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História Fora do Castelo - Capítulo 8


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Notas do Autor


Sinto muito pelo atraso de 2 dias na postagem da história.

"Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (São Mateus 26,41)

Capítulo 8 - Nyarlatothep está vindo!


Fanfic / Fanfiction Fora do Castelo - Capítulo 8 - Nyarlatothep está vindo!

Sob o olhar de Marco Diaz

 

Mais cedo, naquela noite.

 

Eu estava precisando me afastar da Star desesperadamente, a vontade de rir ficava cada vez mais insuportável, assim como a vontade de finalmente falar o que eu sentia. Tentei pensar em algo para me afastar dela e aí me lembrei de uma promessa que eu fiz noite passada:

 

— Star, eu ainda preciso achar o meu celular com o GPS do celular da minha irmã — Disse ainda dando risinhos, que estavam ficando cada vez mais estranhos.

 

— Então vamos! — Ela me respondeu bem animada, o que só piorou as coisas.

 

— Não! — Eu respondi e soltei uma gargalhada.

 

— Por que não?

 

— Eu, eu… Não quero te incomodar com essas risadas… — Eu disse sem rir, meio meloso — E eu volto rápido para o hotel, prometo! Talvez eu chegue antes de você! — Essa parte eu disse rindo novamente, e a risada ia piorando.

 

— Sem chance! — A Star disse ainda mais animada que antes, dando uma pequena corrida, mas parando bruscamente — Só não demora muito ok?

 

— Sim! — Eu disse soltando uma risada muito estranha e vendo a Star sumir na esquina da rua.

 

Estávamos em uma rua perto da parte florestal da cidade, eu saí correndo para a floresta, muito rápido. Então eu parei em determinado momento e desabei no chão, me apoiando nos joelhos e nos braços, só então gritei:

 

— STAR EU TE AMO!

 

Eu senti a vontade rir indo embora, finalmente eu podia me recompor depois daquele monstro. Sim, a senhorinha com tentáculos que causou isso em mim.

 

O Dipper que chegou a conclusão que esses monstros tinham uma aura mágica de medo, eu também tentei descobrir algo, perguntando para o Glossaryck. Infelizmente ele se recusou a falar qualquer coisa sem pudim, e com pudim também, a Star também tentou e para ela ele disse que não sabia de nada. O ponto importante que ele não disse que não sabia para mim, só que não ia dizer. Achei estranho mas eu não fiz nada, não podia fazer nada.

 

Quanto ao fato de ter ficado rindo sem parar, eu acredito que tenha sido uma manifestação da “aura de medo”, uma espécie de nervosismo que remete ao que eu citei no parágrafo anterior. Nervosismo pela segurança, eu ainda não entendia o que estava acontecendo comigo, e se nem o Glossaryck sabia eu certamente não podia entender.

 

E eu ia lá andando pela floresta, seguindo o GPS do celular da minha irmã (que eu já tinha visto mais cedo estar por ali, tendo caído possivelmente durante a nossa saída da cripta) e martelando alguns pensamentos na minha cabeça, talvez os piores da minha vida até então.

 

Logo que eu conheci a Star o primeiro impulso foi me proteger dela, quando passou esse impulso inicial e eu entendi que a Star não era uma bomba nuclear ambulante eu queria proteger ela. Primeiro do Ludo, depois do Toffee… Mas eu nunca consegui…

 

A verdade é que eu nunca consegui proteger a Star, a Star que me protegeu, ela quem tinha poderes mágicos e não eu. Quando ela “fugiu” para enfrentar o Toffee em Mewni eu senti que devia fazer algo, talvez fosse melhor eu não ter feito. Mas… Depois do que aconteceu no dia da canção da Star e na festa de fim de ano… Eu não podia deixar aquilo terminar daquela forma. Talvez eu não quisesse realmente proteger a Star, só saber se ela realmente gosta(va) de mim. E eu terminei nunca tendo minha respostas, mesmo depois que voltamos de Mewni e tudo se acalmou nenhum de nós dois nunca mais tocamos no assunto…

 

Apesar de tudo, continuamos sendo amigos, e eu deixei isso de lado. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo, minha irmã nasceu, eu consegui namorar a Jackie, ganhei um prêmio na feira de ciências, etc. Mas tudo ficou estranho quando no meio do ano passado eu vi uma propaganda de fraldas, como volta e meia eu trocava as fraldas da Mariposa eu fiquei pensando: como vai ser quando eu tiver filhos?

 

Acho que é o tipo de pergunta que as pessoas menos fazem hoje em dia, principalmente na minha idade. Mas isso esbarra em uma pergunta bem mais prática: a mãe deles seria a Jackie? Isso me fez questionar sobre o nosso relacionamento, para onde ele estava caminhando e se ele realmente estava caminhando para algum lugar. E um dia eu disse isso para ela. Ela foi bastante compreensiva comigo, terminamos o namoro bem e a partir daí eu comecei a olhar tudo em um panorama mais geral: para onde minha vida está caminhando?

 

Nessa época eu descobri que a Star estava se fazendo a mesma pergunta, só que a resposta dela era mais fácil: ela devia ser a rainha de Mewni. Apesar do fato de que ela não estar muito contente com isso continuava treinando para estar preparada para a função. Eu decidi que além da escola eu me dedicaria a ajudar ela e foi… Muito divertido, pensei que eu tinha deixado de me divertir muito esse tempo que eu gastei com a Jackie…

 

Pensamentos, pensamentos demais… O que diabos são essas criaturas?

 

Era isso que eu pensava enquanto seguia o GPS, andando entre as árvores, procurando meu celular. Volta e meia eu pensava em como esse tal de Sr D tinha me metido em uma situação confusa e perigosa e como eu só queria sair da cidade. Tinha que achar meu celular e voltar para o hotel.

 

Depois de uns 4 minutos andando eu percebi que a luz da lua já não iluminava tanto o caminho, desviei o olhar da tela do celular por um momento e vi uma coisa assustadora.

 

Eu percebi que estava entrando em uma “caverna”, não exatamente uma caverna, eu vi a parede e reconheci uma figura estranha, que parecia um dragão com… Tentáculos? Na verdade não importava porque eu sabia que já tinha visto antes, na cripta onde eu caí com a Star.

 

O GPS apontava para dentro da cripta, eu comecei a pensar se seria realmente necessário pegar o celular. Segundo o GPS ele não estava muito longe, apenas uns 3 metros mais adentro. Decidi por fim entrar logo, não devia acontecer nada demais aquela distância.

 

Ocorre que os GPS têm uma margem de erro e o celular estava mais perto do que o que eu esperava. E uma outra coisa também: a minha estátua que a Star criou durante a perseguição da van. O celular estava em cima dela, que parecia ter um pouco de lama. O problema era que nós tínhamos deixado a estátua em uma ponte, ela não devia estar aqui.

 

Eu fiquei meio assustado com isso, primeiro eu peguei o celular e fiquei pensando se devia ou não pegar a estátua, pode parecer uma decisão sem sentido e realmente era… Mas eu sentia uma certa vontade de fazer isso, talvez por guardar uma lembrança da cidade. Eu tava nervoso, com muita coisa na cabeça. Eu peguei a estátua.

 

Eu definitivamente não devia ter feito isso.

 

A perna da estátua que parecia particularmente suja revelou ter uma mão por baixo da lama, isso por si só já era estranho… Mas a mão tinha um corpo, um corpo que usava um terno laranja e que levava a uma cabeça loira de cabelo curto, uma cabeça que não tinha rosto, os caras-de-buraco como a Star disse.

 

Eu corri, corri imediatamente, segurando a estátua, por algum motivo. Sinceramente eu não sei como corri tão rápido, nem como não bati em nenhuma árvore, tive muita sorte. Só que eu lembro que eu desmaiei no final dessa corrida, não sei exatamente como.

 

Eu acordei não faço ideia de quanto tempo depois, com a cabeça doendo um pouco, e, estando de cara para um rochedo eu vi as chaves do quarto do hotel presas nele, como se estivessem atraídas pela pedra. A estátua estava de cabeça para baixo e encostada em uma continuidade do rochedo que formava um “canto”. Eu ainda estava vendo o ambiente quando senti um cheiro horrível atrás de mim, acho que não devia ter virado para trás.

 

Eu vi um cara-de-buraco, o mais absolutamente horrível que eu vi até hoje, não só porque ele não tinha cara, mas porque o buraco na sua cabeça era uma visão de imensidão sem fim, como olhar para o vazio do espaço sideral, e não era só isso, do buraco na cara dele saíam quatro tentáculos que serpenteavam como cobras, mas mais… Líquidos… E tinham um monte de tentáculos menores que pareciam mais duros, como se fossem dentes, e desse infinito espacial saía um líquido negro e fétido que matava o mato que crescia onde agora era a frente da criatura.

 

Imediatamente pulei para trás cruzei o meio metro que me separava do rochedo onde estava presa minha chave do hotel. Caí no chão acreditando que era o meu fim, seria devorado. Ocorre que a criatura ficou curvada para frente, com seus braços (humanos) relaxados e sua cabeça inclinada para a minha direção, mas não se aproximou de mim. Passei alguns minutos ofegante, em estado de choque, sem conseguir raciocinar, quando passou o susto eu decidi observar melhor a criatura. Do pescoço para baixo parecia completamente humano, um homem de terno laranja com uma gravata da mesma cor, com o terno com um pouco de purpurina e um pequeno crachá que eu não conseguia ler direito.

 

Me surpreendi por continuar vivo, a criatura não avançava nem se movia, por algum motivo. Em um primeiro momento imaginei que o cara-de-buraco estava “sem bateria” e paralisado, então eu tentei passar ao lado dele. Foi um fracasso total, assim que eu pus o pé do lado dele ele virou para mim e lentamente tentou me pegar com os tentáculos dele, eu assustado fui para o rochedo rapidamente, ele não me seguiu.

 

Eu parei do lado das chaves e fiquei observando elas presas na rocha, só que isso não fazia sentido, não tinha onde elas ficarem presas. Foi aí que eu me toquei de uma coisa: o rochedo era uma rocha magnética! Só nesse momento eu percebi que eu realmente estava com a mente debilitada, seriamente debilitada a ponto de demorar tudo isso para perceber uma coisa tão simples. Eu tirei a chave da rocha com certa dificuldade, quando olhei novamente para a criatura e disse em voz alta:

 

— Essas coisas são repelidas por energia eletromagnética!

 

Eu comecei a pensar se o termo correto era realmente energia eletromagnética ou outra coisa do gênero, eu simplesmente não tinha condição de saber se era ou não, então assumi que fosse assim. Enquanto eu pensava nisso eu ouvi uma voz:

 

— Marco… Venha…

 

Era uma voz arrastada e inumana, não parecia pertencer nem a um homem nem a uma mulher, apenas ser uma voz vazia de sentido e até mesmo de uniformidade. Uma sensação horrível de vazio que provinha da voz me dominava e me impelia a fazer algo, mas os tentáculos serpenteantes da criatura aumentavam meu medo e me davam a certeza que eu não poderia vencê-la, não sozinho, não apenas lutando… Conforme o tempo passava a sensação de medo só aumentava, foi aí que eu vi uma pedra menor que também parecia ser magnética já que a chave era atraída para ela…

 

Eu comecei a ficar desesperado, peguei a pedra que era um pouco maior que minhas mãos e me atirei em direção ao cara-de-buraco, ficando por cima dele e conforme eu aproximava a pedra dele os tentáculos se retraíram. Com uma brutalidade que não era minha eu esmaguei a cabeça daquele bicho, conforme eu aproximava e retirava a pedra da cabeça dele o buraco de onde saíam os tentáculos mudava de um simples buraco até uma visão vazia do espaço. Eu estava completamente alucinado e batia cada vez com mais força na cabeça dele, até ele parar de se mexer completamente… Eu saí de cima dele cansado e suado, ainda segurando a pedra e vendo que saiu sangue da cabeça dele e espirrou na minha roupa, mas era muito menos sangue que o que deveria haver em uma cabeça, provavelmente por causa do buraco.

 

Eu escutei um som de uma risada macabra atrás de mim, e, de novo, estupidamente me virei para o corpo da criatura sem rosto. Em um primeiro momento fiquei profundamente perturbado com o fato que mesmo “morto” o buraco no rosto da criatura não parou de refletir o vazio espacial, em um segundo momento eu escutei as seguintes palavras, de um modo cantado:

 

“Tema, tente fugir

Todos tem seu destino

E o de vocês está aqui!”

 

O som vinha de todas as partes, e de lugar nenhum ao mesmo tempo. Qualquer tentativa de descrever o timbre ou a tonalidade da música seria inútil porque eu sabia que aquele som não tinha sido produzido por nada que eu conhecesse, era um som… Alienígena.

 

Eu devia ter fugido quando ele disse, e terminei ficando lá por uma maldita curiosidade que não sei de onde surgiu… Ou talvez saiba.

 

Mas a pior parte da música (em termos de estranheza) foi o que veio a seguir:

 

“Devo consertar

Uma cidade iludida 

Com gente iludida

Pra isso vou usar

Todas as inversões conhecidas

Elas servirão para destruir todas as famílias 

E você Marco Diaz não pode impedir isso

Então pode fugir e avisar pro seus amigos

Nyarlathotep está vindo!”

 

Eu escutei essa música em um volume extremamente alto.Senti que iria ficar surdo depois disso. O tom da música que era assustador e desesperador de um jeito que eu não esperava ser possível, nem mesmo a música do Baile da Lua Sangrenta era perturbadora dessa forma.

 

Não me lembro muito bem do que veio a seguir, sei que eu corri muito e alucinadamente por um percurso indescritível, gritando coisas sem sentido (ou que eu prefiro ignorar o horrível significado), pisei de propósito em poças de lama por algum motivo que desconheço, escutei gritos, ou risadas, não sei dizer.

 

Foi nesse período que eu dei a estátua para o Dipper, eu lembro de ter feito isso, mas não do que eu disse, tive que perguntar a ele depois o que exatamente aconteceu.

 

Eu parei ridiculamente suado, na frente do hotel. Também estava esbaforido e tendo que me apoiar em um banco para não desmaiar no chão. Quando me recompus eu tateei meus bolsos para ver se as chaves ainda estavam lá, felizmente sim, assim como os celulares (o meu e o da minha irmã). Atravessei o saguão do hotel com o atendente me olhando estranho, estava todo sujo de lama, sangue e provavelmente fedendo.

 

Eu  não sei o que eu faria se tivesse ,  felizmente não havia ninguém no elevador. Pensei em subir o mais rápido possível,  tirar essa roupa, tomar banho, devolver o celular da Mariposa e ir dormir o mais rápido possível, ocorre que eu ouvi uma porta abrindo:

 

— Onde você estava? — Era a voz da minha mãe.

 

Eu me virei um pouco assustado, não esperava que minha mãe estivesse me esperando, e definitivamente não queria ter que explicar o sangue e a lama na minha roupa, além do meu fedor de suor.

 

— E-e-eu? — Perguntei gaguejando.

 

— Sim, e… Que sangue é esse na sua roupa? É seu? — Ela perguntou assustada e preocupada.

 

— Mãe, o sangue não é meu — Eu disse escolhendo cuidadosamente as palavras, tanto para não deixá-la preocupada, tanto para conseguir ir dormir logo, estava morto de cansado.

 

— Então de quem é?! Marco o que você estava fazendo?!

 

Eu pensei mais cuidadosamente ainda nas palavras que eu iria dizer, pensei em dizer que o sangue na verdade era outra coisa, mas não queria mentir para ela:

 

— Uma criatura mágica me atacou mãe, mas já acabou. Não estou em perigo — Eu só acreditava parcialmente nesta última frase.

 

— Só isso? Eu tô com medo, você parece muito machucado… — Ela disse se aproximando de mim — Pode confiar em mim filho.

 

— É sério mãe, tá tudo bem, vou ficar bem.

 

— Se você está dizendo… Acredito em você, falando nisso você vai cuidar da Mariposa amanhã, viu?

 

— Como é? — Eu perguntei surpreso.

 

— Eu e seu pai estivemos cuidando da sua irmã enquanto você e a Star passeavam por aí, amanhã queremos um tempo só para nós.

 

— Entendi…

 

— Mantenha vocês seguros, viu filho?

 

Eu tenho a ligeira impressão que ela pediu para eu cuidar da Mariposa porque não queria que eu chegasse assim de novo no hotel.

 

— Só uma pergunta — Comecei a dizer — Você saiu do quarto porque sabia que eu tava no corredor?

 

— Na verdade eu acordei no meio da noite e quero tomar um ar lá fora, não sei nem que horas são — Minha mãe respondeu mais descontraída.

 

— Ok, boa noite mãe.

 

— Boa noite filho, até amanhã.

 

Eu fui para o quarto andando rapidamente, queria logo tomar banho e me livrar desse estado deplorável, só não esperava a segunda surpresa da noite. A luz do quarto estava ligada e a Star estava sentada perigosamente perto da televisão assistindo “A Prova de Tudo” (que ela chama de “grande guia de como fazer coisas essenciais a sobrevivência sem magia”) e comendo um pote de sorvete. E quando ela ouviu que a porta tinha sido aberta jogou o pote no chão, correu até mim e segurou no meu ombro me balançando, perguntando quase gritando:

 

— Marco onde você estava?! Eu fiquei preocupada com você! Eu liguei e você não atendeu! Já é uma da manhã!  Até tentei usar o olho que tudo vê, mas não consegui!

 

Quando a eu consegui fazer ela parar de me balançar eu apenas disse:

 

— Star, calma.

 

— Como eu vou estar calma?! — Ela perguntou ainda preocupada só que em um tom mais baixo — Você tá fedendo, sujo de lama e, esse sangue é seu?!

 

— Eu fui atacado por um cara-de-buraco, mas agora tô bem, eu acho…

 

— Há… Desculpa, é que eu liguei para você várias vezes e você não respondeu… Eu fiquei preocupada — Ela disse isso em um tom mais ameno, quase indolente.

 

Nesse momento um nome atingiu minha cabeça com a força de uma pedra, sei que eu mencionei ele na conversa com o Dipper, mas como eu disse não me lembro disso. Eu tinha certeza absoluta de que era um nome e eu tinha que perguntar:

 

— Star, você já ouviu falar de alguém chamado Nyarlathotep?

 

— Não, onde foi que você ouviu isso? — Ela respondeu com tom de surpresa.

 

— O cara-de-buraco mencionou alguém com esse nome...

 

— Esse sangue é dele? 

 

— Sim…

 

— Ao menos isso… — Ela fez uma longa pausa — Marco, eu tava estressada, precisava ficar acordada então eu… Comi metade da sua parte do sorvete.

 

— Star, a gente tinha combinado de guardar esse sorvete para uma ocasião especial!

 

— Eu achei que você era culpado de demorar tanto!

 

— Então eu como metade do seu!

 

— Justo, mas agora eu quero dormir — Disse ela bocejando, pegou o pote do chão (que tinha caído em pé) e guardou no frigobar do quarto — Boa noite Marco.

 

— Boa noite Star.

 

Eu acendi a luz do banheiro e apaguei a luz do quarto para a Star conseguir dormir em paz, tirei minha roupa suja, tomei banho e vesti o pijama. Quando eu já estava quase indo dormir eu vi meu notebook em cima da mesa do quarto e pensei: “Será que a internet tem algo sobre Nyarlathotep?”.

 

Eu abri e digitei o nome no google, apareceu uma página da Wikipédia sobre um cara chamado Nephren-Ka. Segundo a página (bem pequena) Nephren-Ka foi um faraó de uma dinastia obscura do Egito sobre o qual existe muita especulação e pouca certeza. Basicamente a certeza se resume ao fato de que ele tentou emplacar uma nova divindade no panteão egípcio, os sacerdotes não gostaram muito e o poder religioso varreu o nome dele da história egípcia (não completamente óbvio). Segundo  a secção de curiosidades da página se especula que o nome desta divindade era Nyarlathotep.

 

— Acordado até essa hora da noite? — Eu escutei uma voz familiar atrás de mim, mas não identifiquei de quem era.

 

Me virei e dei de cara com um vulto negro e sombrio, sentado em uma cadeira com uma perna cruzada por cima da outra e uma mão em cada joelho, também tendo forma de um sujeito com sobretudo e chapéu.

 

— Sr D? — Perguntei.

 

— Sim, corrija-me se eu estiver errado, mas mudou de opinião sobre a estadia em Gravity Falls, certo?

 

Eu não mencionei isso até agora, mas depois que a criatura me mandou fugir eu repensei minha decisão de ir embora da cidade, e assim como eu sabia que Nyarlathotep era um nome eu sabia que essas criaturas queriam que eu fosse embora, talvez eu e a Star.

 

— Sim, mas não quer dizer que eu simplesmente esqueci que essas coisas começaram a acontecer depois que você apareceu — Respondi rispidamente, não tinha motivos para confiar no Sr D.

 

— Não sei até que ponto isso será proveitoso para você — Ele disse de um jeito educado.

 

— Espera, você quer que eu vá embora?

 

— De jeito algum, mas uma reflexão sobre as decisões que tomamos sempre é uma decisão sábia, um exame de consciência entende?

 

— Ainda não entendi.

 

— O motivo pelo qual você está pensando em ficar na cidade, é simplesmente porque você não aceita provocação.

 

— Como é? Você vira minha vida do avesso e fala isso?!

 

— Mas é claro que sim, é a verdade não é?

 

— Não, eu quero ficar porque agora eu vi que não se trata de incidentes isolados, tem algo de muito ruim acontecendo e me sinto na obrigação de fazer algo!

 

— Essa é a motivação que a Faca de Manteiga, o Pinheiro e a Estrela Cadente tiveram logo que viram a ameaça que se desenrola, você não.

 

— Então que motivação eu deveria ter senhor sabe tudo?

 

— Nobreza de espírito.

 

— Eu não não importo com o que você fala, eu sei que você poderia explicar o que está acontecendo, só não quer dizer não é? Você realmente veio até aqui só para dizer isso?

 

— Tem uma reunião amanhã onde pretendo ter uma conversa sobre o nosso problema de ordem sobrenatural. As duas horas da tarde no laboratório embaixo da Cabana do Mistério, o Pinheiro pode lhe mostrar exatamente onde é. Desligue esse computador e tenha bons sonhos Luva. Sabemos que ele está vindo e que ainda não chegou, diferente de mim que já estou aqui, logo podemos nos preparar.

 

Ele sumiu, que nem fez no quarto do Dipper. E eu fiquei um tanto quanto incomodado com ser “o luva”.

 

Meu incômodo passou rapidamente quando a Star literalmente pulou da cama gemendo de dor, pressionando a barriga.

 

Opa, espera aí...


Notas Finais


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"É uma desgraçada fantasia imaginar que o ser humano está só no universo, convivemos todos os dias com aliens, eles só não estão em plena vista" — Saraade


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