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História Freedom (interativa) - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Olá! Eu sei que o teaser era para ter saído ontem, mas minha colega que escreveu teve um probleminha com a energia da casa dela. De qualquer forma, está aqui o teaser com 4 pré-aceitos
Vamos a algumas notas
01- O teaser foi feito pela @neilminyard e os pré-aceitos foram escolhidos por ela
02- A personalidade dos personagens pré-aceitos, obviamente não foram desenvolvidas. Eles aparecem apenas para confirmar quem já está na história. O capítulo é centrado na Kate. Os outros serão mais desenvolvidos nos próximos capítulos
03- Obrigado a todos que enviaram as fichas! E bem-vindos.

Um beijo de Alê e Ollie.

Capítulo 4 - Pizza Night (Teaser)


Era uma tarde nublada e fria, perfeita na concepção de Kate. Ela deixava com que o vento levasse seus cabelos e alguns pingos de chuva tão finos quanto pequenas linhas de costura se chocavam contra o seu rosto. O sol estava escondido há algum tempo, mas tanto ela, quando Daniel ainda conseguiam sentir o solo quente sob os seus pés enquanto a fumaça do cigarro se espalhava rapidamente com a brisa; na verdade, aquilo era a única coisa ruim daquela tarde, eles gostavam de sentir o cheiro da nicotina queimada, depois de expirar. Era como um ritual dos dois.

— Está na hora do Ely chegar — Kate disse enquanto acabava de uma vez com o último cigarro. Eles estavam sentados no meio fio nos fundos de Greeniver High, muito frequentado por estudantes que decidiam faltar aula, era fácil de se notar isso ao reparar a enorme quantidade de tocos de cigarro e garrafas quebradas no chão. Kate atirou o que ela havia acabado de fumar junto com os outros — Onde vamos dormir hoje? Sua casa?

— Ely precisa estudar e quer que eu fique quieto hoje também. Se você for lá pra casa você vai ter que dar uma revisada para a prova de álgebra antes de dormir, sabe como funciona. O Ryder está vindo com o meu irmão, acho que vocês podem ir sem a gente hoje — Dan respondeu rapidamente, em seguida, se lembrou de que o habitual era que resenhas pós-aula fossem sempre na casa de Kate quando ela não estava com problemas com a família — Tem algo errado?

— Meu pai está em casa, sendo estúpido como sempre. Não quero falar sobre isso.

O silêncio se reestabeleceu por mais um tempo até ouvirem passos pelo corredor que levava até aquele pequeno beco. Ryder, sorridente, como sempre, acompanhava Ely lado a lado, seus cabelos azuis estavam com um frizz momentâneo devido ao clima e ele segurava seu inseparável copo térmico para guardar café. Dessa vez, era um cappuccino amargo com chocolate em pó que ele mesmo havia criado. Ely, por sua vez, estava mais calmo, cansado. Segundas-feiras eram os dias que ele trabalhava até tarde em Greeniver High. Por mais que a companhia de Ryder durante a hora-extra ajudasse a passar o tempo, ele sempre se perguntava se fazer todas as suas tarefas no colégio apenas para colocar no currículo realmente adiantaria alguma coisa.

— Olá! — Ryder disse enquanto ocupava o longo espaço entre Kate e Daniel. Delicadamente, o garoto encostou a cabeça sobre o ombro direito de Kate e ela instintivamente começou a arrumar o cabelo dele — Sobre o que estamos conversando?

— Nós não estávamos falando sobre o pai da Kate porque ela disse que ele é estúpido e não quer falar sobre isso — Daniel tomou a liberdade de responder.

— Sério, Kate? O que aconteceu dessa vez? — Ryder perguntou.

A garota apenas virou os olhos. Não por sarcasmo ou deselegância, ela apenas estava exausta de pensar sobre sua vida pessoal.

— Eu estava esperando por um show da minha bandinha preferida em Ohio desde que eu tinha 15 anos. Juntei dinheiro de um trampo e eu mesma comprei os ingressos. Só que, como levei uma suspensão, meu castigo é não ir no show e vou ser obrigada a ir naquele viagem para aquele museu estúpido. Inclusive, obrigada pela advertência, Ely.

— Não é culpa minha se você não sabe respeitar aos seus professores — Ely pareceu um pouco ofendido com a acusação, mas deixou passar e apenas suspirou— Você já não tinha ido nesse museu ano passado? 

— Eu praticamente fui concebida naquele museu. Meu pai gosta dessas coisas de arte e tal. É um amargurado que não teve coragem de seguir a carreira que queria e fica empurrando isso para cima de mim, como se eu fosse obrigada a gostar dessas merdas velhas. Mas não interessa. Eu não vou perder meu tempo com isso. Que tal a gente sair para dar um rolê em New York? Vai ser mais legal que passar o dia em uma excursão chata.

Kate desviou o olhar para Ely mais uma vez. Era a mesma expressão de sempre: olhos semicerrados, sobrancelhas franzidas e os cantos da boca virados para baixo, o olhar que ele sempre lançava a ela quando queria dizer algo como: “Você não deveria falar isso na frente do seu chefe de turma, eu vou ser obrigado a mentir para o diretor”. No entanto, a garota sempre tentava manter seu amigo por dentro dos planos dela, Kate imaginava que ele era quem mais precisava relaxar e curtir um pouco.

— ‘Tá olhando o que? Isso é problema seu — Ely disse — Eu não vou ficar aqui sugerindo que você deva ferrar com o passeio de quem quer mesmo ir pra aprender. Porque eu acho que você sabe que se alguém sumir no meio do caminho vai dar problema pra todo mundo e você não seria tão irresponsável. 

“Você me conhece”, ela quis responder, mas decidiu se calar e outro silêncio se estendeu até que Ely deu um tapinha nas costas do irmão e eles se despediram de Kate e Ryder com  um high five. Os dois continuaram sentados por um tempo até que o garoto de cabelos azuis se deitou na calçada , apoiando a cabeça nas pernas de sua amiga. Imediatamente ela acendeu um cigarro que havia bolado mais cedo, eles revezavam entre a boca dela e a dele enquanto assistiam os irmãos Lopez entrando no uber que havia acabado de chegar.

— Você vai mesmo fazer aquilo? — Ryder falou enquanto passava o toco de volta para Kate.

— Você acha uma má ideia?

— Tudo relacionado a você é uma má ideia. Não significa que não é interessante, só que pode ferrar um pouco com o Ely se você não tomar cuidado.

Kate parou para pensar um pouco. Colocou seus fones e clicou na reprodução aleatória enquanto pensava em quem chamar para o dia da pizza, já que Ely e Dan não compareceriam dessa vez. A música era Ride, da Lana del Rey. Katherine não costumava pensar muito sobre sinais, mas aquela letra —  Live fast. Die young. Be wild and have fun — soou como um sussurro diabólico e, sem mandar mensagem, decidiu que o dia da pizza seria na casa de Max.

A garota deu três toques no ombro de Ryder que se levantou e fez algumas perguntas sobre onde estavam indo. Mas Katherine se absteve de responder e apenas foi em direção à BMW estacionada de mal jeito na entrada de Greeniver High. Ryder havia perdido o interesse em saber onde eles iriam, contanto que pudesse relaxar no banco confortável do carro da amiga enquanto acabava de beber seu cappuccino. 

Ela tentou abrir o Whatsapp enquanto dirigia, mas não deu muito certo, então apenas jogou seu celular no colo de Ryder e passou as instruções.

— Abre aí o contato do Samuel e pergunta se ele está na casa do Max. A nossa noite da pizza vai ser diferente.

— Nem fodendo que você vai me levar para a casa desse babaca — Ryder disse em tom de piada, mas mesmo assim pegou o celular de Kate e escreveu o que ela havia ordenado. Ele não precisava discutir com ela enquanto estava em alta velocidade em um carro potente, mas não deixou de lançar um olhar maldoso para o lado do motorista — Você está prestes a fazer uma merda monstruosa, acertei?

— Você está dentro?

— Acho que já é meio tarde para perguntar. Sam acabou de responder que está indo para lá se você quiser — Ryder sorriu — Em uma escala de 0 a 10, quanto é perigoso?

— 10.

O garoto de cabelos azuis apenas riu e assentiu. A casa de Max não era muito longe do colégio, então não demorou muito para Kate parar com a BMW na garagem e buzinar por pelo menos quarenta segundos até uma das luzes da casa se acenderem — depois de quase todos os vizinhos terem ido até a porta olhar o que estava acontecendo. De longe, por uma janela no andar de cima, eles puderam ver o aspecto físico de Max. Estava sem camisa, quase que como sempre, seus ombros eram largos e o abdome definido devido aos treinos intensos para manter a forma, um pouquinho diferente de como Kate se lembrava. Max foi até a porta, apertando várias vezes no controle que abria aquele portão automático bege até que finalmente a garota pôde colocar seu carro para dentro.

— A que devo a honra? — Max perguntou assim que ela desceu do carro. Ryder também havia acabado de descer.

— Sam está? — Kate finalmente sorriu, balançando alegremente os ombros para a direita e para a esquerda. Sem precisar de convite, ela puxou Ryder para dentro da sala de estar — Noite da pizza. Toda segunda, lembra? Decidi que hoje vai ser na sua casa.

— Eu achei que nunca mais fosse me convidar. Já fazem uns meses que eu não como pizza com vocês. Sam me mandou mensagem e disse que está vindo. A Luna também.

— Eu não te convidei mais porque você é um cuzão com os meus amigos.

Kate praticamente se jogou no sofá e pegou seu celular para pedir a pizza. Não demorou muito até que Samuel Thredson chegasse ao lado de Luna Rheia. Katherine não havia pensado em chamá-la, mas, assim como Ryan, ela era uma parceira para qualquer ocasião. Não era de se esperar que ela fosse deixar de lado qualquer tipo de aventura. 

Todos se reuniram na sala e se cumprimentaram. Kate se recusou a dizer qualquer coisa até que a pizza chegasse, o que aconteceu cerca de trinta minutos depois que todos estavam reunidos. O clima não estava muito bom. Max e Luna tinham problemas de convivência com Ryder, que era distraído demais para perceber isso. Sam tinha pequenos problemas de convivência com Luna ocasionados por cantadas em momentos indevidos. Kate tinha problemas de convivência perceptíveis com Sam e Max, mas tentava esquecer que os dois existiam até precisar deles. E, bom, Kate era como uma fita adesiva que tentava colar um vaso de barro que se partiu em mil pedaços. Não só com eles, mas com quase todos os seus amigos.

— Eu preciso de vocês. Quero fazer uma coisa louca — Kate disse entre duas mordidas em um pedaço de pizza de calabresa.

— Nem é brincadeira o que eu vou dizer agora — Sam a interrompeu — Da última vez que eu ouvi você dizendo algo parecido, seu pai teve que te buscar na delegacia.

— Aquilo foi um mal entendido! — Luna disse se sentindo levemente ofendida. Ela estava com Kate na vez que as duas tentaram entrar em uma boate chique sem levar dinheiro nenhum. 

— É sério — Katherine retomou — Eu sei que vocês topam tudo. O que vocês acham de a gente ir dar um passeio em New York no dia da excursão. Vai ser semana que vem. Quando a gente chegar lá, nós pegamos o ônibus emprestado e saímos do hotel por uma noite.

Todos apenas ficaram olhando para ela naqueles cinco segundos de silêncio. Max quebrou.

— Arriscar ser expulso de Greeniver High por uma noite? Seria mais legal se fôssemos sem a escola.

— Kate, você quer se vingar do seu pai por ter estragado seu início de semana e quer envolver a gente nisso — Ryder disse enquanto bebericava o restinho de suco de maracujá que eles haviam ordenado com a pizza. Ele parecia menos agitado que o normal — A não ser que você tenha um plano.

 — Um plano poderia me fazer aceitar — Luna disse.

— Pode ser de um jeito diferente. Mas seria mais arriscado — Kate disse.

Os olhares se cruzaram e se direcionaram a ela novamente. E, então, ela pensou. O que ela tinha era apenas uma perspectiva. Como se fosse um esboço de como se safar de tudo aquilo, mas o que tinha, provavelmente comprometeria pessoas que, como Ely dissera, não queriam participar disso e estavam indo para estudar. Era o mais arriscado, mas o mais divertido a se fazer. Kate contou a ideia para os garotos e pediu para que ficasse tudo entre eles, mesmo se decidissem não fazer tudo aquilo.

— Acho que isso é um pouco demais, você não acha? — Sam perguntou assim que Kate acabou de contar e  não conseguiu deixar de lado sua excitação com o plano da garota. Seus olhos brilhavam enquanto seus dedos deslizavam entre as pontas dos dreads.

— Sim — a garota disse.

— Vai dar problema para muita gente — Ryder não pode deixar de dizer. Apesar de estar dentro, com certeza ele se importava com Ely e Dan e não conseguia não demonstrar a preocupação em sua voz. Max e Sam lançaram olhares entediados a ele — Só estou falando.

— Não tem problema se isso acontecer — Luna, dessa vez, tomou frente — Caso o tiro saia pela culatra nós vamos ter a quem culpar, não é, Kate? Você disse que vai se responsabilizar, não vai? 

— Se mais alguém se responsabilizar comigo, sim. Eu não poderia ter armado tudo isso sozinha, teoricamente. Então…

Todos se entreolharam. Eles sentiram como se estivessem em uma sala de interrogatório e precisassem assumir um crime. A diferença é que, naquele momento, Kate e mais alguém seriam como pessoas que cometeriam um crime sabendo que teriam que confessar no final e que seriam condenados fazendo isso. Alguns segundos se passaram e a garota olhou para os outros como se fossem as criaturas mais covardes que já vira na vida. Sam não conseguiu aguentar esse olhar vindo de uma garota.

— Okay, eu assumo essa responsabilidade. Mas eu não quero ter que fazer mais nada. O resto fica por conta de vocês, já que eu vou me dar mal de qualquer jeito.

— Então eu estou dentro — Luna disse — Eu me encarrego de algumas partes do plano. Quem mais vai, Kate? Você já falou com mais alguém? 

— Preciso falar com pessoas que eu tenho certeza que vão. O resto dos alunos… bom, vocês já sabem. A gente se livra deles de algum jeito ou leva junto, sei lá — ela respondeu — Ryder? Max?

— Ely e Dan não vão gostar nada disso — Ryder disse  — Mas tudo bem, é só me dizer o que eu devo fazer.

— Por mim tudo okay, desde que eu não esteja envolvido na merda que vai dar depois. Tenho uma imagem a zelar, uma ficha criminal não me faria muito bem — Max completou e acabou de virar o refrigerante — Quando você vai nos dar detalhes?

Kate não pôde deixar de sorrir com tudo aquilo que estava acontecendo. Um arrepio percorreu a extensão de todo seu corpo e, desde já, a adrenalina tomou conta da garota. Estava fazendo algo que iria se lembrar pelo resto de sua vida e que, possivelmente, contaria para seus filhos — se tivesse filhos. “Uma coisa louca”, ela pensou, “Uma coisa que vai nos tirar do tédio por muito tempo”.

— Bom — ela disse, mostrando os dentes e com os olhos brilhando — Vocês estão livres amanhã? Vou trazer uns amigos. Pode ser na casa do Ray-Ray? 

— Claro — Ryder sorriu. Seus olhos estavam avermelhados e Kate percebeu que ele estava mais calmo por causa da tragada que dividiram. A garota ficou feliz por descobrir um jeito de desacelera-lo — O lance da grana. Como vai ser?

Ryder montou um grupo no telegram e adicionou todos eles, em seguida, enviou seu endereço. Estava marcado. Terça, na casa de Ryder, às 8:45 da noite. Kate se sentia uma mandante de um atentado terrorista, ou de uma organização mafiosa. “O dinheiro é da família toda, Kate”, sua mãe dizia sempre que a garota pedia para comprar algo caro demais, mesmo se fosse com seu próprio dinheiro, “Moramos na mesma casa. As finanças são coletivas, você tem que ver se precisa ou se quer. Há uma diferença”.

— Sobre a grana — ela disse — Eu cuido disso.


Notas Finais


Até a próxima reunião, amores.


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