História Fragmentado - NCT - Capítulo 29


Escrita por:

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Doyoung, Jisung, Johnny, Jungwoo, Lucas, Taeil, Taeyong, Ten, Yuta
Tags Doyoung, Fragmentado, Jisung, Johnny, Jungwoo, Lucas, Nct, Neo City, Split, Taeil, Taeyong, Ten, Yuta
Visualizações 289
Palavras 4.374
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 29 - Peek-a-Boo


Estava acompanhando Johnny no café da manhã quando os primeiros médicos apareceram. Um dos novos, chamado Jaehyun sentou ao nosso lado, ele tinha covinhas que o acompanhava no sorriso que aparecia sempre que dizia algo.

– Teremos folga neste final de semana.  – disse Jaehyun jogando seus cabelos castanhos para trás. – Você mora nas montanhas, certo? – assenti. – Deveríamos sair.

Johnny sorriu e piscou ao comer um pedaço do seu pão.

– Acho que ficarei presa aqui por um tempo. – fiz uma careta. – Mas, adoraria sair com vocês.

– Ah, – arfou. – Tudo bem então.

Johnny prendia o riso, nem ao menos sabia do que se tratava, mas ele estava achando graça da cena.

– Eu disse que ela é uma Líder. – Johnny piscou ao dizer.

– Líder?

– Quer dizer que você é apegada aos pacientes. – Jaehyun explicou com cuidado.

– Ah... mas não é por isso. – tentei me defender. – Fiquei longe por um tempo e agora terei que recuperar. Creio também que não me dariam folga.

– Não mesmo. – Johnny afirmou.

– Você é a aluna do Dr. Peter Song! – abriu um “O” com a expressão.

– Exatamente isso.

Sorri para Jaehyun, ele parecia processar uma grande informação.

– Tenho que ir. – deu um breve sorriso. – Trabalho a fazer. – balançou a cabeça. – Os vejo depois!

Jaehyun se levantou com a bandeja e saiu. Johnny sorriu e continuou comendo.

– Sabe, – tomou um gole do suquinho de uva. – Você deixou ele um pouco nervoso.

– Como assim? Fui rude?

– Não! – gesticulou com as mãos. – Os novos funcionários respeitam muito Dr. Song, ele deve ter um pouco de medo.

– Ah... Ele teme que eu possa contar as coisas para Song? Como as festas e sexo que rola por aqui? Os enfermeiros que se pegam debaixo da escada e no elevador do dormitório?

Johnny se engasgou com a maçã e gargalhou nos dando o privilégio de sermos vistos por todos ali.

– Exatamente isso.

– John?

– Hm?

– Por que há mais pacientes com TDI?

– Não há!

O encarei séria e engoli a primeira uva.

– Você já foi ao novo prédio? Aquele que foi reformado?

Ele negou com a cabeça.

– Apenas médicos autorizados.

– Nunca te disseram algo que acontece por lá?

– Não. – fez uma careta. – Talvez nesse final de semana quando eu encontrar uma das médicas de lá.

– Sinceramente, – disse baixo. – Acha que seja possível novos pacientes?

– Claro que não! – tossiu. – Estamos quase fechando, por que trariam mais problemas?

– Você conhece alguém que tenha acesso a sala?

Estávamos quase em cima da mesa de tanto que nos inclinamos para ouvirmos os cochichos um do outro.

– Os diretores do TCN, os da justiça, os psicólogos/psiquiatras que o governo mandou e alguns médicos. – coçou a cabeça. – Promete que se eu te contar você não vai o torturar?

– Prometo!

**

– Diga o que acontece lá dentro ou direi para todos que você se encontra com os médicos para saciar a sede carnal no dormitório dos pacientes!

Jaehyun me encarava assustado. Ele estava no laboratório quando o encontrei, havia feito exames de sangue nos pacientes e estava pronto para organizar os frascos.

– Eu não...

– Eu te vi nesta madrugada, Jaehyun. – me apoiei na mesa e encarei seus lindos olhos. – Vai me dizer que o liquido em seu jaleco era água potável?

Ele balançou a cabeça e olhou para baixo.

– Sei que estava estudando o paciente Jungwoo na noite passada. Acha que não observo as coisas em minha volta? – me inclinei e levantei seu rosto. – Acha que estou aqui apenas pelo dinheiro e por isso não presto atenção nas coisas?

– Eu sinto...

– Eu sei que sente, meu bem. – sorri. – Meu paciente também está sentindo ao ser comparado aos ratinhos desse laboratório.

– Você é revolucionária. – seus olhos brilharam. – Que me ferrara se eu não disser, mas sei também que perderia minha licença se disser demais.

Me mexi estalando os ossos, sentei na cadeira ao lado de Jaehyun e segurei sua mão.

– Não quero ser sua inimiga... – fechei os olhos e beijei sua mão. – Podemos formar uma aliança... – os abri sorrindo. – Sairemos junto e então você me contará tudo.

– Johnny me disse que você é uma boa pessoa, tenho medo de acreditar nele. – sorriu.

– Vi seu lindo sorriso mais uma vez, isso significa que temos um acordo?

Ele respirou fundo soltando o ar com um longo suspiro.

– Não precisa me dar a resposta agora. – disse calma, mantendo o tom de sempre. – Mas, pense a respeito. Esses médicos podem te trazer doenças, nenês e problemas. Já eu, posso garantir, que estou 100% limpa. Negócio é negócio, Jae. O sexo sempre faz parte!

**

– Dr. Song estava te procurando. – Johnny comentou ao esbarrar comigo no jardim.

– Ele disse o que queria?

– Hm, algo sobre seu paciente ter acordado.

Me despedi e fui para o prédio onde os meninos me esperavam. Pela ação e reação de Johnny, presumi que Jaehyun não havia dito nada. Talvez, só talvez, ele pensasse na minha proposta.

Estava em frente a porta de madeira mais uma vez. O lado de fora não estava com tantos médicos como no dia anterior, mas ainda assim, havia alguns.

Entrei no quarto e fechei a porta. Ele estava de costas sentado na cadeira e olhando para a mesa, julguei ser Taeyong desenhando ou Doyoung/Yuta lendo.

– Bom dia! – disse baixo ao me aproximar.

Ele se virou e sorriu, a maçã do seu rosto estava tão vermelha quanto a que estava entre seus lábios, seus pequenos olhos puxaram acompanhando o sorriso que escondia os dentes em uma mordida.

– Bom dia! – comentou com a boca cheia após morder a maçã.

– O que está fazendo?

– Jogando um jogo de tabuleiro. – deu uma pausa para engolir. – Quer jogar também?

Andei até a mesa e me sentei na cadeira a sua frente. Ele estava confortável para alguém que acabará de acordar, ainda vestia roupas confortáveis e o cabelo estava bem arrumado. Era admirável a postura que possuía.

– Que jogo é este?

– O jogo da velha. – disse ao posicionar dois objetos sobre o tabuleiro, um com formato de X e o outro de O. – Você escolhe um deles e quando for a sua vez você os posiciona. Se conseguir três em uma dessas formas. – passou o dedo pelo tabuleiro, e disse calmamente. – Sem que seja interrompida por mim, você ganha. Caso nenhum de nós ganhar, dará velha.

Eu sabia jogar e muito bem, Jogo da Velha era quase uma lei na minha infância. Sempre jogávamos quando não tínhamos o que fazer.

– Posso ficar com o X? – perguntei a ele.

– Claro... – sorriu e me passou os Xs do jogo.

Em uma vitória justa no Pedra, papel e tesoura, consegui levando a primeira jogada. Coloquei o X no primeiro espaço da primeira fileira, ele seguiu colocando no segundo. Coloquei no primeiro da segunda e ele me seguiu colocando o O no segundo. E com muito esforço – e uma trégua por parte dele. – coloquei o X no primeiro da terceira fileira, levando a vitória pela vertical. Ele observava bem cada peça do tabuleiro, parecia estudar cada movimento.

– Você me deixou ganhar, não foi?

– Talvez... leve este jogo como uma recepção de boas vindas. – sorriu ao piscar algumas vezes. – Eu sou Kim Jungwoo, e você?

O observei por um tempo, seus olhos encantadores, a forma de seu rosto, o formato da boca ao dizer, a forma em que o maxilar se movia e os cílios que se encontravam sempre que ele parecia se concentrar. Mesmo vendo aquele corpo por bastante tempo, era nítido, que eu não conhecia o verdadeiro dono.

Foi como um choque, a voz era a mesma e com um toque mais suave ao dizer, talvez um cuidado com as palavras. O sorriso tímido, como os que Jisung dava ao conversar, a postura que Taeyong possuía ao conversar, o jeito de olhar similar ao de Yuta, o cuidado com as palavras como Doyoung. Era como se eles estivessem ali ao mesmo tempo dividindo um mínimo espaço.

Pensei em como fui burra em não perceber, mas como reconheceríamos alguém que nunca vimos?

Era surreal encarar seus olhos.

– Você está bem? – senti sua mão no meu ombro. Tentei focar no que dizia, apenas meus olhos pareciam obedecer.

– Oh, sim. – sorri ao agradecer. – Me desculpe, Jungwoo.

Ele se sentou na cadeira e deu um breve sorriso.

– Você me lembra uma deusa da mitologia.

– Qual delas? – tentei retomar a conversa.

– Atena, a deusa da sabedoria e das artes.

A voz de Jungwoo era suave demais, as vezes sua língua batia nos dentes ao formar um som mais nítido.

– Ah... – sorri sem jeito. – Não sou inteligente e nem artistas, mas agradeço pel...

– Não é o que penso, sinto que te conheço além. – olhou para baixo e depois respirou fundo. – Quando você entrou eu a senti, quando a olhei pela primeira vez você estava tentando me ajudar e mesmo que eu estivesse errando, você se arriscou no meu lugar.

– Você está falando do...?

– Do dia em que me ajudou. – me olhou nos olhos como não tinha feito antes. – Como pode ajudar alguém que não conhecia?

O tom dele me assustava, parecia sempre tão calmo e gentil.

– Estou aqui para ajudar você. – encarei seus olhos castanhos.

– O horário acabou!

Me assustei ao ver um homem de terno parado na porta do quarto.

– Horário? – perguntei ao fazer uma careta.

– Sim, o horário.

– Ele é meu paciente! – encarei o homem. – Só saio daqui quando o médico dele disser que o “horário” acabou ou quando eu bem entender.

Jungwoo deu um breve sorriso e abaixou a cabeça.

– São ordens! – disse o homem.

– De quem?

– Do diretor geral.

Quem era esse homem e desde quando ele estava mandando em tudo? Foi o que pensei na hora.

– Foi um prazer conversar com você, Jungwoo. – sorri.

– Nos vemos mais tarde, Atena.

Meu sorriso se alargou ainda mais, não sei se o motivo foi a felicidade ou a ansiedade para conversar com ele e saber mais sobre tudo que não sei. Talvez fosse apenas um sorriso.

Atena;

O nome ficou na minha mente enquanto sai do quarto, só conseguia pensar naquela vozinha dizendo Atena. Ignorei todos ao passar pela sala, minha felicidade – e nervosismo. – era tanto que até um tiro seria como nascer flores no buraco da bala.

– Eu aceito!

Sai do meu transe de felicidade ao ouvir a voz doce que veio de trás de uma árvore de eucalipto dos fundos do jardim.

– Jaehyun?

Ele estava de jaleco e com luvas, os óculos ainda presos na cabeça, parecia ter acabado de sair de um campo de pesquisas.

– Eu te digo o que está acontecendo. – sua voz estava rouca, ele olhava para os lados ao dizer. – Me encontre depois.

Sorri para ele.

– Não fique nervoso, Jaehyun. Eu gosto de você e você gosta de mim, não precisamos disso.

– Estamos falando da minha licença médica!

Ainda nervoso seu tom era o mesmo, ele parecia um típico cavalheiro.

– E da saúde do meu paciente. – concluí.

– Tudo bem... A vida em primeiro lugar, certo?

– Você é incrível! Venha ao meu dormitório, diga ao porteiro que irá me instruir em um novo projeto. – me aproximei dele e beijei sua covinha que estava aparecendo pelo nervosismo. – Meu quarto fica no segundo andar.

**

– Viu o Dr. Song por ai?

Perguntei a um estudante que passava para o prédio principal, ele apenas acenou negando.

Andei até o E7, pedi permissão para entrar e menti sobre ser uma das novas funcionárias da limpeza. Ganhei uma cara feia em resposta e logo me deram passagem.

O corredor estava vazio, não havia mais réplicas dos quadros que Taeyong fazia como da primeira vez em que fui ali. As paredes estavam vazias e as portas apenas com letras e números, do A1 ao B3.

A porta de Jungwoo estava pura, sem ao menos as placas com os nomes. Coloquei a mão na maçaneta e me assustei ao abrir. O quarto estava vazio, sem mobília, quadros ou placas em portas. Não havia nada no local onde eles costumavam ficar, me perguntei quando as mudanças ocorreram e como eles agiram àquela forma.

Um completo vazio.

Abri a porta de Jungwoo e estava do mesmo jeitinho da última vez, a cama arrumada e as coisas em seu devido lugar. O quarto de Jisung estava vazio, assim como os de Doyoung, Taeyong e Yuta. E para a minha surpresa o de Ten havia mobília e decoração, tudo bem arrumado e organizado.

O que estava acontecendo ali?!

Caminhei para o estúdio secreto de Taeyong, continuava o mesmo, com a sua mesa e seus desenhos e a pintura que havia feito nas paredes. Pensei que se tudo desse certo naquela época, eu poderia passar as tardes com eles ali.

...

Estava no dormitório quando as duas batidas na porta se seguiram de um Jaehyun me chamando baixinho. Ele estava tão lindo parecendo nervoso, as mãos dentro dos bolsos e os olhos curiosos.

– Entra! – abri ainda mais a porta.

– Obrigado! – suspirou ao passar.

– Quer uma água, um vinho, um... – encarei seus olhos.

– Merda! Você me deixa nervoso!

Sorri para ele e indiquei a cama de Sebastian para que sentasse.

– Por onde começamos? – perguntei animada.

– Por Deus, mulher! Me deixe respirar.

– Pode ficar tranquilo, Jaehyun. Caso a casa caia, eu jamais falarei de você.

Ele respirou fundo e começou a dizer.

– Fomos contratados para estudar esses novos pacientes... – encarou meus olhos. – Jungwoo é apenas uma cobaia para que possamos o comparar aos outros.

– Todas aquelas pessoas sofrem de TDI?

– Todas estão com suspeitas e o nosso trabalho é descobrir, através de Jungwoo, se estão mentindo ou não.

– Quando tiveram essa ideia?

– Logo após ele ser julgado por matar um homem e ser condenado por doença mental...

Confusão, uma completa confusão.

– Por que... Eu não entendo, está tudo tão diferente por aqui. Isso não faz sentido! Jaehyun, quando me afastei eles estavam prestes a fechar esse hospital. Por que agora o Governo decidiu criar uma cede aqui?

Ele corou e parecia querer vomitar, e então:

– Não se trava de governo. Não são apenas estudantes de medicina... São físicos, químicos... – cochichou.

– Mas que porra?!

– Estão nesse jogo tem anos, o menino foi a cobaia que deu certo! Agora estão estudando ele para fazer com os outros.

Andei de um lado para outro mantendo a minha atenção no jovem médico sentado a cama. O que ele me dizia era confuso, mas fazia 1% de sentido.

– ... – me inclinei e encarei seus olhos.

– Não vai me deixar sair sem contar tudo, não é?

Neguei.

– Esses homens estão trabalhando nisso há anos.

– Como sabe disso?

– Ouvi uma conversa entre um psicólogo, Dr. Henry e Dr. Song. Eles estavam falando de uma personalidade que deu certo.

– Uma personalidade que deu certo? A Besta?

Ele negou.

– Ten, Ten Chittaphon.

Franzi o cenho e o encarei ainda mais confusa. Eles estavam estudando Jungwoo para que pudessem descobrir novas personalidades em pessoas com problemas mentais no momento. Mas o que Ten tinha a ver com isso?

– Vou explodir pela confusão!

– Me contaram que você é inteligente, pensei que pudesse resolver essa charada.

– Não me ofenda. – me levantei. – Está no meu quarto sem que ninguém saiba, já movi um corpo sem que ninguém percebesse.

Ele estremeceu.

– Não conheço muito bem os supostos diretores Henry e Song, mas sei que eles estudaram Jungwoo durante anos e não foi para ajudá-lo a lidar com as personalidades...

Era claro! Bati na minha testa pela burrice. Song sempre deixou claro que Jungwoo havia sumido entre as personalidades, mas nunca assumiu querer trazê-lo. Ele não estava me fazendo procurar Jungwoo e sim escondê-lo ainda mais. Porque se eu trouxesse razão para que as personalidades sempre se assumirem; não haveria espaço para a real. Espera, por que ele trouxe Jungwoo ao tribunal?

– Você está bem? – Jaehyun se levantou e pousou as mãos em meus braços.

– Sim! – respirei fundo. – O que o Johnny sabe?

– Ah não! – se afastou gesticulando. – O acordo é entre nós dois, isso não inclui ele.

– Ele sabe de tudo, não é?!

Óbvio que sabia! Johnny era o único que cuidava dos arquivos e ainda continuava ali, com Mark preso, era mais fácil o manter dentro do Hospital.

– O que Johnny te ofereceu pelo silêncio?

Ele negou e foi em direção a porta, corri e parei entre os dois.

– Por favor, não faça de mim um fofoqueiro.

– Jae, eu me enfiei aqui pelo dinheiro, era para ser apenas alguns dias e isso se tornou um mês e se passou um ano! Não sei como consegui me envolver tanto nesse assunto, sou apenas uma jovem estudante louca para se formar e que tem um filho para cuidar. Me apeguei a esses meninos como se fossemos uma família, eu sofri por eles e sofreria mais. São apenas personalidades vítimas da maldade humana, era apenas uma criança se protegendo do pai. Como pode ficar tranquilo sabendo que uma vida se desfaz simplesmente porque outras pessoas querem encher seus papéis de pesquisas e informações? Eu não sei quanto aos outros, mas não irei embora daqui enquanto não descobrir o porque Jungwoo nunca se curou.

Ele ficou em silêncio por um momento e me abraçou.

– Johnny não te dirá nada... – sussurrou. – Mas isso não significa que outra pessoa não diga.

Me afastei dele e semicerrei os olhos.

– Mark?

– Ele é o único que não está impedido.

...

Após liberar Jaehyun e amolecer seu coração para que não contasse ao Johnny sobre a conversa, fui de encontro a Taeyong que disse que havia algo para me mostrar.

Por sorte, era ele quem estava no quarto, com os cabelos bem penteados, calça jeans, blusa branca e all star. O único homem na sala o chamou e o trouxe até mim, sorri ao vê-lo bem de perto novamente e esperei para que ele fizesse a primeira ação. E então ele se curvou, logo se levantando com um pequeno sorriso.

– Para onde vamos? – perguntei tentando parecer animada e escondendo a angústia.

– Para o jardim!

Ele sorriu ao passarmos pelas portas do prédio, a luz do Sol fazia com que sua pele branquinha brilhasse, era quase irresistível a olhar sem tocar.

Ele deu um breve sorriso amigável, esticou a mão para mim e eu a peguei. Sua mão estava quente e fria ao mesmo tempo, ele parecia nervoso e mais agitado que o normal.

– Taeyong? – o chamei baixinho.

Ele se virou e me encarou.

– Hm?

Tentei dizer algo, mas foi impossível. As palavras se recusavam a sair e por fim:

– Você está lindo hoje.

Ele sorriu mostrando os lindos dentinhos e então assentiu andando. Caminhamos por um tempo em silêncio, passávamos pela praça quando ele cumprimentou uma senhora que estava em uma cadeira de rodas. Fomos para além da Praça e algo me dizia que era aquele lugar.

– Olhe para elas. – disse ao chegarmos.

Observei o muro a nossa frente tampado por rosas vermelhas. O mesmo muro que ele havia me levado na primeira vez que nos vimos, de onde saiu a rosa branca com espinhos venenosos.

– Ten pediu a Peter Song que trocasse as flores.

Sorri, soltei nossas mãos e me curvei arrancando uma rosa e a entregando para ele.

– Pegue, é o mínimo que posso te dar.

Ele pegou a flor vermelha escura como sangue, quebrou os espinhos e a colocou atrás da orelha esquerda.

– Você está lindo!

– Obrigado!

Ficamos nos encarando por um tempo. Era difícil decifrar o que ele estava pensando, poderia ter vários pensamentos de uma só vez. Já a minha mente estava distante, não muito distante dali, estava em uma sala onde A besta se manifestou por obrigação e matou o homem em meu lugar.

– Ei! – ele estalou os dedos.

– Me desculpe! – olhei para o relógio do meu pulso e já havia passado de 12h. – Quer almoçar comigo?

...

Todos os olhos foram direcionados a nós dois. Taeyong parecia distraído olhando para a quantidade de comida a sua frente. Jaehyun me encarava dos fundos do refeitório, ousei em mandar um beijinho para ele que me respondeu com um pequeno sorriso.

– Yuta queria te ver.

Me assustei com a voz de Taeyong.

– Sinto a falta dele.

– Ele está um pouco chateado agora.

– Por que?

– Disse que te viu conversando com um médico bonito hoje.

Me engasguei com o arroz e o encarei.

– Como assim?

– Ele estava caminhando e viu os dois.

Como sempre, só dizendo o necessário.

– Ah, Jaehyun é apenas um colega.

– Ah... Ele disse que parecia que iam se beijar.

Cocei a cabeça e arregalei os olhos.

– Claro que não! Somos apenas amigos.

– Não eram colegas?

– Somos conhecidos, meio termo. Sabe, não é?

– Não precisa ficar nervosa!

Balancei a cabeça rapidamente negando.

– Não estou!

Ele ficou em silêncio e continuou comendo, levantou a cabeça com as sobrancelhas arqueadas. Desviei meu olhar e encarei Jaehyun que agora parecia conversar normalmente com Johnny.

– Então é verdade a história do namoro...

– O que?! – olhei para ele. – Não! Que história é essa?

– Você sabe que só digo o que me dizem.

– Ji-Jisung, não acredite neles!

– É uma pena não confiar em mim... – olhou para o prato e dramatizou. – Tinha tanto para lhe contar.

– O QUE?!

– ... – suspirou. – Colocaram médicas bonitas para conversar com a gente... – dizia olhando para o prato.

– Bonita o quanto?

– Muito bonita... – sua voz era carregada de emoção

– O que elas queriam?

– Saber sobre o que eu gosto de fazer, ouvir, ver e falar.

– Só isso? – fiz uma careta ao perguntar.

– Depois elas conversavam com a gente sobre isso... Até me deu um sorvete. – ficou vermelho. – Mas só foi isso. Doyoung que...

– QUE O QUE? – me inclinei sobre a mesa para ouvir melhor. – Diga, Jisunguinho.

– Ele recebeu uma visita íntima, não pude saber quem era. Taeyong disse que eu deveria ficar de fora dessa.

Era óbvio! Ele sabia que Jisung iria contar.

– Quem o visitou? Uma médica? Enfermeira? Alguém da família? Uma psicóloga?

Ele levou o garfo cheio a boca e apontou indicando que não poderia dizer por causa da comida.

– Se me contar. – olhei em volta. – Prometo jogar com você.

– As enfermeiras fazem isso! – disse com desdém após engolir.

– Te levar para andar de skate!

– As enfermeiras também fazem isso. – colocou o garfo novamente na boca.

Mas que inferno! O que mais essas mulheres faziam?!

– Eu te dou o que quiser! Pronto, satisfeito?

Ele negou com a cabeça e continuou comendo. Fechei os olhos e respirei fundo.

– Queria mesmo era um... – abri os olhos acompanhando sua fala. – Beijinho de alguém bonito.

Me engasguei com a saliva. Desde quando ele tinha ficado assim?

– Não posso resolver isso, sinto muito.

– Nada feito! – com desdém mais uma vez e voltou a comer.

– Não há mais nada que queira? – tentei o convencer. – Um beijo é algo tão simples.

– Por isso demorou para beijar o Yuta?

– MENINO!

– Quero um Xbox!

Ele não me olhava nos olhos, apenas soltava as palavras no ar.

– Certo!

– O que quer saber?

– Quem visitou Doyoung.

Jisung não parecia muito tímido ao falar, apenas quando arrastava o som das palavras. Suas ações, como sempre, escondidas em pequenos objetos de distração.

– Não sei muito sobre isso, mas Taeyong hyung...

– Hyung? – pensei em voz alta, ele realmente estava usando o hyung?

– Ele disse algo sobre Ko...Ko... – sua voz falhou e a expressão sumiu. – Comida! – o sorriso mudou.

– Comida, entendi. – fiz uma careta. – Está gostosa?

– Muito! – disse ao levar o garfo a boca. – Muito.

– Quem te visitou, Doyoung? – perguntei séria.

Seus olhos vieram de encontro ao meu, ele moveu a cabeça um pouco para o lado e sorriu, logo voltando sua atenção ao prato.

– Me responda!

– Por que eu deveria? – sua voz era calma e afrontosa.

– Porque eu quero saber!

Ele soltou uma risada e continuou olhando para o prato que agora estava quase vazio.

– Eu amo legumes, cenouras não me agradam.

Meus nervos estavam agitados, ele estava tentando desviar a minha atenção. Empurrei o prato para o lado e me inclinei mais uma vez para encará-lo nos olhos. Sua pupila estava dilatada e a visão ainda mais negra.

– Me diz, quem veio te ver.

– Não-é-da-sua-conta! – ditou as palavras.

– Se não é importante, por que não posso saber?

Estava ficando quente, meu olhar ainda mais semicerrado e o dele tranquilo.

– Você não precisa saber de tudo.

– Tem certeza de que não irá me contar?

– Absoluta!

Senti meu corpo recuar, Jaehyun estava me puxando para trás. O refeitório estava vazio, apenas alguns guardas por ali.

– Algum problema?

– Não. – respondi Jaehyun, olhando para Doyoung.

– Eu sou Kim Doyoung! – ele mudou completamente ao cumprimentar Jaehyun.

– Dr. Jung. – Jaehyun sorriu para ele.

Doyoung me ignorou completamente.

– Como está hoje?

– Bem e você?

– Ótimo... – sorriu. – Como foi o trabalho?

Ele mantinha o contato visual.

– Bem, eu acho. Não tão trabalhoso quanto na semana passada.

– Imagino! – sorriu. – O que fizeram de tão cansativo? Ultimamente o trabalho tem ficado cansativo por aqui.

Permaneci em silêncio para ver até onde ele iria.

– Pesquisas, exames...

– Nada de novo?

– ah, tive que encontrar alguém.

Doyoung me olhou e piscou.

– Imagino que deva ser cansativo, Jaehyun. – o chamou pelo nome. – Agora se me dão licença, queria voltar ao dormitório.

Ele se levantou e caminhou para a porta onde me esperou. Olhei espantada para Jaehyun que em poucos segundos deu informações a Doyoung sem que percebesse. Ele havia acabando de manipular indiretamente alguém na minha frente.

– Tenho que levá-lo para o quarto. – disse a Jaehyun. – Nos encontraremos em breve.

Respirei fundo e acompanhei Doyoung, caminhamos em silêncio durante todo o percurso. Me mantive calma e levando para ver qual rumo ele iria tomar. E depois que ele entrou no quarto e foi em direção aos livros, eu parei na porta e encarei suas costas.

– Foi Kora quem veio te visitar. – disse por fim.

Ele se virou tão rapidamente que pude ver sua cara de assustado, antes que se corpo chegasse perto do meu, fechei a porta o trancando.

Não sabia o porquê da visita dela ou como ela foi parar ali, mas graças as cartas de Mark pude perceber que a ex namorada de Doyoung não era uma peça solta em nosso jogo, era mais uma com destino e convicção. Não era uma obra do destino e sim dos homens dali.

Ao chegar na sala, encarei Doyoung olhando para a frente sério. Eu sentia que ele sabia que eu estava ali. Me aproximei do rádio perto da parede e disse pela última vez:

– Até quando tentará me enganar?

A minha voz não saiu somente para Doyoung no quarto, ela foi direcionada as salas secretas presentes ali e onde quer que Song e Henry estivessem, eles receberiam o meu recado.


Notas Finais


https://www.spiritfanfiction.com/historia/era-uma-vez--nct-doyoung-12074532

https://www.spiritfanfiction.com/historia/era-uma-vez--nct-doyoung-12074532

Eu amei tanto escrever esse continho que nunca imaginei que pudesse chegar ao fim. Quem escreve sabe o quão nos apegamos as historinhas, ainda mais quando elas são escritas por nós. Fragmentado não irá acabar nos 30, porque temos uma série de coisas para desvendar, mas como eu não separei os capítulos ainda, não sei se passa dos 40. Uma fanfic que deveria ter apenas 5 capítulos para representar cada ano, me consumiu por inteiro.
Por que estou dizendo isso? Não sei! Sushsuhsushss mas queria conversar um pouquinho com vocês.
Um segredo: o capítulo final eu ainda não escrevi, pois não sei a proporção que isso nos levará, talvez ele venha antes que o esperado.
Vocês imaginam algo para o final? Não me diga algo grandioso - por favor! - apenas uma ação que gostaria que acontecesse (não garanto que irei colocar).
Obrigada pelos comentários! Eu amo ler o quão louco eu deixo vocês com as teorias que nunca tem fim. Agradeço de coração.
As vezes me pego lendo dos primeiros até aqui. Se você é um leitor fantasma, saiba que é muito bem vindo, não precisa comentar, a sua visualização é uma dádiva para mim ♡
ME DESCULPEM PELA NOTA GRANDE, FOI A ÚNICA FORMA QUE PENSEI DE ME COMUNICAR COM TODOS VOCÊS.
NOS VEMOS EM BREVE?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...