.

Jimin sempre foi muito cuidadoso, muito controlado com os próprios instintos e sempre insistiu em usar roupas que não permitiam que a sua fragrância escapasse tão fácil assim numa tentativa de esconder uma natureza que não tinha como ser escondida.

Porém aquele maldito cheiro doce, mesmo que fosse bem fraquinho por Jimin não ter qualquer intenção de o espalhar, tinha pego o general desprevenido, despertando algo profundo dentro dele que não dava para silenciar; Jeongguk quase conseguia sentir o gosto de limão e baunilha na língua, as mãos tremendo em ansiedade por não saber muito bem o que estava acontecendo consigo; de repente, se viu se perguntando se Jimin também conseguia sentir o seu cheiro do mesmo jeito que ele conseguia sentir o dele, e pior: inconscientemente desejando que sim.

Um arrepio forte subiu-lhe pela espinha quando ele inspirou uma maior quantidade de ar e, por um efêmero momento, os seus olhos brilharam num dourado bonito; no entanto, quando se deu conta de onde os seus pensamentos estavam indo, Jeongguk pigarreou, passando a mão no nariz enquanto forçava uma tosse. O dourado desvaneceu como se nunca tivesse sequer existido.

— Você não tem aí nada que eu não tenha também. — Falou o óbvio, vendo Jimin estreitar os olhos.

— Então abaixa a calça e vê o seu pau, tá querendo ver o meu pra quê? Vira logo Jeon, não temos a noite toda!

Jeongguk revirou os olhos, erguendo as mãos ao se virar para a parede.

— Pronto princesa, não tô olhando. — Falou num tom fino e debochado, aproveitando para começar a mudar de roupas também. — Você é muito irritante, sabia?

— Olha só quem fala. — Jimin retrucou, vestindo a calça o mais rápido que conseguiu antes que o Jeon decidisse se virar para si de novo.

— Pelo menos eu vou te levar lá fora, como você quer.

— Você que se ofereceu, seu doido! E pelo menos você tá servindo para alguma coisa, né? Devia me agradecer.

Eu devia agradecer? — Jeongguk fechou os olhos, balançando a cabeça como se fosse realmente muito melhor que aquilo, e Jimin se permitiu sorrir, sabendo que o alfa não veria. — Mas é um folgado mesmo…

— Ah, cala a boca garoto. — Jimin falou, deixando escapar um gemidinho de dor quando o tecido da camiseta voltou a encostar na ferida aberta. — Merda…

— O que foi? — Jeongguk perguntou preocupado, se virando imediatamente para verificar se o mais velho estava bem. Se esqueceu momentaneamente do esforço que estava fazendo para ignorar o cheirinho doce que se espalhava pelo quarto, e que dar de caras com cada músculo definido do corpo do Park talvez não fosse exatamente a melhor ideia; no entanto, foi só ver o líquido vermelho escorrendo pela pele do braço ômega para que essa linha de pensamentos se estilhaçasse imediatamente. — Deuses Jimin, você tá sangrando!

— É, eu sei. Tem algum trapo que dê para eu enrolar no braço? — Jimin perguntou casualmente, como se não tivesse um corte enorme que não parecia nada disposto a parar de sangrar tão cedo. — É um pouco mais fundo do que eu pensei…

Um pouco mais fundo? — Jeongguk repetiu, se aproximando para ver melhor o corte e ficando incrédulo com o pouco caso que o mais velho estava fazendo. — Jimin, isso tá horrível! Você precisa lavar essa ferida antes que infete!

— Também não é preciso isso tudo… Falando assim parece até que meu braço vai cair. — Jimin revirou os olhos. — É só um cortezinho besta, está tudo bem, sério. Já sobrevivi a pior.

— Mas-

— Um trapo, Jeongguk. — Jimin cortou, mas Jeongguk ainda não parecia muito convencido em deixar que Jimin simplesmente enrolasse um pedaço de pano e deixasse aquilo ficar ainda pior do que já estava. — Qual é, Jeongguk? Você nunca hesita em me socar quando estamos no campo de treino e agora tá todo nervosinho pela porra de um corte sem importância?

Jeongguk travou, subindo o olhar para as feições retorcidas em impaciência de Jimin. Abriu a boca para responder que a situação era totalmente diferente, mas voltou a fechá-la quando percebeu que não tinha qualquer direito de dizer a Jimin o que devia ou não fazer; além da fraca relação que mantinham, Jimin ainda era um membro da realeza, e Jeongguk devia obedecer às suas vontades sem questionar;

Às vezes esquecia disso.

— Tudo bem, tem razão. Você quem sabe. — Mesmo que a contragosto, Jeongguk procurou pelo o que lhe foi pedido, fazendo questão de trazer água para limpar o corte junto com o trapo que Jimin queria para impedir o sangue de continuar escorrendo pra fora. — Deixa que eu faço isso.

Jimin hesitou por um segundo antes de assentir, deixando o alfa fazer o que tanto queria. Porém, ao sentir o frio da água em contacto com o corte contrastando com o calor que saía das mãos do Jeon, quase se arrependeu.

— Ai porra… —Resmungou, mordendo o lábio inferior para conter os gemidos de dor que ficou com vontade de soltar.

— Ah, agora dói? Aguenta. É isso que você ganha por ser um teimoso do caralho. — Jeongguk falou, soando bem puto. Jimin abriu os olhos que se tinham fechado após uma fisgada de dor, pronto dar uma resposta à altura, mas ao descer o olhar para Jeon e ver o extremo cuidado que ele estava tendo em cada ação que realizava, decidiu ficar calado.

— Pronto. Vai ter de servir. — Jeongguk falou depois de alguns minutos e, apesar do seu claro esforço, o resultado do curativo saiu meio porco. Jimin quis rir, mas não queria soar ingrato, pelo que optou por permanecer quietinho. — Promete que vai amanhã na enfermaria pra elas fazerem um trabalho direto nisso aqui?

Jimin revirou os olhos, vestindo a camiseta velha de volta e ignorando o jeito com que o seu coração sofreu um ligeiro tombo pelo tom preocupado do Jeon.

— Prometo, Jeongguk. Não se preocupa.

Jeongguk assentiu, os ombros relaxando em alívio. E então, depois de enfiar uma bolsinha de pano no bolso da calça e esconder um punhal nas roupas típicas das pessoas do vilarejo, sorriu.

— Vamos, então? — O rosto de Jimin se iluminou ao ouvir aquilo, e ele assentiu na hora;

Mal podia esperar.

 

✹✹✹

 

— Ou você é ridiculamente bom com táticas ou a segurança desse castelo é uma merda. — Jimin sussurrou quando já tinham conseguido passar dos portões do castelo, e ainda não tinham dado de caras com um mísero guarda. Isso talvez se devesse ao facto do general ter insistido para que tomassem um caminho diferente do que era normalmente usado por todo mundo, sabendo que os percursos principais estariam com segurança reforçada devido ao incidente de mais cedo.

— Eu te disse que conheço esse castelo como a palma da minha mão. — Jeongguk falou, todo orgulhoso enquanto ainda mantinha um olho atento ao movimento que acontecia no pátio que dava até ao grande portão das muralhas. Jimin revirou os olhos. — Quem mandou não confiar em mim, ein? Ômega teimoso.

— Eu não estaria aqui se não confiasse em você, imbecil. — Jimin falou, e Jeongguk se distraiu por breves momentos para poder olhar para ele, espantado.

— Isso… isso é bem capaz de ser a coisa mais bonita que você me disse desde que nos conhecemos. — Falou surpreso, vendo um pequeno corar tomar conta das bochechas do Park.

— Ah, cala a boca e tira logo a gente desse lugar. Ficar aqui tá me dando uns arrepios estranhos, parece que vai brotar alguém até do chão pra ferrar com a gente. — Resmungou, fazendo Jeongguk voltar a encará-lo divertido.

— Está com medo, vossa alteza? 

Jimin revirou os olhos.

— É claro que não, idiota. Eu estou nervoso, o que é perfeitamente normal considerando a nossa situação! — Gritou num sussurro, fazendo Jeongguk rir pelo nariz, meio debochado, mas não disse mais nada. Limitou-se a estender a mão para que Jimin segurasse, espreitando para voltar a analisar o movimento dos guardas. — O quê?

— Me dá a mão. — O alfa falou como se fosse óbvio.

— Eu não vou te dar a mão, tá maluco?

Jeongguk bufou, tentando ele mesmo ir buscar a mão do Park para que pudessem correr dali pra fora antes que mais algum guarda aparecesse, mas Jimin desviou, impassível.

— Oh, pelo Deuses Jimin, não temos tempo pra isso! Me dá a mão!

— Pra quê a gente precisa dar a mão?

— Porque a gente vai precisar correr!

— Mas eu sei correr sozinho! — Rebateu, soando como um birra.

— Mas a gente não pode se separar muito, ou eles vão nos ver!

— Mas-

— Me dá logo esse caralho de mão homem, isso não é um pedido de casamento!

Jimin arregalou os olhos, e Jeongguk permaneceu impassível com a mão no ar, esperando que o Park cedesse; eles se encararam demoradamente, e Jimin podia jurar que sentia olhos do alfa perfurar os seus, fervendo na escuridão, enigmáticos. E então, com um bufo que Jeongguk não soube dizer se era de frustração ou vergonha, Jimin agarrou na sua mão, firmando o aperto pela segunda vez naquela noite.

Jeongguk sorriu.

— Tá vendo como foi fácil? Não doeu muito, doeu? — Perguntou, e Jimin lhe deu um tapa fraco no braço em resposta. — Tá pronto pra ir?

— Tô, porra. — Jimin rebateu, ranzinza, e Jeongguk reprimiu o sorriso convencido que lhe quis escapar, apertando mais a mão estranhamente pequena entre os seus dedos calejados das batalhas a que sobreviveu, gostando daquele toque tão simples talvez mais do que deveria.

— Então corre.

E Jimin?

Jimin correu.

 

✹✹✹

 

Jimin não lembrava da última vez que se sentira tão bem, tão vivo.

Pela primeira vez em anos, o coração batia com uma força renovada dentro de si, querendo libertar-se das amarras que o mantinham cativo; Jimin conseguia sentir aquela falta momentânea de fôlego, conseguia sentir o seu lobo despertar de um sono de anos com um susto, não de medo, mas de excitação, arrepiando-lhe cada pedaço de pele. E ele não quis admitir nem pra si mesmo mas a verdade é que, naquele momento, ele sentiu o sabor da felicidade na ponta da língua.

E era gostoso demais.

Por algum motivo, correr pra fora dos portões do castelo com os dedos entrelaçados nos do Jeon o fazia sentir como se estivesse finalmente dando um passo, ainda que pequeno, em direção à sua tão desejada liberdade.

Eles correram juntos através das árvores da floresta densa, o som de seus passos pesados batendo no chão sendo a única coisa a quebrar o silêncio tranquilo da noite, as mãos permanecendo inconscientemente conectadas mesmo depois de já estarem a uma distância segura do castelo.

Finalmente fora das muralhas.

— Acho que estamos seguros agora. — Jeongguk falou a certo momento, parando de correr para apoiar as mãos sobre os joelhos, retomando o fôlego perdido. — Você está bem?

— Nunca estive melhor. — Jimin falou, sorrindo apesar de sentir a respiração ofegante e o coração batendo acelerado contra as costelas. — Ainda não acredito que fizemos isso…

Jeongguk sorriu, se jogando no chão da floresta como se não houvesse nada a preocupá-lo naquele momento.

— Nem percebi quanta falta senti disso. — Jeongguk comentou, parecendo realmente feliz. — Quando foi que eu esqueci que ser irresponsável era tão gostoso?

— Quando ficou ocupado demais lambendo o saco do meu pai e do Namjoon o dia inteiro. — Jimin brincou, cedendo à vontade de deitar no chão do lado do alfa quando o ouviu rir em resposta, os olhos se prendendo nas constelações que enfeitavam o céu.

Todo o seu corpo estava formigando, a adrenalina desvanecendo e o deixando com um bom humor estranho a que ele com certeza não estava habituado. Jimin sentia vontade de sorrir, de se aconchegar em meio a todas aquelas árvores e ficar apenas ouvindo as corujas e as folhas se agitarem com a leve brisa que passava para perturbar o seu descanso; tudo aquilo era estranhamente reconfortante.

Depois tinha Jeongguk, que parecia ter adormecido com um sorriso nos lábios; ele estava tão tranquilo quanto Jimin, e isso fazia com que o cheiro dele ficasse mais forte, impregnando-se com muita facilidade em todo o lugar. Jimin fechou os olhos e inspirou fundo, sentindo um toque estranhamente doce demais para um alfa como Jeongguk em harmonia com a restante fragrância forte, e precisou lutar contra os próprios instintos para se impedir de enfiar o nariz no pescoço dele só pra poder sentir aquilo mais de perto.

— Jimin, posso te perguntar uma coisa? — Jeongguk perguntou do nada, fazendo Jimin abrir os olhos pelo susto. O sorriso de outrora não estava mais ali, e aquele toque doce e viciante também tinha sumido como se nunca tivesse sequer existido. — O que você estava falando com o senhor Namjoon hoje?

Senhor Namjoon. Tsc. — Jimin debochou, revirando os olhos e, de repente, não estava mais confortável. Nem feliz. Parou de olhar as estrelas, se sentando em meio a todas aquelas folhas caídas. — Ele estava enchendo o meu saco, o costume. Não que isso seja da sua conta, mas...

— Você surtou do nada, com com certeza foi algo a mais que isso. — Jeongguk interrompeu erguendo uma sobrancelha enquanto se sentava também, aproximando-se do corpo do ômega e chamando a sua atenção com um toque no ombro; porém, ao vê-lo erguer uma sobrancelha para si, estranhando o contacto, tornou a recolher a mão. — Quer conversar?

O brilho que corria pelos olhos do Park pareceu abalar-se um pouco com aquilo e ele suspirou, ficando parado enquanto via as memórias que tinha empurrado para o fundo da sua alma, para um lugar onde não o incomodariam até estar sozinho de novo, começar a rasgar o caminho de volta para a luz.

— Porque quer saber? — Foi o que acabou perguntando, olhando para todo o lado onde o alfa não estivesse; sabia que se o fizesse, bastaria um descuido para que as lágrimas começassem a cair, como tinham feito durante grande parte daquela tarde. 

— Porque eu... fiquei preocupado.

— Comigo?

— Com quem mais seria?

Jimin calou-se outra vez, passando os dedos pelas folhas dos arbustos, se sentindo mais fraco do que nunca. Jeongguk percebia isso, percebia o modo como tudo em Jimin parecia querer se encolher até sumir entre as partículas de ar, e isso só serviu para o deixar mais preocupado ainda. Nunca vira Jimin baixar a cabeça pra nada, pelo que vê-lo ficar assim de repente o deixou num inevitável estado de alerta.

— Não é nada demais.

— Se te deixou desse jeito, com certeza é alguma coisa.

— É sério Jeongguk, não precisa se preocupar comigo, eu estou bem.

— Não, você não está. — Jeongguk falou, o tom sério demonstrando tanta certeza, que foi capaz de quebrar as defesas do Park mais um pouco e ele sentiu os olhos começarem a se encher de água. O ar que os envolvia estava tenso, tal como quando ficava momentos antes de uma tempestade, implorando para explodir.— Mas não precisa me contar, se não estiver confortável com isso. — Acrescentou, sentindo a necessidade de o fazer.

Jimin sequer se mexeu quando as lágrimas começaram a escorrer pelas bochechas, e ele só quis fugir quando um soluço mais forte lhe escapou e o alfa o tocou no ombro mais uma vez, quase implorando para que ele o olhasse. Jimin não o fez.

— Devíamos… devíamos ir.

— Ei… — Tentou outra vez, mas Jimin afastou-se do toque, mordendo os lábios com força para se impedir de deixar mais soluços escaparem, levando um dos braços para cobrir os olhos, limpando com urgência as lágrimas que não paravam de cair. Jeongguk se sentiu frustrado, sabendo que não tinha direito nenhum de exigir o que quer que fosse do ômega, mas ao mesmo tempo extremamente agoniado por estar tão impotente. — Jimin... se não me contar o que se passa, eu não tenho como te ajudar.

— Você não pode me ajudar.

— Eu posso tentar. — Falou, vendo Jimin negar quando mais um soluço forte escapou, tentando convencê-lo e fazê-lo parar de chorar, porque ver o ômega desmoronando assim era dolorido demais.

— Não pode.

Jeongguk não aguentou assistir aquilo quieto, voltando a tocar o corpo que tremia ao seu lado e, vendo que Jimin não rejeitou a sua nova tentativa de o confortar, se deixou levar pelo impulso, puxando o corpo dele para os seus braços e o cercando num gesto que pretendia passar segurança. Mentiria se dissesse que não se surpreendeu ao sentir as mãozinhas de Jimin se agarrando com força às suas costas, em vez de o empurrarem para longe, e tratou de iniciar um carinho silencioso contra as costas do ômega, lhe oferecendo o que podia; e Jimin se viu gostando daquilo talvez um pouco mais do que deveria.

Por natureza própria, Jimin não gostava de abraços, porque nunca sabia quando podia se afastar sem parecer que estava sendo rude, mas por algum motivo, o de Jeongguk não o incomodava; os braços do alfa eram fortes, quentinhos e aconchegantes, pareciam ter sido feitos especialmente para o segurar, e Jimin não se importava de ficar ali para sempre.

— O vilarejo fica muito longe? — Jimin perguntou quando o choro parou e ele se acalmou, ousando quebrar o silêncio com o tom rouco depois de muitos minutos de choro.

— Depende. — Jeongguk falou, baixinho, não cessando nunca o carinho nas suas costas.

— De quê?

— De quanto tempo você vai demorar pra falar o que está acontecendo para te deixar desse jeito.

Jimin abriu a boca para responder, mas nada saiu. Jeongguk apertou um pouco mais os braços à sua volta, mais firme, sentindo o corpo forte do ômega começar lentamente a relaxar contra o seu, gostando de saber que a sua presença o ajudava a ficar mais calmo; talvez aquilo fosse um pouco íntimo demais, mas Jeongguk não poderia se importar menos.

— Tudo bem, eu… eu preciso desabafar. — Jimin confessou, meio receoso. — V-você lembra que há uns meses esteve aqui o príncipe herdeiro do reino do Norte para tentar negociar a paz?

Jeongguk assentiu com uma careta.

— Aquele alfa filho da puta. As negociações falharam por culpa da mesquinhez desse desgraçado.

— Falharam... — Jimin confirmou com um suspiro, brincando com os fios soltos da camisa do Jeon. — Mas um mensageiro chegou ao castelo hoje, disse que trazia uma mensagem do Norte para reavaliar os termos da trégua.

— Mas isso não é bom? — Jeongguk perguntou, se afastando ligeiramente só pra conseguir ver as feições do ômega ainda retorcidas num misto de raiva e tristeza. — O que foi?

— Todas as condições eram possíveis de serem feitas, mas… — Jimin suspirou, encarando o chão de forma pensativa. — Eles querem que eu… que eu e ele...

Jimin fez uns gestos esquisitos com as mãos, juntando e voltando a afastar os dedos, fazendo Jeongguk arregalar os olhos, surpreso.

— Um casamento arranjado?

Jimin negou com a cabeça e mordeu o lábio inferior, como se estivesse com vergonha demais para verbalizar a realidade com que teria de viver, eventualmente. Baixou a cabeça quando sentiu a respiração de Jeongguk acelerar, percebendo que ele tinha finalmente entendido onde Jimin estava querendo chegar.

— Eles… O Norte exigiu que você seja um amante daquele alfa asqueroso?! — Jeongguk retrucou, a voz umas oitavas mais elevadas tamanho o seu choque. Jimin se encolheu mais e ficou quieto, contrariando a sua própria natureza. Estava envergonhado demais para conseguir olhar Jeongguk nos olhos. — Que porra…? Ele não pode estar falando sério! Namjoon jamais aceitaria algo assim.

— Namjoon é um desgraçado sensato, você o conhece. Sabe que ele trocaria a minha vida pela salvação das milhares de pessoas desse reino num abrir e fechar de olhos. — Falou, e Jeongguk quis arrancar os próprios cabelos em frustração. — Ele me pediu desculpas por isso hoje mais cedo, mas disse que só me contou para que eu me acostumasse com a ideia. Eu fiquei com raiva, bati o pé e falei 'não' e ele me chamou de infantil e egoísta. Depois se desculpou de novo, e eu… sabe, depois que eu me afastei e pensei sobre isso tudo, a raiva não durou muito, porque eu percebi que a culpa não é do Namjoon, por muito que eu queira que seja. Ele só está… ele está agindo como um rei deve agir.

— Como um rei? Agir como um babaca agora é algo nobre?!

— Ele está agindo com a cabeça, general, não com o coração. Ele está tentando acabar com essa guerra, e eu… eu não o posso julgar por isso. — As palavras soaram corajosas, mas a respiração rápida denunciou todo o seu nervosismo. — Não que ele goste lá muito de mim, na verdade eu tenho certeza que aquele cara me odeia, é mútuo na verdade, mas você entendeu onde eu quis chegar.

Jeongguk bufou.

— Mas nós não estamos perdendo a guerra. Temos mais do que homens suficientes para impedir o reino Norte de invadir, não tem porquê aceitar a proposta desse doente! Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance pra não tirarem você desse maldito lugar contra a sua vontade.

Os punhos de Jeongguk cerraram-se com força, e Jimin pôde jurar que viu uma faísca vermelha cruzar o olhar do Jeon, tão rápido quanto um delírio, mas tão logo não estava mais lá. Jimin negou com a cabeça e riu sem humor, meio atordoado pela ferocidade que Jeongguk mostrara na intenção de o proteger.

— Vai ir direito pra lista negra do meu pai se ousar ir contra uma opinião dele pra defender um bastardo como eu.

— Não importa. — Garantiu. — Vou correr o risco.

— Você deve ser o único que se importa comigo desse jeito, sabia? E eu nem sei porquê.

— E precisa de um motivo?

— Claro que precisa! Ou você só é louco pra ficar arriscando seu pescoço pelos outros assim?

Jeongguk deu de ombros, sorrindo pequeno ao alinhar na intenção de aligeirar o clima pesado.

— Achei que isso tivesse ficado claro depois que eu te ajudei a fugir do castelo.

— Vai ficar jogando isso na minha cara agora, é?

— Acha que eu perderia a oportunidade? — Brincou, vendo Jimin revirar os olhos num gesto entediado, mas falhando em esconder o breve sorriso que surge em resposta. — Mas saiba que eu falei sério, Jimin. Só o facto do Norte ter considerado que você é algo que eles podem comprar já me diz muito sobre eles. Não vou deixar isso barato.

— Normalmente eu caíria no soco com você por achar que eu preciso tanto assim da sua ajuda, mas considerando a situação… — Jimin forçou uma expressão pensativa, vendo Jeongguk erguer uma sobrancelha para si. — Acho que posso deixar passar.

Jeongguk abanou a cabeça, sorrindo pequeno, agora sim reconhecendo o ômega com quem passava grande parte dos seus dias. Jimin, por sua vez, inspirou fundo o ar frio da floresta, se recompondo do momento de fraqueza que se permitiu ter.

Não se sentia arrependido, como achou que ficaria por chorar na frente do Jeon; na verdade, partilhar aquele peso com alguém o deixou se sentindo ligeiramente melhor, mesmo que a sua situação ainda estivesse tão fodida quanto antes. Alguma coisa em saber que não precisava mais lidar com tudo sozinho o deixava mais leve, menos deprimido, e isso era tudo o que bastava;

Ao menos por agora.

— Acho que devíamos começar a andar, não? Está ficando tarde, e eu não vou deixar Namjoon, meu pai e essa história toda arruinarem a minha patética fuga. Nossa, no caso. — Jimin falou, limpando os últimos resquícios de lágrimas e se levantando, dando aquele assunto por encerrado. — Seria vergonhoso fugir pra ficar chorando no meio dos bichos e das folhas, tenha dó.

— Quando minha mãe me contava histórias de princesas, elas sempre faziam isso, sabia? Tô só esperando você começar a cantar. — As palavras do alfa foram proferidas num tom cínico, arrancando uma risada do ômega. Jeongguk sentiu o peito tornar-se mais leve ao ver os olhos de Jimin se fecharem para camuflar o seu brilho e dar total foco para o raro sorriso que surgiu nos seus lábios, tornando-o impossivelmente mais bonito.

Era assim que devia ser. Nada de lágrimas, apenas sorrisos.

Vendo que a lua já ia alta e que, caso se demorassem mais tempo ali a conversar, o tempo que passariam no vilarejo seria muito escasso; com isso em mente, não demoraram muito a começar a andar.

Os primeiros momentos de caminhada foram feitos em silêncio, como se ambos precisassem daquele tempo para digerir a conversa anterior, mas bastaram alguns minutos para que varressem o problema para debaixo do tapete. Voltaram a comunicar normalmente, num ritmo meio lento a princípio, ignorando por silenciosa convenção o elefante cor de rosa que continuava ali, os vigiando de perto.

As mãos se esbarravam sem permissão pela pouca distância entre os corpos, compartilhando de uma energia gostosa que não conseguia ser explicada e essa pequena tortura durou até ao momento em que Jeongguk capturou a sua mão, entrelaçando os dedos quentes nos seus em um aperto bem-vindo. Jimin não reclamou, se deixando ser guiado por Jeongguk enquanto sentia uma leve brisa noturna fustigar o seu corpo coberto com roupas pouco habituais para si. Não tinha como, ou por quê recusar, tinha? As folhas das grandes árvores tapavam a escassa luz que a lua oferecia e, apesar das suas pupilas já estarem acostumadas à falta de iluminação, ainda era difícil enxergar mais do que dois palmos para a frente, e Jimin achou melhor não arriscar se perder, ou tropeçar em algum galho e se machucar; já seria complicado explicar o corte no braço, o que faria caso torcesse o tornozelo?

Fosse como fosse, a verdade é que eles não se soltaram até ao momento em que Jeongguk parou de andar, cheirando o ar como se procurasse por alguma coisa. Jimin nem se deu ao trabalho de tentar fazer o mesmo, pois sabia perfeitamente que não tinha um olfato tão apurado quanto um alfa, contentando-se em encarar Jeongguk, esperando ele falar e lhe conter o que havia de errado.

— E então? Estamos perto? — Perguntou, incapaz de conter o sorriso animado que quis tomar conta de si com a possibilidade.

— Melhor que isso. — Jeongguk sorriu, afastando a folhagem densa de um arbusto para o lado com uma das mãos, indicando para que Jimin espreitasse e visse o que estava do outro lado. — Chegamos. Bem vindo à capital, vossa alteza.


Notas Finais


E aí? Como foi?
Genteee eu vou tentar não demorar a postar o próximo cap ok? juro juradinho
deixem um comentariozinho pra eu saber se gostaram, eu amo ler as vossas opiniões <3
obrigado por ler até aqui, até uma próxima !


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