História Forever Your Fan - Capítulo 1


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Notas do Autor


‘Forever Your Fan’ é uma coletânea de histórias de amor e amizade entre ídolo e fã. Feita, principalmente, para aquecer seu coração.
A cada semana, um artista será escolhido para fazer parte dos capítulos independentes. São histórias diversas com aventura, romance, fanatismo, amizade, e muito mais. Viaje para outro mundo sem sair do lugar!

Capítulo 1 - Shawn Mendes


Em Toronto, janeiro era característico por trazer o frio mais intenso do ano. O bairro aonde a família Escorpion resídia era  vastamente arborizado. Na primavera, verão, e outono, a vegetação vibrava em cores estonteantes. No entanto, quando o inverno chegava, cobria toda a coloração com o branco da neve. 

Naquela manhã, Michael Escorpion espiou através da janela e testemunhou um ambiente ameno lá fora. Os flocos gelados não mais caíam do céu. Parecia a hora perfeita para um passeio. Ele buscou uma pá e pôs-se a retirar a neve de sua garagem, bem como alguns vizinhos faziam àquela hora. Estava pensando em visitar o centro da cidade quando finalmente desenterrasse o carro da neve, comprar um livro ou beber cappuccino, talvez os dois. Aproximando-se de terminar a tarefa na garagem, ele pôs um pouco mais de neve em um monte que ficava cada vez maior em seu jardim. Descansou seus braços encostando a ponta da pá no gramado, e enquanto recuperava o fôlego, capturou o exato momento em que um carro belíssimo estacionou em frente à casa da família Mendes, bem ao lado da sua. 

Michael conhecia muito bem o mundo automobilístico e soube instantaneamente que tratava-se de um Bugatti Chiron. Atento ao carro, quase deixou passar despercebido o motorista que acabara de descer do automóvel. Quando reparou no alto rapaz batendo a porta do carro, pensou que fosse um desconhecido. Jamais o vira antes, mas parecia estranhamente familiar. 

—Olá, senhor Escorpion!—O jovem acenou enquanto fazia o caminho para dentro da residência Mendes. Michael imediatamente o reconheceu. Era o neto dos seus vizinhos.

—Como vai, Shawn?—Devolveu o aceno.

—Tudo bem. 

Shawn Mendes partira de Toronto quando ainda usava aparelhos dentários. Apesar de muitos anos terem se passado desde então, Michael Escorpion ainda tinha a fresca memória de ver sua neta chorar por todas as noites de um mês inteiro após a partida do garoto. Demorou, mas aos poucos a pequena Valentina Escorpion aprendeu sobre partidas: Elas doem, mas não para sempre. Assim havia ensinado seu avô, que agora estava a pensar em como a garota receberia a notícia de que o motivo de suas noites tristes aos quatorze anos estava de volta. 

 

 

Valentina Escorpion estava embrulhada em muitos lençóis quando seu avô bateu a porta do seu quarto. Ainda estava adormecida mesmo que o relógio estivesse próximo a apontar o meio dia. Havia ido dormir durante a madrugada após uma maratona de filmes de terror, muita pipoca e doses de refrigerante. As longas cortinas do seu quarto impediam o clarão de entrar. Ela não sabia como estava o dia lá fora e tampouco importava-se. Seu avô girou a maçaneta, suspeitanto que a menina estivesse dormindo, e espreitou para dentro do cômodo. 

Como pensou, Valentina estava imóvel em sua cama. Totti, seu gato de estimação, estava encolhido próximo ao seu ventre, aparentemente tão cansado quanto a garota. Tal mãe, tal filho, Michael pensou. Ele deixou a porta aberta quando adentrou o quarto dela. Arrastou as argolas da cortina para o canto, e abriu a janela. Visualizou a casa ao lado e lembrou-se que aquele cômodo possibilitava uma visão perfeita para o antigo quarto do Shawn Mendes, que naquele momento estava fechado com a vidraça coberta de neve. Antes ela adorava aquele detalhe, passava horas conversando com o garoto debruçada em sua janela. Como ela sentiria-se hoje em dia era o que procupava Michael. 

Aflito com o que estava prestes a acontecer, ele sentou-se à beirada da cama de sua neta, a chacoalhou um pouco até que a menina despertou. Ela espreguiçou-se e o encarou com o cenho franzido. 

—Vovô?—Valentina sentou-se na cama.—Tudo bem?—Ela questionou preocupada. Tentou lembrar-se se havia feito planos com ele para aquele dia, mas de nada lembrava-se. 

—Tudo, querida. —Ele a tranquilizou.—É só que aconteceu uma coisa que você não pode esperar para saber. O Shawn está de volta. 

Valentina gelou de súbito. 

—De volta? Na casa ao lado?—Questionou surpresa. 

—Sim, querida.—Seu avô afirmou, vendo-a arregalar os olhos cor de mel. —Talvez ele esteja apenas de passagem para ver os avós, eu não sei. De qualquer forma, se quiser conversar com ele...

—Não, vovô. Eu não quero nem vê-lo.—Disse convicta. 

—Tudo bem. —Michael levantou-se da cama, vendo que aquele assunto desapontava sua neta. —Não queria chateá-la, apenas imaginei que você tivesse assuntos pendentes com ele. 

—Eu tinha. Anos atrás. Hoje eu nem mesmo sei quem ele é.—Valentina declarou. 

—Certo. —Michael aproximou-se dela para dar um beijo em sua testa.—Vou preparar o café. 

—Bem forte, por favor.—Ela pediu antes de vê-lo fechar a porta do quarto e seguir para a cozinha.

Valentina estaria mentindo se dissesse que havia esquecido Shawn Mendes, mesmo porque o garoto estava literalmente em todos os lugares aonde ela ia. Ele era uma celebridade. Em seu colégio, as meninas passavam todo o intervalo fofocando sobre ele. Nas festas para onde ela ia aos fins de semana, as músicas dele eram as mais tocadas. Ela poderia superá-lo, mas jamais esquecê-lo. Nem mesmo quando ela estava em seu lugar preferido do mundo, a livraria de Toronto, estava liberta do rosto do Shawn, pois ele estava estampado na capa de um dos livros mais vendidos. Ela não admitiria facilmente, mas havia decorado cada palavra de sua biografia. Sabia sobre o amor dele por Harry Potter, sua desafeição por joaninhas e águas profundas, coisas que aprendeu convivendo com ele. Sabia também que ele fora o cantor mais jovem a chegar ao topo da Billboard, e que Ed Sheeran é uma atual influência para ele, coisas que aprendeu através das revistas. 

A garota de cabelos enrolados e extensos deu um pulo ao reparar a janela aberta. Lembrou-se de que a janela do quarto do Shawn era bem em frente a dela. Num movimento rápido, puxou a cortina cinza trazendo novamente a carência de luz para o seu quarto. Valentina estava nervosa. Aos poucos, a ficha de que seu velho amigo de infância e primeira paixão estava de volta ao seu bairro caía. Ele se lembrava dela? Aquela pergunta a rodeou.

—E se lembrar, não importa.—Pensou alto. 

Com tamanha inquietude, fez uma trilha de passos ao banheiro. Enquanto despia-se, observou a imagem refletida através do espelho. Ela não queria vê-lo, mas se acontecesse, detestaria estar feia como sentia-se naquele instante. Fez uma ducha quente. Ao fim do banho, parecia mais relaxada. Respirou fundo e disse para si mesma que tudo estava e continuaria bem. 

Valentina secou suas madeixas, deixando seus cachos soltos e cheirosos. Estava pondo camiseta e jeans velhos quando sentiu Totti passear por entre suas pernas. Há anos, quando Shawn partiu de Toronto, Valentina sentia-se só. Sem alguém para ir ao parque, fazer piquenique, jogar, viver momentos divertidos. Haviam outras crianças no bairro, mas a tristeza que a partida do seu amigo deixou em seu coração a impediu de socializar com elas. Numa tarde seu avô trouxe do centro uma pequena bola de pelo. Pequeno e indefeso. Chamou ele de Totti. Agora ele estava grande e gordo. Percebeu ali o quanto as coisas mudaram e o tanto de coisas que Shawn desconhecia sobre a vida dela. Ele não conhecia Totti, nem ela.

Quando retornou ao seu quarto, seu avô estava pondo uma bandeja em sua cama. O cheiro de torrada e café tomou conta do lugar. Valentina logo começou a fazer sua refeição, agradecendo aos céus por seu avô cozinhar maravilhosamente bem. 

—Vou ao centro hoje. Quer que eu traga alguma coisa de lá?—Michael roubou uma torrada da bandeja. 

—Batata frita. Sorvete. Vai à livraria?—Esperou para vê-lo assentir.—Me traz qualquer coisa da sessão de fantasia. 

—Qualquer um?

—Sim. Menos os que eu já tenho, claro.

—Sorvete de morango.—Seu avô palpitou.

—Sempre. 

 

 

Valentina contou a novidade para seus pais por Skype. Os dois decidiram viajar para o chile nas férias e pareciam felizes. Ela preferiu ficar em Toronto, havia uma centena de desculpas inventadas para não pôr o pé para fora de casa. Sua mãe ficou contente com o retorno do Shawn Mendes, ela sempre o amou. Seu pai no entanto deixou transparecer em seu semblante o quanto aquela notícia fora ruim. Ao fim da ligação, eles disseram o de sempre: Cuide-se, mas dessa vez soou como um alerta.

Estava enfiando colheres com sorvete na boca quando ouviu a voz do seu avô no andar de baixo. Imaginou que ele estivesse tentando contatá-la, mas não conseguia escutá-lo com clareza. Tomou a última colher do seu sorvete de morango e correu ao encontro do Michael. O cerebro congelou. 

—Muito sorvete.—Queixou-se levando a mão à cabeça. A voz do seu avô ainda soava em algum lugar. Valentina desceu a escada e apenas quando pôs o pé sobre o piso gelado da sala entendeu que seu avô conversava com outra pessoa. Estava mais grave do que se lembrava, mas era a voz do Shawn.

Seu avô segurava a porta enquanto dialogava com o rapaz. Por sorte, Valentina estava invisível aos olhos de Shawn, e ele aos dela. Sentiu um milhão de sensações estranhas. O estômago embrulhou. Conseguiu apenas gesticular para o seu avô que ela não queria vê-lo quando o ouviu perguntar sobre ela. Michael, no entanto, achava que Shawn Mendes era exatamente o que sua neta precisava. Talvez aquele jovem alto de cabelos negros fosse quem ia tirar a Valentina de dias solitários e monótonos. Num movimento simples e significativo, Michael empurrou um pouco a porta. Apenas um pouquinho, e foi o suficiente para que Shawn e Valentina ficassem no campo de vista um do outro.

—Aí está ela. —Seu avô abriu um sorriso. —Querida, você tem uma visita.—Ele pareceu verdadeiramente feliz por dizer aquilo. Aquela frase era incomum. Ninguém visitava Valentina.

—Oi.—Ela acenou. Nunca, em toda sua vida, nem mesmo quando precisou disfarçar que estava bêbada para os seus pais na festa de formatura, sentiu tanta dificuldade para controlar os sentimentos. Ele estava incontáveis vezes mais bonito do que nas fotos. Havia crescido tanto. Parecia irreal, mas estava de pé em sua porta. Chamando por ela. 

—Vou deixá-los conversar a sós. Estou prestes a terminar um livro e intrigado com o escritor por ele matar meu personagem favorito.—Michael fez Shawn rir, e saiu andando para o andar de cima. Quando passou por Valentina, soltou uma piscadela como se quisesse tranquilizá-la.

—Está frio. Não quer pôr um casaco?—Shawn quebrou o gelo. 

—Não.—Valentina ignorou a razão. Naquele momento, seu corpo fervilhava em muitas emoções. Notou, quando viu o rosto dele e sentiu-se brava, que havia rancor guardado em seu coração. —Você quer falar comigo?—Tentou apressar as coisas.

—Que tal uma caminhada?—Sugeriu. Ela pensou que seria apropriado pegar um casaco, mas pensar em dar razão a ele foi o suficiente para que ela caminhasse para fora apenas de camiseta e calça. Estava frio lá fora. Os dois saíram do limite do jardim dos Escorpion. Valentina observou que não ultrapassava aquela divisa há tempos. Ela virara sedentária. 

—Bem... O que você quer me dizer?—Ela perguntou intensamente nervosa por estar ao lado dele. 

—Eu queria ver você.—Shawn deu de ombros.—Conversar. O que você tem feito?

—Ah, nada importante.—Nada como viajar o mundo com pessoas enlouquecidas por você esperando para te ver, ela pensou. A verdade é que Valentina havia tirado as melhores notas da sala no semestre que se passou, mas a menos que ela fosse à lua, nenhum de seus feitos pareciam relevantes comparados aos de Shawn.

—Eu soube que você conseguiu uma bolsa na Universidade de Toronto. Isso é bom.—Ele sorriu, e ela rapidamente desviou o foco para a rua deserta por onde andavam. Desejou voltar no tempo e ter virado o rosto antes de vê-lo sorrir, porque agora o achava ainda mais lindo que há uns segundos atrás.

—É.

—Arquitetura combina com você.

—Espera. Como sabe que faço arquitetura?—Ela franziu o cenho.—E como você sabe o que combina comigo?—Quis ter segurado aquela pergunta, mas saiu por seus lábios. 

—Você amava decorar. E amava criticar as escolhas de papel de parede das casas da vizinhança. Até a minha.—Valentina desabrochou uma risada ao lembrar-se.—Meus avós contaram.—Ele respondeu a sua primeira pergunta. Os risos cessaram aos poucos.—A sorveteria da esquina ainda está lá?

—Sim. Eles ainda produzem o melhor sorvete do mundo.—Valentina sempre teve convicção daquilo embora nunca houvesse provado os sabores do restante do mundo. Mas reduziu a sua visita àquela pequena sorveteria, pois todas as vezes que ia, lembrava-se de que Shawn e ela costumavam sentar na mesa da varanda e observar as constelações, ou nuvens. 

—O que acha de um sorvete de morango e um resfriado?

—É tudo o que eu quero agora.—Valentina retribuiu o sorriso. 

Em poucos passos, estavam dentro da sorveteria do bairro. Tudo estava igual, mas eles estavam diferentes. A necessidade de curvar-se para tirar o sorvete do freezer quando há alguns anos eles mediam o mesmo tamanho dele era impressionante. Shawn escolheu um pote de chocolate, e entregou à Valentina o sabor morango. Ela amava morango, mas mais do que isso, amou vê-lo lembrar-se do seu gosto. 

Quando os dois sentaram-se na mesma mesa que costumavam passar o tempo quando mais novos, desfrutaram o sabor do sorvete. 

—Música também combina com você.—Disse Valentina. 

—Você acha?

—Sim. Você sempre gostou de gravar vídeos cantando e tocando violão. Penso que fazer isso para milhares de pessoas agora deve ser ainda melhor. —Pelo sorriso dele, era sim. 

—Você devia ir me assistir um dia.

A ideia de vê-lo cantar era maravilhosa. Havia feito isso por muitas vezes quando sentia-se triste, recorria às músicas dele para consolar-se, ou melhor, à voz dele. Lembrava-se também de ouvi-lo cantar em seu pé de ouvido, mas a sensação arrepiante estava distante e ficava ainda mais com o passar do tempo. Sim, Valentina amaria ouvi-lo cantar pessoalmente. 

—Quem sabe um dia?

—Hoje.—Ele terminou seu sorvete, vendo-a dar a última colherada do gelado cor de rosa. Ela o encarou sem entender. 

—Hoje?

—Se você esperar aqui, não vai se arrepender.—Shawn disse antes de dar as costas e correr pela rua deserta da vizinhança de volta à sua casa. 

Sentada numa mesa disposta para dois, Valentina assistiu-o desaparecer na escuridão. Aquilo soava estranhamente familiar: Ele indo, e ela ficando. Um filme rodou em sua cabeça. O modo como ele disse adeus com olhos tristes antes de entrar no carro dos seus pais, o último abraço e afeto. E o pior de tudo: o vazio que ficou depois que ele se foi. Quando voltou ao presente momento, Shawn Mendes estava dentro de um carro escuro a convidando a entrar. 

—Espera. Para onde vamos?—Valentina só questionou depois de ocupar o banco passageiro. Ela nem mesmo pensou sobre suas vestes inadequadas. 

—Você vai ver.—Fez mistério. 

—Tudo bem. —Ela assistiu-o correr pelas ruas de Toronto. Talvez fosse a velocidade, ou o fato de estar ao lado dele, mas seu coração palpitava com intensidade, a adrenalina a alcançara. Ela estava gostando; ele podia ver através daquele sorriso radiante que ela estava exibindo. Shawn dormiria satisfeito naquela noite.

O centro da cidade brilhava como mil diamantes refletindo uma luz. Apesar do frio, as pessoas estavam a passear nas ruas. Valentina tinha olhos atentos a cada detalhe da avenida, quase como se a nunca tivesse visto antes. Indo além do esperado, Shawn estacionou o automóvel em uma vaga livre em frente à um bar. 

—É aqui?—Ela riu. 

—Sim. 

—Tudo bem. 

O letreiro indicava que aquele era o bar do Paul. Valentina ainda tentava imaginar o que Shawn planejara àquela noite. Quando ambos desceram do carro, os flashes quase a cegaram. Valentina esquecera-se por um instante de que agora Shawn Mendes era uma estrela. Seu instinto a fez esconder a face com a mão. Sentiu-se perdida, mal podia ver o chão. Seu transtorno durou até que a mão do Shawn a servisse de suporte. Ele a levou para dentro, onde as coisas estavam mais calmas, mas eles ainda eram o centro das atenções. 

—Está bem? Confortável?—Ele preocupou-se com a garota que agora recumpunha-se. 

—Sim. 

—Vem.—Ele a conduziu à uma mesa vazia. Valentina sentou-se sozinha. 

—Aonde você vai?—Questionou-o ao vê-lo dar as costas. Ele apenas moveu os lábios dizendo: Você vai ver.

Quando ela enxergou um pequeno palco a alguns metros de sua mesa, soube instantaneamente o que estava por vir. Shawn Mendes cantaria ali. Cantaria por causa dela, para ela. 

Perfeito em todos os seus traços, ele acomodou o microfone ao pedestal. Valentinha olhou ao redor e não havia nem mesmo uma única pessoa desatenta aos movimentos do cantor. Ela sentiu-se feliz por vê-lo ser imensamente admirado por todos. Ele merecia. 

—Boa noite, pessoal. A próxima música se chama Never Be Alone. Quando a escrevi, estava pensando naquela garota sentada na mesa.—Shawn apontou a Valentina, que agora corava em tons de vermelho. Sem mais delongas, pôs-se a tocar e cantar, mexendo com todos os sentidos da garota para quem ele dedicara aquela canção.

Eu prometo que um dia estarei por perto

Te manterei a salvo

Te manterei segura

No momento, as coisas estão meio loucas

E eu não sei como parar ou diminuir o ritmo disso

Olá

Eu sei que existem algumas coisas

Que nós precisamos conversar

E eu não posso ficar

Então me deixe te abraçar um pouco mais, agora

Pegue um pedaço do meu coração e o faça seu

Então, quando estivermos separados

Você nunca vai estar sozinha

Você nunca vai estar sozinha

Você nunca vai estar sozinha

Quando sentir saudades feche seus olhos

Eu posso estar longe, mas nunca fui embora

Quando você adormecer à noite

Lembre-se que nós deitamos sob as mesmas estrelas.

A plateia explodiu em aplausos quando o show acabou. Shawn estava coberto de carinho e amor por todo o mundo. Quando ele foi embora, estava em busca de cantar sua música para todos, e ele conseguira. Ele estava feliz, realizado. Ela sentia-se orgulhosa. Quanto à canção, Valentina a ouvira tanto desde que fora lançada, ele mal sabia. Ela imaginou, centenas de vezes, se aqueles versos seriam para ela. De certa forma, ela se encontrava em todas as estrofes, encontrava a história deles contida naquela letra. Agora ela sabia que era real. Era a canção deles. 

Shawn retornou para ela. Ele veio com aquele sorriso instigante. Um olhar ansioso para saber se Valentina havia gostado da música. Sempre imaginou o dia em que cantaria Never Be Alone para ela, e não poderia ser melhor do que foi. Olhá-la enquanto cantava e vê-la atenta, feliz, admirada por seu show fora a melhor recompensa por aquela música. 

—Shawn, eu nem sei o que dizer.—Ela começou, tentando projetar tudo o que estava sentindo. 

—Você gostou?

—Se eu gostei? Com toda a certeza do mundo. É linda. Seu show é incrível. O modo como todos captaram a energia da sua voz... Você merece todo esse carinho e atenção.

—Mesmo depois de ter ido embora?—Shawn tocou naquele assunto indelicado. 

—Se você partiu para construir tudo isso, então foi por uma boa causa. Eu devia ter sido menos egoísta. 

—Por que não atendeu as minhas ligações?

—Partiu o meu coração ver você ir embora. Estava brava. Manti você ainda mais distante. Não fiz as coisas certas. 

—Lamento ter perdido tanto sobre você. 

Valentina sentiu os olhos arderem. Desejou a presença do seu amigo em todas as ocasiões especiais ao longo de sua vida desde que ele se fora, mas sempre encontrou-se sozinha. 

—Queria poder fazê-lo não ter perdido nada.—Ela também lamentou. 

—Conte-me sobre os seus anos. Sei que não posso voltar no tempo, mas quero saber tudo o que te aconteceu. Não poupe detalhes, temos uma noite inteira.

Valentina sorriu encantada. Estava animada pelo o que estava por vir, mais ainda, para que Shawn conhecesse Totti. 

 

 

Janeiro era o mês mais frio do ano em Toronto, mas nele o coração de Valentina sentiu-se aquecido como nunca antes. Seus dias tornaram-se especiais, cada um deles, mesmo às segundas-feiras. Shawn sempre estava disposto a sair com a garota, e ela nem titubeava para fazer companhia à ele. Naquela estação congelante, a sorveteria da esquina contava apenas com a visita deles dois, os únicos dispostos a resfriar por um sorvete.

Shawn poderia mergulhar nas praias havaianas, aproveitar o dia em Dubaí, ou quem sabe as noites em Las Vegas, mas estava feliz com o frio do Canadá. Havia conhecido Totti, e o novo quarto da Valentina. Ela mostrou a ele sua caixa secreta debaixo da cama, aonde mantinha escondido os presentes que ele a havia dado, e todos os cartões de natal que ele nunca esqueceu-se de enviar.

—Fruta... Abacate.—Valentina lia suas respostas do jogo salada de frutas.

—Abacaxi.—Shawn respondeu ao seu lado. 

—Caramba, somos bons nisso.—Ela deixou os cadernos de lado, haviam jogado ao menos cinco partidas. Os dois relaxaram as colunas deitando-se sobre o colchão do sótão. O teto de vidro disponibilizava um belo pedaço do céu estrelado. 

Valentina sentiu a ponta dos dedos dele passearem entre suas coxas, um carinho arrepiante. Ela amava suas carícias. 

A madrugada acontecia naquele momento, depois de uma noite de filmes e brincadeiras. Os olhos dela pesaram, dormiria ali mesmo com ele, como tanto havia feito na última semana. 

—Pode cantar?—Pediu Valentina. 

Shawn adorava quando ela pedia aquilo. Sentia que aquela era a sua plateia mais especial e única. Nunca se cansaria daquela apresentação. Então Valentina adormeceu em seus braços enquanto ele reproduzia Life Of The Party numa voz sonolenta e gostosa. 

—O que vai acontecer quando precisar ir embora de novo?—Ela perguntou quando a canção acabou. Ele surpreendeu-se por ela ainda estar acordada. O silêncio pairou no ar. Aquela era uma questão importante, e ele havia pensado nela ao menos três vezes naquele dia. 

—Dar um jeito para sempre voltar para cá. Ou levar você junto.

—O que?—Valentina despertou-se. —Quer que eu vá com você? Eu não poderia...

—Disse-me que estava sempre desviando de seus pais para não ir às viagens deles. Está fazendo o mesmo comigo agora?

Valentina ficou em silêncio pensando a respeito. Estranhamente, não a parecia uma ideia absurda. Viajar para ver Shawn Mendes cantar uma centena de vezes era extremamente atrativo, ela sequer pensava em planos melhores. 

—É diferente com você. Eu realmente adoraria. Mas é um passo tão grande...

—E assustador.—Concordou.—Como novas experiências geralmente são. Mas depois que você der o primeiro passo, eu prometo que farei ser uma estrada segura para você atravessar. Valentina, eu adoraria sua companhia em minhas viagens. Uma nova turnê se aproxima, voltarei à lugares incríveis que conheci da primeira vez. Eu queria mostrar à você todos eles. 

Era muita informação para processar naquele momento. Ele havia mudado toda a rotina dela desde que voltara, e havia sido perfeito, mas aceitar aquela proposta mudaria para além de dias, uma vida inteira. 

—Eu preciso pensar a respeito.—Decidiu. Ele compreendeu perfeitamente, estava feliz somente pela consideração dela. 

 

 

Na manhã do aniversário da Valentina, a família Escorpion reuniu-se na sala para assistir Shawn Mendes apresentar-se num programa regional. Nevava um pouco, todos estavam enrolados aos seus agasalhos. Michael, o avô da garota, entrava na sala com duas xícaras enormes de café preto quando a apresentadora anunciou o entrevistado. 

—Aqui, querida.—Ele entregou-a sua bebida quente.

—Obrigada, vovô. Sente-se.

Atentos à televisão, a pequena família ouviu a entrevista do astro que muito em breve viajaria ao redor do mundo para cantar. Ele falou sobre suas novas canções, seus próximos destinos... E status de relacionamento. O coração de Valetina congelou. Sua face estava enrubescida, ainda mais por seus parentes soltarem diversas piadinhas a respeito deles dois. Ela sabia que era apaixonada por Shawn, mas nunca diria em voz alta. Pensava estar vivendo um amor platônico, e seria constrangedor se ele soubesse. Em frente às câmeras, Shawn declarou sua paixão por alguém que ele preferia guardar segredo. Naquele instante, a família Escorpion olhou boquiaberta para Valentina, fielmente acreditando que ele só poderia estar falando sobre ela. 

—Parem. Ele viajou o mundo. Deve ser outra garota.—Negou a garota encarada pelos demais presentes na sala. 

—Sei...—O pai dela desconfiou. 

Valentina recebeu muitos presentes naquele dia. Seus pais a mimaram muito. Seu avô preparou tudo o que ela mais gostava de comer. À noite, jantariam espaguete, e teriam pudim para a sobremesa. 

A aniversariante estava linda com seu novo vestido preto. Cuidou do cabelo, unhas, e pele. Sentia-se genuinamente feliz. Quando a campainha tocou, ela eletrizou-se inteira. Shawn Mendes era quem faltava para o jantar, só poderia ser ele. 

—Shawn?—Valentina desceu a escadaria correndo. Sua mãe havia chegado antes à porta, e tinha um semblante triste. A garota aproximou-se cautelosamente, temendo o que estava por vir. Ouviu algo sobre um acidente. Era a voz do avô do Shawn, ela estava certa disso. 

—Sente-se, querida.—Sua mãe pediu assim que a viu por perto. 

—Não, mãe!—Valentina desfez-se dos braços da mãe, desviando-se dela ao encontro do avô do seu melhor amigo.—Aconteceu alguma coisa com o Shawn?

—Ouça sua mãe, querida. É melhor que se sente. —Ele parecia preocupado. 

—Por favor. Digam agora mesmo!—Suplicou a garota desesperada. O pai e avô dela sairam da cozinha vestindo aventais sujos de comida, estavam sorrindo até que notaram o clima intensamente triste. 

—O que houve?—Michael aproximou-se do restante da família. 

—Shawn estava voltando do centro quando... Sofreu um acidente. Ele está internado no hospital de Toronto. Não sabemos o estado exato dele, os médicos o levaram para a sala de cirurgia.

Valentina assistiu seu mundo desmoronar em câmera lenta, a cada palavra que saía da boca do avô do Shawn. Ela sentiu que estava perdendo-o de novo, e queria ao menos tentar impedir dessa vez. Todos entraram no carro da família rumo ao paradeiro da vítima do acidente. A família estava aflita, Valentina aos prantos. No percurso para o hospital, a garota rezou ao menos dez vezes, fez suplicas para que Deus cuidasse bem do seu amigo e o mantesse vivo. Lembrou-se da proposta dele a respeito de viajarem o mundo juntos, e imaginar que aquele sonho estava escorrendo por entre seus dedos como água a deixava ainda mais chorosa. Ela queria voltar no tempo e dizer-te que aceitava ir com ele. 

A mídia já havia sido contatada a respeito do acidente. Centenas de fãs choravam em frente ao centro médico de Toronto. O cenário catastrófico intensificava a dor de Valentina. Ver as lágrimas e gritos da multidão a fazia pensar negativo sobre o bem estar do Shawn. Como ela poderia ser positiva naquele meio?

Para acalmar o coração de todos os familiares e amigos de Shawn, os médicos trouxeram notícias tranquilizadoras. O rapaz havia fraturado um osso da perna, mas recuperaria-se em algumas semanas. Seu rosto estava machucado, mas nada absurdamente grave. Eles fizeram pontos em seu corte no braço, e garantiram que isso era tudo. O astro mundial, e principalmente melhor amigo da Valentina estava a salvo. E ele queria vê-la na ala de recuperação. 

Sem pensar duas vezes, Valentina correu para a sala informada pelos médicos. Estava com o vestido preto na altura dos joelhos que a sua mãe a havia presenteado naquele mesmo dia. Esquecera-se de que era o seu aniversário, mas quando lembrou-se enquanto avançava pelos corredores do hospital, entendeu que aquele era o presente que Deus havia entregado para ela. Ela jurou: Eu cuidarei bem dele. 

—Você não pôs o casaco.—Shawn comentou, vendo-a entrar com a mão na boca e olhos marejados. 

—Estou tão feliz que você está bem.—Ela correu para seus braços. Inalou profundamente o cheiro do seu corpo, estava no melhor lugar do mundo naquele instante. 

—Sinto muito por seu aniversário.—Lamentou. 

—Não seja bobo.—Ela ainda o abraçava.—Você é o que importa agora. Eu estou muito bem por vê-lo inteiro, mesmo que com alguns machudados, cuidaremos disso.—Ela pousou sua palma sobre a ferida coberta por gase em seu braço.—Ah, Shawn, fiquei tão assustada...—Ela ergueu-se por fim, encarando-o no fundo dos olhos.—Se ainda estiver de pé, eu aceito viajar com você. 

Shawn franziu o cenho. Ele ainda continuava lindo mesmo com a cabeça enfaichada. Valentina perdeu-se momentaneamente naquele rosto angelical. Dessa vez foi ela quem acariciou-o na bochecha. 

—Disse que precisava pensar.—Ele lembrou-a. 

—Tive tempo suficiente no caminho para cá. Não quero ver você partir de novo. Se eu puder fazer alguma coisa para ficar perto de você, eu vou fazer. E eu quero conhecer todos os lugares por onde você passou. Quero ouvi-lo cantar suas músicas... Shawn, eu estou certa disso. Você ainda quer?

—Tá brincando? —Ele riu pelo nariz, a ideia de desistir da companhia dela parecia absurda.—Eu estou louco por isso. 

Valentina e Shawn sorriram em tempo igual. Estavam felizes, embora estivessem sob o teto de um dos lugares mais tristes do mundo. Poderia não ser o momento mais adequado, mas pareceu perfeito para o próximo passo. Valentina apenas não queria mais adiar nada. Sua vontade falara mais alto naquele instante. Ela conduziu seus dedos ao pescoço do Shawn com sutileza. Sabia que ele não podia fazer movimentos bruscos então cautelosamente fez todo o trabalho para selar seus lábios aos dele. Nem em seus melhores sonhos, ela imaginaria um encaixe tão perfeito como o deles, menos ainda um que a arrepiasse tanto. 

—Oi.—Alguém bateu a porta. Valentina deu um salto da maca aonde estava deitada com o Shawn. 

—Vovô!—Ela ajeitou o cabelo assanhado. Perguntou-se o quanto Michael havia visto daquela cena. Sentiu-se envergonhada e agora começava a pensar se Shawn havia gostado ou não da sua iniciativa.

—Trouxeram alguns pertences que conseguiram salvar do acidente.—O velho comentou, tirando do bolso uma caixinha preta.—Isso deve ser seu, garoto.—Andou devagar até Shawn, pondo em sua palma a caixa aveludada.—Estou feliz que esteja bem. Vai se recuperar em breve.—Confortou-o, pousando a mão sobre seu ombro.—Agora preciso voltar para a recepção, estão todos lá querendo notícias sobre você.

O silêncio instalado no ambiente depois que o avô da Valentina deixou o cômodo incomodou tanto a garota. Estava questionando-se para quem era aquela caixinha preta que certamente continha um anel em seu interior. Shawn encarava a pequena embalagem no centro de sua mão aberta. 

—Bem... Não era exatamente dessa forma que eu queria fazer isso mas...—Ele fez esforço para ajeitar a coluna, ficando sentado na cama. Por sua expressão, aquele movimento simples causava muita dor. Valentina apressou-se em segurá-lo e evitar mais lesões em seu corpo machucado.

—Shawn, o que está fazendo?

—Tentando perguntar se você quer ser a minha namorada, Tina.—Ele chamou-a pelo apelido de infância. Ela ainda segurava-o quando ouviu seu pedido. Estavam com os rostos próximos ao ponto de sentir a respiração um do outro.

—Sim. Sim. Sim.

Valentina prensou os lábios contra os dele outra vez, a sensação parecia ficar cada vez melhor, pensar que poderia fazer aquilo sempre que quisesse dali em diante a deixava louca de felicidade. Desde que Shawn voltara a Toronto, Valentina resolveu deixar o rancor que sentia por ele de lado, ela jamais conseguiria ser feliz com aquele peso em seu coração. Agora, ela sentia-se satisfeita por ter feito aquilo. Ela tinha o amor de sua vida como namorado, e viajaria o mundo para ouvi-lo cantar.



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