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História Fora do meu alcance - Capítulo 7


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Notas do Autor


O objetivo dessa história sempre foi incorporar o topo de cenas mundanas e realistas. Eu amo escrever slice of life e mais de 50% das minhas histórias giram em torno desse gênero, então quando me dispus a escrever uma longfic sobre esse mesmo tema eu me senti apavorado, porque, apesar de estar entrando em um território que deveria ser mais dominado, eu apenas senti que eu ainda estava no escuro.

Eu decidi reler um pouco dessa fic ontem. Agora eu estou aqui pensando onde que ficam as vagas para o curso de aprender a escrever longfic porque depois de escrever mais de três sobre Josuhan eu ainda não sei kkkkkkkkkk.

Capítulo 7 - Cinco Segundos de Inverno


 

 “Acho que houve alguma sorte em termos nevascas mais agressivas esse ano. Meu pai está feliz que nós pudemos voltar.” Okuyasu mediou, tremendo ligeiramente ao redor dos pequenos flocos de neve que caíam em sua pele quando ele envolveu seu melhor amigo, se esforçando para esboçar seu melhor sorriso em seus lábios congelados.

 

Josuke assentiu, observando a trilha de teleféricos e rindo baixinho das reações físicas de seu amigo ao frio. Ele estava acostumado a esse tipo de temperatura, sobretudo devido ao fato de que Morioh certamente era mais fria do que qualquer outro lugar do Japão.

 

Ainda como uma circunstância irreverente, o inverno havia começado de uma maneira singularmente memorável aquele ano, com intensas tempestades de neve por todo o país. Quando Josuke soube que Okuyasu estaria retornando para a cidade devido aos inusitados eventos climáticos por alguns dias, ele se esforçou para elaborar uma forma de reunir seus melhores amigos de volta. Eles decidiram visitar o Monte Zao, localizado na fronteira da província de Yamagata e Miyagi para aproveitar a neve e o fato de que, por ser rodeado por montanhas, o Japão possuía boas áreas para a prática de esqui.

 

 Nenhum deles poderia receber o título de esquiador profissional, então eles optaram por um lugar que fosse conhecido por seu favorecimento àqueles que gostariam de aprender. Koichi foi o próximo a se aproximar do homem de pele bronzeada, sendo amistosamente abraçado de uma maneira que quase o creditou de que todos os seus órgãos internos seriam partidos no percurso.

 

Josuke ergueu uma sobrancelha ao notar que o grupo parecia um pouco menor do que deveria. “Onde está Yukako?”

 

“Ela não é uma apreciadora muito forte do frio, ou apenas pensou que seria convincente nos dar um dia especial dos rapazes.”

 

“Você não precisa mentir para nós, Koichi-kun. Acredito que todos aqui já saibam que ela não poderia passar muito tempo respirando o mesmo ar do que eu.” O mangaká resmungou, arrancando uma risada nervosa do rapaz de cabelos grisalhos.

 

“Rohan! Eu não sabia que você viria. Cara, eu também fui capaz de sentir sua falta.”

 

Kishibe franziu a testa. “Higashikata me convidou e, infelizmente, ele não parecia muito disposto a me deixar em paz por todo o fim de semana se eu decidisse recusá-lo.”

 

Seus olhares se encontraram nesse curto intervalo. Josuke apertou seus lábios para evitar qualquer feição que denunciasse seu entusiasmo por isso, necessitando de disfarçar toda a aproximação que se seguiu entre ele e o artista nos últimos meses.  Ele pensou que os dois seriam muito mais perceptivos do que a sua necessidade de dizê-lo em voz alta, e então as suas descrições limitadas se estabeleceram em contá-los apenas sobre sua amizade sobrepujada e mais civilizada.

 

“Me recuso a acreditar que você realmente aceitou vir até aqui ao invés de passar o dia trabalhando em Pink Dark Boy.” Koichi se pronunciou enquanto eles caminhavam até o guia, se esforçando para atravessar toda a neve.

 

Rohan girou levemente em seus calcanhares, parecendo ponderar um pouco mais antes de esboçar uma feição incisiva – endireitando o cachecol em seu pescoço.

 

“Eu estou de folga. Além disso, o esqui é emocionante e pode saciar a necessidade de adrenalina de qualquer um. É o tipo de experiência que estou buscando para manifestar no meu mangá.”

 

“A verdade é que eu sou muito amável para se recusar um pedido.” Josuke se gabou ao passo em que enviava um pequeno toque nos ombros de Rohan (que o devolveu com um tapa não tão delicado).

  

Okuyasu parou no caminho, encarando os dois homens com um tipo de expressão chateada. “Desde quando vocês se tornaram tão amigáveis? Acho que estou passando tempo demais fora.”

 

Rohan bufou, cruzando os braços assim que eles finalmente chegaram até o mapa do esqui, no qual poderiam se orientar por meios dos marcadores e decidir qual das pistas seria mais adequada para o nível que eles optariam por se aventurar.

 

 “A sua ausência está mexendo com a cabeça de Josuke. Você deveria tomar responsabilidade disso.”

 

O policial gostaria de ter encontrado uma resposta inteligente para a provocação do mais velho, no entanto, qualquer sugestão que ele pudesse encontrar morreu em sua boca.

 

“Deveríamos pegar uma pista fácil, certo?”

 

Okuyasu torceu o nariz. “Isso é para crianças, Koichi!”

 

“Podemos avançar para uma pista intermediária. Nós temos nossos stands, de qualquer maneira.” Josuke deu de ombros, analisando a ilustração no mapa.

 

“Isso não diminui os nossos riscos, além de não fazer nenhum sentido.” O único espírito responsável que havia entre o grupo falou mais alto. “Estas não são muito rápidas, têm poucos obstáculos e não são longas, enquanto a pista intermediária é mais inclinada e você não deve ir numa dessas até que tenha dominado as mais fáceis.”

 

Rohan concordou com Koichi, lançando-lhe um olhar rijamente enfadonho. “A menos que você queira embarcar nessa, Higashikata. Afinal, se todos nós nos machucarmos você poderá nos curar.”

 

“Eu entendi. Não me deem sermões tão cedo.” O mais alto choramingou, partindo para a trilha oposta.

 

Eles se locomoveram até a estação onde poderiam alugar seus pares, lutando contra a temperatura avassaladora em seu menor pico de densidade através de duas longas décadas. Okuyasu estava discutindo com um dos atendentes sobre a única disponibilidade de tamanhos para Koichi ser em exemplares infantis, ao passo em que Josuke estava calçando suas botas com um sorriso largo no rosto.

 

Ele não podia descrever o quanto isso o deixou tranquilo e longe de qualquer tipo de estresse. O policial queria ter a capacidade de eternizar esses pequenos momentos, em um universo em que eles nunca fossem acabar.

 

O banco amadeirado rangeu ao seu lado, fazendo Josuke se virar o suficiente para ver a figura de Rohan embalada em várias camadas de roupas. Ele riu baixinho ao ver seu nariz avermelhado, tremendo ligeiramente pela temperatura.

 

“Você parece engraçado.”

 

Rohan se encolheu, virando para ele e patenteando mais uma de suas facetas sarcásticas. “Eu sinto vontade de rir de você todo o tempo e não estou fazendo isso.”

 

“Você sabe que as suas respostas ácidas servem apenas para me fazer se apaixonar mais por você.” Josuke sussurrou, olhando em volta antes de surpreendê-lo com um súbito movimento: depositando um pequeno beijo cálido em sua bochecha esquerda antes de manobrar sua atenção para as suas próprias botas.

 

Apesar de toda a atmosfera provocativa, o jovem adulto conseguia encarar a companhia de Rohan como algo especialmente importante. Ele somente pensou que, se isso acontecesse em um momento diferente, o outro nunca teria aceitado o seu convite (por mais insistente que fosse). Na verdade, ele jamais teria atendido a sua ligação, em primeiro lugar.

 

Quer dizer: esse foi o cenário antes do cenário. Agora, não houve um único dia em que Josuke pôde estar longe de Rohan, oferecendo-o todo o seu carinho na maior parte do tempo e incomodando-o em seus dias de folga.

 

A feição do artista adquiriu um caráter mais embaraçoso. Ele desviou os olhos de Josuke, exatamente como fez no dia em que ele esteve acordando em sua casa: esfregando seus pés enquanto um pequeno bico se formava em seus lábios pintados de um intenso verde musgo.

 

“Eu não sei colocar isso.”

 

“Realmente?” Higashikata sorriu, terminando de se equipar e encarando o mais baixo com uma dose maior de curiosidade. “Você nunca esquiou antes?”

 

Rohan balançou a cabeça.

 

Josuke respirou fundo, se levantando de seu banco. “Não se preocupe. Eu as colocarei para você, babe.”

 

Kishibe pareceu estupefato em sua cadeira, praticamente esmagando seu rosto corado em suas mãos cobertas depois de ouvir a maneira estúpida na qual o outro havia o chamado. Isso pareceu constrangê-lo e, se não o constrangeu, seguramente Josuke o fez quando abaixou diante dos joelhos do artista, tocando em suas panturrilhas cobertas.

 

“Você precisa deixar seus pés parados, mas não comprimidos. Os dedos não devem ficar apertados contra a frente da bota quando você dobrar os joelhos para apontar as canelas um pouco para frente.” Ele explicou, devidamente encaixando-as nos suportes de metal. "Dessa forma. Apenas mantenha o topo da bota justo contra o seu tornozelo e você não terá problemas!"

 

E enfim, ele se afastou, ainda sorrindo diligentemente como um autor que admirava a sua própria obra.

 

“... Você parece entender bastante sobre isso.” Rohan comentou, testando como seus pés se sentiam no novo calçado antes de se esgueirar nos ombros de Josuke, suspirando em seu peito coberto de um modo que o aqueceu.

 

Foi uma boa pergunta.

 

 Na prática, ela o fez se relembrar de quando ele estava no ginásio e era apenas uma criança astuta que gostava de se aventurar em coisas novas e desconhecidas, constantemente confundindo sua mãe e os seus colegas de classe no momento em que objetos novos apareciam recondicionados de repente.

 

Josuke se lembrou do dia em que teria uma excursão na escola, todavia, um problema fez com que todas as chances de que ela ocorresse fossem reconsideradas. Indubitavelmente, todos os funcionários se tornaram confusos no instante em que o ônibus escolar apareceu em pleno funcionamento de repente, possibilitando-os de seguir seus antigos planos como se nada tivesse acontecido.

 

O policial apertou suas ancas, concluindo que, por alguma razão, ele sentia uma falta inconcebível de todo esse tempo. “Meu avô gostava muito de esquiar no inverno. Acredito que pude aprender muito com ele.”

 

O mais velho o observou por um par de segundos: seus olhos acompanhando toda a extensão do corpo de Josuke. Higashikata não entendeu o motivo para estar sendo tão arduamente analisado agora, mas ele pensou que ter o olhar de Rohan sobre ele fora de um contexto antagônico não pareceu tão ruim. Francamente, isso apenas o fez pensar que ele gostaria de estar mais perto. De ser ainda mais olhado.

 

Josuke estava começando a acreditar que fazer sexo com Rohan o levou a uma espécie de abstinência.

 

Koichi ressurgiu em seguida, batendo suas botas pequenas na cerâmica. Eles se separaram rapidamente, agindo como se nada tivesse acontecido.

 

“Okuyasu acaba de socar um dos funcionários porque eles não queriam substituir suas luvas e, por causa disso, não querem nos deixar entrar na pista.” O menor esfregou as mãos pelo próprio rosto, liberando o ar de seus pulmões. “Você poderia resolvê-lo, Rohan-sensei?”

 

Rohan sorriu, e Josuke soube logo depois que estava vivo há tempo suficiente para ver alguém como Hirose Koichi pedir para Kishibe Rohan adulterar memórias.

 

 

-

 

 

Rohan golpeou seus joelhos na neve pela décima vez conseguinte, gemendo frustradamente de um modo que chamou a atenção de Josuke.

 

O mangaká jogou os bastões, suspirando em cansaço. "É impossível. Eu estou desistindo.”

 

O policial se aproximou dele, manobrando sobre a camada fofa abaixo de seus pés e lhe dando um olhar divertido. Ele esteve assistindo todas as suas tentativas fracassadas por toda a manhã enquanto ele e os outros homens já haviam conseguido se estabilizar no esqui. “Você só precisa andar a passos mais largos. Tente rolar levemente a sola rígida da bota para frente, com a parte de baixo da perna reta conforme seu corpo passa.”

 

“Eu acredito que separar os esquis é mais difícil do que andar com as botas.” Koichi pigarreou, tensionando os músculos da face em um semblante desconfortável.

 

Rohan se levantou mais uma vez, apoiando suas mãos em suas pernas e tirando a neve acumulada em suas peças caras. “Eu não tenho nenhuma aptidão para isso. Seria mais fácil se vocês não tivessem se recusado a ouvir as orientações dos funcionários ao invés de ignorá-los por causa de um mal entendido.”

 

Higashikata largou seu suporte, retirando suas botas dos esquis. O mais velho o fitou por alguns segundos, não compreendendo a razão pela qual ele havia se livrado de todos os equipamentos a partir do ponto em que ele é quem havia desisto.

 

“Isso não se trata de aptidão. Você é habituado a ser o melhor naquilo que faz e sempre saber a respeito de qualquer coisa. É natural que você esteja frustrado por não ser o mais experiente em tudo mesmo sendo o mais velho, mas você não pode aprender sem tentar.” A questão é que, se dependesse de Josuke, ele nunca deixaria Rohan desistir de qualquer coisa. “Eu posso te ajudar a começar em um plano mais liso, caso você queira."

 

No entanto, o preço foi algo um tanto alto em seu estômago. O oficial sentiu o nervosismo familiar voltar a alcançá-lo à medida que ele ansiava por uma resposta vigorosa por intermédio dos olhos do artista sobre ele.

 

Para a sua surpresa, tudo o que lhe restou foi um “vá em frente", seguido de um sucinto resmungo que combinava quase que perfeitamente com o rosto convencido que Rohan estava deixando apenas para ele.

 

Josuke se animou.

 

E, internamente, ele agradeceu por seus amigos estarem ocupados nesse momento e descendo a pista primária, porque ele sabia que Rohan jamais estaria permitindo que ele fizesse algo parecido se houvessem outras pessoas para presenciá-lo.

 

Higashikata apertou os quadris do artista de forma despudorada, parecendo um cachorro excitado ao incliná-lo na neve. Rohan somente revirou os olhos em sua cabeça, o que tampouco diminuiu sua ansiedade - embora ele não soubesse exatamente a sua origem. Foi algo que ele decidiu manter em sua extensa lista de coisas a serem descobertas sobre os seus sentimentos e as dúbias maneiras que os mesmos se comportavam em torno de Kishibe Rohan.

 

“O ângulo permite que você use os músculos mais fortes dos ombros, em vez dos músculos mais fracos do antebraço para se impulsionar.” O mais novo desdobrou, suavemente roçando a ponta de seus dedos na cintura do artista e colocando-o na posição adequada. Inicialmente, o mangaká pareceu totalmente rígido assim que ele tentou movê-lo.

 

Quer dizer, a cintura de Rohan era especificamente pequena. Qualquer um poderia suscitar a plena capacidade de concluir que as mãos de Josuke soavam grandes naquela região, e que ele poderia envolver suas mãos em seus quadris quase que completamente se ele assim desejasse, não poderia?

 

Entretanto, Higashikata não teve muitas chances para analisá-lo. Ele se contorceu no momento em que Kishibe fez um movimento brusco, tentando seguir o que o mais alto tinha ensinado.

 

 “S-Seu idiota, não 'serre' com os esquis!”

 

Rohan sorriu de um modo que Josuke pôde ver um pequeno rastro de Heaven's Door se materializando em suas costas. “Você acabou de me chamar de idiota, Higashikata Josuke?”

 

Contudo, no instante em que o mesmo se afastou o suficiente para estar distante do alcance do homem mais baixo, Rohan avançou até ele, enfim conseguindo deslizar através da neve e, finalmente, dos materiais de esqui.

 

“Parabéns, Rohan!” Koichi, que havia acabado de subir de volta, gritou para ele.

 

O menor se sentou no chão, balançando sua bandeira branca imaginária ao mesmo tempo em que olhava para o mais alto pelo canto dos olhos. “Eu estou exausto, mas talvez eu possa admitir que você seja um bom professor."

 

"Sério?" Os olhos de Josuke ficaram brilhantes diante do elogio, senão um pouco mais do que isso se ele não estivesse tão surpreso.

 

Eles continuaram esquiando até o início da tarde, quando as pistas estavam se tornando mais cheias e desconfortáveis. Depois disso, o grupo decidiu ir até o resort para recuperarem suas energias em dos restaurantes mais próximos.  Os estabelecimentos daquela região eram conhecidos por sua eficiência, rapidez e qualidade no atendimento (além de serem essencialmente baratos). Rohan se voluntariou para sustentar as despesas em um restaurante familiar pertencente a uma cadeia nacional que oferecia uma variedade de pratos ocidentais, chineses e japoneses. Josuke nunca havia ido até lá antes, então ele esteve surpreso ao constatar que esses restaurantes estavam por toda parte, mesmo longe dos grandes centros urbanos.

 

“Eu não queria ter perdido a sua formatura.” Okuyasu encheu sua boca de costeletas suínas: lágrimas de crocodilo eclodindo falsamente de suas pálpebras enquanto ele as mastigava. “Me sinto deprimido quando penso melhor sobre isso.”

 

“Está tudo bem. Nós já conversamos sobre esse assunto, Oku.” Koichi o tranquilizou, dando pequenas batidinhas em suas costas cobertas por um alvíssimo suéter felpudo.

 

“Sim, mas eu sequer pude responder seu e-mail. Além disso, eu me senti muito enciumado vendo todas aquelas fotos. Eu queria poder estar lá também.”

 

Josuke, que estava distraído até esse momento, arqueou as sobrancelhas. “Espera. Vocês tiraram fotos?”

 

“Uh, sim. Não foram tantas, mas eu me lembro de que você também participou de algumas delas.” Koichi explicou, olhando cuidadosamente para Rohan no outro lado da mesa.

 

O artista tossiu com a comida que estava mastigando, deixando o policial ainda mais confuso.

 

O maior retornou seu olhar para o albino, no qual se encolheu diante da atmosfera ameaçadora. "D-Digamos que há algumas fotos comprometedoras entre você e Rohan-sensei..."

 

Okuyasu bateu as mãos na mesa, apontando seu garfo diretamente para o rosto do artista.  “Rohan, maldito! Você está roubando o meu melhor amigo, não está?”

 

Kishibe escarniou, escondendo seu constrangimento ao abocanhar mais uma porção de seu katsudon. “Acredite, eu optaria por roubar coisas melhores.”

 

“Não seja tão babaca.” Higashikata o empurrou ligeiramente ao redor da mesa.

 

“Você pode estar sendo orgulhoso agora, Rohan-sensei, mas é claro como o sol que você quer resolver as coisas com Josuke há muito tempo.”

 

Koichi fez uma pequena pausa: um sorriso macio inflando em seu rosto conforme ele terminava de ouvi-lo. “Okuyasu está certo. Eu sempre pensei que o que tornava vocês tão rancorosos e ao mesmo tempo tão conflituosos entre si é o detalhe de que são parecidos demais.” Ele articulou, monopolizando a atenção dos dois homens. “Afinal, vocês dois são orgulhosos e vocês dois não desistem facilmente.”

 

Eles estiveram mais silenciosos depois desse momento, reunindo as informações tão ridiculamente óbvias que os expuseram ao fato de que qualquer um pôde enxergar por trás de suas constipações emocionais – com exceção deles mesmos.

 

O policial saiu de seu curto transe ao sentir as mãos do artista se entrelaçarem as suas por baixo da mesa, fazendo um carinho gentil e reconfortante em sua estrutura maior.

 

Eles não se engajaram novamente sobre esse assunto, mas Higashikata teve a certeza de que o seu coração estava tinindo como se estivesse em um alto-falante enorme e impossível de se esconder.

 

 

-

 

 

Josuke estava batendo na porta de Rohan quando todas as luzes se apagaram. Ele havia fugido discretamente de seu próprio aposento, tomando o devido cuidado para que ninguém o visse se esgueirando pelos corredores no início da madrugada; se apressando em sua ansiedade quase mortífera para encontrar o artista.

 

Os rapazes haviam devotado toda a sua noite aos jogos de tabuleiro e bebidas quentes no quarto de Koichi, se divertindo entre piadas sem graça e lampejos memoráveis que os fizeram se esquecer do fato de que sua juventude havia acabado. Higashikata precisou lidar com seu desejo irresistível por expressar seu afeto para com o homem mais velho em todo esse período. Ele queria poder se sentir mal por ter suplicado tantas vezes em segredo que as horas passassem mais rápido e que ele pudesse efetuar sua visita noturna até o mangaká, contudo, isso se demonstrou ainda mais distante da realidade quando o mesmo viu a porta ser aberta do outro lado da sala, e Rohan surgir em seu roupão claro por trás da luz cintilante.

 

“Deus, você está tão quente.” O policial comentou, automaticamente atacando o rosto do artista com uma série de beijos carinhosos enquanto agarrava seu corpo menor e o envolvia em direção a um abraço lento.

 

“F-Fale mais baixo.” Rohan expeliu, lutando para não derreter nas mãos grandes de Josuke serpenteando sua cintura e brincando com ele. “Não me faça se arrepender de ter permitido que você viesse aqui.”

 

O mais novo parou por um momento. Seus lábios carnudos engradecidos por seu beicinho.

 

“Você não sentiu minha falta?”

 

Kishibe não foi capaz de impedir a si mesmo de revirar os olhos perante uma posição tão falsamente enternecida. Ele se esforçou para alcançar sua altura, deixando um beijo manso em seu pescoço antes de deitar em seu peito largo e suspirar sua colônia maciça. “É claro que eu senti, idiota.”

 

Josuke amoleceu.

 

Ele o assustou ao levantá-lo no ar com a ajuda de Crazy Diamond, murmurando ao se deitar sobre seu corpo na cama de casal e retornar à sua sessão de caricias. O oficial nunca estaria se acostumando a vê-lo agindo em sua independência na razão de seu próprio bem-estar, trazendo-o curativos e remédios em momentos contingentes: todavia, no fim de todas as coisas, Josuke apenas pensou que se tratasse de seus instintos mais profundos que falassem sobre a sua auto-piedade.

 

Ele gostaria que seu stand pudesse curar seu cérebro, mas desde que ele pudesse ter Rohan para amá-lo em suas mais densas falhas e em todos os seus mais belos acertos, ele não estaria se preocupando com isso.

 

“Você está tremendo.”

 

Josuke recobrou sua consciência, condicionado em sua própria abstração aos pés do perfume de seu amante. Ele sentiu seu corpo inteiro agradecer por isso, e sua visão se tornou borrada quando pequenas gotículas se formaram em seus olhos.

 

“Hoje foi um dos melhores dias da minha vida. Deixe-me chorar um pouco, sim?”

 

Rohan riu engasgado, vendo-o se esconder em seus ombros e fungar em seu pijama à medida que o apertava como se ele fosse sumir. O mangaká acariciou os cabelos do outro homem, beijando o topo de sua cabeça e acariciando suas bochechas molhadas da forma mais terna que encontrou antes de esbravejar: “Certo, mas você deve saber que serei obrigado a lamber todas as suas lágrimas. Você sequer possui o conhecimento de que elas têm um alto valor protéico?”

 

Higashikata fez uma careta.

 

Artistas podiam ser estranhos quando queriam.

 

 “Você é nojento.” E, mesmo assim, ele ainda estava louco para se casar com ele. Que hipócrita.

 

O mais alto avançou sobre Rohan, o amassando em cócegas não tão gentis no instante em que ele perdeu seu fôlego, subindo em cima de seu colo e – como se pudesse ir contra sua força imbatível – prendendo suas mãos no colchão. “Beije-me, seiva.”

 

Josuke sorriu: “Seu pedido é uma ordem.”

 

 


Notas Finais


Obrigado por ler!! ❤︎❤︎


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