História Freak Show - Capítulo 3


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Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Tags Jasper, Lukabeth, Percabeth, Thalico
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Palavras 2.426
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Dream


  — Do que diabos você está falando? 

Arqueei minha sobrancelha, incrédula. Todos permaneceram em silêncio enquanto eu começava a pensar que havia entrado em uma casa cheia de loucos com alguma obsessão por circos e falar em códigos.  E após terem se passado alguns minutos, pigarreei, esperando que alguém respondesse minha pergunta. É claro, eu estava com medo de simplesmente me derrubarem no chão, me apagarem e me jogarem no porão, mas não tinha muito mais que eu pudesse fazer. 

—  Você se mudou de Toronto pouco depois da lembrança que tem com a Silena. Veio para Ottawa e terminou os estudos aqui, começando a faculdade logo após. Você sumiu pouco antes de conseguir começar, no entanto, e só reapareceu agora — Piper saiu de trás do balcão e caminhou até mim em passos lentos, olhando diretamente para os meus olhos. 

— E você tem alguma ideia de para onde eu fui, ou do motivo de eu não lembrar de nada? —  Perguntei, sentindo uma pontada de esperança crescer em meu peito ao ver que alguém responder uma das questões que eu tinha feito.

— Não tenho ideia — Ela desviou o olhar, encarando os pés. — Nós podemos te ajudar a descobrir se você permanecer conosco. Disse que Silena sumiu, certo? Você está sozinha agora, mas acredite, éramos amigos. Todos nós.  

— E como eu posso ter certeza disso? — Mordi meu lábio inferior.  — Eu sequer sei se Silena estava realmente comigo, se ela realmente me disse tudo que eu acho que ela disse... Talvez eu esteja ficando louca e vocês estejam se aproveitando disso... 

— Nós não faríamos isto com você, Annabeth — Hazel exclamou, tocando meu braço. 

Não que eles fossem dizer o contrário, se realmente estivessem. 

— Minha cabeça está uma bagunça— Fechei o punho com tanta força que senti minhas unhas rasgarem minha pele. 

— Nós vamos te ajudar, Annabeth — Thalia olhou diretamente para mim.— Descobriremos o que aconteceu com a sua memória e com a Silena. Você só precisa confiar em nós. 

Eu quis chorar por não poder negar a ajuda deles. 

São pessoas que eu não conheço e tampouco tenho noção de suas reais intenções. Contudo, não tenho outra opção pois eu não posso voltar para minha cidade, contar tudo aos meus pais e voltar a ter uma vida de colegial normal; até mesmo porque eu já terminei o ensino médio, só não lembro. 

Eu estava sozinha e vulnerável. Eles poderiam fazer o que quisessem comigo que ninguém sentiria falta. 

— Obrigado — Murmurei contragosto, vendo Piper e Hazel sorrirem na minha direção. 

Não consegui retribuir, no entanto. 

(...)

O rapaz segurou os meus braços e beijou minha bochecha com tanto carinho que eu senti meu estômago revirar e o meu coração derreteu.

— Nós temos um novo Einstein na cidade — Ele sussurrou contra a minha orelha, mordendo meu lóbulo. Estávamos deitados na cama de um quarto que eu não consegui reconhecer e a única coisa que entendia é que estava me sentindo nas nuvens.

O rapaz se voltou para o meu rosto e usou uma das mãos para limpar lágrimas que eu não havia percebido que caíam dos meus olhos. Ele me encarou, com aqueles olhos verde-mar, e de repente eu não tinha mais fôlego. Era tão intenso que me senti desconcertada. 

— As coisas vão complicar a partir de agora, mas eu prometo que não deixarei nada de ruim acontecer com você — Ele beijou meus lábios e uma felicidade incondicional transbordou dentro do meu peito. — A única coisa que você precisa fazer é confiar em mim.

Quando acordei, no entanto, toda aquela felicidade havia se esvaído e um vazio sobrenatural tomou conta de mim. Mordi o lábio ao pensar que havia sonhado com o rapaz da estação, e que fora um dos sonhos mais estranhos que eu já tive. 

Deve ter sido porque o rapaz era realmente bonito, e eu estava sentindo falta das ilusões de contos de fadas. Elas falam que o príncipe cantado existe e que ele será capaz de nos livrar dos problemas e nos proteger. Ah, a utopia! 

Thalia havia me levado até um dos quartos de hóspedes, dizendo que eu deveria descansar para que pudesse voltar a rotina que, supostamente, estava tendo antes de desaparecer. Ela também disse que procuraríamos respostas eventualmente, que eu não deveria passar tanto tempo pensando no que havia acontecido. Senti que eles não haviam acreditado em mim, mas pelo menos não me internaram em um hospício. 

Abri os olhos e olhei para o teto, respirando fundo e tentando conter as questões que chegavam em minha mente. Eles haviam dito que eu era amiga deles, e que havia desaparecido. Será que não pensaram em levar o caso até a polícia? E mesmo agora, sou uma garota desmemoriada que praticamente surgiu do nada e pediu ajuda. Eles ainda não pensam em chamar a polícia?

Aliás, por que eu não chamo a polícia? Por que não fiz isso assim que acordei, em Toronto?

Virei meu corpo para o lado, pensando em voltar a dormir por ainda estar escuro. Contudo, quando o fiz, segurei o grito dentro da garganta. 

Uma aranha de cerca de um metro de altura passeava vagarosamente pelo chão do meu quarto, e eu pensei ser azar demais para alguém que tem aracnofobia. Repentinamente lágrimas começaram a sair dos meus olhos, minhas mãos começaram a tremer e eu queria sair da cama. 

Ela não parecia ter notado minha presença, o que me fez pensar se ela estava realmente ali ou se daria uma de Silena e desapareceria quando eu gritasse por ajuda. Portanto, afastei os lençóis das minhas pernas e me movi para o lado, tentando me distanciar e conseguir chegar a porta sem chamar sua atenção. No entanto, quando minha perna foi até o outro lado da cama, senti algo peludo roçar nela. Respirei fundo ao tomar coragem para olhar para baixo e quis bater minha cabeça na parede para desmaiar quando vi outra aranha, talvez até maior do que a outra. Não resisti ao impulso e gritei com todo ar dos meus pulmões, vendo a aranha menor voltar todos os seus olhos para mim. 

Chutei a maior com o pé, querendo morrer após sentir sua textura com mais propriedade e tentei colocar os pés no chão, vendo mais algumas aranhas de tamanho médio simplesmente brotarem no chão e impedirem minha passagem. As lágrimas caíam dos meus olhos desesperadamente e tentei gritar por Thalia mais de uma vez, não obtendo resposta alguma. Atrás da porta do quarto de hóspedes as luzes estavam apagadas, fazendo-me perguntar se eles não estavam ouvindo ou se resolveram me ignorar e me deixar morrer, se é que isto realmente está acontecendo. 

Meu corpo se arrepiou por inteiro quando eu senti duas aranhas grandes começarem a subir em meus pés e era quase como se eu não conseguisse me mover. Minha respiração pesava e eu não sabia o que fazer, sequer entendia se aquilo estava realmente acontecendo ou se, por ventura, era coisa da minha cabeça. Uma delas mordeu tão forte e fundo que era como se suas presas tivessem chegado até meu osso e parecia que eu não conseguia mais gritar e eu estava zonza e queria sair dali o mais rápido possível. Em um impulso, corri até a porta, pisando e desviando das aranhas que surgiam no caminho e saí do quarto. 

Fechei a porta após sair com tanta força que ouvi as paredes vibrarem, suspirando ao pensar estar livre. 

Quando eu era menor, costumava sonhar com aranhas ao cair no sono. Elas se arrastavam, me mordiam e me arranhavam e era tão real quanto havia sido neste momento, contudo na manhã seguinte não havia nada que me provasse que tinha acontecido. Meu pai era paciente e explicava que só eram sonhos, afinal eu era uma criança e tudo parecia ser real. Havia parado depois de eu ter completado doze anos, e talvez as emoções que eu esteja sentindo tenham contribuído para que este tipo de sonho voltasse. Digo, é claro que foi um sonho. Um sonho mega realista.

Pensei em procurar pelas pessoas que haviam me acolhido e prometido me ajudar, e que não me ajudaram quando eu precisei. Quando estava tendo um pseudo-ataque epilético com aranhas. Suspirei e fechei os olhos, ritmando meus batimentos cardíacos e me acalmando. Talvez Thalia pudesse fazer um chá para mim também, ou me dar autorização para fazer. 

Contudo, quando eu virei para frente, tive certeza de que estava numa espécie de limbo ou no meu inferno pessoal. Como mesmo após de tantas emoções fortes eu ainda não havia acordado?! Uma aranha gigante estava posicionada em cima do sofá, da bancada da cozinha e a televisão da sala estava quebrada. Ela me encarava tão intensamente que eu quase cedi ao impulso de desmaiar e fingir de morta, mas eu não tive certeza se ela acreditaria. 

Tinha duas opções que eu podia adotar: a de sentar em posição fetal e chorar esperando pela minha morte, ou tentar correr até a porta e sair adoidada pelo corredor gritando por ajuda. Eu não tinha muito que perder se esperasse pela minha morte e já me sentia tonta e fraca o suficiente para ceder à vontade de desistir, portanto deixei minhas costas escorregarem pelo porta até sentir o chão frio contra minha pele. 

A aranha arrastou uma de suas patas em minha direção, fazendo com que eu aninhasse todo meu corpo, tentando inutilmente me proteger. Depois arrastou mais uma e mais uma e estava perto demais e eu fechei meus olhos e mandei um tchau mentalmente para todos aqueles que conheci em vida; eu não oraria no meu leito de morte quando nunca havia tido fé, seria hipocrisia. 

''Acorda'' 

Ergui meu rosto quando escutei a voz, olhei aos arredores para ver se tinha alguém ali, até encarei a aranha por alguns segundos para tentar entender se havia sido ela, mas ela apenas me encarava como se eu fosse a coisa mais apetitosa do mundo. 

''Saí'' 

Como eu conseguiria ir para algum lugar com esta enorme aranha na minha frente?

''Vá por baixo, vai ter ajuda quando chegar na rua''

A voz estava dentro da minha cabeça e, de alguma forma, eu estava dialogando com ela? Oh, céus. Talvez eu precise ser internada em um hospício mesmo. 

Todavia, não estava em posição para dispensar ajuda, mesmo que fosse do meu próprio subconsciente. Escorreguei por debaixo da aranha, que pareceu não esperar por tal atitude, e corri até a porta com toda força das minhas pernas. 

Quando vi, estava no corredor, gritando por ajuda com todos os meus pulmões. Ouvi algo quebrar atrás de mim e eu não precisei olhar para trás para saber que aquele enorme aracnídeo ridículo estava me perseguindo. Graças aos céus, alguém havia acabado de sair do elevador e as portas, daquele prédio, demoravam séculos para fechar, o que me deu uma oportunidade (bem conveniente, por sinal). Após entrar, apertei os botões com tanta força que um deles quebrou e graças aos céus aquilo havia fechado antes de ela conseguir enfiar uma das suas patas dentro do meu coração e depois me fazer de comida. 

Eu tinha que chegar até a rua, disse a minha possível consciência. E eu tentaria. 

Mas a aranha caiu em cima do elevador o fazendo balançar, o que fez com que eu caísse para o lado e batesse minha cabeça já machucada com uma força absurda no parede e em seguida caísse no chão. Olhei para cima à tempo de vê-la enfiar uma das patas dentro daquela lata de alumínio barata e pouco resistente, me desesperando ao mesmo tempo em que a dor de cabeça aumentava e eu não conseguia raciocinar direito. Eu estava querendo desmaiar desde a hora em que vi a aranha passeando no meu quarto, adoraria ceder à esta vontade quando estou prestes a morrer. 

As portas milagrosamente se abriram no momento certo, quando já estava no térreo. Forcei minhas pernas à levantarem e saí em disparada a rua, gritando ao sentir a aranha me alcançar antes que eu conseguisse chegar até as portas do prédio. Ela havia perfurado minha barriga tão profundamente que o sangue jorrava dali, me fazendo desesperar ainda mais. 

''A rua''

As lágrimas saíam dos meus olhos por conta da dor e do medo enquanto eu me arrastava em direção à rua. Minha visão estava turva e eu sentia que meu corpo não resistiria mais tempo a vontade de morrer ali mesmo. Eu, na realidade, nem sabia o motivo pelo qual me esforçava tanto. 

Quando consegui encostar na porta, a aranha me jogou contra e o vidro quebrou e de repente eu estava do outro lado da rua, sentindo uma quantidade absurda de cacos invadirem diferentes partes do meu corpo. Era desesperador e eu estava desesperada e gritava por ajuda tão alto mas ninguém parecia ouvir. 

A aranha se aproximou mais uma vez. Eu estava encurralada e desta vez me sentia um pouco pior por desistir pois já havia tentado. Deveria ter optado por morrer sem ter sofrido tanta dor... 

Repentinamente uma quantidade absurda de sangue jorrou para todos os lados e eu fechei os olhos pensando ser meu sangue e pensando que eu já estava morrendo e estava tão mais do outro lado que aqui que já não sentia mais dor. No entanto, o tempo passou e eu continuava consciente tendo pensamentos tão estúpidos quanto estes. Será que nem na morte eu vou ter um descanso de mim mesma? 

Abri os olhos e me surpreendi ao ver apenas o tronco da aranha. Sua cabeça estava à poucos centímetros de distância, todos os olhos abertos, encarando-me sem vida. É claro que eu me senti aliviada e contente por ela estar morta e teria sorrido se não estivesse sentindo uma dor tão absurda no estômago, na cabeça e... Bem, no meu corpo todo, e isto me fez fechar os olhos.

— Você não consegue escapar dos problemas, né? — Escutei uma voz tão familiar e ao mesmo tempo tão desconhecida resmungar em minha frente, fazendo com que eu fizesse força para abrir os olhos. Teria os arregalado se tivesse energia para isto, mas o garoto dos meus sonhos estava ajoelhado na minha frente. Suas sobrancelhas estavam franzidas, e eu pensei no quão bonito ele ficava preocupado. 

— Você é real? — Murmurei fracamente, vendo-o arquear a sobrancelha em minha direção. — Sonhei com você não tem muito tempo... mas... esqueça, eu estou ficando louca. Talvez já tenha... morrido... e... e esteja vendo os anjos. 

Fechei os olhos após não aguentar mais mantê-los abertos, sentindo-o passar a acariciar os meus cabelos. Quis me aconchegar em seu toque, contudo estava perdendo a consciência rápido demais para conseguir ter alguma atitude. 


Notas Finais


MY PERCABETH FEELINGS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Espero que vocês tenham gostado e peço para que, por favor, comentem!
beijão achocolatado~


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