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História Forgot You - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oi, lindezas! Falo melhor com vocês nas notas finais, viu?
Boa leitura <3

Capítulo 6 - Capítulo 5.


– Quer pizza de ontem? – oferece Thalia, quando me vê em pé no corredor.

– Pode ser. – resmungo, ainda sonolenta. – Que horas são?

– São quase duas da tarde, princesa.

Sento-me em uma das banquetas da ilha da cozinha e apoio meus cotovelos na bancada. Fecho os olhos e enterro a cabeça nas mãos, desejando poder dormir por mais algumas horas para evitar a confusão de pensamentos que me atormentam desde que acordei. Quando saí do hospital, me explicaram que seria comum que eu tivesse alguns sonhos que poderiam ser lembranças ou apenas minha imaginação, e que eu normalmente não conseguiria diferenciá-los, então o ideal seria perguntar aos meus amigos, para tentar recuperar algumas memórias. Mas como eu poderia perguntar a alguém se meu sonho erótico com Percy era algo que já tinha acontecido ou apenas minha cabeça fértil me pregando peças?

Parece real. O sonho foi tão vívido que até agora tenho a impressão de conseguir sentir sua pele contra a minha, o rastro de sua boca e seus dedos em mim. E só de experimentar essas sensações, mesmo em um sonho, é como se meu corpo tivesse entrado em contato com uma faísca e agora não parava de queimar, em uma combustão explosiva. Só me desprendo de tais pensamentos quando Thalia coloca um prato em minha frente e chama minha atenção para a pizza.

– Dormiu bem? – ela pergunta, sentando-se à minha frente.

– Aham. – concordo, tentando não me prender aos momentos do sonho. – E você?

– Não, você ronca demais. – Lia provoca, torcendo o nariz.

– Eu não ronco! – protesto com uma risada, feliz em poder concentrar minha atenção em outra coisa.

– Olha, Luke é realmente um guerreiro por aguentar isso. Que tortura. – ela joga a cabeça para trás de um jeito exageradamente dramático.

Reviro os olhos e continuo insistindo que eu não ronco; entre essa discussão e diversas risadas, terminamos nossas pizzas. Thalia, ainda mantendo um sorriso zombeteiro, levanta e pega os pratos vazios para deixá-los na pia, depois me convida a voltarmos para o quarto.

– Você quer passar o dia deitada? – pergunto, seguindo-a.

– Sim, por favor. – ela ri, jogando-se na enorme cama de casal que dividimos. – Estou cansada de ter madrugado com você.

Detenho-me na porta do quarto para dar uma boa olhada no ambiente. No chão, diversos produtos de beleza estão espalhados; entre eles, máscaras de pele, cremes de cabelo e até mesmo alguns esmaltes, além de vários saquinhos vazios e frascos amassados. Um sorriso se forma em meus lábios com a noite passada, em que eu e Thalia nos divertimos com assuntos aleatórios, fofocas de certas pessoas que estudaram conosco no ensino médio (que Lia me mostrou as fotos e explicou quem eram), um filme e uma sessão intensa de “embelezamento”, segundo minha própria amiga.

– A gente deveria limpar isso. – comento, com uma sobrancelha erguida. Lia abre a boca para começar a protestar; porém, não precisa de muito esforço para me convencer a deitar no colchão macio, ao seu lado.

– Só precisamos deixar tudo limpo antes de Nico chegar. – a garota se espreguiça. – Mas, o que você achou de Seven?

Estou falando sobre minhas impressões sobre o filme que assistimos ontem (que, de acordo com ela, é um clássico imperdível) e expressando minha indignação pelo final, quando observo Thalia fechar os olhos. Vejo suas feições relaxarem e percebo que ela está ressonando baixinho, então decido fixar meu olhar no teto, deixando-a dormir mais um pouco.

Entretanto, ficar desacompanhada não é exatamente uma boa ideia. Não demoro a reviver meu sonho, combinando-o à verdadeiras lembranças dos olhos verdes me encarando, suas mãos em minhas coxas... Tento bloquear esses pensamentos, desviando-os para Luke. Forço-me a imaginá-lo comigo em algum momento íntimo, mas isso não soa natural. Bufo, frustrada.

– Vou enlouquecer, Thalia. – sussurro para minha amiga, que ainda está pacificamente dormindo. – Juro. Como que fui me meter numa situação dessas?

Prendo-me à ideia de que, se estou noiva de Luke, é porque eu amava-o e o queria para vida toda. Ele é maravilhoso, e eu nem sequer entendo porque tenho tanto receio em me entregar de vez. Mordo a parte interna da bochecha nervosamente, desejando descobrir uma forma de trazer essas sensações de volta. Uma voz baixinha e irritante na minha cabeça está insistentemente falando que nunca poderei me obrigar a amá-lo, e que eu preciso admitir quais são meus verdadeiros sentimentos e por quem os sinto. Resolvo dar um basta em minha crise existencial e me levanto com um pulo, disposta a arrumar toda a bagunça do quarto.

Depois de ter jogado todas as embalagens vazias fora e colocado os produtos no armário do banheiro, mando um “oi” para Luke no whatsapp, volto para a cama e vejo Thalia acordando. Ela me oferece um sorriso preguiçoso.

– Você é o amor da minha vida. – ela afirma, quando vê que arrumei a bagunça que havíamos deixado.

Apenas sorrio e volto para a cama, me deitando de uma maneira que uso a barriga de Thalia como travesseiro. Ela espalha meus cachinhos por sua cintura, passando os dedos entre meus fios loiros, fazendo um carinho leve e gostoso.

– O que tá te incomodando? – Lia pergunta.

– Como assim?

– Não sei se você já notou, Annabeth, mas eu meio que sou sua melhor amiga. – seu tom é levemente acusatório. – Eu te conheço, e sei que tem alguma coisa que está fazendo sua cabeça queimar.

Pondero se devo contar a ela sobre minhas preocupações sobre minha vida amorosa. Thalia já sabe que estou incerta sobre meu casamento, porém ela não sabe que um dos porquês (talvez o mais importante deles) tem nome e sobrenome. Resolvo seguir por um caminho menos revelador.

– Eu já tive algo com o Percy? – pergunto, sem olhá-la.

– Você se lembrou de algo? – ela devolveu, cautelosa. Seus dedos fazem movimentos circulares em meu couro cabeludo, fazendo-me quase ronronar.

– Não tenho certeza. – me concentro em ser vaga, esquivando-me do mesmo jeito que ela.

– Bom... Acredito que não é meu papel te contar isso. Principalmente porque eu não sei a história toda, de fato, e porque quem deveria te falar disso seria o próprio Percy ou até mesmo Luke. – Thalia admite, dando de ombros. – Mas é para isso que servem as amigas, certo? Então, sim, você já teve algo com o Percy. Eu só não sei te dizer exatamente o que.

– Hm... – é a única coisa que consigo dizer.

– Vocês dois sempre foram complicados. – ela abre um pequeno sorriso. – Do que você se lembrou?

Respondo um “nada demais”, e sinto que Thalia não acredita em mim, porém não insiste no assunto. Agradeço mentalmente por isso, porque eu não saberia como mentir sobre a memória sexual que tive com Percy, cuja qual nem sei se foi real ou não.

– Vamos trocar de roupa, já são quase sete horas. – Thalia diz, saindo da cama. Sei que ela quer continuar falando sobre isso para arrancar de mim tudo que lembro e sinto a respeito do Jackson, e fico muito grata pela mudança de assunto. – Daqui a pouco os meninos chegam.

Concordo com a cabeça. Ela pega uma muda de roupa e vai para o banheiro, enquanto eu me troco no quarto mesmo. Meu celular apita enquanto estou terminando de abotoar o short e, assim que termino de me vestir, pego o aparelho e vejo que é uma mensagem de Luke.

“Oi, Annie. Perdão pela ausência hoje, as coisas se complicaram por aqui. Vou ter que ficar mais alguns dias em LA :(“

Encaro a tela por alguns instantes. Fico um pouco triste em saber que ele precisará ficar longe por mais tempo. Respondo com uma carinha triste e digo-lhe que ligo mais tarde, quando chegar em casa, para conversarmos melhor. Ao mesmo tempo que Thalia sai do banheiro, ouvimos as vozes de Nico e Percy entrando no apartamento.

Seguimos para a sala para encontra-los e, após os devidos cumprimentos, Nico se prontifica para fazer o jantar hoje, e Thalia agradece com um beijinho na bochecha dele, nos chamando para a sala. Sinto Percy atrás de mim e viro-me o suficiente para olhá-lo com o canto do olho, perguntando silenciosamente se é seguro deixar Nico na cozinha. Surpreendo-me ao ver que ele me entende.

– Nico é um bom cozinheiro. – Percy sussurra para mim, colocando uma das mãos na minha cintura e quase colando nossos corpos para poder encostar os lábios na minha orelha. – Não precisa se preocupar. A única aqui que tem chance de começar um incêndio cozinhando é a Thalia mesmo.

– Que bom. – sussurro de volta, totalmente arrepiada. Sinto um formigamento bom em minha nuca com a proximidade de nós dois. Logo, Percy se afasta de mim e continuamos andando para a sala.

– Você vai para casa hoje mesmo, Annie? – Thalia pergunta, quando eu e Percy chegamos até o sofá em que ela está.

– Sim. Luke me avisou que vai precisar ficar mais tempo em Los Angeles, mas eu acho que já te dei trabalho demais. – sorrio. – E não quero ter que expulsar seu marido de casa pelo resto da semana.

– Amém! – Nico gritou, de costas para nós, nos provocando uma leve crise de risos. – Mas fique à vontade para ficar conosco em nosso quarto de hóspedes, Annie. Caso não queira ficar sozinha.

– Obrigada. Acho melhor voltar hoje mesmo. – falo, abraçando meu próprio corpo.

– A gente te leva depois do jantar. – é Thalia que se pronuncia, recusando minha ideia de chamar um uber para casa com a desculpa de não querer incomodar mais. – Você não incomoda, Annabeth!

– Eu te levo em casa, é caminho para mim. – Percy diz, com um vestígio de sorriso no canto da boca. – Não vou demorar muito hoje, estou esperando alguém especial chegar de viagem.

– Uauuuuu. – Thalia estende as vogais, adicionando uma dramaticidade e suspense à cena. – E quem seria essa convidada? Uma namorada nova?

– É segredo. – o moreno riu, passando a mão pelo cabelo. Seus olhos verdes voltam-se para mim rapidamente.

Sinto minhas mãos gelarem. A sensação é que meu corpo estava inflamado por sua presença, e agora a “namorada misteriosa” de Percy acabou de derramar um enorme balde de água fria sobre mim. Recomponho-me e torço para que ninguém tenha percebido que fiquei atônita com a notícia. Não acompanho a conversa que se segue, porque ainda estou digerindo a ideia de que há uma pessoa especial assim na vida de Percy.

É por isso que ele não me beijou? Esse incomodo que estou sentindo é ciúme? Quem poderia ser tal alguém especial? Por que ele não a trouxe para apresentá-la? Seria algum tipo de consideração comigo, em não esfregar na minha cara que tinha superado seja lá qual foi o relacionamento complicado que tínhamos? Eu ainda me importava com essa relação estranha?

Talvez seja até melhor desse jeito. Ambos comprometidos, longes um do outro – dando o espaço necessário para que a faísca que há entre nós apague. Talvez agora, aniquilando qualquer pensamento romântico acerca do Percy na minha mente... Talvez agora eu pudesse focar no que realmente importa: meu noivado.  

Nico fez uma macarronada deliciosa e, com alguns poucos comentários sobre a comida e sobre namoros (principalmente da parte da Thalia, que queria a todo custo informações sobre o “alguém especial”), o jantar se passa de maneira tranquila e rápida. Enquanto estou ajudando o casal a tirar a louça da mesa, o celular de Percy toca e ele se afasta um pouco para atender. Ainda assim, consigo ouvi-lo se despedir com um caloroso “chego em 15 minutos, beijo, te amo”. Engulo em seco, sentindo como se houvesse um bloco de concreto em minha garganta.

Por que isso me incomoda tanto, afinal? Balanço a cabeça para espantar essa confusão.

– Podemos ir, Annie? – Percy chama, pegando suas coisas.

– Claro. – concordo. – Vou só pegar minhas coisas.

Após uma ida ao quarto para pegar minha mochila com roupas e uma breve despedida de Thalia e Nico, com a promessa de visita-los ainda essa semana, eu e Percy seguimos para a garagem. Entro no lado do carona do carro e coloco o cinto de segurança. O percurso é todo feito em silêncio; em parte, porque não quero conversar mesmo. Não suporto a ideia de ter que ouvi-lo falando sobre a garota incrível que o espera.

Com o clima que paira entre nós, olhar a janela e as luzes caóticas de Nova Iorque se torna muito interessante. É o que faço pelos dez minutos que se seguem, esperando chegar logo em casa; bom, eu moro perto de Thalia e Nico. Franzo minha testa quando nosso carro entra em uma garagem que não reconheço, e o moreno ao meu lado estaciona.

– Chegamos. – ele anuncia, tirando seu cinto.

– Esse não é meu prédio. – digo o óbvio.

– Eu sei. É o meu. – Percy sorri e desce do carro. Fico encarando-o quando ele dá a volta no carro e abre minha porta, estendendo a mão para mim. – Vamos, quero que você conheça uma pessoa.

– Eu quero ir para casa. – suspiro, sem saber como dizer que não quero conhecer sua namorada de um jeito não grosseiro.

– É importante para mim, Annabeth.

Nossos olhos estão presos um no outro, e percebo que não conseguirei dizer não para aquela imensidão verde; meu coração parece falhar algumas batidas, afundando-se no meu peito. Respiro fundo, dando-me por vencida, e pego sua mão após me soltar do carro, entrelaçando nossos dedos e acompanhando-o até o saguão do prédio. Um rapaz ruivo surge atrás do balcão, com um enorme sorriso.

– Percy! – o ruivo sorri, inclinando levemente a cabeça.

– Groover. – com um sorriso, Percy chama o elevador e vira-se para o porteiro. – Alguém chegou aí?

– Sim, a moça já pegou a chave que você deixou comigo e subiu. Oi, Annie. – Groover sorri ao me ver, e eu respondo com um “oi” tímido.

– Obrigado.

O elevador chega e Percy me puxa para dentro. Então, percebo que nossos dedos ainda estão entrelaçados (desde que desci do carro), e não sinto a mínima vontade de soltá-los. Aproveito que nossas palmas estão quase se tocando e os dedos estão presos. É como se eu estivesse roubando um pequeno momento para minha memória, apesar de não ser certo nutrir esses sentimentos por ele. Percy olha para baixo e solta nossas mãos.

– Groover é o porteiro do prédio, e é um grande amigo. Ele já te viu muito por aqui, e vocês costumavam ficar horas conversando aqui embaixo. – ele diz, sorrindo um pouco.

– Ele parece legal.

Novamente, o silêncio se encarrega de preencher o ambiente. Enrolo uma mecha do meu cabelo de modo um pouco frenético, pela ansiedade e nervosismo de conhecer o “alguém especial” que eu já não gosto. Percebo que Percy está prestes a falar algo, talvez para tentar quebrar o gelo entre nós, quando o elevador balança com um solavanco.

– O que é isso? – pergunto, segurando-me em uma parede.

A caixa metálica para de se mexer e o botão de emergência começa a piscar, como um alerta vermelho de perigo. As luzes apagam, deixando-nos no escuro e, instintivamente, busco segurar sua mão. Fico aliviada quando sinto seus dedos nos meus, segurando-me com força, tentando passar algum conforto. A iluminação retorna, muito mais fraca, nas lanternas de emergência que ficam nas laterais do elevador.

– Acho que é uma queda de energia. – Percy diz. Consigo ver seu rosto parcialmente iluminado, sob um tom alaranjado. Ele inspira profundamente e expira com força, solta minha mão de novo e se senta no chão. – Acomode-se, Annie. Parece que vamos passar um tempinho aqui. 


Notas Finais


Pois bem, não vou me alongar demais hoje, porque estou morrendo de sonooo
Quero apenas dizer que:

> não se esqueçam de fazer essa autora um pouquinho mais feliz e comentem! A falta de comentários desanima bastante a postar :((

> assistam Seven! É um filme muito bom, mas o final é um pouco... revoltante, eu diria shuahsua quem quiser compartilhar comigo suas indignações do filme, sintam-se à vontade
amo interagir com vocêsssss

Por hoje é só! Espero vocês nos comentários, viu?
Beijinhos, até <3


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