História Forbidden Love: War of the Packs - Capítulo 2


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Categorias Kuroko no Basuke
Personagens Akashi Seijuro, Aomine Daiki, Eikichi Nebuya, Himuro Tatsuya, Hyuga Junpei, Kagami Taiga, Kise Ryouta, Kiyoshi Miyaji, Kiyoshi Teppei, Kousuke Wakamatsu, Makoto Hanamiya, Midorima Shintarou, Momoi Satsuki, Murasakibara Atsushi, Nijimura Shuuzou, Personagens Originais, Reo Mibuchi, Sakurai Ryou, Shoichi Imayoshi, Shougo Haizaki, Takao Kazunari, Yoshitaka Moriyama, Yukio Kasamatsu
Tags Abo, Alfa, Aomine Daiki, Beta, Kagami Erica, Kuroko No Basket, Ômega, War Of The Packs
Visualizações 18
Palavras 7.345
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, minna-san!

Voltei com o novo capitulo desta segunda temporada.

Primeiramente, atrasei-me por que fiz anos dia 29 de Julho e fui celebrar os meus anos. Segundamente, fui de férias e não tive muito contacto com o meu telemóvel, já que não levo o meu computador comigo. E, por fim, tive a descansar alguns dias, pois, em Évora, o sitio onde vivo, as temperaturas têm estado altíssimas o que, de certa forma, prejudica a minha vontade de escrever.

Sem mais delongas, deixo-vos ler o capitulo! Até às notas finais!

Capítulo 2 - Chapter One...


Fanfic / Fanfiction Forbidden Love: War of the Packs - Capítulo 2 - Chapter One...

~… Forbidden Love: War of the Packs – Chapter One… ~

Kagami Erica P.O.V:

Abri as minhas pálpebras cansadas, lentamente, piscando os olhos para afastar o sono que insistia em incomodar-me. O barulho dos pássaros percorria o ar, adentrando o meu quarto numa melodia doce e harmoniosa entre graves e agudos. O vento soprava, calmamente, fazendo com que as folhas secas das árvores chocassem umas com as outras numa dança, vagarosa e expressiva. Algumas, acabavam por ceder nos seus galhos e caírem derrotadas no solo de tons amarelados e acastanhados, típico de um Outono. Retirei a minha mão direita debaixo da almofada, levando-a ao rosto para o limpar. Um longo suspiro escapou pelos meus lábios ressequidos, uma onda de solidão apertando o meu coração.

Subitamente, senti um peso sobre o meu tronco, uma risada melódica preenchendo a divisão, outrora, silenciosa. Os meus olhos fecharam-se, automaticamente, e os músculos do meu estômago contraíram como forma de proteção. As minhas mãos foram, involuntariamente, para a cintura do tronco menor, os meus dedos remexendo e fazendo cócegas na pele morena. As gargalhadas felizes ecoaram pelas quatro paredes de madeira, os seus cabelos azuis-escuros reluzindo com a luz solar. Sentei-me sobre o colchão e deitei o corpo pequeno, virando-o de barriga para cima e continuando a tortura-lo ao provocar os barulhos contentes da sua boca. As lágrimas de tanto rir escorriam pelas suas bochechas avermelhadas, a sua pálpebra fechada enquanto tentava escapar. Quando as abrir, os orbes dourados, como se fosse raios solares derretendo o mais precioso ouro, fizeram-se ver.

- Pára, mamã. – Ele pediu com a sua voz infantil aguda, um sorriso adornando a sua face rechonchuda.

- Onde está o meu beijo de bom dia, Kyouta? – Questionei, tocando-lhe nos fios azuis, gentilmente.

Ele aproximou-se e beijou a minha bochecha, enrolando os seus bracinhos curtos em torno do meu pescoço. Apertei-o contra o meu corpo e sorri, encostando a minha testa na sua.

- Bom dia, mamã. – Cumprimentou, rindo quando o peguei ao colo e me ergui da cama. – Onde vamos?

- Tomar o pequeno-almoço. – Informei, caminhando em passos curtos até à porta, os meus pés descalços, completamente, silenciosos. – Temos que te alimentar.

- Mas, mamã, o titio Te-chan e o tio Tai-Chan estavam a fazer coisas estranhas. – Avisou, franzindo as suas sobrancelhas numa maneira curiosa.

- Como assim estranhas? Estavam a fazer o quê?

- Aos beijinhos e abraços. – Sorriu, demonstrando a falta de dentes.

- Aqueles dois não se controlam.

Coloquei-o no chão e a baixei-me a sua frente, beijando a sua testa. Os seus orbes dourados brilharam e os seus bracinhos tocaram nas minhas bochechas, carinhosamente.

- Vai buscar o lobo que o tio Taiga fez para ti. – Pedi, ajeitando os seus cabelos desgrenhados.

- Vai buscar o lobo que o tio Taiga fez para ti. – Pedi, ajeitando os seus cabelos desgrenhados. – Depois, vem tomar o pequeno-almoço, Kyo-chan.

- Está bem, mamã. – Ele assentiu e correu com as suas perninhas na direção do seu quarto mesmo em frente do meu, um sorriso adornando o meu rosto.

Caminhei, lentamente, à cozinha e encostei o meu ombro na ombreira da porta, cruzando os braços enquanto observava o casal em meio da sua troca de afeto. Aclarei a minha garganta, atraindo os olhos azuis claros de Kuroko que se afastou, vagarosamente, coçando a sua nuca com as bochechas vermelhas. Kagami soltou uma risada e virou-se na minha direção, acenando com a sua mão.

- Têm que parar de fazer isso na cozinha. – Falei, seriamente, adentrando a divisão com os braços sobre o meu peito. – Kyouta diz que andam a fazer coisas estranhas. Não se esqueçam que ele é uma criança.

- Desculpa, Erica. – A voz calma de Kuroko fez-se ouvir, o menor erguendo-se da cadeira e caminhando até à entrada. – Vou ver dele. Está no quarto?

- Sim. Deve estar à procura do lobo.

O azulado assentiu e abandonou a divisão, desaparecendo no meio da escuridão do corredor. Kagami permanecia perto do fogão, fazendo o pequeno almoço num silêncio pouco característico dele. Sentei-me numa cadeira e observei-o, vendo-o mover a cabeça enquanto falava para si mesmo. Os seus orbes vermelhos estavam fixos nos alimentos entre as suas mãos, uma expressão angustiada adornando o seu rosto, normalmente, relaxado e contente. Sempre que algo o preocupava, ele não o conseguia esconder. As suas movimentações tornavam-se controladas e calculadas, os seus sentidos mais primitivo alerta. Kagami Taiga não era um lobo que se deixasse atacar, cegamente.

As coisas haviam acalmado. Porém, as cicatrizes não estavam, completamente, terminadas de fechar. Quatro rotações e nove meses de terra seguintes e diversas modificações de lua e, Kagami, ainda se culpabilizava por o que havia acontecido. Por vezes, observava-me, atentamente, com íris fogosa dolorosas e um rosto carregando uma expressão contida. Sabia que o sobrinho crescera sem pai, embora, as suas feições indicassem, perfeitamente, quem o seu progenitor era, ocupando esse lugar como posição fraternal. Nunca me abandonara em momento algum, nem quando saíramos da casa do meu pai e nos mudáramos para uma mais exilada. Kyouta não era bem aceite pelo seu sangue misto e, sinceramente, eu, também, não o era.

- Existe algo que te preocupa? – Questionei, calmamente, fazendo com que ele ficasse ainda mais tenso.

- Está tudo bem. – Afirmou, sem virar o rosto na minha direção e fazer contacto físico.

- Acreditas mesmo que me podes Enganar, Taiga? – Acusei, o meu tom demasiado gentil para ele levar a sério. – Podes contar comigo. Sou tua irmã. Estou do teu lado, independentemente, do quão grave o problema seja.

Ele ficou em silêncio, os seus movimentos parando. Inclinando-se sobre a bancada de mármore, encerrou os olhos e suspirou. Abanou a cabeça, vagarosamente, e mordiscou o seu lábio, ponderando se deveria contar ou, simplesmente, guardar para si e carregar os problemas como alfa da família.

- Pára de tentar resolver tudo sozinho.

- Não estou a tentar resolver tudo sozinho. – Retrocou. – Só não quero sobrecarregar-vos com problemas desnecessários.

- Não são desnecessários se te preocupam tanto. – Relembrei, sorrindo. – Chega aqui e senta-te. Vamos conversar, abertamente. Sem mais segredos entre nós.

O avermelhado assentiu com a cabeça e aproximou-se da mesa, sentando-se na cabeceira. Depositou os cotovelos sobre a superfície amadeirada e apoiou o queixo numa das mãos, os seus olhos fogosos sobre a minha figura menor. Ele havia amadurecido, o seu rosto com traços mais masculinos e de homem já feito.

- Kuroko não consegue engravidar. – Começou, num timbre baixo para que o seu parceiro não escutasse. – Estou preocupado, maioritariamente, com isso. Além do mais, Kyouta não conhece o pai e está na idade para começar a pedir para conhecê-lo. Ele já faz perguntas e nunca escondemos quem o seu pai é. Preocupa-me a reação do meu sobrinho.

- Ligas sempre às coisas mais simples. – Apontei, agarrando-lhe a mão livre. – Kuroko pode ter dificuldade a engravidar, mas, não te preocupes que tudo acontecesse a seu tempo. Se o destino assim o decidir, amanhã ou daqui a um ano descobres que vais ser pai. Tens que ter paciência. Quanto a Kyouta, não te preocupes que quando essa altura chegar, nós lidamos com a situação. É como temos feito sempre.

- Aomine iria ficar orgulhoso de ti. – Falou, repentinamente, fazendo com que eu paralisasse ao escutar aquele nome que me provocava tantas emoções.

- Quero acreditar que sim. – Sorri, tristemente, levando a mão aos meus cabelos mais curtos. – Achas que ainda pensa em mim?

- Tenho a certeza disso. – Afirmou, levando os seus dedos calejados a uma mexa de cabelo e o colocando atrás da minha orelha. – Ele amava-te demais para te esquecer. Aposto que antes de dormir pensa em ti e, assim que acorda, a primeira coisa que lhe atravessa a mente é o teu rosto. Nunca vi uma emoção tão pura nos olhos de alguém que estava prestes a morrer.

- Obrigada. – Agradeci, suprimindo as lágrimas. – Na altura, não te agradeci por o teres salvo. Mas, agradeço agora.

- Deixa-te disso. Já tínhamos problemas que chegue. – Sorriu enquanto se levantava, beijando a minha testa. – Não podia deixar a cara metade da minha irmã morrer à minha frente, injustamente. Simplesmente, não está nos meus princípios.

Ele retornou à bancada e continuou a cozinhar, os seus ombros muito mais relaxados que anteriormente. Porém, por debaixo de toda aquela tranquilidade, eu sabia que havia algo que permanecia a incomoda-lo. Abri a boca para o questionar quando escutei uns passos rápidos, o corpo pequeno da criança adentrando a cozinha com um sorriso no rosto. Mesma atrás dele, estava Kuroko com a face vermelha e a respiração acelerada, a falta de fôlego visível na sua posição corporal. Kyouta correu até mim e escondeu-se atrás da minha cadeira, as suas mãozinhas agarrando a minha roupa, apertadamente.

As risadas baixas do meu filho ecoaram pelo local, a forma como os seus orbes dourados cintilavam encantando os presentes. Kagami deixou a comida ao lume e dirigiu-se ao sobrinho, pegando-o ao colo. Os seus cabelos vermelhos misturaram-se com o azul escuro quando encostou a sua testa ao menor, sussurrando palavras inaudíveis como fazia todas as manhãs. Era uma rotina entre os dois. As conversas privadas que Kyouta se recusa a contar quando o ia deitar. Dizia que era coisas privadas e que não estava permitido a revelar.

- Cansaste o Tetsuya, Kyouta? – A voz grave do Kagami fez-se ouvir, um sorriso aparecendo na face da criança.

- Sim, tio Tai-chan! – Ele gargalhou, os seus dedinhos apertando o cabelo do meu irmão, gentilmente. – Tavamos a ‘bincar’ à apanhada.

Kuroko endireitou-se com dificuldade e soltou um longo suspiro, os seus orbes celestes fixando-se na criança que insistia em rir com uma imensa felicidade. Ele aproximou-se e tocou as bochechas morenas de Kyouta, acariciando a tez macia pela idade jovem. O ómega retirou o mais novo dos braços do parceiro e abraçou-o, depositando um beijo casto no topo da cabeça do meu filho.

- Apanhei-te, Kyou-chan. – Ele pronunciou num timbre doce e baixo, as suas pálpebras fechando-se enquanto o abraçava, apertadamente.

Naquele momento, agradeci aos antepassados por me terem colocado pessoas tão boas na vida. Kagami ajudara-me a criar o meu filho quando eu me vi, completamente, desesperada, assumindo uma figura fraternal perante um bebé que ansiava uma presença masculina na sua vida. Já Tetsuya, sempre estivera lá. Em todos os segundos, minutos e horas, era possível sentir a presença do azulado. Ele permanecera a meu lado, criando Kyouta como se fosse uma cria dele. E, por dentro, eu sabia que o menor o considerava daquela forma.

Aomine, definitivamente, ficaria orgulhoso do meu trabalho. Encarei a blusa que vestia, levando-a ao meu nariz e inspirando o tecido desgastado. Franzi as minhas sobrancelhas e controlei as lágrimas, apercebendo-me que o aroma amadeirado que eu tanto amava, havia sido substituído pelo da lixivia. Deixei-o cair entre os meus dedos e retornar a cobrir as minhas pernas, as minhas mãos entrelaçando-se uma na outra sob a mesa.

Subitamente, senti uma mão sobre o meu ombro, fazendo com que encarasse os olhos mais bonitos que já vira. O dourado brilhara, como se o sol estivesse preso no meio de iris tão intensas e fosse enlaçado em meio de ouro derretido. Eu estiquei os braços e Kuroko colocou Kyouta sobre o meu colo, os seus dedos pequenos tocando as minhas bochechas, levemente.

- A mamã ‘tá ‘tiste’? – Perguntou, fazendo uma expressão preocupada.

- Não, meu amor. – Respondi, encostando a minha testa à sua. – Tudo aquilo que preciso para me fazer feliz, está aqui. Mesmo a meu lado.

- E o papá? – Questionou, o seu polegar limpando uma lágrima que havia escapado do meu olho. – A mamã não sente ‘fata’ dele?

- Sinto. – Admiti, honestamente, beijando a sua pele quente. – Não imaginas o quanto. Porém, quando eu olho para ti, vejo-o e logo esse sentimento desaparece.

Kyouta sorriu e assentiu, beijando o meu nariz, carinhosamente. Seguidamente, encostou o seu rosto ao meu peito, escondendo-o, gentilmente. Os meus orbes recaíram sobre Kagami que permanecia com uma expressão tristonha, o seu ómega apertando a sua mão para o tranquilizar. O sentimento de culpa estava explicito na face do meu irmão, as suas sobrancelhas fogosas franzidas pela dor que tentava conter ao ver-me naquele estado. Virando-se de costas para nós, ele agarrou nos utensílios da comida e continuou a cozinhar num silêncio perturbador.

Enquanto, o avermelhado se concentrava a terminar o pequeno-almoço, Kuroko sentara-se à mesa e ingressara numa conversa intensa com o seu sobrinho, as gargalhadas altas de Kyouta preenchendo a divisão que estava tensa demais. Quando acabou, colocou os pratos com o bacon e os ovos sobre a mesa, depositando a geleia e o sumo que o meu filho tanto gostava. Todos começamos a comer, Tetsuya e a criança continuaram a falar entre si, contando pequenas piadas inocentes ou, apenas, escutando aquilo que o mais novo desejava contar. Se algo poderia ser considerado hiperativo e, extremamente, conversador era Kyouta.

Ao terminar de comer, ia a erguer-me da cadeira quando Kagami me parou ao aclarar a sua garganta. As minhas iris douradas caíram sobre o seu corpo tenso e a expressão séria dele deixou-me preocupada. Com um longo suspiro, ele bebericou a sua bebida e retornou a meter o copo sobre a mesa.

- Depois do pequeno-almoço, quero que se vistam. – Avisou, levantando-se do seu assento. – Temos um lugar para ir.

- E onde é que esse lugar fica? – Questionei, desconfiada.

- Não te posso dizer, Erica. – Respondeu, evasivo. – Por favor, não me faças perguntas que não te posso responder.

- É só dizeres onde vamos. Não é nada de grave, Taiga.

- Eu já disse que não posso dizer. – Retrocou, a sua voz mais grossa do que o normal. A sua aura intensificou e, naqueles meros segundos, deu para entender o porquê do Kagami ser um alfa tão aterrorizante. – Simplesmente, vens e não fazes mais perguntas. Por favor.

Eu assenti com a cabeça e levantei-me da mesa, pegando Kyouta ao colo. Os seus orbes dourados observavam o avermelhado, curiosamente, os seus braços curtos enrolando-se em torno do meu pescoço para se apoiar. Segui, diretamente, para o quarto do meu filho e sentei-o sobre a cama, andando até ao seu armário e escolhendo algumas roupas. Retirei uma blusa do ‘Capitão América’ e umas calças pretas, agarrando os seus ténis brancos para contrastar com o restante da sua vestimenta.

Calmamente, despi-o, as suas mãos inquietas brincado com o lobo que tanto amava. Ele fazia alguns barulhos com a sua boca, os seus lábios mexendo conforme os sons que queria provocar. Parou, momentaneamente, para eu passar a blusa sobre a sua cabeça, retornando a sua atenção ao brinquedo assim que pode. Vesti-lhe as calças e retornei a sentá-lo sobre a cama, calçando-lhe os ténis e atando os seus atacadores, carinhosamente. Quando terminei, passei os meus dedos sobre os seus fios azuis-escuros e sorri.

- Vai-te pentear e lavar os dentes. – Ordenei com ternura. – Se precisares de ajuda, a mãe estará no quarto dela, está bem?

- ‘Tá bem, mamã! – Ele exclamou, correndo na direção da casa de banho.

Com um sorriso e um leve abanar de cabeça, ergui-me e andei até ao meu quarto, adentrando na divisão vazia. Lentamente, retirei a minha roupa, deixando as peças escorregarem pelo meu corpo e caírem ao chão, sendo abraçadas pelo frio do soalho. A brisa atravessou a minha silhueta desnuda, beijando a minha tez, carinhosamente, enquanto um arrepio corria pela minha coluna vertebral. Soltei um longo suspiro e caminhei até ao armário, revirando blusa por blusa, calça por calça. Subitamente, os meus dedos pararam sobre um vestido, os sentimentos que este me trouxeram inundando o meu coração ainda por cicatrizar.

~Flashback~

“Senti o frio fraco daquele dia de Inverno beijar o meu rosto, o meu corpo sendo embalado pelas últimas folhas secas de Outono que ainda cobriam o solo húmido pelos recentes chuviscos. Os seus dedos delicados tocavam na minha pele, acariciando os meus braços desnudos e o meu pescoço descoberto, o seu polegar pressionando a zona da pulsação, gentilmente. Eu conseguia sentir as suas íris intensas sobre mim, devorando-me, porém, amando-me ao mesmo tempo. Ergui uma das minhas pálpebras e observei-o pelo canto do olho, um sorriso surgindo nos seus lábios inchados pelos nossos beijos trocados.

Virei-me na sua direção, os meus dedos tocando a sua tez morena. Ele aproximou-se mais do toque, as suas pálpebras fechando-se, instantaneamente. Com um pouco de coragem, beijei a sua boca, apenas para puder sentir a corrente elétrica que atravessava sempre o meu ser. Mordiscando o meu lábio inferior, afastou-se, os seus cabelos azuis brilhando com os raios de sol que atravessavam as nuvens negras. Acomodei-me contra o seu peito, o seu braço forte enrolando-se em torno da minha cintura delgada.

- Erica. – Ele chamou, calmamente.

- Hmmm?

- Tenho uma coisa para te dar. – Informou, agarrando o saco que jazia ao nosso lado com a sua mão livre.

Sentei-me sobre o solo e observei os enfeites do plástico, as minhas sobrancelhas franzindo-se com a curiosidade. Agarrando o embrulho que estava no seu interior, rasguei o papel e, subitamente, senti a minha respiração ficar presa na minha garganta. Levei uma mão à boca enquanto a outra traçava, lentamente, o tecido branco rendado com as alças azuis escuras.

- Daiki. – Pronunciei o seu nome como se me faltasse o folego. – É lindo.

A ponta do meu indicador passou pelos enfeites dourados do decote redondo do vestido, um sorriso alegre adornando os meus lábios, igualmente, vermelhos. Virei-me, repentinamente, na sua direção e abracei-o, beijando a sua bochecha com uma força nunca antes utilizada. Ele gargalhou, colocando as suas mãos fortes na minha cintura.

- Fico contente que tenhas gostado.

- Estás a brincar? – Perguntei, sorrindo. – Adorei. Onde é que o foste buscar?

Ele pensou durante algum tempo, as suas iris observando-me, amorosamente. Os seus dedos adentraram a minha blusa e tocaram a minha pele, diretamente, fazendo leves caricias na minha tez quente.

- Era da minha mãe. – Informou, os meus orbes arregalando-se pela surpresa. – Foi o meu pai que lho deu quando começaram a namorar. Ele disse-lhe para ela o usar quando sentisse que era uma ocasião especial. E, a minha mãe só o usou no dia em que descobriu que estava grávida de mim. Pelo que Aika-san me disse, o meu pai ia morrendo do quão feliz estava. Kazuki-san teve que lhe dar um copo com água e ajudar a minha mãe a erguer-se do chão, já que o meu pai fizera questão de derrubar os dois no seu abraço de urso.

- Sentes falta deles? – Perguntei, vendo a expressão séria que adornou o seu rosto.

- É difícil sentir falta de quem não tenho memórias a não ser a gargalhada e o calor corporal. – Admitiu, encolhendo os ombros. – Mas, de alguma forma, existe um vazio no meu coração que nada conseguiu preencher. Pelo menos, até agora.

As suas iris fixaram as minhas douradas e eu soube que ele se referia a mim. Encostando a minha testa à sua, fechei as minhas pálpebras e entrelacei os nossos dedos, o vestido esquecido a nosso lado.

- Se, algum dia, nos tivermos que separar…- A sua voz grave quebrou, levemente, com a ideia. – Promete que o usas quando o teu coração achar que estou perto. Por mais, longe que eu, na realidade, esteja.

- E se ele estiver errado?

- Pelo menos, podes vestir algo que te deixará deslumbrante e que me deixará, definitivamente, mais perto de ti. – O seu polegar acariciou a minha bochecha. – Porque, o teu coração saberá que fui eu que to dei e tranquilizar-se-á ao sentir o meu presente sobre ti. Prometes?

Com um beijo casto e rápido, abri as minhas pálpebras e encarei-o.

- Prometo, Daiki.

~Fim do FlashBack~

Encarei o meu reflexo sobre o espelho, vendo o vestido adornar todas as minhas curvas e cair, largamente, sobre os meus joelhos. Levei uma mão ao meu peito e fechei os meus orbes, sentindo o meu coração bater tão calmamente que parecia que poderia parar de bater a algum momento. De certa forma, ele estava calmo. Totalmente, tranquilo por sentir o tecido abraçar a minha silhueta. Tal como Daiki dissera, o meu órgão cardíaco soube quem mo havia dado e acabara por se acalmar com o presente.

Colocando o meu cabelo num coque quase perfeito, apenas, deixando dois fios adornando o meu rosto cansado, calcei as minhas botas negras e abandonei o quarto. Encontrei os três homens à minha espera, Kyouta sobre os braços de Kuroko que o observava a falar sobre o seu brinquedo. Desde que Kagami lhe esculpira e dera o lobo negro com as iris azuis escuras tão intensas, que o meu filho não o largara. O meu irmão revelara que, de alguma forma, queria que o seu sobrinho conhecesse o pai. Mesmo que não soubesse quem, realmente, aquele animal representava.

Com um aceno de cabeça, abandonamos a nossa habitação, adentrando a floresta que nos cumprimentara. E, com um último olhar para a casa velha, segui caminho na direção do local desconhecido. Um sentimento de anseio e de saudade ardente assentando no meu estomago.

[…]

Passei uma mão sobre a minha testa suada, a natureza que nos cobria anunciando a sua presença com os barulhos que emitia. O fraco vento da noite abraçava-nos, a temperatura demasiado calorenta para a estação em que estávamos. Parei por alguns segundos, tentando recuperar o folego que havia abandonado os meus pulmões faziam diversas horas atrás. Desde que abandonáramos a nossa habitação, que não tínhamos parado para descansar um momento sequer. Não porque Kagami não quisesse. Porém, nem eu, nem Kuroko desejávamos quebrar o ritmo constante que tínhamos criado.

Vi o meu irmão olhar de relance por cima do seu ombro largo, um sorriso adornando os seus lábios rosados. Retribui o sorriso, assentindo com a cabeça como se fosse para confirmar que estava bem e que poderia continuar a caminhar. Retornei a andar, colocando as minhas mãos sobre as minhas costelas e pressionando a zona para camuflar a dor.

- Tio Tai-chan, ‘fata’ muito pa’ chegar? – A voz infantil ecoou, o pequeno bico que fazia com a boca devido ao aborrecimento era, extremamente, adorável.

- Só falta esta colina e depois chegamos. – Informou, um suspiro aliviado abandonando a boca de Kuroko que estava vermelho pelo cansaço.

Com o restante de força que tinha, impulsionei o meu corpo para a frente e subi a inclinação de terra, parando quando chegara ao topo. Os meus orbes arregalaram-se e o meu coração falhou uma batida, apenas, para recomeçar num ritmo, frenético. Kagami colocou a sua mão sobre o meu ombro e apertou-o, gentilmente, tentando tranquilizar o meu corpo que, subitamente, tinha ficado tenso. Ele passou por mim e dirigiu-se à enorme mansão familiar, todas aquelas pedras conhecidas pela última vez que ali tivera. Kagami colocou Kyouta no chão e andou à nossa frente, as pernas curtas da criança tendo dificuldade a acompanhar a passada larga do meu irmão.

Respirei fundo e cruzei o caminho direção do meu destino, os nervos por, finalmente, o reencontrar assentando sobre os meus ombros. Assenti com a cabeça, vendo Kagami empurrar as portas da sala das reuniões. A luminosidade cegou-me e os meus batimentos cardíacos, impediram que ouvisse qualquer coisa. E, com muita coragem, adentrei a divisão.

 

Aomine Daiki P.O.V:

Depositei os meus cotovelos sobre a mesa de madeira e apoiei o meu queixo na minha mão, os meus olhos fixos na comida que tinha sido depositada sob a superfície amadeirada. As duas cadeiras que permaneciam no meu lado direito e esquerdo estavam vazias, o aborrecimento da solidão e da quietude à minha volta deixando-me com um sono, imenso. Soltando um longo suspiro, deixei a minha cabeça cair sobre os meus braços, agora, fletidos, encerrando as minhas pálpebras pesadas e cansadas pelas noites em claro. Se permanecesse muito quieto, talvez, ninguém notasse que, na realidade, estava a dormir, ao invés, de prestar atenção às conversas paralelas.

Escutei as gargalhadas altas de uma criança invadirem a divisão, fazendo com que eu abrisse os meus olhos e os virasse na direção dos barulhos adoráveis. Adentrando o local estava Kise com um sorriso de deleite e Imayoshi, que permanecia com alguém às suas costas enquanto pronunciava palavras difíceis de decifrar naquela longitude. Os pequenos tufos de cabelo loiro viam-se através do ombro do meu irmão mais velho, os orbes azuis grandes como o seu pai alfa observando, curiosamente, os seus arredores. Kasamatsu Shinobu, definitivamente, saia ao seu progenitor ómega.

Os dois homens aproximaram-se de mim e, com uma expressão desgostosa, Shouichi entregou a criança de três anos a Kise, este que se sentara no meu lado direito e dera um casto beijo nos lábios de Kasamatsu que sorriu, atenciosamente. O mais velho dos três sentou-se à minha direita, cruzando os seus braços e soltando um longo suspiro, movendo a cabeça para ambos os lados.

- Doí-te o pescoço? – Questionei, batendo-lhe nas costas, calmamente.

- Hey! – Imayoshi elevou o tom de voz, fuzilando-me com os seus orbes semicerrados. – Tenta tu cuidar daquela pestinha.

- Da pestinha que nós tanto adoramos. – Apontei, vendo-o sorrir, carinhosamente, ao encarar a criança bochechuda.

- Sim. – Ele confirmou, os seus orbes recaindo sobre Wakamatsu que conversava com Moriyama, calmamente.

- E que tal falares com ele? – Perguntei, indo direto ao ponto. – Assim, escusas de o observar de longe.

- Ele foge de mim. – Admitiu, soltando um grunhido. – Mas, não antes de me ofender com todos os nomes horríveis que contem no seu vocabulário. Acho que gosta muito de mim.

- Queres saber o que eu acho?

Ele assentiu com a cabeça, encarando-me, curiosamente. Enrolando o meu braço em torno dos seus ombros, deixei que as minhas iris caíssem sobre o loiro que ria de algo que o mais alto havia dito.

- Eu acho que é muita tensão sexual entre os dois e ele não sabe lidar com isso. – Dei a minha opinião. – E que, na realidade, ele gosta de ti, tanto quanto tu gostas dele. Só que não tem coragem de admitir, por isso, prefere ofender-te. O que, sendo sincero, é sempre a escapatória mais fácil.

Imayoshi franziu as suas sobrancelhas e encarou-me, voltando a sua atenção para meu copo cheio com vinho. Agarrando o pequeno objeto, ele afastou-o de mim e bebeu o seu conteúdo, soltando um longo barulho satisfeito.

- Já não bebes mais hoje, Aomine. – Falou, um tom irónico adornando a sua voz melódica. – Acho que o álcool está a fazer-te ver coisas que não existem.

- Olha! – Esbravejei, incrivelmente, ofendido. – Estás a dizer que eu sou ma-…

Repentinamente, as portas do salão foram abertas e o silêncio assentou na divisão, outrora, barulhenta. Os meus orbes recaíram sobre a figura forte e imponente de Kagami que, com o braço entrelaçado, ajudava um Kuroko cansado a andar na direção das cadeiras altas que estavam guardadas. Os seus olhos avermelhados viraram-se para mim e ele assentiu com a cabeça, calmamente, cumprimentando-me, silenciosamente.

Foi, então, que ao retornar a olhar para a entrada, o meu mundo inteiro parou de rodar. Adentrando o salão numa correria imensa, estava a criança que despertara o bater intenso do meu coração. Os seus orbes dourados, tão familiares, passaram por todos os rostos dos presentes, parando sobre mim e fixando-se nos meus azuis. A surpresa na face rechonchuda dele era visível mesmo a metros de distância e os seus cabelos iguais aos meus, reluziam com a luz dos candelabros.

Senti todos os olhos dos líderes das alcateias e dos seus seguidores rodarem entre mim e a criança que estava paralisada, o choque presente em cada respiração, cada suspiro ou cada engolir de garganta. Ergui-me da cadeira, lentamente, e encarei a entrada, os meus orbes lacrimejando pela falta de humidade neles. Ninguém se atrevera a pronunciar uma palavra. Ninguém se atrevera a mover. Ninguém se atrevera, sequer, a questionar a minha reação. E, ninguém escondeu a surpresa e a curiosidade que lhes percorria no corpo.

Eu soube, instantaneamente. Talvez, fosse pela forma como o meu coração começara a bater mais rapidamente. Ou como os meus dedos das mãos e as minhas pernas começaram a tremer pelo desejo de me mover, que eu, simplesmente, soubera. Não havia nada que me dissesse o contrário. Nem a transpiração fria que cobrira o meu corpo numa questão de segundos.

Fora aquele cheiro doce que, à quatro anos e nove meses havia desaparecido da minha vida por completo. Fora o barulho dos seus sapatos a agraciarem, pela primeira vez, aquele chão coberto de pedra. Fora o vestido que eu reconheceria em qualquer lugar, em qualquer distância. E, fora, principalmente, os seus orbes dourados que, como um hímen, acabaram por fazer contacto visual com os meus.

Eu vi a sua respiração ficar presa na sua garganta e o seu corpo paralisar, a felicidade e saudade visíveis no seu rosto esbelto e cansado. Vi a maneira como um sorriso triste adornara os seus lábios tão atrativos e que continham memórias infinitas. Vi a forma como, sem querer, dera um passo na minha direção como se eu a puxasse para mim com um cordão invisível. Porém, também vi a sua expressão se tornar dolorosa, ao se lembrar da presença do seu pai e da nossa separação. Vi-a agarrar a mão de quem me pertencia e virar o seu rosto para quebrar o contacto visual. Vi-a caminhar tão, lentamente, como se não desejasse sentar-se ao lado do seu irmão, os seus orbes nunca se virando para mim, novamente.

Naquele momento, senti tudo aquilo que o meu coração havia tentado guardar. Senti a dor, a saudade, a esperança e o desespero caírem sobre os meus ombros e obrigarem-me a sentar no meu lugar, outra vez. Senti a tristeza de não lhe puder tocar, a felicidade de a ver ali tão perto e a surpresa de ver uma miniatura minha fixa, completamente, em mim. Senti raiva, força e fraqueza, por não me erguer e encurtar a distância de quem era meu pela ordem do destino. Mas, sobretudo, senti amor por quem conhecia tão bem e, principalmente, por quem estava a ver pela primeira vez.

Um rosnado, involuntário, abandonou os meus lábios ao ver o olhar de odio que Kou lançava ao seu neto. A expressão de desdém explicita no seu rosto velho, aquecia o meu sangue para temperaturas inimagináveis. A minha mão fechou-se em punho e fiz menção de me levantar. Porém, ao sentir a mão de Kise e Imayoshi sobre os meus ombros e os olhares apoiantes dos amigos a quem poderia chamar família, aquietei-me no meu lugar e engoli em seco todas as palavras que pediam para serem soltas. Contudo, o meu olhar nunca saiu da minha ómega e, principalmente, da criança que estava sentada sobre o seu colo.

Ouvi Midorima erguer-se da cadeira dele e colocar alguns papeis sobre a mesa, atraindo a minha atenção. Os seus orbes esmeraldas fixos no mapa que estendia sobre o centro da mesa, os seus dedos longos e delgados colocando objetos sobre a folha desenhada. Quando ficou, completamente, satisfeito com o seu trabalho, sentou-se no seu assento e colocou o seu braço em torno de Takao. A sua mão grande foi de encontro à barriga grande do seu parceiro, massageando-a sobre a blusa larga que, claramente, pertencia ao esverdeado. Se antes Shintarou era frio com o ómega, agora tratava-o como se ele fosse uma boneca de porcelana. Principalmente, desde descobrir que Kazunari estava grávido. Desta vez, dissera que não queria correr riscos de perder o bebé, novamente, e sentir a dor tão grande.

Quem lhe fazia companhia, era Himuro, que estava à espera do terceiro filho. Se Midorima tinha levado o seu tempo a conceber aquele, Murasakibara parecia querer criar uma equipa grande para um desporto. A cada ano que passava, Tatsuya aparecia grávido ou, dessa forma, e com uma criança nos braços. Definitivamente, queria fazer uma coleção de bebés. O arroxeado encarou-me com um sorriso, tranquilizante, e depois virou os seus orbes, igualmente, lilases para as suas crias que estavam sentados sobre cada uma das suas pernas.

Ichiro, contendo os seus três anos de idade e, assim, sendo o mais velho, brincava animadamente com as mãos gigantescas de Atsushi, os seus orbes violetas fixos na pele imaculada do seu pai. Os cabelos tão negros como a noite caiam sobre os seus ombros pequenos, um sorriso alegre e desdentado adornando os lábios rosados da criança. A sua personalidade alegre e irrequieta notava-se pela maneira que, tal como Shinobu, não conseguia ficar parado um simples segundo.

Contrariamente, ao irmão mais velho, era Jun que, com uma expressão séria no seu rosto de dois anos, permanecia quieto no colo do pai. Os seus fios roxos eram curtos, porém, estavam penteados de uma maneira perfeita, impedindo quaisquer cabelos fora do lugar. As suas íris cinzentas escuras encaravam Himuro, os seus braços curtinhos esticados para pedirem colo à sua ‘mãe’. Se alguém era adorável, com certeza, seria aquele bebé que nunca havia incomodado ninguém. Apesar de saber falar, raramente, o fazia.

- Abrimos a primeira reunião de Outono. – Escutamos a voz grave de Kasamatsu, pronunciar, calmamente.

- Vamos diretos ao assunto. – Kou falou, apontando com a sua mão livre para o mapa, rosnando num tom baixo. – Sabemos, perfeitamente, que os nossos territórios já não estão seguros. Quando é que atacamos?

- Ponderemos com calma. – Imayoshi respondeu, virando o seu rosto, normalmente, calmo para o alfa. – Vamos planear, primeiramente, uma estratégia defensiva. Ninguém aqui quer perder os territórios por qual tanto lutaram.

- Estou farto de ter calma! – O alfa mais velho elevou o tom de voz, batendo com as mãos na mesa. – Não foi coincidência que eles assassinaram alguém e deixaram o corpo na entrada da Rakuzan! Eles sabem que os espiões que tanto confiaram, andavam a ter duas caras e fornecer informações a ambos os lados.

- E, Akashi preferiu não lidar com o assunto diretamente. – Midorima, contrapôs, franzindo as sobrancelhas.

Kou revirou os olhos e abanou a cabeça, cruzando os seus braços em frente do seu peito.

- Foi a decisão dele. Ninguém aqui tem de levar com as consequências das suas escolhas. – Kou encolheu os ombros, sorrindo ironicamente. – Se querem morrer, esse é problema vosso.

Repentinamente, escutou-se um alto ‘Tsc’, atraindo a atenção de todos os presentes para a origem do som. Os orbes rosas e amarelos do alfa mais pequeno fixaram-se no líder da Seirin, as suas sobrancelhas franzidas e um sorriso sádico no rosto esbelto. Os cabelos rosados estavam cobertor, completamente, por rastas e puxados para trás, permitindo a visibilidade da expressão aterrorizante. Akashi ergueu-se da sua cadeira, lentamente, revelando algumas tatuagens espalhadas pelos seus braços finos e as roupas diferentes que usava, as peles cobrindo o seu corpo delgado. Ele dirigiu-se ao sítio da bebida e engoliu o vinho na velocidade da luz, batendo com o copo sobre a mesa.

- É tão fácil falar quando não temos os problemas a bater à nossa porta. – O seu timbre baixo lançou um arrepio por todas as colunas, a aura negra que circundava o corpo de Seijuro aumentando a tensão da sala. – Se és tão bom estrategista, Kagami Kou, então, porque é que sou eu, o Shintarou e o Shoichi a fazer os nossos planos de ataque e defesa? Neste momento, gostava de ver o quão boas as tuas habilidades são.

- Eu nunc-…

- Nem tentes. – O menor falou, sorrindo sadicamente, outra vez. – Todos aqui sabemos que comparado a alguém absoluto como eu, não vales nem um terço. Por isso, deixa quem, realmente, entende do assunto, conversar. E não questiones as minhas decisões que me levaram a proteger a minha alcateia.

Kou soltou um grunhido e retornou a sua atenção para o mapa, mantendo a boca fechada enquanto batia com o pé no chão. Um sorriso mais descontraído surgiu no rosto de Akashi, fazendo com que ele se virasse para os seus acompanhantes e levantasse os copos de bebida, divertidamente. Seijuro era perigoso pela mudança constante do seu estar. Tanto estava feliz, quanto triste ou, pior, raivoso. Não havia como prever as suas ações.

Subitamente, senti a minha blusa ser puxada para baixo, atraindo os meus orbes para quem queria a minha atenção tão urgentemente. Engoli em seco ao ver as íris douradas mais brilhantes que alguma vez tivera o prazer de agraciar. Os seus cabelos azuis-escuros reluziram, novamente, e um sorriso desdentado adornou os seus lábios. Ele abriu os seus braços, pedindo por colo, silenciosamente. Enrolei as minhas mãos, carinhosamente, em torno do seu corpo e sentei-o sobre a minha perna, esquecendo-me, completamente, dos problemas que rodeavam as alcateias todas.

- O meu nome é Kyouta. – Ele apresentou-se, rapidamente. – Aomine Kyouta. Mas, a mamã chama-me Kyou-chan. ‘Po’ isso, também me podes ‘chama’ assim.

O meu coração bateu, fortemente, ao escutar o meu sobrenome. Um sorriso adornou o meu rosto e eu estiquei a minha mão, vendo a sua menor colocar-se sobre a minha.

- Aomine Daiki. – Apresentei-me, igualmente, apertando os seus dedos, delicadamente. – Tens um nome muito bonito. Foi a tua mãe que to deu?

- Acho que sim. – A sua voz infantil agraciou os meus ouvidos como uma melodia. –A mamã teve ‘ahuda’ do titio Te-chan e do tio Tai-chan.

- Então, eles escolheram muito bem.

- Eu sei. – Kyouta riu, as suas bochechas rechonchudas ficando tão adoráveis. – ‘Oha’ o que o tio Tai-chan deu a Kyou-chan!

Ele ergueu as suas mãozinhas pequenas e mostrou-me o lobo que era, incrivelmente, familiar. Talvez, fosse pela pelagem preta dele ser, completamente, igual à minha ou os olhos azuis-escuros terem uma imensa intensidade. Virei a minha atenção para Kagami e agradeci ao ver que ele se tinha baseado em mim. Daquela maneira, senti-me, pelo menos, um pouco mais presente na vida do meu filho.

- O teu tio tem muito jeito.

- Gostas? – Perguntou, a sua aura brilhando com felicidade. – O tio Tai-chan pode fazer um pa’ ti.

Eu ri e assentiu com a cabeça, passando os meus dedos pelos fios azuis-escuros do seu cabelo. Vi Imayoshi observar-nos e um sorriso no seu rosto, virando a sua atenção, novamente, para a discussão que estava a acontecer naquele momento.

- Vou contar a minha ‘históia’. – Ele anunciou, a minha confirmação presente no meu rosto. – Eu não me ‘lembo’ bem de quando ‘naci’, mas a mamã contou ao Kyou-chan.

E, assim, começou a falar, continuando numa velocidade em que tínhamos de prestar atenção ao que dizia, senão, perdíamo-nos na sua história. Por vezes, parecia que nem respirava em meio de palavras seguidas, as suas mãos pequenas gesticulando conforme ia relatando tudo o que Erica lhe dissera. No fim, passara para os dias em que começava a ter memórias.

- Kyou-chan. – Chamei-o, vendo-o fechar a boca para me escutar. – Eu preciso de ouvir o que está a ser dito agora. Mas, prometo que assim que eles acabarem, a minha atenção será toda para ti. Pode ser?

- ‘Tá bem!

O silêncio assentou entre nós os dois, os meus olhos focando-se no debate aceso entre Kasamatsu e Midorima que, embora, amigos, as suas ideias costumavam chocar imenso. Murasakibara ergueu-se da sua cadeira e abriu a boca num bocejo, dirigindo-se à cozinha e desaparecendo por entre a ombreira da porta. Normalmente, isto acontecia sempre que os dois alfas da Shutoku e da Kaijo entravam numa discussão sobre ataque e defesa. Todos os outros tinham as suas atenções ou nos papeis ou, sinceramente, nas conversas privadas entre alcateias.

Senti-me, extremamente, observado, virando os meus orbes para o rosto de Erica que tinha um sorriso gentil no rosto. Ela estava apoiada na mesa, a sua cabeça descansando na sua mão perfeita enquanto mantinha a sua atenção em mim e no seu filho. Discretamente, ergui a mão e acenei, vendo-a retribuir, calmamente. Eu sentia-me como se tivéssemos retornado à primeira reunião em que tínhamos medo de sermos vistos e mal nos conhecíamos. Porém, as coisas haviam mudado. Todos sabiam da nossa ligação, sendo que Kyouta era a prova e, além disso, o terror de que alguém soubesse tinha sido há muito esquecido. Os acontecimentos ainda presentes nas nossas memórias e as feridas por cicatrizar.

- Oh, ‘lembei-me’! – Escutei Kyouta dizer, voltando a mostrar o seu lobo. – No dia em que o tio Tai-chan deu a Kyou-chan o ‘binquedo’, disse que era alguém muito ‘impotante’. Tava sol e eu tava a ‘bincar’ no quintal quando…

Mais uma vez, me vi enlaçado nas suas histórias de uma infância ainda vivida e na sua felicidade por, finalmente, partilhar com alguém que não conhecia. Talvez, se ele não fosse tão parecido comigo, fosse difícil dizer que era meu filho. Contudo, a ligação emocional e invisível que decorria entre nós, afirmava que Kyouta era família. E, que, sinceramente, era uma parte tão importante de mim.

- Não podemos esperar que ele nos ataque, novamente! - Kasamatsu gritou. – Achas mesmo que para a próxima vez será um espião que deixará à nossa porta? Se nos descuidamos, é a cabeça de Takao que te será entregada como presente. Eu não vou permitir que ele magoe Kise e o meu filho. Não vou permitir que coloque um dedo sobre alguém da minha alcateia.

- Aqui ninguém vai permitir isso, Yukio. – Himuro pronunciou-se, passando a sua mão pelas costas de Kazunari. – Mas, temos de manter a calma. Se nos apressarmos, os nossos planos saíram errados e enviaremos as nossas familias para a morte. Ninguém quer algo tão ultrajante aconteça.

- O Tatsuyacchi tem razão, meu amor. – A voz de Kise interrompeu, o ómega loiro encostando a sua testa à bochecha do seu marido para o tranquilizar. – Se tivermos todos juntos e unidos, então, é impossível perdermos a guerra.

Subitamente, escutamos uma risada alta e venenosa ecoar pela noite gelada, esta que adentrou as paredes do salão em que estávamos. Instantaneamente, enrolei os meus braços em torno do tronco de Kyouta e puxei-o para mais perto, sentindo o seu corpo pequeno ficar colado ao meu peito. Fixei os meus orbes na entrada e rosnei, soltando feromonas perigosas que, naquela altura, serviam como um aviso para que se afastassem. O azul das minhas iris tornou-se mais intenso e sem que me apercebesse, os meus caninos e unhas haviam crescido. Estava preparado para atacar o desconhecido que se aproximava.

E, no momento em que a pessoa colocou os pés dentro do salão, as reações dos outros alfas tornaram-se iguais à minha. Midorima colocou Takao para trás das suas costas e Kasamatsu meteu-se em frente da sua pequena família, impedindo que o homem conseguisse ver Kise e Shinobu. Kagami protegeu Erica e Kuroko, rosnando em direção à víbora que, apenas, alargara o seu sorriso sádico. Akashi permaneceu sentado, fixando a sua atenção em Himuro para o proteger na ausência de Murasakibara. Kenichi Okamura, integrante da Yosen, colocou-se em frente à cadeira do ómega grávido.

Os seus cabelos negros estavam soltos, caindo sobre os seus ombros largos e a sua estatura alta. Os seus olhos prateados brilharam ao passarem por cada rosto tenso, fixando-se na cadeira vazia. Ele aproximou-se do assento e sentou-se, olhando para Tatsuya e para os seus filhos que estavam escondidos atrás do corpo inerte do ómega. O moreno não demonstrou medo. Não revelou desdém. A sua expressão estava impassível como no dia em que todos o tinham conhecido. As defesas de Himuro, por mais discretas, estavam postas.

Ele encarou o ómega a seu lado e gargalhou, abanando a cabeça enquanto retornava a inspecionar o restante da divisão. As suas iris prateadas pararam no rosto de Kyouta e o seu sorriso sádico alargou, os meus braços enrolando-se com mais força em torno da criança que estremecera de medo. O meu rosnado fez-se ouvir e eu inclinei o tronco para a frente, atraindo a atenção do olhar assassino dele.

- Acho que é muito ingrato falarem de alguém quando essa pessoa não está presente. – Ele suspirou. – Por isso, aqui estou.

Ele fez uma pausa e cruzou os seus braços em frente ao seu peito coberto por roupas negras, a sua língua, igual, a de uma cobra, umedecendo os seus lábios arroxeados. Inclinando-se para a frente, da mesma maneira como eu fizera e fazendo contacto visual comigo, retornou a sorrir sadicamente.

Eu nunca sentira tanto ódio naquela sala até ele pronunciar as suas próximas palavras:

- E, estou para ficar.


Notas Finais


Olá, novamente!

Neste capitulo, já introduzi Erica e adicionei uma nova personagem: Aomine Kyouta. Sim, a primeira vez que Daiki e Erica tiveram intimidade, bastou para a deixar grávida.
Quis relevar como estava a relação de Kagami e Kuroko com a ómega e, também quero deixar explicito que os três não vivem com Kou.

Takao está grávido, novamente! E, Himuro e Kise já têm os seus próprios filhos. Só podemos esperar que os outros venham a ter. Ichiro, Shinobu, Jun e Kyouta são as crianças atuais que já nasceram.

E, por fim, o vilão da história, finalmente, teve contacto com todos.

Espero que tenham gostado e até à próxima!


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