História Fragmentos de cosmo - Capítulo 33


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Categorias Saint Seiya
Personagens Hades, Hyoga de Cisne, Ikki de Fênix, Pandora, Poseidon, Saori Kido (Athena), Seiya de Pégaso, Shiryu de Dragão (Shiryu de Libra), Shun de Andrômeda, Thetis de Sereia
Tags Drama, Hyoga De Cisne, Ikki De Fênix, Saori (athena), Seiya De Pégasus, Shiryu De Dragão, Shun de andromeda
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Palavras 3.237
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, queridos!
Chegando feriado de meio de semana...
Espero que curtam o capítulo, foi escrito com muito carinho, vocês sabem que eu não consigo deixar Shun e Hyoga separados muito tempo.
Dessa vez, não foi insônia (viu, Isa! rsrsrs)
Foi saudade, mesmo.
Bijinhos!

Capítulo 33 - Desculpas


Fanfic / Fanfiction Fragmentos de cosmo - Capítulo 33 - Desculpas

Depois daquele dia, no hospital, o que Ikki estava realmente tramando?

Perguntava-se Hyoga, enquanto fitava o gelo de seu golpe transformando-se em água sobre a areia, ante os pequeninos fragmentos de fogo que derretiam seus cristais.

Antes que pudesse conjecturar algumas respostas, percebeu Saori e Shun deixando o restaurante, caminhando apressados em sua direção, seguidos de Seiya e Shiryu, e por Minu e Shunrei, logo atrás.

Pelo jeito, teria que explicar o que acontecera e o que menos desejava naquele comento era conversar. Franziu o cenho e suspirou profundo, dando voz ao primeiro pensamento lhe que vinha à mente.

– Que belo início de noite...

-----*-----

A primeira coisa que todos perceberam, ao atravessarem a rua entre o restaurante e a praia, foi o rastro de cristais de gelo que descongelavam na areia. Para os cavaleiros, aquilo significava que o aquariano havia usado seu cosmo contra alguém, contudo, Miho e Shunrei não eram capazes de sentir o cosmo inquieto de Hyoga, apenas vislumbravam o que parecia ser as consequências de uma luta.

Shunrei, pela experiência que vivenciara junto ao Mestre Ancião, logo percebeu que se tratava de um assunto importante, visto que Hyoga ainda mantinha os punhos cerrados e de costas para eles, fitando o mar. Imaginava não mais haver perigo real, pois haviam saído vitoriosos da batalha na Grécia. Segurou a mão da amiga Miho, que estranhou.

– O que é isso, Shunrei?! Me deixe ir!

– Não é preciso. Deixemos os rapazes se resolverem... Vamos voltar ao restaurante.

– Mas o Seiya... 

– Não se preocupe... O respeito dele nunca deixaria que agisse diferente. Eles não compartilham dos mesmo mundo, se assim podemos dizer...

– Como você... – perguntava a jovem amiga de Pégasus, estancando os passos que seus pés ainda teimavam em seguir.

– Sei que seus sentimentos por Seiya se assemelham aos meus por Shiryu... Não há o que temer... O olhar dele para Saori é de respeito, às vezes até de implicância, sabe como ele é, nunca gostou realmente da companhia dela. Ao contrário de você, que sempre esteve ao lado dele em todos os momentos. Para você, ele olha diferente...

– Mas... Ele quase morreu por ela...

– Eles têm a função de protege-la, Miho... – Explicava com paciência a moça chinesa. – Lembre que ela representa a deusa Athena... Por isso, eles são seus cavaleiros. O Mestre Ancião explicou-me que sempre que a deusa da justiça reencarna, novos cavaleiros nascem para cuidar de sua segurança e da segurança da Terra.

– Então, Shunrei... como competir com alguém como ela?!

– Não existe competição... A sua relação com Seiya é totalmente diferente da relação que Saori tem com ele. Para você, ele é alguém especial, mais que um amigo. Para Saori... ele deve ser apenas um dos oitenta e oito cavaleiros que lhe devem respeito.

– Eu não queria... Eu não quero perde-lo, novamente.

– Não vai perder... Vamos entrar, tomar aquela sobremesa que eu adoro!

– Kakigōri?

– Sim! – Respondia Shunrei, mudando o tom da conversa. – Eu prefiro de cereja, e você?

– Não sei... faz tanto tempo que não experimento...

– Então vamos provar todos os sabores que o restaurante tiver! Afinal, Saori organizou esse jantar para nós todos! – Exclamou Shunrei, entrando com a amiga no restaurante, a fim de tranquiliza-la e deixar os rapazes e Saori resolverem o que houvesse acontecido naquela praia com Hyoga.

Essa era a educação que o Mestre Ancião ensinara à chinesa. Haviam coisas entre cavaleiros que deveriam ser respeitadas. Por mais que o impulso da jovem fosse interferir no treinamento do jovem libriano ou de ir atrás de Shiryu sempre que este se ausentava dos cinco picos, o Mestre lhe explicava que tivesse paciência e esperasse, pois não era tão fácil machucar jovens dotados de cosmos poderosos como aqueles cinco rapazes.

Sua amiga Miho não havia recebido aquelas orientações e Shunrei compreendia a angústia da moça, afinal, Seiya era como um corcel liberto de qualquer espora e aquilo trazia insegurança à menina que vivera para o orfanato que a acolhera.

O libriano, perspicaz, percebeu que Shunrei havia arrastado Miho para dentro do restaurante novamente, e respirou fundo, aliviado. O que fosse que havia acontecido, provavelmente não machucaria as duas moças que estavam mais protegidas no estabelecimento que ao ar livre. Entetanto, nao seria bom arriscar... Percebendo o olhar esbugalhado de Seiya, tomou a frente do amigo, tocando-lhe o ombro e chamando-lhe. Estavam um pouco atrás de Saori e Shun, que já haviam chegado próximo do aquariano.

– Não se inquiete tanto...

– Olha só, Shiryu! A areia ‘tá toda congelada!

– Eu sei. Posso perceber o cosmo agitado de Hyoga. E acho que sei a causa. Veja...

O rapaz apontava para a trilha de gelo formada na praia, que descongelava sob pequeninas fagulhas acesas como se ali crepitasse brasa incandescente.

– Ikki...

– Isso mesmo. Agora precisamos compreender o que ele veio fazer aqui.

– Deve ter vindo falar com o Shun! – Exclamava Seiya, preocupado.

– Não parece... – expressava o libriano, com certo pesar na voz. Conseguia perceber, pelo cosmo, a irritação de Hyoga e o cuidado com que amigo virginiano se aproximava, chamando de forma suave.

O loiro mantinha os punhos cerrados e o rosto na direção do mar, mesmo percebendo os amigos que achegaram-se, preocupados.

Shun foi o primeiro a se manifestar, cuidadoso.

– Como você está, Hyoga?... Você está bem?... – inqueriu o mais novo, aproximando sua mão direita do punho esquerdo do amigo. Iria tocá-lo, mas o outro foi mais rápido e retirou o braço, respondendo, ríspido.

– O que você quer?!

Todos perceberam de imediato a irritação do amigo, entretanto, a preocupação era maior.

– Queremos saber o que houve... Seu cosmo se alterou tanto, e essa situação aqui na areia... O que houve, Hyoga? – Era a vez da voz doce de Saori tentar demover o rapaz daquele aborrecimento. – Foi por causa da presença de Ikki?

A esta pergunta, o aquariano não conseguiu manter sua altivez e virou-se de frente para os quatro, deixando à mostra o canto da boca ferido pelo soco que recebera do leonino.

– Você sabia do Ikki, Saori?

– Sempre senti o cosmo dele por perto, desde quando fugiu do leito e do doutor Asamori... Contudo, preferi respeitar a forma dele de agir, ele sempre foi mais arredio e nunca gostou de estar entre nós. Sabia que, em algum momento, poderia causar alguma confusão... – confessou a jovem deusa, meio sem graça, ao ver o lábio machucado do rapaz. – Ainda estou me habituando com algumas... bem... características do meu cosmo... Me desculpe...

– Também tem algum segredo para compartilhar, Shun?! – interpelou Hyoga, com o olhar celeste estreito na direção do virginiano, que baixou a cabeça e suspirou fundo.

– Tenho sentido Ikki por perto desde aquele dia quando acordei no hospital... Só não sei porque vocês acham que eu... – Interrompeu o mais novo, com receio de expressar suas dúvidas.

Eram amigos, afinal. Não havia motivos para guardarem segredos uns dos outros. E Shun já não conseguia mais conter aquela angústia que lhe apertava o peito desde que ouvira Hyoga dizendo que seria esperado que desertasse.

– Fale, Shun, você está entre amigos, parceiro! – Estimulava Seiya. – Que foi, Shiryu? Ai! Não precisa me dar cotovelada!

Saori olhava para os dois, sem entender o que acontecia.

– Você é muito linguarudo, Seiya. 

– Não sou nada! Vocês que gostam de sacanear comigo!

– Chega! – indiginava-se Hyoga. – Vamos, Shun. Diga a eles o que me disse lá dentro do restaurante!

Ao olhar expectante de Saori e dos amigos, Shun começou a explicar-se, nunca gostara de guardar segredos e aquela era uma boa oportunidade de aliviar seu coração angustiado.

– Enquanto Saori estava no banheiro, eu... Eu disse para o Hyoga que talvez houvesse alguma razão em distanciar-se... E que, se Saori nunca havia considerado meu irmão um desertor, talvez se eu fizesse o mesmo que ele... talvez vocês ficassem melhor, talvez... Estou dando tanto trabalho...

– Do que você está falando, Shun? – foi a vez de Shiryu intervir, não compreendia bem o sentimento que o amigo expressava. – Você nunca deu trabalho nenhum, sempre nos ajudou, nos confortou com suas palavras carinhosas, sempre confiamos Saori a você, quando saíamos em missão...

– Escutei vocês conversando na fonte em frente à mansão, mais cedo... – e virando-se a mirar Hyoga com o olhar marejado, completou. – Você disse a eles que seria esperado que eu desertasse por nunca ter gostado de lutar. Vocês três devem me achar um fraco por ainda não ter me recuperado totalmente...

– Caraca! Agora, eu que não ‘tô entendendo nada! – Seiya coçava a cabeça, enquanto procurava uma explicação em Shiryu ou em Hyoga. Saori observava a conversa, esperando a resposta de um deles àquela revelação de Shun. Agora conseguia entender o porquê da melancolia que sentira no cosmo do amigo virginiano mais cedo, enquanto ele a consolava em seu desabafo pessoal.

– Escute, Shun... O Hyoga estava apenas...

– Não preciso que ninguém justifique minhas atitudes, Shiryu. – E, virando-se para o mais novo, encarou-o, sério. – Eu disse exatamente o que você escutou, Shun. Disse que era esperado que você desertasse por não gostar de lutar. Você nega que pensou em seguir os passos do seu irmão?

– Não, eu... Talvez, por um momento... Sim, mas... – tentava explicar-se o rapaz quase em lágrimas. – Pensei isso depois de você me expulsar... De dizer que precisava ficar sozinho e que não precisava de mim... Depois, tive um sonho estranho enquanto descansava no bosque... E então, escutei vocês conversando na fonte... Pensei que estava sendo apenas um estorvo para vocês...

A cada frase, Shun respirava fundo, segurando-se para não cair em lágrimas na frente de todos, principalmente de Hyoga.

– Eita! Que bagunça você fez! –  Exclamou Seiya. – Você sabe que o Hyoga é o mais mal humorado de todos! Não leva a sério isso, não! Ele deve ter te mandado embora porque acordou irritadinho como as mulheres acordam de vez em quando quase sempre! Como se chama mesmo...

– Shunrei não é assim, não! – defendeu Shiryu.

– É sim! Você é caidinho por ela e não percebe! A Miho tem dias que me dá nos nervos! E Saori é deusa, não conta!

– Mas... e a conversa na fonte... vocês concordaram com o Hyoga...

– Outra confusão! O Ikki esteve lá no hospital e disse que ia te levar com ele! Brigou com Hyoga e tudo! – interrompia Seiya, gesticulando e apontando para diversos lados, como se soubesse a direção onde ficava o lugar do qual falava. – Foi o seu irmão que falou essa asneira, disse que ninguém ia impedir, que ia levar você, que não tava nem aí para ser acusado de deserção, que ninguém ia encontrar vocês, e mais um monte de besteiras!  

– Seiya! – repreendia o libriano.

– Ora, Shiryu! O Shun ia saber de qualquer maneira! – respondia o rapaz, dando de ombros para a bronca recebida. – Aliás, nós estávamos tranquilos! – Disse, batendo a mão espalmada no peito – Sabíamos que você nunca nos abandonaria! Sabíamos que você seria capaz de enfrentar seu irmão para proteger a Saori e ficar junto de nós!

– Então... por que esconderam de mim...

– Nós sabíamos que você ficaria muito triste de enfrentar sozinho essa situação que seu irmão criou. – explicava o libriano. – Queríamos te poupar de ficar magoado e te ajudar a lidar com esse tipo de sentimento... tantas vezes você já nos ajudou...  Além disso, acredito que você sabia, assim como Saori, que o Ikki estava sempre por perto, não é? – indagava Shiryu, depois da explicação.

– Sempre senti o cosmo do meu irmão... Nunca consegui explicar como isso acontece, mas posso sentir quando está por perto. Foi ele que esteve aqui agora a pouco, não foi Hyoga?

– O que te parece?! – devolveu Cisne, visivelmente irritado. Estava muito magoado com as palavras que ouvira de Fênix a respeito de sua mãe e, por mais que soubesse da necessidade de tirar a limpo aquele mal entendido entre eles, acabava por descontar em Shun sua chateação.

O outro, compreendendo que algo a mais havia acontecido, além de uma simples briga, suspirou fundo e, contendo as lágrimas que acumulavam-se nos olhos sem cair, explicitou com calma.

– Eu posso ver fragmentos do cosmo do meu irmão por cima dos cristais de gelo que estão molhando a areia. Por favor, me desculpem por causar esse equívoco, por envolver vocês em uma briga desnecessária...

Antes que qualquer um pudesse dizer algo a respeito das desculpas de Shun, o aquariano despejou, magoado.

– Seu irmão sempre foi e será um canalha omisso, Shun! Conforme-se de uma vez!  

Sentindo o pesar nas palavras do amigo, o mais novo não se conteve. Deu um passo á frente e segurou o punho fechado de Hyoga com as duas mãos, permitindo que as salinas gotas escorressem de seu olhar e percorressem velozes o rosto delicado, vindo a molhar o antebraço e mão do aquariano entre as suas.

– O que ele disse que te deixou assim, Hyoga? Me desculpe, por favor! Isso tudo é culpa minha... Não basta eu ter tirado a vida do... Eu machuquei tanta gente... Agora esse conflito... Por favor, me desculpe, Hyoga...

Alguns momentos de grande expectativa seguiram-se, enquanto Saori observava a cena, também com o olhar garço marejado. Shiryu já havia segurado Seiya e colocado uma das mãos sobre a boca tagarela do sagitariano, de forma a oferecer silêncio aos dois amigos que haviam se desentendido.

Os três sabiam da amizade singular, profunda e sincera que Shun nutria por Hyoga e este pelo mais novo, e sabiam, inclusive, como o rapaz de cabelos castanhos conseguia abrandar a alma do cavaleiro de bronze considerado mais frio e distante, conseguindo aproximar-se e tocá-lo sem petrificar ante àquele olhar índigo penetrante.

O aquariano resistiu o quanto pôde aos pedidos de desculpas daquele que considerava seu mais querido e melhor amigo. 

Era como se seu coração descongelasse novamente, como acontecera na sétima casa do Santuário, onde morreria no esquife de seu mestre Camus se Shun não o alcançasse com seu cosmo repleto de calor e o trouxesse de volta à vida plena.

(...) cuide daquele que foi seu esteio na infância solitária que viveu aqui no Japão.

A frase de Ikki ecoava na mente do loiro de forma diferente enquanto escutava a voz de doce e angustiada de Shun, que lembrava-o do amor fraterno que sentia por aquele rapaz que lavava sua mão com as próprias lágrimas...

Permitiu, então, que seu coração gelado esmaecesse.

Em uma ação veloz, Hyoga soltou o punho molhado que estava entre as finas mãos de Shun, e puxou o corpo do mais novo para junto do seu, envolvendo-o em um apertado abraço.

O rapaz instantaneamente retribuiu, apertando o aquariano e afundando o rosto em seu peito, chorando copiosamente uma miscelânea de emoções guardadas. Uma sensação de alívio inundava sua alma cândida ao sentir novamente o amparo daquele que seu coração escolhera amar.

O impaciente Pégasus, desvencilhando-se do amigo Dragão, logo alfinetou, sorrindo.

– Ah... Que coisa mais bunitinha! Fizeram as pazes! – Recebendo, naquele momento, um bom puxão de orelha de Shiryu, que também sorria, assim como Saori, ao ver os dois amigos abraçados. – Será que a gente pode, finalmente, voltar e terminar de jantar? Não vim nesse restaurante pomposo para sair com fome!

– Cala a boca, Seiya! Vamos! – Exclamou o libriano, puxando o outro pela orelha, sendo seguido por Saori, que ainda sorria, feliz com a resolução daquele mal entendido e com a fisionomia de Seiya que reclamava do amigo, mais por implicância que por descontentamento...

Os três, mais tranquilos com aquela cena de reconciliação que presenciaram, atravessavam a rua estreita em retorno ao estabelecimento e deixavam os dois amigos abraçados de pé na areia úmida da praia.

Hyoga mantinha Shun enlaçado junto a si, enquanto esperava que o mais novo se acalmasse. Sabia que algo estava incomodando o mais novo, mas não podia imaginar que tantos sentimentos estavam se amontoando dentro daquele coração bondoso.

Quando finalmente estavam sozinhos, o aquariano girou devagar o corpo com o virginiano ainda enlaçado, de forma a ficarem com os rostos virados para o mar, para suspirarem o ar salgado, e acariciou os cabelos sedosos cor de linho que voejavam com a brisa que soprava.

Sorvendo aquele aroma floral tão peculiar, como fazia quando eram crianças, Hyoga tentava acalmar o mais novo em um suave balançar, enquanto a aragem secava a graciosa face das lágrimas vertidas, assim como formava ondas que quebravam em brumas na beira-mar.

O aquariano sabia que aquela brisa e aquele som eram como calmante para Shun, assim como a visão da lua, mesmo que em sua silhueta quase inexistente, em fase minguante, e das constelações que brilhavam ainda mais pela ausência da luminosidade do satélite natural refletindo Apolo.

Ficaram ali, de pé e abraçados, até que o pranto convulsivo do rapaz se transformasse em soluços esparços e a respiração tornasse mais calma, como a acompanhar a inspiração e expiração lentas do Siberiano.

Percebendo menos angústia no cosmo do mais novo, Hyoga murmurou ao ouvido daquele que sempre estivera a seu lado quando mais precisara.

Izvinite, moy Sólnêchka... [1] Izvinite... Por favor, não se vá... Eu não aguentaria isso tudo sem você ao meu lado...

Entretanto, Shun não era capaz de escutar com clareza o que o outro lhe dizia.

Ainda soluçava e os ouvidos incomodavam-no com um zumbido, talvez causado por toda aquela emoção imprevista. Seu corpo ainda não estava recuperado totalmente da intoxicação das rosas de belo cavaleiro da décima segunda casa e aquela descarga súbita de adrenalina turvava-lhe os sentidos.

Mesmo sentindo-se em leve torpor, sabia, pelo ressoar do cosmo do amigo com o dele, que Hyoga não estava mais magoado. Pelo menos, não com ele...

Percebendo que a harmonia entre eles retornava, o mais novo acalmou-se e o efeito de tamanha comoção fez com que suas pernas fraquejassem e a visão escurecesse por um momento, sendo amparado no abraço forte do aquariano, que brincou, desanuviando de vez o clima tenso que ficara para trás.

– Ei! A noite está apenas começando, ainda temos muito a conversar e os fogos de artifício só vão estourar mais tarde...

– Estou bem... Não foi nada... –  Disse Shun, forçando as pernas para não apoiar-se tanto no amigo.

– Sei... Conheço essa história... Vou te levar pra comer algo salgado...

– Você ainda não disse que me perdoou...

– E você não me contou direitinho que aconteceu depois que você e Seiya seguiram para Peixes, no Santuário.

– Disso, eu não queria conversar tão cedo... Mas você não disse que me perdoou, Hyoga...

– Não há nada que perdoar. Depois colocamos esse papo em dia, então. Agora, vamos a um assunto mais importante. Você não tocou em nada desse jantar. Se não comer alguma coisa, não haverão kakigōris de morango. – com esta última frase, o aquariano conseguiu um belo e charmoso sorriso em retribuição. 

– Ah, não... Eu já jantei... A senhora Yasuko me fez jantar na mansão antes de sair... – reclamou Shun, fazendo um bico infantil e fofo, ainda abraçado a Hyoga.

– Eu não vi. Então, não vale.

– Vale sim...

– Só vai ganhar kakigōris de morango se comer alguma coisa salgada antes.

– Ah... – reclamava Shun, entrando na brincadeira e rindo com a cabeça afundada no peito do amigo. – Isso não é justo...

– Vou cuidar de você. Eu prometi, lembra?

E, de algum lugar esquecido da memória, emergiu a lembrança daquela promessa que Hyoga fizera a Shun quando ainda eram crianças. [2]

Se Camus havia lhe afastado o túmulo daquela que lhe deu a vida para lhe despertar os poderes ocultos de seu cosmo, sua mãe havia se antecipado e lhe enviado um anjo de olhos esmeralda para que sua estada no mundo nunca mais fosse solitária.

[1] Izvinite, moy Sólnêchka... – Desculpe, meu solzinho...

[2] Uma referência ao capítulo 06, Filhos das Estrelas.

(Continua...)


Notas Finais


Espero que tenham curtido.
Um abraço carinhoso a todos e um ótimo feriado!
Bjs! ;-)


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