História Forensics - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Rock Lee, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Forensics, Naruto, Sakura, Sasuke
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Palavras 4.959
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Café com sangue


Fanfic / Fanfiction Forensics - Capítulo 1 - Café com sangue

Ato I ㅡ Sakura

Café. Primeiro café. Só depois eu vou conseguir começar a raciocinar. Nem um ser humano normal consegue acordar raciocinando apropriadamente às 4 horas da madrugada. Cafeteira ligada e passando café. O aroma vai se espalhando pelo meu minúsculo apartamento e começo a me animar.

Às vezes me questiono por qual motivo resolvi escolher justo essa profissão, mas lembro do quanto amo Biologia Forense e ajudar a solucionar crimes junto a polícia. Porém, gostaria que alguém tivesse me dito que eu teria que levantar a qualquer momento quando estivesse de plantão.

Lavar o rosto. Afinal, não quero chegar com nenhum traço de quem estava dormindo como uma pedra. E a água fria ajuda a ligar o meu cérebro. Escovar os dentes. Nota mental para não esquecer minha maleta com os equipamentos para perícia. Acostumei a manter um kit na minha casa para os dias que estivesse de plantão, assim não perderia tempo indo até a delegacia para buscar este.

Vejo através do reflexo no espelho as bolsas arroxeadas embaixo dos meus olhos. Nem dá para chamar mais de olheiras isso. É quase uma tatuagem feita pela exaustão no meu rosto. Dou uma risada forçada ao lembrar de como me imaginava há alguns anos atrás.

Pensei que o cenário seria completamente diferente do atual. Talvez comigo indo para festas e chegando em casa no horário que acordo para ir trabalhar no domingo de madrugada. Ou aproveitando a noite ao lado de um namorado. Algo que não existe na minha vida. Para esclarecer que não é por falta de esforço, é que não tem como arrumar um namorado vivendo nesses horários descoordenados. Mas, apesar de tudo, eu amo meu trabalho e não o trocaria por nenhum homem.

Admito que há uma exceção à regra.

Foi paixão no primeiro sorriso. Depois que eu o vi no primeiro dia de trabalho não consegui parar de cultivar essa paixão platônica. E como sou uma mulher de sorte ele não reparou até hoje em mim. Isso que trabalhamos juntos já fazem 3 anos.

Jogo olhares, sorrisos e todo tipo de indiretas, mas não parece surtir efeito. Não sou do tipo de mulher que não corre atrás do que deseja, mas necessito receber um sinal positivo para continuar. Porém, ele simplesmente não se liga e me trata como uma irmã mais nova.

Outra mensagem no celular. Oficialmente odeio os grupos de trabalho no WhatsApp. Os de família já incomodam um pouco, porém nenhum se igual aos que envolvem o seu emprego.

Esse aparelho não parar de vibrar desde que acordei. Minha vontade é de atirar essa porcaria com toda força na parede, mas não teria dinheiro para comprar outro. Estou economizando para comprar um apartamento novo. Não posso morar de aluguel a vida toda, além de que, o meu atual é uma verdadeira merda.     

Termino meu café em um longo gole. Preciso descer correndo para não perder a carona do meu colega de trabalho/minha paixão platônica. Desço correndo os dois lances de escadas até chegar na entrada do meu prédio. Fico aliviada por ele não ter chegado ainda. Só não fico feliz de ficar sozinha nessa rua a esse horário.

Eu trabalho com policiais, porém não sou a mulher-maravilha. Minha atenção se divide entre os dois lados da rua, procuro olhar cada um para ter certeza que não tem ninguém com más intenções vindo na minha direção.

Sinto meu celular vibrar no meu bolso e me sobressalto. Procuro conter o meu grito assustado para não atrapalhar o sono da vizinhança. Desbloqueio a tela e visualizo o número que está me ligando.

Estou muito atrasado? ㅡ Escuto o som da voz e sorrio involuntariamente. Aceno negativamente com a cabeça. ㅡ Você me ouviu? Será que a ligação está cortando?

ㅡ Ouvi sim e a resposta é não. Não está muito atrasado. ㅡ Respondo rapidamente. Percebendo que não havia como ele ver meu gesto e me sinto uma idiota. ㅡ Acabei de descer do meu apartamento. Estou te esperando aqui embaixo já.

Certo. Eu chego daqui a pouco. – Ele suspira antes de continuar. ㅡ Eu estava no meio de um encontro. Odeio quando isso acontece.

ㅡ Realmente. ㅡ Consigo responder revirando os olhos, apesar de me remoer de ciúmes. ㅡ Sei como é ruim ser escalado para o plantão de última hora.

Pois é. ㅡ Estala a língua. ㅡ Pelo menos iremos receber reforços amanhã.

ㅡ Sério? Não estou sabendo desse comunicado.

Na verdade, vão ser dois especialistas novos. Um policial e acho que uma Química Forense.

ㅡ Ah, terei companhia no laboratório então. ㅡ Suplico que seja uma pessoa legal. Odeio dividir meu laboratório.

Pensei que já tivesse.

Exalo frustrada. ㅡ Shikamaru não conta como um companheiro de laboratório. Ele divide o tempo dele entre dormir no terraço e fugir das broncas da esposa.

Tem toda a razão. ㅡ Concorda rindo comigo. ㅡ Admito que também não gostei das novidades. O cara vai ser meu parceiro e o que ouvi sobre ele não ajudou muito.

ㅡ Bom, só posso te desejar boa sorte. ㅡ Algo estala na minha cabeça. ㅡ Espero que você não esteja falando comigo e dirigindo. ㅡ Censuro sua postura.

A conversa me distraiu tanto que nem notei o carro encostar próximo do cordão da calçada. Para ajudar o veículo tem os vidros escuros e não consigo enxergar quem está dirigindo. Dou um passo para trás e me preparo mentalmente para iniciar uma corrida desenfreada. O vidro do motorista começar a descer e conforme vejo quem está no volante, meu corpo vai relaxando aos poucos.

ㅡ Nunca falaria no telefone e dirigiria. Isso é contra as regras. ㅡ Ele pisca na minha direção e estampa um bom humor que não consigo compartilhar.

ㅡ Você é um péssimo exemplo. ㅡ Sorrio maliciosamente enquanto balanço a cabeça. ㅡ Naruto.

ㅡ Entra. ㅡ O loiro abana ao se ajeitar no banco. Contorno o carro em direção a porta do carona. ㅡ Precisamos ir logo, se não quisermos que a vovó Tsunade arranque nossas cabeças.

ㅡ Se ela te ouvir falar desse jeito você é um homem morto. ㅡ Afivelo o cinto. ㅡ Pronto.

Naruto acelera o carro e saímos em direção a região sul da cidade. A zona mais pacífica e rica. E quando a violência afeta pessoas com posses a polícia precisa agir rápido e com maior precisão. O sistema é totalmente hipócrita. Mas não sou eu que dou as ordens, só as recebo dos meus superiores que vivem nessa rede de injustiça.

ㅡ Um copo de café em troca dos seus pensamentos, Sakura. ㅡ Naruto diz concentrado na estrada.

ㅡ Por acaso você tem o café contigo? ㅡ O fito abrir e fechar a boca sem resposta. ㅡ Só conto quando receber o líquido sagrado primeiro.

ㅡ Tudo bem, prometo te levar para tomar café depois. ㅡ Ele respira fundo. ㅡ Até porque vamos direto para a delegacia.

ㅡ Ainda temos que receber os colegas novos. ㅡ Bufo e cruzo os braços. ㅡ Não estou com humor para isso.

ㅡ Eu acho que você devia dar uma saída, sabe? Relaxar. ㅡ Ele me fita com o canto de olho. ㅡ Sendo direto, arrumar um namorado ou amizade colorida.

Não consigo esconder o espanto que sinto com sua fala. O projeto de Deus Grego, que jogo indiretas há tempos, falando para eu arrumar um namorado.

Querido, você não poderia estar mais certo.

Naruto tem uma beleza de estampar capa de revista. Com seu um metro e oitenta centímetros de altura, cabelos loiros arrepiados e olhos azuis claros. Sua aparência reflete sua personalidade, que traz a sensação de um dia ensolarado com o céu azul. Difícil definir, precisamente, seu corpo mas parece ser malhado. Pelo menos, é o que as linhas da camisa do seu uniforme me dizem.

ㅡ Fácil falar Naruto, difícil é fazer acontecer. ㅡ Respondo em um tom de voz sério. ㅡ Manter um relacionamento com nossos horários é tarefa árdua.

ㅡ Pois é. ㅡ O loiro refletiu. ㅡ A não ser que seja alguém que tenha os mesmos horários.

ㅡ EXATAMENTE! ㅡ Nem penso antes de responder e falo histérica. ㅡ Quer dizer, seria ótimo encontrar alguém do mesmo ramo. Mas quem poderia ser? ㅡ Inclino um pouco o corpo em sua direção e pisco para ele.

ㅡ Caso esse seja o problema, então está resolvido. ㅡ Ele pende a cabeça para perto de mim sem tirar os olhos da estrada. Começo acreditar que todos meus esforços serão recompensados. ㅡ O Lee não parar de falar em você. Devia dar uma chance para ele! ㅡ Sussurra próximo ao meu ouvido.

Quem levou um balde de água gelada vai saber como estou me sentindo nesse momento. Volto rapidamente para o meu lugar fazendo careta e enrugando as sobrancelhas. Naruto não pode ser mais sem noção. O Rock Lee é um policial que trabalha há um ano na nossa corporação, e parecer nutrir uma paixão por mim. Só que diferente da postura que tenho em relação ao loiro, Lee não é nada discreto e desde o primeiro dia que o vi deixou claro seu interesse por mim.

ㅡ Não sei se é melhor ser surda ou ouvir besteiras como essas. ㅡ Reviro os olhos incomodada. ㅡ Não tenho interesse nenhum no Lee, somos apenas amigos e eu já conversei com ele sobre isso.

ㅡ Não está mais aqui quem falou Sakura. ㅡ Sinto que o carro desacelera aos poucos. ㅡ Desculpa, não queria te irritar. ㅡ Naruto explica enquanto manobra o carro. ㅡ Chegamos.

ㅡ E parece que temos muito público. ㅡ Digo quando desço do veículo e vejo a quantidade de pessoas no local.

Mesmo não seguindo uma carreira famosa, como atriz ou cantora, sempre há um grande número de pessoas que observa enquanto investigamos uma cena de crime. O ser humano adora uma fofoca, ainda mais quando envolve os cidadãos com maior poder aquisitivo.

ㅡ Oh, povo curioso. ㅡ Naruto comenta ao acionar o alarme do carro e acena para atravessarmos o mar de pessoas.

Procuro meu crachá no bolso do casaco e o coloco no pescoço. Enfrentamos a multidão aglomerada próxima ao portão do local e temos dificuldades de chegar próximo ao cordão de isolamento. Mostramos nosso crachá ao policial, que procura conter as pessoas, e libera nossa passagem.

Avisto a delegada Tsunade dando ordens aos policiais e vou em sua direção para saber onde é a área que preciso analisar. A veia grossa pulsando em sua testa é um sinal que está completamente estressada, sendo um péssimo sinal para todos. Uma palavra errada e podemos acabar sentindo a força esmagadora da raiva dela.

ㅡ Boa noite Tsunade. ㅡ Anuncio minha chegada.

ㅡ Bom dia, na verdade, Sakura. ㅡ A loira corrige meu cumprimento. Aponta para a direção que devo tomar. ㅡ Esses crimes estão cada dia mais brutais, nem com meus 20 anos de profissão, me sinto preparada para o que vou encontrar.

ㅡ Considero essa parte excitante do nosso trabalho. ㅡ Digo animada.

Tsunade julga minha reação. ㅡ Por favor, demonstre menos empolgação na frente da família da vítima.

ㅡ Perdão. ㅡ Coço a cabeça envergonhada. ㅡ Esqueço que pode parecer estranho estar animada para ver um cadáver. ㅡ Tsunade balançou a cabeça concordando.

ㅡ Espero que encontre alguém para compartilhar suas esquisitices. ㅡ Sorri pelo seu comentário.

Assim chegamos em frente à residência, alguns policiais ainda interrogavam a mãe da vítima e os donos da casa. Não foi possível quantificar a gravidade da situação apenas com as conversas dispersas que ouvi.

Quando atravessei a porta, tive que controlar todos os músculos do meu rosto para não expressar a fascinação que senti ao ver a decoração da sala. Parecia tirada de um filme clássico, os móveis antigos e o sofá três vezes maior do que o meu, aliás, o meu é apenas uma poltrinha comparada a esse. No entanto, deveria me ater ao senso comum e manter uma postura séria.

Vasculhei cada centímetro do cômodo, com sentimentos divididos entre admiração e confusão, não havia nenhum indício visível do crime. Além de que, meus colegas pareciam já ter revisado tudo antes de eu chegar. O que me leva a outra pergunta, por que fui posta de plantão urgente se todos os outros estão aqui?

ㅡ Procurando algo? ㅡ Tsunade comenta ao notar pelo o que procuro. ㅡ A vítima está no andar de cima.

ㅡ Céus, tem outro andar ainda? ㅡ Comento exasperada.

Novamente o olhar duro da delegada cai sobre mim. ㅡ Bom, espero que foque no importante nesse momento, Sakura. ㅡ Seu tom é rígido. ㅡ Você não tem muita experiência na corporação, mas confio no seu trabalho.

ㅡ Prometo não decepcionar.

ㅡ Segundo porta à direita da escada. ㅡ Acenou para me dispensar.

Respiro fundo e preparo meu psicológico. Logo ao chegar no corredor de passagem do segundo andar não vejo nada de incomum, além de um lugar estupidamente lindo.

Deposito minha maleta no chão, retiro o macacão de lona que devo usar por cima do uniforme, assim não irei contaminar a cena do crime, pego as minhas luvas e máscara e encerro pondo o capuz cobrindo o meu cabelo. Depois terei que inspecionar esse esse corredor com auxílio do luminol, deixo o lembrete em uma nota mental no cérebro.

Coloco a mão na maçaneta da porta que está entreaberta e vou empurrando aos poucos. Consigo sentir o meu coração acelerar com adrenalina que invade a minha corrente sanguínea. Isso acontece com frequência antes de coletar evidências, o que acaba fazendo que meu foco seja apenas no que vejo em minha frente, o tempo parece parar.

Ato II ㅡ Sasuke

Não estava nos meus planos ser transferido do meu batalhão policial, mas parece que tem outro lugar que não está conseguindo solucionar os problemas que encontra. Gente incompetente. Não suporto pessoas que não dão seu máximo e são perdedores. Acabam só por atrapalhar o caminho, e principalmente o meu.

Por isso, meus colegas de trabalho não tinha grandes afeições por mim. E não que isso importe, na verdade, não faz a menor diferença, desde que entreguem os resultados que peço.

Eu me formei na academia com as melhores notas e condecorações. Comecei atuando na força tarefa especial no meu primeiro ano de profissão. Então, odeio me deparar com pessoas que não vão além de seus limites. Afinal, meu trabalho é minha vida e o que mais importa para mim.

Esse foi um dos motivos do meu casamento ter acabado. Pode ser porque eu acabei casando muito cedo também, com 20 anos eu já não morava com meus pais e vivia como um adulto que tem uma casa para sustentar. Pouca maturidade para muitos problemas.

Então, agora com 25 anos voltei a morar na casa dos meus pais com o peso da separação e me sentindo novamente um adolescente. Essa situação é extremamente frustrante.

Não sei o que me frustra, morar com os pais ou ter que trocar de departamento. Espero que o meu novo parceiro seja dedicado e comprometido com seu trabalho, porque eu odeio trabalhar em grupo. Sei que me obrigar a trabalhar com outra pessoa foi uma punição pelo o que aconteceu na última investigação. Enfim, não convém comentar sobre isso agora.

No meu antigo batalhão minha única exigência era realizar as investigações sozinho, sem precisar lidar com outros policiais ou aqueles peritos criminais. Tenho horror aqueles ratos de laboratório. Não passam de uns nerds que não me ajudam em nada e somente atrapalham. Só permitia a entrada deles nas cenas de crime após eu ir embora, porque não tenho paciência para os procedimentos deles.

Não pise aí. Não toque nisso. Use luvas. Não mova o corpo da vítima. Regras, regras e mais regras. Os crimes não irão ser resolvidos caso eu siga um manual de instruções, por este motivo sigo os meus instintos acima de tudo.

Fiquei sabendo que houve um crime nessa madrugada e foram enviados os policiais que pertencem ao departamento de Konoha, meu novo emprego, e resolvi verificar a investigação da qual farei parte.

ㅡ Onde está indo a essa hora querido? ㅡ A voz da minha mãe, Mikoto, soou da porta do quarto dela.

ㅡ Tenho um chamado para atender. ㅡ Respondi no automático, enquanto pegava as chaves do carro e carteira.

ㅡ E não vai tomar café antes de sair? ㅡ Saiu do quarto se enrolando no roupão. ㅡ Nossa, e sua camisa está toda amassada. E o seu cabelo… ㅡ Estalou a língua enquanto tentava pentear os fios rebeldes.

Revirei os olhos pela sua preocupação em excesso. ㅡ Mãe, conversamos sobre isso, não sou mais criança.

Ela sorriu e passou a mão pela minha bochecha. ㅡ Você me fala isso desde que completou 10 anos. Naquela época em que seu pai… ㅡ Soltei um suspiro. ㅡ Enfim, não vamos começar o dia com energias negativas. Bom trabalho. ㅡ Inclinou e deu um beijo na minha bochecha.

Posso reclamar pela a preocupação e cuidado excessivo de Mikoto comigo, mas ela consegue acabar com o lado ranzinza com apenas um pouco de carinho materno. Ah, essa sempre foi a arma secreta dela. Espero nunca encontrar alguém que tenha esse poder de controle sobre mim, caso contrário estou ferrado.

Dirigir pela cidade de Konoha me deixa nostálgico, relembrando meus tempos de adolescente e todas as histórias boas ou ruins que passei por aqui. Estranho que alguns anos atrás o que mais queria era sair daqui, talvez pela promoção que foi oferecida em outra cidade ou pelas exigências da minha ex-esposa que não suportava a cidade. Foram tantas mudanças bruscas que não me permitiram refletir o quanto gosto do clima de Konoha.

Encontrar a delegada Tsunade foi bastante simples, bastou seguir a multidão de pessoas curiosas e famintas por fofocas junto com o bando de policiais tentando conter aquela manada. A delegada demonstrou empolgação ao me conhecer, não é para menos que fique dessa forma tendo Sasuke Uchiha em sua força policial.

Arrogante? Sou e não tenho problema em assumir, para muitos é um defeito, no entanto para mim é uma qualidade.

ㅡ Sasuke Uchiha, é um prazer tê-lo como colega de trabalho. ㅡ Apertou minha mão. ㅡ Pensei que o viria somente amanhã na delegacia.

ㅡ Achei sensato ver como atuam nas investigações. ㅡ Verifiquei o local e vi os ratos de laboratório deixando a cena do crime. ㅡ Será que poderia entrar na casa agora?

ㅡ Primeiro, gostaria de apresentar ao seu novo parceiro. ㅡ Ela acena para um loiro com cabelos espetados que se aproxima de nós. ㅡ Esse é o Naruto, a estrela do nosso batalhão.

ㅡ Ah, a vovó Tsunade exagera às vezes. ㅡ Comenta e no mesmo instante levou um tapa na cabeça.

ㅡ Já mandei parar de me chamar assim. ㅡ O loiro choraminga um pouco. ㅡ Agora cumprimente seu novo parceiro, Sasuke Uchiha.

ㅡ Prazer. ㅡ Estendo a mão para o cumprimentar.

ㅡ Igualmente.

Aperto sua mão com mais força do que usual, para que ele saiba que serei o líder dessa dupla.  Naruto surpreende e aperta de volta minha mão com maior força ainda. Permanecemos nesse impasse, com faíscas saindo dos nossos olhos, até que a delegada arranha a garganta para acabar com o clima tenso.

ㅡ Por que os problemáticos são mandados para o meu batalhão? ㅡ Reclama para si mesma. Levanto uma sobrancelha confuso se está falando sobre mim. ㅡ Naruto, por favor, avise a Sakura que quero o relatório dela até às 10h na minha mesa.

ㅡ Sim, senhora. ㅡ O loiro brinca batendo continência.

Ato III ㅡ Sakura

Quando estou coletando provas acabo perdendo a noção de tempo, sinto os músculos das minhas pernas reclamando por permanecer abaixada por tanto tempo. Tirar fotos dos respingos na parede acaba sendo um momento de relaxamento para mim; um tanto esquisito, admito.

Pelo estado da vítima ela participou de uma briga violenta antes de falecer. A arma do crime estava embaixo da cama próxima do seu corpo. O que aponta que o assassino, provavelmente, cometeu seu primeiro crime e ficou apavorado. Assim, não pensou em esconder o bastão de beisebol com o qual bateu na cabeça da vítima.

Ando pelo quarto com cautela para não mudar nada do seu lugar original, caso contrário poderá comprometer a investigação. Peguei o bastão do chão e tento imitar a forma como o criminoso atingiu a vítima, conforme o padrão do sangue espirrado na parede e o local atingido foi um ato de raiva. Coloco o bastão dentro de um saco e o catálogo como evidência do crime.  

Sigo analisando, desta vez a vítima, suas vestes são simples o que mostra que era uma convidada, e não alguém que vivia aqui. O anel de compromisso em seu dedo denúncia que mantinha um relacionamento sério, talvez com alguém que morava nessa casa. Não sou uma especialista em jóias, mas arrisco que pelo brilho seja um anel caro e o que pode confirmar que foi um presente de alguém com padrão elevados, e possivelmente, um morador do condomínio Akatsuki.

Levanto os cabelos para coletar o sangue do seu rosto. ㅡ Me ajuda a entender o que aconteceu com você, menina. ㅡ  Os seus olhos não tem mais brilho. ㅡ Bufo frustrada. Pressiono a garganta com dois dedos. ㅡ Asfixiou com o próprio sangue. ㅡ Anoto no meu caderno. ㅡ Quem fez isso com você? Teve uma discussão com o namorado rico e mimado que acabou batendo em você desse jeito?

ㅡ Sabe que ela está morta, não é? – Escuto uma voz masculina atrás de mim e me sobressalto. ㅡ E portanto, impossibilitada de ser interrogada.

ㅡ Oh, realmente. A fratura no crânio dela somada às lesões em torno dos olhos e atrás dos ouvidos não seria o suficiente para eu presumir isso. ㅡ Digo irritada pela a forma como me abordou. O homem parado à porta cruza os braços. ㅡ O local está sendo analisado, peço que se retire agora.

ㅡ E não parece que está sendo feito um bom trabalho. ㅡ Ele dá mais um passo à frente entrando no quarto e eu retiro minha máscara irritada. ㅡ  Quem é você?

ㅡ Posso te fazer a mesma pergunta. ㅡ Ele dá de ombros e continua a caminhar pelo quarto. Contaminando o chão com aquelas botas pretas enormes e imundas. Paro em sua frente para o interceptar. ㅡ Sou a perita criminal responsável por esta cena de crime. Saia daqui imediatamente. ㅡ Seus olhos ficam estreitos e frios. ㅡ Não permitirei que contamine tudo e altere o resultado da análise final.

Ele olha de cima abaixo, sem nenhuma discrição, e diz. ㅡ Você não é muito educada, sabe? ㅡ Depois de falar deixa o ambiente e ouço seus passos ao descer a escada.

O sujeito chega sem se apresentar, me questiona e fica julgando cada movimento meu, e quer dizer que não sou educada? Por favor, minha paciência tem limite. Como estou sem ânimo para enfrentar uma discussão agora não o sigo. No entanto uma pergunta não sai da minha mente, como foi que ele conseguiu entrar aqui? Deixo esse assunto para outra hora e procuro terminar com minha coleta de dados. Pego a solução de luminol da minha pasta a borrifo por todo o quarto. Apago a luz e deixo que a luz negra guie pela trilha brilhosa do luminol.

Antes de descer para solicitar a retirada do corpo, procuro evidências em outros lugares e, infelizmente, não as acho. Desço a escada borrifando o luminol em cada degrau e vejo alguns respingos que levam até o banheiro do primeiro andar. Deduzo que a pessoa conhecia bem os cômodos do local, pois passou no banheiro para lavar as mãos, deixando a torneira e a pia cheia de evidências e digitais.

ㅡ Oh, nem é Natal e já recebi vários presentes. ㅡ Digo empolgada.

ㅡ Falando sozinha de novo, Sakura. ㅡ Naruto apoia o peso do corpo no batente e fica me olhando trabalhar. ㅡ Antes que eu esqueça, Tsunade quer o relatório até às 10h.

ㅡ Obrigada. ㅡ Retiro o capuz daquele macacão para melhorar minha aparência na frente do Naruto. ㅡ Que tal pagar aquele café que me prometeu agora?

ㅡ Posso liberar a entrada do resto do pessoal no andar de cima, Sakura? ㅡ Tsunade interrompe antes que o loiro possa responder.

ㅡ Claro. Seria bom pedir para alguém tirar aquela menina de lá. ㅡ Digo empática.

ㅡ Vou pedir para fazerem isso agora. ㅡ Ela nos deixa a sós novamente.

ㅡ Então, o café? ㅡ Insisto.

Uzumaki sorri e aperta minha bochecha. ㅡ Sua viciada. Acabei de conhecer meu parceiro. ㅡ Diz incomodado enquanto saímos da casa.

ㅡ Pelo jeito a primeira impressão não foi das melhores. ㅡ Começo a tirar o macacão e o coloco junto aos dos outros peritos. ㅡ Prevejo uma Tsunade extremamente estressada tentando fazer os dois trabalharem juntos.

ㅡ Na verdade, acho que será o contrário dessa vez.

Acompanho Naruto para seu carro e vamos tomar o café que ele havia me prometido. Estou tão exausta que não consigo iniciar uma conversa com o loiro, apenas balanço a cabeça enquanto o escuto. Não estou processando muito do que ele diz, porém ele parece estar empolgado com seu novo parceiro. Conforme suas próprias palavras, será ótimo para competir com ele para melhorar suas habilidades. Procuro relaxar minha mente antes de ter que ir para delegacia e continuar trabalhando.

Ao chegar na sede policial de Konoha, vou para o meu laboratório para organizar o que foi coletado hoje. Como eu amo esse lugar. Me sinto mais à vontade aqui do que no meu apartamento. Se vocês conhecessem meus vizinhos pensariam do mesmo modo.

Começo a distribuir as evidências coletadas pelo balcão para iniciar o sequenciamento do DNA. Sempre tento iniciar o quanto antes o procedimento, por que diferente do que é mostrado nas séries policiais, é um processo lento e não conseguimos encontrar o culpado tão facilmente. Ouço alguém bater na porta e logo abrir. Lee coloca apenas sua cabeça no vão aberto e avisa que Tsunade está nos chamando para uma reunião.

Noto que a sala de reuniões está lotada. Sento na primeira fileira de cadeiras que ainda não estavam ocupadas. Ninguém nunca quer sentar ali. Dou uma olhada para trás e vejo Naruto sentado ao fundo, ele acena para mim e eu o retribuo sorrindo. Mentalmente, agradeço as divindades dos céus por terem feito tamanha perfeição e permitido que eu fosse abençoada de trabalhar com ele.

ㅡ Bom dia a todos. ㅡ Tsunade se pronuncia encerrando as conversas paralelas. ㅡ Como todos sabem nosso departamento está sobrecarregado. E hoje só foi a prova disso. ㅡ Seu tom era severo. ㅡ Mesmo com toda nossa equipe de plantão foi complicado de conciliar o trabalho que tivemos nessa madrugada. ㅡ Era perceptível que nossa delegada estava abalada. ㅡ Bom, não entrarei em detalhes por enquanto. Vocês serão divididos em equipes para solucionar os casos que temos em aberto em nossa repartição. ㅡ Prosseguiu no seu discurso. ㅡ Estamos recebendo reforços, espero que todos os recebam bem e os integrem a equipe, gostaria de apresentar à perita criminal, especialista em Química Forense, Ino Yamanaka. – Uma loira levantou no meio da multidão. Como não havia reparado nela antes? Minha nova colega de laboratório tem uma beleza exuberante. ㅡ E o policial Sasuke Uchiha.

Giro o corpo na direção contrária de onde está Ino e vejo um moreno levantar na fileira atrás da minha. Não acredito em quem Tsunade acabou de apresentar. Ele acena levemente com a cabeça, então foca seu olhar no meu e vejo um sorriso brincar em seus lábios. Qual motivo de estar sorrindo para mim?

Então, acabei percebendo porque achei seu rosto familiar. Ele é o idiota que tentou contaminar a minha cena de crime. Não creio que vou ter que aturar esse grosseiro no meu ambiente de trabalho.

Ato IV ㅡ Sasuke

Ao chegar na delegacia, perguntei para o responsável pelo atendimento onde ficava a sala da delegada Tsunade. Este informou que ela estava na sala de reuniões e iria apresentar os novos reforços da corporação, explicou o caminho e achei com facilidade o lugar.

Na sala identifiquei com facilidade as pessoas que eu já havia conhecido na noite anterior. Naruto estava sentado ao fundo, enquanto a perita mau educada se encontrava na primeira fileira de cadeiras. Típico de nerds. Notei que ela se virou e olhou na direção do loiro, esse deu um sorriso, aberto demais na minha opinião, e acenou para ela. A perita responde dando um sorriso, bastante tímido, e ficando com as bochechas coradas. Qual é o lance desses dois, hein?

Como ela não pareceu me notar ali, resolvo sentar na fileira de trás da sua. Na cadeira que fica na mesma linha vertical dela. Logo, Tsunade começa a se pronunciar sobre o quanto a cidade imersa com atos criminosos e que seu batalhão não estava dando conta do que estava acontecendo. Ainda comenta que todos serão divididos em equipes e essa é a pior notícia que eu poderia ter no dia. Com quantos idiotas, além do Naruto, eu teria que lidar?

Apresenta outra perita criminal que será integrada na corporação. Observo a mesma, parece bastante interessante loira e de seios fartos. Se não fosse pela minha regra de não me envolver com colegas de trabalho até poderia lhe dar uma chance. Ouço a delegada pronunciar o meu nome, no mesmo instante, me coloco de pé e aceno com a cabeça para os outros.

A perita de cabelos rosados deixa transparecer o quanto está incrédula por eu estar aqui. Sua boca está aberta e as sobrancelhas franzidas. Não posso deixar de achar engraçada a forma que ela me olha e acabo sorrindo um pouco. Parecia que ela tinha certeza que nunca mais me veria na vida.

Surpresinha, querida!



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