História Freak - Capítulo 9


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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoiha, Assassinato, Fobias, Psicologia, Reituki, Terror Psicológico, Violencia
Visualizações 108
Palavras 4.444
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! Olá! Olá!
Dessa vez eu não demorei tanto assim, (eu acho) mas tava procrastinando pra responder os comentários anteriores
Ainda tenho um da maravilhosa da @anquetin, dois na verdade, mas quero pegar eles com calma então já deixo essa cap aqui que depois respondo, tá more?

Espero que gostem, boa leitura

Capítulo 9 - Autopsy.


Fanfic / Fanfiction Freak - Capítulo 9 - Autopsy.

 

Antes das balas

Antes das moscas

Antes que as autoridades arranquem meus olhos

Os únicos sorrindo são vocês, bonecos, que eu fiz

Mas vocês são de plástico, assim como seus cérebros.

Godeatgod - Marilyn Manson

 

Ouviu quando a ultima pessoa do prédio tomou o elevador e foi embora, deixando cinco andares com salas comerciais para trás em total escuridão misto com corredores escuros onde a luz fraca proveniente das luzes de emergência mergulhavam tudo na penumbra. Os sensores de movimento, quando ativados, produziam sons de estalos nas lâmpadas fluorescentes, avisando até pelo menos dois andares que alguém se aproximava.

Apenas um porteiro no térreo e ele agora dividiam o mesmo prédio com diferentes razões de estarem ali; o homem do andar próximo á sarjeta encharcada de chuva que ficaria durante a noite para uma falsa vigília e Shiroyama Yuu que aguardava o último paciente que em breve chegaria.

Podia até mesmo sentir o cheiro de seu suor quando chegasse, os feromônios do medo de Akira eram quase convidativos, uma mistura amadeirada de seu perfume artificial misturado com o cheiro salgado que humano nenhum podia modificar.

Podia facilmente dizer que gostava daquele cheiro, o cheiro do medo, muito embora se perguntasse se após erradicar o medo do corpo daquele rapaz, quais seriam seus limites?

Era esta a razão que antes deveria revirar a fundo aquele comportamento psicótico de descontrole, fantasia homicida e o arrancar de seu interior como se arranca um câncer e então sim espremer toda sua essência até finalmente separar o medo de sua real natureza.

Perguntava-se se ele poderia ter uma vida normal ao fim do processo ou se tornaria um vegetal. Mas entre probabilidades e acertos, era seu primeiro teste, portanto valia a pena as consequências.

Faria aquilo que ninguém jamais fez antes, tocaria na própria maldade humana e a cortaria fora com um bisturi afiado de culpa.

Podia dizer que não se tratava de uma terapia, mas de uma autopsia moral.

Sim.

Uma autopsia moral.

A chuva que varria Tokyo ás nove horas de uma noite escura, produzia gotas contra o vidro que em contraste com as luzes de outdoors e a iluminação artificial, projetavam sombras interessantes na parede do consultório, fazendo Yuu se perder em uma tarde chuvosa há exatos vinte e sete anos atrás, quando um garoto de sete anos no Mie ainda rabiscava seus desenhos em uma folha oficio escutando a chuva cair entre a melodia já conhecida das brigas frequentes que acontecia na cozinha. Aquela tarde, porem, a discussão tomou proporções mais altas que as dos trovões lá fora e em seguida tudo se tornou um inferno.

Normalmente os sons que ouvia enquanto sua mãe o colocava fechado no quarto eram a principio, discussões verbais, palavrões vindas de uma voz masculina furiosa seguidos de gritos histéricos de mulher, as vezes a louça quebrando, moveis sendo quebrados, muitas e muitas vezes o som de punhos muito rápidos contra o tecido da carne humana que o recebia com um baque surdo, depois tudo silenciava e se tornava choro.

A noite, quando estava faminto, sua mãe aparecia na porta de seu quarto com algum hematoma pelo rosto, o roupão florido caido ao lado dos quadris estreitos como uma aparição e levava sua comida, ocasionalmente precisava sair para ir ao banheiro e via o monstro sentado na sala, a mesma roupa eterna do trabalho enquanto estava sentado á sua poltrona assistindo televisão com uma garrafa de bourboun barato em uma das mãos com punhos sangrentos, o cigarro na outra e os olhos estáticos olhando para além da televisão como se já não estivesse mais naquele mundo, mas totalmente aprisionado dentro de sua mente onde algo sempre estava acontecendo.

Shiroyama Hisoka era um homem comum, trabalhador, embora reservado, atencioso com a família que trabalhava como motorista de uma família de classe alta de Mie. Até onde Yuu podia crer, ele não era exatamente normal, mas apenas adormecido até o acidente acontecer.

Ao contrario do que a maioria pensava não foi um acidente de carro onde algo aconteceu, ele acordou pela manhã como em qualquer dia da semana, tomou seu café, ouviu as noticias do noticiário, pegou seu bento da geladeira, arrumou a gravata no reflexo do vidro da porta e rumou ao trabalho, antes de chegar lá, porem, na estação de metrô, algo lhe disse que estava sendo perseguido por entidades malignas que queriam “devorar sua alma”.

A partir daquele dia, quando agrediu pessoas e foi levado ás pressas para uma instituição psiquiátrica, ele jamais retornou a ser a mesma pessoa.

Claramente Yuu sabia que havia desenvolvido um surto psicótico, algo dentro de sua mente o fazia acreditar que estava vivenciando um tormento onde monstros, demônios, ou espíritos estavam o perseguindo. Foi detectado esquizofrênico em seguida, mas jamais tomou seus remédios.

Yuu conhecia esquizofrênicos e psicóticos, fora dos surtos eram as mesmas, exatamente as mesmas pessoas que um dia foram, no entanto seu pai não.

Aquela noite chuvosa os gritos passaram a orquestrar uma nova sinfonia cujo Yuu ainda não conhecia e depois o silencio que o fazia crer que deveria fazer o que sua mãe sempre lhe disse para fazer; trancar a porta.

Mal feito isto, a maçaneta passou a se mover para os dois lados, os palavrões que ele sabia proferir foram sendo ditos um a um e para um garoto de sete anos que vivia apavorado, Yuu tomou a melhor iniciativa quando abriu a janela e saltou, a tempo de ver um homem fora de si arrombando a porta coberto de sangue como um monstro.

Os olhos dos dois se encontraram por menos de dois segundos, mas Yuu jamais esqueceu a forma que ele o encarou. Não era um surto, não era a esquizofrenia, não era um delírio.

Era maldade.

A mais pura maldade da alma de um homem que foi corrompido a ela, que antes apenas não a colocava para fora por que socialmente conhecia as consequências, mas agora nada mais o impedia de esfaquear a mulher na cozinha durante dezessete vezes e partir para imitar o mesmo no filho.

Foi Yuu quem chamou a policia e o viu sendo levado por ela, Yuu viu quando ele alegou insanidade no julgamento e foi condenado á uma prisão psiquiátrica, mas ele sabia que até poderia ser insano, mas aquilo que fez, seu crime, ele estava completamente ciente do que fazia.

Isto sempre foi o fato mais perturbador de todos; ele estava tão lucido quanto a vida toda esteve.

Monstros nunca assustaram Yuu, mas a mente humana sim.

Agora a espera de um monstro que cometia suas atrocidades sem possuir nenhum traço errado em seu cérebro, nenhuma desordem fisiológica, sentia-se quase grato por ter optado por aquela profissão e encarar seus medos com calma.

Akira não o assustava, Kai não o assustava, ele próprio não se assustava consigo mesmo mais. Nada mais o assustava, pois a razão de seus medos sempre era tratada ao seu modo e agora poderia ir além, poderia ir à fonte da maldade, na fonte do monstro interior que um dia assolou seu pai e o arrancar com a mesma violência que se extrai uma doença.

 Humanos são grotescos, monstruosos e toda e qualquer derivação de terror, seja ele sobrenatural ou não apenas deriva de uma fonte; a fonte humana. É lá que os paradoxos inexplicáveis se encontram, é lá onde residem o verdadeiro horror, como armários que escondem fantasmas prestes a atacar.

Com seu método isso iria acabar.

Os sensores de movimento informavam que seu monstro favorito estava chegando, os cliques mecânicos das lâmpadas se acendendo assim que ouviu o elevador parando em seu andar o fez ter certeza que era a hora de sentir o cheiro do medo de Akira.

Ele havia chegado.

Akira no corredor escuro sentia os lábios tremendo, não por frio, mas por temer a cirurgia sem anestesia mental que ganharia quando entrasse naquela sala. Quase sentia a dor dentro de si.

Assim que passou pela porta aberta da sala de esperas do consultório, a porta do único consultório se abriu na penumbra que um dia sua sala pareceu confortável, agora apenas se assemelhava a um calabouço de torturas.

— Não fui eu, não fui eu... — seus lábios sussurravam como se implorasse, mas mesmo assim o psiquiatra apenas deu um sorriso de indiferença e o deixou passar.

— Entre, Suzuki-san, eu estava o esperando.

Assim que passou pela porta e ela se fechou, Akira o olhou de soslaio e se jogou contra a parede de livros falsos o observando atentamente, como um animal acuado.

— Não me olhe deste modo, Suzuki-san. — Yuu pediu retornando a sua confortável poltrona enquanto via os olhos assustados do louro em si. Fez um gesto ao divã com um sorriso quase gentil. — Sente-se, vamos conversar um pouco antes de iniciarmos nossa sessão.

— Não fui eu, não fui eu...

— Senta ai. — disse subitamente irritado, entre os dentes.

Akira rapidamente jogou-se no divã, sem tirar os olhos do doutor que sempre apresentava aquele sorriso sarcástico nos lábios depois de demonstrar sua natureza bestial que deixava aparecer por poucos segundos.

— Bem, como foi sua semana? Se disser outra vez “não fui eu”, vou te fazer ter pesadelos até a outra sessão. — ameaçou. — Como foi a sua semana?

Akira engoliu em seco, mesmo com seu orgulho se partindo ao meio, respondeu brandamente;

— Eu sai algumas vezes, fui ao cinema pela madrugada. Não havia ninguém lá... Foi a primeira vez que fui ao cinema.

— Que filme viu? — questionou animado.

Akira passou as mãos pelo rosto suado enquanto o coração estava aos pulos.

— Não sei... Um filme de drogados... Não escolhi.

— A sequencia de Trainspotting? — perguntou de modo amigável vendo que Akira erguia os olhos para ele e apenas abanava a cabeça em assentimento. — Quem escolheu? O benzinho?

O legista mordeu os lábios, irritado com aquele comentário de zombaria, mas mesmo assim não demonstrou nada se não um olhar feio, em seguida desviando o olhar para o chão, assentindo outra vez.

Yuu anotou na ficha o progresso e se voltou a ele, ainda rindo ligeiramente do apelido.

— Como está se saindo em um relacionamento sendo que antes sequer podia cogitar algo assim?

— Não sei... — sussurrou sem vontade alguma de expor mais a si mesmo que já estava fazendo. Passou as mãos pelos cabelos quase em desespero em busca de uma resposta razoável que não o fizesse fuçar mais ainda dentro de sua cabeça atrás das respostas inconclusivas. — Aconteceu apenas... Ela é igual a mim, me ajudou a superar uma crise de ansiedade que tive na rua, conversamos, não senti nojo algum... A convidei pra jantar e ela aceitou minhas limitações.

Yuu arqueou o cenho, visivelmente orgulhoso.

— Estou impressionado, estou realmente satisfeito que tenha tomado esse passo, Suzuki-san...

— Me poupe dessa merda, você não está interessado na minha melhora, está interessado em me fazer de sua cobaia.

O psiquiatra retirou os óculos de grau que tinha sobre o nariz e o encarou quase magoado.

— E acha que você é minha cobaia por que quero o seu mal? Destruir você? Por favor... Não seja ridículo. — retornou ás anotações. — Consegue a tocar?

Akira negou desviando o olhar novamente.

— Não, ainda não.

Ainda? Mas pretende.

Assentiu incomodado em tocar naquele assunto, mas sabia que o desgraçado iria ver de qualquer modo.

— Pesquisei alguns vídeos pornográficos e acho que... Acho que a sensação do látex poderia me acalmar e poderia iniciar assim... Aos poucos.

— Látex? — franziu o cenho confuso e tombou a cabeça para o lado. — Fala daqueles trajes fetichistas? Ah sim, sim... Entendo. Pode haver realmente a principio uma sensação de segurança deste modo, é inteligente... Acho que apenas por cogitar essa possibilidade já demonstra seu interesse em superar esse trauma, Suzuki-san, estou bastante contente com os resultados. Ela não se incomoda com o fato de não se tocarem intimamente?

Akira negou, encarando os próprios sapatos.

— Nos tocamos, por pensamento.

— Por pensamento? — Yuu percebia que seja lá quem fosse a garota provavelmente deveria ser um caso de pessoa bastante complexa para estar interessada naquele sujeito.

O legista assentiu, escorando o queixo nas mãos e suspirando.

— Masturbação em conjunto, sexo por telefone, essas coisas. — respondeu constrangido.

— Ah! — abanou a cabeça muito satisfeito, anotando em seguida. — Está apaixonado?

Deu os ombros.

— Eu não sei. — ao ver que o psiquiatra apenas ergueu os olhos para si, estralou os lábios, ansioso e pareceu nervoso outra vez. — Eu não sei, caramba, o que quer que eu diga? Eu não sei o que sinto! É errado eu não saber dizer se estou apaixonado ou não?

— Tudo bem, Suzuki-san, se acalme está tenso de mais.

— “Se acalme”... Filho da puta, arrogante. — Akira gemeu agoniado.

— É por causa da garota que diz que não foi você quem cometeu o assassinato? Por que sinceramente, um misógino como você não para de matar ninguém apenas por que arruma uma garota para se masturbar junto antes de entrar em uma luva de látex.

Akira se inclinou com os dentes cerrados e apontou para a janela, como se indicasse algo que Yuu olhou, mas nada viu.

— Não fui eu! — gritou pausadamente cada silaba. — É um imitador, cada procedimento que ele fez eu não faria, será que dá pra parar de me infernizar?

— Seria bastante inteligente da sua parte cometer um crime com um modo operante parecido e fingir ser um imitador para tirar a sua responsabilidade aqui comigo. — constatou Yuu com um sorriso cínico. — Não vamos perder nosso tempo com essa discussão sem proposito, eu saberei em breve se foi ou não você, embora gostaria mesmo que confiasse em mim e me contasse a verdade.

Ele ergueu as mãos, rendido e cruzou os braços em seguida, como se desistisse de tentar qualquer forma de o convencer.

Yuu pareceu satisfeito com as respostas e terminou as anotações, fechou a pasta e a colocou sobre a mesa, vendo que ele se encolhia e parecia tenso sabendo o que lhe aguardava agora.

— Por favor, relaxe e ouça o som da minha voz...

Em menos de cinco minutos Akira já estava totalmente relaxado deitado no divã, mesmo que as mãos apertassem o tecido da camiseta por baixo do casaco de couro, suas feições pareciam brandas.

Abra os olhos, onde você está?

Quando Akira abriu os olhos se viu em um retalho de um lugar, uma confusão ao avesso, não linear onde o mundo não possuía um paralelo horizontal para existir, mas vários fragmentos de partes distribuídas ao redor de si em um ângulo circular. Á sua esquerda um quarto com banheiro onde havia um garoto esfregando a lama de um uniforme escolar até o sangue brotar de seus dedos. Á sua direita um porão onde utensílios clínicos de embalsamento estavam dispostos muito limpos, prontos para serem usados.

A sua frente, aquela mesma encruzilhada onde um mar de garotas mortas, suas bonecas estavam querendo mais uma vez o tocar até arrancar o ar de seus pulmões. Olhou para baixo, havia uma situação ali também, era um divã roxo, idêntico ao que estava deitado naquele momento, mas havia algo, alguma coisa não humana espreitando por de baixo dele e o chamava com um sorriso bestial para que se deitasse ali.

Tal criatura o fez tremer inteiro e negou, não queria o divã, qualquer coisa era melhor que o divã.

O que há acima de você?”

Akira não queria olhar, pois se olhasse, Yuu em algum lugar escondido dentro da sua mente saberia o que havia ali. Fechou os olhos os cerrando, mas mesmo com as pálpebras apertadas, podia ver perfeitamente bem quando ergueu o olhar e viu dividindo a cena em uma confusão absurda uma cama onde havia dois corpos se chocando em uma sincronia repulsiva que o fez sentir o vomito subindo á sua garganta.

— Não quero olhar, não me faça olhar...

Preciso que olhe”.

Lá estava claramente a razão de sentir repulsa de tudo, de todos. Enquanto via a cena, um Akira de seus quinze anos e o rosto muito, muito parecido ao seu parecendo perdido em êxtase abaixo de si, uma mulher, era o rosto de seus pesadelos, sua mãe. Sentiu o estomago se revirando, o suor passou a brotar e lagrimas embaçaram sua visão enquanto no mundo real, o legista se contorcia em agonia e soluços abafados.

— Quando isso vai acabar, mãe?

Parecia haver alguma força maldita que transformava coisas sagradas em profanas e outras profanas em sagradas, pois em seguida um corpo de uma moça morta estava no lugar dela, imóvel, porem já não havia mais uma conotação sexual, ele a estava sufocando com um plástico. Os braços da garota, amarrados na altura dos quadris para não haver nenhum perigo de ela o tocar, embora seu corpo se contorcesse, Akira que jazia sentado ao chão, com as pernas sobre seus ombros imobilizando seus débeis movimentos apertando a pressão do saco plástico.

Era outra cena, mas a sensação era exatamente a mesma de quando estava sobre sua mãe, o mesmo enjoo, o mesmo pânico, o mesmo horror e soube que Shiroyama em algum lugar daquela irrealidade estava trocando a sua lembrança terrível e fazendo seu corpo associar as mesmas sensações com o fato de matar garotas.

Qual a pior sensação de todas?” havia sido a pergunta do psiquiatra, antes de induzi-lo a unir ambas as sensações em uma só.

— Eu não consigo mais olhar... — gemeu choroso vendo o estrangulamento eficiente sendo desempenhado enquanto o corpo se retorcia em repulsa, as vertigens de culpa e dor sendo espalhadas por seu corpo em ondas, muito pior que ser tocado por bonecas humanas mortas.

Muito pior.

Tombou, caindo dentro daquele banheiro onde desesperadamente esfregava o uniforme coberto de lama enquanto ouvia a voz robótica e quase inumana de um monstro no quarto que o ameaçava a cada minuto.

— Se não deixar esse uniforme limpo, ratinho imundo, eu vou entrar nesse banheiro...

E a dor de esfregar cada vez mais rápido, a pele se esfarelando junto do tecido enquanto o coração estava no limite dos batimentos, o sangue se mesclando a lama fazendo lágrimas de indignação brotarem.

— Para de sangrar, para de sangrar...

— Eu vou entrar ai...

O desespero tomando forma o fazendo esfregar irracionalmente agora se transformava no desespero de ver o sangue não mais jorrando de seus dedos, pingando no ralo da banheira, mas o sangue drenado de um corpo, saindo por uma mangueira e indo cair em um ralo metálico.

A mesma sensação de iniciar os procedimentos no corpo nu da garota.

— Não, não, não... O sangue precisa para... — gritou levando as mãos aos cabelos. — Tem que parar, tem que parar, tem que...

Olha para o sangue. É o mesmo sangue das suas mãos... Sempre vai ser o mesmo sangue”, induzia Yuu que associasse o momento de seus crimes ao trauma do uniforme coberto de lama. Costurando agora passo a passo de seus crimes com traumas antigos, poderia finalmente ficar satisfeito que ele não faria mais nada daquilo.

Andou de costas a fim de fugir daquele ambiente e foi puxado para o divã onde um monstro em formato de seu psiquiatra subia sobre seu corpo enquanto seu grito simplesmente estava entalado á sua garganta.

— O que é terror para você, Suzuki-san? O que é terror? O que é terror? — dizia um Yuu fantasiado com a pele de sua mãe, a voz dela soando entre seus lábios sarcásticos enquanto o terror o impedia de continuar gritando, se tornando apenas um corpo parado em choque de horror.

No consultório Yuu o encarou preocupado, ele estava em um estado de choque tão profundo que nada mais dizia, levantou-se rapidamente e se abaixou ao seu lado, verificando seus batimentos cardíacos e ao constatar, percebeu que mais alguns minutos era provável que fosse induzido á uma parada cardíaca. Precisava o trazer de volta ou realmente teria problemas.

Quero que volte ao momento onde estava quando a garota foi assassinada”.

Não estava mais no mundo real ou naquele devaneio absurdo, estava em casa novamente, na penumbra do próprio quarto roendo as unhas, no mundo externo levou uma das mãos aos lábios cujo passou a roer e um sorriso de canto se formou em seus lábios de um modo que fez Shiroyama o encarar curioso. Era uma reação inesperada vê-lo saindo de um estado catatônico para sorrir de maneira tão satisfeita o que o fez duvidar da eficácia das memorias associadas que lhe sugeriu antes, pois se quando matava sorria satisfeito, tudo antes não deu resultado algum e isso seria uma frustração.

Porem, no momento em que a garota foi morta pelas suas contas como perito, Akira estava atrás da tela de um notebook depositado sobre suas pernas enquanto via do outro lado a forma provocante que Takanori falava consigo, de bruços sobre a cama, segurando o queixo com as mãos, inclinado para a tela do notebook.

— Deixa eu ver o que está vestindo, Taka.

— Estou de camiseta, nem é tão legal assim. — riu-se o baixinho com deboche e se ergueu ficando de joelhos na cama, mostrando uma camiseta larga, preta e branca com dois números na frente, mas logo a ergueu por um momento mostrando as coxas pálidas sob a luz do monitor e deu um sorriso malicioso a ele. — Quer ver mais?

— Quero...

— Então tira a sua camisa também.

— Tira tudo, benzinho...

Yuu franziu o cenho o olhando dizer as falas exatas da conversa. Não havia sido ele, realmente. Ele estava conversando com a garota de nome estranho. Taka. Derivado de que seria aquilo?

 “Merda”, pensou “não foi mesmo ele”.

O chamou de volta.

Akira emergiu sem ser preparado, acordou com uma longa puxada de ar sentindo-se completamente perdido quando caiu do divã ainda atordoado de terror, mas com uma ereção incomoda dentro da calça.

— Takanori? — chamou confuso.

Yuu estava sentado á mesa o olhando atentamente.

Por alguns segundos ambos se mediram com a mesma curiosidade, Akira porem logo se deu conta do que havia acontecido e se encolheu contra o divã olhando aterrorizado para o psiquiatra que parecia perdido.

— Quem é Takanori? — gemeu Yuu. —Taka...? Taka é Takanori? É um homem, Suzuki-san?

— O que? — questionou passando as mãos pelo rosto ensopado de suor como se nada fizesse sentido a cada vez que era puxado de maneira tão violenta daquele transe. — O que? Quem... O que... Ainda está na minha cabeça não está?

Yuu cruzou os braços, preocupado.

— Não, é o mundo real, Suzuki-san.

— Como posso saber o que é real agora? — questionou perdido.

O psiquiatra arqueou o cenho e suspirou.

— Não foi você quem cometeu o ultimo assassinato. É real o bastante para você?

Lentamente, como se aos poucos tudo voltasse a fazer sentido, Akira assentiu, se erguendo do chão com ajuda do divã maldito de seu sonho onde não havia monstro algum de baixo dele, mas sim sentado a sua frente usando jaleco com um sorriso quase cínico em seus lábios.

A realidade onde as gotas de chuva se projetavam contra aqueles livros falsos, onde buzinas lá fora soavam e seu estomago estava revirado.

— Como se sente? — Yuu questionou.

Akira respirava ofegante, o rosto entre as mãos.

— Como se tivesse sido estuprado mentalmente. Como se houvesse passado por uma autopsia sem estar morto.

— Então está tudo certo. — zombou. — Quer um pouco de água?

— Vá se foder você e sua água. — rosnou se levantando, sentindo a cabeça latejar de dor e o corpo pender para frente com a tontura, mas logo conseguiu se equilibrar e o olhou com ódio. — Me deixa ir pra casa, não suporto mais olhar pra você.

Com um gesto de assentimento, Yuu indicou a saída.

— Na próxima consulta vamos precisar conversar sobre esta sua negação, Suzuki-san. Não está namorando uma garota e nunca vai... Parte disse pode realmente ser em função aos traumas, no caso a aversão por mulheres, mas a atração por rapazes nada tem a ver com isso.

Parou na porta antes de a abrir e o olhou sobre o ombro, furioso com aquela acusação.

— Eu não sou gay.

— Não é, mas seu benzinho se chama Takanori. — disse tirando o jaleco e pegando a pasta. — Nome estranho de uma garota, não?

Akira apertou a madeira da porta enquanto as ondas de terror ainda percorriam em seu corpo.

— Isso não é mais da sua conta.

Respirando fundo, Yuu o olhou sair apressado.

Pobre Akira, não sabia, mas tudo o que se passa com um rato de laboratório é sim, da sua conta.

Akira desceu pelo elevador, pois não podia confiar nas pernas para os lances de escadas, não depois da autopsia cujo foi submetido.

Aquela sessão de Yuu ainda ecoava em sua mente pequenos choques de repulsa, sentia o estomago completamente embrulhado apenas em pensar, não podendo evitar em pensar sobre o ultimo assassinato onde o corpo foi completamente estripado, os órgãos arrancados em um ato de exumação.

Sentia como se a mente nas mãos de Yuu houvesse passado pelo mesmo procedimento, por tal razão apenas queria correr daquele lugar o mais rápido possível, tomar um ou dois remédios para enxaqueca e adormecer enquanto falava com Takanori através do vídeo do notebook.

Atirou-se contra o vidro do carro abriu a porta o mais rápido que pode, mesmo errando a fechadura uma ou duas vezes, se atirando lá dentro e dando partido imediatamente.

Kouyou dentro de seu próprio carro observava atentamente o legista parecendo mais perturbado que no dia anterior enquanto corria do prédio, se perguntando mentalmente o que fazia naquele lugar comercial tão tarde.

Em seguida, um rapaz alto, de cabelos negros e um crachá passou pela porta correndo ligeiramente até o outro lado da rua onde entrou em um Hyundai preto e acelerou. Sem poder controlar, Kouyou saiu do próprio carro em direção ao prédio, bateu no vidro despertando o porteiro que o olhou curioso e gritou, mesmo através da chuva;

— Desculpe perguntar, mas todas as lojas já fecharam?

O homem rabugento que havia despertado de sua recente tentativa de sono, pareceu voltar os sentidos quando voltou a beberica uma caneca de café e comer a metade de um hot dog que jazia mordido.

— Não é obvio? É quase onze horas...

— Ah, é que vi dois rapazes saindo... — Kouyou disse com um sorriso gentil para mascaras o desagrado com o homem.

— Doutor Shiroyama e um paciente. Se quiser qualquer coisa volte amanhã, não tem ninguém mais aqui.

Kouyou fez uma mesura e correu novamente para o carro, mesmo com as roupas molhadas pelos grossos pingos de chuva, anatou no telefone o nome cedido.

Dr. Shiroyama.

Havia apenas uma razão para um médico não frequentar o próprio hospital que trabalhava e ficar em uma consulta até as onze horas da noite.

Era um terapeuta.

Se era um terapeuta, o amigo mais intimo de Matsumoto Takanori tinha problemas, se tinha problemas os usaria para atingir o ator.

Kouyou sorriu com os fartos lábios.

Esperava que o doutor Shiroyama possuísse arquivos dos pacientes organizados.


Notas Finais


Eai o que acharam? Ficou mais claro a razão do Yuu fazer isso? Espero que tenham gostado, bjinhos


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