História Forbidden Kiss - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Personagens Itachi Uchiha, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Forbidden Kiss, Itasaku, Proibido, Traição
Visualizações 49
Palavras 4.565
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


O segundo capítulo demorou muito mais do que o esperado, tudo por culpa da faculdade. Só fui revisa-lo ontem, às pressas, visto que vou viajar hoje. Espero que gostem.

Capítulo 2 - Answer


A lua de mel de Sasuke e Sakura havia terminado há apenas dois dias, mas o ritmo de vida dos dois voltou à toda.

Sasuke imediatamente voltara à empresa, não se dando nem mais um segundo de folga. Ele, Fugaku e Mikoto saíam cedo para o trabalho todos os dias, voltando apenas muito depois que o sol já havia se posto.

Itachi não os acompanhava. O homem nunca tivera o menor interesse em administrar a empresa de cosméticos da família, e acabara tornando-se um programador de softwares. Fazia seu trabalho em casa, no horário que quisesse. Gostava dessa liberdade. Era muito mais a cara dele.

Sakura, por outro lado, havia passado todo o tempo desde que chegara da lua de mel fazendo os trabalhos atrasados da faculdade. Pedira às empregadas que deixassem sua refeição no quarto, e mal dormiu até que estivesse com tudo em dia.

Ela se lamentava que ainda não estivesse formada, mas sabia que tinha tomado a decisão certa: Tinha trocado de curso depois de perceber que achava direito um saco, e que nunca gravaria tantas leis. Resolvera, então, que cursaria administração para que pudesse ajudar Sasuke na empresa de sua família. Fazia a faculdade à noite, e estava no quinto período.

Até que gostava de administração, mas o horário da faculdade era extremamente infeliz. Ela nunca podia estar com Sasuke o tanto quanto queria. Os dois estavam acostumados com seus horários não batendo, mas ainda assim era triste.

De qualquer maneira, no momento essa infelicidade era perfeita para o que ela tinha se preparado para fazer.

Agora que tinha terminado os trabalhos, finalmente iria de encontro a Itachi para dar um fim de uma vez por todas ao que quer que ele achasse que estivesse acontecendo entre eles.

Havia acordado às 10 horas, dado bom dia para as duas empregadas da casa – ela havia se dado muito bem com Temari, uma loira que adorava piadas sujas, mas infelizmente não conseguira se aproximar muito de Hinata, a morena que havia limpado o vômito de Fugaku vários meses atrás – e então seguido como se estivesse indo para o quarto dela e de Sasuke. Sabia que não era estranho que ela fosse falar com o cunhado por algum motivo, mas não queria levantar nenhum tipo de suspeita entre as empregadas.

Passou reto pela porta de madeira de seu quarto com Sasuke e foi até o final do corredor, batendo na porta de Itachi. Não precisou tomar nenhum tipo de coragem. Ela queria sair dali o mais rápido possível, antes que alguma das empregadas acabasse por notá-la.

Bateu uma, duas, três, nove vezes.

Sua testa já estava franzida em impaciência quando o homem finalmente abriu a porta. Sakura precisou erguer o olhar para fitá-lo.

Itachi era pelo menos vinte centímetros mais alto que ela. Os Uchihas, no geral, eram bem altos (com exceção de Mikoto, que deveria ter uns 155 centímetros, no máximo). Para beijar Sasuke, Sakura tinha que ficar na ponta dos pés.

Para beijar Itachi não, já que no dia do casamento ela estava de salto alto.

Rapidamente afastou os pensamentos da cabeça e observou o homem em sua frente bocejar e coçar os olhos. Só usava uma samba canção. Sakura tentou não prestar atenção nisso.

Ela cruzou os braços.

- Precisamos conversar. – Soava como uma ordem. Ele piscou algumas vezes, como se tentasse enxergar, e abriu mais a porta, para que ela pudesse entrar no quarto.

A rósea se adiantou para dentro e logo percebeu que nunca havia estado naquele cômodo.

As paredes eram branco gelo. Havia apenas um armário, uma cama de casal, um banheiro e a junção de várias escrivaninhas, formando um tipo de balcão. Nele se encontravam duas CPUs, um notebook e um netbook. Os coolers dos computadores eram azuis e brilhavam, e vários fios conectavam-se de um lado para o outro. Monitores ficavam centralizados no meio de todo o emaranhado de fios, e acima deles, haviam algumas prateleiras. Nelas havia uma impressora e um scanner, além de uma infinidade de CDs.

Ela percebeu que havia perdido muito tempo admirando a parte tecnológica do quarto quando a voz de Itachi soou atrás dela.

- Então? – Ele encostou-se em uma das paredes, olhando inquisidor para a mulher.

Sakura sentou-se em uma das cadeiras giratórias que havia perto da escrivaninha.

- Eu queria falar com você sobre suas últimas ações. – Percebeu que haviam post-it's colados na parede e deu uma olhada rápida sobre eles.

- Defina últimas ações.

Ela desviou o olhar dos post-it's e olhou para ele, séria.

- Não brinque comigo, Uchiha. – Não soava como um pedido amigável. – Eu não quero participar de nenhum tipo de joguinho seu. Sou casada com Sasuke. Eu e você não temos nada, certo? Então pare de me beijar sempre que tem oportunidade.

Ele fingiu uma expressão de surpresa.

- Tem certeza? – Abriu um meio sorriso. - Como você não fazia nada, achei que estivesse gostando.

Sakura levantou-se da cadeira e lançou-lhe um olhar frio.

- Eu estou falando sério, Itachi. Não se aproxime mais de mim. – Ela se dirigiu para a saída do quarto. Quando girou a maçaneta para sair, entretanto, o homem colocou a mão alguns centímetros acima de sua cabeça e forçou a porta a bater novamente.

A jovem virou de frente para ele.

- Como assim não se aproxime? Explique-me. – O cunhado pediu.

Ele inclinava o corpo na direção dela. Sakura sentia-se sumir diante do corpo grande do homem.

- Não se aproxime desse jeito. – Agora seu tom era mais fraco. Não que estivesse com medo dele. Alguma coisa gritava para que ela ficasse na ponta dos pés, e isso a assustava. Queria sair dali. O mais rápido possível.

- Assim?

Sentiu a respiração dele contra seu rosto. 

- Por favor. – Ela pediu. 

Ele parou, olhando para ela, que agora fechava os olhos com força, como se não quisesse ver a cena.

Itachi afastou-se e a garota abriu os olhos no momento em que parou de sentir a respiração do homem contra seu rosto.

Ela continuou de costas para a porta, observando o homem agora encostado no armário. Os dois ficaram se encarando. Nenhum deles sabia se haviam se passado segundos, minutos ou horas, mas Itachi foi o primeiro a falar:

- Você não ia sair, Haruno? Vou ser obrigado a me aproximar – Ele frisou o termo que ela utilizara anteriormente – de novo.

A rósea não esperou outra ameaça. Saiu do quarto sentindo o coração bater forte dentro do peito.

Estava confusa. Ela tinha dúvidas sobre o “por favor” que havia dito.

Não tinha sido um ”por favor, pare”. Havia sido um “por favor, continue”.

.

Sakura chegou exausta da faculdade. Havia tentado se inscrever em um dos cursos na empresa júnior do lugar, mas as vagas já estavam lotadas. Havia tido um seminário e assistira a uma palestra de três horas. Depois, havia sido arrastada para a comemoração do aniversário de um dos colegas de sala.

Queria deitar, dormir e nunca mais acordar. Deixou a bolsa sobre a mesa da sala e foi até a cozinha silenciosamente.

Ela abriu a geladeira e se serviu um pouco de água, esbarrando em alguém quando se virou. Os dois se afobaram para segurar o copo e jarra.

Suspirando de alívio, Sakura agradeceu e tirou o copo das mãos da pessoa, levantando um pouco o olhar apenas para perceber que era Itachi a sua frente.

A casa estava escura. Apenas a luz da geladeira iluminava a cozinha enquanto Sakura devolvia a jarra de água para dentro da mesma. A rósea dava olhares desconfiados para trás, esperando que Itachi a beijasse, a xingasse ou simplesmente fosse embora.

Ela apenas olhava, esperando alguma coisa. Qualquer coisa.

- Dia difícil? – Ele perguntou ao vê-la cambalear um pouco para deixar o copo na pia.

- Sim. – Respondeu. – Bem difícil.

Itachi tornou a pegar a jarra de água e colocou um pouco do líquido no copo que ela havia acabado de usar. Sakura olhou com indiferença, apesar de sentir que tinha sido uma provocação.

Ele tomou a água em um só gole, colocou o copo na pia e tornou a guardar a jarra na geladeira. Sakura não pensara em escapar enquanto ele bebia água, mas mesmo que tivesse, agora era tarde demais. A geladeira havia sido fechada, e os dois estavam na escuridão completa da cozinha.

- Vai subir agora? – Ele indagou.

- Vou. – Confirmou a rósea, querendo sair logo dali.

- Você está cheirando a cerveja. Bebeu essa noite? – O tom era de desaprovação. A garota ergueu os olhos para a sombra que julgava ser ele, mesmo sabendo que Itachi não poderia ver o gesto.

- Minha mãe era médica. Não fumo, não bebo e não me drogo por conta disso. Foi uma promessa. – Explicou.

- Foi uma ótima promessa.

Ela deu de ombros e lhe murmurou um boa noite. A mente da garota comemorava por estar tudo bem. Parecia que Itachi havia entendido seu último recado.

- Sakura?

Ela virou-se quando ele chamou seu nome, a lua iluminando um pouco o ambiente, ela conseguindo ver os contornos do homem.

Ele puxou-a pelo pulso, tomando-a em seus braços e tocando os lábios com os dela. Não fora um beijo tão calmo quanto os outros. Ele pediu permissão para adentrar com a língua, e ela, talvez surpresa demais para reagir, talvez querendo demais aquilo para resistir, deu passagem a ele.

Os braços fortes abraçavam-na com força, como se ele tivesse medo de perdê-la. A língua a instigava a retribuir o beijo.

Sakura pensou em retribuir. Ela iria fazê-lo. Sem conseguir se controlar, as mãos se ergueram para abraçá-lo.

Foi nesse exato momento em que ele afrouxou o aperto. Primeiro soltou-a, e depois deixou que os lábios se separassem antes mesmo de conseguir sentir a língua dela na sua.

Ela piscou os grandes olhos verdes, perguntando-se mais “por que você parou?” do que “por que você fez isso?”.

Ele deu a volta no corpo dela e disse, sem olhá-la:

- Só queria confirmar se você não tinha mesmo bebido. – E subiu as escadas.

Sakura encostou-se em uma das bancadas. Uma das mãos estava nos lábios, enquanto a outra repousava no seio esquerdo, sentindo as batidas rápidas dentro de seu peito.

.

Ela precisava parar. Tinha consciência disso. Ela sabia que era errado. Todas as noites, quando deitava ao lado de Sasuke, ele lhe contando como havia sido seu dia, ela acariciando-o e escutando com atenção, ela sentia o quão errado era.

Trair era uma atitude nojenta. Sakura sentia o coração doer pensando que conseguia beijar outro homem que não fosse aquele a sua frente, que fazia de tudo para fazê-la feliz.

O problema era que Itachi era demais para ela. Ela não conseguia se segurar com ele. Era bom, era incrivelmente bom. Ela não sabia mais o que fazer. Por mais que sua mente a mandasse parar, ela não achava que tinha autocontrole suficiente para tal.

Não se separaria de Sasuke, ele a amava, e ela o amava também. Ela sabia disso. Sabia de tudo isso.

Lembrou-se dos momentos com o marido e forçou o seguinte pensamento a entrar em sua cabeça:

Era apenas uma paixão por Itachi. Logo iria passar.

.

Sasuke havia saído para um bar com os amigos. Sakura decidira ficar em casa. Nunca fora muito ciumenta com o marido, mesmo quando eram namorados, pois confiava plenamente nele.

Mas agora não conseguia dormir.

Três batidas na porta. Ela ergueu os olhos para a maçaneta que já era aberta e cobriu-se com o edredom no momento em que se deparou com Itachi parado, fechando a porta atrás de si.

- O que você está fazendo aqui a essa hora? – Ela sussurrou em desespero. – Vá embora!

- Você parece uma daquelas mulheres estúpidas que esperam o retorno do marido para casa, sabia? Esperando acordada aí, preocupada. Se for ficar desse jeito, não o deixe sair.

- Não posso monopolizá-lo.

Itachi deu de ombros e fitou-a.

- Sasuke devia comprar logo a casa de vocês, antes que eu não consiga mais me segurar.

A Haruno abriu a boca para falar, mas acabou calando-se, enquanto observava Itachi virar-se de costas e se preparar para sair.

Algo a impulsionou a levantar-se e puxá-lo pela camisa.

Ambos se olharam, o coração dela já começava a acelerar. Todos os arrependimentos desapareciam no momento em que estava com ele.

Naquele momento, parecia tão certo.

- Não conseguir mais se segurar com o quê? – Ela conseguiu perguntar.

Ele olhou-a e ela já sabia exatamente o que ele iria dizer.

- Eu quero você, Haruno Sakura. Eu quero você.

Ela abriu e fechou a boca, respirando e expirando continuamente. Itachi a olhou, dando um sorriso meio amargurado, ao perceber que ela não falaria nada.

Virou-se de costas novamente, e dessa vez saiu pela porta, deixando a rósea sozinha no quarto.

Sakura ficou quarenta segundos parada. Exatamente quarenta segundos.

Então disparou para o quarto do cunhado, abrindo a porta sem pedir licença. Ele estava andando na direção da cama, pronto para deitar e dormir quando se virou, a tempo de segurá-la quando ela se jogou em seus braços.

Os dois se beijaram com desejo, voracidade, ambos sabendo que queriam aquilo há tempos. Provavelmente desde o primeiro beijo no mar.

Certo, errado, o que importava?

Naquele momento, não existia mundo, não existia Sasuke, não existiam regras.

Existia ela e Itachi, nus na cama, colando os lábios para que nenhum dos dois gemesse muito alto e acordasse alguém da casa.

.

Quando Sasuke chegou, sua esposa estava deitada na cama, encolhida e dormindo como um bebê. Ele sorriu para ela e deu-lhe um beijo na testa.

- Desculpe a demora. – Sussurrou, deitando ao lado da mulher e abraçando-a.

Sakura abriu os olhos verdes, fitando a escuridão e sentindo a respiração do marido.

Demorou demais, ela pensou, você demorou demais, Sasuke.

Adormeceu ainda sentindo os toques de Itachi, que haviam feito uma trilha de fogo por sua pele.

A sensação era boa, maravilhosamente boa.

Infelizmente, agora aquele momento havia acabado, e o mundo, Sasuke e o certo e errado voltaram a existir.

O arrependimento a consumiu, e pelo resto da noite ela pesadelos em que era morta na guilhotina.

Até ela mesma concordava que aquele era o fim perfeito para a vadia que ela havia se tornado.

.

Cada minuto com Sasuke parecia cada vez mais doloroso, e ao mesmo tempo, cada minuto com Itachi parecia mais prazeroso.

Com Sasuke, ela se sentia um lixo. Lembrava de tudo que havia feito e mal conseguia fitar os olhos negros do homem. Não faziam sexo há quase três semanas.

Diferente de Sasuke, quando estava com Itachi, Sakura se sentia feliz. Ela estava bem, parecia que tudo estava certo. Ela não se lembrava do marido quando estava beijando/transando com o cunhado. O sexo dos dois era ótimo, ela sempre terminava com orgasmos.

Sakura via seu relacionamento com Sasuke ir afundando aos poucos, enquanto o com Itachi melhorava. Os dois conversavam, riam, compartilhavam experiências. Às vezes nem mesmo transavam, só ficavam conversando. Era bom.

Como na maior parte do tempo eram os únicos a ficarem em casa, se encontravam com frequência. Itachi não se preocupava em levá-la ao seu quarto – ás vezes, o desejo era demais para uma interrupção dessas – e eles acabavam se agarrando no corredor.

Sakura era absolutamente contra a agarração no corredor. Mesmo que Itachi só fizesse aquilo quando as empregadas estavam de folga (terça e quinta), ela tinha medo de que alguém chegasse de surpresa e os encontrasse.

Sem os outros da família Uchiha em casa, as empregadas eram o principal obstáculo nos dias em que trabalhavam.

Para Itachi, aquilo não significava nada. As empregadas retiravam-se às seis da noite, o que queria dizer que até pelo menos às dez, eles poderiam fazer o que quisessem.

O problema era aguentar até as seis.

.

Para todos os presentes, o almoço em família era um inferno, como sempre. Era como se cada um quisesse manter a máscara de uma linda e maravilhosa união familiar aos domingos, e, por isso, não faltavam ou cancelavam o que já se tornava uma tradição.

- Como foi na empresa essa semana? – Sakura perguntou casualmente, tomando um gole de suco de manga. A mesa em silêncio lhe dava nos nervos, e ela sempre dava um jeito de acabar com ele.

Foi Mikoto que respondeu, com a comum arrogância de sempre:

- O mesmo de sempre. Se você terminasse logo sua faculdade e fosse trabalhar conosco, talvez soubesse.

Sakura abriu a boca para uma resposta enfezada a sogra, mas Itachi esbarrou em seu copo, derrubando refrigerante na mãe que sentava a seu lado.

- Meu Deus! – Ela gritou, levantando-se tão rápido que a cadeira atrás de si caiu. – Você me sujou! Meu vestido novo! – Estava exasperada. Fugaku levantou-se para socorrê-la, mas Mikoto já saía da sala aos berros, xingando até as paredes.

Itachi colocou o próprio copo em pé novamente, agora vazio. Deu um olhar rápido para Sakura, já que os dois estavam sentados de frente um para o outro, e bateu com o pé na canela da rósea.

Em resposta, Sakura pescou um tomate em seu prato, levou-o a boca e devolveu o leve chute com uma expressão divertida.

.

Sakura gostava de ficar deitada sobre Itachi. Ele era forte e não se incomodava, e ela sentia prazer ao estar sobre ele, como se o subjugasse, como se ele o pertencesse.

- Francamente... – Ele suspirou, passando as mãos pelas costas dela. – Tinha que ser você para me fazer perder a sanidade.

Ela abaixou um pouco mais a cabeça, deixando-a mais perto do rosto dele. Itachi sentiu o cabelo rosa, agora mais comprido, fazer cócegas em seu rosto. Eles já chegavam até os ombros de Sakura, e Itachi vivia achando graça do modo como ela se irritava com o calor no pescoço, se irritando ainda mais sem conseguir fazer um coque na cabeça, por fim fazendo um rabo-de-cavalo e odiando o quão ridícula ficava com ele.

- Quem pode saber se outra não lhe faria perder a sanidade? – Indagou, encostando o nariz com o dele.

Ele estalou a língua, sentando-se e deixando-a de frente para ele. Encostou a testa com a dela, soltando um longo suspiro.

- Idiota. – Sussurrou. – Ainda não percebeu que você é a única para mim?

Sakura sentiu o coração falhar uma batida com as palavras. Então era como ela pensava, Itachi não a queria apenas por querer, ele a queria porque estava gostando dela.

- Como tem tanta certeza disso? – Desafiou.

- Porque você foi a primeira mulher pela qual eu me apaixonei. – Respondeu, beijando-a. – E pela qual ainda me apaixono mais a cada dia.

Parecia que ela havia derretido naquelas palavras, e jogou o corpo completamente sobre Itachi, derrubando-o na cama. Ele enlaçou-a em seus braços, aspirando o cheiro dela.

- Eu quero poder ficar com você pra sempre. – Sussurrou.

Ele deixou um leve sorriso tomar seu rosto, apesar de saber que estava fazendo algo terrível com o próprio irmão.

Mas ela era mais importante que aquilo. Sakura era mais importante que qualquer coisa.

- Eu também. – Respondeu. – Eu também.

.

- Você tem certeza? – Foi uma pergunta repentina entre um beijo e outro. Sakura parou os lábios na metade do caminho, abrindo os olhos verdes para fitar os negros a sua frente. – Você tem certeza que quer continuar com isso? Tem consciência do que estamos fazendo?

Sakura tivera muito tempo para pensar naquilo, e sabia que a resposta dentro de si já estava formada.

- Sim. Quero ficar com você.

- comigo? – Era a pergunta decisiva e ela sabia. Os momentos que ela tivera com Sasuke estavam dentro de um pequeno canto em sua mente, trancafiados por uma chave, guardados como boas memórias.

Quando pensava nele, via um companheiro, um bom amigo, e algo como um ex-namorado. Era Itachi quem ela queria agora e para sempre, tinha certeza disso. Absoluta.

- Quem mais eu poderia querer? – Indagou, tirando uma mecha de cabelo que caía na frente dos olhos dele. – Você é o único pra mim. – Ela fechou os olhos, avançando para dar-lhe mais um beijo. – E eu amo você.

Ele ainda estava sério.

- Mesmo?

Ela forçou os ombros dele para baixo, pois estavam tensionados.

- Acredite em mim. – Pediu.

Ele apertou uma mecha rosa entre o indicador e o dedão.

- Então falarei com Sasuke. Agora. Na empresa.

Sakura arregalou os olhos.

- Você pode esperar pelo menos ele chegar em casa, não deve causar uma confusão lá por causa disso. – Itachi reparou que ela não dissera nada sobre ele revelar a verdade para seu irmão mais novo, o que queria dizer que Sakura realmente não se importava mais com os sentimentos Sasuke.

- Vou marcar de encontrá-lo em um restaurante depois do trabalho, então. Acho que ele vai me expulsar de casa. Ou te expulsar. – Itachi passou os dedos sobre a sobrancelha dela, numa carícia. – Mas eu vou dar um jeito em tudo. Prometo.

Sakura soltou a respiração de uma vez.

- Certo.

.

Sakura ouviu enquanto Itachi marcava o encontro com Sasuke num restaurante que já havia ido algumas vezes. Era a mais ou menos vinte minutos dali.

Deitaram na cama após a ligação, um de frente para o outro. Ainda eram cinco horas, mas nenhum dos dois ligava caso uma das empregadas os pegasse se agarrando. Logo revelariam tudo para Sasuke, então nada mais importava.

Tudo que queriam era poder ficar um com o outro.

Acabaram não conversando. Ficaram calados, olhando um nos olhos do outro, trocando algumas carícias sutis, beijos calmos e demorados.

Ficaram do mesmo jeito até as sete horas, quando Itachi se levantou para tomar banho e se organizar para ir até o restaurante.

Sakura continuou deitada, encarando o teto e esperando que Itachi voltasse para o cômodo. Estava ansiosa. Roia as unhas do dedão de modo quase compulsivo, fazendo as beiradas já sangrarem.

Ele se vestiu sem dizer uma única palavra. Sakura observava o corpo de Itachi minuciosamente, feliz por tê-lo só para si. Ele era seu, e essa mera informação poderia deixá-la sorrindo para o resto de seus dias.

- Volto logo. – Ele disse e beijou-a, dando um sorriso em seguida. – Tente não beber, fumar ou se drogar.

Sakura revirou os olhos. Itachi sabia que ela nunca faria nenhuma das três coisas.

- Tente não morrer de saudades.

Ele riu.

- Isso é meio impossível.

Ela saiu do quarto com ele e despediram-se no meio do corredor com um selinho. O coração de ambos batendo rápido, num misto de medo e ansiedade.

Sakura bateu a porta do quarto atrás de si, olhou para a cama de casal em que ela e Sasuke dormiam e suspirou, deitando-se ao mesmo tempo em que Itachi batia a porta da casa.

.

Sakura acordou com o celular tocando. Espantou-se por ter pegado no sono com tanta facilidade e pegou o aparelho, colocando-o no ouvido.

- Alô? – Murmurou bocejando.

- Sakura?! – A voz feminina do outro lado da linha era urgente, e a rósea lembrou-se de tudo que acontecera nas últimas horas. Talvez Mikoto houvesse sabido da traição também, e ligava para humilhá-la. – Já te avisaram o que aconteceu?

Ela estava aflita na linha, o que era atípico. Mikoto sempre fora mão de ferro, nunca se deixando abalar por nada.

- O que aconteceu...? Não, ninguém me disse nada. O que houve?

Uma pausa que pareceu infinita. O coração da rósea apertou-se dentro do peito, avisando para que ela se preparasse para algo, instintivamente sabendo da resposta para sua pergunta antes que ela fosse respondida.

- Itachi... – A Uchiha soluçou. – Itachi sofreu um acidente de carro. Ele... Ele está morto.

A única reação de Sakura foi deixar o celular escorregar, caindo na cama. Ela levantou-se, esperando que Itachi aparecesse e falasse “Brincadeira, boba!” ou que fosse uma vingança por já saberem que ela e Itachi estavam juntos.

Itachi não podia ter morrido.

Sakura saiu correndo do quarto, ignorando o celular que tocava de maneira urgente sobre a cama. Tropeçou e rolou pela escada, mas levantou-se, ignorando a dor que começava a surgir em diversos pontos, e correu para a porta, saindo da casa sem se preocupar em trancá-la.

O carro de Itachi não estava na garagem.

Ela forçou as pernas a moverem-se até o portão da casa. Pediu o primeiro táxi que viu, e pediu para que ele a levasse ao restaurante onde Itachi e Sasuke haviam combinado de se encontrar.

O trânsito estava caótico em certo ponto. Ela abriu a porta do táxi e correu, ignorando os xingamentos do motorista atrás de si.

Um carro familiar estava parado no meio da avenida principal, cercado por viaturas e pessoas. Mesmo à distância, Sakura reconheceu Sasuke no meio da multidão, e acabou olhando em volta, rezando para que visse Itachi em algum canto.

Alguns minutos depois, ela o veria deitado em uma maca de hospital, sem batimentos e sem respiração, depois de bater na traseira de algum tipo de caminhonete. Itachi estava sem os cintos, e o freio estava com defeito, fazendo com que ele batesse o carro a quase 80 quilômetros por hora.

Ele nunca chegou ao restaurante.

.

Sakura ficara calada até o enterro de Itachi. Recebera abraços e a companhia e apoio de Sasuke em todos os momentos, apesar do próprio homem estar desolado com a notícia da morte do irmão mais velho.

Ainda assim, não conseguiu dizer nada até ver o caixão dele começar a ser coberto por terra. Não tivera coragem de olhar para Itachi morto pela segunda vez. Guardava em sua mente apenas as imagens de quando estavam juntos, apenas de quando ele estava vivo.

Afastou-se de Sasuke e chegou mais perto do caixão, o máximo que podia. Tinha vontade de atirar-se com ele lá dentro, mas só soprou palavras para o nada, para um ser que não mais existia naquele mundo.

- Sempre vou te amar.

.

A senhora deu um olhar rápido para a sopa em seu prato e depois tentou fitar o marido, apesar da visão ainda ser um borrão.

- Eu nunca te traí também. – Falou com a voz gasta, meio rouca. – Não teria coragem.

Sasuke sorriu com satisfação, pegando as mãos trêmulas da esposa sobre a mesa.

- Eu sei.

Deixaram a sopa de lado e andaram com certa dificuldade até o quintal. Sentaram-se juntos em um banco cercado por mangueiras, que havia no jardim da casa.

Sakura ainda tinha as memórias de Itachi na cabeça, lembrando de como manteve a promessa de amá-lo para sempre, e de como acabou ficando com Sasuke, precisando de apoio emocional para superar a morte do amante.

Pensava em como o destino era cruel.

Sasuke, por outro lado, não pensava naquilo. Pensava em como era bom estar ali com sua esposa, e como era bom ouvir de sua boca que ela nunca o havia traído, mesmo que soubesse que era uma mentira.

Ele ainda lembrava-se das fotos que Hinata, empregada fiel e, às vezes, detetive particular dos Uchiha, mostrara de Sakura beijando seu irmão, Itachi. Também lembrava-se de como pediu para Hinata cortar os freios do carro do irmão para que ele perdesse o controle de seu veículo, resultando em um acidente.

Mas, por fim, preferiu focar-se no pensamento de ter Sakura a seu lado, pois fora por momentos como esse que havia feito o que havia feito.

- Você será sempre minha. – Disse. – Sempre.

A senhora deixou um pequeno sorriso irônico ocupar seus lábios.

- Até a morte.

FIM


Notas Finais


Ao longo dos anos eu me xinguei muito por ter matado o Itachi. Até hoje sonho em escrever uma fic em que esses dois são felizes para sempre. Acho a tensão sexual entre eles de matar, e adoro a ideia dos dois juntos... Enfim. Mas nessa fic ele morreu, e agora esse casalzinho lindo (apesar de adúltero) só vai poder ficar junto após a morte - se houver algo depois dela.

Espero que tenham gostado dessa fic. Beijos e até a próxima ♥


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