História Free as a Bird - Capítulo 6


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Categorias The Beatles
Personagens George Harrison, John Lennon, Paul McCartney, Personagens Originais, Ringo Starr
Tags Beatles, Drama, Exorcismo, George Harrison, John Lennon, Lennon, Mccartney, Paul Mccartney, Ringo Starr, Sobrenatural, The Beatles, Tragedia
Visualizações 19
Palavras 2.000
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Só pra deixar claro, Alfred está morto e o George que é o tio do John. Infelizmente, estou confundindo com frequência o nome dos dois, mas já arrumei a maioria desses erros nos capítulos anteriores. Peço desculpas.

Capítulo 6 - Peripécia


Assim passaram-se as semanas. Aos poucos, John ia se acostumando à postura rígida dos tios e concluiu que não contrariá-los era a melhor opção pela boa convivência.

O dia preferido durante a semana eram os domingos. O menino fez uma grande amizade com o reverendo McKenzie, vendo-o como seu maior exemplo. Ele admirava toda a sua paciência e devoção. O padre era o mais perto que tinha de seus pais.

Coincidentemente, o padre também chamava-se John, mas poucos sabiam disso. Seu xará fazia parte desse pequeno grupo.

Mimi via a relação de ambos como um perigo. Desde a primeira visita do sobrinho-neto à igreja, desconfiou que o religioso estava manipulando a inocente cabeça do garoto, fazendo-o ficar contra a velha. A desconfiança da mulher já estava um pouco exposta; George notara que eles pouco trocavam palavras e lançavam olhares perturbadores um ao outro.

O homem questionava o por quê da esposa estar em atrito com um representante do clero religioso, justo aquele que deviam-lhe respeito e dignidade, mas não ousava questioná-la, temendo afetar a própria saúde com mais uma discussão.

Sim, o senhor Smith estava ficando idoso e ele próprio sabia disso. Sabia que deveria cuidar de si para não tornar o coração ainda mais frágil. O estresse do trabalho já bastava, não poderia brigar com a mulher, isso causaria alguns sérios problemas.

Por isso George sempre mantinha-se quieto, evitando envolver-se em algum tipo de confusão em qualquer tipo de ocasião. A morte estava próxima, mas adiava o máximo possível. John sempre questionou sua autoridade na casa, vendo Mimi mandar e desmandar em todos.

Ainda assim, o garoto gostava do homem. Vez ou outra conversavam um pouco. Ele inclusive ensinou a John como jogar xadrez e até mesmo, a tocar um pouco de gaita. Aquela foi uma das primeiras experiências do pequeno com a música, mesmo não sendo bem o instrumento que realmente gostaria de aprender.

John aproveitava os pequenos momentos da vida. Ele aprendeu a vê-los com preciosidade após o afastamento dos pais. A saudade era tamanha em seu coração, e sempre lembrava dos bons dias que teve com eles.

Sua amizade com Stuart também era um dos passatempos mais legais que tinha naquela casa. Infelizmente, o garoto passava a maior parte do tempo na escola e em vários cursos. Mary, mesmo brigando muitas vezes com o neto, queria um futuro promissor para ele. O pobre Stuart fazia tantos cursos, aprendia tantos idiomas e desenvolvia habilidades a quais nunca quisera aprender.

John passava a maior parte do tempo nos dias normais em casa. Com a desculpa de Mimi de que o garoto estava apenas provisoriamente pela região, ele não tinha qualquer tipo de estudo.

Mas isso não o impedia de sempre aprender. Seus amigos eram os diversos funcionários da casa. O menino era simplesmente irresistível, cativava o olhar de qualquer um com um pouco de bondade no coração. John era muito educado, tratava os funcionários de igual pra igual. Nunca respeitou a hierarquia da casa e isso sempre lhe rendou comentários maldosos da tia, mas ele insistia em acolhê-los.

Eles sempre lhe ensinavam coisas novas. Ele via cada um como um professor diferente. O jardineiro Billy era seu professor de ciências. Ensinava desde botânica até a classificação dos animais. Já o decorador Klaus era seu professor de artes. O pouco que cada um sabia era sempre ensinado ao pequeno, sempre curioso e nunca cansado de sugar novas informações para ocupar aquela cabecinha.

Quando Stu chegava em casa, mesmo exausto, sempre tinha energia para brincar com o melhor amigo. Mimi nunca gostou da influência que John tinha no neto, mas nada podia fazer para impedir o relacionamento dos dois, já que se viam todos os dias.

Todas as noites, John rezava à Deus para atender seu pedido. Seu sonho era rever seus pais novamente. McKenzie jurou ao garoto que um dia reencontraria-os de novo, mas demoraria tempos. Assim queria o padre.

O garoto nunca entendia porque toda essa demora para realizar um simples desejo. O puro e doce pensamento de rever os pais, aqueles que mais amava e simplesmente foram tirados de sua vida por conta de um maldito e infeliz acidente.

Assim eram os dias do pequeno Lennon, que sempre esperava pelo diferente...

 

 

Era mais um domingo, mas um dia especial para John e Stuart.

Como o habitual, a família compareceu à missa na igreja e o pequeno Johnny passou a maior parte do tempo com o padre. Conversaram bastante e corriqueiramente, o garoto acompanhou o início da preparação para a próxima missa. Despediu-se do homem e voltou para casa com os Smith.

Os dois travessos esperaram tanto por esse dia. O dia em que finalmente explorariam o sótão. Stu era o mais ansioso nessa situação, era um de seus maiores desejos sendo realizado. Nenhum fazia a menor ideia de como era aquela misteriosa parte da casa; traçaram e esboçaram diversos planos imaginando como seria por lá e conseguirem voltar após a pequena explorada.

- Chegou o grande dia, Stu. - John exclamou animado.

- Sim, e agora não há mais como desistir, certo?

- Certo. É hoje ou nunca.

Tinham tudo na cabeça. Mimi havia saído no dia para um leilão, em que ocorria a disputa de uma grande pintura. Uma grande preciosidade. É claro que ela queria aquele quadro em sua casa.

George costumava voltar exausto após as missas. Ele aproveitava o fato de não precisar trabalhar durante os domingos para poder descansar e dormir, portanto se não fizessem barulho, não acordariam o homem.

John tomou a frente. Eles já tinham preparado a escada para abrir o alçapão e portavam a chave que abria o único cadeado que trancava o acesso, além de estarem munidos com uma pequena lanterna.

Começou a subi-la e o amigo logo começou a fazer o mesmo. O sótão estava distante da altura do chão, mas a coragem e destemia faziam enxergá-la apenas em alguns centímetros. John pegou a chave que estava guardada no pequeno bolso da calça e abriu com pouca dificuldade. Puxou e ouviu o som de abertura.

Nesse momento, ambos sorriram. O primeiro então adentrou e ajudou o outro com sua mão. Ao colocar os pés no chão do cômodo, sabia que não era sonho. Estavam enfim no local proibido.

John começou a tossir com a quantidade de sujeira, mas tentava fazer o máximo de silêncio. A madeira do chão estava em partes quebrada, fazendo os garotos desviarem do barulho incômodo que se reproduzia ao pisar na tábua desgastada.

O sótão era um lugar incrível. Seu tamanho era maior do que os dois imaginavam anteriormente. Era cheia de estantes e pinturas incomuns. Stuart sabia da antiguidade da casa, mas não imaginava que havia tantas relíquias guardadas por lá. Caminhavam com cuidado e prestavam atenção em cada canto; a visão era limitada, já que a lanterna não era das melhores. Ainda assim, a experiência era inesquecível.

Não se atreviam a tocar em qualquer objeto, mas a curiosidade era muito grande. É claro que tudo aquilo chamava muito a atenção. Andaram e exploraram tudo possível, mas estavam limitados apenas a olhar.

John, no entanto, não pôde resistir. É claro que, uma criança de apenas dez anos, desacompanhada de um adulto, não tem muita noção do perigo. Ele estava doido de curiosidade para vasculhar qualquer coisa daquele lugar.

- Stu, vamos explorar melhor aqui.

- O que? Você diz... pegar nos objetos?

- Sim. Você acha justo a gente esperar por tanto tempo para vir aqui, presenciar toda a belezura deste lugar e depois sair sem mexer em nada?

Stuart olhava apreensivo para o amigo. Não sabia se era de fato uma boa ideia, mas a curiosidade também batia alto no coração. A oportunidade era única e também estava fascinado pelos objetos raros que estavam guardados por lá.

Por fim, bufou e apenas acenou com a cabeça para John. O outro entendeu como um sinal positivo e sorriu.

- Vamos começar pelo quê?

- Acho que seria legal a gente mexer nesses armários. Estão cheios de livros velhos.

- Então eu vou naqueles dali e você vasculha estes aqui! - John apontou para as estantes ao fundo e correu em sua direção.

Começaram a pegar os livros mais baixos, já que a altura das estantes não colaborava muito. Ficaram impressionados com o conteúdo de alguns deles. Eram livros realmente antigos. John chegou até a achar livros completos em latim e também folheou algumas coleções de poemas raríssimos. Tudo aquilo fascinava um menino tão interessado.

Um garoto cheio de vida, que enxergava todo o novo como algo tão deslumbrante.

Compulsavam os tantos livros e sempre achavam algo ainda mais original. Stuart mostrava-se muito atraído pelos temas e achou um livro incrível, fazendo questão de mostrar ao companheiro.

- John! Venha ver este livro aqui!

O garoto levantou-se e andou cuidadosamente apressado para a direção do amigo.

- Do que se trata esse livro?

- Uma obra supostamente amaldiçoada. Diz na sinopse que o autor faleceu ao terminá-la. Assombroso, não é?

John ficou bastante interessado pela história. Deu uma rápida olhada pelos livros da estante e notou que havia a continuação escondido em uma das prateleiras.

- Ei, Stu! A sequência está guardada ali!

- Sério?

- É, está logo ali! Quem será que escreveu, então? - Apontou com o dedo. - Vou pegar!

John começou a puxar o exemplar, mas ele mostrou-se imóvel. Ficou irritado com aquilo e começou a puxar com mais força, acreditando estar preso na madeira.

Stuart, no entanto, foi o primeiro a notar que o livro estava de fato grudado na estante, pois começou a perceber que ela estava se inclinando na direção dos dois.

- John! Cuidado!

O menino empurrou o amigo antes que fosse tarde demais, caindo assustado. John sequer percebeu o erro que estava cometendo, apenas sentiu mão de Stuart afastando-o. Antes de conseguir virar-se para ver o que havia acontecido, apenas ouviu um barulho estrondoso de algo pesado caindo no chão. O impacto foi tão grande que John pulou involuntariamente, devido a impulsão da queda.

O garoto imediatamente assustou-se, conseguindo apenas ver uma imensidade de poeira indo em sua direção. Rapidamente começou a procurar pelo amigo, que não havia feito nenhum barulho ante a queda.

- Stu? Stuart, cadê você?

O desespero começava a crescer cada vez mais a cada chamado ignorado.

- Stuart, pelo amor de Deus, não me diz que... cadê você...

As lágrimas começavam a descer rapidamente de seus olhos. O corpo já começava a perder forças. Não, não era possível que ele estava abaixo do móvel. Não podia ser.

Angustiado, John tentou desesperadamente levantar a estante, que era pesada demais para suas pequenas mãos. Ele tentou todas as suas forças. Fez de tudo, mas tudo mostrou-se inefetivo.

Ele então desabou. Começou a choramingar, gemer, lamentar. Não era possível que tinha matado o melhor amigo. Ainda clamava baixo pelo seu nome, aos prantos.

 

 

Alguns andares abaixo, George acordou assustado. Um barulho completamente alto veio de cima. Só podia ser uma coisa.

O homem, desesperado, começou a correr e subir os degraus, ignorando se aquilo ia doer depois ou não. Chegou ao último andar e viu a escada, com o alçapão aberto. A preocupação já estava tomando conta de todo o seu corpo, estava totalmente aflito.

Subiu a escada e notou no meio de toda a escuridão, uma pequena fonte de luz. Aproximou-se com rapidez e viu o que menos queria presenciar naquele momento.

John chorava muito, debruçado sobre a estante caída ao chão. Nenhum sinal do neto. Tentava não acreditar naquilo.

Correu em direção a criança e perguntou desesperado.

- O que aconteceu?! Me diga, o que aconteceu aqui?!

John nada respondeu. Apenas continuou chorando completamente agoniado. Aquilo fez George afligir-se ainda mais.

Enxergando apenas mais uma opção, puxou as mangas e começou a usar toda sua força para levantar o armário. Já estava velho e sem energia, mas usou suas últimas esperanças para aquela situação apavorante.

Quando enfim conseguiu tirar o móvel do chão, não acreditava no que via.

Stuart estava morto.


Notas Finais


Obrigado pelas avaliações do capítulo anterior!


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