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História Fora do meu alcance - Capítulo 5


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Notas do Autor


Eu não sei o que anda acontecendo recentemente, mas mesmo eu tendo muito apoio, eu estou me sentindo insatisfeito com essa história.

Eu vou responder mais comentários também em breve quando tiver tempo livre, porque isso está me acalmando tanto ultimamente que, meu deus eu nem consigo agradecer vocês como eu queria ♡.

Espero que gostem. Boa leitura!

Capítulo 5 - A Luz Atrás de Você


 

Josuke cambaleou até a porta, batendo na campainha. Seus dedos eram escuros no interruptor e nenhuma luz estava acesa por trás das persianas. Ele olhou para o seu relógio: eram três da manhã.  O mesmo gemeu ao esfregar a parte superior de seu uniforme, sentindo o líquido molhar suas mãos e uma dor por tampouco suportável atingir suas fibras.

 

Um péssimo dia para se estar de plantão, ele diria. Ninguém poderia imaginar quando um dos detentos que haviam sido presos por seu avô no passado seria finalmente liberto após quinze anos.  Por algum motivo, ele não parecia muito satisfeito ao descobrir que o oficial Higashikata, chefe da polícia por um longo tempo, tinha sido assassinado por outro criminoso senão ele mesmo. Infelizmente, Josuke foi quem precisou arcar com as consequências. Depois de prendê-lo novamente e cuidar de tudo sozinho até o fim de seu turno, ele saiu do posto policial, como quem não possuía um ferimento enorme em seu abdômen.

 

Entretanto, isso ainda não explicou a razão pela qual ele estava em frente à porta de Rohan agora, ao invés de um hospital qualificado que pudesse cuidar adequadamente dele.

 

 Fazê-lo preencher fichas e arfar perante agulhas que costurariam seus ferimentos com o máximo de cautela, somente para liberá-lo – ocasionalmente – como mais um dos milhares de pacientes. Quem sabe, até indicá-lo um remédio ou descobrir problemas que ele sequer sabia que existiam em seu corpo sentado em uma maca vazia, branca e cheia de histórias horríveis para se contar. Talvez, tudo se tratasse do fato de que Josuke não gostava de hospitais. Contudo, se você olhasse mais adiante, perceberia que nem mesmo o melhor dos médicos poderia oferecer o que o mangaká o dava sempre que ele estava por perto.

 

 Higashikata estava convencido disso assim que a porta se abriu, e então os olhos de Rohan se converteram em algo mais assustado quando ele percebeu todo o sangue em seu peito, o que durou poucos segundos até Josuke perder a força em suas pernas e cair nos ombros do artista. Ele descobriu que, intimamente, Rohan era muito mais forte do que ele pensava ao suportá-lo e trazê-lo para o segundo andar, onde ele estava calmamente limpando seus ferimentos como da última vez.

 

 “Você tem certeza que está fazendo isso da maneira correta?” Josuke inqueriu. Sua expressão alternando em caretas expressivas de dor conforme o mangaká o fechava com uma bonança quase assustadora.  A jaqueta de sua farda estava jogada em algum canto do estúdio de Rohan nesse momento, e o frio apenas piorava a forma como seus músculos expostos sofriam pela sensação térmica.

 

“Eu substitui meus materiais por outros mais novos depois da primeira vez em que estive cuidando de você.” O artista cortou o excesso do fio cirúrgico com uma calmaria admirável, o que levou o policial a navegar por memórias polidas de suas sessões de fisioterapia. Ele admirou a porção finalizada de seu trabalho, preparando-se para perfurar o lado direito da pele de Josuke.  “Talvez eu tenha buscado aprimorar minhas técnicas de sutura também, mas isso não vem ao caso.”

 

Higashikata se esforçou para não imaginá-lo testando suas capacidades em almofadas de sutura, mas não é preciso muito para constatar que ele não conseguiu.

 

Honestamente, o mais novo se sentiu aliviado ao pensar que Rohan se preocupou o bastante para preencher seu tempo com algo assim, sem embargo de que - em todos os casos - ele foi uma pessoa essencialmente talentosa com suas mãos. O policial grunhiu baixinho ao sentir a súbita intrusão da agulha em seu machucado, sorrindo contraditoriamente. “E-Eu espero que você não me mate, Rohan.”

 

“Se estivesse realmente preocupado com isso não estaria batendo em minha porta no meio da madrugada.” Ele expôs uma carranca que fez o maior perceber que não estava em condições de fazer muitas piadas.

 

“Você está certo. Me desculpe.”

 

Kishibe interrompeu previamente seus movimentos, encarando o piso amadeirado com um semblante que Higashikata supôs se tratar de seus ramos impossíveis de se ler. Ele se sentiu ainda mais culpado ao prestar atenção nas marcas profundas sob seus olhos, relatando a probabilidade enorme de todas as suas noites mal-dormidas.

 

 “Eu não estava dormindo, de qualquer forma. Eu acho que você pode passar a noite aqui, desde que não se importe em estar num dos quartos de hóspedes.”

 

Naturalmente, Josuke se surpreendeu. O policial nunca estaria imaginando um cenário onde ele pudesse passar mais de um par de horas na mansão do artista, a despeito de que não foi uma ideia desagradável em suas convicções. Ele apenas pensou que seria uma experiência nova, porém justa se o comparasse com a estadia de Rohan em sua casa. Todavia, a ideia de ter a chance de descobrir como o mangaká acordava pela manhã e a hipótese existente de que ele pudesse compartilhar seu café da manhã com ele foi bastante... Estimulante.

 

Seu cérebro simulou o que aconteceria se Rohan decidisse privá-lo de tudo isso. E, como todas as vezes que ele esteve diante dessa possibilidade, sua curiosidade gritou em doses maiores por respostas mais descritivas.

 

Josuke umedeceu seus lábios, encarando o homem mais velho a tempo de presenciá-lo selando seu corte.

 

“Crazy Diamond não tem um grande desenvolvimento potencial, mas eu adquiri a habilidade de acelerar a cicatrização de alguns dos meus arranhões superficiais ao longo dos anos.” De fato, não foi algo que solicitou muito empenho. Higashikata trabalhou nessas evoluções através de métodos gradativos, com pequenos testes e treinos constantes. “Koichi me contou que você pôde cegá-lo com Heaven’s Door no passado e trazer sua visão de volta. Eu estive pensando: você não pode usar seu stand para esse tipo de coisa?”

 

“Meu stand não é capaz de curar. Eu só posso tirar de você aquilo que você tem, e só posso devolvê-lo aquilo que um dia foi seu.”

 

Claro. Josuke não pensou nisso. Fazia sentido que uma boa parte do interesse de Rohan se fundamentasse em experiências, uma vez que elas representavam tudo o que ele era. Assim sendo, era racional pensar que ele não pudesse manipular memórias que não existissem.

 

No entanto, um mero detalhe como esse não o atrapalhou de anular o repertório imenso que esculpiu as escolhas que Rohan poderia fazer.

 

“Ainda é muito poderoso. Você poderia facilmente conquistar o mundo se você quisesse.”

 

“É, mas eu sei cuidar das minhas responsabilidades.” Ele segurou a pinça com mais firmeza em suas mãos, terminando os pontos finais. Higashikata percebeu que o artista parecia consciente da proporção gigantesca que suas habilidades poderiam tomar, e que ele já havia pensado nisso antes, no qual pequeno seria dizer que mais de uma vez. O outro tossiu suavemente, suspirando no final da frase. “Eu não planejo me tornar o presidente dos Estados Unidos, se é o que você quer saber.”

 

Josuke riu baixinho. A propósito, ele se sentiu um idiota ao notar que havia vencido Heaven’s Door com a força de seu próprio ódio indulgente. Inferno, ele teve a certeza de que a diferença existente em questões métricas valia menos do que um número completamente nulo agora.

 

“Você não sente nenhum estresse ao se lembrar de tudo?"

 

Rohan parou, definitivamente. Ele pareceu hesitante de verdade nesse instante, como se não tivesse refletido a respeito. Era uma questão simples, mas Josuke não podia deixar de se sentir solitário perante o conceito de ser o único a sofrer com um fardo que ele não foi o único a carregar – além de senti-lo percorrer sua cicatriz com um de seus dedos.

 

É absoluto que cada um se recupera de traumas de modos diferentes, porém...

 

"Acho que eu estive apenas me forçando a esquecer." O mangaká respondeu depois de um tempo, arrastando suas mãos em direção a sua cabeça de forma que o confundiu. Os olhos celestes de Josuke vibraram quando ele o viu retirar sua bandana, deixando seus fios verdes caírem sobre seu rosto e cobrirem uma boa parte dele. O maior tragou sem nem perceber ao olhar para a minúscula marca cujo Rohan estava apontando, levemente esbranquiçada em sua testa pálida. “Eu tinha quatro anos. Reimi me jogou da janela para que Kira não me pegasse.”

 

Josuke se censurou, soando desproporcionalmente nervoso.

 

“O que é isso?”

 

“Eu pensei que você tinha uma calvície ou coisa do tipo. Me sinto mal agora.”

 

“Você é um idiota.” Rohan gemeu, liberando uma lufada de ar. O policial continuou a observá-lo, até o minuto em que ele se levantou, entregando sua peça. “Se continuar dessa forma, você pode morrer.”

 

Higashikata coçou suas madeixas escuras enquanto colocava sua vestimenta de volta, não sabendo como deveria reagir a um comentário tão repentino. “Não parece tão ruim.”

 

Rohan o olhou com uma expressão magoada, segurando seu kit médico em seus braços. A cristaleira entreaberta precisou esperar.

 

“Você gostaria que eu continuasse a vomitar minhas entranhas todos os dias?” Ele perguntou gravemente, deixando-o atônito em sua poltrona acolchoada. O artista mordeu o lábio inferior, cada vez mais consternado à medida que refletia sobre o que o mais jovem acabou de dizer. "Ninguém teria percebido que o mangaká da cidade é um bulímico se você não fosse tão intrometido e então eu somente adoeceria e morreria no hospital, sozinho.”

 

Foi como uma enorme pontada em seu corpo. Muito pior do que as intenções que estavam por trás de sua afirmação sarcástica, ou nem tanto depois que você o avaliava e percebia que ela poderia machucar outras pessoas.

 

Higashikata não estava disposto a machucar Rohan de novo. Nunca mais.

 

Kishibe deu indícios de que planejava sair, e Josuke o interrompeu ao segurar seu pulso com mais força. Sua feição era séria, impedindo que ele avançasse. Seu peito estava ardendo quando ele imaginou um mundo onde Rohan não existia.

 

“Não me faça desejar bater em você outra vez.”

 

Que grande paradoxo.

 

O mangaká deixou um arquejo profundo. Ele se sentou em sua cama, pedindo silenciosamente para que Josuke o seguisse. No instante em que o mesmo pairou ao seu lado, Rohan abraçou sua nuca, fazendo seus olhos se arregalarem assim que sua face colidiu com o seu corpo quente.

 

"Você está fazendo o seu melhor, Josuke."

 

Higashikata suspirou no peito de Rohan, esfregando seu nariz no suéter claro que ele estava usando naquela madrugada. Seus braços contornaram os quadris do artista cautelosamente, trazendo-o mais para perto conforme ele ofegava mais uma vez. "Você tem um bom perfume."

 

Rohan apenas riu um pouco, cutucando suas pernas e intensificando o carinho em sua cabeça. O penteado do mais jovem já estava quase que completamente arruinado em suas mãos, tecendo seus gestos cuidadosos que deixaram Josuke sonolento. Apesar disso, era difícil dormir quando ele estava enrolado em Rohan dessa maneira: sentindo cada pedaço de sua estrutura em contato com a sua própria alma transmitindo seu calor corporal. Ele nunca teve tamanha intimidade com ninguém antes. Pelo menos, não dessa forma. Ele custou a acreditar que estava nos braços do artista, e que tudo foi consensual à sua simples e pura vontade de fazê-lo com ele. O jeito como o coração do mangaká batia sob si mesmo e brincava com seus sentidos o fez relaxar, e ele mal percebeu quando estava se levantando apenas para encarar seu rosto.

 

Kishibe estava olhando para ele também, com uma expressão que Higashikata não soube como decifrar. Seus olhos verdes semi-abertos e lábios frouxos o trouxeram a uma realidade diferente ao passo em que ele esteve pensando e se esquecendo de cada dor que seu corpo sentia.

 

Nesse momento, Josuke pensou que não haveria um remédio natural melhor do que este.

 

"Você é lindo." Ele sussurrou, beijando seu maxilar.

 

Kishibe bufou. “Você tem olhos.”

 

“Eu estou falando sério. Não sou capaz de identificar nem mesmo um único defeito em seu corpo, Roh."

 

As íris de Rohan se alargaram. Suas bochechas ficaram tão vermelhas que Josuke precisou se conter para não rir e forçar ainda mais os pontos em seu abdômen.  “N-Não encurte o meu nome assim..."

 

Higashikata não se importou. Ele desceu seus beijos para o pescoço do artista: tornando-os mais molhados e obscenos à proporção que ele beliscava sua clavícula e acariciava seus ombros gentilmente, fazendo-o estremecer ao seu redor.

 

"Você é inteiramente pitoresco. Eu não entendo muito de arte, porém eu poderia dizer sem nenhuma dúvida que seu corpo implora para ser eternizado."

 

Josuke esperou que Rohan se sentisse da mesma forma. Ele esperou que ele pudesse se ver agora, e que soubesse o quão perfeito o mesmo parecia. O mais baixo grunhiu em resposta, tentando esconder seu rosto. O oficial ousou ir mais além disso, retirando suas mãos ao encará-lo o máximo que pôde, erguendo seu queixo fino. Vendo-o assim, totalmente desprotegido de todas as suas inseguranças aos pés dos seus elogios incansáveis, serviu como uma boa forma de esclarecimento sobre as diversas vezes em que seu coração cedeu em torno de suas investidas astutas.

 

Desse modo, ele se aproximou, apoiando ambas as mãos no colchão em seu entorno para que sustentasse seu peso. O mais alto tocou o rosto do artista, acariciando-o ternamente enquanto ele se aproximava, fechando seus olhos na mesma medida.

 

Quando seus lábios enfim tocaram os de Rohan, ele percebeu que não fazia a menor ideia de que precisava tanto disso. Ele se separou rapidamente depois de um curto selinho, sentindo seu coração bombear como um louco em seu peito. Todavia, Rohan não parecia nada desgostoso - e muito menos satisfeito. Ele o puxou de volta sem nenhum escrúpulo, enlaçando suas pernas em sua cintura e reivindicando o controle para um beijo mais expressivo: mais voraz. Josuke derreteu nesse instante, não se atentando a qualquer dor que ele poderia estar sentindo em sua forma machucada. Ele apenas o apertou mais, explorando sua cintura e retribuindo o beijo com todo o fôlego que restou em seus pulmões.

 

O gosto de Rohan foi algo azedo, e ao mesmo tempo doce que o fez compará-lo internamente com o néctar de uma maçã verde. Após alguns segundos, o mangaká estava arranhando levemente suas costas, e os quadris de Josuke não estavam mais tão imóveis sobre seu corpo. Seus lábios dançavam em pequenos beijos envoltos por uma personalidade que foi tudo, menos puritana.

 

Eles precisaram parar, porque sabiam que, se continuassem, isso não se tornaria apenas um beijo – apesar de que essa linha já havia sido ultrapassada há um bom tempo.

 

Kishibe gemeu afônico, se afastando para recuperar seu oxigênio. O oficial não fez nada além de continuar observando-o, intercalando em pequenos sorrisos bobos que o tornaram prudente de que o seu espírito adolescente ainda não estava morto.

 

 “Você é um desastre. Eu não posso acreditar que estou beijando alguém como você.” Rohan notou sua fisionomia aérea, depositando um pequeno beijo no canto de seus lábios assim que Josuke suspirou.

 

“Não é tão difícil acreditar que eu sou irresistível.”

 

 Beijar Rohan necessitava de mais energia do que ele imaginou. Entretanto, seu relógio mental tilintou ansiosamente pelo momento em que ele estaria se esgotando mais uma vez.

 

O mais velho pinicou seu nariz com seus dedos, vendo como os olhos de Higashikata se fechavam e seu peito subia e descia em um ritmo constante, denunciando seu cansaço eminente. “Eu costumo duvidar de mentiras.”

 

Devido a todas as condições, Rohan supôs que o quarto de hóspedes estaria desabitado. Ao menos, por mais uma noite.

 

 

-

 

 

Um eco ressoou pelos ouvidos de Josuke, liquidando o sono que imobilizou seu corpo.

 

Seus braços pareciam submersos em brasas ao passo em que ele abriu seus olhos, observando a paisagem. Não foi um cenário sobrecomum em seu cérebro, onde todas aquelas árvores baixas em um beco sem saída demarcavam um local que marcou suas memórias: a mesma loja de conveniência Owson e a farmácia Kisara depois do distrito comercial, emoldurando um grande vão sombrio em uma rua que ele conhecia muito bem. Os pelos de Josuke se eriçaram, e todo o seu corpo se tornou mudo assim que uma enorme pressão começou a percorrer seu tronco. Havia sangue por quase todo o seu rosto, e ele já não era mais capaz de se manter de pé.

 

 Se estivesse em uma situação diferente, Josuke estaria entrando em desespero se não soubesse o que tudo isso representava, mas não foi a primeira vez que ele estava revivendo seu trauma – apesar de que não o ocorresse há meses consecutivos. Afinal, nada do que ele dissesse adiantaria. Seu destino não iria mudar, mesmo que ele se esforçasse para fazer algo a respeito. Na maioria das vezes, ele continuou imóvel: aceitando o seu caminho e em oposição à realidade que lhe foi posta diante de seus pés, Higashikata se deixou ser julgado.

 

Porém, um sentimento novo estava presente dessa vez. Um pânico muito mais brutal estava se debruçando em suas vísceras, pedindo para que ele lutasse contra aquilo que continuava a daná-lo impiedosamente.

 

Lutar ou fugir?

 

Kira possuía um sorriso eloquente em seu rosto turvo, com seus passos calmos como um felino e seu terno de alta costura. Seus dedos quase se tocando à medida que seu semblante orgulhoso crescia, a pouco de explodir Josuke em milhões de pedaços que o tornariam invisíveis na atmosfera. Josuke era o único que poderia detê-lo, e matá-lo não entrou em uma linha fora do seu limite. Essa foi a justiça clara e resplandecente. Isso foi o que o motivou a levantar seus punhos e envolvê-los na garganta de Kira Yoshigake, apertando-a onde sua gravata alinhada descansava em seu peito. Lágrimas estavam descendo do rosto de Josuke, e ele sequer queria fazê-lo. 

 

Lutar ou fugir?

 

Kira está machucando seus amigos, mas ninguém o alertou de que isso o acompanharia para sempre.

 

Kira está machucando sua família, mas ele também tinha sangue nas mãos.

 

Kira está machucando Rohan, o enforcando com todas as suas forças e fazendo-o se debater e implorar por fôlego.

 

E então, ele percebeu que precisaria lutar. O som da ambulância correndo por seus ouvidos dentro de um quarto escuro, e as luzes sendo refletidas através das janelas em direção a algum condomínio mais próximo e desregrado. No entanto, em algum ponto do caminho, Josuke olha melhor para a versão estrangulada de seu inimigo. Percebendo que, dentro de todo esse contexto, ele não deveria ser capaz de ouvir isso.

 

Esse não é Kira.

 

Esse é Rohan.

 

 Definitivamente não fugindo, mas lutando contra as mãos de Josuke em volta de seu pescoço. Higashikata afrouxou seu aperto em puro choque, sendo empurrado para o lado quando o artista conseguiu tomar o controle - tossindo continuamente. O policial estava oscilando. A única coisa que restou em seu corpo foi puro terror. No momento em que viu lágrimas finas descerem do rosto do homem mais baixo, ele soube que havia entrado na lista minúscula de pessoas que fizeram Kishibe Rohan chorar.

 

O mais alto tentou se aproximar dele novamente, preocupado com a situação que ele estava enfrentando. Crazy Diamond sempre poderia curá-lo. Crazy Diamond tinha a habilidade de curar qualquer coisa e, principalmente, aquilo que Higashikata quebrou.

 

Contudo, Rohan o afastou com um tapa em suas mãos trêmulas, fazendo suas íris oceânicas recearem.

 

 “Vá embora, Josuke.”

 

 

 


Notas Finais


Os gatilhos do TEPT não são universais. Sons são um dos maiores "influenciadores" que desencadeiam medo paralisante, e eu pensei que o som da ambulância poderia facilmente ser aquilo que o faz reviver a experiência traumática - creio que vocês saibam o porquê.

O que eu tenho para dizer sobre esse capítulo é:

O começo de um sonho...

Deu tudo errado.


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