História Freedom: Detroit - Capítulo 4


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Categorias Detroit: Become Human
Personagens Connor, Kara, Markus, Personagens Originais
Tags Alice, Connor, Detroit: Become Human, Kara, Markus, North
Visualizações 57
Palavras 2.000
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - 03. Ties That Unite


Fanfic / Fanfiction Freedom: Detroit - Capítulo 4 - 03. Ties That Unite

— Pronto — anunciou Kara, logo após ter finalizado seu trabalho. Deu curtos passos para trás, analisando o que tinha feito por um instante. — Ficaram boas em você. O que achou?




Connor virou-se, encarando a própria imagem no espelho. Era possível notar a curiosidade inundando suas íris acastanhadas ao encarar o próprio reflexo, muito provavelmente estranhando as vestes que usava no momento.




— São… estranhas — Connor concluiu depois de um tempo em silêncio. — Acho que eu gosto.




Kara pôs as mãos na cintura.




— Você deu sorte. Essas eram as únicas que eu achei que serviam em você.




Connor virou-se para encarar a loura.




— E agora?



— Bem — Kara passou pelo androide, logo tratando de arrumar o emaranhado de roupas que misturavam-se confusamente em cima do colchão da cama. —, amanhã você vai para o Canadá. Como se sente?




— Não sei ao certo. Ansioso, talvez — ele deu de ombros.




— Pelo menos lá você vai ter tempo o suficiente para descobrir o que sente — a loura murmurou, guardando as vestes masculinas no fundo do guarda-roupa.




E com aquela resposta, o assunto morreu. O silêncio teria prevalecido entre ambos caso Connor não tivesse quebrado-o, perguntando:





— Você vai denunciar Richard?




Kara parou de fazer o que a mantinha ocupada e se virou cautelosamente para encarar o androide, um pouco surpresa pela troca repentina de assunto por parte do mesmo.




— Nós não temos nada que comprove o que você diz ser roubo, Connor.




— Mas você pode denunciá-lo por agressão doméstica.




— Por que tanta insistência nesse assunto? — a paciência de Kara esgotou-se completamente. — Eu já respondi essa questão uma vez e a resposta continua sendo a mesma: não.




Connor estreitou seus globos oculares na direção da Miller, notando em seu sistema a mudança drástica de humor que a figura feminina sofrera ao tocar naquele assunto. No fim, deduziu que seria melhor deixar aquilo de lado antes que ela perdesse a paciência de vez e cometesse uma loucura contra si.




— Tudo bem, tudo bem — Connor ergueu os braços em sinal de rendição, afastando-se lentamente da loura. — Certo. Eu entendo você.




— Se entendesse, não estaria persistindo no assunto — soltou um resmungo quase inaudível. Kara observou o carro do seu progenitor sendo estacionado na frente da casa. Virou-se. — Melhor voltar para o porão se não quiser virar um pedaço de plástico inútil.



O androide lançou mais um olhar para a loura antes de deixar o cômodo, obedecendo-a. Kara suspirou, fechando os olhos por um instante, pensando na pequena discussão — se é que esta fosse a palavra correta para descrever o que havia acontecido há segundos atrás — com o androide. Era um fato que Kara já havia tentado denunciar o pai, no entanto aquela opção era inalcançável para a loura. Sua tentativa desesperada de se livrar daquela tortura diária a qual era obrigada a conviver havia desencadeado a fúria do Miller mais velho que, como vingança diante da denúncia, conseguira distorcer a situação e fazer com que a garota fosse a verdadeira vilã da história. Sendo assim, ninguém acreditaria na palavra de uma garota problemática que acusava o policial condecorado do Departamento da cidade de Detroit de agressão doméstica.




Por esse e outros motivos, Kara preferia ficar quieta e não enfurecer seu pai, mas havia situações em que era impossível segurar sua língua afiada. Vê-lo com raiva e ter toda aquela carga de sentimentos negativos descontados em si não era algo que Kara desejava — longe disso, preferia evitá-los —, mas se passara tanto tempo convivendo naquele lar problemático que já havia acostumado-se àquela situação perturbadora.




A porta sendo aberta bruscamente do andar de baixo a assustou, fazendo-a sobressaltar minimamente de onde estava. Quando terminou de organizar a bagunça, tratou de ir até o criado-mudo e pegar a caixa de cigarros dali de cima. Precisava acalmar-se.




***



— Não tinha muita coisa na despensa — informou Kara ao progenitor enquanto colocava o prato de espaguete na mesa. — Eu fiz o que pude.




Richard lançou-lhe um dos seus — inúmeros, cansativos e familiares — olhares carregados de desprezo. Embora sua expressão fosse indiferente, receber diariamente palavras duras e hostis e olhares no mesmo nível deixava-a com um buraco no coração que parecia impossível de ser preenchido por completo. As esperanças de Kara de que um dia aquele problema familiar fosse resolvido haviam sido descartadas bruscamente no lixo junto com sua vontade de viver. Atualmente, parecia que a tarefa sobreviver estava ficando cada vez mais difícil. Kara sabia. Ah, ela sabia muito bem.




Kara sabia mais do que ninguém que, apesar de ser feita de carne e osso, era manipulada como um robô.




Ela não obteve mais uma resposta depois disso. Preparou-se para ir para o seu quarto, onde, possivelmente, Connor estaria — visto que o androide parecia eufórico nos últimos dias. Kara não o julgava, mas era inevitável não sentir-se irritada com a petulância dele de sair do porão para perambular pela casa quando Richard não estava. Ele poderia negar constantemente sua divergência, no entanto a loura sabia que aquilo não passava de uma mentira fajuta do androide.



— Todd virá aqui amanhã — o homem soltou a informação, deslizando o garfo pelo espaguete no prato com desinteresse. — Não quero você aqui, entendeu?





Kara não disse nada, somente assentiu.




Todd não passava de mais um perdedor alcoólatra, não era atoa que ele e Richard se davam tão bem. Ambos eram amigos há algum tempo e tinham bastante coisas em comum — a incrível habilidade de se comportar como um traste era uma delas. Kara não sabia absolutamente nada sobre Todd — e nem queria, honestamente falando —, conhecia somente o seu rosto e o cheiro forte de bebida que poderia ser sentido há quilômetros de distância. Mas a loura estava ciente de que Todd possuía uma filha menor, a qual, curiosamente, nunca vira a sombra. De um jeito ou de outro, cuidar da vida alheia ao invés da própria não era do feitio da Miller. Tinha seus próprios problemas para se preocupar com os dos outros.





A de cabelos dourados fora puxada bruscamente dos seus devaneios pela voz grave desferindo sentenças ricas em veneno e amargura:




— Perco meu emprego para a porra de um androide, e ainda escondem um deles na minha casa… — Kara alargou as pálpebras, mas logo tratou de mascarar a surpresa mesclada ao medo estampadas em sua face com sua típica expressão de indiferença. Ele está falando coisa com coisa, concluiu mentalmente, tentando acalmar-se. Mas aquela hipótese fora derrubada por terra no exato momento em que o homem ergueu-se bruscamente do assento, emitindo um rangido ensurdecedor pela cozinha. A única coisa que Kara viu antes de ter seu pescoço agarrado com estrépito fora a mesa sendo arremessada na direção da parede, espalhando os rastros de destruição por todos os cantos possíveis. — Vadia! Achou que eu não iria descobrir?! — o aperto incômodo em seu pescoço se intensificou, fazendo com que ela se debatesse, implorando com os olhos desesperados e aflitos por liberdade. No entanto, seu pedido não foi realizado. — Eu já tinha te dado uma lição antes, mas parece que você adora me irritar.




O corpo de Kara teve como destino o piso amadeirado frio. Seu pescoço ardia como o inferno e sua cabeça latejava, enquanto seus pulmões — que antes queimavam implorando por oxigênio — realizavam sua principal tarefa com uma velocidade assustadora. Sua visão encontrava-se turva, e, antes que pudesse ter a chance de restaurá-la, Richard lhe agarrou novamente pelos cabelos curtos, obrigando-a a ficar de pé e segurando seu maxilar com força brutal, impedindo a quebra do contato visual.




— Por favor… — Kara implorou pela última vez, sentindo as lágrimas querendo transbordar dos seus olhos. O aperto predominante em seu peito incomodava-a juntamente com aquela sensação amedrontadora que acelerava seu órgão vital e causava a paralisação nos músculos do seu corpo. Kara estava com medo. — P-pai, não, por favor.




Contudo, sua súplica não comoveu os olhos frios presos à sua figura amedrontada.




— Você teve sua chance, e você a desperdiçou.




Os dedos que seguravam com brutalidade seus fios louros e bagunçados soltaram-na, mas ainda assim, seu medo não diminuiu. Pelo contrário, ele triplicava a cada milissegundo que se passava. E se possível, aquele sentimento horrível que dominava cada célula do seu corpo a possuiu por completo assim que suas íris focaram-se em Richard desafivelando o cinto da calça, enrolando-o no punho fechado enquanto a encarava com seus olhos flamejantes de raiva.




— Você vai fazer isso mesmo? — perguntou ela, sussurrando. Não tinha coragem para encará-lo, então contentava-se com seus olhos fixos num ponto aleatório. — Você é um covarde.




Richard estreitou os globos oculares, erguendo o punho envolvido pelo cinto.




— Você foi a covarde por ter traído seu próprio pai e hospedado um daqueles putos na minha casa!




Kara fechou os olhos com força, não querendo mais ver o que estava prestes a acontecer. Esperou a dor lhe atingir.




No entanto, esta não veio.



Seus olhos voltaram a se abrir quase que automaticamente quando o barulho de alguma coisa quebrando soou pela casa; Connor havia impedido Richard e o lançado no chão. Embora tivesse conseguido parar o homem de cometer a atrocidade, não fora o suficiente para que ele parasse, muito pelo contrário. Aquilo só atiçou mais a fúria dele, sentimento esse que fora usado pelo ex-policial como combustível para se erguer do chão com dificuldade visível e avançar na direção do androide, que o encarava sem expressão alguma nos traços bonitos e atrativos.




Connor desviou do soco que Richard tentou desferir contra si, e chutou seu joelho, vendo-o gritar de dor e cair novamente. O androide conseguiu visualizar a tempo a arma sendo sacada pelo humano, mirando no robô, prestes a atirar. Se seu objetivo era assustar Connor, então ele havia falhado miseravelmente.





O androide correu na direção do homem, tirando habilmente a arma de suas mãos. Aproveitando o curto momento de distração do RK800, Richard desferiu uma rasteira contra o mesmo, assistindo-o se desequilibrar e despencar. O ex-policial rastejou rapidamente na direção da arma caída há uma distância curta de si e a pegou, virando-se e atirando em Connor.




O breve silêncio que havia se formado no local era preenchido graciosamente pelo som da chuva lá fora.




O sorrisinho orgulhoso de Richard assustava Kara.




Ela não conseguiu esboçar uma reação decente, apenas ficou parada, vendo o RK800 caído no chão, morto.




Você fez isso, Kara.




Você não traz felicidade a ninguém.




Por que você tem que ser tão egoísta?




Eu te avisei, Kara — a voz do seu pai soara baixa, quase como um sussurro. Ele a encarava sem tirar o sorrisinho do rosto. Apontou para o androide morto. — É isso o que acontece quando desobedecem minhas ordens.




A loura encolheu-se no seu canto quando o homem deu passos em sua direção, largando o revólver no chão desdenhosamente. Seu olhar acabou repousando na figura de Connor que se rastejava silenciosamente, prestes a atacar Richard e pôr um fim definitivo naquilo. Kara retornou o olhar para o Miller mais velho para que ele não desconfiasse de Connor vivo atrá de si.





— Nós poderíamos ter sido uma família normal como todas as outras — Kara olhou de relance para Connor, logo voltando-se para o homem à sua frente. — Mas você quis do jeito mais difícil, pra variar.





— Eu tentei várias e várias vezes! — Richard esbravejou.




— Não! Você não tentou! — a mais nova praticamente berrou, revoltada com a capacidade do homem de mentir descaradamente. — Nenhum pai de verdade bate na filha e tenta abusar dela! Nenhum!




Richard não teve tempo para retrucar àquela altura do campeonato, pois, no momento seguinte, o barulho estridente do tiro soou, ecoando por todos os cantos do lar conturbado da família Miller.




Seus olhos se reviraram e ele desabou, morto.




Kara ergueu o olhar lentamente, prendendo-o no RK800 que retribuía o gesto, com o revólver em mão.




— Ele não vai mais machucar você — disse Connor. — Nem ele e nem ninguém.


Notas Finais


BOA NOITE, CLÃ.


primeiramente, desculpas pela demora pra atualizar! eu fiquei meio ocupada essa semana com um trabalho de geografia e acabei me enbananando toda, mas felizmente já me organizei snskzhsjs além disso eu tava com um puta bloqueio k o que importa é que eu voltei, prometo não sumir por tanto tempo assim



ah, e obrigada pelos favoritos e os comentários, vocês são as melhores! 💘



então,,,,, eh isto









ps.: a parte boa da fic começa agora, aRe yOu rEadY FoR iT?


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