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História Forever Young - Capítulo 6


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Notas do Autor


Olá pessoas!!! Atenção: esse capítulo contém referências ao filme "Minha mãe é uma peça 3". Boa leitura a todos!

• Lança perfume - Rita Lee

Capítulo 6 - Enfim... Livre estou.


Fanfic / Fanfiction Forever Young - Capítulo 6 - Enfim... Livre estou.

                       MAYA 

Faz três meses que eu estou aqui na Clínica, hoje é o dia que eu vou ter alta. Essa foi a última roda de conversa com a Dr. Irene. A última vez que ouvi os seus conselhos, os problemas dos outros, as piadas da Ketlin e as confusões da Wheein, que também terá alta hoje.  

Todos estamos em clima de despedida. Há muitos abraços, sorrisos e uma sensação de "Eu consegui". Não me iludo achando que estou sem por cento curada, longe disso. Mas como o Torres mesmo diz "pelo menos eu já soube lidar com o meu último surto". 

Wheein tinha razão ele realmente é meio doido mas de um jeito bom. Sou muito grata me ajudaram bastante, todos aqui. 

Aprendi a ter mais compaixão e me colocar no lugar do outro, aprendi a respeitar o espaço das pessoas e suas guerras internas. "Todo mundo tem problemas, mas cada um lida com eles a sua maneira", foi como a Irene terminou a roda hoje mais cedo.  

Agora estou parada ainda no corredor esperando pela Wheein, que vem correndo em minha direção toda contente. 

- Adivinha o que eu consegui?!

- Ingresso para o show da Beyoncé? - ela ficou a semana passada toda falando desse show.

- Não, ainda não. Mas eu consegui pegar o seu número e do Hoseok. Queria te ligar depois e fazer surpresa, mas não aguentei - bate palmas animada. 

- Como assim, como conseguiu isso? - é proibido pegar informações pessoais de pacientes e funcionários.  

- Eu tenho os meus truques - disse enigmática.  

Os pacientes não podem trocar números de telefone e também não é indicado que mantenham contato depois daqui, mas pelo visto, vamos quebrar mais essa regra.  

Hoseok já foi liberado mês passado da clínica e eu ainda sinto a sua falta. Então fico feliz que pelo menos com a maluquinha da Wheein, eu vou manter contato. 

- Que horas seus pais vão vir te buscar?  

- Acho que já devem estar chegando - respondo entrado no meu quarto. 

- Você promete que não vai se esquecer de mim? - Wheein pergunta séria. 

- Prometo - ela me abraça forte - Vou terminar de arrumar minhas coisas. Não vai embora sem antes se despedir, tá? 

- Tá - sorrio e ela sai correndo para o seu quarto. 

Também termino de arrumar minhas coisas e fico na janela, admirando a paisagem. "Esse é um ano novo, então vou viver uma vida nova". Alguém bate à porta do meu quarto.

- Pode entrar - a porta se abre - Ah oi Grace, tudo bem? - Grace é a nova monitora do setor amarelo, que entrou no lugar de Jhope quando ele saiu. 

- Tudo, é que seu pai chegou. 

- Ah obrigada por me avisar, já estou indo. 

Passo pelo banheiro que divide nosso quarto para falar com Wheein.

- Amiga, estou indo tá?! 

- Tchau - me abraça e está chorando. 

- Para com isso, a gente vai se encontrar em Nova York, sua doida. 

- Eu sei é que... deixa, vai embora - ela beija meu rosto e me empurra em direção a porta - Depois a gente se fala, amei conhecer você. 

- Também amei conhecer você - lhe dou um último abraço, pego minha mala e vou ao encontro de meu pai.  

Quando chego na recepção, Marise me chama para assinar os documentos da alta. E depois me libera para ir, me dando um breve abraço. 

No hall de entrada vejo meu pai andando de um lado para o outro, aflito esperando por mim. Quando ele me vê, abre um sorriso lindo e eu não aguento corro para um abraço. Estamos muito emocionados, é muito bom vê-lo novamente, depois de três meses longe só se falando por telefone. 

- Cadê a mamãe e a Carly? - pergunto procurando por elas. 

- Em casa esperando por você - ele pega a minha mala e vamos até nosso carro.  

Nós ficamos o caminho todo cantando a nossa playlist favorita. Chegando na garagem de casa, ele me entrega uma caixinha.

- O que é isso pai?

- Um presente de boas vindas - sorriu aberto - Abre, quero ser o primeiro... 

"Ai senhor, o que será que eles estão aprontando?" 

Abro a caixinha e meu coração pula, acabei de ganhar um iPhone rosa Gold, novinho. 

- Aaaaah obrigada pai - o abraço forte. 

- Você me disse na nossa última ligação que queria uma vida nova, tudo novo. Então pensei em te dar um celular novo, porque assim você coloca contatos novos, coisas novas que tem mais a ver com você. Ah e desculpe ter quebrado o seu antigo, aquele dia - nos afastamos e fomos em direção a entrada da casa. 

- Tudo bem pai, obrigada eu amei - foi na confusão daquele dia que eu vi o meu pai bravo pelo primeira vez. Ele ficou tão irado com tudo o que aconteceu, que tacou meu celular na parede e eu fiquei esse tempo todo sem um novo.  

Entro na sala e sinto um cheiro gostoso e doce invadir minhas narinas. Uma sensação boa e reconfortante me invade, junto da vontade de chorar... 

- SURPRESAAAAAAAA!!!!! 

Me assusto e quando olho para trás, minha mãe, irmã e pai estão na mesa da varanda perto da piscina, com chapéus de festa, e segurando uma faixa que diz: "Seja bem vinda de volta ao lar, Maya! Amamos muito você!". 

- Aaah eu não acredito gente - estou chorando emocionada e todos eles vêm e me abraçam. 

- Podia ao menos ter esperado por mim né gente... - disse uma voz vindo da porta.

- Vovó! Você também veio - eu e a minha irmã corremos para abraça- lá. Suas malas azul turquesa estão aos seus pés, então percebo que assim como eu, ela acabara de chegar. 

- Mãe? O que está fazendo aqui? - minha mãe pergunta chocada. 

- O mesmo que você Ana, vim dar boas vindas a Maya. - tira os seus óculos escuros e os joga junto de sua bolsa, no sofá. 

- Estou tão feliz de vocês duas estarem aqui! - Carly diz super animada. 

- É bom ver a senhora - meu pai cumprimenta a minha avó com um aperto de mão.

- Igualmente John.

- Mãe estou feliz de ver a senhora também - minha mãe a abraça - Mas confesso que não esperava vê- la aqui. 

- Tá bom Ana, agora podemos almoçar, estou morta de fome - vovó brinca.

- Claro venham - minha mãe nos guia até a mesa lá de fora. 

- Alberta vou levar as suas malas até o quarto de hóspedes tá. Levo a sua também filha. - disse meu pai proativo. 

- Obrigada - disse eu e vovó dizemos juntas. 

Minha mãe ficou surpresa porque vovó mora no Brasil e raramente conseguir vir nos visitar, mas já deveria ter se acostumado, porque ela sempre vem sem avisar. 

Meus pais se conheceram quando minha mãe, uma super modelo brasileira, veio fazer um trabalho aqui nos EUA que envolvia arte.  

E meu pai que era um grande pintor famoso, também foi nesse evento. Lá eles se apaixonaram, depois casaram e foram morar no Brasil, aí eu nasci e por isso meu português é tão bom, mas quando eu tinha sete anos, minha mãe se aposentou dos holofotes e veio para Malibu com o meu pai e os dois abriram uma galeria de arte, linda. 

Aí foi a vez da Carly nascer e o português dela não é tão bom. Por isso, as vezes ela se sente excluída quando eu e a vovó ficamos conversando nesse idioma. 

O almoço foi divertidíssimo porque vovó Alberta não para quieta. Contou as histórias engraçadas da sua última viagem, falou da nova namorada que conheceu na Itália mas que também é brasileira e debochou do novo corte de cabelo do meu pai, que levou na esportiva, mas mamãe a repreendeu por isso e ouviu um... 

- Aaaah vai transar mais com o seu marido Ana - todos rimos da cara engraçada que ela fez. 

- MÃE! PARA.

- Só estou dizendo a verdade. Ah e falando nisso, vocês querem fazer compras e andar pela cidade meninas? - vovó pergunta toda animada olhando para nós.

- Querooooo - minha irmã diz já se levantando e correndo para o seu quarto se arrumar.

- Ah mãe já vai tirar a Maya daqui? Ela mal chegou - minha mãe protesta. 

- Aaaah Ana você vai ficar com ela todos os dias, já eu não. Vou ter que voltar para o Brasil depois de amanhã. 

- Ah mas já - digo fazendo manha e a abraço - Fica mais vovó. 

- Não posso, vou lançar uma nova linha de langeries femininas e estou cheia de coisa para resolver - vovó é estilista e adora criar langeries e sempre manda para a gente as novidades de sua criação. 

- Aproveita o seu marido enquanto saímos, minha filha - vovó sorri sapeca.

- Mãe! 

- Pode deixar que vou mandar uns modelos lindos para você usar com ele - vovó insiste, ela gosta de implicar com mamãe - Você vai adorar John. 

- Tenho certeza que sim - papai brinca em tom malicioso e da uma piscadela para minha mãe, que cora envergonhada. 

- Aaah então vai vocês três, some para lá - minha mãe diz fingindo estar brava.

- Pode pegar o meu carro se quiser Alberta - meu pai oferece simpático. 

- Não será necessário querido. Já tenho o meu... 

Quando chegamos a rua vimos o carro conversível, também azul turquesa, estacionado em frente a nossa garagem. 

- Ah mãe esse carro é a sua cara - mamãe comenta rindo com meu pai. 

- Ah eu amei vovó - Carly sai correndo e se acomoda no banco de trás.  

- É realmente lindo - comento vidrada, sou apaixonada por carros desde criança, herdei essa paixão dela. 

- Quer ir dirigindo? - vovó pisca para mim balançando as chaves. Todo o meu ser diz que sim, mas eu hesito e minha mãe percebe. 

- Acho melhor não mãe. - minha avó me olha para ter certeza.

- É... quero aproveitar melhor o passeio. E eu amo ver a senhora dirigindo. Então boraaaaa - na verdade eu estou com medo, mas deixa para lá. 

Entramos no carro e vovó grita "Glamour meninas, glamour" dá a partida e saímos aceleradas.  

É uma maravilha o vento bagunçando os meus cabelos, o rádio toca uma música gostosa, eu estou rindo e me sentido viva. E lembro de agradecer por isso, dica da Irene, "Sempre agradecer por momentos assim, simples mas que fazem toda a diferença em nossas vidas".  

Estamos passando agora por uma estrada californiana que tem aquelas vistas lindas do mar. E eu respiro profundamente, abro meus braços e me sinto livre, como se fosse possível voar.  

Vovó me olha com carinho e aumenta o som, está tocando uma de suas músicas favoritas, lança perfume da Rita Lee, ela ama essa mulher e a gente começa a cantar na maior altura.

- Vem cá meu bem me descola um carinho 

- Eu sou neném só sussego com bejinho...

Chegamos ao centro da cidade e as pessoas olham para nós, e vêem três doidas cantando aos berros, numa língua que provavelmente ninguém entendi por aqui. 

- Oh Lança lança perfume  

Ohoh oh oh 

Lança lança perfume

Lança perfume

Lança perfume

Lança...

É isso que eu mais amo na vovó Alberta. Ela não está nem aí para nada. Vive a sua maneira e os outros que lutem para tentar acompanhá-la. Não liga se as pessoas a olham estranho na rua, ou se riem dela. É o deboche em pessoa. Um ser muito amoroso e descolada. Muito a frente de seu tempo. "Viva como se não houvesse o amanhã" é o seu lema de vida. Minha inspiração. 

Paramos no sinal e ela abaixa um pouco o som para iniciar o assunto...

 - Vamos tirar uma selfie para eu mandar para a Lia - pega o celular e o posiciona - Anda gente.

 - O sinal já vai abrir vó - comenta Carly.

 - Vai nada... vem anda rápido.

Nos juntamos para a foto, mas o carro de trás buzina porque o sinal abril.

 - Merda, ficou um horror essa - buzina de novo - Mas que porra, pera aí - ela joga o celular no meu colo, volta a dirigir. 

Eu e Carly estamos rindo horrores e vovó tenta achar um lugar para estacionar.

 - Pronto aqui ninguém vai nos atrapalhar - pega o celular e tira outra foto - Ficou linda olha... arrazamos.

Enquanto ela e Carly ficam decidindo qual filtro usar e como melhorar a imagem. Eu observo as pessoas, os prédios. Tudo ao redor parece novo para mim, mesmo eu já ter vindo aqui umas milhares de vezes. E nada mudou, está tudo completamente igual. "Só eu que mudei". 

 - Ótimo... Maravilha... postei.

 - Você não ia mandar para a Lia? - pergunto, vovó sempre mudando de ideia.

 - E mandei, mas ficou tão boa que resolvi postar também. Te marquei lá no Instagram, depois você comenta e curti tá.

 - Tá - rio, nossa tem séculos que eu não entro no meu Instagram. Pego o meu celular novo e logo no insta, está do mesmo jeito que eu deixei antes, o que mudou foi que o Ithan e seus amigos não me seguem mais, mas ganhei outros seguidores. Alguns directs de pessoas aleatórias e alguns "amigos". Susan também me mandou mensagens, mas eu nunca respondi. "Será que ela sabe por onde andei todo esse tempo?" 

 - Ah Lia já curtiu e comentou - vovó diz animada e manda um beijo para a foto dessa Lia.

 - Vó e a sua namorada? 

 - Que que tem? - pergunta distraída com o celular.

 - Lia é a namorada dela, doida - Carly diz sacando a minha confusão e eu faço uma cara de "aaaaataa" e elas riem.

 - Bom, chega de foto. Bora as compras - anuncia vovó saindo do carro e esperando a gente no paceio.

                       [...] 

- Nossa estou morta - comenta Carly, trocando suas sacolas da Gucci de mão - Podemos sentar em algum lugar?  

- Também já estamos quase duas horas nesse shopping - comento de mau humor - Vamos comer alguma coisa Vó?  

Vovó Alberta está comprando um salto lindo que ela diz ser a cara da Lia, já é o quinto presente que ela compra para a namorada. 

- Calma gente, vamos comer sim, também estou com fome. Deixa só eu acabar aqui - e entrega seu cartão de débito a atendente. 

Chegamos a praça de alimentação do shopping, cheias de sacolas.

- Onde vocês querem comer? - vovó pergunta.

- Pode ser... - começo mais sou interrompida pela chegada de Susan. 

- Maya? - ela me abraça e eu me sinto estranha, senti tanta falta dela antes da clínica, mas parece que já se passou uma eternidade. 

- Oiii como você está? 

- Estou bem e você? - me analisa por um instante - Como foi lá na clínica? 

"Ah então ela sabe". 

- Foi tudo bem...

- Vamos mana? - Carly não vai muito com a cara de Susan desde quando a mesma ficou do lado do Ethan durante a confusão.

- Oi Carly - minha irmã apenas forçou um sorriso para ela. 

- Ah vovó Alberta como está?  

- Com fome. Vamos Maya? 

- Vamos, foi bom encontrar você Susan, tchau.  

- Ah espera um pouco - pega no meu braço - Hoje vai rolar uma festa naquele pub que a gente adorava, se quiser aparece por lá. Vai começar as dez horas... - solta meu braço - Pode levar alguma amiga também. 

"Você sabe que eu não tenho amigas. Não, na verdade tenho sim. Wheein". 

- Tá bom, tchau.  

O lanche estava maravilhoso, mas ter encontrado com Susan me deixou estranha. Nós éramos melhores amigas e agora nem consigo abraça- la mais.  

Um telefone toca...

- É o meu? - pergunta vovó.

- Não, é o meu - atendo - Oi?

- OIIIIIIIIII SOU EU - Wheein eufórica do outro lado da linha.

- Nossa quem é essa? - vovó pergunta estacionado em frente a nossa garagem de novo.

- A Wheein. Uma amiga da clínica. - ela manda um "Ahn?" - Falei com a minha avó.

- Chama ela para ir na tal festa com você - minha avó diz, pegando sua bolsa e acordando a Carly que acabou dormindo no trajeto de volta. 

E é o que eu faço...

                         [...]

Wheein amou a ideia e agora estamos no fundo do bar, curtindo o som e o local está ficando cada vez mais cheio. 

- Aaaaaah estou tão feliz de está aqui, no mundo real com você, amigaaa - e me agarra - Quer beber o quê? Me fala e eu vou buscar. 

- Será que podemos beber? - ela me olha como quem diz "Para né" - Estou brincando sua boba, quero uma caipirinha. 

- Tá bom - e vai saindo mais eu a paro - Quer que eu vá com você? - não quero ficar sozinha e encontrar com Susan e os outros. 

- Não, guarda a nossa mesa - e some no meio da galera.

Fico observando tudo ao meu redor, balançando a perna direita, ansiosa. Depois de alguns minutos, Wheein volta com nosso drinks. 

- Nossa acabei de esbarrar num garoto muito gato ali na frente, pena que estava beijando a namorada - entrega a minha bebida e prova a dela - Nossa tá bem forte, do jeito que eu gosto. 

- Tu não gosta de mulher garota? - pergunto porque lá na clínica ela vivia falando da ex e de como ainda ama ela. 

- Falei para você.

- Como assim? - provo meu drink que está tão forte, que chega a queimar minha garganta - Porra amiga, colocou o que aqui? Álcool com querosene?  

- Você tá precisando ficar com alguém. Ainda mais depois do... 

- Não estou nada. Você que está. 

- Tô mesmo, sete meses de abstinência é muita coisa. E para de ser fresca que o drink está bom. - volta a beber o dela também observando as pessoas.  

Ela comeca a rir de um cara bêbado que caiu na pista de dança e depois muda para uma expressão de surpresa... 

- O que está fazendo aqui? - uma garota vindo atrás de mim responde:  

- Tive ensaio fotográfico aqui hoje - a abraça e pega na mão de uma outra garota que está com ela - O que você está fazendo aqui? Por onde andou todo esse tempo?  

- Por aí... - olho para Wheein, "Acho que não quer falar com as amigas sobre a clínica" - Essa é minha amiga Maya Parker. 

- Prazer Maya, sou a Lisa e essa é a Rosé - diz simpática e Rosé sorri tímida. 

- Prazer também - sorrio. 

- A gente vai dançar tá, se quiserem encontra com a gente lá - diz Rosé sorrindo e apontando para a pista de dança.  

- Espera, a Hwasa está bem?  

- Está sim - Lisa responde e segue Rosé. 

- Hwasa?  

- É, ela mesma. 

- Amiga, você sabe que tem que seguir em frente né? 

- Eu sei, só queria saber como ela estava - termina sua bebida num só gole - Vou buscar mais quer? 

- Não, estou de boa - se eu chegar bêbada em casa, minha mãe me mata. 

- Tá bom, já volto.  

Pela minha visão periférica consigo ver Susan vindo em minha direção, " Ai merda!".

- Oi Maya - me dá um abraço rápido e meu corpo se tensiona - Veio sozinha?  

- Oi Susan...

- Não, ela veio comigo fofa - Wheein coloca seu copo na mesa e me abraça. Ela sabe o quando Susan me magoou e pelo visto já a detesta.  

- Ah... colega da clínica? - Susan pegunta com um tom leve de deboche. 

- Melhor amiga - digo sorrindo com arrogância. E Wheein fica toda alegre por causa disso. 

- Bom, então se divirtam. A gente se vê por aí - e sai em direção ao bar. 

- Já não gostei dela... - Wheein diz serrando os olhos. 

- Para de ser ciumenta - brinco. 

- Não é só ciúmes. Você sabe que temos que cortar as pessoas tóxicas da nossa vida... 

- Eu sei... 

Ficamos ali, na nossa, bebendo e observando o pessoal. Tiramos algumas fotos também e dançamos no nosso cantinho de boas.  

Decido ir ao banheiro e é a vez da Wheein proteger nossa mesa. Vou abrindo passagem nesse mar e gente suada e bêbada, com dificuldade. Mas consigo chegar no corredor pequeno que leva até os banheiros.  

- Com licença? - passo por uma garota de cabelos rosa que quando me olha sorri sonhadora, "Nossa essa já está bem no grau", dou um sorriso e alguém me pega pelo braço... 

- Ora ora... - olho para trás e meu coração pula de susto - Quando Susan me contou achei que estava ficando louca. Lembro de ter dito "Ela não vai ter coragem de vir aqui depois de ter ferrado com a vida do meu amigo", mas cá está você. A mesma vadiazinha de ... 

- Me solta Marcus - tento puxar meu braço, mas ele segura firme. Uma sensação de pânico que eu já não sentia a tempos, brota dentro de mim. 

- Como pode voltar aqui depois de tudo que você fez? - ele cospe as palavras com fúria na frente do meu rosto e me prensa na parede. 

- O que eu fiz? Eu fiz o que era certo... - Ele me empurra contra a parede de novo, só que agora com mais força. Minha cabeça dói e todo o meu corpo está tremendo.  

- O cara está preso e a culpa é sua - ele aumenta o aperto no meu braço. Alguém deixa um banco cair mais a frente, ele se distrai e eu aproveito para empurra- lo longe. 

- Nunca mais se aproxime de mim - digo com um firmeza, que eu nem sabia que tinha - Senão o próximo a ser preso, será você - vou saindo mais ele me para. 

- Se voltar aqui - leva a sua boca no meu ouvido e sussurra - Eu te mato, vadia!  

Um arrepio horroroso percorreu todo o meu corpo e eu sigo em frente, tentando não demonstrar medo.  

Quando chego até a Wheein ela me olha intrigada:  

- Nossa viu assombração? - a pego pelo braço e nos guio até o lado de fora do bar. 

- Vamos embora... - minha voz treme, estou a ponto de chorar. 

- Mas o que está acontecendo? 

- Só quero ir embora... - já estamos na rua em frente a algumas lojas de conveniência, ela para e me força a encará-la séria. 

- O que está acontecendo? - não resisto e começo a chorar.

- Voltar para essa cidade foi um erro. Vir aqui essa noite foi um erro. Eu fui idiota por ter pensado que tudo iria voltar ao normal. Que eu seria aceita de volta. Que eu tinha amigos aqui. Devíamos ter ido direto para Nova York... 

- Mas você estava doida para ver a sua família... - ela também chora, mas de preocupação. Wheein já me viu nos meus piores estados... 

- Foi um erro... - sussurro desesperada colocando as mãos na cabeça. 

- Vamos, vou te levar para casa - ela me abraça. 

- Eu quero ir embora... 

- Nós vamos... 

- Eu quero ir embora desse inferno de cidade... 

- Nós vamos, amanhã você fala com a sua família e se quiser a gente já vai amanhã mesmo para Nova York. 

Eu deixo que ela me guie até o táxi. Passo o caminho todo aninhada a ela chorando silenciosamente, enquanto ela faz carinho na minha cabeça, distraída.  

- Wheein?  

- Hm?  

- Por que não contou para as suas amigas sobre a clínica? - ela da um enorme suspiro. 

- Porque ninguém sabe o que eu fiz nesses últimos sete meses. Minha família pensa que eu vim para cá para estudar canto e atuação e por isso me deixaram ficar com o apartamento que temos aqui. E meus amigos acham que eu só estava curtindo a vida por aí... 

- Por que escondeu de todos?  

- Por que eu vim para cá querendo realmente estudar, mas aqueles problemas também vieram, e eu decidi me internar e não quis preocupar minha mãe e nem receber o olhar de pena dos outros.  

- Corajosa... Admiro você sabia? - estou quase dormindo. 

- Obrigada... também admiro você - ela da uns tapinhas de leve na minha testa - Nada de dormir garota, não vou aguentar te carregar, porque o álcool ainda está fazendo efeito, e depois tenho que ir para casa. 

- Você gosta de lá ... da sua casa?  

- Você quer dizer em Seoul ou aqui?  

- As duas...

- Bom, em Seoul eu gostava mas me sentia muito deslocada. Aqui no início foi legal, mas hoje quando voltei me senti muito sozinha... aquela hora que te liguei, eu estava na praia, porque precisava estar perto de gente. 

- Quer ficar na minha casa até irmos para Nova York? - o carinho que ela faz está tão bom, está muito difícil lutar contra o sono. 

- Eu adoraria - e sorri com genuína felicidade mas num instante o sorriso vacila - Não vou incomodar você e sua família?  

- Nada, eles vão amar você... principalmente a vovó Alberta. 

- Então eu fico... 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!
Bjosss e até o próximooo 💕


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