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História Forgotten: A Volta de um Esquecido - Capítulo 11


Escrita por: TaiTai_Sarah

Capítulo 11 - Capítulo X


P.O.V: Autora

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O quebrar dos laços inquebráveis

Poderíamos jurar que os deuses e Agnes (onde quer que estivesse) estavam orgulhosos.

Mas acima de tudo Sara ainda é uma humana, com sentimentos e falhas humanas, dentre elas o medo. Estava parada na frente da porta de casa, junto de seus avós, tio e primo, preparando o espírito para uma das suas maiores guerras; suspirou fundo e entrou. Sabia que poderia contar com a sua família, que agora ficara do lado de fora, esperando uma oportunidade para interferir; por agora, aquilo era um assunto que dizia respeito apenas àquelas duas mulheres.

- Mãe, a gente tem que conversar. - Afirmou num tom doce, porém firme.

Ester, que acabara de sair da lavanderia, atravessava a sala quando ouviu as decididas palavras saindo da filha. Internamente, havia se surpreendido, era raro vê-la se posicionando tão firmemente em quaisquer situações, mas de qualquer jeito, não transporia isso, pelo contrário, agiria como se aquilo fosse uma falta de respeito para com sua autoridade.

O olhar frio e desinteressado de Ester atingia em cheio os medos de Sara. Ela sempre foi bem-articulada, sabendo lidar com tudo; sua mãe não entrava nessa designação. Acostumada a sempre "andar para trás" quando batia de frente com sua mãe, não tinha ideia do que fazer para avisá-la (ou quem sabe convencê-la) a fazer o resurgemus. Ouviu um "Sobre o que?" de sua mãe, e com a voz quase trêmula, continuou:

- Eu... Eu tenho que fazer o resurgemus. - A frase começou excitante, terminou firme. Enquanto as palavras saiam devagarinho de sua boca, lembrava-se da decisão tomada a pouco dentrou de seu quarto, na casa de sua avó.

E se, no começo, era Sara quem estava abalada apenas por olhares, agora eram as palavras da filha que faziam tremer a base de Ester.

- Como é que é? - O tom de voz, antes frio, agora era raivoso e ao ponto de explodir. Lá fora, a avó de Sara esperava ansiosa sua deixa, temendo pela neta. 

- É isso que você ouviu mãe. Eu VOU fazer o resurgemus. - Uma sutil diferença entre a fala de poucos momentos atrás, mas que veio acompanhada de foça e imposição. A briga agora tinha se tornado de igual para igual.

- VOCÊ QUER APANHAR É? NÃO VAI FAZER ESSA COISA DEMONÍACA-

- SE EU NÃO FIZER EU MORRO, MÃE! - As lágrimas vieram a tona. Sara tinha apelado para o pouco humanitarismo que julgava ter sua mãe, esperando que dessa forma, ela se convencesse de que era preciso. - Você prefere me ver morrer ao fazer um ritualzinho?

Ester se sentou no sofá, largando um tanto chocada as roupas que carregava. Temeu à vida da filha, voltando-se ao seu lado sensato e ponderando se era necessário perdê-la por um puro capricho religioso... Durou pouco, pouco demais:

- Eu não permito que você faça isso então... Que seja. 

Sara deu um passo para trás, suas lágrimas secaram instantaneamente. A respiração; pesada, os olhos; arregalados, a boca; entreaberta e o pouco amor entre elas que restava; agonizava pedindo por um socorro impossível. Conhecem aquele laço de mãe e filho que nunca se quebra, e que supera tudo? Bem, aquelas palavras, seguidas do olhar indiferente de Ester foram como uma tesoura, cortando o último fio que segurava aquele laço. Mas tinha um lado bom: com o amor morto, o respeito se esvaiu, dando lugar a versão de Sara que Ester merecia. 

Usou toda a mágoa que tinha da mulher a sua frente, lembrou-se de todos os insultos e surras, de todas as vezes em que chorou baixinho até dormir sentindo dor pelo corpo todo; sentiu via à tona o sangue fervente, decidido e vingativo. Sentiu os olhos arderem em fúria. Sentiu os punhos fecharem. Sentiu os dentes rangerem. Sentiu o poder da raça Waterhouse. Por fim, sentiu longínqua a liberdade que viria após suas palavras.

- Você não pode me obrigar a não fazer, Ester. - Ela percebeu a falta de um "mãe" na frase, e além disso, viu quão magoado era o olhar da filha. 

Mesmo assim, não se importou em ter uma última chance de cair em si e tentar consertar o erro, e virando-se pronta para bater na filha, estarreceu. Viu o que sua mente radicalista explicaria como uma aparição demoníaca atrás de sua filha, com as asas abertas, os olhos vermelhos brilhando e uma aura negra arrepiadora; nada mais era do que um amante protetor de sua amada, disposto a tudo, até mesmo se fazer visível para aquela que ele julgava tão repugnante.

Ester caiu sentada novamente, e por mais que isso surpreendesse Sara, não saiu do lugar, nem mesmo desfez a feição enfuriada. Do lado de fora, Maria achou que era hora de entrar, e o fez junto com seu marido. Entraram os dois e sem demora, "resolveram" tudo; a situação havia se tornado insustentável, portanto Sara ajuntou suas coisas pessoais (a grande maioria, livros) e junto de seu tio e primo, levaram-nas para o carro. Ela sentia-se em estado de choque de tanta alegria... Claro que as coisas não terminaram do jeito pacífico o qual ela sonhava, mas agora ela moraria com os avós, e seria questão de tempo até que Rafael se separasse a liberdade que ela tanto queria chegasse.

Todos ficaram meio espantados com a "calmaria" de Ester, que não havia feito nada para impedir que sua "moeda de troca" saísse de mala e cuia pela porta de casa. Mas o que nem os mais velhos percebiam era a presença de Kastiel ali, que fazia questão de ser sua pior versão de si perto o suficiente de Ester para paralisá-la de medo. 

Sinceramente, era cômico; ela sempre enchia a boca para falar o quão corajosa era dentro da igreja e o que faria para expulsar demônios das pessoas, e agora, mal conseguia respirar ao ver um.

.oOo.

- Pronta? - Maria perguntava limpando os rastros mal colocados de sangue no rosto da neta. Sara não se incomodava muito, sabia que era necessário que aquele inocente pardal morresse para realizar o resurgemus. Acenou com a cabeça e pegou nas mãos a venda que usaria logo depois do feito. - Bom, sabe o que fazer. Estamos aqui, por você.

Felipe, João e Osvaldo sorriram, passando algum tipo de conforto para a garota. Kastiel até estava ali há poucos minutos atrás, mas os deuses não permitem a presença de outros espíritos nos rituais de resurgemus, então, pacientemente ele esperaria por ela no seu lugar preferido daquela casa, obviamente o quarto dela. Quase não podia conter a alegria de tê-la aqui na casa de Maria, onde ele não tinha empecilho em vê-la e ela teria a liberdade que tanto queria. Sentado na cadeira dela, sorriu tranquilo ao pensar que Sara não se machucaria novamente, e que a cena que havia visto a semanas atrás não se repetiria.

Saiu de seus pensamentos ao ouvir a doce melodia que saía da boca de Sara e refletia à casa toda, uma música necessária para o ritual. Era como um lamento para a alma, que medrosa temia não ser aceita pelos deuses. Para Kastiel, uma linda história, uma linda canção, uma linda voz e uma lindíssima garota (mesmo que estivesse com rastros de sangue na cara).

- Quieta, minh'alma, não deve chorar, ao Rio a entregarei... Durma e se lembre, que ouviu meu cantar, e junto a você estarei... - Sentiu o corpo flutuar, e como já se encontrava de joelhos, apenas entregou o espírito para que os deuses fizessem o que havia de ser feito. O "rio" era referente aos deuses, uma forma mais velada de reverência.

Basicamente, o que acontece é a inércia do corpo por alguns poucos segundos, apenas o suficiente para que seja aberta "uma chave" naquela alma, possibilitando-a de enxergar, nesse caso, as diferentes realidades e manusear com absoluta facilidade o poder de criação de outros mundos. Enquanto isso, eram os avós de Sara (como dito, os responsáveis por ela) quem assumiam a música:

- Rio, ó rio, vá manso por nós... Preciosa alma vai ter... Livre o poder, será, enfim... Nós a entregamos a você...

Continua...



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