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História Fora do meu alcance - Capítulo 3


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Notas do Autor


Vocês não fazem ideia do quão curta seria essa história se os personagens simplesmente decidissem fazer terapia.

Capítulo 3 - Cordialidades


 

Josuke estava de folga. Era sábado de manhã e ele decidiu que precisava de um impulso especial para levantar da cama, acompanhado por algo que revitalizasse todas as suas energias. Posto isso, ao invés de se dar ao ínfimo luxo de tomar seu café da manhã em uma das lanchonetes requintadas da cidade, ele concluiu que seria interessante navegar pelas redondezas do cemitério Keicho, onde se encontrava a Trattoria Trussardi - o insigne restaurante italiano de Tonio.

 

O policial estava degustando de sua sobremesa: um delicioso cannoli italiano que Tonio o recomendou àquela manhã para eliminar sua tensão muscular, observando num intervalo de tempo considerável a estrutura folgada de Rohan na outra porção do espaço e se certificando de que ele não estava fazendo nada suspeito. Foi apenas uma coincidência inesperada encontrar o artista em um local tão inusitado, apesar de que, alguns momentos mais tarde, ele pôde ouvir que Rohan foi um dos clientes mais recorrentes de Tonio. Ele costumava almoçar no restaurante italiano com certa frequência na finalidade de exaurir todo o cansaço proveniente da produção ininterrupta de seu mangá, o que o levou a se tornar um amigo caricato do cozinheiro mais velho.

 

Higashikata brincou com seu café expresso, sutilmente deixando as mãos de Crazy Diamond tomaram forma e tocarem o aspecto cremoso do líquido, consertando-o e fazendo as pequenas partículas de sacarose serem gradualmente substituídas por Pearl Jam - os famosos seres pequeninos de fisionomia esculenta. Em algum momento, ele se cansou disso. Não é como se ele já não estivesse entediado antes, mas ele sabia que seu foco estava totalmente longe dele agora: mais especificamente, a duas mesas de distância.

 

Josuke assobiou, furtivamente indo até a mesa em que Rohan estava dentro de todo o estabelecimento vazio. Mesmo quando ele pairou sob o jornal que o artista estava lendo desde que entrou no restaurante, tudo o que ele recebeu foi o simples som dos lábios de Rohan engolindo mais uma fatia de seu saboroso carpaccio.

 

Higashikata tossiu. “Acho que você não percebeu que eu estava lá antes, então eu decidi cumprimentar você.”

 

“Como se fosse difícil reconhecer seu penteado grosseiro em qualquer lugar.”

 

Josuke só pôde perceber que estava com saudades do tom ríspido de Rohan assim que ele finalmente o ouviu. Ele delineou um sorriso amarelado, analisando a estrutura bem vestida no outro lado. "Você é exageradamente rancoroso. Eu só estava tentando ser gentil com você.”

 

O mangaká revirou os olhos, deixando seu garfo na mesa.

 

“Não. Você estava tentando ser cordial, quando isso é o mínimo que você deve fazer.” Ele cruzou os braços, evidentemente se recusando a fazer qualquer outra coisa que não fosse subjugar Josuke enquanto ele estivesse presente ao seu redor. “Nós não nos tornamos íntimos depois que você se embebedou e me contou seu segredo. Eu fui cordial ao te levar para casa, e também fui cordial ao fazer um simples curativo em você.”

 

O policial poderia dizer com facilidade que, se ele estivesse lidando com Rohan dias atrás, ele teria se machucado com essas palavras. No entanto, depois que você tem seus ferimentos cuidados pelo homem mais narcisista da cidade, você nunca mais o olha da mesma maneira.

 

Desse modo, o mais novo apenas aumentou seu sorriso, esculpindo sua famosa e decrépita  expressão de falsa mágoa. “Caramba, eu não sabia que as pessoas estavam chamando a amizade de cordialidade hoje em dia.”

 

O rosto de Rohan se contorceu. “Higashikata-”

 

“Eu estive observando a sua casa desde a última vez que nos vimos.” Ele deixou que seus lábios falassem por ele, apesar de que, se Josuke fosse confessar, ele não fazia a menor ideia do que estava fazendo.

 

 Ver a figura de Rohan como se ele estivesse em ponto de ebulição enviou um calafrio pelo estômago do usuário mais alto. “E o que? Você acha que a cor creme das minhas paredes não combina com o meu tapete azul cobalto?”

 

“Não. O ponto é que você é um cara bastante solitário.” Josuke estava querendo dizer isso desde que entrou na mansão – senão, desde que o conheceu há concretos nove anos.

 

Rohan não pareceu se abalar diante de seu comentário, porém. Honestamente, ele encheu seus pulmões de ar fresco antes de soltá-los de novo, um pouco mais calmo do que antes ao olhar de forma fixa para o jeito em que Josuke estava contornando círculos no protetor da madeira.

 

“É difícil compreender o que é ser uma celebridade a partir do momento em que você não é uma.” Ele quase sussurrou a despeito de sua voz firme e grave. “Todos me amam, mas ninguém gosta de mim.”

 

Os movimentos de Josuke pararam. Ele não esperava por isso.

 

Quer dizer, você poderia interpretá-lo de diversos modos: desde a achar que Rohan estava apenas caracterizando uma informação universal, ou plenamente desabafando com ele. Higashikata não soube dizer qual dos dois a fala do mangaká se referiu, mas ele se viu na vontade inexplicável de respondê-lo com: “Eu gosto de você.”

 

Todavia, foi uma frase que a partir do instante em que ele falasse ele jamais conseguiria explicar. Portanto, os olhos azuis marinhos de Josuke dançaram de volta à mesa, atentamente analisando como o prato de Rohan parecia particularmente cheio mesmo depois que ele estava lá há tanto tempo.

 

“Há bastante comida lá.”

 

“Você pode comer por conta própria, se estiver com fome.” Foi o que Rohan disse, mais como um suspiro à medida que buscava algo em sua própria bolsa. Josuke sabia que seu tempo estava se esvaindo no instante em que percebeu que era seu cartão de crédito.

 

Merda. Ele teria de apelar para algo mais chulo assim, não teria?

 

Higashikata balançou na cadeira, recebendo um olhar confuso do mais velho que exteriorizava nada além de mínimo interesse.

 

O policial segurou sua honra, repetindo para si mesmo: “Você pode fazer isso, Higashikata Josuke.”

 

Então, tudo o que saiu foi: “Está me tratando dessa maneira por que eu não estou usando meu uniforme? Eu sei que fico melhor de farda, mas eu não sou apenas o que existe por fora.”

 

“Josuke.” Rohan sibilou: sua face tão sombria que o fez se arrepender de ter nascido naquele momento. “Eu pareço ser o tipo de pessoa que aprecia esse humor?”

 

O mais alto quebrou a atmosfera com uma risada fraca – ou tentou fazê-lo. Sua mãe estaria envergonhada dele agora. “D-De certa forma.”

 

O mangaká abandonou seu cartão, jogando delicadamente suas notas gordas de um par de ienes na mesa e se levantando dela.

 

Josuke se desesperou – sem nem mesmo saber exatamente o porquê – indo atrás de Rohan mesmo quando ele já estava fora do restaurante de Tonio, pisando na grama em direção ao seu carro do outro lado da rua.

 

Rohan parou antes de chegar ao seu destino. Ele se virou para o policial, levantando seu olhar o bastante para que pudesse enfrentar os claros quinze centímetros de diferença que os separavam.

 

“Por que você está me seguindo? Por que insiste em me irritar?”

 

A voz de Kishibe estava rasgada em raiva e, mesmo assim, ele deixou seu tempo para que Higashikata o respondesse (ainda quando ele nunca tenha chegado). O artista continuou: “Eu entendo que você pode estar se sentindo solitário desde que Okuyasu se alistou para as Forças de Autodefesa, mas você não pode refletir isso em mim.”

 

Josuke franziu o cenho. Rohan estava errado. Isso não era sobre Okuyasu, e nem mesmo sobre nenhum de seus outros amigos.

 

 “Eu não sou uma pessoa solitária e, infelizmente, não sou capaz de fazer você se sentir melhor.”

 

A última frase saiu fraca e falha, e Rohan passou as mãos pelo próprio rosto. Josuke sentiu culpa ao vê-lo dessa forma: seu coração parecendo pesado dentro dele.

 

“Eu não estava tentando irritar você, Rohan.”

 

O mangaká ainda não estava respondendo. Suas mãos ainda estavam ocultando seu rosto, apesar de uma delas ter se arrastado até seu estômago nesse curto período de tempo onde o maior esteve tentando se comunicar com ele.

 

Kishibe emitiu um som estrangulado, fazendo com que Josuke se assustasse e chegasse mais perto dele. “Ei, você está bem?”

 

Não demorou muito para que ele obtivesse uma resposta clara, ácida e pegajosa. Rohan se apoiou em seus dois ombros largos, vomitando em cima da jaqueta larga que Josuke estava usando.

 

O policial permaneceu estático, vendo o outro tossir continuamente enquanto seu corpo perdia a força.

 

Higashikata arquejou, sabendo o que deveria fazer. Ele segurou seus braços, ajudando-o a se equilibrar. “Onde está seu carro? Eu vou te levar para casa.”

 

“E-Eu posso ir sozinho, bastardo!” Rohan jogou contra ele em um timbre rouco ao mesmo tempo em que seu corpo não parecia corresponder tão bem com as suas próprias palavras, fazendo o homem mais velho afundar seu rosto no peito de Josuke em fraqueza muscular.

 

“Você não consegue nem mesmo se manter de pé. Pare de ser tão teimoso.” Josuke se livrou de sua jaqueta, especialmente contente por estar usando uma blusa em baixo dela.

 

Kishibe bateu suavemente as mãos nas costas do oficial, gemendo ao tentar se desvencilhar de seu aperto forte. O maior sabia que ele estava sofrendo em uma luta árdua contra seu orgulho agora, assim sendo ele não foi capaz de culpá-lo por isso. “Eu não sou seu amigo, Higashikata.”

 

“Então tente pensar nisso como uma cordialidade.”

 

Rohan parecia estar disposto a refutá-lo, mas desistiu no caminho.  Josuke tinha vencido, e nem mesmo ele podia negá-lo.

 

Ele entregou suas chaves ao oficial, que se esforçou para pegá-las das mãos trêmulas do artista. O maior o acomodou melhor em seus braços, deixando que ele sustentasse seu peso através de seu tronco. Nessa proximidade, Josuke pôde sentir como Rohan era gélido - mesmo por baixo de toda a sua roupa. Ele se apressou em chegar até o carro sofisticado do mangaká, sofrendo ao obter alguma dificuldade em lidar com um modelo tão tecnológico em comparação ao seu exemplar humilde. Rohan definitivamente foi alguém com um patrimônio bastante rico, mas não é como se Higashikata já não soubesse disso. Em realidade, ele não se importou.

 

Kishibe esteve quieto durante todo o percurso, apoiando o rosto em seus joelhos na carona e ofegando em uma respiração profunda que deixou o homem mais alto cada vez mais preocupado. A última vez que ele sentiu uma sensação semelhante havia sido meses atrás, quando sua mãe sofreu um acidente de carro. Ela não tinha adquirido nenhuma lesão considerável para qualquer tratamento hospitalar, mas Josuke só soube disso depois de contornar toda a cidade e correr pelos corredores nos quais ele tanto odiou. Foi desesperador, porém irônico que ele estivesse comparando-a com Rohan agora, de todas as pessoas.

 

Higashikata precisou levá-lo até o segundo piso, carregando seu peso insignificante em seu colo através do estilo noiva uma vez que ele estava praticamente desacordado nesse momento. Poderia ser egoísta pensar que ele estava aproveitando cada minuto adicional que obteve com o mais velho, mas o inverso desse - sem nenhuma dúvida - seria ainda mais.

 

A verdade é que Josuke nunca tinha entrado no quarto particular de Rohan.  Ele se sentiu como um intruso ao entrar no cubículo, acomodando-o na extensa cama de casal e percebendo como ela parecia especialmente vazia.  Ele se absteve de pensar em qualquer coisa além do bem-estar do artista depois disso, vendo como seu corpo estava começando a suar por baixo de todas as camadas.

 

Rohan parecia pacífico em seus olhos cerrados, com seus cílios longos repousando graciosamente em suas bochechas avermelhadas que Josuke desejou tocar.

 

Talvez ele devesse tê-lo levado ao hospital? Bem, era um pouco tarde para pensar nisso.

 

Josuke chegou mais perto, dedicado a retirar a faixa verde que estava decorando a cabeça do artista. Contudo, no instante em que ele a tocou, o mangaká se afastou dele instintivamente.

 

“D-Deixe isso.” Ele sussurrou, arrancando um suspiro dos lábios do policial mais jovem.

 

“Você está suando. Vai se sentir melhor se estiver livre disso.”

 

Rohan apenas negou com a cabeça, se encolhendo mais em cima da cama.

 

Higashikata achou melhor não pressioná-lo mais do que isso, cobrindo-o com um dos cobertores que encontrou no cômodo. O policial não sabia o que Rohan estava sentindo, mas ele achou que deveria entregá-lo algo que pudesse aliviar seu desconforto. Ele desceu até o primeiro andar mais uma vez, vasculhando os compartimentos da cozinha no intuito de localizar alguns comprimidos de antiespasmódicos. Tudo o que Josuke encontrou foi um frasco alaranjado entre medicamentos vencidos há muito tempo e caixas vazias, estreitando os olhos para ler seu rótulo.

 

Eram suplementos diários de perda de peso.

 

Josuke se assustou, avidamente se questionando o porquê de alguém como Rohan ter esse tipo de coisa em casa. Isso não poderia ser dele... Poderia?

 

O mangaká era particularmente magro desde que ambos se conheceram. Josuke se viu reparando na maneira como ele exibia seu porte impecável em pouca roupa, ademais do admissível ressalto de alguns músculos originados de sua prática em exercícios físicos na academia. Por consequência, não houve motivos que poderiam levá-lo a acreditar que isso pertencia a ele, embora o frasco já estivesse além da metade. Ainda assim, isso o deixou um tanto aflito. Não era a primeira vez que ele via Rohan vomitar, certo?

 

Higashikata balançou a cabeça, afastando suas divagações. Ele decidiu que deveria se contentar em levar uma dose de água até o artista se quisesse realmente ajudá-lo.

 

Ele subiu assim que se sentiu pronto, parando para respirar profundamente quando esteve em frente à porta. Em seguida, ele a empurrou, percebendo que Rohan ainda estava deitado da mesma maneira em que ele o deixou, porém seus olhos estavam abertos e placidamente fixos no teto acima dele. Josuke se aproximou com cuidado. “Eu trouxe um pouco de água. Não é um remédio, mas foi tudo que eu pude encontrar para te ajudar com a sua azia.”

 

“... É o suficiente.” Kishibe cambaleou até sua direção, pegando o copo de suas mãos. O único som genuinamente audível sendo o ruído do líquido correndo pela sua garganta. “Obrigado, Josuke.”

 

“Você quer falar sobre o que aconteceu?” O jovem adulto perguntou, tentando transparecer o máximo possível de sua disposição para escutá-lo.

 

Rohan apenas colocou o recipiente vazio sobre a cômoda ao lado da cama, relaxando sua postura tensa ao se deitar novamente. “Eu acho que não.”

 

Josuke buscou uma posição mais confortável no colchão, examinando de forma longínqua a grande penteadeira que Rohan possuía.

 

“Você não é como Okuyasu.”

 

O mais baixo se virou para Josuke, arqueando uma das sobrancelhas em confusão.

 

O policial esfregou as mãos no rosto, sentindo a textura áspera de sua barba recém-feita ao evitar olhar para qualquer lugar que não fosse o lençol de bichinhos que o outro suspeitosamente tinha. “Eu não estava tentando substitui-lo ao falar com você, e nem estou aqui por uma tentativa de me redimir pelo que você fez por mim. Eu fiz isso por que eu simplesmente gosto de você."

 

Josuke estava se sentindo como uma grande bomba à beira da explosão. Ele havia acabado de confessar que possuía o início de um sentimento afetuoso com Kishibe Rohan, no qual ele nunca imaginou.

 

Sobretudo, ele também estava vendo uma reação excêntrica vindo do artista - o que você não podia deixar de esperar. Se o cérebro de Josuke estivesse funcionando corretamente, ele poderia dizer que viu Rohan corando sob a luz fosca de seu quarto escuro e drasticamente vago. Kishibe estalou a língua no céu da boca, se afastando como sempre foi habituado a fazer. Sempre fugindo de seus sentimentos, e sempre fugindo dos sentimentos dos outros.

 

“Pare de ser emocional quando eu sequer elogiei você, idiota."

 

“Deus, eu pensei que O Grande Kishibe Rohan era mais confiante sobre si mesmo. O que eu preciso dizer para te fazer aceitar isso?”

 

“Você é estranho.” Rohan lamentou, como se o mesmo homem que havia sido pego saboreando vísceras de aracnídeos e induzindo pessoas à autoimolação pudesse chamá-lo de estranho.

 

Da mesma forma, o jeito como um sorriso irônico camuflou as verdadeiras intenções por trás de seu rosto estavam fazendo o ritmo acelerado do coração de Josuke parecer cada vez mais desconexo enquanto ele tentava suportá-lo em seu peito ao olhar fixamente para o mangaká.

 

Rohan parecia melhor, e isso o deixou feliz.

 

Destarte, o mais velho não demorou a se cansar disso, jogando uma almofada no rosto bobo que Josuke estava fazendo. “E pare de me olhar dessa maneira, pirralho rude."

 

“Eu não sou um pirralho.” Josuke inflou suas bochechas, se sentindo particularmente ofendido. Ele era um homem agora, que morava sozinho e fazia suas próprias compras.

 

“É, você tem razão.” Rohan respirou fundo, pensando melhor a respeito ao coçar sua nuca. “Você cresceu demais, Higashikata Josuke.”

 


Notas Finais


Eu estou muito feliz. Muito feliz mesmo porque, na semana passada, quando eu publiquei o capítulo anterior, eu estava muito mal. Eu estava desanimado e não fazia ideia de como lidar com isso. E então, eu recebi comentários incríveis que me fizeram se emocionar tanto que eu penso que nada pode me fazer parar agora. Obrigado por acompanharem e darem suporte à Fora do Meu Alcance e, principalmente, por tornarem meu coração mais leve.


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