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História Frailty - Capítulo 1


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Notas do Autor


Essa three shot foi minha primeira obra postada em minha conta no Wattpad (com o mesmo user), em 2018. Então estejam cientes que é um clichê numa escrita bem simples.

Espero que gostem!

Capítulo 1 - Um



– Você provavelmente chamará mais atenção que as líderes de torcida. – escutei a vozinha estridente de Jimin e logo me deparei com o loirinho todo vestido com as cores do time de nossa universidade. – É sério Tae, suas pernas ficam um absurdo nessa calça.

Revirei os olhos para tamanho exagero, mas não contive um sorriso satisfeito. Afinal, eu não havia vestido meu melhor jeans, minha camisa mais cavada afim de exibir a clavícula, aquela jaqueta vermelha e logo demorado tanto para fazer aquela maquiagem leve com listras vermelhas e brancas nas bochechas, para que não fosse notado. Eu queria atenção e queria a de alguém em especial.

– Obrigado, Jiminie. Você também está lindo. – dei um beijo em sua bochecha gordinha, sendo agraciado pelo seus olhinhos espremidos num sorriso bonito. – Vamos entrar? Seokjin e Yoongi estão nos esperando.

Hoje seria o jogo que levaria o time da nossa universidade para as estaduais de futebol americano. Acho que não preciso dizer o quão lotada estava a passagem para as arquibancadas. Uma grande multidão branca e vermelha, rostos pintados e pessoas se empurrando, a grande parte delas levando cartazes.

Jimin e eu nos dirigímos pela entrada principal com ele tagarelando sobre o quão excitante era tudo aquilo e eu não poderia discordar, toda aquela algazarra me deixava eufórico também. No entanto, não podia negar que minha ansiedade levava em conta outra questão. E essa questão tinha nome, sobrenome, sorriso cafajeste e uma capacidade absurda de me fazer gozar como ninguém.

Jeon Jungkook.

Ele era o capitão do time. Cabelos negros, físico estupidamente bem trabalhado, inegavelmente o tipo de cara que todos querem ter na cama e que muitos da universidade já tiveram. O típico popular que andava cercado por garotas com maquiagem demais e roupas de menos, que participava das melhores festas e tirava as piores notas. Tudo isso junto ao seu maldito rosto bonito e jeito extremamente envolvente transformou Jungkook no cara mais popular de toda uni. E tudo se intensificou quando o mesmo fora colocado como capitão do time mesmo sendo novato, desbancando muitos veteranos que cobiçavam isso há tempos. Jungkook conquistou em seu primeiro ano.

Eu me lembro da primeira vez que bati os olhos em meu inferno pessoal. 

Naquele dia Seokjin conseguiu me levar – lê-se arrastar – para a festa de alguma fraternidade veterana. Era para comemorar o início das férias do meio do ano e era aquela típica bagunça de corpos suados, drogas, sexo e muita, muita bebida.

Não sei bem se deveria agradecer Seokjin ou jogá-lo de uma janela por ter me deixado ir buscar bebida sozinho em algum momento da festa. Mas foi quando esbarrei num cara claramente alterado com os braços sobre os ombros de um outro garoto. Ele pediu desculpas e elogiou minha blusa, mas não tenho certeza se consegui responder algo audível e decente – o medo de abrir a boca e soltar um palavrão era enorme. O cara era fodidamente bonito com sua jaqueta do time e pernas tão torneadas e quentes. Mas , de qualquer forma, não passou disso.

Ao menos não naquela noite.

– Terra chamando Kim Taehyung. – Jimin sacudiu seus dedos gordinhos em frente ao meu rosto e constatei que provavelmente já havia sido chamado algumas vezes anteriormente àquela. – Eu perguntei onde os garotos estão, mas você estava aí com essa cara de tapado. Aposto meu traseiro que estava pensando no capitão.

– Cale a boca.– estapeei seu braço. – Eles estão mais perto do campo, Jungkook guardou um lugar pra gente.

– Deus, ele guarda lugar pra você! Vocês são muito namorados.– corei com seu comentário, preferindo não responder nada sobre aquilo. Continuamos andando na direção em que eu sabia que os meninos estariam. Jimin me olhou e riu. – Desculpe. Tinha me esquecido que esse era um assunto delicado por aqui.

Ignorei-o antes que acabasse liberando toda a minha frustração, o que provavelmente só me renderia um belo sermão que me deixaria ainda mais frustrado, já que eu sabia bem me jogaria de cara no mesmo erro novamente na primeira oportunidade.

Erro esse que venho cometendo há dois meses. Dois longos e deliciosos meses.

Revi Jungkook um pouco depois das aulas voltarem. Ele estava com sua jaqueta do time conversando com alguns amigos e eu pensei pela segunda vez o quão bem o vermelho e branco lhe caía. Os olhos negros me observaram descaradamente no campus, e em algum momento ele veio até mim, lambendo os lábios gordinhos de maneira quente, mas seu sorriso enviesado era gentil. 

Naquele dia eu soube que aquele garoto seria minha morte.

Uma semana depois eu tive suas mãos firmes passeando pelo meu corpo. Estávamos levemente drogados mas eu me lembrava perfeitamente, tanto que se eu fechasse os olhos agora mesmo poderia gemer com a sensação de seus dedos puxando meus fios novamente, seus lábios castigando minha pele e seu corpo se movimentando deliciosamente sobre o meu. Nós fodemos a noite inteira, e eu deveria, mas não consegui me arrepender um minuto sequer. Nem quando ele apareceu em meu dormitório no meio da noite seguinte e bagunçou meus lençóis novamente; ou alguns dias depois, quando aceitei que estava viciado naquele homem enquanto era estocado deliciosamente no banco traseiro do carro dele.

Com a mesma facilidade que começou, aquilo se tornou frequente. No meu quarto, no dele, nos banheiros da universidade, na sala de detenção e até mesmo na enfermaria. Nós não marcávamos os pontos de encontro, era como se nossos corpos se atraíssem como polos negativos, e quando eu recobrava o juízo minhas pernas estavam enroladas na cintura dele, aquele cheiro amadeirado já havia invadido meus sentidos e meu corpo já estava todo marcado por ele. Desde minhas coxas, com as marcas de suas mãos fortes, até meu coração.

Gostaria de dizer que era tudo sobre sexo, mas sabia que não. Era também sobre seus dentinhos salientes, sua risada gostosa, como ele ficava estranhamente carente pós-sexo, como torcia o nariz quando o assunto era estudos ou planos para o futuro, como batia palmas e mexia a cabeça quando algo lhe animava e como os olhos redondos e pretinhos brilhavam quando o assunto era seu time. Era sobre Jungkook e toda sua carga de detalhes extremamente apaixonantes.

Eu não definiria o que temos como algo fixo de fato. Ele provavelmente me definiria como uma transa casual e obviamente sem exclusividade.

Já pensei muitas vezes em lhe perguntar o que éramos, se em algum momento aquilo evoluiria ou se ficaríamos fodendo pelos cantos às escondidas e sem um propósito real. Mas eu tinha medo de acabar com o que temos, mesmo não sendo exatamente o que quero dele.

Não é como se Jungkook fizesse juras de amor falsas, então eu não tinha direito algum de odiá-lo. Nós passávamos algumas noites juntos, ele me abraçava e dava bom dia algumas vezes pelos corredores da uni, às vezes me levava um bolinho durante o almoço e beijava minha testa, mas não tínhamos contatos íntimos em público. Eu havia deixado claro que não tinha qualquer interesse em ser considerado mais um de seu harém de seguidores sedentos, e Jungkook respeitava isso. Continuava sendo rodeado por todas aquelas garotas e sendo o "manda-chuva" da universidade, atraindo todos os olhares do campus e muito provavelmente correspondendo a maioria deles.

Mas eu não poderia reclamar, em momento algum falamos sobre exclusividade e eu tinha sorte por nunca tê-lo visto sequer beijando outra pessoa. Eu o agradeceria por isso se não soubesse que não fora por consideração ou algo do tipo, provavelmente ele só não teve uma oportunidade. Mas, vergonhosamente, Jungkook tinha exclusividade, mesmo não sabendo disso. Eu não estive de forma íntima com mais ninguém depois que transamos. Não sei o quão patético isso vai soar, mas eu sentia que ninguém mais poderia me tocar da forma que ele fazia. Jungkook acabava comigo, de todas as formas.

– Eu acho que ele está me provocando, não é possível. – foi a primeira coisa que ouvi quando chegamos perto dos meninos. Yoongi parecia estar prestes a babar enquanto fitava o que identifiquei ser Hoseok, um dos jogadores do time e amigo de Jungkook, erguendo levemente a camisa enquanto conversava com alguém da arquibancada. – Se eu não agarrá-lo nos próximos minutos serei um guerreiro.

– Por que ele está suado? O jogo nem começou. – anunciei nossa chegada e apenas Seokjin nos olhou e sorriu. Aparentemente o abdômen de Hoseok era mais interessente para Yoongi.

– Eu tô falando, ele está me provocando.– o garoto de cabelos cinzas suspirou, por fim nos olhando.

– Por que não faz algo sobre isso? Fiquei sabendo que ele fica com garotos também. – me sentei ao lado de Yoongi e Jimin foi para o lado de Seokjin.

– Não sei. Por que você não diz pro Jungkook que não quer só dar a bunda pra ele? – arregalei os olhos por sua impolidez e verifiquei se ninguém havia escutado.

– Por que minha vida amorosa é sempre o assunto principal? – direcionei o olhar até a entrada por onde os jogadores passariam daqui alguns minutos, me sentindo ansioso. Eu sabia que assim que meus olhos caíssem sobre o de cabelos negros, meu coração palpitaria, meus membros derreteriam completamente e eu perderia toda e qualquer facilidade de fala e coordenação. Era sempre assim. – Não tem o que falar, Yoongi. Eu e Jungkook temos sexo, uma convivência amigável e é isso. Não há sentimento da parte dele, e da minha não importa.

Havia perdido as contas de quantas vezes os garotos já tentaram ter esse assunto comigo, mas para as pessoas de fora sempre parece mais simples do que realmente é. Eu não sou o nerd que faria milagrosamente com que o garoto popular da escola ficasse de quatro por mim e viveríamos felizes para sempre. Eu passo bastante longe de ser um nerd, então nessa história eu seria provavelmente aquele que nutre uma paixão platônica pelo cara, não é correspondido em momento algum e é chutado quando o nerd em questão aparece.

– Não importa, Tae? Você por acaso se lembra do fim de semana passado? – dessa vez foi Jimin a se pronunciar, e eu já sentia minha cabeça começando a latejar. Era pra ser um bom dia, não havia necessidade de trazer esse assunto. – Vou refrescar sua memória. Você bebeu e se jogou pelado no meu tapete chorando, disse que precisava de Jungkook e que queria ele pra cuidar de você. Isso depois de vomitar em si mesmo e beijar Yeontan dizendo que era seu Jungkookie.

Corei um pouco e o ignorei, voltando minha atenção para o campo. Eu realmente achava que não havia necessidade, eu lavei o tapete e fiz os deveres de Jimin durante a semana toda para compensar todo o transtorno.

Ouvi o loirinho murmurar algo que não entendi bem, e depois, Seokjin dizendo para eles me deixarem em paz.

Logo os gritos e assovios se tornaram mais altos, ao passo que algumas garotas sentaram ao meu lado – identifiquei Seulgi, Irene e mais uma que não me recordava o nome, mas as três tinham algumas aulas comigo. O time começou a entrar no campo e eu sorri automaticamente ao ver Jungkook com um sorriso enorme pregado no rosto, Hoseok parecia dizer algo engraçado em seu ouvido já que seus dentinhos proeminentes estavam expostos numa risada, eu só queria estar pertinho para conseguir ouvir o som. Céus, eu provavelmente vou morrer antes do primeiro tempo acabar.

Eu não tenho certeza de quando aquele garoto se tornou meu ponto fraco. Talvez tenha sido assim que nossos lábios se tocaram, ou até mesmo quando nossos olhares se encontraram naquela bendita festa. De qualquer forma, eu não sei resistir ao Jungkook e tudo que o compõe. Me praguejo diariamente por não fazer algo sobre isso, mas não era como se eu tivesse muitas opções.

Os gritos foram diminuindo enquanto os jogadores do nosso time se posiciovam, bem como o time adversário. Colocaram os capacetes e um torci um pouco o nariz me perguntando como poderiam ter gosto em participar de um esporte tão violento. Eu provavelmente choraria se fosse colocado em meio a todos esses brutamontes prestes a me darem ombradas. Só esperava que Jungkook não se machucasse.

Eu não compreendia muito bem o que acontecia durante o jogo, mas de acordo com os gritos, o primeiro tempo acabou com uma vantagem da nossa universidade, Yoongi parecia prestes a morrer ao meu lado xingando até a décima geração de um jogador que parecia estar cismando com Hoseok, os outros dois comentavam sobre o quão bruto um jogador do time adversário era, e eu só conseguia observar enquanto os times caminhavam até a lateral do campo já tirando os capacetes. Jungkook parecia ter jogado tão bem que quis descer os pouquíssimo degrais e beijá-lo para mostrar o quão orgulhoso eu estava.

Ele tirou o capacete, e vê-lo suado daquela forma aqueceu um pouco meu corpo. Aquele garoto já era lindo, agora usando aquele uniforme grudado nas coxas torneadas e com ombreiras deixando-o ainda mais másculo me fazia querer arrastá-lo para algum lugar e cavalgar nele por horas.

Jungkook pareceu sentir meu olhar queimando suas costas, já que se virou em minha direção no instante seguinte. Naquele momento eu percebi que sempre seria assim, ele me olharia e eu sentiria meus membros aquosos, meus lábios vacilando entre um sorriso e a necessidade de engolir duramente, minhas mãos suando e meu coração palpitoso me fazendo respirar profundamente, procurando a estabilidade que eu difinitivamente não tinha diante de seu olhar. 

Me perguntei se em algum momento isso pararia, se seria antes de eu me machucar definitivamente e se seria reversível. Jungkook provavelmente jamais seria meu e eu simplesmente não sabia como parar de ser dele.

Ele sorria e acenava como uma criança feliz, e eu fiz o mesmo. Jungkook gritou meu nome sem um motivo aparente e eu não consegui não rir de sua animação, meu coração aqueceu por ele parecer genuinamente feliz por me ver ali. Meu estômago revirava todo, e naquele momento eu me perguntei se talvez, só talvez houvesse possibilidade de Jungkook me corresponder ao menos um pouquinho.

Estava tão absorto em nosso momento que não notei olhos felinos nos observando com interesse.

– Taehyung? – a voz soou assim que Jungkook se voltou novamente para o time, e eles pareciam rever alguns pontos do jogo ou algo assim.

Me virei e encontrei o rosto maquiado de Seulgi franzido em minha direção, bem como as outras duas meninas que também me fitavam curiosas.

– Oi, Seulgi. – eu já estava sorrindo pela recente interação com Jungkook, então só mantive um sorriso pequeno e a direcionei de forma gentil. Ela retribuiu, mas por algum motivo não me pareceu tão sincero.

– Então você e Jungkook estão tendo algo? – agora ela mantinha um sorriso de crocodilo, parecendo genuinamente interessada em minha resposta. Eu, por outro lado, travei um pouco. 

A última coisa que eu queria era ver nosso caso – se é que pode ser chamado assim – se tornando público, e a possível descoberta sobre meus sentimentos não correspondido pelo capitão virar chacota pela uni.

Eu já conseguia imaginar as pessoas dizendo "o garoto sem graça do curso de fotografia está apaixonado por Jungkook".

– Não temos algo, somos amigos. – disse esperando que a palavra "amigos" não soasse tão ridícula pra ela quanto eu sabia que era. Ela não pareceu convencida, mas de qualquer forma transpareceu satisfação pela minha resposta.

– Oh, que bom então. Ele e eu teremos um bom momento hoje depois do jogo e eu não gostaria de ter desentendimentos com um colega de classe tão bacana como você. – engoli seco. A garota mantinha um sorriso quase mórbido, e as palavras haviam soado um tanto quanto venenosas. Mas eu não me importava, eu me importava com o significado delas.

Seulgi e Jungkook sairiam hoje. Eles ficariam hoje depois do jogo.




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